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quarta-feira, 11 de julho de 2012

somos mais que muitos

Somos mais que as mães. Parecemos uma praga ( boa ) pelo mundo. 
Damos um pontapé numa pedra e aparece um angolano. 
A toda a hora me acontece.
Na FNAC estive a falar com uma que me reconheceu de outra altura, quando comprei o bilhete para 
o Rock in Rio, depois entrei num taxi. Mudos eu e o taxista. Só o rádio tocava música.
Na calçada de Carriche começou a tocar o" Namoro ". O motorista sobe o som. E começa a cantarolar e a mexer a cabeça. Aí pensei: É mwangolêeeee.
Quando era para parar disse-lhe que queria ficar ali, mas o homem não parava. Repeti, respondeu:
Peço desculpa senhora, mas estava no Loje, na Samba...
- Ai é? Porquê? É angolano.
- Sou sim. A senhora também?
- Também.
Desligou o carro e esteve à conversa comigo sobre Luanda.
Somos mais que muitos. Ainda bem.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

estrela da companhia

Adoro atum. A Pitanga também. Adoro gambas, a Pitanga também.
Tenho sempre atum em casa. Para mim. E para a Pitanga. Sem gambas para mim. Com gambas para ela.
Adoro tostas de atum, queijo e maionese. A Pitanga não. Ela é mais, estas latinhas gourmet da whiskas. Que me custam os olhos da cara num mimo de que já me arrependi e que me parece me vai ficar caríssimo.

Preparei tudo para fazer uma bela e delicoosa tosta de atum, de pão integral ( para não ser tudo mau ) com tudo o que a tosta pede. Abri o frigorífico. Tirei a lata que estava aberta. Com uma espátula de madeira comecei a espalhar o atum. Descobri uma gamba. E disse meia dúzia de impropérios. E depois, para não chorar, ri. Gargalhei tanto que a Pitanga olhava-me incrédula, não sei se por o seu pitéu estar numa fatia de pão ou se porque eu lhe parecia transtornada.
E por falar nisso, será que isto é um caso de polícia? Melhor, de médico?
Agora é que é caso para dizer que se não fosse uma comédia, era uma grande tragédia. Eu, a estrela da companhia.
E saia de cena quem não é de cena!
Meeeeeedo!

terça-feira, 13 de setembro de 2011

constrangimento

No domingo passado, ali no Olival Basto ( em casa ), fui almoçar com um grupo de angolanos e não só, ao Mulemba X'Angola. À minha frente três pessoas agradáveis. Duas, conhecia de outro almoço ( homens ) e a terceira é uma menina de Angola, que afinal nasceu no concelho de Torres Novas. E eu que sempre digo, que isto é uma ervilha e é mesmo, acabamos fazendo amizade por via disso e não por via de Angola que fora o motivo que nos levara àquele almoço. É curioso o destino. A vida tem destas coisas.
Bem, mas o que venho aqui contar é algo constrangedor. Para mim, claro. Volta e meia, lá calha. Mas aguentei-me à bronca e com cara de tacho, que a vida por vezes, já é tão constrangedora que o melhor é perdoarmo-nos das gafes que cometemos, já que perdoamos as dos outros...
A página tantas, uma das criaturas, homem de cabelos e barba ( para a banga ) toda branca, que ainda anda pelos 50, penso que quase nos 60, aparece, depois de ter desaparecido da mesa da refeição, com uma menina de apenas 5, 6 anos, ao colo. A criança estava envergonhada de tanta gente desconhecida olhando para ela e agarrava-se ao seu pescoço.
Então, perguntei ao meu amigo angolano, mais propriamente de Malange: É tua neta?
- Neta? Não, filha.
Ia-me caindo tudo ao chão. Nunca tal me sucedera.
Percebo agora o que acontece às pessoas que me perguntam pelo marido, ainda hoje.
Ri-me, desmentindo o velho pai. Ainda por cima...
Ele continuava a afirmar ser o pai da menina e afinal a mãe, uma jovem, puxara duma cadeira e sentara-se ao lado do pai da sua criancinha. Ainda bem que não me ocorreu continuar o questionário pois o que me apetecia ( grande estupidez, mas foi o que pensei ) era perguntar se a jovem senhora é que era a filha.
Confesso que era o que parecia. Pai, filha e neta.
Não costumo ser assim inconveniente. Não estou habituada a estas situações.
O raio do preconceito a funcionar, eu que me digo com poucos preconceitos.
O que valeu é que o falso avô deve estar habituado, pois ralou-se pouco com o que parecia mas não era, mais com a minha pergunta inconveniente.
Este foi o episódio de domingo que me deixou bem constrangida apesar de ter disfarçado como pude.

Mas também... ele parece mais velho que o avô Carvalho quando eu tinha a idade da menina, sua filha, e este, teve dois filhos que hoje são já pais de filhos adolescentes mas que têm uma diferença de mim, sobrinha deles, de mais de 10 anos para menos.

domingo, 7 de agosto de 2011

abordagem III, não estranha

Já tinha " aviado " dois, que é mesmo o termo que me ocorre. Deixei o professor de filosofia, que veio de Pampilhosa da Serra e que desde a minha entrada em torres novas me veio a cocar e cá para mim a filosofia queimou-lhe alguns fusíveis, deixei a mulher que é do Sobral, vive no Cartaxo, trabalha no mercado e precisava de 5 euros para regressar a casa, e porque a minha vida não é isto, desci as escadas para ir para o metro.
Ao fundo das escadas estava a mulher romena que está sempre por ali, mais nas escadas, mais junto ao café onde já lhe ofereci o pequeno almoço bem como o da sua filha. Não sei se me conhece. Vejo-a quase todos os sábados que venho para Lisboa e me desloco de metro para o destino. Acena-me com o borda d'água e quando não é este, são outros papéis que não me detenho a ver.
- Senhora, posso pedir-lhe uma coisa?
Eh pá, mais não, disse muito para mim. Basta, que eu não sou a segurança social. Que ironia esta!!! Uns são e os outros é que têm compaixão!!! respondi-lhe sem parar:
- Não pode, querida, não pode...e porque este sábado muito falei com os meus queridos botões que ficaram em torres novas, pois que a roupa que tinha vestida não os tinha, repeti para dentro:
- Não pode, não quero saber de mais pedidos, não pode não, porque se pede eu dou...
Não gosto que me falem ao coração. Sou sempre enganada. Ou quase sempre...