A Mónica desta vez, vai pagar-mas.Não a visitava já há algum tempo.Só quando é para cortar e pouco mais.As mónicas são quase todas iguais. Loiras, giras, um giro suburbano, com piada,cabelos em pé de tanto gel, faladoras,verdadeiros jornais de província ou de metro, simpáticas e sempre na personagem.Esta mónica gosta de mim.Tem alguns cuidados. Adoça a voz, sorri cúmplice, como diz um amigo querido ( dê quê )?Mas pretende ser naqueles minutos em que estou, a amiga que ela gostaria de ter.Assim que me sento, atira as perguntas com ar interessado ou interesseiro,ou ambos. A partilha que ela gosta que tenham que a faz de prestadora de serviços a amiga do peito.Eu acho piada ao teatro, porque não?
Mas desta vez passou-se.Arrependo-me sempre de me pôr nas suas mãos.Chego afoita, segura, certa de que só as pontas são para cortar. Apenas dar corte ao corte.Porque será que são todas iguais? Apanham-se com a tesoura nas mãos e zás. Que alivia o rosto, que o torna menos pesado, que já precisa...e eu cansada de saber, já estou a ser enganada e autorizo. Quando termina, olho o espelho. Antes de me ver, vejo-a orgulhosa, sorridente, feliz. Conseguiu.Conseguiu convencer-me que na próxima, não haverá próxima.Vou mesmo deixar crescer o cabelo. Já estava tão grande...e afinal eu gostava. Vi uma foto e pensei para comigo. Porque raio é que não me oiço? Gastei o dinheiro, perdi o cabelo e não fiquei mais bonita. Muito pelo contrário, não sou eu.Sou aquilo que hei-de ser algumas semanas até me encontrar ao espelho, gostar, e voltar a ter desejos de visitar a Mónica.
segunda-feira, 2 de novembro de 2009
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