segunda-feira, 30 de setembro de 2013

no fio da navalha

O tempo, hoje, fazendo-se sentir a meu favor...
Me tocando. Não de leve. Não roçando, como a pena d 'um albatroz o faria. 
Ou dedos de amor platónico. Ou a timidez de recente amor...
O tempo, hoje, fazendo-se sentir a meu favor... 
Me tocando. Com a destreza do ser velho e sábio. Desapegado e primário. 
Como sacristão toca o sino da igreja. Ecoando. Acordando os distraídos. Chamando para a sua fé. 
Como pianista toca as teclas do seu piano, na força da inspiração, no talento da alma inquieta. Na loucura do solitário. Incompreendido.
Hoje, a vida me toca. Mais. E me grita que existe e eu faço parte dela. Sacudindo-me. Espicaçando-me. Emocionando-me. 
E eu me arrepio. 
E eu me sorrio. 
E me choro, por dentro. 
Deixo soltar-se, livremente, este pranto e entrego-o por conta dos momentos belos. 
Dos dias de sol e mar da minha necessidade de me suplantar, pessoa humana, que veio, não para ficar, mas para eternizar pequenos sopros de vida, pequenas emoções, pequenas correntes de ar fresco e puro. 
Fossilizar pequenas partículas de talento, pequenos poemas, grandes almas em construção. Mesmo que apenas para uma breve imagem de luz. 
Eu choro soltamente, rios transparentes, procurando caminho, sem filtros e sem rumo traçado. Porque a emoção chora juntamente 
com a minha vontade de viver explodindo caudais de alegria de ser desconhecida do mundo, íntima de mim. Amiga de mim. 
Esperança de mim...
Reconheço-me hoje ser vivente com todas as fraquezas e pecados. 
Perdões e salvações. 
Anónima. Pequena. Insignificante. Eu, irmã de mim.
E estando o tempo a meu favor, hoje, me declaro emocionada com os pequenos grandes nadas que o presente me oferece. 
Agradecida.
Mesmo se a vida me é apresentada hoje e sempre, no fio da navalha. 

outonando-me

Cheiro-te terra molhada
Sinto-te vento feroz
Oiço-te trovão desgarrado
Calando-me o medo
Roubando-me a voz
Outonando-me em segredo
Há um não sei quê de triste
Um choro calado
Um suspiro contido
Um fatal destino
Nas folhas que caem
No musgo da estrada
Na calha inundando
No dia começando
No tempo que não evolui
Que não disfarça
Não se anima
Não desiste
Nem floresce
Tão pouco se dá, à nova estação
Há um não sei quê de usado
Antigo e lúgubre
Repetitivo
Magoado
Neste sinal de vida
Olho-te noite que cais
Escorregando pelos beirais
Às aves já de partida
Ao sonho que foi adiado
Toco-te céu carregado
Nuvens negras
Furacão
Espero-te sem muitas esperas,
Que te renoves, coração...

m.c.s.

domingo, 29 de setembro de 2013

chegar a casa...

Quem faz sete horas de viagem, atravessando o mar e o mapa, espera este momento com ansiedade. 
O da chegada. A casa...
Ela faz-se quando nos anunciam que estamos a chegar a Luanda. 
E a emoção acontece. E a ansiedade, dá lugar, naturalmente, sem imposições nem exigências, a esse sentir tão forte e incontrolável que é a felicidade. 
Olhamos pela janela e vemos a nossa terra. Melhor, o nosso mar. 
São as primeiras imagens de luz. As nuvens, a água, o nevoeiro, os barcos lá em baixo. 
É Cacuaco!
Que felicidade! Que emoção! Quando se chega a casa depois de décadas, de vários anos, de dois, três anos, ou mesmo de um ano, passados. 
Nesse momento somos imortais. E o mundo pára. 
E não há nada, mesmo nada que seja mais importante que esta imagem de amor e de fé.
A nossa terra diante de nós. 
E nós tocando o céu com a palma das mãos...
Aiuê Luanda! Minha querida terra que te amo tanto...
Aiuê Luanda! Minha querida terra que tantas saudades te tenho...

m.c.s. ( fotografia kapiangada à querida amiga Ana Domingos, a sua chegada a Luanda; os barcos no mar em Cacuaco )

Luanda à vista

Aiuê Luanda!
Aiuê kamba Ana Domingos. Agora deste cabo da minha resistência. Desabei literalmente. Viajei e cheguei a casa...
Já algumas vezes vi Luanda fazer-se presente em mim, deste jeito. É uma emoção que só quem está a vivê-la sabe quão forte e avassaladora é. 
Agora e aqui esta imagem de luz teve o condão de me fazer arrepiar mais do que a pele, a alma carente da nguimbi e os meus olhos fizeram-se mar...
Obrigada querida amiga por me fazeres tocar o céu com a ponta dos dedos, através da visão que foi real para ti ontem e é aquela que já vivi e com que sonho deste lado da vida e do tempo, enquanto não chego... 

( foto de Ana Domingos, tirada a chegar a Luanda, ontem, quando já se vê um pouco da cidade o mar e a Ilha de Luanda ou Ilha do Cabo ) 

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

entre palavras

As palavras esconderam-se de mim.
Parece estar a ouvi-las ao longe dizerem, não digas nada...não há palavras, para o que tu queres dizer.
Calo-me então. Acho têm razão. Faltam-me as palavras. Aquelas certas, direitas ao sonho e ao coração. Aquelas que enternecem, sorriem, choram e memorizam. Aquelas que nunca serão esquecidas. Aquelas que calam fundo...
Não digo nada, porque me faltam além das palavras, as vírgulas e os pontos de exclamação. E também as reticências ou um simples ponto de interrogação. 
Falta-me a verdadeira arte para a intenção, para o recado e suposição, para a provocação.
Não dizer nada é quebrar este silêncio da manhã e olhar para trás. 
É lembrar todos os dias, horas e momentos. 
Todas as ilusões e ambições, todos os propósitos de paz. As soluções. 
Acenar ao vento. Colher a rosa do jardim, inspirar o perfume, oferta do mar, observar o voo do passarinho livre, sentir o cheiro da terra orvalhada e mergulhar nas cálidas ondas do azul, verde esmeralda da minha paixão. 
Sorrir ao sol e à lua crescendo. Embalar cansaços e insónias. Abraçar noites de descanso. Receber o colo da amizade e adormecer a minha saudade. Navegar no sonho e acordar manhãs.
Não dizer nada, é, avistar horizontes de suposições e agarrar presentes, sem olhar a promessas. Futuros planeados. Jurados. 
Sortes sorteadas. Acasos. 
As palavras esconderam-se de mim. Fiquei com as mãos cheias de nadas, mente suspensa, coração sentido, alma agradecida e tanto por dizer...
Oiço ao longe repetirem, não digas nada...não há palavras, para o que tu queres dizer. E eu, fico assim, entre palavras...

aurora

Há nas primeiras horas da manhã promessas cumpridas. 
Aquietam-se os grilos. Param os pirilampos de iluminar o negrume que se clareia à luz da lua e do tempo passando veloz no relógio da torre da igreja.
O gato mia à janela. O guarda-noturno completa o quarteirão. Mais uma ronda na calada da noite dando voz às primeiras horas da manhã. 
De quando em quando, uma viatura cruza as ruas que se encontram na porta de casa. 
Em breve outras promessas se farão cumprir.
Em breve, a noite deixará de dormir.
Há nas primeiras horas da manhã, o nascer do dia, igual a tantos outros. 
Há preguiça, sono e fome. Pressa. Discussão. Desencanto. Metro. Autocarro, barco, comboio. Pesadelo. Dever. Resignação. 
Só nos corações boémios e livres nasce um poema. 
Hora rimará com aurora, manhã com maçã. Queixume com perfume. Flor com amor. 
E eu, juntarei as rimas, subestimarei os poetas ávidos de noites partindo e dias chegando e soprarei palavras soltas para enfeitar esta madrugada em trânsito. 
Depois...depois a prosa me inspirará e despertarei para este novo dia. 
Envolta em poesia. 

m.c.s.

digo eu...

Depois da bonança, vem a paz e a perseverança. Digo eu que nada sei...

m.c.s.

para lá do que não vejo

Olho o horizonte sem fim
Perdido dentro de mim
Tacteado pela minha mão
Coração
Sonho breve a sonhar
A perpetuar
Ilusão...
Em união
Céu e mar
Memória de solidão
Perdida e encontrada
A minha história traçada
Na linha onde é poente
E com alma de quem sente
A minha viagem marcada
Faz sentido
Não findar
De repente...
Olho o horizonte presente
A alcançar
A prometer
Não se afastar
Sonho breve
Em comunhão
Céu e mar
Não desisto de o tocar
De o sonhar
Com a alma de quem sente
E não mente
Olho o horizonte sem fim
Prometido 
Gerado e encontrado
No infinito que há em mim



m.c.s.

por falar nisto


Adoro crianças. Dizem mulheres que não têm filhos. Ou mulheres que querem mostrar bondade de carácter.

As crianças crescem, gente. Digo eu de que...

m.c.s.

reflectindo sobre o silêncio

foto tukayana.blogspot.
Quando o silêncio nos mexe com a alma e lhe fala palavras de emoção e lhe transmite a paz santa que lhe reconhecemos, eu acredito que o silêncio é sagrado. De ouro...

m.c.s.

Reflectindo sobre o sorriso

Sorrir faz bem à alma. À nossa e à dos outros. 
Sorrir é aceitar. É dar e receber. 

Se me fosse pedido um último gesto, uma derradeira manifestação de vida, eu sorriria...para sempre.

m.c.s.

reflectindo sobra a vida

Tenho p' ra mim que quem se cruza no meu caminho, mesmo que brevemente, já fez parte da minha vida, quem sabe numa outra vida, numa outra encarnação...
Eu acredito. E isso permite-me aceitar também, os encontros, nas esquinas da vida, que me deixam marcas que doem. Fazem parte do meu crescimento.
Felizmente são mais os encontros que perduram nos tempos e nos lugares. 
Tempos felizes. Lugares inesquecíveis, pessoas para a vida. 
Fazem parte da minha memória e moram no meu coração irremediavelmente.
Há encontros que nunca se dão. Porque não têm de se dar. Porque se calhar é um erro de casting. 
Será que o universo se engana?
Tenho p' ra mim que não. 
Quando olho de frente para Deus, peço-Lhe que me tire do caminho quem não me fará bem. Que me evite desgostos, desilusões, prisões.
Ele deve fazer isso, porque me sinto, feliz, esperançosa, livre.

No outono quer se queira quer não

Estes primeiros dias de chuva fraquinha, qual cacimba prazerosa, limpando a poeira da estrada, trazendo cheiro de terra molhada, apelando ao casaquinho fininho, ao romantismo, ao chá de gengibre e ao livro de cabeceira, ao filme que está no cinema, são muito fofos. Como bálsamo que acalma os loucos e quentes dias de verão.
Parecem abraços bons de quem nos quer bem. Beijos de mel. Afagos...
É Setembro no seu final.
É uma estação a começar...
Mas quero ver só quando o acordar for chuvoso e o deitar também. 
Quando as folhas cairem e as andorinhas partirem.
Quando a hora mudar e o dia findar cedo demais.
Quando o frio chegar...
Eu em casa. Eu dormindo cedo. Eu sozinha. Eu...e mais de mim. 
Aborrecendo-me. Esforçando-me. Reconstruindo-me. Outonando-me.
Que deprimente!
Não há pior estação para o meu coração que o Outono.
Acho que porque o universo sabe disso, pari as minhas crias em Novembro. 
Para me dar algum alento. Vida...
Por enquanto, ainda com a memória cheia d' um verão fantástico, a pele morena do sol amigo, o sul em mim, vou passeando os olhos pelo tempo, inspirando o ar fresco da manhã e aproveitando este presente que a natureza me oferece. 
Depois? Logo se vê. 

karma

Tenho uma gata que me quer acordada logo pela madrugada. E da cama p' ra fora, o que é mais grave e caricato.
Se eu finjo ( que cena! eu a fingir perante uma gata... ) que estou a dormir, não desiste.
Faz de tudo para que eu abra os olhos. Assim que percebe que não vou dormir mais, mia mia mia, como se o mundo fosse acabar, até que lhe vá pôr comida húmida ( gulosa ).
Consegue, porque tudo é preferível, a ouvir miar logo de madrugada. 
Entretanto, com toda a logística que isso envolve, acordo para a vida e para o dia. 
Resultado, quando chego a esta hora, isto passadas 4 horas de ter sido acordada à má fila, estou a pender, de sono. E não posso com uma gata pelo rabo. Só me apetece dar com a cabeça nas paredes. 
Bem me avisaram que ter um gato em casa ( há 4 anos ) era ter quem mandasse em mim. Fingi que não acreditei. O resultado está à vista.
Ai Dona Pitanga, Dona Pitanga! Deve pensar que sou mãe dela, ou filha, ou quê...

Mundo Cão "Anos de Bailado e Natação"

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

quase

Foi quase a palavra certa. 
O olhar e o sorriso. 
A voz.
Foi quase um passo...de mágico. A arte do encontro.
Foi quase uma onda. Um barco. Um mergulho. 
Uma viagem...mais.
Foi quase um voo. De albatroz.
Quase uma linha, uma ponte. Um passadiço. Quase um horizonte.
Foi quase o sul. O meu verdadeiro sul da expectativa da rendição. 
Da liberdade de ser o que quero. Para o que fui destinada.
Há no quase que me aproxima do sonho convertido na realidade que ainda não fiz chegar, um destino adiado. 
É na viagem e não na chegada que construímos a felicidade. 
Que a reconhecemos.
Que nos preparamos para a viver.
Vou, enquanto isso, viajando dentro de mim, ao encontro do meu eu, pronto, para ser feliz. 

m.c.s.

Sagres



fotos tukayana.blogspot

barragem do Arade

foto tukayana.blogspot
Pescando na barragem. Desafiando o risco.

espreitando o horizonte

foto tukayana.blogspot

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

domingo, 15 de setembro de 2013

emoção

foto tukayna.blogspot
Os sinos não tocaram à minha entrada. 
Ninguém para mim olhou. 
A passadeira vermelha se a tinha não dei por ela. 
A luz das velas misturava-se com o tempo chuvoso e tristonho deste verão em despedida.
Acho porém que Alguém me viu, me tocou, e me convidou a entrar e me fez chegar ao altar.
Os cânticos, as vozes em coro, descendo até mim, vindos d' um céu que os homens oferecem para a meditação, também me tocaram. 
A pele se arrepiou e os meus olhos, ai os meus olhos... choraram. Na emoção. 
Na presença de mim, força que cede e se declara vulnerável. E vê ali um colo. E encontra ali refúgio. Abrigo.
Queria acreditar. Queria acreditar na igreja, na mensagem que tenta passar. Não sou capaz. De elevar a alma e entregar-me à causa, cegamente. 
Mais apaziguada seria. 
O que me leva então a me aceitar neste lugar de culto? A paz. A serenidade. 
O alvoroço do meu coração. A meditação. 
O ajuste de contas com a vida e comigo. 
A luz que acendo às velas que coloco. 
Os cânticos. As vozes que se erguem aos céus e tocam o mais fundo de mim e desencadeiam um soluço. Que me despem e vestem e me viram do avesso e me fazem chorar sem filtros, nem silêncios.
Sem culpa nem angústias. 
Num desabafo imenso. Num alívio. 
Num excesso de adrenalina. 
Afinal, uma necessidade.
Sentei-me a olhar as imagens. Em tarde de céu encoberto e alma exposta.
Repleta. Completa. Agradecida.
As lágrimas correram soltas. O soluço, mil soluços, contive-os. Melhor, asfixiei-os. Guardei-os. Para outro tempo, outro lugar, outra estação. 
Os sinos não tocaram à minha entrada, mas ainda ecoam dentro de mim.
Alguém me viu, me tocou e me convidou a orar. E eu orei...

sagres

foto tukayan.blogspot

fim de tarde em Ferragudo

foto tukayanablogspot

para mais tarde, recordar...

Celebrando o verão, a noite, a amizade.

paz

foto tukayana.blogspot

olá cegonha...

foto tukayana.blogspot

em modo fotógrafa

foto tukayana.blogspot
Medronhos, na serra.

em reflexão

O que me faz comunicar sem desistir?
O desejo de abraçar meio mundo e ser abraçada pelo outro meio.


m.c.s.

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

hoje a sul de portimão

foto tukayana.blogspot

em modo turista do Reino dos Algarves


andiamo ( a propósito de 10 de setembro de um ano qualquer )

O que quer dizer ser posto com dono? Quer dizer ficar no mato sem cachorro.
Porquê? Porque é pior que bater na avó. A gente perde o norte. Fica com o coração apertadinho e quer que o mundo se dane porque dá com os burros na água. 
Mas depois a gente entrega nas mãos de Deus. Cai e se levanta e se vira porque sonha e o mundo pula e avança. E para a frente é que é Lisboa. E como diz a minha caçula, numa sapiência que não é dela, mas de autor que não lembro, tudo acrescenta, diz o rato. E fez xixi no mar.E porque quem nada não se afoga, avante camarada... 
Um dia agente percebe que há gente atrasando a vida da gente e faz um sorriso de orelha a orelha. Aí diz: Cada macaco no seu galho.E como já viu até porcos voarem, cai na gandaia porque a vida é bela, nós é que damos cabo dela. 
E depois pensa que Rei morto Rei posto. Nessa trasfega é que está o busílis da questão. Mas não desespera porque quem espera sempre alcança, nem que seja um murro na pança...de novo. Como quem não arrisca não petisca e no arriscar é que está o ganho, pode ser que um dia se faça luz e a coisa se dê. Tarde é o que nunca vem. E se vier que seja por bem.
Enquanto isso, pergunto-me porque razão estou a deixar falar o coração. É que só quem está no convento é que sabe o que lá vai dentro. E como a cães mortos não se dão pontapés, fico-me por aqui e com este karma do dia 10 de Setembro da minha existência, sendo que hoje o olho tão divertida, livre e provocadora que até me apetece dizer: Já foste!
E até me apetece cantar, na desportiva, só eu sei porque não fico em casa...
Andiamo! Já dizia o outro. P'rá frente, que atrás vem gente.E com esta me vou...

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Restinga, no Alvor



fotos tukayana.blogspot

a bola de berlim da praia


foto tukayana.blogsopt
A bola do Alvor, recomendada pelo senhor doutor. Diz que é o pregão.
A mim, sacia-me a gulodice e alimenta-me o coração. 

domingo, 8 de setembro de 2013

fim de tarde na praia da rocha




fotos.tukayana.blogspot

Praia da Rocha - Sábado




fotos.tukayana.blogspot

neste sul

foto tukayana.blogspot
Estou num lugar de bom chão, palavras bonitas e janelas e portas abertas.
Uma casa em modo de lar onde o perfume cheira a rosas e a família. E tem sabor a mel.
As horas passam depressa e não se prendem nem se soltam. São senhoras do tempo e este é nosso amigo. 
Estou num lugar de horizontes da cor do céu, vestido da cor do mar. 
E sonha-se. Porque sonhar é que nos faz viver. Ultrapassar. Mergulhar de cabeça e voar.
Neste lugar de bom chão, palavras bonitas e portas abertas, um lar que cheira a rosas e a família e sabe a mel, onde o horizonte, vejo-o da cor do céu e o mar o aconchega no seu manto azul, África fala, ri, come, desenha-se, capina, rega, floresce e dá frutos. 
Que bom que é um lugar assim nas nossas vidas!
Mesmo que breve, na passagem, de repouso, onde me posso permitir dizer que estou em casa, neste sul, cada vez mais próximo do meu sul.
Que bom que é estar num lugar onde queremos estar! 

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

sul

O vento sopra a favor neste fim da estação. 
Vou à procura do norte neste sul que um dia se fará o meu sul por mais perto se achar. Digo eu, que conheço a rosa dos ventos. 

m.c.s.

isto é só uma amostra

Traição
Mentira
Desrespeito
Humilhação
Inveja
Racismo
Homofobia
Soberba
Subserviência
Complexo
Segredo
Má língua
Quezília
Disputa
Puxa-saco
Bajulador
Penteadinho
Fato e gravata
Collant
Cabelo branco
Sonso
Fingido
Vinho tinto
Ovo escalfado
Rato
Suor
Injustiça
Outono
Folclore
Sotaques
Ralhete
Má vontade
Calçada portuguesa
Rídiculo e tantas coisas mais...

m.c.s.

publicação alheia


grande...

Nove e dez, domingo, primeiro dia de Setembro, verão quente, neste lugarejo que dá por nome de Olival Basto, encostadinho à Calçada de Carriche, encostadinho a Odivelas e Póvoa de Santo Adrião, Frielas e por aí adiante.
Tenho comboio às nove e cinquenta e seis para a estação de Riachos/ Tores Novas/ Golegã. Aquele que pára em todas. Curto o preço, os balanços e os cinco kms que me separam de Torres Novas que é o mesmo que dizer que de taxi é mais barato que o Entroncamento,( intercidades ) de boleia ( mano Zé ) não custa tanto à generosidade e disponibilidade de irmão.
Coço a cabeça pensativa. A esta hora só com muita sorte (?) é que consigo chegar a tempo, uma vez que o metro da linha amarela me deixa no Saldanha e passo para a vermelha, mas Oriente fica lá longe, que até fico com os olhos em bico numa tentativa frustrada de o aproximar de mim na distância e no tempo.
Decido ir de metro até ao Campo Grande. Depois logo se verá. 
Viu-se. Claro que saí ali, coisa que faço imensas vezes para assim aproveitar a tarifa de Lisboa e chegar a tempo e horas ao comboio ( não cheguei mas isso foram outros quinhentos ). 
O que um pobre remediado faz para poupar! 
Dirijo-me à praça de taxis. Baixo-me para perguntar se posso entrar e subitamente aparece-me um rapaz ao lado. Olho-o e ele coloca a mão na porta da frente.
- Vai para onde?
- O que é que tem a ver com isso? ( percebi-o mas não estava interessada em dividir taxi com alguém que se apresenta deste jeito ).
- Diz lá, vamos juntos.
- Você pode ir no taxi seguinte, apontando o segundo taxi.
- Mas eu não quero outro. Quero este. 
Não discuti. Olhei o motorista seguinte e perguntei-lhe se podia ir para o seu taxi.
Este ficou sem jeito, sem saber o que me dizer. O rapaz entra no "meu " taxi para sair passados uns segundos. Sai a correr atravessando a estrada e entra no autocarro que está parado mesmo em frente ao Estádio de Alvalade. O taxista diz ao meu que não o levava pois ele queria ir para a Cidade Nova, em Loures e com este comportamento comigo dava para desconfiar das suas intenções. A Cidade Novas tanto quanto sei é um bairro problemático de Loures e temido por taxistas mesmo de dia.
Sei que os taxistas têm problemas graves com alguns, muitos passageiros. Sobretudo à noite. Sendo eu criatura de dar conversa a taxistas, adoro falar com eles, torna os percursos mais agradáveis e sempre aprendo alguma coisa sobre aquele mundo profissional, já várias vezes me relataram acontecimentos que são uma vergonha, são assustadores, numa cidade que parece tão amistosa e pacífica como Lisboa.
Sempre pensei que a cor da pele era factor decisivo numa corrida. Achei sempre profundamente xenófobo. 
Hoje lembrei-me de um amigo ( branco e a viver em Luanda há décadas ) que me disse há pouco tempo, que não tem de ter cuidados superiores com pessoas negras. É igual para ele. E se tiver de xingar um negro, xinga mesmo, porque o motivo do xingamento não tem a ver com a cor da criatura mas sim com a circunstância que o põe em brasa. Concordo e sempre pensei assim também.
Quando ouvi este mwangolé dizer com toda a desfaçatez: Eu quero este, nem pestanejei, mas de mim para mim disse: Grande c#b&#o!

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

um dia da minha vida

De repente, quase sem pensar, sem ter passado muito tempo, desde a decisão, vejo-me comprando um bilhete para passar o Tejo de barco, para o Barreiro. Afinal é logo ali. O longe se faz perto quando a gente quer.
Se querem que vos diga, apenas uma vez fui ao Barreiro. De automóvel. 
Se querem que vos diga, apenas atravessei o Tejo de barco uma única vez, para Cacilhas. 
Nada o faria prever que o faria assim, sem contar. Esqueci a máquina fotográfica, o caderno e a caneta que sempre me acompanham. Esqueci o almoço também.
Vi-me assim numa terra desconhecida. Num ambiente desfavorável. Num lugar de culto diferente. Numa família em perda. 
Percebi que as palavras de fé são idênticas à minha igreja. Estão no Velho Testamento.
Percebi que são uma família. E que a compaixão e solidariedade são palavras de ordem e não em vão.
E percebi ainda que há mais Claras na terra. Orei por essa irmã Clara que partiu para sempre.
Tão de repente como atravessei o Tejo, me vi no caminho de volta mas sem que antes não perdesse a hipótese de ensaiar uma desastrosa queda, que graças ao medo pavoroso de uma fractura qualquer, outra, lá consegui equilibrar-me o suficiente para apenas merecer um susto, dos antigos. Espero que não tenha sido uma ante-visão.
Quem diz que não há tempo para pensar não esteve nunca na minha situação. Enquanto voava do passeio para a estrada talvez dois metros, ali mesmo em frente ao cais, apenas tinha em mente, que ia partir o outro ombro, ou uma perna ou outro qualquer osso. Quando percebi que estava inteira e não tinha ido ao chão, ri mas a bom rir para a minha amiga que estupefacta, me olhava esbugalhada. 
Na verdade a nossa conversa acabou caindo nas quedas, nos pesos e na velhice.
Passou rápido quando nos vimos a comer um pastel de vento e a beber um suco de frutas, ali junto ao Chiado. Quando nos vimos paradas à porta do Santini olhando uma para a outra. Entrámos, mas com alguma sensatez e decência foram pedidas uma bola, dois sabores. Para cada uma. Eu, coco e meloa. 
E quando nos vimos saindo d'um metro porque nele entrámos sem pensar, andando em sentido contrário ao que queríamos tomar ( a nossa segunda casa, lololol ) caímos. Caímos na gargalhada. 
Afinal quem está de férias ou já não se preocupa com os limites do tempo, tem-no nas mãos. Na mente. E ele é o tempo todo do mundo.
Já não é a primeira vez que a ambas juntas, acontece esta proeza. A prosa é boa e absorvente. Uma porta de metro que se abre e a gente entra.
Acabámos a comer um prego com salada temperada com molho césar e a beber uma limonada com hortelã. Acabámos a conversar horas a fio a uma mesa da restauração. Acabámos a bocejar de cansaço e sono. E decidimos finalmente ir para casa.
Antes porém entrámos no hipermercado. Só para umas compritas rápidas. E eis senão quando, um sorriso, dois. Um casal antigo. 
Ele da Vila Alice. Ela do Liceu. Amigos.
E foram mais uns minutos, se calhar uma hora, que já era tardia.
E rimos. E recebemos aconselhamento para uma dieta sadia. De quem sabe. 
E cheguei ao Olival de boleia de amigos, morta de sono, mas viva graças a Deus.
Caí na cama que nem uma pedra. Mas agradecida pela vida que o dia me deu.
Parece pouco? Só quem vai acompanhar uma xará à última morada sabe e sente como é sagrado o tempo que se vive e por isso não se pode desperdiçar. 
A amizade presente e todos os momentos, são preciosos e a custo zero porque o investimento já foi feito há muito tempo e está penhorado nos nossos corações e na vontade de sermos felizes. 
Bem hajam Linda, Milú, Olívia e Tó.