terça-feira, 31 de janeiro de 2012

tudo de bom para ti


De repente, assim num tão de repente que nem estava a acreditar, disseste-me que já ias embora. E eu repentinamente senti que precisava dar-te um abraço grande, do tamanho do Universo. Maior. 
Gosto que me chames tia. Mas não gosto de despedidas. Tão pouco de ver partir gente que amo. Porque eu gosto muito de ti. Desde que nasceste até hoje, amanhã, sempre. És cria do mano Zé e isso bastava. És neto do sô Santos e da dona Celeste. O meu primeiro sobrinho. Chegava mesmo. Mas vi-te crescer e se cresceste...e se fizeste por isso!
E por teres feito por isso, hoje cortou-se o cordão umbilical. E voaste no sonho de sempre, quando ainda menino já querias ser quem és.Apoiei-te sempre nesse sonho. E sei que valeu a pena. 
És o exemplo vivo de que quem quer, consegue. Tiro-te o chapéu, vaidosamente.
Desejo-te boas viagens. Boa estadia. Bom trabalho. Muito sucesso. Sei que vais ter tudo isso. 
Adoro-te e tenho um enorme orgulho de ti. 
Dizer o quê mais? Até breve? Afinal, Dili fica ali a 17 ou 18 horas de nós. Ali mesmo ao dobrar da esquina e o longe se faz perto porque te temos no coração.
      

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

uma carta que te escrevo na imaginação

Cheguei de dia no cubico. Atirei com os sapatos. Descalça, como se caminhasse nas areias quentes duma praia qualquer, tipo caboledo, olhei o computador. Apesar de ser fim de dia e do cansaço de segunda-feira, uma preguiça kuiosa me tomou conta e lhe olhei com prazer que nem quem olha um daqueles blocos de cartas que  na capa tem um avião voando nos ares do antigamente, quando escrevia cartas. De amor e d' outras. Ao lado uma esferográfica com o símbolo do Benfica na tampa. Me deram um dia e eu guardei. Guardo tudo. Também desgostos e desilusões. Traições. Carregadas de pó e mofo. Verdete. Como as moedas antigas. Para dar o troco. Ou não...
O avião da capa prestes a aterrar no bloco cheio de folhas de linhas e a caneta do benfica, meu clube até debaixo d'água, que culpa eu tenho que não sejas benfiquista? Esse senão não me assusta, isso tudo me animou e num atrevimento daqueles que se volto atrás para pensar, desisto, o melhor é seguir em frente que é lá que é o caminho mesmo que não me seja conhecido de tu cá tu lá,  teimei que ia te escrever uma carta. Faz tempo não escrevo cartas e também passou muito tempo da última que li. Me mandaste alguma carta um dia? Com selos dos correios? Daqueles que eu arrancava e metia nas folhas do livro de História do 6º ano. Para coleccionar...coleccionar o quê mesmo? A tua presença ausente? Ou nunca presente? Ou uma ténue imagem da presença um dia.Os animais selvagens das matas da banda? Sim porque havia selos que tinham a palanca, outras o leão, o leopardo, o elefante e até a gazela.
Às vezes penso, quando estou virada para aí, que sempre te esperei. Não vale a pena...tenho a certeza de que sempre te esperei. E vou ficar esperando. Me disseram sorrindo de desdem que vou mesmo esperar sentada mas não dizem que quem espera alcança? No desespero da espera há um sinal de mudança que eu agarro com unhas e dentes. Pena que não tenho dinheiro para unhas de gel. Era uma esperança mais prolongada e bonita. Para que quero eu mãos bonitas, unhas compridas, senão para te tocar e te acariciar a memória futura porque na passada eu acho nunca estive lá. Te conheço o rosto bonito. Olhos honestos. Sorriso. Te gosto quando sorris. Acho que devias sorrir assim para mim. E gosto da tua voz. Não disse outro dia que naquela vez de noite, de madrugada, nos sentámos na esplanada, e tu falaste voz de veludo? Então? Sonhei. Eu sei que sonhei, mas aposto na tua voz. E nas mãos. Olhar honesto, mãos bonitas e voz assim, que não sei explicar, isso tudo, me faz escrever uma carta. Ah e porque gosto de escrever cartas. Desconheço se vais ler. Também pagava para saber se queres ser o destinatário, mas no desconhecimento conhecido de ti, tenho uma esperança, se levantar a mão vais bater na minha palma estalando bonito como que a dizer: Boa! Bate aí.
Hoje me apeteceu escrever uma carta. Como nos velhos tempos que a gente desenhava a letra e fazia dos pontos nos is, bolinhas, modernices de adolescente que duram até hoje e o carteiro as largava na caixa do correio. Gosto de carteiros. E gostava de receber cartas na caixa do 162 e depois do 126, capicua, tinha de ser, na minha vida acontecem sem saber ler nem escrever. Tu me aconteceste assim numa coincidência que ainda hoje estou para descobrir porquê mesmo ainda. Acho que foi nesse dia que tive o desejo de te escrever uma carta. Aconteceu hoje. Vale mais tarde que nunca e nunca não existe entre nós.  
Como a missiva já está muito extensa vou ficar por aqui.
Te dou um kandandu, assim do tamanho do Mundo. E...ah! Acrescento que te gosto. Bué...
a de sempre
clara

Lana Del Rey - Born To Die (Official Audio)

na trilha do amor

A partir de hoje, na trilha do amor, só tenho olhos para norte.

ao domingo que saudade!

foto tukayana.blogspot
Um dia destes o inverno está passado. E voltarei ao ribatejo ainda de dia. Não foi o caso esta noite.
O dia passou tão depressa que me pergunto se o vivi de facto. Numa hora estava a acordar e a caminho da ponte que me separa do meu destino de domingo de manhã, noutra hora estava de regresso à solidão que me faz perguntar enquanto coxeio no caminho de casa, o que estou eu a fazer à minha vida.
Voltar. Voltar, de mãos vazias e coração cheio. Quem me espera? O  que me aguarda afinal? No autocarro cheguei a sentir um prazer gostoso no calor e no silêncio das gentes que iam a caminho de castelo branco e resolveram olhar para dentro delas. Também eu cansada e vazia me deixei dormir embalada na maria gadu e no me quitte pas.
Na chegada da portagem e esticando o braço para vestir o casaco, que os quilómetros galgam-se num ápice, dei um ai de dor que acrescentei a todas as outras dores que trazia na alma e na pele. E pensei no dinheiro que não pouparia porque não conseguiria andar pelo meu pé, 2 quilómetros. É que hoje e lamentavelmente, dei outro tralho que me ia desconjuntando toda.
Ando farta de cair. Há dias que não me acho graça nenhuma. Não tenho pachorra para as quedas que dou. Ou estrago sapatos, ou arranjo nódoas negras, esfolanços e dores musculares. E hoje ia-me partindo toda. Nada como cair na rua. A gente cai mas é uma alegria. Uns riem-se, outros ajudam, outros desprezam. Cair em casa é deprimente. A gente grita. A gente chora. A gente pragueja e a gente quase parte uma cómoda, quase arranca os tacos e quase tem de comprar outros sapatos para além de fazer uma espargata quando nunca desejou ser ginasta ou bailarina.
Entre uma feijoada de marisco, um fondue de frutas e o carinho das minhas pessoas, o dia passou e rapidamente me despedi. Três despedidas é dose. Esta vida feita de constantes reencontros e depedidas que podem ser por muitos meses, alguns dias e algumas semanas, chancelam-nos mas não nos habituam.
A partir de agora os meus olhos espreitam o norte do país. E a portugalidade. E o meu coração, como sempre dividido. Desta vez entre o norte e o centro. Convivendo pacificamente nesses dois amores. Afinal, os dois amores da minha vida.

domingo, 29 de janeiro de 2012

no Chiado

foto tukayana.blogspot

São os Companhia Algazarra. E estiveram a cantar, tocar e a encantar os desencantados que se passeavam rua abaixo rua acima, no Chiado, este fim de semana.
Surpreendida fiquei com a quantidade de gente com notas de 5 euros prontinhas para trocarem pelo CD dos senhores tocadores. 
Bem sei que o Chiado é outra loiça, mas cheguei a duvidar da crise.  Será que a crise estava de fim de semana lá para a outra banda? Nunca o saberei. Assim como assim se quisermos ter a presunção de que tudo vai bem e há-de acabar melhor ainda, é pormos os pés ao caminho, a caminho do Chiado!  

morada

Moro na inspiração mas nem sempre estou em casa. 
Se tocares à campainha e não responder, posso ter ido à procura da rima certa para te receber.

m.c.s.

Rob Thomas - Lonely No More (Video)

Pouco mais que nada

Às vezes sou trovão
Calando a tua voz
Às vezes um leão
Ferido e feroz

Às vezes sou a flor
Despertando para o dia
Secando a minha dor
No calor da alegria

Às vezes sou paixão
Na noite de sexta-feira
Às vezes ilusão
Outras vezes, guerreira

Às vezes sou luar
Banhando a madrugada
Às vezes sou  a sonhar
Um pouco mais que  nada

Às vezes sou um rio
Leito a desaguar
Às vezes, arrepio
Tocando no teu mar

Às vezes não sei quem sou
Nem se minto
Nem se me engano
Às vezes o que sinto
O que dou
Meu desengano
Sou eu a respirar
Sou eu a  alucinar
Às vezes, uma carente
Querendo rir e chorar
Às vezes, uma demente
Louca por te amar

m.c.s.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Divagação de sexta-feira


Deito o olhar no mundo. Te vejo ao longe. Se me disseres que não te conheço, vou bravar. Te conheço de ginjeira, gajajeira, pitangueira e todas as outras árvores da nguimbi, até imbondeiro. Chupei múcua quando era candengue. A boca ficava áspera! 
Te sei de cor. Tenho queda para a adivinhação e te sonhei.  Um sonho que nunca que esqueço. Colorido que eu sei lá.
Voz bonita! Eta voz doce, veludo. Cada palavra saindo parece que estou a saborear caju, sentada no muro do quintal. 
Li num bilhete que ficou preso num iman da minha memória, que ia te encontrar. Não. No papel preso nas minhas lembranças dizia, que eu li, que ias-me procurar. 
Me disseram assim: Fica quieta, no teu canto. Um dia vais saber que lhe conheces de cor. Vais perceber-lhe os gestos. Vais até reconhecer o assobio. A passada...
Canto baixinho um som, do tempo dos tambarinos, que apanhava quando subia na árvore encostada no bairro indígena. Um semba chorado, suspirado, suspiros arrancados de dentro, enquanto bato o pé devagarinho ritmando a batida que sobe e desce no meu peito. 
Me apetece dançar. Sou do tempo da menina dança ou já tem par? Tenho a voz a tremer e o coração a saltar. Me atrapalho toda, me tropeço, me envergonho, me quero esconder, mas o que eu quero mesmo é te ver me sorrires, então. 
Me disseram, ou sou eu a inventar, que me vais convidar para dançar?!
Deito o olhar no mundo. Bato as pestanas que já foram longas e bonitas. O mundo também já teve outra cor, outro cheiro e outros amores. Menos dores. Lá estás tu. Te reconheço da minha lembrança. Do tempo em que acreditava que os meninos vinham de França.
Ligo o gira-discos. Não escolho mais. Não espero mais. A música se mistura. Me provoca. Me encontra. Recomeço o canto. Num sotaque conhecido, as palavras carregando erres simpáticos e ingénuos como eu já fui nesses tempos de subir e comer a fruta na árvore, ensaio uma vez mais. 
Um dia qualquer saberei, saberás, a música de cor  e então dançaremos ao som da canção que esteve guardada na minha ilusão.
Te vejo ao longe e espero quieta no meu canto. Quieta, quieta não direi, mas me fico, assim mesmo, ficando...  

fotografando

Obrigada João Pedro. Bela fotografia tiraste na terra onde eu me sinto sempre feliz. Peniche. :)

nothing really ends - Deus

é só rir


Ainda estou a rir com o que li no facebook. Enquanto espero que as minhas convidadas cheguem para um repasto gostoso, ligo o computador. E vou ao facebook. É um vício. Se posso passar sem ele? Nunca penso nisso. Se calhar posso. Afinal a gente pode viver com quase nada, já cheguei a essa conclusão, mas gosto de viver com o facebook. Com os " amigos " e com os amigos. Gosto de visitar o mural de algumas pessoas que valem a pena. Saber o que publicaram. Avaliar. Aprender. Comprovar. Rir..Perante algo escrito com grande sabedoria, cliquei nos comentários para perceber o que cada pessoa pensa, ou o que cada pessoa quer parecer que pensa e num determinado comentário estava um 1 de, gosto. E cliquei. E me senti matumba ( burra ). Muito matumba. É que não percebo nada de internet, de facebook e outros. Aliás, há poucos dias cometi uma asneira daquelas tão grandes que me apeteceu fustigar-me e por via disso ainda não consegui mudar a musiquinha que inventei de ter aqui no canto direito, mas isso agora não interessa quase nada, vamos ao que importa. Gargalhei perante o gosto do dito comentário. Clicando, li: " Neste momento ninguém gosta deste comentário ". Não, isto é muito bom. Como é que está lá um 1 de gosto e depois esclarecem-nos que ninguém gosta afinal do comentário?
Tenho muito que aprender, ah pois tenho. Uma das coisas que tenho mesmo de aprender é a não responder quando me dizem : Olá! no chat e eu nunca que ouvi falar da criatura que chega parece que muito amistosamente e afinal só nos vem chatear a pinha e pôr os nervos em franja porque tem para eles que quem responde no chat ao aceno de boa educação está desesperado para ter companhia. Tenham a santa paciência, que não há pachorra para ter amigos virtuais de corda no pescoço para arranjarem  uma otária e que à resposta ao olá com um boa noite ou olá também já esfregam as mãos de tolinhos repetindo que já está no papo. Não. Não sou eu a alucinar. Eu oiço aqui e ali os comentários dos encontros apenas porque na foto alguém é  " muito  boa ". E as desilusões também. E aquelas que de muito boas passam a gajas num abrir e fechar de olhos.  E ainda há os outros que escrevem livros, agora há muitos desses que se intitulam de poetas porque rimam umas coisas e usam palavras de 100 escudos, ai, perdão, euros, não sei como, lançam livros, e pedem para serem adicionados como amigos, mas é treta, é apenas a ver se lhes compramos os livros. E então entram no chat, ou pedem a amigas, sempre a amigas que " convençam " os pobres a comprarem os seus livros, com aqueles maravilhosos poemas carregados de palavras caras que parece que dormem com o dicionário como eu durmo com a Pitanga, num tu cá tu lá duma intimidade que um dia destes estou a miar que nem ela, assim são eles com o dicionário. 
Mas porque tenho que aprender que quem vê caras não vê corações, eu que às vezes ainda acredito no Pai Natal e julgo os outros por mim, cada vez menos me convencem pessoas que andam no facebook a quererem ser muito amigas e nossas admiradoras: Ah porque és a minha poetiza preferida, ah porque escreves muito bem e para quando um livro?! Ah porque isto, porque aquilo...fico a pensar que se houvesse facebook quando eu tinha 20 anos e acreditava nas estórias da carochinha eram umas desilusões a seguir umas às outras. Só escapavam os amigos que eu conhecesse de verdade ou aqueles que lhe conhecesse a voz, a escrita, os sonhos, os desabafos. Iguais a mim.
Bem mas hoje o facebook não me desiludiu porque não me iludi. Apenas quis dar uma espiadela enquanto as minhas visitas não chegavam. E fez-me rir à gargalhada. " Neste momento ninguém gosta deste comentário "...
O strogonof  me aguarda. E o fondue de chocolate e frutas idem, aspas, aspas. A companhia é boa e não é virtual. Nem por isso ligam ao facebook. E eu, bem eu, que arregacei as mangas para cozinhar, fico esperando que as minhas visitas gostem do que eu lhes ofereço. 
Ah, não tenho nada contra os amigos virtuais. Nem contra o desespero de alguns que por ali se passeiam.
E vou continuar a rir-me a cada vez que leia coisas como as de hoje. E a ler no mural de gente que vale a pena e que sim, são verdadeiros poetas na arte das palavras escolhidas para quem quiser se deliciar.
Afinal, eu até sou de opinião que o facebook me deu muita coisa boa. Me trouxe pessoas que achava perdidas para sempre e me fez aproximar de outras que nem perdidas nem achadas, mas encontradas.
Concluo dizendo que o facebook é meu amigo. E de vez em quando me faz rir à gargalhada. Pois então!!!

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

é isso aí


aniversário da cidade


fazer mais como então?

 
f oto tukayana.blogspot
Esta é a gaveta de que tanto falo. A gaveta que a Dona Pitanga abre e desarruma a cada vez que eu durmo fora de casa.
Ontem à noite, mais uma vez dei à chave e deparei-me com esta desarrumação. Vou fazer mais como então?
Ensinar gata a comportar-se como pessoa? Será que ela já não se porta como gente? Cada vez que me ausento, ela faz-me isto. Furiosa, por ficar sozinha. Vingativa. Sonsa...
Haja paciência!

maternidade

foto tukayana.blogspot
Porque o ontem já passou e o amanhã é um projecto, hoje, visitou-me a paz.
É neste intervalo do tempo, que eu, parideira d'almas livres, vejo o meu umbigo crescer e se tornar num mundo grande e generoso. E nasce em mim a vontade de ser feliz.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Pelas Ruas de Luanda

60?

- Olá. Vai para Lisboa?
- Sim.
- Ida e volta?- Não. Deixe-me pensar...não, é melhor não, não sei a que horas regresso amanhã. E já por 3 vezes tive que pedir em Sete Rios, que me trocassem o bilhete. Um dia, não trocam..
- A senhora é que sabe. Então e  a reforma?
Anh?! Eu estarei a ouvir bem? O que é que esta sabe a propósito?! 
- Qualquer dia.
- A sério? Estava a brincar. Andam todos a reformar-se, aqui foram 2 num mês. 
- Mas eu não estava a brincar. Um dia destes calha-me. Já podia ser amanhã...
- Mas ainda é muito nova.
- Não sou não. Quantos anos acha que tenho?
- Uns 60.
A mulher é parva? Endoidou de vez. Ia-me caindo tudo para o chão. 60? Mas quem me manda dar troco à loira da bilheteira? Parecida com a Ágata, cantora pimba? Terceira mulher do irmão do meu amigo César?
Até há pouco tempo não conhecia a criatura de parte alguma. Mas ela a mim conhecia-me até alguns pormenores dispensáveis.
- O César manda-lhe um abraço - disse-me ela.
- César? Que César?
- O seu padrinho de casamento. Sou a companheira do irmão.
E foi assim que percebi o que se fala de vidas alheias. À revelia. Não liguei a isso. O meu amigo César que já não vejo há mais de 500 anos, mandara um abraço, era o que bastava. O meu amigo e padrinho de casamento chegara na leva dos retornados, no nunca esquecido ano de 75. De Moçambique. Porque será que de Moçambique chegam ou partem pessoas que me são caras? Já conto várias.
Este ficara com irmãos e mãe numa pensão paga pelo IARN, juntamente com outros, vindos de Angola. Naquele tempo os retornados e os outros, aqueles que tal como eu recusavam esse nome por não o sermos, eram unidos e amigos. Era preciso sê-lo. Eu fui, só porque sim.  

60 anos? A terceira cunhada do César, a cantora pimba, loira da bilheteira deve estar com febre. Só pode.
- Mas eu pareço lá ter 60 anos?! - provoquei, mais do que perguntei, quase indignada.
- Também acho que não, mas como disse que não era nova...Tem o quê? 56, 57?
Piorou. Cala-te bruxa má! Nunca mas nunquinha alguém teve o atrevimento da loira da bilheteira, cantora pimba, terceira cunhada do meu amigo César. Nunca ninguém me dá 56 anos. Ainda hoje me deram 45. Grande lata.
Paguei e fazendo aviões imaginários com os dedos, saí sorrindo e correndo a caminho do quarto de banho. Para enfrentar o espelho meu, espelho meu quem é que parecer ter 60 anos, sou eu?
Fui sentar-me em frente à bilheteira. Ela, a loira da bilheteira olhava-me de soslaio. E eu a ela. Hoje parecia mais do que nunca, a Ágata. Aquela cantora pirosa do Sou mãe solteira, e do Podes ficar com a casa, com o carro, ou ainda, Não és homem p'ra mim...
Bota alta e pontiaguda, calças p' ra dentro, casaco de cabedal e lourérrima. Base, carradas de base a disfarçar as rugas.
60 anos...Um pano encharcado nas trombas!
Finalmente chegou o autocarro que me pôs a caminho dos aviões. Para a capital. Não os dos dedos que tão bem sei fazer desde o tempo dos tambarinos, mas daqueles verdadeiros que nos  levam amores e nos deixam com as saudades, essas sim que fazem ter, não 50, não 60 mas 100, 300 anos, tal são. Mas que também nos trazem de volta esses amores e nos dão alegria e anos de vida.
A loira da bilheteira, qual cantora pimba de vão de escada, terceira mulher do irmão do meu amigo César, nunca saberá o que é isto que sinto, ainda que viva 500 anos. Não sabe o que é respirar com um pulmão e aguentar-se à bronca. Mas também não sabe o que é recuperá-lo. Nunca lho direi. Nem ela o compreenderá ainda que viva mais 100 anos e se pinte a ela e ao cabelo, de amarelo.
Já eu, hoje, estou leve que nem uma pluma e não tenho idade. Ele há dias felizes...

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Tejo rio

foto tukayana.blogspot



Beira-rio
Verde margem
Pássaro voa
Vai em viagem
Espelho d'água
Rapaz, barqueiro
Sol d' inverno
Amor no terreiro...
Corre corrente
À procura do mar
Canta peixe 
No seu marulhar
Reina rio 
Rio Rei
Dita o lema
Escreve a lei
Dá-te poema.

m.c.s.



domingo, 22 de janeiro de 2012

ontem à noite foi assim


Antes de mais, obrigada Luísa. Estiveste tão bem! Adorei ouvir-te. Adorei o concerto.


Tinha 3 bilhetes guardados para mim. Jantámos fora e fomos depois para o cine-teatro. Quando lá chegámos, a surpresa foi mais que muita. Luísa Sobral começou há pouco na cena musical. Tem um talento imenso, porém é nova e julgava eu que Torres Novas que já não é o que era iria passar quase indiferente à sua passagem por estas bandas. Mas não. O átrio estava cheio. Gente bonita. De todas as idades. Gente que eu não via há muito tempo. Gente que não conheço e sei que não é de cá. Admirei-me de lá ver Pedro Santana Lopes. Não é por nada mas pensei - que diabo está esta criatura a fazer no Virgínia? Tinha-o visto numa festa da Timeout há 4 anos atrás e também me interroguei do mesmo, mas ali era  Lisboa e estava em casa.
Conheço as miúdas que trabalham no cine-teatro. A Telma e a Joana são duas delas, que conheço desde pequenas. Das lides da dança e do canto.
A Telma pregou-me um susto. Os meus bilhetes não estavam na bilheteira. Após ter percebido que posso ser maria clara santos ( sou sempre ) ou maria clara marques o que fez diferença, lá apareceram os tais bilhetes. Nunca consigo nada sem esforço por isso já me acostumei. Aliás isto estava a acontecer  e eu a dizer com os meus botões - só se fosse hoje que não houvesse qualquer coisa a atravancar a minha noite - no momento que estava a ligar à minha cria para lhe dar conta do sucedido a Telma aparece com os bilhetes na mão e um sorriso mais amigo que profissional explicando a confusão - quem é que a manda ter um nome grande? Não expliquei nem ela quis explicações. Estava descoberto o engano.
Logo a seguir entrámos na sala, que encheu. Perto de mim um casal. A ele conheço-o de sempre mas não o via há uns tempos. Procurei a mulher e não a vi. Uma angolana que viera de Luanda muito cedo e os seus pais que me foram muito próximos. Ele foi quem tocou a marcha nupcial no meu casamento. No seu lugar outra criatura. Algo tão improvável que pensei ser alguém da família. Uma amiga. Enfim... mas não. Disseram-me que estavam separados. E embatuquei. E disse para com os meus botões: Então? Julgas que és só tu? Pois é. Já não se pode perguntar pelo cônjuge. Temos mesmo é que ser discretos. Por mim falo que ao fim de 5 anos ainda sou questionada. Apostei comigo que se desse muita confiança, antes do espetáculo alguém se aproximaria para me fazer a dita pergunta que hoje já me diverte mas que em tempos causava uma certa raiva de quem perguntava e de quem suscitava a pergunta.
Na hora marcada o concerto deu início. E foi perfeito. A Luísa esteve fantástica. Acrescentou algumas músicas ao espetáculo do verão nas festas da cidade. Cantou e encantou e quando o concerto terminou percebi que ainda a ouviria muito mais com o mesmo prazer e admiração.
Sou fã da Luísa Sobral por vários motivos um deles não vem agora ao caso e desejo-lhe todo o sucesso do mundo porque ela é Grande e merece.

 

viver sozinha


Viver sozinha tem  nuances que distinguem a vida que fazemos, d'outras. Para melhor. E eu não sabia disso até há uns anos atrás. Pior, nunca me apeteceu viver sozinha. Melhor, nem me imaginava numa casa  só p'ra mim. Começa por aí. As divisões todas por minha conta. O quarto de banho. Isso então é uma benção. Porta aberta. Luz apagada, água correndo até apetecer. A cama, senhores, a cama que se desfaz só do lado direito, se bem que ultimamente optei inconscientemente, numa escolha desse eu que já sabe muito bem o que quer e o que lhe dá prazer e conforto por dormir ao meio. Que nem uma paxá. E tem também a sala. A televisão no canal que eu quero. A música no som que eu quero. As janelas abertas como quero. O aquecimento, se quero.
Nada de jornais espalhados. Livros. Cartas de serviços. Pastas. Cds. Chinelos ou casacos. Essa desarrumação guardo-a para uma divisão onde tenho tudo o me faz falta. E ainda me sobram divisões. Para o que der e vier.
Tem também a cozinha. Onde eu sou feliz. Se me apanho em frente ao fogão. Cozinhando só p'ra mim e o que eu quero. Comendo só o que me apetece. Às horas que quero. Na mesa ou no tabuleiro. Na sala ou no quarto. Tudo à minha maneira.
Viver sozinha tem nuances que me agradam. Vantagens.
Olha, vá, acorda que já são horas. Ou, queres que te faça o pequeno almoço? Vou desligar o forno. Queres uma massagem?
Ou então, coça-me as costas. Doi-me a cabeça. Ajuda-me a descalçar a bota. Fecha a porta à chave. Os estores estragaram-se. Vais buscar-me ao supermercado? Quando é que podes marcar férias? Vamos a Lisboa ou não te apetece? Eu queria ir ver o mar...
E tantas decisões, tantos desejos, tantas preocupações, tanta logística   que não nos agrada mas cedemos, que nos agrada e nos privamos.
E ainda há o dinheiro. Este mês preciso dumas calças. Tens tanta roupa, estava-te a fazer falta mais umas calças... E eu dum fato. Agora vou subir de posto tenho de vestir de acordo. A tua mãe faz anos temos de lhe dar uma prenda. mas ela nunca se lembra de quando eu faço anos. Nem sonha, julga que nasci numa chocadeira, por isso...só uma lembrança, e é por ti porque eu esquecia, como me faz a mim.
Apetece-me jantar fora. Esquece. Vamos encomendar um frango com batatas fritas e arroz e comemos cá em casa que fica mais barato.
Viver sozinha é poder dormir num domingo de inverno e sol até  às 10. Levantar-me e fazer flocos de aveia. Fotografar a taça. Entrar no facebook e publicar só porque sim. Fazer aletria para levar à caçula que adora. É falar com a cria mais ausente. Não ter programa e nem por isso me importar. Brincar com a Pitanga. Combinar a tarde. Sorrir...
Viver sozinha tem dias que é lixado.Tem responsabilidades. Muitas. Todas. Tem espaço a mais. Tem silêncio. Tem frio e tem solidão. Tem uma gata para tratar todos os dias. A porta da rua para fechar sempre. 
Não tem ouvidos para a confidência. Não tem sorriso para animar. Não tem braço para abraçar. Não tem lábio para beijar. Não tem voz para ouvir. Não tem alma para compreender, não tem presença para proteger. Porém apesar de ter sido a maior desgraça que me aconteceu em tempos, hoje é a maior benção que aconselho a toda a gente.Nem que seja só uma semana. Um mês. Homens e mulheres.
Afinal, há quem diga que se nasce sozinho. Morre-se sozinho, então porque não viver sozinho?
Partilhar? Fora da nossa casa, faz sentido. Todo o sentido. 
Hoje sobrou-me uma taça de flocos. Alguém quer? Não? Fica para o meu pequeno almoço de amanhã.

sonhei-te voz






Sonhei-te voz
Bonita e doce
Sussurro de mar
Tocando na rocha 
Devagar...
Carícia inesperada
Minha esperança renovada
No sonho que te sonhei 

Sonhei-te em nós
Sonhei-te voz
Som que não ousei
Timbre sedoso
Beijo de espuma
Gesto que em vão calei
Num segundo
Não mais que num segundo
Foste o mundo
E eu amei


m.c.s.



sábado, 21 de janeiro de 2012

Luisa Sobral - Why Should I

Vou ali e volto já, ver e ouvir esta menina fantástica, cantora e compositora de mão cheia, ao Cine Teatro Virgínia, em Torres Novas...pois então!!!

estou contigo


" Muita merda " meu amor.
Como sempre, mais que sempre, porque este tempo tem sido de saudades muitas, estou contigo, torcendo para que tudo dê certo.
Adoro-te. 

Hasta la vista...

mudemos de assunto

um luxo



Quem é? O Arcanjo Gabriel.

Diz que somos protegidos por Anjos. E eu quero. E andei enganada uns tempos julgando que o meu anjo era outro. A sério. Tenho a mania que sou muito esperta, mas caio que nem uma patinha na primeira balela, que me contam. Ou seja, na mais básica das cantadas.
Descobri há poucos dias, que era o arcanjo Gabriel quem me protegia,
 nas pesquisas de quem tem todo o tempo do mundo e ainda lhe sobra tempo, bisbilhotando signos, meu e outros, cartomancia, tarot, baralho cigano e outros, que lhe chamam bruxarias e de que todos se querem afastar, tipo, foge de sarna, ai que horror, não sei como podes gostar dessas coisas, parvoíces, coisas do além,  e que eu não estou nem aí, até já me disseram que noutra vida fui bruxa, então?! O meu amigo António Sanches, caboverdiano da Praia bem que me quis ensinar a ler as cartas, porque tal e coiso, tens queda e pinta para isto, e umas adivinhações quaisquer, e sensibilidade,  mas eu teimosa e medrosa, a pensar como todos, que era quase quase, por uma unha negra, a tal da bruxaria,  não aceitei. Se fosse hoje, era pegar ou... pegar, e nas noites de frio e solidão baralhava as cartinhas, baralhava-me toda e mergulhava de cabeça no mundo inexplicável das ciências pouco esclarecidas.
Bem, mas anjos nada têm a ver com esse mundo, dizem, e eu quero mesmo é falar do meu arcanjo protector, descoberto por mim ainda há pouco e muito contente que fiquei com a descoberta. Porque há muito muito tempo eu era, tu cá tu lá com o são gabriel. E nessa intimidade boa e saudosa nunca fiz por esquecê-lo. Primeiro, Gabriel é um nome muito bonito e depois, bem, todo o santo dia, na hora do almoço, d. celeste acabando o esparguete com carne, Lucrécia passando a bata do liceu, alva que só ela, e com o logotipo encarnado ou amarelo ou sei lá mais de que cor, porque como diz o Júlio Magalhães, em África os miúdos chumbavam muito, porque não queriam estudar, brincavam demais na rua, tinham interesses muito mais interessantes que estudar o mapa de portugal, os sistemas, o verbo avoir, zigurates, Esparta ou desenho à vista dum pote qualquer bojudo e barrento, bem, nessa hora, meio dia, o rádio na emissora católica de angola apitava o sinal e dizia: É meio dia irmãos. Hora em que  o Mensageiro de Deus,  S. Gabriel, anunciou a Maria o  maior acontecimento da história, da nossa história divina...
Anos e anos ouvindo o que São Gabriel fez, tornou-o, não enfadonho ou reptitivo, mas um anjo de truz. Daqueles que tanto nos dizem que foi mesmo assim que a gente acredita e gosta. E admira. Daqueles que queremos na nossa vida para nos anunciar tudo o que nos pode salvar. 
Mal sabia eu que me estava destinado o arcanjo gabriel, o tal. O maior. Se não houvesse internet estaria vivendo na ignorância neste particular. E noutros também que não vêm agora ao caso, que isto foi apenas um desabafo. Parece que estou a ouvir a dona Celeste dizer: Maria Clara, Maria Clara, nessa idade já é p'ra teres juízo ( tanto que lhe ouvi isto! ) Ou a Lucrécia: essa menina Clarita, não brinca com essas coisas, vais-te dar mal então vais ver só...( minha querida Lucrécia,  que espiava a chegada do avô Carvalho enquanto o pai e a mãe trocavam paixão e amor, para a minha semente ).
Não brinco ( só um pouco que a vida é demasiado séria ). E tenho juízo ( quanto baste ). Mas a verdade é que sempre que preciso, faço apelos. E quando não preciso agradeço. E olho p'ra cima. E volto a sentir-me grata com a vida e com quem me protege. Seja são gabriel, arcanjo, anjo que anunciou o maior acontecimento da história, seja lá o que for. É. Eu sei que é. Eu sei que há. 
Fico a pensar que uma criatura que tem como signo um bichinho cheio de tenazes sempre a andar de marcha atrás, como é o caranguejo, que é,  Cabra no signo chinês, Cabra, Jesus, Maria, quando querem xingar uma mulher logo lhe chamam cabra na vez de...cabra, tinha que ter uma compensação qualquer. São Gabriel pareceu-me bem. Muito bem. E eu tinha que lhe fazer uma homenagenzita qualquer só para lhe dizer que é uma honra ser sua protegida. Um luxo. Crème de la crème. 

pão de queijo e azeitonas

Pão de Queijo e Azeitonas
1 chávena de chá de farinha de trigo
1 " de leite
1/2 " de óleo
2 ovos + 1 colher de sopa de fermento
oregãos para polvilhar

Recheio: 3 tomates picadinhos, 300 g de queijo Mozarela, 1/2 chávena de azeitonas picadinhas
Bate-se muito bem todos os ingredientes para a massa.
Deita-se metade num tabuleiro untado e polvilhado.
Por cima deita-se os ingredientes do recheio misturados e cobre-se com a restante massa.
É bom para lanches ajantarados, com carnes frias.

frango com caju

Frango com cajú ( receita de Helena Sines )

4 peitos de frango, 2 dentes de alho, 1 saco de cajú (pode ser daqueles para aperitivo), 1 iogurte natural, a mesma medida de leite de côco, 2 tomates bem maduros, 1 cubo de caldo de galinha.

Parte-se os peitos de frango em cubos grossos.Numa frigideira funda, salteiam-se em azeite, com sal e o alho bem picadinho.
No copo do liquidificador tritura-se o caju, o tomate, com o iogurte, o caldo de galinha, o leite de côco.
Deita-se no frango e mistura-se bem.
Deixa-se apurar mais ou menos 3 a 5 minutos em lume brando.

Serve-se com arroz branco muito soltinho.

É delicioso.Bom apetite!

banana podre não tem fortuna...



Banana podre não tem fortuna, frutatá frutatá...

Acordei cantando. Nada demais. É sábado. Não há pressas. 
O sol raiou. A Pitanga procura-o para se regalar. Eu também. 
Acho que Dona Pitanga fica feliz (?) por me ter de companhia. Dá-se a vice-versa também.
Feliz, feliz não será, mas protegida. Aqui estou eu levantando-me para lhe fazer o prato. Abrindo a janela de par em par para ambas. Segue-me que nem cachorrinho obediente. Aliás, vai à minha frente direita à cozinha e se me detenho pelo caminho, olha para trás e reclama num som que não sabia que os gatos faziam até dona pitanga me tomar conta da vida.
Olho a fruteira da cozinha. Banana podre não tem fortuna, frutataaaaaaaá...
Faço um batido. E canto. Não sei porque acordei cantando. Ou sei? Os mal intencionados iam dizer logo: Passarinho novo...
Ocorre-me uma criatura que me cruzou a vida. Muita gente me cruzou e cruza a vida. Uns ficam outros não. Mas lembro-me do que deixam na minha memória. Esta disse sempre que gostava de passarinhos novos, que velha já bastava ela. Ontem por um acaso um pouco forçado apareceu e voltou ao velho disco que por ser de vinil já está riscadinho e emperrou na parte que, velha já bastava ela...
Mas não. Pássaros só na rua, voando. Não lhes conheço o tempo da existência. Ainda se fosse um albatroz...
Banana podre não tem fortuna, frutatá, frutatá...
Olho as minhas mãos. É hoje que faço as unhas. Tenho andado relaxada. mas hoje pintá-las-ei de laranja. Gosto das minhas mãos. Uma antiga colega, um dia, ao ouvir outra dizer: ela ( eu ) tem umas mãos bonitas, disse-me com ar de lambisgoia, o que provocou uma piscadela d' olhos carregados de troça e cumplicidade por parte de outra, que gostava muito de mim - tens umas mãos que não se pode dizer que são bonitas mas são estranhas. Parece que não te pertencem. Pois, são da vizinha, respondi eu, pedi-as emprestadas só para te confundir a molécula.. 
Há gente muito invejosa. Todos os dias. A todas as horas. Deitam-se e dormem em cima da inveja. Sonham invejosamente e acordam espreguiçando-a. Banana podre não tem fortuna, frutatáaaaaaaa....
Por falar em sonhar, acho que é isso.
É mesmo isso! Tive um sonho que não o vendo nem por uma fortuna. Os sonhos não se vendem. Dão-se porque não têm preço. Mas este vou guardá-lo só p'ra mim. Segredo dos deuses. Para se realizar. Antevisão. Já aconteceu algumas vezes, porque não agora? E sim. Digo-vos. Se este acontecesse, eu não estaria apenas cantando agora, banana podre não tem fortuna, frutatá, frutaaaaaaa, eu subiria no palco da vida e cantaria ao mundo a minha fortuna. 
Hoje acordei sorrindo. Sábado de sol. Alegria na voz. Paz no coração.
Tudo no seu lugar e eu cantando.
Banana podre não tem fortuna...

Feriado Pessoal - Bruna Caram

à sexta-feira


A Rita deu-me a novidade. 
- D. Clara, você quer batatas doces para sexta? - A Rita diz sempre " você " o que me desagrada mas é o jeito dela de menina de aldeia.  
- Claro que sim Rita. Agora também há à 6ª ?
- Pois há. Somos nós que as assamos cá a partir de agora. E como as temos à venda cruas...
E eu pedi que me guardasse quatro. 
Já vinha do hipermercado que fica lá em cima na outra ponta da cidade. Quem sabe onde eu moro sabe que o esticão é grande demais, mesmo que descendo o viaduto, sobretudo numa sexta-feira, fim do dia, cansaço, peso de sacos, um em cada mão. Se hoje não fosse andar, passara a tarde tentando falar com a minha companheira preferida, de caminhada, conversa, risada, sem o conseguir, o tal esticão ficava por conta. Os dias estão maiores e lindos. O céu este inverno tem as cores mais bonitas de todos os invernos que já vivi. Não sei se porque ando mais sonhadora, mais romântica, mais..., se são os meus olhos apenas, se este  inverno é especial. 
Comprado o euromilhões da minha esperança de me mudar de armas e bagagens para perto de quem e onde eu sou, segui viagem rumo a casa. No caminho, as batatas. A Rita não falhara e lá estavam 4 batatas doces escondidinhas, para mim. Demais, para uma criatura sozinha, já que a  Pitanga não gosta, porque a Pitanga não gosta de comida de gente, contrariando a teoria feita lei de que os gatos são ladrões. Demais porque trato batata doce como se trata tremoços, jinguba, cáju, azeitonas, pipocas, bombons, enquanto não acabarem é sempre a aviar nelas. E como este fim de semana fico por cá, o avio não vai só para batata doce. Por falar em avio, eu não posso entrar na loja da Rita. Não me limito ao que está guardado. Desta vez me lembrei dum menino que está fora há uns tempos, tempos longos demais e que gosta de broas dos santos que afinal há o ano inteiro a parecer que todos os dias são dias santos, E queijo de Castelo Branco. E bolo de cabeça, o tal que dão nos casamentos aos convidados e que devem estar com menos saída porque casamentos, quê deles?!
E como as conversas são como as cerejas, a minha saudade desse menino é tanta que comprei também uns halls harmony para me compensar no serão.
Finalmente cheguei a casa. Finalmente equipei-me para a maratona diária. Noturna.  Sempre diferente. Cada noite uma novidade. Um novo atalho. Outra estrada. Outros encontros. Outras descobertas. 
Das quatro batatas já só ficou uma. Duas para mim, uma para a minha amiga, pois claro, e a última sobrando. Não por muito tempo.   
  

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Ane Brun these days HD

Meu beija-flor

Meu Beija- flor
Beijo de mel
Frangipani
Açucena
Sombra amena
Voando no carrocel
Mulemba, mulemba...


Meu beija flor
Beijo de mel
Canto de amor
Romance de cordel
Perfume de rosa
Te sei de cor
Meu poema
Minha prosa
Mar de calema
Turbilhão
Meu sentimento
Meu momento
Minha canção

Meu beija flor
Beijo de mel
Meu amor
Num carrocel
Mulemba, mulemba
Momento a momento
Romance de cordel...

m.c.s.





ontem foi quarta-feira

Ainda não eram cinco horas e eu a querer ligar à caçula. Pra saber como correra a feitura da lasanha de legumes. Para saber se era quarta-feira para as duas. Nesse segundo anterior ao gesto, o telefone tocou. Paula, li.
Acontece. Muitas vezes com as pessoas que amo. Penso nelas e ei-las ali à distância de um telefonema, uma mensagem, uns passos. Ao dobrar da esquina. Ou dum poema, uma prosa, uma música, do chat...
No fim de semana que passou duas das minhas pessoas, só porque o meu telemóvel estava desligado ficaram na maior inquietação e houve telefonemas do estilo - a tua mãe? Não me atende. Tem o telefone desligado. E do outro lado a incerteza se ficara sem bateria e esquecera de ligar ( claro, o que havia de ser? ninguém me assaltou ou raptou no 36, a caminho de casa, era o que mais faltava ... ) ou se me acontecera algo. Depois de duas sessões de cinema, o telefone morrera e eu esquecera de o ressuscitar.
Susto, susto foi o meu, quando logo pela manhã, tão de madrugada que não é costume, o telefone tocou. Porque, ah, que na noite anterior não atendia, e tal e coiso.
Na verdade acabei divertida com a situação. Olha se eu tivesse querido desligar o telefone para ficar numa boa! Já uma criatura não pode desligar-se do mundo e mergulhar no que bem lhe apetecer...
Mas passado que foi esse sufoco, senti o bom que é ter quem se preocupe connosco, quem nos note a falta, quem comunique para saber da gente e mesmo que sejam apenas duas, três, quatro, as pessoas que poderão preocupar-se, são uma multidão nas estatísticas concerteza.
A caçula deu-me conta das novidades e de que era quarta-feira sim. Faltava saber a hora para saborearmos esse dia da semana. E acabamos à mesa da pizzaria em frente ao pão d'alho e queijo e de uma pizza de atum, queijo, ovo, azeitonas e ananás. No fim da noite e depois de muitas novidades e curiosidades, este livro de presente.
Como sabe bem receber uma presente só porque sim...
Obrigada caçula. Adorei.
Ontem foi quarta-feira para nós.

digo eu...

Cortar o mal pela raiz, é semear a semente da Mudança.

parabéns leninha


Hoje a Maria Helena Sines, a alentejana de Odemira, mais angolana que conheço, faz anos.
É minha amiga. Viveu em Luanda. E vem aqui com alguma frequência.
Motivos mais que muitos para lhe desejar um dia muito feliz. Ela diz que não liga a aniversários, mas eu não vou nisso e por isso vim aqui saudá-la.
Minha querida, muitas felicidades. Deus te dê tudo de bom, mas ajuda-O sim?
Continua linda, com tudo em cima e com esse mau feitio ( quem é que eu conheço assim? quem é? ) que te faz disparatares com gente que não vale nada a pena e te faz sair de grupos de facebook onde a gente de mentalidade pequenina se passeia.
Boa, amiga!
A nossa gente tem de ser protegida. O nosso povo merece-o.
Por tudo, Parabéns! Beijos no teu coração.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

chega até mim...



Chega até mim
O perfume da saudade
Cajú amarelo na árvore
Meu tempo
Minha idade
Num sopro se foi
Minha memória
Ai breve história
Ai coração que tanto doi...
Chega até mim
A cor das barrocas
Barro vermelho
Terra barrenta
Piteira picando
Eu desejando
Manga sumarenta
Chega até mim
Amor primeiro
Guardo a canção
Gajaja madura
Parece limão
Afeto perdura
Na imaginação
Chega até mim
Estranha paisagem
Brilha o sol
Na noite escura
E no mato, fruta madura
Mar no deserto
E o planalto ali tão perto...
Chega até mim
Ou serei eu que vou afinal?
Becos, estradas
Comboios, jangadas
Kiandas sem voz,
Âncoras e margens
Longas viagens
Rio que corre
À procura da foz
Chega até mim
O perfume da saudade...

m.c.s.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

♥OMAR AKRAM - Dancing with the wind♥

mais que um farol




Gela-me o corpo
É frio o caminho
E longa a estrada
Aproximas-te no tempo
És madrugada
Calas palavras
Olhas de longe
Acenas-me com a mão
Mais que uma sombra
Mais que um farol
Mais que uma ilusão
És um mais que nada
E nos nadas que dás
Oiço-te canção
Sorri coração
Beija-me a paz

m.c.s.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

capacidade para...

Surpreendo-me com a capacidade para suportar as contrariedades com que a vida nos desbrinda: Sim porque da vida a gente espera um brinde constante e não agruras. Se não porque raio vivemos? Se é para sofrer...
Desculpem o desabafo, mas isto faz-me lembrar um tempo muito distante. Na avenida brasil. No colégio, sala da menina Piedade. Eu descobrira pouco tempo antes que afinal as pessoas não eram eternas. E que havia gente muito próxima de mim que sofria. Tinha uma colega, irmã do Rui Isaías e do Emídio que tinha uma deficiência física e se deslocava numa cadeira de rodas. E não sei se porque era boazinha apesar da traquinice, ou se porque desde esse tempo a injustiça me fazia chorar, gritar, desafiar, perder o medo, eu protegia a Claudina que era bem mais velha que eu mas que frequentava a mesma classe. E foi ela que me disse que as pessoas morriam. E eu lembro-me de lhe ter perguntado, porquê. Pois se era para desaparecerem para que nasciam. Até essa altura apenas me confrontara com os cães que tinhamos em casa e que por andarem sempre soltos, por vezes atravessavam a avenida e eram atropelados.
Com a realidade que a Claudina me presenteara os meus medos aumentaram. Acrescentei aos outros todos, mais o medo de ver morrer os que amava. Eu já tinha medo que chegava para fazer da minha pequena vida, um drama, não fosse rir-me de dia e troçar dos medos da noite. Do que não se explica. Naquele tempo, quer dizer, será que era só naquele tempo? acreditava em almas de outro mundo. E tinha medo dos " condenados ", do uivo dos cães, dos galos que cantavam fora da meia-noite e houve um tempo que tinha medo de adormecer sozinha e de luz apagada e a dona Celeste fazia-me companhia até adormecer. Era muito kanuca, com 3, 4 anos, mas lembro.
Mais tarde tive outros medos de me fazerem suar, taquicárdia, chorar, desesperar até ao pânico. Afinal vivi a vida perdida de medo de a viver, mas ainda assim, vivendo-a. Houve um tempo que não era capaz de ficar sozinha. Em lado algum. Frescuras que nem psiquiatra resolveu, aquele que adormeceu a ouvir-me, e eu com vontade de o comer numa fatia de pão mas divertida mesmo assim porque p'ra sempre poderia contar à boca cheia, sim que este segredo nunca o seria, só até sair daquelas quatro paredes, que estava a dar com o senhor em doido e ele coitado, preferiu passar-se para o mundo dos sonhos que pesadelo já bastava o meu. Ou eu...
Que barrigada de riso já tenho tido à pála do sr. doutor. Não digo o nome porque ele não teve culpa. Não teve pedalada para uma doente como eu. Percebo-o.
Mas voltando aos medos, perdi-os. Quase todos. Há uns anos atrás. Assim, como que num clique. Um estalar de dedos. Magia. Sobrevivência. Que o que tem de ser tem muita força e apesar de não ter vontade de a fazer não tenho outro remédio. E a vida é tão gostosa que de cobardes não reza a história e eu tenho uma para viver.
Eis senão quando, assim a ver notícias um barco de cruzeiro vai para as urtigas. Jamais me passaria pela cabeça noutros tempos fazer um cruzeiro. Que pavor!!! Mas nos tempos que correm vi essa possibilidade e fiquei bem animadinha. E agora como é que fica?
Água de 15 graus. Nadar? E eu sei lá salvar-me? Ando há 56 anos a tentar escapar por entre os pingos da chuva mas nem sempre estou a salvo...
E eis senão quando, uma pessoa muito querida, viaja de avião. E não tem como comunicar. E passam quase 24 horas sem notícias e percebo que não estou curada. O medo toma conta de mim. Instala-se. E corroi.
Surpreendo-me com a minha capacidade para resitir a tantos medos.
Surpreendo-me com o coração também.
Julgava-me curada mas afinal, uma vez medrosa para sempre com medos.

Ane Brun - To Let Myself Go

porque hoje é 16 do mês de janeiro

Passaram dois anos. Depois do teu abraço do tamanho do Universo, que devolvi com um abraço tão grande que não cabia no Mundo.
Nunca me abraçaras assim. Duma forma tão intensa. Era eu quem dizia que se queria mostrar às pessoas que gostava muito delas, dava-lhe abraços do tamanho do universo. Maiores do que o Universo.
Ainda desejaste, um fim de semana muito feliz. E eu nem sequer desconfiei. Estava feliz.
Me disseram que era uma despedida. Leram por mim, nas entrelinhas.
Passaram dois anos. Foi uma despedida.
Porque não me esqueço do rio Lifume, da caça no mato, do carro da tifa, do pão com doce de tomate, da mota jaguar, das fotografias na escola Industrial e escola 8, da pesca no alto mar, da tela de aguarelas, da foto entrando no carro desportivo, dos beijos de mel, do pára-quedas, de ouvir a mesma canção, da falta de relógio, do Maculusso, da prosa diária, de Aubrey, de Moçambique, da flor do frangipani, dos comboios de beijos, do albatroz que vem a terra uma vez por ano para acasalar, dos binóculos nos mares do sul, deste sul, enfim, porque afinal não me esqueço de ti, quero, hoje, dar-te um abraço maior do que o Universo. Ficaste no meu coração.

domingo, 15 de janeiro de 2012

palavras mais então p'ra quê?







James Blunt - High [ORIGINAL VIDEO]

ser feliz



Cheguei na idade que queria voltar a ser criança de novo.
Tenho a certeza de que voltaria a ser feliz...
( digo eu )

sapateando

foto tukayana.blogspotSão fofos não são?
Estou numa idade em que acomulo muito disparate. Muita coisa boa. E menos boa. Muita coisa gira. Surpreendente. Ridícula. Horrível. Vergonhosa. Vulgar. Inoportuna. Muita coisa desnecessária. Mal intencionada. Sim, também. Surpéflua. Emocionante. Humilhante. Lúdica. Generosa. Obrigatória. Espiritual. Estúpida. Familiar. Egoísta. Atrevida.
Enfim, estou velha...
Há coisas que num passeio no interior de mim percebo que nunca fiz. Que não me atreverei a fazer. Há outras que não fiz e não queria passar para o outro lado da vida sem fazer, e outras há que só não as fiz porque não calhou, mas cabem em mim com naturalidade.
Já ouvi muitas histórias. Gosto de gente com histórias para contar. São pessoas com memória, criativas e ricas. A vida é feita de pequenas histórias que alinhavadas num alinhamento progressivo dá a história da nossa vida. Quisera eu ter oportunidade e desprendimento para tal e ainda tenho nas mãos e na memória muitas histórias p'ra contar que são a coluna vertebral que sustenta a minha alma e fazem de mim o que eu sou. Um dia, talvez, se não for eu, alguém contará...
Pronto, já estou a ficar envolvida no argumento da história da minha vida e a ficar demasiado séria e o caso não é p'ra isso. Esta história é breve, menor que a introdução e nem por isso interessante. A possível. Só a destaco porque já ouvi muitas histórias destas e nunca me acontecera. O sentido prático que nem sempre tenho para as coisas.
Cheguei do Ribatejo ainda de manhã. Nos pés, uns sapatos castanhos. Com salto. Má volta vir p'ra Lisboa de saltos, mas dado que me ia passear por determinada zona da cidade, fazia todo o sentido. Lisboa dá-me saudades. Há 3 semanas que não lhe punha a vista em cima. Esta é mesmo a minha segunda cidade. A primeira já toda a gente sabe qual é.
Saí de Sete Rios e encaminhei-me rapidamente para o metro. Sem olhar para coisa alguma pois o peditório ao fundo das escadas que vai dar aos taxis, é feroz, e eu deixo-me manipular, já sei como é. Dizem-me que têm fome e dão-me um soco no estômago e um vazio na carteira que não precisa de ar. Precisa é de notas para levar com tranquilidade a minha vidinha que quero com qualidade para ser resignada mas não triste.
Passei a sapataria que fica antes da passagem para o metro. As montras apelativas fizeram-me sorrir ironicamente. A 6,90 e a 9,90 todo o calçado da loja. Pensei p'ra com os meus botões e sapatinhos de salto castanhos : Ganda merda devem ser. Mais baratos que nos chineses, ciganos e afins...
Carreguei o cartão e entrei. Ao descer as escadas ouvi um toc toc mais fininho que se fosse voz era de cana rachada. E parecido com aquele som que arrepia, de esferovite, unhas raspando, passos em cima de azulejos. Dentes rangendo. E fiquei toda arrepiadinha. Sentei-me e vi que perdera as capas dos meus ricos sapatinhos. E não pensei duas vezes. Meia volta volver. Saí como entrei, apressadamente, e entrei na loja. A empregada ( catanhó ) falava crioulo com o segurança do espaço comum. Olhei à volta e não vi nada que me agradasse. Pedi ajuda. Por favor, preciso duns sapatos acastanhados, com salto.
- E botas não? - Não. Era o que me faltava. Tenho botas a dar com o pau. As últimas estão por estrear e foram oferta da caçula. Continuam a secar da lavagem que lhes dei depois do banho de licor de ameixa que sofreram no Natal.
-Não. Quero sapatos. Mas podem ser abotinados.
Ela olhou para mim e disse: Chegaram uns que ainda não estão na montra que são a cara da senhora.
E eu entreguei nas mãos de Deus.
Devo dizer que não se pode dizer que desta água não beberei.
Os sapatos? Pois claro, são estes. E são muito fofinhos. Não escolheria melhor. E sim. Também são a minha cara. Eu e as gentes caboverdianas temos qualquer coisa que não sei explicar. Ou sei?
E até aqui nada de anormal, não fosse arrumar os velhos sapatos castanhos de salto, num saco e ficar logo ali de pezinhos novinhos em folha. Por 9,90. Quanto tempo vão durar? Sei lá. Almoçar no restaurante do Corte Inglês foi mais caro e já lá vai. E uma desilusão, pois os empregados já não mandam beijinhos uns aos outros para comunicarem e já não somos tratados com simpatia e delicadeza como senpre o faziam. Na raiva que senti, disse à minha comnpanhia: Nunca mais cá venho - Se calhar vou. Quando me passar.
Ora bem, saí da sapataria, de sapatos novos nos pés o que me deu um gozo de primeira vez que sempre quis ter.
Já não posso dizer que desta água não beberei e que não farei como os bimbalhões que entram, calçam, pagam e vão embora na banga, olhando os seus sapatos novos, inchados que nem pavões.
O que é que sou eu afinal, senão um comum mortal que passa por tudo o que a vida oferece e por vezes pára, experimenta e gosta?
Depois, esta experiência considero-a exicitante na medida em que daqui para a frente não me poderei dar ao luxo de comprar uns sapatos só porque fiquei sem capas e tenho essas frescuras de ficar arrepiada com o som do prego a raspar no chão.

sábado, 14 de janeiro de 2012

mais uma vez

Subindo o viaduto num adeus ó vai-te embora, santa terrinha que o ganha pão fica lá mais para os lados da serra, e, numa pressa de dar corda aos atacadores sobejamente conhecida e partilhada aqui, tanto faz seja o sr. margarido levando o autocarro mais lá para perto do rio alviela, ou indo eu procurar caminho mais para o cimo da cidade, como dizia, subindo eu o viaduto desse jeito de ser, mais do que defeito, olho de soslaio para baixo. Na direita, uma quinta remodelada. Pintada de fresco, numa aragem húmida vindo do rio, não faltam incentivos para um dia entrar, estar e querer voltar. Regalo para os olhos, sabor para o paladar, para quem escolhe casar, batizar, convidar para os eventos mais importantes (?) das suas vidas. Na esquerda, na minha canhota, uma quinta abandonada. Bem na curva do rio, aproveitada que foi em tempos a sua margem fértil, fugindo do bulício sem sair do centro, ainda uma nespereira gigante, a maior que já vi e um aqueduto. Gosto de aquedutos. Este transportava a água que abasteceria a quinta. O poço redondo, o maior que já vi.
Neste subir, a caminho de cada dia de trabalho, dia fresco que até doi a ponta do nariz e a ponta dos dedos, me lembro de um amigo que semana após semana me manda um escrito, em jeito de pensamento. O último dizia para fugir à monotonia e mudar. Mudar de passeio, de rua, de vestido, de cabelo, de pessoas. Olhar a natureza. Respirar fundo. Mudar...
Está certo. Mudar deve ser a palavra de ordem na minha vida. Chover no molhado desgasta, entristece, condiciona.
Páro a meio do viaduto. Olho para baixo. Quantos metros serão até ao chão? Não. Não me quero atirar. Ocorre-me outro mais longe daqui. Ou ponte, sei lá...
É muito alto. Como o outro. Mais que o outro. Aqui nunca ouvi a notícia que alguém desesperou e se atirou. No outro, soube que alguém até que não se importava de saltar. E soube que Deus lhe pegou ao colo e lhe fez voar para um canto do seu interior e lhe chamou de loucura que ia passar, porque a vida era gostosa demais para gestos tão pequeninos.
Senti um calafrio me percorrendo o corpo. Um gelo me queimando a pele.
A manhã está fria. Descendo enquanto eu subia, uma mulher. Para mim, a mulher do B.., que trabalha nas Finanças. Nunca lhe soube o nome. Mas nunca me esqueci de a cumprimentar. Ela, nunca se esqueceu de me sorrir. Lembro-me daquela menina grávida que no Rossio me abordou e arrancou uma nota da minha carteira só porque eu não soube ficar indiferente. Dê-me um sorriso, senhora. E eu sorri.
Cheguei finalmente ao cimo. Cansada. Menos do que há 2 semanas. Muito treino pela manhã. Muito treino pela calada da noite.
Bati com os olhos num dito do Epicuro. Empertiguei-me. Sempre me empertigo quando bato de frente nele. Empino o nariz, relaxo as costas e sorrio. Faça tudo como se alguém a contemplasse.
Este pensamento corre sempre à minha frente, como um alerta. E me manipula.
Quem me contempla? Contemplar é digno das almas superiores.
Mesmo no alto do viaduto quem não é superior não contempla. Passa os olhos sobre as coisas e os baixa indiferente.
Aos poucos, vou tratando por tu o viaduto que me aceita como sou. Sempre cheia de pressa.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Marisa Monte - O Que Você Quer Saber De Verdade (Clipe Oficial) Full HD

voar

Nasce o sol
Nasce o dia
E com ele a borboleta
Da fantasia
Nasce o tempo
De sonhar
Nasce a ânsia de voar
Olho o mundo à minha volta
Indiferente ao meu olhar
Agarro a esperança na mão
Dou asas à emoção
Solto a vontade d' amar
E num gesto de magia
Qual varinha de condão
Crio acordes de alegria
Que espalho no coração.

m.c.s.



quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

sobe que sobe, sobe o viaduto

foto tukayana.blogspot

Clara sobe, sobe que sobe, sobe a calçada. O viaduto...
Todos os dias. De dia e de noite. Já lá vai uma semana.
O viaduto passou a ser o meu estimado e assíduo amigo. De manhã, numa pressa de quem tem de trabalhar para viver, procurando não olhar os automóveis que o descem para não fazer caretas, língua de fora, aviões com os dedos e tudo o que me passa pela cabeça. É que até o doutor penteadinho que era um administrativo numa empresa conhecidíssima desta praça e resolveu estudar, que eu não via há muito me cai na sopinha todas as manhãs e espreita como se nunca tivesse visto uma criatura subir o viaduto cheia de frio, sono e pressa. E por falar neste senhor doutor da mula russa ocorre-me que nunca gostei de gente que depois de ter já a sua vidinha vai para a faculdade, excepto a minha amiga Manuela que já fez o seu curso de sociologia e continua na sua vidinha, sem puxar de galões. Porque é mesmo isso. Um puxar de galões tão mediocre e vazio que entristece. Andam por lá a estudar e voltam cheios de proa e pose, numa de exigirem doutor atrás do nome como se nome fosse doutor qualquer coisa. Numa arrogância dissimulada disfarçada de educação, mas deixando aquele rasto de vaidade que agonia e paradoxalmente a tratar tudo o que mexe, pelo nome, num tu cá tu lá que eu filha de sô santos neste doutor penteadinho, que tinha que levar com ele, prometi que lhe dava uma lição para ficar lá no cantinho dele, xóxó, casota, e caiu-lhe tudo e mais o que não tinha para cair no dia em que me tratou por Clara, como se fosse meu amigo, meu patrão, e eu lhe disse, dona, senhor doutor, dona, que juro, quase me arrependi que até senti pena da criatura porque eu não sou má, tenho é mau feitio e não gosto de gente abusada que julga que a diferença está nos títulos.
Bem, mas o viaduto é que me trata por tu numa intimidade que ganhei neste sobe que sobe, desce que desce, quer de dia quer de noite. De repente, é bom voltar aos velhos hábitos de andar a pé numa marcha lenta ou apressada, de companhia da minha amiga que já voltou da Covilhã.
A cidade é passada a pente fino. Cada rua, viela, ladeira, beco, casas, escritos, abandono. Indigência. Nada nos escapa.
A cidade nunca foi tão vasculhada por nós. Para não nos saturarmos do mesmo percurso. Desenferrujar não só o corpo, mas a língua, está na ordem do dia e de repente vemo-nos de coração na boca, vento na cara, dores nos gémeos, a falar da crise, da maçonaria, do facebook, de sentimentos, princípios, casas de praia, férias, de nós.
Visitamos a pitangueira que a olhos vistos na calada da noite que nem se ouve um cão a ladrar sequer, parece que já não há cães dentro da cidade, está amadurecendo pitangas saborosas e lindas, num regalo para os olhos e um prazer para a boca. E para a alma.
Na velocidade que levamos nesta necessidade de voltar a hábitos saudáveis, o que observamos é o sinistro e incompreensível retrocesso que a cidade foi sofrendo.
Esta cidade é uma terra pasmada. Indiferente.
Atravesso a avenida junto ao rio às 9 horas da noite e tomo de assalto esta cidade que se deixa apanhar. É nossa. Fica nas nossas mãos. Dá um frio na barriga. Uma tristeza na alma. Uma rouquidão na voz de lhe falar e sentir a indiferença que os torrejanos lhe votaram. Dá uma pena tão grande que quase me apetece passar-lhe a mão pelo pêlo e chamá-la um pouco minha, para dela cuidar.
A antiga esplanada da avenida, sim porque quase todas as noites passamos pela dita esplanada remodelada há uns tempos, vai resistindo num braço de ferro que admiro. Resiste também o grupo de gente com ideais, que já resistiu ao tempo e às mudanças de regime, governo. Conheço-os, não só das vénias que me foram sempre fazendo ao longo dos tempos, mas das férias em parque de campismo nos velhos tempos da tenda e da caravana que ficava o ano inteiro fingindo de casa, dos eventos sociais, da cidade, quando ainda todos, vermelhos, laranjas ou rosas, acreditavam que a região ia ganhar mais do que perder e ainda ia fazer ver ao norte ao sul, ao país.
Numa das caminhadas, dois destes homens que envelhecem no corpo e na idéia de que o país tem de mudar, atravessam a rua só para nos cumprimentarem. E dá vontade de rir pensar que se dizia no século passado, que comiam criancinhas ao pequeno almoço.
A cidade está deserta, de velhos e crianças. De homens e mulheres. Nós entregues a nós, nas nossas caminhadas. São 6 a 7 quilómetros duma solidão que nos faz recordar uma terra bem diferente ainda há tão pouco tempo. Tão melhor...
Não sou saudosista. Mas tenho uma profunda tristeza de ver torres novas envelhecer indiferentemente. Não gosto de viver num sítio em que não defenda a sua gente, o seu chão, como se fosse meu. E é isso que faço já há muito tempo. Nada...
R
esta-me mil e um passos diários viaduto acima, viaduto abaixo, entre um candeeiro e outro, 50 passos, e a esperança de que algo mude. Nem que seja para que um dia, possíveis netos possam olhar com carinho para esta região.
Enquanto isso vou subindo e descendo o viaduto quer de dia quer de noite até me cansar. Logo se vê quando!

pôr de sol do dia 10


segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Parabéns Edgar


Muitos Parabéns kamba diami!
Feliz aniversário.
Adoro-te mermão.
Faz hoje um ano, comemorámos na Ilha com um almoço fantástico. Depois, bem, depois, eu fui para o aeroporto de Luanda para viajar de novo para Lisboa. Obrigada por seres quem és. Também por este, entre outros passeios. A lembrar, Sant'Ana, Barra do Dande, Barra do Kuanza, Catete, Muxima. E todos os dias, das minhas férias em Luanda. O carinho, a atenção, o cuidado, o colo.
A minha amiga como irmã, é uma mulher muito sortuda por te ter como marido.
Beijos no teu ♥ e um kandandu maior do que o Universo.
Sê muito feliz porque se há quem mereça tu és concerteza. :)**

domingo, 8 de janeiro de 2012

Vivóooooooo...



Quem é que desde hoje passou a ficar na maior solidão?
Solidão boa...
Isolado no comando da Liga Portuguesa de futebol?
O Benfica! Pois claro. Não, é pr'ós outros.;)
Viva o Benficaaaaaaaaa!

divagações XV

O que dizem os seus olhos?

Tu tomas uma decisão contrariando a ordem natural. Fim de semana em Lisboa. Subitamente, num telefonema, tu decides. Não. Não vou. Sentes até um certo prazer na ideia de casa. Fazendo tudo o que te apetece. Não fazendo nada, até. Um tudo e nada de dois dias no kimbo. Céu limpo. Sol entrando pelas janelas que abres de par em par. Silêncio quebrado pelo aspirador da vizinha de baixo acompanhado de voz feminina que canta - malmequer, bem me quer, muito longe está quem me quer bem. Sorris. Décadas de existência neste lugar e nunca ouviras a vizinha de baixo cantando. Acertadamente. Berrando com as suas crias, discutindo com o seu dono, muitas vezes, cantando, nunca. Os pombos, praga maldita para qualquer sotão por aproveitar parecem almas de outro mundo correndo por cima de ti...a gata que está com cio olha desesperada para todos os cantos do quarto tentando encontrar razão para tamanha invasão e tu sentes-te em casa. Lar doce lar. Olhas a estante e alguns livros novos, presente de natal, acenam-te desejosos de serem estreados. Tocados, lambidos página a página. Por falar em lamber, vais ao frigorífico. Há dias que pouco mais tem que leite de soja, queijo, iogurtes, ovos. Tens uma surpresa apesar de teres sido tu quem escolheu e pagou tudo o que te enche o frigorífico e nem por isso te cresce o desejo de devorares as surpresas. Deixas estar. A seu tempo te deliciarás.
O computador é a ocupação mais prazeirosa por ti escolhida. Passeias-te por blogues, sites, pelo google. Vês o que o signo te reserva para o malfadado ano de 2012, que até dizem que o mundo vai acabar a 21 de Dezembro. Que raio de dia para acabar o mundo. Logo o dia mais pequeno do ano...se o mundo não se despachar a finar-se vai haver um engarrafamento sinistro e fúnebre e acabam-se sem ser de fim natural.
Como não pode deixar de ser, espreitas o facebook e ele, que nem namorado ciumento, agarra-te e não te deixa olhar para os lados. És engolido pelas músicas, informações, comentários, notícias, fotografias, vaidades, ignorâncias, pancadinhas nas costas, piadolas, perguntas e respostas. Conselhos, tomadas que são as tuas dores, como se te conhecessem por dentro e por fora e quisessem desenhar-te as saídas para as tuas divagações. Convertendo tudo em soluções. Sorris envergonhado como se fosses tu próprio a rede social.
Ligas a televisão. Procuras o que mais te agrada. Tens todo um leque de canais que a Meo te oferece (?). E todo o tempo do mundo. Ah, e tens o telefone para falares com as pessoas especiais. Ou não. Pim pam pum, cada bola mata um, que às vezes também kuia feio, falar com o quase desconhecido, que parece que até foram colegas de carteira lá no bairro e andaram a apanhar maçãs da índia dos quintais, coisas que a angolanidade dá, esse tu cá tu lá com qualquer pessoa, e quando dás por isso estás a rir à gargalhada por nadas, como o fazes com o amigo de infância que te conhece por dentro e por fora e para o qual não são precisos barreiras, defesas, teatros. A gata com cio é a tua única preocupação. É difícil ver a bichinha perdendo a compostura. Reservas uma dose de compreensão e carinho para lhe ofereceres, minimizando o seu sofrimento, achas tu, pois que só quem está no convento é que sabe o que lá vai dentro.
A noite chega e tens o dia passado. Nada fizeste. Lavaste roupa. Estendeste roupa. Apanhaste roupa. Tomaste um longo banho, mudaste de pijama e de roupa da cama. Cheiras a lavado. Creme de corpo. Creme de rosto. Creme de mãos. Acendes a luz. Abres o saco de bombons esquecido desde o natal. Vês o telejornal e sentes um vómito. O chocolate está no prazo. Mudas de canal.
A Catarina, a má linda de Portugal, aparece no ecrãn. O Rui parece estar passado e o Paulo completamente apanhado pelas meninas que cantam, baba. Os Anjos divertidos e a Mia, giríssima e sensível, chora a cada canção dos seus meninos. Até ao Eixo do Mal ainda tens noite pela frente.
Dormes finalmente até ao domingo. Este acorda-te completamente desperto. Lindo. Cheirando a primavera. Sonhas com o verão. Mar. Praia. Pôr de sol. Viagem.
Recebes um pensamento do dia. Longo. Bonito. Amigo. Respondes. Crias versos...
Ouves os pássaros que poisam à tua janela. Espreitas a rua. Os montes. O céu.
A televisão dá o filme da tarde. Nos 4 canais. Mudas para a sic mulher. Encontras o Daniel Oliveira, entrevistando a Eunice Muñoz. Paras. Gostas de ambos e do programa que dá aos sábados e que por acaso (?) ontem também viste, com o Júlio Magalhães, e, entre outras coisas como falar do Porto cidade, do futebol clube do porto, clube, de Angola, com a saudade de quem lá passou a infância e adolescência, viste-o chorar. Afinal um homem chora em frente às câmaras. Choras também. Toca-te Angola, a família, o bairro da Cuca, mesmo ali ao pé do teu, à distância dum autocarro e pronto, praticamente vizinhos uns dos outros. Hoje, ficas a saber que a actriz teve 3 maridos e pensas precipitada e preconceituosamente - o raio da mulher, aka!
E ficas também à espera da resposta dela, à pergunta - sabe de alguém que não goste da Eunice? Puseste o dedo no ar. Sabes sim. O F. . Parece que é pecado não gostar da Eunice Muñoz, mas o F. não gosta. E se tem razões não as conheces, mas não gosta e pronto. Ela também sabe que haverá quem não goste dela. Talvez conheça o F..
O que tu não sabias quer dizer, não te lembravas é que o Daniel tem uma pergunta final que arrasa. Coisa bem orquestrada. Para finalizar em grande.
- O que dizem os seus olhos?
- Que sou feliz, disse ela.
Mais do que ouvires adivinhas a resposta, concentrada que estás em ti.
Fazes-te a pergunta:
E tu? O que dizem os teus olhos?
E no fim de um fim de semana contigo mesmo, escolha tua, sem altos nem baixos, assim sem que o previsses, desatas a chorar...