sábado, 31 de dezembro de 2011

sinceramente...

foto tukayana.blogspot Deixem-me sonhar hoje, que é véspera de amanhã...

nas badaladas do tempo

foto tukayana.blogspot
Envelheço-me num presente feito de passado vivido e futuro por viver.
Nesta passagem, ponte entre um e outro, transporto tudo, também a nostalgia de não viver onde pertenço.
Envelheço-me no elo de união entre os tempos. E me renovo só para me saber feliz, no novo tempo.
Me contaram que o tempo não existe, e que vivemos no presente.
Gosto de gostar da idéia de felicidade no hoje que vivo.
Gosto de gostar da ideía de viver onde pertenço.
Hoje, sobretudo hoje, nas doze badaladas do tempo presente, vou abraçar num abraço nunca antes kandandado a idéia do tempo me pertencer, para me devolver a mim e para perto de onde me reconheço.
Na mudança, me renovo hoje, num futuro por acontecer, que me prometo enquanto me envelheço...

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

está um frio de rachar

Saí para a rua bem agasalhada. Casaco comprido, cachecol, presente do F. num natal de há dois anos ou três. De lã, quentinho e bonito. Duma marca conhecida, que faz umas publicidades estranhas e chocantes. A propósito, a última, dos beijos entre uns e outros, todos muito especiais aos olhos do mundo, ou senão, se calhar intocáveis, mas a marca veio mostrar que isto toca a todos, mas duma forma que francamente, eu, que não sou nada de criticar, também não gostei de ver o Papa aos beijos em cartaz, na televisão, por aí num canto qualquer. Beijos são beijos e o senhor não disse que os queria dar. Os senhores, porque tocou a vez a vários. O F. dá-me presentes que eu gosto. Este ano trouxe-me, A vida é bela, e uma ida aos fados com prova de vinhos, queijos e enchidos. Com outra pessoa... Luvas de pele, oferta dos filhotes num natal lá para trás. Sabiam que eu queria umas luvas de pele e fizeram-me o gosto aos dedos. E chapéu. Esse comprei-o eu. Este ano não me tem dado para os chapéus. Acho que desde que um fim de semana destes pûs uma boina e alguém por mim estimado me disse que parecia a tonta das dúzias, nunca mais pûs nada na cabeça senão o propósito de não parecer tonta. Se consegui não o sei.
Meia preta e saltos altos. Perfumada. Num perfume recente. Oferta da caçula que me deu presentes lindos neste natal.
Assim que pus os pés na calçada, o nariz ressentiu-se e espirrou. E a tosse voltou. Tenho a pele do nariz áspera e dorida. Sei que sou resistente mas esta constipação considero-a uma maldade da natureza que esta poderia ter evitado.
O frio hoje galopou descendo a temperatura para negativos, mas curiosamente gosto. Sinto um certo conforto na roupa que trago. No vento que toca o meu rosto e me refresca as idéias. Não sei se tenho motivos para ser feliz. Não quero pensar muito nisso. Posso parecer arrogante. Não sei se tenho motivos para ser infeliz. Posso parecer ingrata. Não sei se me importo com o que pensam. Também não quero pensar muito nisso. Sei que me sinto presente. Com força para enfrentar o dia.
Tudo parece estar nos seus lugares. As pessoas que mais amo, fora. Amanhã termina o ano. A minha escolha recaiu no que me parece certo. O mais certo. Estou tranquilamente deixando que o tempo passe por mim. Passo eu pelo tempo sem mossa.
Vejo uma mulher passar para o outro lado da rua. Gorro preto. Gola alta vermelha. Botas pretas e luvas de pele. Vem-me à memória um episódio que aconteceu quando era pouco mais que uma miúda, pretenciosa, vaidosa, achando que o mundo me pertencia, e cobrando do mundo uma enorme dívida por estar na mó de baixo.
Viera de Luanda há pouco mais do que dois anos e era estagiária em torres novas. Recebera o convite para ir secretariar o escrivão na abertura de Alcanena e aceitei. Não perdia nada porque tinha boleia e poderia vir a ganhar uma nomeação efectiva para o cargo. Não aconteceu. Nessa altura. Só cerca de dois anos depois. Na altura fumava meio maço de SG Gigante por dia, só porque andava ó tio ó tio, porque se tivesse dinheiro fumaria muito mais, bebia dois cafés, comia um bolo, na Abidis ao lanche, por isso precisava de dinheiro mais que nunca. Até porque no último ano em Luanda dera aulas no colégio, e tinha um ordenado inteirinho para mim, enquanto, julgava eu e acreditou o sô Santos por isso o consentiu, acabava o liceu à noite, para seguir medicina. Ah essa foi outra. Convencer-me que um dia podia chegar lá. Ao sonho...
O frio, a roupa, o perfume, as luvas e os saltos altos provocaram uma reencarnação súbita de outra personagem e consegui sentir até o calor da viatura onde me deslocava, numa manhã gelada de inverno a caminho de Alcanena, menina e moça, metida a besta.
Tivera boleia duma mulher chique da nossa praça à época, colega de uma amiga minha que diariamente se deslocava para Alcanena. Entrara no automóvel e o conforto sentido, aquele aconchego de quem está bem com a pele, com a roupa, com o frio, com a vida fez-me observá-la com alguma admiração.
Mulher trés chic como a pastelaria Abidis cá do burgo. Perfumada. De gorro, luvas de pele, gola alta vermelha e botas altas. Casaco comprido. Daquelas pessoas bem resolvidas a quem tudo corre bem. E desejei estar no seu lugar. Ser assim. Um emprego seguro, família, despachada, feliz.
As nossas vidas cruzaram-se mais tarde quando as crias de ambas se tornaram colegas e amigas.
Já eu olhava para ela e não via a luz que projectei nela então.
Há pouco tempo soube que estava muito doente. E que uma irmã, a única falecera.
Hoje como que num clique no interruptor, lembrei esse episódio. Assim, sem perceber muito bem porquê.
Cada vez me convenço mais, cada um com a sua vida, e nada de invejosices. Só a trabalhadeira que dá, querer a vida alheia e o sofrimento que não o conseguir nos pode trazer...

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

da minha janela...

Da minha janela não se vê África. Mas sonho-a.
No pôr do sol. Na entrega da tarde.
Na noite ganhando vantagem.
Da minha janela falo com o horizonte e ele me responde.
Me diz quase sussurrando, leve brisa, maresia, que tenha calma e fique fria que o tempo lá não tem calendário nem ponteiro de relógio. Mas tem memória.
E não se esqueceu da minha saudade.
Da minha janela desconsigo ver a minha terra mas lhe sinto o cheiro, perfume de buganvília, na cor garrida da alegria da natureza. Como que num toque, num sinal.
Numa essência que lhe adivinho especial.
E tenho a certeza de que o tempo me vem buscar qualquer dia.
E vou fazer a passagem para o outro lado desse tempo onde a vida é bela e as tardes preguiçosamente calmas na sombra da mulemba.
Da minha janela vou ficar esperando e torcendo...

FICA COMIGO ESTA NOITE - NELSON GONÇALVES - (1961)

Parabéns, tio Augusto.

Tudo de bom e parabéns

É a pessoa viva mais antiga na minha vida.
Estava lá quando a mãe engravidou de mim. Estava lá quando a mãe e o pai casaram. Estava lá nas fotografias, sorrindo, ainda um menino de 15 anos. Estava lá sempre. Está lá...
Esteve lá para tudo. Para irmos à praia. Para irmos ao futebol. Ao basquete e hoquei. Para me ensinar a dançar. E até para jogar futebol no quintal da casa. Para me encantar.
Falava bonito. Como um político ou um locutor de rádio. Dizia palavras difíceis para o meu vocabulário básico de criança com mundo físico pequenino, que pouco mais era que a avenida brasil e que quando saltava o muro para a realidade da cidade a maior parte das vezes era levada por ele.
Era bonito. Charmoso. Bangão, no seu cabelo com brilhantina que luzia, na roupa que vestia. Gingão. Mãos bonitas. Voz bonita.
Inteligente e generoso. Simpático. Conhecia meia Luanda e o Andulo inteiro. E Cabinda.
Na loja, falava dialeto com o povo, que até as quitandeiras diziam, aka, esse menino sabe, rindo gargalhadas de cumplicidade.
Era o orgulho do sô Santos. Da mãe que não tinha irmãos, naquela época. Eles eram os pais que ele não tinha ali. Contam as minhas vizinhas que quando com 5 anos mudei de casa para ser vizinha delas me perguntaram quem era ele e eu respondi que era o meu irmão mais velho.
Depois andou pelo mundo. Quando voltou de Cabinda, trazia a mala cheia de coisas boas. Era um sonhador.
Trazia chocolates. Daquelas tabeletes enormes e grossas que se vendiam a bordo dos paquetes. Muitas fotografias. E muitas revistas Elle. Voltara mais charmoso. Cantando a canção que passou a ser a sua marca até hoje que até as minhas vizinhas se se debruçam no passado cantam a canção dele, fica comigo esta noite e então seremos felizes...
Tinha muitos amigos. No largo Camilo Pessanha era o herói dos mais novos. Ainda hoje há quem me diga que ele era fantástico. Continua na memória de todos os que com ele privaram ainda que viva distante e de vez em quando recebe visitas para mais um abraço. Encontram a porta aberta. A porta que sempre esteve aberta para receber e ajudar quem precisa.
Quando casou, foi responsável pelo amor que me cresceu pela mulher da sua vida e pelos filhos que depois nasceram.
Quando chegou a Portugal, conquistou a família que não o conhecia e passou a ser o mais respeitado. Uma referência de ser humano de excepção.
Ele é um dos homens da minha vida. Num amor de cinquenta e seis anos.
Num amor que não se discute, questiona ou avalia. Num amor que me torna melhor.
Hoje completa mais um ano de vida.
Parabéns tio Augusto. Tudo, mas tudo de bom.
E obrigada por ser meu tio sempre.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

do passado e do presente para o futuro

foto tukayana.blogspotNum dia de decisões importantes, na serenidade de quem pensa ter decidido a coisa certa, as idéias atropelaram-se numa ordem desordenada, que nem eu, que agora já não vou lá, quer dizer, eu vou, os outros é que não, mas isto é capaz de estar por um fio mesmo, mais ou menos, foi o que me disseram onde estive hoje de manhã, numa berrida, torres novas, lisboa, lisboa, torres novas. E as idéias que são como as conversas que por sua vez são como as cerejas, não as evitei porque o que eu quero mesmo é ter idéias. Ah, antes das idéias que me fizeram serenar, até porque há decisões que se tomam sem consulta, sem conselho, sem que outros saibam e não por ser às escondidas, mas às vezes esses outros só atrapalham e conversa de pé de orelha só com o Criador que cá p'ra mim diz que sim a tudo o que a gente pede, depende é das palavras que usamos e mais uma vez ( na vida não foram muitas as que Lhe responsabilizei ) me entreguei e também à minha decisão nas Suas mãos e acho que ficou tudo bem entregue, porque não hesitei, não tremi, não senti medo. Só pode ter sido a mão de Deus, mas ainda, e daí o meu ah de à pouco, Lisboa estava linda, fria, solarenga, alegre, trabalhadora e turista. Em saldos. O povo queimando os últimos cartuchos que mais uns dias e estamos em 2012 e vem aí chumbo.
Me alegrou pensar que daqui por um ano, mais coisa menos coisa posso estar a viver lá. Me alegrou um pensamento de tanta proximidade com o real.
Subi dos Restauradores para a avenida da Liberdade, depois de ter estado na expo, no campus da justiça. Mas onde queria mesmo ir era ao restaurante vegetariano ali perto da praça da alegria. E então a saudade chegou. Não sei se porque o que me levou a Lisboa faz sentido, todo o sentido porque afinal andei uma vida à espera desse momento para transformar a minha vida em momentos onde a saudade se poderá encontrar com o que tem de ser, não sei se porque o avô Carvalho me acompanha sempre, mas lembrei dum dia, lembrei vários dias, depois. Lembrei que nesse primeiro dia chegou uma carta com o meu nome no destinatário. Sempre era o meu nome que ele escrevia nas cartas que mandava para a família. E todos a podiam ler...carimbo dos correios do Algarve e um relato triste com final feliz. Viera de Moçâmedes com a família que tinha, companheira e dois filhos. Meus tios. Numa traineira. Até ao Algarve. E ali permanecera. Até que a Manuela, minha tia, caira na piscina vazia, do hotel onde estava alojado e fizera traumatismo craniano. Levada para um hospital de Lisboa, a família pegara nas imbambas e mudara-se de armas e bagagens para uma pensão que existia numa praça, quase no centro. A primeira vez que o visitei acompanhada da minha kamba Milú que na altura estava a viver em Lisboa, foi uma emoção. Não pudera ir ao Algarve antes que ficava no cu do mundo para a nossas magras economias, 5 contos cada um dos adultos, dera 15 contos. Dinheiro permitido para a troca. Olhando para trás para esse passado, só me apetece dizer, grandes sacanas que até a dignidade nos tiraram.
Grandes sacanas que até a dignidade nos querem tirar...hoje, ainda, no fim de 36 anos. Mudaram de pais para filhos mas trazem nos genes o desrespeito pelo povo. Ocorre-me agora que nunca mais a gente ouviu falar do dominguinhos. Porque será?
E é por falar em tirar que eu hoje fui que nem um foguete a Lisboa e é por falar em tirar que o meu pensamento lembrou o avô Carvalho. E por isso tudo a saudade voltou forte, quando subi a praça, onde um dia fui visitar o avô.

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

delírio

foto tukayana.blogspot
Deixo o olhar cair no distante do tempo que já nem sei se se ergue na memória se sou eu a delirar de febre e me fico assim quieta, tipo estátua, numa languidez que sabe a conforto e a casa. Me vejo lá na rua espreitando o 16 que demora a chegar, para a Terra Nova. Ocorre-me a terra nova que outros ainda não lhe contemplaram porque foram olhar outros horizontes mais limitados e perderam a vontade de sonhar. Sei que quase todos foram arrastados pelos cabelos, espernearam, xingaram mas cederam. Medo. Muito. Sobrevivência...
Eu também.
Deixo o olhar cair no esquecimento fingido e no cavalo de batalha, a medir forças e me sinto fraca já porque eu queria mesmo era espreitar, não o 16, mas a noite que chegou há pouco, céu estrelado, canto de rua, candongueiro businando, candengue correndo, acácia florindo, kota tirando o chapéu, manga escorrendo nos braços, sol se avermelhando, povo sotaqueando e baía prateando da lua cheia.
Deixo o olhar cair no hoje do ano passado. No Cruzeiro. No abraço na minha mãe africana que é catanhó de nascença e angolana de coração e na vizinha Rosa, branca de Luanda. Do Sambizanga.
Lhes abracei que dois braços não chegaram.
Lhes abracei com os olhos que até choraram parecia chafariz correndo água na lata. Com o sorriso aberto que foi até às orelhas. Lhes abracei com as palavras, muitas que desconsegui deixar no silêncio da emoção. Com a alma que fui buscar no imbondeiro onde estava pendurada desde o outro ano que passou.
Lhes abracei que até senti que ia estoirar de alegria e felicidade.
Deixo o olhar cair atordoado na lembrança. Nesse sonho de me enfeitiçar o ano inteiro até voltar a lhes abraçar.
É mesmo quando que voltas mais? Xé, diz lá então! Me pergunta o olhar caído num beco de mim onde mora uma esperança de me renascer em cacimbados dias de julho, no signo, na sina, no destino que quero traçar. Escrever e transformar em documento legal selando a vontade.
Deixo o olhar cair no mapa, no mar, na terra e no céu e lhe toco de leve, acariciando cada traço, cada onda, cada rua, cada estrela e só de lhe pensar já sou já feliz.


( faz hoje um ano que fui abraçar a minha querida Arminda )

estou com sintomas

Arrepios, nariz a pingar, olhos congestionados, dor de garganta, de cabeça, tosse e espirros.
Muita lareira, muita entrada por saída no frio do dia e da noite, pouca roupa, muita roupa, e juntinha a vários já todos cheios de vírus, deu no que deu.
Já só queria cá a minha caminha e ainda tenho tanta coisa p'ra fazer e tanta hora para passar...
Como se diz na banda, estou com sintomas.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

rescaldo




É um sacrilégio termos de trabalhar depois de dois dias tão trabalhosos como foram os últimos.
Esta coisa de se estar à mesa e à lareira é um cansaço tão extenuante que precisávamos deste dia para desintoxicarmos. Eu disse desintoxicar? Quem precisa disso? Eu nem bebo...
Mas de facto, dois dias à mesa alimentando a alminha e empanturrando o corpinho tem que se lhe diga. Esta obrigação de provar os vinhos que são escolhidos numa selecção gourmet, quem tem olfacto, sabor e lá pode chegar, porque bem queriam, num ou vai ou racha, que é hoje, é hoje que provas um tinto de chegares aos céus, como se eu precisasse de vinho para tocar o céu com a palma das mãos, ou ver estrelas cintilando, bem queriam, e quase o conseguiram mas o pensamento no sô Santos, travou o tresloucado pensamento que me passou pela vontade de experimentar tudo o que há para experimentar, afinal o que é que andamos cá a fazer?, mas pareceu-me ver o sô Santos a rir-se lá do outro lado da vida, dizendo-me - ainda vais acabar por casar com um bêbado - afinal praga de pai não cai, pois isso não aconteceu nem eu teria estômago para suportar cheiro a álcool, mas se calhar foi o destino.
Estiveram por um triz para me verem estrear-me no vinho tinto , com 56 anos, mas não. Não fui capaz. É visceral. A cor, o cheiro, a idéia de não valer a pena, para quê?Rsrsrsrsrsrsrs!
Ainda passo a gostar e depois quem me atura? Dona Pitanga...
E a crise que só permitirá chegar-se à surrapa?
Depois deste teste de peso, venha o primeiro que me convença que eu dar-lhe-ei o que me pedir, dentro do razoável, é claro.
Enfim! Estes dois dias pactuando com o inimigo colesterol, diabetes, triglicerídeos, esta indiferença, num, não passar cartão nenhum à vesícula, requeria uma segunda-feira a água, chá e pouco mais. É que os excessos pagam-se. Com o corpinho. E assim porque os carrascos estão de férias até ao ano que vem, não, que é para os outros!, nós tivemos que trabalhar e por isso cá estamos, não cantando e rindo, mas gemendo de guinadas nos interiores, numa ressaca tramada que o que o Natal faz é iludir-nos a consciência, engordar-nos e adiar decisões que deixamos para depois. Afinal tudo ficará para 2012.
Grande ano será esse. Um dia destes até me lembrei duma taróloga que me disse, isto em 2009 ou 2010, que amores, nada, evitava de me cansar, quando lhe fiz uma cara ameaçadora, respondeu-me: Ah mas não lhe disse que ficará assim para sempre. Em 2012 viverá um amor e terá um namorado, mas tem filhos.
Na altura pensei no que é que ela queria dizer com aquilo de ter filhos. Afinal o namorado será o pai ou nem por isso? Até as tarólogas gozam com a minha cara...
E admiro-me eu que os políticos nos queiram estragar o ano de 2012!

domingo, 25 de dezembro de 2011

ainda



foto tukayana.blogspot

ainda Natal

foto tukayana.blogspotO Natal está quase cumprido no calendário.
Numa casa de campo à volta da mesa e da lareira, entre doces e bebidas, histórias, presentes e incidentes a reunião familiar aconteceu.
Pessoa muito chegada, da família, que faz licores e gosta de os oferecer nesta quadra, mais uma vez nos presenteou com os afamados licores. E eu que recebera umas botas lindas, escolhidas por mim numa falta de surpresa que não me desentusiasmou tombei o precioso líquido nas preciosas botas, ensopando-as.
Foi a ocorrência mais assinalável por mim eu que adoro estórias. É claro que ainda não sei se tenho as botas estragadas pois foram lavadas e estão a secar. Que cheiram a aguardente que tresandam lá isso, senhores, se ontem me tivessem feito o teste de alcoolémia ( eu que não bebi uma gotinha de álcool ) ficariam confundidos pois eu mais as minhas botinhas ficariamos inibidas de andar por aí fora, a avaliar pelo cheiro.
E assim, no rescaldo d'um Natal que já não é o que era, amanhã vamos trabalhar que não há pão p'ra malucos e assim cumprir o nosso dever de funcionários públicos cansados, de levarmos pancada de uns e de outros. Os votos de paz, amor e união ficam para trás, por que para trás mija a burra e p'ra frente é que é o caminho, da forca, diria eu se já me tivesse abandonado este sentimento bom que me assistiu nas últimas horas.
Para o ano há mais. Ou não.
Enquanto recebia os meus presentes ia pensando no duro que será, para o ano, não desembrulhar um presentinho, não tirar o laço, não sorrir de orelha a orelha com a surpresa ( como aconteceu com um casaco todo catita que namorei na loja e houve quem desse por isso e zás, me calhou em sorte no sapatinho, não é bom? ).
Para a coisa não ser muito má sempre podemos pensar que ao longo de 2012 o euromilhões nos contemplará. Ora bem! Isso é que era.
E pensar eu que faz hoje precisamente um ano que estava no aeroporto com o meu bilhete de avião para Luanda esperando pela hora do embarque! Um verdadeiro euromilhões. Ou melhor ainda.
Xiça, penico, chapéu de coco, o que eu dava para estar hoje no caminho da felicidade...

Deolinda - Quando chega o Natal

noite feliz

Noite Feliz. Um Natal cheio de coisas boas. Beijos no vosso coração.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Swingle Singers - Christmas Carol Medley

tudo de bom

Natal!
Pesa muito. Bate forte.
Tem alegria e ansiedade. Tem segredo. Doces. Tem presépio.
Luzes e árvore de Natal. Tem sapatinho feito esperança.
Tem presentes e chocolates. Roupa nova. Magia...
Tem família. Tem passado e tem memórias.
Sem cinismos nem fingimentos, Natal são dois dias. Mas espartilhados na mente e no coração.
Tentei. Tentei muito. Ser tolerante. Ser caridosa. Ser melhor pessoa ao chegar aqui.
Faltaram-me ombros que não escolhi não ter.
Faltou-me o calor da terra mãe.
Faltou-me o abraço. Faltou-me a fé.
Não tenho sapatinho, nem árvore.
Não tenho presépio.
Não tenho pedidos, desejos ou caprichos.
Tenho-me.
No limite, far-me-ei família em reunião.
Ainda assim, por ser assim, a gratidão é um sentimento que não esqueci. Sou feliz por existir e existirem os que amo e aqueles que contribuem para que seja quem sou.
Por tudo, aqui estou, família, amigos e todos os que se cruzam comigo, para vos agradecer e desejar um Feliz Natal.
Tudo, mas tudo de bom.

doces de Natal V


Aletria

150 g aletria
5 dl leite
200 g açúcar
50 g manteiga
4 gema(s) de ovo
1 limão

Preparação:
1. Ponha água a ferver numa caçarola.
2. Desfaça as "madeixas" da aletria e introduza-a na caçarola deixando cozer durante 5 minutos.
3. Aqueça o leite com a casca fina do limão. Vá deitando o leite aos poucos na caçarola com a aletria, que deve estar em lume brando, mexendo sempre.
4. Junte a manteiga e depois o açúcar.

Facultativo
5. Bata as gemas e adicione-lhes um pouco de leite. Retire a aletria do lume juntando-lhe as gemas cuidadosamente.
6. Leve de novo ao lume, por mais 2 minutos.
7. Ainda quente, deite a aletria numa travessa. Deixe arrefecer um pouco e polvilhe com canela.

doces de Natal IV



Rabanadas

Para as Rabanadas:
2 cacetes (de véspera) partidos às fatias com a espessura de 1 dedo e 1/22 litros de leite meio gordo 500 gr de açúcar 3 cascas de limão 2 paus de canela 24 ovos3 litros de óleo (pode ser necessário mais) açúcar e canela q.b.

Para cada Calda: (Devem ser feitas de véspera) 700 gr de açúcar 700 ml de água2 paus de canela 2 cascas de limão 2 cálices de Vinho do Porto

Preparação
De véspera fazem-se duas caldas, em tachos separados, levando ao lume todos os ingredientes, com excepção do Vinho do Porto, deixando-se ferver por 30 minutos. Fora do lume, adicionar o Vinho do Porto a cada calda. No próprio dia, levar a ferver o leite com o açúcar, as cascas de limão e os paus de canela. Deixar ferver por 2 a 3 minutos. Na batedeira bater 24 ovos até fazerem espuma.
Reservar. Dispor as fatias de pão em travessas e regar cada fatia com uma concha de sopa do leite adoçado e quente. Forrar a banca da cozinha com bastante papel absorvente, que se polvilha com açúcar e canela.
Num tacho de base larga, colocar 1 litro e 1/2 de óleo a aquecer. Passar cada fatia de pão pelos ovos e fritá-las em lume médio. Viram-se várias vezes até ficarem douradas. Retirá-las para o papel de cozinha e polvilhá-las com mais açúcar e canela. Mudar o óleo ao fim de umas 15 rabanadas. Levar a ferver novamente uma das caldas e mergulhar rapidamente cada uma das rabanadas, voltando-as umas duas vezes até largarem a gordura.
Escorrê-las com uma escumadeira e colocá-las nas terrinas onde vão ser servidas. Levar a ferver por um minuto a outra calda e deitar sobre as rabanadas.

doces de Natal III



Velhoses de abóbora ( filhós )

1k de farinha levedante
1k5 de abóbora menina bem amarelinha
sumo e raspa de duas laranjas
um cálice de aguardente
uma pitadinha de canela
1 colher de açucar
1colher de chá de sal fininho
um quadrado de fermento do padeiro, ou duas saquetas de fermipan
6 ovos inteiros
Depois de cozida passa-se a abóbora com a varinha magica deixando-a bem líquida.
Vão-se juntando todos os ingredientes batendo a massa com as mãos. Não se deve bater demais para não ficar elástica, e chupar muito óleo.
Quando começa a fazer bolhinhas com uma consistência de uma massa que se desprende da colher, deitamos um pozinho de farinha por cima,
tapamos com um pano e deixamos levedar em sitio quente durante 1h,30.
Depois de crescer, fritamos, tirando a massa com uma colher e moldando com outra.
A fritadeira deve estar nos 180. Vamos virando para ficarem lourinhos dos dois lados. Tiramos para cima de papel de cozinha depois de enxugarem vamos pondo numa taça funda e deitando açucar e canela que já devemos ter a mistura feita.

doces de Natal II



Coscorões

Ingredientes:

• 500 gr de farinha
• 3 ovos
• Raspa de laranja
• 50 gr de açúcar
• 50 gr de manteiga
• 50 gr de aguardente
• Água e sal q.b.

Preparação: Misturar bem o açúcar com a manteiga. Adicionar os ovos, a aguardente, a farinha e o sal e amassar muito bem. Adicionar água se necessário e amassar até obter uma massa lisa e elástica. Deixar repousar durante, pelo menos, uma hora. Tender rectângulos com o auxílio do rolo, numa espessura de 2 milímetros. Fazer três cortes no meio. Fritar em óleo e passar por açúcar e canela
.

doces de Natal

foto tukayana.blogspot

Azevias de grão e amêndoa

Para a massa:
• 500g de farinha;
• 0,5dl de água e sal;
• 1 colher de sopa de manteiga;
• 0,5dl de azeite;

Para o recheio:
• 500g de grão cozido;
• 400g de açúcar branco;
• 1 casca de limão;
• 2 paus de canela;
• 150g de amêndoas;
• 2 gemas;
• Canela em pó para polvilhar.

Preparação:
Coloque o azeite e a manteiga ao lume e depois adicione a farinha. Seguidamente, retire do lume a massa bem mexida, deitando aos poucos a água morna com uma pitada de sal, e aguarde um pouco. Entretanto prepare o recheio.
Para o recheio:Comece por triturar as amêndoas e pelar o grão já cozido, triturando-o também. Seguidamente adicione-lhe o açúcar, os paus de canela, a casca de limão, a amêndoa e as gemas e leve ao lume, mexendo sempre até estar no ponto. Depois estenda a massa, cortando-a como se faz com os rissóis e deite um pouco do recheio em cada uma das azevias.
Leve o preparado a fritar em óleo e, por último, envolva a azevia em açúcar e canela em pó.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Chegou o Inverno



Cairam as folhas
E as gotas da chuva
Cairam os meses
Os dias de outono
Cairam as noites
E os sonhos de verão
Cairam lágrimas
No meu coração

Chegou o Inverno!

Caem palavras
Na página em branco
Caem as brasas
No frio polar
Caem silêncios
Na voz do amor
Caem mil beijos
Na alma gelada
Versos
Poemas
Rima cruzada...

Chegou o Inverno!

m.c.s.

já chegou o Inverno












O vale do Alvorão está branquinho que Deus o pinta. Manhãs de nevoeiro em Torres Novas.
Chegou o Inverno!

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Baixa-Chiado PT Bluestation (dia 11 dezembro)

constatação



O homem é tão mais interessante quanto mais sentido de humor tem.
Será por aí que o gato vai às filhós?
Não é por nada mas este Natal é só rir...para não chorar.
A falta de humor que por aí anda é de ir às lágrimas.

Ah fadista...











A Sara foi uma surpresa boa.
Que é uma menina muito bonita elegante e simpática já eu sabia do nosso contacto mais ou menos frequente.
Que era uma mulher com voz e alma de fadista já ouvira dizer mas nunca a tinha visto na função.
Adorei. Ficava a ouvi-la pela noite fora com o mesmo prazer e entusiasmo do primeiro fado cantado.
Esta noite, o Ribatejo cantou e encantou nas vozes de dois ribatejanos acompanhados de guitarristas também eles da lezíria.
Prevejo uma bela carreira para esta menina de voz poderosa, atitude e alma de fadista.
Parabéns Sara!
( As fotos foram autorizadas pela própria Sara )

jantar de natal

foto tukayana.blogspotApesar de ter crescido a ouvir guitarras e vozes amadoras cantando fados e desgarradas, apesar de ter ido aos fados com alguma frequência, sobretudo nas tertúlias ribatejanas, não sou uma grande apreciadora. Acho até que há demasiado choradinho, vitimização, dor de corno e machismo. Mas...uma vez no ambiente, sou contagiada pelas guitarras, pela voz, pelos poemas, pela penumbra, pelas velas ardendo nas mesas, pelos rostos dos que como eu escutam e gosto. Gosto muito.
Esta noite o ambiente foi óptimo. Gente que conheço há muitos anos. Com quem trabalho. Quer lado a lado, quer em estreita colaboração. É Natal. Os jantarem sucedem-se. Tenta-se a continuidade das relações à mesa dum restaurante, servindo como pretexto a quadra natalícia. Inscrevi-me tardiamente. Pensei não ir. E agora sei que faria muito mal.
O repasto foi agradável. Não faltou o caldo verde, o prato de bacalhau e o lombo no forno. Sobremesas. Frutos secos, bolo-rei, coscorões e filhós, que no Ribatejo chamam de velhozes, vai-se lá saber porquê. Também o abafadinho e a ginja se fizeram presentes e se deixaram beber.
A noite valeu a pena e a pena que tenho é que não se procure estar sempre como fomos todos capazes de estar neste jantar de Natal. Alegres, bem humorados, disponíveis. Em alta.
O saldo? Positivíssimo.
Nos tempos que correm, saldos positivos são um luxo, mas valeu...

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

caminhando no interior de mim

Lusco fusco e eu precisando de ficar no alto da cidade para umas compras para alimentar aquele ser pequenino que vive comigo. Que por acaso no campo da exigência é top. Não fosse isso e iria para casa direitinha.
O frio quase fere a alma solitária neste fim de tarde.
Doi-me a cabeça. Tenho as mãos geladas num desconforto pouco habitual, uma vez que costumam estar à temperatura do resto do corpo num prazer que sei que a maioria não tem.
Mãos frias, coração quente, amor para sempre. Mãos quentes coração frio, amor vadio... Vadiagem parece que tem tudo a ver comigo. Mas não tem.
Neste fim de tarde vagueio pelo passado quase inevitavelmente. Caminho já no sentido de casa. Devagar. Porque não tenho pressa. Nada me espera. Quer dizer, uma casa cheia de nadas que falam de antigamentes.
Enquanto avanço somando passos, descubro que as ruas, os becos, as esquinas, gritam silêncios. Não passaram muitos anos e pelos mesmos caminhos apelava-se ao sossego. Hoje caminho no meio do deserto que se fez de partidas e abandonos. Passo perto de casas onde viviam rostos que sorriam diariamente saudando-me. Lembrei-me da Ana. Há anos que não a vejo. E da mãe dela. Porque será que me ocorre este sentimento estranho de saudade?
Nesta terra nada me acontece naturalmente. Há terras assim. Que nunca nos tratam por tu. Nem nós. Sempre num pé atrás que gato escaldado de água fria tem medo. Estas pedras de calçada, estas paredes antigas, estes candeeiros, estas janelas fechadas, escondem tantas lembranças de todos...minhas também. Porque é que estou eu a mexer no que não devo? Porque razão o passado não fica lá atrás? Já passou, é assunto arrumado. Remediado por não ter remédio. Mas quem me mandou percorrer ruas do meu duvidoso esquecimento? O inverno que se aproxima. O Natal que este ano devia ter sido em Agosto. A falta de pressa de chegar a casa. O estado de espírito. Os olhos de ver para além do que existe. O coração melancólico. A cidade que partiu e que reconheço cada vez mais distante.
Passo junto à rua onde vivi durante os primeiros anos. E sinto um aperto no peito. As lojas, as tascas, fecharam. Os primeiros andares das lojas já não são habitadas. O centro está abandonado. Onde era uma sapataria é hoje um gabinete de solicitador. Onde era uma armazém de tecidos é uma loja de chineses. Onde era uma ourivesaria é um banco. Onde era a galinha gorda ( loja de trezentos ) não é nada. Entro numa loja e duma penada vejos duas pessoas do antigamente. O Carlos da s.s.. Já uma vez o vira e ele sentira-se pouco confortável e não me falou. Passaram uns anos. Não há razão para evitar o inevitável. Gostei que me tivesse falado. Perguntámos pelos meninos. Trocámos votos de Boas Festas. Depois e surpreendentemente a Ana apareceu-me à frente. Conheço-a desde que era miúda e acompanhava a mãe na limpeza do edifício onde trabalhava. Houve um período longo que a via todos os dias. Ia crescendo e tornando-se mulher. Já tem um filho fazendo o mestrado dum curso qualquer, em Coimbra. A mãe está boa. Perguntei por ela. Há coisas que já não me espantam. Pensar em pessoas e elas aparecerem-me costuma acontecer. Quando elas se enquadram no campo das possibilidades fáceis de serem possíveis, naquela coincidência em que não acredito mas que todos lhe chamam assim. Saio da loja e o meu horizonte é o fim da rua. Fosse mais longe e havia pessoas em quem pensaria, fechando os olhos com força numa atitude de muita fé para que por estranho e desejado acaso me aparecessem à frente numa impossibilidade transformada em milagre.
Milagres! Queria eu alguns. Coisa pouca e pouco interessante para outros mas de importância vital para mim. Milagres! Embrenhada em pensamentos de ir aqui e acolá já devia ter aquecido, com eles e com a marcha um pouco mais apressada. A noite está gelada. A rua das lojas está iluminada. Os comerciantes devem ter pago para as velas, os sinos, os anjos e os pais natais cintilarem entre amarelos, vermelhos, azuis e verdes. Invade-me uma sensação estranha. Entre o conforto e o espanto. Reconheço muitas pessoas que por mim passam. Boa noite Clara. Boa noite dona Clara ou simples aceno de cabeça e um sorriso como fez o dr. C. Marques que ia acompanhado de mais quatro camaradas. Tenho um respeito profundo pelos comunistas da cidade. Conheço-os, conhecem-me, pode dizer-se que bem. De festas do 25 de Abril, 1º de Maio, da esplanada da avenida, das manifestações, de funerais, do desporto, da cultura e das artes, do trabalho, da proximidade. São honestos. Os mais honestos. Idealistas. Educados e diferentes na política do concelho. São da velha guarda. Sorrio para o doutor e para o espanhol como é conhecido. Pai da Cristina. Confio tanto neles que quando afirmam algo, tenho a certeza de que é verdade. Gostava de ver a câmara, comunista. Estas pessoas merecem. Aquece-me o coração o cumprimento destes homens que caminham apressados. Ainda há gente boa. Sinto-me menos só. Passo a ponte. Olho o rio de águas negras e prateadas pelos candeeiros. Olho para a avenida que se aproxima e ao meu lado duas iguais a mim. Assusto-me. Com a sombra a duplicar na calçada. Acho que nunca percebera que posso ser três. Duas caminhando à esquerda de mim. Às vezes penso que sou muitas. Outras que não existo e apenas sou fruto da minha imaginação. Volto a sentir medo. Estarei louca? Espero que o semáforo mude para verde e atravesso a rua direita à casa do mano Zé. Não costumo aparecer por dá cá aquela palha. Mas hoje deu-me para aqui. Talvez o frio que me vai na alma. E o natal para combinar.
Interrompo os pensamentos e as lembranças quando a porta se abre. Volto a sentir-me a de sempre. No presente.

domingo, 18 de dezembro de 2011

JP Simões & Luanda Cozetti - Se Por Acaso

festa de música

foto tukayana.blogspot Soul Gospel Project actuando no Chiado, em plena rua.
Fantástico! Já ouvira falar deles por terem cantado numa festa do Alfama-te, mas pude vê-los e ouvi-los ali assim ao vivo e a cores e adorei.

festa de balões

fotos tukayana.blogspot





Uma festa de balões no Chiado, ontem ao fim da tarde.

sábado, 17 de dezembro de 2011

bolsa marsupial


Neste mundo de Deus e dos homens, todos estendemos a mão. Para dar e receber. Uns mais que outros. Eu recebo. Sou uma pessoa de sorte. Tento dar. Algumas vezes sou capaz.
O dia começou cedo apesar de sábado. Já a caminho dei conta que não tinha a carteira de documentos. Passada dos pirolitos, entrei em pânico. Onde a teria deixado? Ontem à noite paguei com o cartão, na mercearia da Rita. Fui p'ra casa e apenas saí na manhã de hoje, momento em que verificara faltar-me a carteira que para além de ser encarnada ( prenda do mano Zé e Lurdes há uns natais atrás ) é enorme e difícil de perder. Perdi o autocarro das 10,30horas mas encontrei-a o que foi uma benção. Para mim que preciso dos carcanhois para viver e não só, pois hoje alguém acreditou no pai natal e que eu fosse o próprio.
Estava eu cansadíssima da tarde cheia, entre compras e coros de música de natal na basílica dos mártires, tuna duma faculdade qualquer, grupo de gospel junto ao largo Camões, quando virada para baixo a descer o Chiado uma mulher jovem, com bom ar e cerca de 30 anos, me pediu dinheiro para um bolo, porque estava cheia de fome. Disse-lhe que fosse comigo à pastelaria e ela logo se prontificou. Lá chegadas , perguntou-me: Posso pedir um croissant com fiambre? Pode pedir o que quiser. E para beber também. E ela pediu o croissant e um galão. Quando eu estava a querer pagar disse-me que precisava de ir à casa de banho. Paguei e saí. Apareceu atrás de mim a perguntar-me se ia embora. Sim, vou. - Boa sorte senhora, e os olhos brilharam-lhe num verde bonito, num rosto triste. Não encontrei mentira no seu olhar. Podia ser minha filha...
Desci o Chiado entre balões azuis celestes que as meninas com camisolas da tmn ofereciam a quem quisesse, eu não quis, era o que mais faltava ir de balãozinho para casa no autocarro 36 para o sr. Roubado! Em frente ao Santini um grupo espanhol cantava e tocava e duas mulheres já entradotas embora cheias de salero dançavam sevilhanas, desafiadas por um dos cantadores. Assim que recomecei a andar uma mulher supostamente grávida, abordou-me: Minha senhora, pode ajudar-me? Vi a coisa mal parada. Lisboa está muito pedinte. Cada vez mais. É assustador como as pessoas precisam...como as pessoas se aproveitam...como as pessoas não se inibem...como as pessoas se humilham...
Tenho medo de ser enganada. Tenho medo de ficar de consciência pesada,malvada consciência...
Tenho medo de me pôr na pele delas. Tenho medo de precisar de estender a mão...senhora pode ajudar-me? Desde manhã que estou a pedir para não dormir na rua hoje. Tenho fome e frio.
- Então vamos ver o que quer comer?
Os olhos iluminaram-se. Preciso de arranjar dinheiro, 9 euros para dormir 3 noites num quarto, nos Anjos.
- Você não está a enganar-me? - Começou a chorar. - Estou sozinha. O meu companheiro quando soube que eu estava grávida deixou-me. Quer ir comigo lá aos Anjos? A senhora vê com os seus olhos. Fico logo lá. Como qualquer coisa e fico já na cama.
- 9 euros? Isso é uma espelunca. Disse eu.
- Não. Tem uma cama e uma mesinha de cabeceira e a casa de banho é comum aos outros hóspedes. Mas a segurança social vai arranjar um lugar que há para as grávidas, para eu ficar. Dê-me um sorriso, senhora. Ninguém me sorri. Pensei que a sabia toda. Ou não. Disse-lhe que me estava a enganar. Juro por Deus, senhora. Recomeçou a chorar, de lágrimas à séria.
Não sei se fui " papada" mas sei que lhe sorri e lhe pûs uma nota na mão. Perdi a cabeça. Nem vos digo que nota foi. No fundo, no fundo precisava de fazer isto para me sentir melhor pessoa. Para que baixasse o espírito do natal e estendesse a mão. Perguntei-lhe o nome. Ana, disse-me. Podia ser minha filha...
Deixei-a de nota na mão chorando agradecimentos e entrei na pastelaria da esquina do Rossio a caminho dos Restauradores. Pedi um pão dos que estava na montra. Perguntou-me a empregada se era um canguru. Canguru? Sei lá eu bem. Esses que têm chouriço e queijo. Ela riu-se. É desses mesmo. Chama-se canguru.
Quando saí para a rua e atravessei a rua no sinal verde, a caminho do autocarro nos Restauradores, pensei na bolsa marsupial.
Afinal, faz sentido tudo isto...

Rainha da Morna



Cesária Évora (Mindelo, 27 de Agosto de 1941 — Mindelo, 17 de Dezembro de 2011), também conhecida como «a diva dos pés descalços», foi a cantora de maior reconhecimento internacional de toda história da música popular cabo-verdiana. Apesar de ser sucedida em diversos outros géneros musicais, Cesária Évora foi maioritariamente relacionada com a morna, por isso também foi por vezes apelido "Rainha da morna"
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Não lhe sigo o exemplo porque não sei cantar mas sou sua seguidora.
Estou triste com a sua partida, por isso não sou capaz de a ouvir, hoje.

a coroa de Angola


A “Rainha Jinga”, nasceu em 1582, filha do rei Jinga Mbandi Ngola Kiluanji, foi rainha do povo Bundos, um grupo do povo Bantu, que hoje pertence à República de ANGOLA, anteriormente conhecido como Ndongo-Ngola, depois de Reino de Angola.
Batizada como Dona Ana De Souza,
morreu a 17 de Dezembro de 1663.

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Não lhe sigo o exemplo porque não sou nem nunca serei rainha, mas seria sua seguidora.
É o orgulho africano!

A caminho- Música de Natal


BOAS FESTAS a todos os meus kambas.
Que o amor da família e dos amigos esteja presente nas vossas vidas, hoje, amanhã, sempre. Não percam o espírito natalício nunca...
Abreijos de todo o ♥ para todos.

procurando


Perdi o espírito do Natal
Mas não desisti de o procurar,
nos cantos de mim,
de ti,
nos cantos do mundo...
na minha religiosidade

Se acaso o encontrares,
dá-lhe a mão
E vem até mim
Merecemos viver esta quadra juntos
como irmãos,
amigos,
cristãos...

m.c.s.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Renato Carosone - Piccolissima Serenata

Porque hoje me sinto antiga...

mais uma voltinha, mais uma viagem

- Ó Inês...Inêeeeees...
Silêncio.
- Ó Inês, queres responder ou não?
Silêncio. Risinhos à volta.
- Ó Inês, és capaz de fazer sexo por dinheiro?
- Paaaaaarvo! - diz a Inês.
- Diz lá, és capaz de fazer sexo por dinheiro?
- Vai-te f...., meu.
- Responde Inês.
- Nãaaaaaao pá!
- Ainda bem, porque não tenho dinheiro comigo.
Gargalhada geral.
- És mesmo estúpido - diz a Inês.
Passado um instante, a voz do puto " estúpido ":
- Bruno, sabes o que é uma taxa moderadora?
- Eu não! Só sei o que é uma taxa progressiva.
- Estás em economia, meu, e não sabes?
- A stora não disse.
A Inês entra na conversa e diz:
- Vai ver à net.
- Vou, vou, Só porque este gajo quer...
À sexta-feira, debaixo de um nevoeiro fortíssimo, o autocarro que parara antes da rotunda do mercado, junto à polícia, mesmo em cima da passadeira, para me apanhar pois vinha atrasadíssima e fintei o sr. margarido aparecendo-lhe a arfar, na passadeira, ia deste jeito. Em jeito de fim de semana antecipado.
As catatuas saudaram-me com um sorriso de orelha a orelha dizendo: Estávamos mesmo a falar de si. Já pensávamos que tinha começado o fim de semana mais cedo.
Sentei-me. Tinha o coração a mais de mil. Ando com o coração a mais de mil...
A minha viagem, hoje, pela manhã.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

The Beatles - And I Love Her

Porque hoje estou doente de saudade, um kandandu a todos os meus kambas...

Três em Um

Tocou o telemóvel. O nome que apareceu não podia ser melhor. Da minha kamba.
Perguntei se estava em Lisboa. Que estava a caminho do aeroporto para ir para Luanda. Um vôo maluco, disse-me a seguir a outra kamba. A Susete. Chegàmos ontem à noite e já vamos hoje.
As minhas duas kambas...Eu falando ora com uma ora com outra. A lágrima teimou que queria aparecer. Deixei. Todo o dia ela fica suspensa, travando uma luta um pouco desigual.
- Para te desejar um feliz natal.
Mas o que é isso? Como desejar um feliz natal quando ainda falta outra semana? Como? Quero é ouvi-las. Imaginar esse vôo.
Quem me dera!
Hoje faz dois anos que parti de Luanda para Lisboa. 2009. O ano passado estava a 10 dias de viajar para Luanda.
Estas duas kambas foram aquelas que me ofereceram a viagem em 2008. E me receberam lá em casa. E me levaram a todos os " cubicos " que Luanda tem. E arredores. E onde eu sempre fico cada vez que vou. E moram no meu coração desde que começamos o liceu. As duas. Quando tinhamos 10 anos. E agora estão aqui a falar comigo, ao fim de 46 anos, no fim da tarde, partindo para Luanda...
A Milú é a das surpresas. Adora fazer derramar lágrimas. Fica feliz com a alegria que provoca nos familiares e nos amigos.
Perguntei pela Ana Rita.
- Já está em Luanda? O telefone mudou de mão. De voz.
- Alô Clara!
Outra surpresa. A menina que o ano passado numa saída à noite, fotografou o carro do fumo de propósito para mo mostrar quando chegasse a casa e num outro dia veio da varanda apressada a dizer: Clara, não querias ver chover na tua terra? Vai lá fora, está a chover bué. A Ana que vai viajar com a mãe para Luanda. E com a Susete. E com o resto do avião. No cabrito.
Três em um foi o que esta minha amiga de sempre me arranjou hoje, assim, sem que tal prevesse, neste fim de tarde do meu desalento e solidão.
- Xé, olha o que me arranjaste. Vais desligar e eu vou ficar a chorar.
- Bebe um Porto.
Como se eu fosse de beber copos. Sozinha. Com a Pitanga a olhar. Ainda se a gata bebesse...
Natal! Luanda! Amizade! Surpresa! Saudade! Viagem!
Tenho o coração inundado duma coisa boa que doi.
A culpa? Morreu solteira.
Hoje precisava que alguém me desse colo.
Deus não podia escolher melhor. Ele sabe o que faz.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

divagações XV



Poiso o olhar nas luzes que insistem em abrilhantar este natal que apenas se adivinha. Uma aqui outra acolá e outra mais além. A espaços significativos...
Não vejo brilharem esperanças em amanhãs; noites e madrugadas diferentes. Que amaciem intenções e adocem corações.
Poiso o olhar, ajudado pela lente graduada e não vejo nada.
Nem orquestras ensaiando cânticos de boas vindas, nem estrelas abrindo caminhos que me levem ao renascimento do amor e da paz.
Nem magos.
Nem presentes.
Nem futuros.
Poiso o olhar em desespero, no presépio, e não vejo união.
Nem família. Nem amigos.
Nem olhares buscando o meu olhar. De frente.
Poiso o olhar no horizonte e ele dilata-se.
Este natal queria estar em terras errantes do menino jesus e ressuscitar com Ele...

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

hoje




13.12.11




Uma data curiosa a de hoje

digo eu...



Diz que Portugal é a nação mais antiga da Europa.
Será por isso que há tanta falta de memória dos tempos idos?

m.c.s.

a figura do natal

foto tukayana.blogspotIsto não é o espírito do Natal. É mesmo o Pai Natal comprado numa qualquer loja de chineses, afiando os bigodes plasticamente a cada vez que subo as escadas. Inevitavelmente não desvio o olhar. Mais, até me apetece deitar-lhe a língua de fora. E dizer-lhe meia dúzia de palavras impróprias, como eu lhes chamava quando era adolescente e ia confessar-me ao padre Luís da Igreja de S. Paulo, em Luanda. Para dourar a pílula e parecer mais anjinha que era de facto...
Mas os meus vizinhos do 1º direito, os únicos que ainda acreditam no pai natal, podiam aparecer à porta e eu ficaria com cara de tacho, daqueles aonde se vão cozer as couves e o bacalhau da consoada e lá ia o gato às filhós.
De forma que sigo o meu caminho um pouco desalentada e pensativa, pois que nem ali no prédio o natal já é o que era, quando todas as portas, incluindo a minha tinham um motivo alusivo à época.
Um dia destes páro e toco à porta do pai natal. Não à lamira dum presente mas para felicitar os vizinhos pela esperança que depositam no presente e no futuro. Eles que não têm meninos pequenos. É preciso uma boa dose de coragem à mistura com ingenuidade. Ou uma boa conta bancária...
Pode ser que me contaminem no sonho de acreditar neste natal, igual a outros, despreocupados e felizes que estão no passado sem esperança de repetição, e ainda me convençam a ir à missa do galo.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

esperando XIV

foto tukayana.blogspot

cascais ao entardecer


da Graça até à Baixa

foto tukayana.blogspot

recolhendo imagens

foto tukayana.blogspotA Sé

estrela da companhia

Adoro atum. A Pitanga também. Adoro gambas, a Pitanga também.
Tenho sempre atum em casa. Para mim. E para a Pitanga. Sem gambas para mim. Com gambas para ela.
Adoro tostas de atum, queijo e maionese. A Pitanga não. Ela é mais, estas latinhas gourmet da whiskas. Que me custam os olhos da cara num mimo de que já me arrependi e que me parece me vai ficar caríssimo.

Preparei tudo para fazer uma bela e delicoosa tosta de atum, de pão integral ( para não ser tudo mau ) com tudo o que a tosta pede. Abri o frigorífico. Tirei a lata que estava aberta. Com uma espátula de madeira comecei a espalhar o atum. Descobri uma gamba. E disse meia dúzia de impropérios. E depois, para não chorar, ri. Gargalhei tanto que a Pitanga olhava-me incrédula, não sei se por o seu pitéu estar numa fatia de pão ou se porque eu lhe parecia transtornada.
E por falar nisso, será que isto é um caso de polícia? Melhor, de médico?
Agora é que é caso para dizer que se não fosse uma comédia, era uma grande tragédia. Eu, a estrela da companhia.
E saia de cena quem não é de cena!
Meeeeeedo!

domingo, 11 de dezembro de 2011

divagações XIV


Devo ter no lugar do coração uma rocha.
Dura e resistente.
Já me arrancaram o coração pela boca tantas vezes, e ainda assim, bate como antes.

m.c.s.

Manuel d'Oliveira e Yami - Aroma a mar

sonho, minha praia

foto tukayana.blogspot
Sonho cerrando o olhar
Cheio desse solitário mar
Azul do céu, imensidão
Aroma memória presente
Marulhar da minha solidão
Onda beijando-me a mão
Maresia, estrela cadente
Na areia brilhante e quente
Concha, segredo, coração
Sonho antigo, condão
Esperança que a guardei
Barco de papel, porão
Cor, arco-íris, garrida
Palavra que soletrei
Na alma que embalei
No banco da escola vivida
Sonho, anseio, futuro
Curto, limitado, desperto,
Chorado, desfeito, inseguro
Livro fechado e deserto,
Sonho terra distante
Destino, desejo, amante
Grão d' areia a dançar
Semba, feitiço, kianda
Saudade de kandando dar
Domingo, minha praia, Luanda...

m.c.s.

sábado, 10 de dezembro de 2011

The Piano - Amazing Short - Animation by Aidan Gibbons, Music by Yann Ti...

Um bom sábado para todos.

naturalmente...

Dei comigo reflectindo. Sem esforço. Naturalmente, como que respirando. Há despropósitos que não fazem parte dos códigos com que me vou regendo, também naturalmente. Não me ocorrem. Como se não os conhecesse. Como se a minha educação até hoje não o permitisse. Na minha vida não é assim. Porque não é.
Descartados, fora de questão, dizê-los. Fazê-los. Senti-los. Naturalmente...
Dei comigo reflectindo. Enquanto espero que o sol reflicta a sua luz neste meu dia frio e chuvoso de outono.
Calar não significa cinismo, cobardia ou indiferença. Falta de transparência. E tudo dizer não significa sinceridade, coragem e transparência.
Naturalmente...
Fazendo a filtragem e chegada a este tempo de vida que tenho, e à minha condição pouco me importa o que pensem, o que saibam ou o que digam de mim.
Este foi um lugar que conquistei sem medalhas de mérito de batalhas ganhas. Fui vivendo, foi acontecendo, naturalmente. Mas cheguei aqui, a este lugar de tranquilidade e desvalorização do que pode incomodar. E é aqui que quero permanecer.
É a conquista obtida no tempo que a vida, experimentando-nos, graciando-nos ou subtraindo-nos, nos dá.
E é uma coisa tão boa e tão livre, que nesta tarde chuvosa e fria de dezembro, me apetece brindar a mim e aos meus 56 anos de existência umas vezes bela outras sombria, que me deixa reflectir sobre o desprendimento das coisas banais e menores.
A natureza e o universo são extraordinários.
Fazem milagres. Naturalmente...