sábado, 4 de novembro de 2017

açores - são miguel















fotos mcs

retorno

Retorno não é a face. Mas o verso. 
Dás. Numa curva do caminho recebes com a outra mão. São as contas do Universo. Na moeda do coração.

mcs

domingo, 15 de outubro de 2017

por ser domingo

Deus criou o domingo, que por sua vez criou o descanso. 
Este, farto de nada fazer inventou o caminho para o lazer. 

m.c.s.

domingo, 8 de outubro de 2017

nem tudo o que parece...

Eu passo por ele quase todos os dias. Na rua de Angola. A caminho do metro. Ou de regresso a casa. Muito de vez em quando entro e avio-me. Legumes e fruta.Tem barba branca, olhos grandes e escuros, sorridentes e bondosos, como os olhos do meu avô, que mo lembram, sempre que o vejo e o cumprimento, ou ele a mim. Tem pele morena e estatura média. Bonito. Pode ter 70 anos. Menos, ou mais. Por vezes veste como europeu, outras, com túnicas compridas por cima de calças largas. Apelando às origens. A Índia. Dizia eu para com os meus botões. As lojas de indianos proliferam. Saem-nos ao caminho a cada esquina e quarteirão. São as antigas mercearias dos Sô Santos deste país. Que deram lugar aos hipermercados, vindo estes estragar o negócio das lojas de bairro. Com a chegada destes estrangeiros reapareceram. E vendem. Menor qualidade e preço. Marcas desconhecidas. Por vezes falta de higiene. Falta de preços nos produtos da venda. Mas vendem. Esta, p' ra mim, é a melhor loja de ´´ indianos ´´ do Olival. Mesmo junto a esta, abriu outra. Ainda não tem um mês. Homens de turbantes vermelhos, na cabeça. Tez muito escura. Olhos negros. Nariz comprido e fino. Sentam-se em caixotes, no passeio. Como o meu ´amigo ' indiano tem hábito de fazer. 
Passei vinda do metro. Vi anonas a 1,75 € e batata doce a 90 cêntimos. Não hesitei. Tirei 2 sacos, servi-me e levei-os para serem pesados.
- Então agora tem vizinhos a estragarem-lhe o negócio? Perguntei. Pois é. São indianos, respondeu - senti ali um indisfarçável desdém. 
- E você não é? Perguntei. Não. Eu sou paquistanês. Senti ali um certo orgulho. Mas uma desilusão se apoderou de mim naquele momento. Acabara de destruir a ideia do conhecimento romântico e global que tenho dos povos. Afinal não basta ter pele morena, olhos escuros, barbas e vestes regionais, lojas de bairro ou esbarrar em indianos - na escola, nas amizades, nos colegas de trabalho, nos médicos e professores - e até nestes novos indianos, comerciantes e recentes no país, para os identificar. 
Para o serem. Às vezes a diferença é só o turbante. Outras, é gigante. No caso é abismal. Porque é comportamental. E eu a dar como certa a sua nacionalidade, embora me perguntasse o que tinha aquela loja de diferente das outras onde não gosto de entrar. É que gosto do paquistanês, ex-indiano, que tem uns olhos divertidos e profundos como os do avô Carvalho, é educado e simpático; e a sua loja para além de não cheirar mal é arrumada e limpa. As anonas são óptimas. Quanto à batata doce, 
amanhã saberei. E porque sou leal, até porque fora de Portugal sou facilmente confundida com paquistanesas, a minha loja preferida de indianos é a do paquistanês. 😉.E assim vai continuar. Mas que foi um balde de água fria no meu suposto conhecimento dos povos, foi. É que já devia saber que nem tudo o que parece, é.

m.c.s.

são martinho do porto








fotos mcs

sábado, 7 de outubro de 2017

resplandece-te

nasce o sol e a vida
outonando-se alegremente 
no dia que chega em paz.
lá fora é sábado - não mente
está no riso das crianças
na bola batida no rinque
no carro de quando em quando
no cheiro que o tempo oferece

Resplandece...

se alguém quiser desistir, mate o verbo
e deixe o sábado passar
o sol criar vergonha 
a inspiração sumir
o calendário mudar
e o mundo explodir

Resplandece...

é que o milagre da vida acontece
na terra 
e a cada estação
sem decretos nem lei
com a força da sua paixão
e o brilho do astro-rei...

m.c.s.

praia do norte - Nazaré



fotos mcs

janela da Capela de Santo Amaro - Lisboa


sexta-feira, 6 de outubro de 2017

desenraizada


Desenraizada não é quem se soltou da raiz. Mas quem foi cortada na flor. 
Quem perdeu a seiva e secou de dor.


m.c.s.

terça-feira, 3 de outubro de 2017