quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Цекало и Puttin` отожгли на Воробьевых горах

o fim do mundo! Meeeeedo...


Há uns meses atrás, recebi de presente, um jantar no Alfama-te a 10, jantar esse que se realiza às quintas-feiras, assim haja inscrições. Tem a particularidade de serem dez desconhecidos que se juntam à mesma mesa para umas horas de interessantes descobertas, de sã confraternização e até de futuras amizades. Acontece sempre em Alfama, em páteos ou dentro de casa de residentes que cozinham para o efeito prestando um serviço ao Alfama-te, organização de que faz parte uma pessoa muito muito chegada a mim há trinta anos e mais nove meses, num chega-te para cá que até pareço um canguru carregando a pessoinha na bolsa marsupial com muito cuidado, amor e protecção. Foi ela que me ofereceu de presente de Natal uma entrada  (que pagou ) no dito jantar.
O Alfama-te é um projecto giríssimo que só pessoas social e politicamente livres, altruístas e generosas podem levá-lo para a frente. Desde que  Joana, o Fred e a Ângela se afincaram nele, passaram a dinamizar o bairro e a acrescentar materialmente, algo, a umas quantas pessoas e  famílias do dito bairro que não é senão, Alfama. 
Os jovens que gostam do conceito divertem-se dançando, comendo, bebendo e convivendo duma forma mais  saudável, formando já uma família pois que ficam a conhecer-se e comparecem a todas ou quase todas as festas. Festas essas que costumam ser temáticas. 
Desta feita, em meados de Dezembro e antes do dia 21 a festa terá como tema O Fim do Mundo. Irão assim comemorar o fim do mundo que são as festas do Alfama-te todas as pessoas que compareçam fazendo-se acompanhar de um qualquer género alimentício cozinhado ( enlatados por exemplo ) que em vésperas de Natal serão distribuidos pelos sem abrigo do bairro e de Lisboa.
Mas voltando aos jantares do Alfama-te que se chamam Alfama-te a 10 e ao meu jantar oferecido no Natal, digo que foi com curiosidade e alguma desconfiança que me fiz presente. Apenas conhecia os três organizadores que são jovens e o tal jantar era de gente com mais de 50 anos, excepção aberta naquele dia pois que costumam ser jantares para todas as idades subentendendo-se que não é alargado a crianças, claro. Também excepcionalmente foi num lugar de nome Tejo Bar que obviamente fica em Alfama e pertence à Mira, uma brasileira simpática e afável que nos recebe com beijinhos e um sorriso nos lábios e nos deixa completamente à vontade. Tão à vontade que  é normal ouvir-se cantar e tocar, dizer poesia, quando os clientes agarram num qualquer instrumento musical dos vários espalhados pelo bar  e tornam a noite ali dentro num espaço de arte e harmonia.
O " meu " jantar iniciou-se com algumas palavras de cada um dos participantes no intuito de nos identificarmos, seguido de algumas respostas dadas aos organizadores para que o ambiente desanuviasse e se tornasse mais agradável quebrando-se o gelo e algumas inibições. 
Fui então surpreendida por uma pergunta que não me foi feita apenas a mim mas a todos quantos estavam à mesa.
- Se hoje acabasse o mundo o que farias?
Ouvi as várias respostas. Não temia que a minha resposta pertencesse a qualquer outro. Esperei pela minha vez para responder sem hesitação.
Será que adivinham, vocês que me lêm? Vocês que são família? Vocês que são amigos?
Arrisquem, vá lá...
Pois. Então não sabem?
À pergunta, respondi que precisava de sete horas. O meu fim do mundo era ( quase ) no fim do mundo, por isso precisava de sete horas.
Para quê? Perguntaram. Perguntam vocês. Se perguntam é porque não adivinham.
Ok. Não posso exigir muito de amigos virtuais. Mas há os que são mais que virtuais daí a minha insistência.
Não vou bater mais no ceguinho, até porque aposto que há quem já saiba, cumprindo o ditado de que na terra de cegos, quem tem um olho é rei.
Pois então adivinhou. Sete horinhas de avião e eis-me chegada a Luanda para cumprir o meu destino. O fim, apesar de que odeio fins, sejam eles quais forem mas este é outra coisa, é um final feliz porque não fica ninguém para contar como foi que é como quem diz, finando-se tudo é uma alegria pois que não se ficam a rir uns dos outros. 
Chegada a Luanda acho ia pôr-me na Ilha a olhar a baía, as luzes a espelharem a água, a lua a prateá-la e assistiria ao fim do mundo no último acto de amor para comigo e para com a minha terra. Em festa...
Então? Quem sabia? Estava na cara de tão óbvio. Quem sabia, conhece-me. É meu amigo de verdade e por isso agradeço pois que não anda aqui aos papéis, a ver passar os comboios, os aviões, que é como quem diz, os meus textos, poemas, pensamentos, músicas e outras publicações.
Se eu acredito que o fim do mundo será dia 21 de Dezembro? Diz que sim, mas eu digo que não acredito. Acredito sim na festa temática " O fim do mundo " que o Alfama-te vai levar a cabo no mês de Dezembro em Alfama. E acredito também que será um fim de mundo como aliás todas as festas do Alfama-te. Por isso aconselho a que vão. Poderão comer,.beber e dançar ao som de música bem fixe  por DJ muito conceituado no meio. Ah, e não se esqueçam, uma lata de atum, de salsichas, um paté, uma lata de grão,de  feijão. Qualquer coisa na generosidade que sei que possuem. Os sem abrigo não deixarão de o ser, não será um fim de mundo se vocês não forem e nada levarem, não será o fim do mundo para eles, mas fazia a diferença.
Despeço-me por hoje com um até já. Não estou num fim de mundo nem tão pouco quero ir ao fim do mundo, a menos que valha a pena, mas tem dias que se o fim do mundo viesse a mim, ia adorar. Só para perceber como é. Só para exorcizar essa coisa de escrever, the end.


terça-feira, 27 de novembro de 2012

Para ti


Hoje o meu príncipe faz anos


Há 27 anos " abri-te as portas da vida " como tu numa redacção da escola primária o disseste a propósito de actos importantes tidos pela " mãe ", no caso, eu. 
Nunca mais se fecharam as portas da vida que te abri, graças a Deus. 
Sempre que encontras um obstáculo tentas contorná-lo e tens conseguido.
És um filho de oiro e um ser humano fantástico. 
És inteligente, sensível e muito dotado.
A tua arte te leva longe e te aproxima mais do divino. Te afasta de mim fisicamente, mas te aproxima espiritualmente.
Que mais posso desejar? Tentei dar-te asas. Consegui. E tu voaste.
Hoje, meu amor, desejo que nunca pares de voar. Nunca pares de sonhar.
Que a vida te seja leve e tu a enfrentes sempre como uma dança que és capaz de dançar.
Que a sua coreografia seja um movimento harmonioso, belo e alongado no tempo, num sem fim, para tu criares.
Parabéns, meu príncipe, pelos vinte e sete anos de vida que hoje completas.
Sou a mãe mais feliz do mundo por seres meu filho. A minha cria caçula.
És um privilégio que Deus me ofereceu e que eu agradeço todos os dias.
Amo-te para lá de todos os movimentos, de todas as peças, de todos os passos de dança, que o universo ainda não inventou.
Um abraço maior do que todas as eternidades que possam existir.

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Mãe




O olhar sereno, 
Cor de mel, doce
Sol morno e ameno
Raiando de luz
A voz sotaqueada a norte,
Aguda mas forte
Quando me chamavas
Ralhavas
E me desejavas sorte
As mãos aveludadas
De rainha,
Quantas vezes cansadas
Tocando-me a alma
E a pele de menina,
O colo de sempre
Sabor a ternura
Sono e chão
Paz e Candura
Ainda fazem bater suavemente
O meu coração
Ainda sinto o teu calor
Bem presente
Eternamente...
Minha mãe
Porque tu és Amor!


m.c.s. ( à memória da minha mãe que partiu há 24 anos e hoje faria 77 )

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

divagando

Só aquele que tem olfacto sentirá o perfume da rosa. 
Digo eu que tenho os sentidos apurados.


m.c.s.

domingo, 18 de novembro de 2012

outono em mim




Gélida a tarde deste desencanto
Que trago no olhar cansado
Baço 
Cinzento
Desmaiado
Fere-me esta chuva forte
Chorando a minha vontade de ficar-me para aqui
Indiferente
Sopra p' ra longe 
As folhas do outono triste 
Uiva o vento que arrasta sinais de amargura
E se junta ao temporal 
Numa estranha loucura
Leva os restos d' um verão 
Que ficou por viver
Desejos perdidos no seu fenecer
Jogados ao chão 
Não sei se quero este sentir
Não sei se ainda sei sorrir
Apago a careta rasgada
Pela soma das estéreis madrugadas
E pouco mais sinto que nada
Pouco mais sei sentir
São ténues os sinais do sol
e da sua alegria
Leve é o toque da sua acalmia
Gélida a tarde
O tempo e o futuro incerto
Que se agiganta 
Crescendo em mim
Se faz longe 
E fatalmente tão perto
Conformado este meu pranto
Gélida é a tarde do meu deserto
Do meu desencanto...

m.c.s.

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

parabéns mano Zé!


És meu irmão. E fazes anos hoje.
Passou tanto tempo desde que nasceste, mano Zé!
Tanta coisa, tanta estória e tão envolvidos na história das nossas vidas, da nossa família e da nossa terra!
Tanta gente nasceu depois que nos alegrou e tantos partiram que nos desgostaram e entristeceram. 
Tantas caminhadas que fizemos lado a lado. Tantos aniversários comemorados, Natais, alegrias. Tantos lutos...
Musicas ouvidas, sons da nossa saudade. Estórias percorridas em pormenores da nossa fraternidade. Viagens no sofá da sala para além mar; sorrisos, lágrimas, memórias... 
Ser irmão é isto. Partilhar o ventre materno e depois as nossas vidas, desde que existimos. 
Eu já existia quando nesceste e lembro como se fosse hoje o teu nascimento atribulado junto à noite. A mãe, o pai e a parteira, dona Apolónia, uma mulher da Vila Alice, voz de comando e decidida. Que tratava o pai e a mãe por tu e os punha em sentido.Estás a ver o pai em sentido às ordens duma mulher? Pois então!
Eu, no patim da casa ao colo do avô Carvalho. Chorando assustada com as movimentações no interior, repetia continuadamente : eu quero a mãe, eu quero a mãe. E o avô que devia estar numa pilha de nervos acalmava-me como só ele o sabia fazer. 
A noite descera à " cubata " como todos chamavam àquele casarão junto das mulembas do quintal livre e sem muros, onde o pai se iniciou como comerciante e onde a mãe e eu ficamos a viver, quando casaram. 
Dentro de casa alguma coisa corria mal, que o pai chorava. A porta do quarto não se abria e o avô estava enervado. A dona Apolónia gritava no corredor, esbracejando.
O teu nascimento foi comentado na rua, nos vizinhos, no largo. Nasceste com cinco quilos e tal e a parteira partiu o teu braço em três partes. 
Mesmo que não me lembrasse desta história que envolveu a tua chegada acidentada, foi drama contado ao longo dos anos, em que pai e mãe, avô, tio Augusto e pessoas mais chegadas lembravam como se fosse o próprio momento, numa intensidade que só quem ama consegue ter.
Hoje completas mais um ano de vida. Graças a Deus. 
Sei-te feliz e isso tranquiliza-me muito.
E sei que te olho com olhos de irmã mais velha que tem de ti um amor que podia dizer quase paternal.
É. Tens sido mais que irmão, o pai, que eu, que nós perdemos. Estás sempre lá, no lugar que eu preciso tantas vezes. Estás sempre lá, no lugar que a caçula precisa tantas vezes. Que o Paulo, a Ângela, o David, precisam. Estás sempre lá, meu irmão, no lugar que qualquer irmão, cunhado, sobrinho precisa. No lugar do amor, do altruísmo e da lealdade.
O meu muito obrigada por seres quem és e meu irmão.
Muito parabéns, sucessos e vida saudável. 
Tem um dia muito feliz.

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

divagando

Quando me viro de  frente para Sul, fico que nem Anjo.
Sem costas...

m.c.s.

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

pensando


Eu não deixei Angola, apenas parti. 
A minha alma ficou lá. 
Um dia faço a viagem de volta, para encontrar a minha placenta, a minha alma, o meu lugar.

m.c.s.

domingo, 11 de novembro de 2012

Parabéns Angola



Minha terra que bonita
Menina e tão gigante
Bravo povo em ti habita
Tens alma de diamante

Terra de tantas mães
Tantos amigos e irmãos
Hoje estás de parabéns
E todos damos as mãos

Minha terra abençoada
Minha voz na humildade
Quer dizer-te obrigada
E chamar-te de saudade

Ah minha terra querida
Meu sol, meu mar, meu chão
Hoje mais do que nunca
Moras no meu coração.

m.c.s. ( 11.11.2012 )





sábado, 10 de novembro de 2012

Parabéns Princesa


história das histórias


Gosto de contar estórias e histórias. E há-as. Às histórias e estórias. 
Esta é uma história que me aconteceu. A história! Que me mudou para sempre.
Verdadeira. Sublime e longa. Que desejo como não desejo mais nada, que persista para além do tempo e de mim, por muitos anos.
Daria a minha vida se pudesse, para que jamais se escrevesse nela, o fim.
Porquê? Porque esta história mudou a minha vida. 
Porquê? Porque esta história é a minha vida.
Porque é uma história de mulher. De mãe que deu vida ao mundo. 
Sim porque não há nada mais sagrado do que dar à luz. 
E hoje, há trinta anos eu pari um bebé de 4,200 quilos e 50 cms, moreno, cabeludo e chorão, na maternidade do hospital de Torres novas, às 00,40 horas.
Era véspera de São Martinho, que se comemora com bastante entusiasmo e tradição no Ribatejo, nomeadamente na Golegã, a 10 minutos de Torres Novas. Era véspera da data que prezo tanto com as datas mais importantes a assinalar na minha vida. Véspera da Independência da minha terra.
Eu era uma menina de 26 anos quando soube que estava grávida. Invadiu-me uma alegria sem fim. Uma curiosidade imensa de saber como seria o meu bebé que queria menina.
Com o decorrer dos meses tornei-me espaçosa, mais bonita e vaidosa com o barrigão que ostentava. Inchei, enjoei, sonhei, esperei.Nove meses. 
No tempo que inevitavelmente esperei, aprendi a fazer malha para fazer botinhas, casaquinhos, fatinhos, gorros, luvas.Li livros, revistas, publicações sobre pais e filhos, bebés e mães.Escolhi nomes, escolhi roupas, berço, porta bebé e cadeirinha. Banheira e cestinho com os produtos de higiene. 
Foi um tempo bom, de encantamento e beleza sentindo um pequenino ser desenvolver-se no meu ventre. Fui a grávida mais orgulhosa de todas as que conheci. Como se fosse a única grávida que algum dia existiu no mundo e todos os seus arredores.
Trabalhei até ao fim. 
Chegou a terça-feira. Dia de mercado semanal na então vila. A noite fôra inquieta e dolorosa. Faltavam três dias para o fim do tempo, nas contas da dr. Alzira Amaral, obstreta angolana a residir no Ribatejo.Passei a noite no sofá da sala tentando dormir sem incomodar quem dormia. 
De manhã tinha a certeza de que o meu bebé do qual não sabia ainda o género, apenas sabia que se fosse menina se chamaria Ângela, ia nascer breve. 
Assaltou-me um pânico profundo desse momento. Com um umbigo do tamanho do mundo achava que me finava no momento do nascimento. Sempre ouvira estórias tristes sobre este assunto. Eu certamente iria para a estatística aumentando o número.
Não me apetecia comer enjoadíssima que estava. Fui à mercearia de onde gastava e comprei uma torta Dan Cake de chocolate e foi o que comi ao longo do dia.À tarde resolvi ir à médica que dava consulta na Golegã, vila em festa com as comemorações do São Martinho. Após o toque foi-me dito que deveria ir ao hospital pois que estava por horas o nascimento do meu bebé.
Fiquei com o coração tão apertadinho que a partir dali só queria dormir. Mas o meu bebé tinha de nascer. Era inevitável. 
Foi mais ou menos rápido visto de fora e agora. Vista pela freira que tinha fama de ser do pior nas relações que tinha com as parturientes, coisa que não comprovei porque foi um amor comigo, voltei a casa pois ainda faltava uma horas. 
Voltei por volta das dez da noite julgando que não seria capaz de parir a minha cria. E eu que não sou invejosa, olhava as mães que dormiam repousadamente na enfermaria e queria estar nos seus lugares. 
À meia noite mais coisa menos coisa passei para a sala de partos. Apenas a parteira a ajudante e eu. E o meu bebé até áquele momento protegido por mim. 
Foi fácil e lindo o seu nascimento. Duas oo três vezes fazendo toda a força que conseguia, não na garganta como errada e inexperientemente julgava, mas no ventre e foi-me dito que estava a nascer. Depois o choro engasgado e ficou ao pendurão junto a mim. Uma menina. 
Que sensação boa foi ver o meu bebé pela primeira vez...
Senti-me a mais importante das mulheres. A mais abençoada.
Passaram trinta anos e continuo a sentir a mesma emoção.
Passaram trinta anos e a bebé deu lugar a uma mulher.
Inteligente, elegante, bonita, trabalhadora e amiga.
A minha filha querida.
Parabéns meu amor!

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

tomando o peso da vida

Já fiz tantos lutos, que sinto que carrego uma grande cruz às costas...da alma, que queria leve.

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

chove




Chove Outono
Impondo-se a estação
E chamando a saudade
De cacimbos por viver
Farpas no meu coração
Lembrando-me a cidade
Neste choro de não a ter

Chove Outono
Na queda da folha
Nua árvore 
Triste e fria
Vida despida
Chapéu aberto
Mar sem kianda
E eu..um deserto
Sem guarida
Nem céu
Nem alegria

Chove Outono
Na minha indiferença 
De ser diferente
Chove indiferente 
À minha vontade
À minha saudade
De me ser e ter 
Para além da verdade 
E do que a alma sente

Chove Outono
E o presente
E o meu lamento 
De me ver ausente
Chove Outono
Na terra antiga
Carreiro das minhas dores
Chove em mim
E no tempo a atravessar
Poiso de meus desamores
Que é urgente exorcisar
Chove Outono...

m.c.s.

E foi assim...


Então lá vai, o romance da Pitanga e do Jeremias chegou ao fim.
Bem sei que na maior parte das vezes, o fim é triste. Eu, ser humano, pensante e sensato, 
já senti na pele vários desenlaces, não fosse criatura com muitos anos de vida e de vivências que nem vale a pena delas falar, porque daria outra estória que não interessa nada para o caso. Ou interessa? A ver vamos.
Vamos então ao que importa, dado que tive seguidores atentos, na maioria amigas, que torceram por este romance e que prevendo futuro ambicioso, me viam avó feliz e orgulhosa de crias lindas de Pitanga e Jeremias.
Não. Isso não podia acontecer, simplesmente porque a Pitanga não iria viver nenhuma estória de amor para sempre e até que a morte os separasse em companhia das suas crias e como tal há que cortar o mal pela raiz que é como quem diz, pôr termo a esse flirt à janela e separado pela mesma, como nos tempos da maria cachucha. Não e por nada mas eu sou do tempo da maria cachucha.
Ora bem, porque uma estória tem de ter princípio, meio e fim, do princípio já vocês tinham conhecimento. Do meio, iam tendo através das fotos. O fim, inevitavelmente esperado, aconteceu ontem, quando me mudei para a minha casa do Olival, de armas e bagagens, para junto da minha própria cria que acabou de chegar a Portugal.
Imbambas arrumadas, Pitanga na gateira, o que levou um certo tempo e muita paciência das minhas crias para a enganarem; é que ela odeia viajar e odeia sobretudo ficar presa num espaço mínimo, desconfiando sempre que tal acontece e pondo-me a cabeça em água e a miar tanto quanto ela, aí vamos nós, sem que evitasse olhar a janela do namoro, sentindo-me a pior das criaturas, por isso e por não ver o Jeremias despedindo-se da sua amada, sentindo-me também, um estupor por estar a abandonar o espaço onde aquele romance felino se iniciou sem que tivesse remorsos.
Descidas as escadas, Pitanga na mão da minha cria mais nova, chegámos à rua. 
Nesse momento ouvi um barulho atrás de mim, vindo duma porta mais adiante. E eis senão quando, vejo o Jeremias empoleirado à porta, olhando-nos sem expressão. 
Conclusão: O Jeremias, como qualquer apaixonado que se preze, qual Romeu da estória, veio despedir-se da Pitanga, a sua Julieta, que abandonava o local do namoro tristíssima e revoltada, digo eu. Com a gateira, com as minhas crias e comigo e quiçá com a certeza de que o seu caso de amor chegara ao fim sem que tivesse sequer começado.
Eis um final que não foi feliz. Eis-me lá e aqui sentindo-me a amante da estória. Não fosse por minha causa e este caso de amor teria pernas para andar, assanhar-se em gatices fogosas criando raízes e muitos gatinhos gatinhando nas suas vidas.
Como me sinto? A própria da amante, uma qualquer gata assanhada, que interrompe um caso de amor que poderia ser eterno e feliz.
Ou não? Quem o saberá? 
Dizem que é o que tem de ser. Fico-me assim conformada. 
A ver vamos se a Pitanga e o Jeremias ficarão também. 

terça-feira, 6 de novembro de 2012

chegada



Há na noite que chegou
Boas vindas de alegria
E na espera que findou
Cheiro a maresia
Samba e fantasia 
Versos 
Passos de dança
Vénias
E gestos de criança
Lanço foguetes p'ró céu 
Desenho estrelas cadentes
Luas cheias d'amor
E o dia brilha de côr...
Há no meu respirar
Suspiros 
E bençãos de Deus
Sorrisos nos olhos meus
Nos olhos teus...
No momento de t'abraçar
E na paz recuperada
E no olhar que poiso em ti
No beijo e no abraço
Felicidade na chegada...
Há na noite que chegou
Boas-vindas de alegria
O mundo ficou melhor
Hoje és minha poesia


m.c.s.


domingo, 4 de novembro de 2012

Pitanga e Jeremias

foto tukayana.blogspot

pitangando

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Linda que só ela


Pitangando

foto tukayana.blogspot