segunda-feira, 26 de setembro de 2016

abóboras no campo


convento de S. Francisco - Alenquer




o Poeta

O poeta tem o poder de dizer o que ao outro custa, na desculpa de ser um deus superior, a ditar-lhe a própria dor. 
O ciúme e a saudade.
A verdade e o amor....
O poeta pode tudo na permissão de sonhar-se, com as palavras da ilusão. 
Numa eterna viagem de alma libertina. Onde reina a (des)coragem da inspiração. 
Deixa-o rir e chorar. Deixa-o escrever e falar, versos de ousadia e solidão. Mas também de convulsiva alegria. 
Sem pudor. Ou satisfação, ao mundo dar. 
Ao poeta só falha o poder de fingir seu solitário sofrer, nos poemas paridos em pranto, das suas mãos. Da pele, dos olhos, do instinto. Do coração. Da sua emoção...
Dor tão forte, como certa é a morte, na dor que a Mulher sente, parindo um filho do ventre seu: 
que rasgando as suas entranhas, lhe chama agradecida, bênção, vinda do céu...

m.c.s.

Da Ermida para o mundo


domingo, 25 de setembro de 2016

a vinha


lugar de mim

Quero voltar ao lugar da ternura 
Menina traquina,
sonhadora e pura,
( que nas noites tropicais, 
de tão quentes, nos quintais
Contava estrelas no céu ),
Tomar de braçado a lua 
Vagabundear pela rua
E entrar num sonho teu...

Quero voltar ao lugar 
onde a tarde foi muito cedo
E madrugou no desejo
Que despertou a paixão
Minha boca de dizer não
Em últimos beijos se abrindo
E rindo 
Deste tonto coração...

Quero voltar ao lugar sem fim,
de mim
Simplesmente voltar
E por um momento ficar
Sem desculpas, 
nem defesa 
Presa...
No teu cativo olhar!

m.c.s.

sobre o amor

Teres o amor não é igual ao amor te ter.
No dia em que tiveres o amor, de amor morrerás. 
Ou quem sabe, ressuscitarás.
Enquanto ele te tiver, faz de ti o que lhe aprouver.

m.c.s.

sábado, 24 de setembro de 2016

limitação

Viveres limitado não é - estares rodeado de montes.
Viveres limitado é - não esperares mais do horizonte.

m.c.s.

se o é...

Se o amor doer, não é Amor, 
Não...
Será posse, devaneio 
desvairada paixão
Arrependimento...
Amor é ser-te sol e oração
identidade, 
saudade 
e crescimento
Alegria!
Nunca dor
Sempre versos e poesia...
Muito mais que fantasia...

Se o amor doer, não é Amor, 
Não...
É p' ra esquecer
no coração
Que o Amor, se o é, 
sara a dor 
e lhe dá cor
Nunca menos
Sempre mais
Real sonho
Seguro cais...

m.c.s.

fotografias do meu olhar





sobrevivência

Sobrevivência não é chapéu de chuva  em dia de temporal.
Sobrevivência é a habilidade de saberes andar por entre os pingos da chuva.

m.c.s.

não (te) sonhar

Em horas tardias me desatino e enlouqueço - entre-sonhos, 
Que sei eu?!
Te ergo, alma e corpo, construção,
parte da minha alucinação...
E em esboço leve e breve te desenho - esgar, sorriso, sedução
d' alma inquieta 
que no silêncio da noite profunda se aquieta...
E te contemplo assim, imóvel. 
E te sorrio. Também.
Alma apenas. Que vai e vem; convulsão
Voo circundante, raso, planante, 
que se aventura e se detêm nos caminhos livres da saudade. 
Viajantes d' horas soltas
Na noite calada
Na exaltação de mim
No destino da madrugada,,,
E só por esses sorrisos, paro o tempo
E te alicerço construção do que já és
Amor que habitas tão perto do mais íntimo de mim...
E não! Não me peças que acorde
E deixe de sonhar, desatinar, enlouquecer, 
por te construir, sorrir e escrever
Que mais que a insónia que me definhará
Adormecer,
Acordar e não sonhar
Não te ver
É pior que não te ter...

m.c.s.

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

fretes - fazer ou não

Não fazer fretes não é dizer - Não - Ao parece bem, te incomoda, não gostas; ao que exigem de ti. Ao carregamento de " fardos "
Não fazer fretes é dizer - Não - Quando o razoável do outro, ultrapassar o limite do razoável de ti.

m.c.s.

domingo, 18 de setembro de 2016

a propósito de...

...e não. Não conheço a história. Não sei se aqui habitou a mulher do Papão. Ou se por ser este lugar habitado por corvos marinhos e gaivotas, veio um e...papôa...
Só sei que é um sítio lindo para papões e papados (as). Ou seja, para a engorda. Consta que à noite vêm para aqui papar neles e nelas. 
A gaivota papa o peixe. O pescador papa a marmita. E ainda deve haver o papa-moscas se a onda bate na rocha e lixa ( ou papa? ) o mexilhão. 
Papa-açordas é que não há por aqui. Pois que com os fotógrafos que hoje proliferam como percebes, por lá, aqui acoli, é vê-los a correr entre as pedras, galgando rochas à procura de paisagens, as melhores, que o tablet, telemóvel, a máquina conseguir papar e antes que venha alguém roubar-lhes a cena. Ou melhor, a paparoca. 
Pokemóns é que me parece que não há neste lugar pois o Papão, verdadeiro dono do pedaço, deve tê-los papado a todos.

m.c.s.
P.S - Lugar de mar e rochas em Peniche

no 36

No 36
Atrás de mim uma voz de homem com sotaque da banda, falava ao telemóvel.
- Não meu, não está comigo. Não quis lhe levar. Então?! A dama não lhe curte. 
Porquê? Porque ele chupa. Bué. E quando chupa fala fala que num acaba mais. Quero bazar e ele vai bebendo umas e outras. E quando vou encontrar com a dama ele me faz atrasar, até parece de propósito. E ela fica só me esperando. Quer já terminar.
Não, mano. Não lhe levo memo. Um gajo não bebe e quando num tá beber um madiê desse que tá chupar mali, chateia, porque você já não bebes, tens mais um gajo a te insistir pra tu chupares. Num dá. 
E a dama já m' avisou que não lhe gosta. E ela tem de me kuiar. Ele que se "#&%. Ela táma gostar. Num vou lhe decepcionar...

creditação

Acreditares no sonho não é construíres um castelo na areia.
Acreditares no sonho é venceres a onda que o quererá destruir. 


m.c.s.

um olhar de amor sobre Peniche






quinta-feira, 15 de setembro de 2016

entre Setúbal e Palmela





jardim botânico tropical




no Outono há nenúfares

O Verão a despedir-se...
A praia deixa de ser o destino mais desejado. A bola de berlim perde o sabor. O bronzeado amarela-se. As toalhas, os paréos e os biquinis arrumam-se. Os sacos vão para o armário do quarto vazio. Os comboios para a Linha esvaziam-se e a normalidade volta aos residentes; e aos turistas que visitam os lugares. 
Os filmes das tardes longas perdem o interesse quando estou sozinha, que o regresso se faz de noite e é preciso ter cuidado. 
O sol está mais baixo mas as noites arrefecem. A porta da marquise fecha-se e os estores descem. Puxa-se o lençol na deita. Dona Gata quer aconchego e regressa à cabeceira da cama. Tomando assento como sempre. 
Acrescenta-se um edredon na cama. E uma manta na sala. Apetece sopa de feijão. Bolo de chocolate. Chá de gengibre. Tricot. E leitura. Livros devorados com prazer e curiosidade. Poesia. 
O Verão a despedir-se...
O tempo muda. A pele arrepia-se. A noite rouba à tarde mais uma hora. O astro rei, vai entregando os pontos. Chove durante a noite. Num acordo tácito com os dias. O verde do monte acentua-se. E até a dona lua que vai para cheia, parece brilhar mais do que antes.. 
Mudam-se as gavetas. Trocam-se os sapatos, as malas e os acessórios. As cores. A intenção.
Sonho destinos. Felizes. E não sucumbo à nostalgia. 
Os propósitos são diferentes. 
O sentimento é o mesmo. No coração. 
Alimento-o de tranquilidade e alegria.
O Verão a despedir-se, mas eu não.
No Outono há nenúfares...

m.c.s.

afectos

No beijo que a gente dá;
e no abraço apertado, 

- infinito laço .
O Amor está lá...

m.c.s.

saudade

Saudade não é falta. 
Nem vazio. 
Nem ausência.
Saudade é espaço. Consentido.
Sintoma. Repetido.
Saudade é a memória a fazer-se presente. 
A lembrar o que o coração amou e viveu; 
e não esqueceu.

m.c.s.
P.S. Ando cheia de " lembranças "