sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

uma confissão do fim do mundo!




Sempre disse que sou feita do que fui. O passado não me pesa mas deixa-se levar por mim e nem sempre me trata por tu no presente. O futuro é hoje pois que amanhã não existe.
Nada sei, mas desconfio. E para o caso de não haver amanhã, para o caso do mundo partir para lugar nenhum e se finar, eu tenho uma confissão a fazer. 
Sempre a quis fazer. Sempre quis uma saída em grande. Memorável. Ou de não haver 
memória...por estar no futuro. 
Treinei confissões pela vida fora. Treinei palavras, gestos, sorrisos, expressões. Inventei frases. Pensamentos. Estórias e poemas. Assinei por baixo.
Ainda assim, a minha criação não me pertence. Algures no mundo alguém as disse como eu, alguém as sentiu e tal como eu alguém as quis confessar. São as palavras que o vento trás e leva...
Nada invento. Nada me pertence. Não tenho o futuro na mão. 
Mas sei que O futuro mora aqui. Neste preciso momento. Aquele que sei meu. E é por isso que hoje, aqui, neste lugar, antes que o dia termine, para o caso do mundo se finar, eu, não pecadora, me confessarei. 
Não é novo mas é sempre uma novidade surpreendente e benvinda. 
Escuta bem porque estou por tudo e ou hoje ou nunca, e porque há coisas que se guardam para o fim e só no limite se dizem e depois de o dizer fica dito e não repetido. 
Já sabes que não gosto de segredos e este tem-me pesado muito, como um fardo para a minha pobre coluna vertebral.Vulgo espinha. Que por vezes se crava na alma. 
Um dia alguém mo disse e eu achei o fim do mundo alguém ter a pureza, a delicadeza, a honestidade, a beleza de, e para, o dizer.
Não era véspera do mundo se acabar e mandar tudo para as ortigas, não era nenhuma coisa de outro mundo nem sequer o princípio do fim; não foi um ver se te avias nem numa pressa que se faz tarde, foi porque sim. E sim, eu amei. E não esqueci.
Agora, hoje e aqui, sem medos nem sequer do lobo mau que quer enganar o capuchinho vermelho que vai levar o lanche a avozinha, enfim, não quero que te pareça uma estória da carochinha, mas aqui vai e seja o que Deus quiser, apesar de duvidar que Deus esteja ligado a estas minhas apetências para o drama, até porque dramático será, o mundo terminar, assim de supetão, como se o mundo se estrepasse e não houvesse amanhã, vamos fazer de conta, ou não, que vai escafeder-se mesmo e vamos todos para os quintos do infernos, arder no fogo do pecado, eu salvo a parte da pureza, da beleza, da honestidade, da delicadeza para te confessar que " gosto tanto, tanto, tanto de ti, que acho que te amo ".
Não és padre nem meu confessor mas faz de conta. Até porque, como se o fosses, tens de me dar a absolvição, pois amar não é pecado. Ah! E não ficamos cá para semente mas se ficarmos por tempo indeterminado, rega-a porque se não for regada finda-se como o mundo se findará. 

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

para ti



Antes que o espírito do Natal me chegue e escolha palavras que pouco significam, palavras vãs, palavras, apenas palavras para cumprir calendário, 
antes que o tempo se torne pouco e me escape das mãos, da mente e do coração, 
antes que já não estejas em tempo de me ouvires, veres, leres, 
eu te quero dizer que gosto de ti, pá!

E te desejo uma quadra cheia de paz, alegria e compaixão.
Um beijo no teu coração e um abraço maior do que o universo.

piadola

No atendimento ao balcão, a conversa entre funcionário e o utente.
- ...mas teve algum processo crime?
- Que eu saiba, não. Só se matei alguém do coração.

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

este mundo...



Apesar deste texto não ser uma estória, mais uma das muitas que vou contando, por vezes real, outras floreadas, não se sabendo onde termina a ficção e começa a realidade, inicio a dizer que era uma vez uma mulher que partiu há poucos anos deste mundo, infelizmente, pois que era daqueles seres que merecia a vida eterna.
Essa mulher cruzou-se comigo nos últimos anos por via duma desgraça que me aconteceu e que me aproximou de pessoas como ela, que foram verdadeiros anjos na terra com a missão de me protegerem.
Era uma mulher com mais de setenta anos, generosa, observadora, inteligente, sábia e desiludida com o mundo. E dizia amiúde e quando tinha notícia da maldade, da inveja, da traição e da violência dos homens uma frase bastante perturbadora: Este mundo já não é para mim.
Há seres escolhidos. Que nos marcam para todo o sempre. Acho, são aqueles por quem temos um respeito e admiração profundos.
Não são poucas as vezes, que nos últimos tempos eu própria repito este pensamento que apesar da minha amiga partir, ficou-me na mente. Sinto-o, perante a injustiça, a deslealdade, a mentira, a violência.
O fim de semana que passou, o mundo parou. Horrorizou-se e chorou. 
Há actos inexplicáveis. Que não parecem praticados por humanos.
Há actos que me fazem lembrar aquela mulher que comigo se cruzou e me enriqueceu um pouco mais a vida com a sua generosidade, sapiência e inteligência. Aquela mulher que nos seus últimos tempos de vida dizia com frequência que este mundo já não era para ela e que certamente este fim de semana teria dito repetidamente a mesma frase, sentindo-a, chocada, repugnada com o sucedido.
Eu recordei-a. E parefraseando Jesus Cristo direi também que " o meu reino não é deste mundo ", ou será que devo lembrar Saramago que disse " O meu mundo não é deste reino "?!
Todas as citações se encaixam e todas são poucas para retratar o sentimento de indignação, tristeza, incredulidade e impotência perante a monstruosidade d'um acto que infelizmente já não é isolado.
Na verdade, concordo em absoluto com Saramago. E direi que o meu mundo já não é deste reino.  

tenham um bom dia


Acordei com uma dor imensa no meu braço. Já fraturaram um ombro? É isso. Passados dois meses ainda doi que nem um condenado. Ainda me limita como uma velhinha cheia de reumático.
Abri um olho. Espreitei a janela. Noite ainda.
Senti um peso na cintura. Apesar da hora percebi o que me pesava. Quem me pesava. Não. Nada disso. Apenas uma gata. Nunca acordaram com um/a gato/a em cima? Pois, então não têm gatos, porque gato que é gato adora atracar-se aos seus donos e deixar-se ficar.
A Pitanga adora mais do que qualquer outro, eu acho. Ela quer colo, quer estar ao meu lado, na minha cabeça, nos meus pés, quer estar em todo lado assim se fazendo tão presente que até chateia.
Numa madrugada de sábado me interrogo se já não estou a chegar naquela idade que nem os meus vizinhos do Olival Basto, que a partir das seis da manhã ligam o rádio e ficam ouvindo música na cama, suponho, porque não devem precisar de dormir mais. Há 10 anos que é assim.
Levanto-me. A Pitanga olha-me, como sempre. Tiro os óculos da gaveta da mesinha de cabeceira. Porquê dentro da gaveta? Não, não sou algarvia que tem gavetas em tudo quanto é sítio para esconder a comida e outras coisas dos que batem na sua porta ( algarvios que me desculpem, se é o que dizem é muito, se é o que eu vi não é nada mas serve para a piada ). 
Na verdade o que acontece aqui em casa é que Dona Pitanga acha-se muito. E por se achar demais se me apanha os óculos, quere-os. Não para ver melhor porque acho tem olhos de lince, mas para brincar, e tomba-os, e óculos senhores, custam-nos os olhos da cara, agora é que é mesmo para rir, mas se ela mos parte choro que nem uma madalena arrependida de ter gata, de ser pitosga e de ter nascido pobre que tem que fazer muitas contas de cabeça para mudar de lentes.
Óculos postos, vejo as horas. Escandalosamente cedo. Estou louca? Ainda não são seis. Estou pior que os velhos do Olival. Será porque durmo sozinha? perdão, com uma gata? Será...
O psicólogo mandava-me tratar disso, mas eu não quero nada com essa raça. Existem alguns na família e santos da casa não fazem milagres.
Levanto-me. Dona Pitanga segue à minha frente. De vez em quando olha para trás. Para controlar a minha marcha, não vá eu desviar-me para  a casa de banho. Tem razão. Faço-lhe essa finta que me diverte sempre. O que vale é que nunca acordo com o amoque. Para quê? Vocês acordam mal dispostos? Não vale a pena. Temos tempo de nos deixarmos manipular pelas agruras do dia. Conheço uma criatura, assim chegada, que na primeira hora, ninguém lhe fale que é capaz de matar. P'ra quê esse mau feitio? Ganha-se rugas e isso não dá com nada. Até porque o creme para as atenuar, disfarçar ou com elas conviver duma forma elegante, altiva ou distante, custa-nos os olhos da cara, como aos óculos. 
Na casa de banho arranjo meia dúzia dessas rugas de expressão quando percebo que se não me chove em casa, jorra-me água do chão. Depois de perceber de onde nasce tanta água maldigo a minha triste sina. Inevitavelmente penso no pilim que me cai na conta a cada fim do mês. Pouco. Para tanta despesa. Mais os extras que ao invès de serem por exemplo uma ida ao cinema, uma ida ao teatro, ao sushi, ou mesmo ao bilhar grande, porque não? se transforma no pesadelo de chamar um canalizador. 
Eh pá, é quando chego a esta parte que não evito pensar que sou uma masoquista. Gosto de sofrer é o que eu acho. Então a teoria de que quando a gente tem um amigo, namorado, companheiro, marido, amante, sei lá, um qualquer coisa para todo o serviço mais o de canalizador, trolha, pedreiro, jardineiro, electricista, motorista, enfermeiro, homem estátua, não o devia dispensar ou ser dispensada, sem exigir um curso intensivo dessas valências todas que a gente não liga quando eles nos infectam a zona mas que damos o braço a torcer, eu dou, quando na despensa ficou a ferramenta mas a criatura não está à mão de semear nem nós queremos no mais das vezes mas que fazia falta para estes servicinhos fazia pois que não tinha lata para cobrar em nome de tempos bons?! Essa teoria, voltando a ela porque disso se tratava deita por terra a ideia de que, ah pois não preciso de ninguém, que o dinheiro paga tudo. Mentira. Quando a crise aperta é preciso lutar com todas as armas. E em tempo de guerra não se limpam as ditas, é ou não é? 
Bem, não estou para aqui a dizer que chamava cá a casa o ex-canalizador de serviço 27 anos, nada disso, mas cada vez que tenho uma avaria, cobro mais essa. Não ter recebido umas aulas de bricolage. Faziam-me falta agora. Acho que é de propósito que eles não nos ensinam essas coisas quando estão. Primeiro porque querem ser os maiores da cantareira e sempre solicitados e depois para a eventualidade de se porem a milhas, serem para  sempre imprescindíveis. Sim porque é isso que acham. E depois, valorizados. E por fim, recordados. Uma ova! Apenas são falados, e diz o povo que pessoa falada é pessoa mal afamada.
Vou buscar a esfregona. Limpo tudinho. Enquanto limpo não evito pensar, para que uma mulher está guardada. Apre, xiça, penico! A inevitável esfregona! Raça de sorte a nossa. Olho a água e ganho uma preocupação mais. Atiro-a para trás das costas. Hei-de resolvê-la. O que quero mesmo neste momento, é beber um copo d' água, e voltar para a cama depois de pôr comida na Pitanga que anda muito solidária na crise que vamos sofrendo cá por casa. Então não é que tive uma converseta de pé de orelha com ela e penso eu de que, desta feita entendeu tudo na perfeição e até aceitou? É que latas gourmet de camarão e salmão a 99 cêntimos são para fidalgas e aqui somos as duas da plebe. Contrariadas, mas somos.
Depois dessa tarefa volto para a cama. Sinto-me cansada. Com o sono interrompido. É sábado, caraças! Apesar de estar pendente d'um telefonema para quem sabe, ir para Lisboa, ir dar um abraço, dois ou três, a gente minha, apesar de estar a afiar o dente para uma ida ao sushi, cujo vício é dum prazer tão bom que me faz dizer sempre, que se lixe o resto, eu gosto e pronto! Apesar de estar já meio desperta, ainda quero sentir o calor dos lençõis e do ededron. O prazer de me saber pronta para o lazer livre da escalada do viaduto à chuva a caminho do dever que me dá o bem-bom ao fim do mês, apesar de tudo, enfio-me na cama. Bem no centro, pois que finalmente recuperei a posse duma cama inteirinha para mim, sem traumas.
É. Eu devo ser meio esquisita. Ou não. Nunca falo com pessoas sobre estes assuntos por isso não sei se há o sindrome da cama vazia como o da casa, do ninho, do lar vazio. Na verdade uma criatura passa meia vida dormindo acompanhada. Do lado direito da cama e ganha essa posse. 
A posse da metade e usa-a com um orgulho ridículo. O meu lugar da cama. Parece título de livro de cordel. Quando ganha os dois lugares da cama, acha que perdeu. Não aceita. Depois não precisa. Depois ainda, não se habitua. E como a lagartixa que não quer chegar a jacaré, aninha-se ali na sua metade e pensa até que cama de um corpo só, chega bem. 
Nunca! Há um dia qualquer que rebola na cama e se instala bem no meio. E sabem quando percebe o que sente? Quando diz: Finalmente estou inteira. Mereço a cama inteira. 
Vão por mim que é verdade. Digo eu, pois que não sei o que vai nas vossas mentes, nas vossas vontades, nas vossas necessidades. Há uma amiga minha que diz com uma certa piada: Roupa de homem na minha casa, só nos pés da cama... ;)
Bom, com isto tudo, despertei. O dia nasceu. É sábado mas eu de repente fiquei com vontade de escrever. A primeira frase já surgiu. As pontas dos dedos estão em fungas. O meu escape...
Rendo-me. Acordei com uma dor no braço. Não me impede de escrever, graças a Deus e a todos os santinhos. O universo é meu amigo, eu sei. Sou sortuda, pois sou. Mereço? Não sei. Talvez sim, talvez...sim. E para não parecer muito presunçosa, cheia de mim, arrogante e armada em mete nojo, digo politicamente correcta que...todos merecemos.
Tenham um bom dia e que Deus vos acompanhe sempre. Portem-se bem ou mal, conforme se sentirem mais felizes. Mas façam qualquer coisa por vós. Eu vou tentar. Estou a tentar desde que acordei. 

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

chove chuva em mim



A chuva me atacou ferozmente logo pela manhã. Foi-se a mim como se não houvesse amanhã. Perdendo a compostura. Me fazendo perder o norte. 
Agora que caiu a noite percebo que o que ela queria era dar nas vistas. 
Tem chuva assim, que não nos deixa escapar por entre os pingos. 
Afinal, vale mais uma boa carga de água ansiada, consentida e sentida, do que rezar para a " Santa Bárbara bendita que no céu está inscrita e na terra assinalada ", metendo a cabeça debaixo do edredon com medo dos relâmpagos, dos trovões, de Deus a ralhar...sabe-se lá porquê!
A coisa certa é mesmo aceitar. 
Hoje, a chuva me molhou a pele, o corpo e não chegou à alma me machucando porque eu ao invés de rezar padres nossos tortos, fazer aviões com os dedos, insultar o imbecil que passou na poça d' água com a roda, no momento em que eu ia a passar a pé, sorri para ela, lhe disse ao ouvido que não valia a pena, não me iria zangar. 
Em memória das grandes chuvadas no tempo do liceu, fazendo como hoje quilómetros até me resguardar, no caso , chegar a porto seguro, desprezando chapéu de chuva, capa de plástico e galochas. Em memória dessa idade, dessa terra, dessa leveza. Dessa alegria...
A propósito, estão na moda as galochas e quem segue cegamente o que a moda dita já tem nas sapateiras, dúzias delas, às cores, das melhores marcas, com pesos medonhos, sim porque pesam toneladas, ( ou sou eu que já não posso com as canetas e vou-me abaixo delas ) e anda a rezar a santa Bárbara e a todos os outros santinhos, que chova. A cântaros. A potes, ( com toda a cerâmica que exista ) , canivetes e mais a todo o vapor e que deus a dê. Sim porque metem Deus nisto. Como se Ele apreciasse galochas, alguma vez as calçasse e provocasse as nuvens, as fizesse chorar histericamente só para terem uso, mostrarem-se na banga e competirem levianamente. Como se Ele fosse cúmplice das vaidades.
Hoje a chuva me molhou até ao tutano. Sequei no corpo essa chuva doida de me molhar por nada, d' abuso, mesmo na hora de sair de casa. Me desrespeitando. Me deixando a vontade de recuar no dia. Mas em nome daquele tempo que brincava nela, dançava nela, namorava nela, segui em frente. 
A noite caiu. A chuva continua caindo. Num tempo chuva molha tolos n' outro tempo com mais personalidade. 
Tenho frio. Arrepio. Não sei se de memória se do toque da noite que me anoitece nesta sexta-feira chuvosa e agreste.
Como dizia o meu pai, pode chover à vontade que não é geral. 
Hoje já tive a minha dose.
Olho o tecto da sala. Só que não chovam gafanhotos...

conversando comigo




Marquei-nos encontro. Estás a rir? Não acreditas? Quem és tu para duvidares? Juro sangue de Cristo! Eu não falo sempre verdade? Parece me apanhaste alguma vez com a boca na botija dizendo mentira?!...
É! Marquei-nos um encontro. Numa esquina deste Outono que me parece o ideal para limarmos arestas. Colocarmos os pontos nos is. Acertarmos o passo, quem sabe?! 
Marquei encontro contigo. 
Perguntas, mas é mesmo para quê? 
Esqueceste? Às vezes faz falta.Sinto a tua falta. Mesmo do pessimismo, do medo e da tristeza. Da nostalgia,da desconfiança e insegurança que tens quase sempre. Bem sei que parece que estou a jogar-te nas ruas da amargura. Deixa. É só mesmo o que parece. Nem sempre é. Tu sabes. Aliás tu sabes sempre mais do que eu. Sempre me lembro de te ver pôr o dedo abaixo do olho, forçá-lo a abrir e dizeres matreira, abre o olho que aqui é Luanda. Tu tens vantagem de mim porque és tímida, calada e observadora. Perspicaz e curiosa.Simpática.
Marquei-nos encontro. Na estrada da vida. Numa curva do caminho, numa paragem qualquer de candongueiro, desses de nome bonito. 
Na minha imaginação. No sonho de te falar, tocar, olhar e acreditar que mais das vezes somos harmonia e equilíbrio. 
Andei um pouco perdida de mim e de ti. É tramado ficar imcapacitada. Mudar as rotinas. O chão fugir dos pés. Cair na monotonia pobre de uma vida limitada. Lamber as feridas. Respirar a um pulmão, despedir, abraçar, despedir, esperar...
Mas hoje decidi que eu e tu, nós, eu, apesar de não ser urgente, é aconselhável um encontro em nós. De nós...
Assim numa de, sou mais eu! 
Não, sossega o espírito desconfiado e um pouco complexo. Não vou levar a arrogância. Prometo que a fecho a sete chaves que nem ela vai saber que existe. Levo antes a lucidez. Para clarear as ideias. Juntar os trapinhos. Dois podem mais que um, então? Estamos juntas ou não estamos? Acho que ultimamente andamos meio perdidas uma da outra. De costas às avessas. Não é bom para nenhuma andarmos assim sem rei nem roque. Só unidas venceremos. E eu, quero muito vencer, tu não? Não. Não entendeste. Não quero vencer batalhas, guerras. Não estou para aí virada. A minha cena é mais sonhar, amar, encantar e ser encantada. Ai ser encantada! Parece já me estou a ver assim numa novela daquelas que a gente vê há tantos anos mas nunca conseguiu ser a própria da protagonista de final feliz. 
Lá estou eu a embandeirar em arco. É por isso que nos marquei um encontro. Preciso de ti. Que me puxes as orelhas, que me arregales os olhos, que me soletres com toda a frieza a palavra so- nha-do-ra. Lhe dês um sinónimo inventado por ti como só tu sabes, assim por exemplo , ma-tum-ba. E sei lá, a risques do meu vocabulário.Do nosso quotidiano.
Na verdade sinto saudades tuas. És a minha sombra. Mesmo quando não olho para ela. Sinto-te.
Deve ser do Natal estar aí à porta. É bom iniciarmos a noite de Natal juntas. Numa de noite feliz, noite feliz, o jesus Deus de amor, pobrezinho nasceu em Belém... malmequer,bem me quer, muito longe está quem me quer bem, acabas tu, enquanto me entregas um malmequer que eu desfolho. Malmequer.Bem me quer...sim, muito longe está quem me quer bem e na verdade Jesus nasceu em Belém. Ai, jesus que estou a ficar piegas tentando disfarçar ridiculamente. Desconversando. A propósito de pieguices leva-as contigo para o nosso encontro certo? Eu levava uma cebola,pois tenho muita pena mas não posso chorar mas o cheiro incomoda-te e no final das contas lágrimas de crocodilo não são verdadeiras. 
É de facto inevitável que nos demos encontro. De preferência na noite. E feliz.
Sabes? Como eu não gosto de segredos vou contar-te um. Estou louca de saudades tuas. Gosto de ti pá e como tenho a certeza que gostas de mim tal e qual como eu, sem tirar nem pôr quero mais é dar a mão e juntar as nossas possibilidades. Dar um abraço e dizer, estamos Juntas para o que der e vier.
Marquei-nos encontro. Para marcar a diferença. E selarmos a nossa igualdade. Para sempre...  

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

desabafo sem fé nem endereço



As cidades com esta mania da poupança cada vez escurecem mais, no fim da tarde. Percorro o caminho que me leva a casa a pé e penso na possibilidade de mais um tralho. 
É que os candeeiros apagados naquela hora nim, em que não é dia nem noite, um dia destes vão provocar um acidente. Quem me indemnizará? 
Já não digo nada, mas se pudesse ( estou esganiçada para variar ) gritava aos quatro ventos que não está certo. 
Sou uma cidadã que tem de andar a pé cerca de 2 kms ao fim da tarde e é se quero chegar a casa. 
Já não vou para nova :( e por isso tenho medo de espalhanços que me remetam para hospitais, centros de saúde, farmácias, baixas, doença, cama, solidão, medo...
Eh pá, que poupem noutras situações. 
O povo precisa ver para chegar a porto seguro.
Bolas! Xiça! Meu, já não dá para ficar indiferente, muito menos a fingir-me de morta...
Dêem luz às ruas no fim da tarde.
Desculpem este desabafo sem fé nem endereço, sim, sem endereço porque já não sei mais a que porta bater, para onde disparar. Não vejo!

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

hoje


sonhei com o Brasil


Esta noite sonhei que ia para o Brasil.
O Brasil nunca foi o meu destino. 
Afinal eu não tenho destino, nem no Brasil nem outras paragens. 
O meu destino sempre foi errante. Erros sobre erros sem mudar de lugar.
Eu errando, eu um erro de casting.
Erros sobre erros enquanto o tempo navegava em águas turvas do meu desencanto.
O Brasil não foi uma escolha minha. Não foi um sonho. Nem sequer uma possibilidade.
A língua, o samba, a favela, a água de coco, a novela, o carnaval, o calçadão, o Roberto Carlos,o calor, os brasileiros e as havaianas não me compraram. 
Ouvi falar de tudo com encanto. Ansiedade e alguma expectativa. O El dorado.
Mas, apesar daquele sotaque bonito, daquele gingar de anca, daquele céu azul, nunca pensei sonhar com o Brasil. Nunca pensei ir para, ou ao, Brasil.
Esta noite estava de partida. Uma mala cheia de sonhos a caminho do Brasil.
Para trás uma terra inteira despedindo-se de mim. 
Um sol brilhando. 
Uma música embalando-me. Minto, uma música tentando seduzir-me. Agarrar-me. Tocar-me por dentro. Demovendo-me.Para não partir...
Acordei. Não parti. Chorei. Afinal, eu queria ir para o Brasil, ou não?
Percebi que o que eu queria era partir. Voar. Viajar. Sonhar.
Percebi que o Brasil nunca foi o meu destino mas ... só porque sonhei, acho que até gostava de ir para o Brasil.
Porque diabo sonhei com a viagem para o Brasil, cara?


domingo, 9 de dezembro de 2012

O aniversário

Hoje o " meu herói " faz 45 anos. 
Quem é o meu herói? Ainda não sabes?
É o protagonista duma história verdadeira de sobrevivência.
É um ser que luta todos os dias para se manter no mundo com alguma qualidade de vida.

É um guerreiro de luz.
É um caso de amor.
É o marido, companheiro, amigo, o herói da minha heroína. A minha irmã caçula.
É aquele que a ama para lá de quatro céus e para além do que não sabe...
É um Herói que amamos e admiramos muito.
Parabéns, Paulo!
Vais ter um dia feliz com todos nós ao teu redor.
Vais fazer-nos felizes.

sábado, 8 de dezembro de 2012

é sim!


anoitecendo-me


Anoiteço na noite que cai.
Anoiteço onde mora a saudade que me embala, me canta ao ouvido, se instalou e não se vai. 
Espero na escuridão da noite. Espero sabe-se lá o quê que há-de brilhar para lá duma curva da minha estrada. Das rugas e do tempo.
Olho as luzes da cidade.
Há um brilho qualquer que surge no fundo do caminho. Num ponto que já foi escuro. 
Não sei se me contempla. Como à época.  
Há um brilho que cintila amareladamente, esverdeadamente, azuladamente, acima do meu ombro. 
Diz que é o Natal a fazer esse milagre. O milagre das cores brilhando no alto do presente sem luz. Alumiando a rota escura como breu que dificulta os caminhos.
Há UM sinal, um ponto luminoso, um pisca-pisca que a mente me constroi e que parece adivinho está a chamar por mim. Eu gosto. 
Mas antes há-de chegar o presépio. E a estrela brilhante guiando os reis magos. 
Guiando-me nas noites como as de hoje que caem e me fazem anoitecer num beco qualquer, numa curva qualquer do caminho que me falta contornar antes de me chegar o espírito do Natal.
Enquanto isso, anoiteço-me esperando. Acredito no Natal. Ele há-de chegar.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

outono em mim




Amanheço na cidade ao clarear o dia.
Amanheço neste desencanto de não ser livre do meu destino. Hoje...
A água a escaldar embala-me a vontade de me aninhar de novo no leito morno duma noite dormida entre sonhos e sobressaltos. Amorna-se o prazer de me lavar e esfria a vontade de recomeçar.
Olho o relógio que me anuncia a hora de iniciar a rotina perdida. Relembro a taróloga que diz que para uma qualquer prova a vencer, vestir roupa clara. Estas coisas fazem a diferença. Como que campainhas que me previnem, sinais que me agradam, escolho uma blusa branca. Um casaco preto às pintas brancas. Calças pretas. Calço sapatos abotinados pretos, com salto. Cunha, melhor dizendo. Já não andava de saltos altos há tanto tempo! Confesso que tenho medo. Olho-os desconfiada. Não vá o diabo tecê-las e atirar comigo de novo para as pedras da calçada.
Vou à janela. Não chove mas nunca fiando que o seguro morreu de velho. Vou buscar o meu impermeável comprido. Há muito tempo que não o visto. Aliás, tenho-o vestido poucas vezes. Comprei-o para levar para França pois Fevereiro é agreste naquelas paragens e tudo menos passar frio,chuva e neve, longe de casa e não tendo outros agasalhos à mão de semear. Vesti-o lá e levei-o para a neve o ano passado aquando da viagem a Espanha. E pouco mais. 
Hoje está decidido, vou levá-lo para o trabalho. Tenho de me poupar. Não posso ficar doente. Percebi que não são palavras da boca para fora. Não posso mesmo ficar doente sob pena de ser atirada às traças, de desgosto, solidão e incapacidade. Ninguém tem obrigação de tomar conta de mim. Acho que sou uma doente meio difícil. Desobedeço a toda a hora. Amuo outro tanto e vitimizo-me no resto do tempo. Nos intervalos dá-me uns vaipes de optimismo e sonho com a cura para fazer coisas; ter projectos que depois na prática nunca os agarrarei. Para além de que me envelheço a olhos vistos.
Hoje há uma certa urgência em me perfumar com o perfume da minha eleição. Aquele que me recorda Luanda, encontros com angolanos, almoços entre angolanos, momentos especiais. Não sei se faço bem. Faço-o e não me questiono. Afinal hoje é o dia " d ", aquele tal do recomeço. Recomeçar cheirosa é o que se pretende.
A Pitanga gravita à minha volta, inquieta. Teve frio e procurou ficar encostadinha a mim a noite toda. Pobre gatinha! A partir de hoje e por tempo indeterminado a menos que muito em breve a minha carta de alforria se faça presente ficará entregue à sua sorte todo o dia. Estou com tanta pena de a deixar... Isto de estar dois meses sempre dia e noite, dia e noite com poucas, quase nenhumas excepções, aproximou-nos ainda mais numa dependência meio humana meio felina que nunca pensei na vida estabelecer, concordar e assinar por baixo.
Faço um prato de flocos de aveia. Para começar o dia da melhor forma. Espreitando o passado feliz e brindando a esse tempo de tão boas lembranças. 
O tempo passa tão rápido que de repente me vejo a colocar o meu cachecol preto em lã feito à mão e com a marca da beneton. Esse cachecol foi o F..... que me ofereceu no Natal. Há uns dois ou três anos. O F..... é uma pessoa de muito bom gosto. Presente que me dê é presente que eu amo. Só me dá dois presentes por ano. Um no Natal e outro no aniversário mas vale a pena esperar essas datas para sentir o prazer de receber algo que me enche as medidas. Nem toda a gente consegue essa proeza. As pessoas de bom gosto apenas. Que gostam de mim, me conhecem e podem, claro, gastar uns tostõezitos. Saio de casa. 
Há muito tempo não sentia a manhã despertar comigo. Pele com pele, voz com voz, olhos com olhos. Assim numa de muito manas. 
Aqui está uma manhã honesta. Promete pouco mas apresenta-se com o que tem, sem trunfos na manga.
Começo a viagem. A pé. Tenho de levar o chapéu de chuva, o saco com o almoço e a carteira, tudo na mão e ombro direitos. Não posso fazer carga com o esquerdo por isso, carrega maria clara.
Chego ao viaduto. Olho-o como que enfeitiçada. São 800 metros, disse-me o L.M. numa das vezes que me deu boleia viaduto fora até à zona alta da cidade. É o que vale, haver sempre uma alminha que me quer transportar. Olho-o como que enfeitiçada também porque passou sem mim dois longos meses. Olho a avenida junto ao rio. O castelo que está logo ali, as pontes e as árvores. As árvores pá! As gigantes árvores do jardim e da beira-rio cujas copas se empertigam para além do viaduto. 
A cidade outonou-se na minha ausência. Como se eu não existisse. Como se eu nunca tivesse pertencido aqui. Ah...e pertenci? 
Acho sonambulei-me fazendo-me passar por uma mais das filhas da terra, mas desconsegui chamar de terra-mãe a um solo que não me pertence, ao qual não pertenço.
Sinto-me a cada regresso, mais longe, mais ignorada, mais indiferente. 
A cidade outonou-se em tons da terra. Olho-a como se da primeira vez se tratasse. Sinto-lhe o ar bucólico e solitário duma terra a perder a folha. A perder a alegria. A perder a energia.
Hoje que preciso recomeçar, sinto o deserto da cidade no meu próprio deserto. Cruzo-me com uma mulher.Ao cimo do viaduto. Conheço-a, como conheço a cidade. Sem grande envolvimento. É costume cruzar-se comigo neste lugar. Eu subo, ela desce. Mulher do funcionário das Finanças que nunca me lembro do nome. Nora da mulher que vendia legumes no mercado e que aos sábados ajudava colocando-se lado a lado com a outra. Cunhada duma distinta médica da cidade que por acaso foi amiga colorida duma criatura que me foi próxima e que me descoloriu a vida. Afinal, parece que a conheço melhor do que parecia. Ou não...afinal conheço-lhe a estória de família, só por um acaso do destino. Como o acaso que me fez próxima desta cidade tantos anos. Cativa, melhor dizendo.
Renascer é voltar a nascer. Com a lucidez de uma segunda vez. Será que ajuda, a cidade a outonar-se? Pode ser. Há um certo romantismo nisso. 
Chego ao cimo do viaduto. Da cidade. Neste momento um único propósito me faz seguir em frente. É o primeiro dia de trabalho depois de uma paragem de dois meses. É nisso que concentro as minhas energias. 
Quanto à cidade, mais à noite logo se vê. Se chove, se neva, se se deixa ficar queda e muda à minha presença. Indiferente...outonando-se cada vez mais.

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Nina Simone/ Feeling Good

uma estória como tantas outras. Ou não...


Vou contar uma estória a propósito da canção da Lily Allen - Fuck You

Pois é! É só o que me apetece dizer.
Bem sei que sou uma senhora mas...queria portar-me como tal, porque não basta sê-lo, tenho de parecê-lo também que nestas coisas convêm ser como a mulher de César, mas esta música tem uma estória que se fez para sempre na minha vida. 
Querem saber? Ok. Como nada me dizem eu vou contar.
Um dia, há uns anos, poucos, talvez há 3 anos mais ou menos, eu estava num dia como o de hoje em que só me apetecia rezar padres-nossos tortos e pelos mesmos motivos que os de hoje, como vêm isto é coisa antiga, e alguém que foi importante na minha vida nesse tempo mau, ofereceu-me esta música e com uma palavras mais ou menos assim: manda tudo para o caraças, não te desgastes. Não foi isto mas foi neste tom. Achei um piadão e fiquei bem disposta pois de facto encher a boca com um fuck you é tudo o que uma criatura como eu precisa para aliviar a tensão, perdoem-me os que me imaginam pessoa que nunca diz palavrões, não estrebucha nem perde as estribeiras. Mas mais vale um engano na vida que andarem toda a vida enganados.
Uns tempos depois esta pessoa saiu do meu caminho duma forma estranha e tão silenciosa que ainda hoje penso nela como os que pensam e esperam o Dom Sebastião.
Nunca mais ouvi esta música até porque se o fizesse vingava-me e com todo o prazer teria articulado um Fuck You a essa mesma pessoa que tão gentilmente me oferecera a música para que eu aliviasse o stress tido numa circunstância adversa e da qual tivera conhecimento por eu lhe confidenciar esse estado de alma. 
Um dia mais tarde, meses, fui a França com a minha filha. Visitar o meu filho que estava a fazer uma formação na área da dança aliada à imagem, num centro coreográfico, no sul. Aproveitámos e rumámos a Paris de TGV, única vez que andei nessa coisa e que me custou os olhos da cara. 100 euros uma ida de Montpellier a Paris. Mas acabei por ter o bónus de viajar no meio da neve, daquelas paisagens de parecer que estava nos postais de Natal que em Luanda recebia aquando da época natalícia e valeu o gosto para o desgosto de ficar sem cem euritos, isto em 2009 salvo erro, se fosse agora não os tinha, lolol!
Já em Paris onde chegámos pela hora do almoço fomos que nem loucas visitar tudo o que era urgente visitar até à noite. No dia seguinte de manhã, saimos de novo sem pequeno almoço tomado. Parámos na Praça da República e numa pelintrice de meter nojo, mas fazer o quê? somos mesmo pelintras, entrámos no MC Donald's que existe ali na Praça e fomos tomar o pequeno almoço que até era razoável. Estava eu a dar uma trinca num bolo quando subitamente ouvi - Fuck You pela Lily Allen. E sorri! Sorri muito. Até às lágrimas. 
E, lembrei-me do albatroz de voos rasantes dos mares do sul. Do carro da tifa nas ruas de Luanda, do muro onde os meninos se sentavam a comer pão com doce de tomate enquanto outros kanucos jogavam à bola, quantas vezes de trapos e senti-me em liberdade. Como qualquer albatroz de que me ensinaram a gostar. Voando nos mares do sul em voos rasantes acompanhando os barcos no alto mar. Numa liberdade tão grande que mandei um Fuck You cheio de intenção.
Como posso eu ouvir esta canção e lembrar-me disto tudo enquanto tomo um pequeno almoço do mais pelintra que pode haver numa praça de Paris? Posso, sim. E mais que poder, guardei na memória, para sempre este momento. 
Há canções assim. Momentos deste jeito. Sentimentos para sempre. 

P.L. Onde quer que estejas nunca vou esquecer que me ensinaste a aliviar o meu stress com esta música, nunca vou esquecer que me apeteceu dirigir-te também esta canção meses mais tarde e ta dirigi, nem tão pouco esquecerei que me lembrei de ti numa praça de Paris e...simplesmente sorri. :)
Fuck You!


segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

intencionalmente sorridente


Sorrio sempre à vida. Se ela não me sorrir não é por falta de tentativa.
É, se calhar, porque não está para aí virada. Digo eu, sorridente, sem perder o sorriso mesmo que amarelo.

m.c.s.

divagando


Diz que a vida é dura para quem é mole.
E eu pergunto então - e o ditado que diz que água mole em pedra dura tanto bate até que 
fura, fica como? Vence quem? A vida que é dura ou o mole que consegue derrotar a dureza da 
vida?
Será que é como a do ovo e da galinha? Que ninguém sabe quem nasceu primeiro?
Eis a questão...

m.c.s.

Não é insulto, é recado



Para me, vos, situar, digo que já estamos no terceiro dia de Dezembro ( natal à porta, miséria à janela ) e é segunda-feira. 
Em Lisboa está um frio de rachar. O sol entra pela janela da sala. Parece um paradoxo, mas não, é mesmo assim. A Natureza dá-nos o que é natural. 
Estamos num Outono difícil sobretudo porque me parece que este ano, Deus que dá o frio 
conforme o agasalho, podia dar um jeitinho mais e forçar os comerciantes, ou o contrário, estes meterem a cunha a Deus para apressar o tempo e feirarem em saldos loucos para que os 
pobrezinhos que somos quase todos pudéssemos comprar uns casaquinhos, umas ceroulas, um 
gorro ou um cachecol em conta, para nos protegermos destes tempos agrestes. É aqui que penso que uma desgraça nunca vem só...
Acordo tarde. Curiosamente acordo depois das oito ( muito tarde, lolol ). Tarde, sim. Bués. 
Dado que em dois meses de boa vida ( há quem ache isso, há até quem ache que foi um estágio 
para a reforma) acordei sempre de madrugada e com uma dor no meu braço esquerdo que não me deixava usufruir da posição fetal de que tanto gosto, do calorzinho dos lençóis térmicos e 
do edredon de penas. Com muita pena minha. Bem sei que para os que lêem é assim mais ou 
menos um, penas que não se vêm não se sentem. Pois. Só mesmo quem está no convento é que 
sabe o que lá vai dentro. E eu nesta situação meio trágica de estar um pouco incapacitada em modo de braço ao peito, o meu rico bracinho esquerdo que no caso é o direito, por ser canhota, tenho a consciência que ajoelhei, espalhei-me ao comprido e tive de rezar uns quantos pais- nossos, vossos, deles, tortos, umas quantas avé-marias e muita paciência de jó para não me sentir a mais infeliz das criaturas ao cimo da terra. Desta terra que me acolhe mas não é minha. É deles. Nunca comprei nenhum pedaço ou lote e se o tivesse comprado não me aguentava à bronca com tanto imposto. É deles sim. Deste país que está de pantanas mas sorridente, que diz que somos ( ? ) um povo alegre e hospitaleiro.
Sorrio para a minha imagem. Já que faço parte desse povo meio pateta-alegre. Só para confirmar. A minha figura desgrenhada no corte de cabelo que fiz há uns dias, aparece-me ridiculamente cómica. Para não parecer trágica. Como o país que temos. 
E dou comigo a falar para o espelho:
Maria clara, estás linda, estás! Já te faltou mais para seres aquilo que toda a vida temeste. Uma velha pataroca,desgrenhada e pobre. Indigente. E até doente.
Acordei com uma dor nas costas que me impede de andar com normalidade. Sei que pode passar ao longo do dia. São os músculos, é da hérnia, do frio, do sedentarismo, sei lá bem eu! Nesta coisa de ser polícia de mim própria, verdadeira militante, não confundir com narcisista, conheço cada pedaço de mim como ninguém e já senti isto tantas vezes que sei que um ou mais voltaren, relmus ou outro qualquer, adia a questão ( somos pródigos nisso ) ou resolve-a. Quando não a resolve, uma corridinha ( com os pés bem assentes no chão ) ao senhor doutor e o assunto fica resolvido em três tempos com uns tostões na farmácia que também precisam de ganhar o seu pão de cada dia, umas injecções dadas pela senhora enfermeira que anda à lamira de mais uns euros nos bolsos, que isto está mesmo mau, ainda há quem não acredite e se ria por cima da carne seca, mas que um dia destes estamos a comer o pão que o diabo amassou, ah isso estamos. Já vi menos jeitos. Esse pão amassado pelo diabo, rijo que nem cornos, capaz de ser atirado aos ditos dos que nos puseram neste estado. E será uma verdadeira foguetagem esse tiro ao alvo de pão rijo que nem cornos pois os responsáveis são mais que as mães. 
Sento-me no sofá para aliviar as dores nas cruzes e este stress de segunda-feira, vésperas da minha rentré no mercado do trabalho ( ai jesus que lá vou eu ) e ligo a televisão. 
Eh pá, se queria aliviar-me escolhi mal. É que não há canal nenhum de notícias que não fale mais do mesmo. E o mesmo é duma sacanagem tão grande que antes que me dê o tangolamango, mudo de canal. Mas como não sou de modas, destilo o meu veneno porque preciso purificar-me. 
E como uma velha desgrenhada, pobre, doente e pataroca ao ver uma certa criatura arrogante ( rato matreiro ) que ostenta sempre o mesmo sorrisinho cínico naqueles lábios finos de pessoa mesquinha que nos tem atormentado a vida e provocado uma azia ( ele é que come o queijo e nós é que aziamos ) e uns nervos que nos há-de mandar para o beiral ou para o jardim das tabletas, falo alto. E falo sozinha.
Dona Pitanga olha para mim incrédula mas não recuo.
Falo alto, repito. Falo sozinha e descarrego o meu mau feitio, as minhas frustrações e impotência na minha rica televisão, na esperança louca que lá na terra longe onde a criatura foi botar charme, me oiça. E desmonte a personagem. Não desmonta. Nem há milagre que o faça. 
Tão pouco há uma ratoeira que o apanhe. Os apanhe...
- Vai à tuge, meu! Que já não te posso ouvir. 
E mudo de canal muito mais aliviada



quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Цекало и Puttin` отожгли на Воробьевых горах

o fim do mundo! Meeeeedo...


Há uns meses atrás, recebi de presente, um jantar no Alfama-te a 10, jantar esse que se realiza às quintas-feiras, assim haja inscrições. Tem a particularidade de serem dez desconhecidos que se juntam à mesma mesa para umas horas de interessantes descobertas, de sã confraternização e até de futuras amizades. Acontece sempre em Alfama, em páteos ou dentro de casa de residentes que cozinham para o efeito prestando um serviço ao Alfama-te, organização de que faz parte uma pessoa muito muito chegada a mim há trinta anos e mais nove meses, num chega-te para cá que até pareço um canguru carregando a pessoinha na bolsa marsupial com muito cuidado, amor e protecção. Foi ela que me ofereceu de presente de Natal uma entrada  (que pagou ) no dito jantar.
O Alfama-te é um projecto giríssimo que só pessoas social e politicamente livres, altruístas e generosas podem levá-lo para a frente. Desde que  Joana, o Fred e a Ângela se afincaram nele, passaram a dinamizar o bairro e a acrescentar materialmente, algo, a umas quantas pessoas e  famílias do dito bairro que não é senão, Alfama. 
Os jovens que gostam do conceito divertem-se dançando, comendo, bebendo e convivendo duma forma mais  saudável, formando já uma família pois que ficam a conhecer-se e comparecem a todas ou quase todas as festas. Festas essas que costumam ser temáticas. 
Desta feita, em meados de Dezembro e antes do dia 21 a festa terá como tema O Fim do Mundo. Irão assim comemorar o fim do mundo que são as festas do Alfama-te todas as pessoas que compareçam fazendo-se acompanhar de um qualquer género alimentício cozinhado ( enlatados por exemplo ) que em vésperas de Natal serão distribuidos pelos sem abrigo do bairro e de Lisboa.
Mas voltando aos jantares do Alfama-te que se chamam Alfama-te a 10 e ao meu jantar oferecido no Natal, digo que foi com curiosidade e alguma desconfiança que me fiz presente. Apenas conhecia os três organizadores que são jovens e o tal jantar era de gente com mais de 50 anos, excepção aberta naquele dia pois que costumam ser jantares para todas as idades subentendendo-se que não é alargado a crianças, claro. Também excepcionalmente foi num lugar de nome Tejo Bar que obviamente fica em Alfama e pertence à Mira, uma brasileira simpática e afável que nos recebe com beijinhos e um sorriso nos lábios e nos deixa completamente à vontade. Tão à vontade que  é normal ouvir-se cantar e tocar, dizer poesia, quando os clientes agarram num qualquer instrumento musical dos vários espalhados pelo bar  e tornam a noite ali dentro num espaço de arte e harmonia.
O " meu " jantar iniciou-se com algumas palavras de cada um dos participantes no intuito de nos identificarmos, seguido de algumas respostas dadas aos organizadores para que o ambiente desanuviasse e se tornasse mais agradável quebrando-se o gelo e algumas inibições. 
Fui então surpreendida por uma pergunta que não me foi feita apenas a mim mas a todos quantos estavam à mesa.
- Se hoje acabasse o mundo o que farias?
Ouvi as várias respostas. Não temia que a minha resposta pertencesse a qualquer outro. Esperei pela minha vez para responder sem hesitação.
Será que adivinham, vocês que me lêm? Vocês que são família? Vocês que são amigos?
Arrisquem, vá lá...
Pois. Então não sabem?
À pergunta, respondi que precisava de sete horas. O meu fim do mundo era ( quase ) no fim do mundo, por isso precisava de sete horas.
Para quê? Perguntaram. Perguntam vocês. Se perguntam é porque não adivinham.
Ok. Não posso exigir muito de amigos virtuais. Mas há os que são mais que virtuais daí a minha insistência.
Não vou bater mais no ceguinho, até porque aposto que há quem já saiba, cumprindo o ditado de que na terra de cegos, quem tem um olho é rei.
Pois então adivinhou. Sete horinhas de avião e eis-me chegada a Luanda para cumprir o meu destino. O fim, apesar de que odeio fins, sejam eles quais forem mas este é outra coisa, é um final feliz porque não fica ninguém para contar como foi que é como quem diz, finando-se tudo é uma alegria pois que não se ficam a rir uns dos outros. 
Chegada a Luanda acho ia pôr-me na Ilha a olhar a baía, as luzes a espelharem a água, a lua a prateá-la e assistiria ao fim do mundo no último acto de amor para comigo e para com a minha terra. Em festa...
Então? Quem sabia? Estava na cara de tão óbvio. Quem sabia, conhece-me. É meu amigo de verdade e por isso agradeço pois que não anda aqui aos papéis, a ver passar os comboios, os aviões, que é como quem diz, os meus textos, poemas, pensamentos, músicas e outras publicações.
Se eu acredito que o fim do mundo será dia 21 de Dezembro? Diz que sim, mas eu digo que não acredito. Acredito sim na festa temática " O fim do mundo " que o Alfama-te vai levar a cabo no mês de Dezembro em Alfama. E acredito também que será um fim de mundo como aliás todas as festas do Alfama-te. Por isso aconselho a que vão. Poderão comer,.beber e dançar ao som de música bem fixe  por DJ muito conceituado no meio. Ah, e não se esqueçam, uma lata de atum, de salsichas, um paté, uma lata de grão,de  feijão. Qualquer coisa na generosidade que sei que possuem. Os sem abrigo não deixarão de o ser, não será um fim de mundo se vocês não forem e nada levarem, não será o fim do mundo para eles, mas fazia a diferença.
Despeço-me por hoje com um até já. Não estou num fim de mundo nem tão pouco quero ir ao fim do mundo, a menos que valha a pena, mas tem dias que se o fim do mundo viesse a mim, ia adorar. Só para perceber como é. Só para exorcizar essa coisa de escrever, the end.


quarta-feira, 28 de novembro de 2012

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Para ti


Hoje o meu príncipe faz anos


Há 27 anos " abri-te as portas da vida " como tu numa redacção da escola primária o disseste a propósito de actos importantes tidos pela " mãe ", no caso, eu. 
Nunca mais se fecharam as portas da vida que te abri, graças a Deus. 
Sempre que encontras um obstáculo tentas contorná-lo e tens conseguido.
És um filho de oiro e um ser humano fantástico. 
És inteligente, sensível e muito dotado.
A tua arte te leva longe e te aproxima mais do divino. Te afasta de mim fisicamente, mas te aproxima espiritualmente.
Que mais posso desejar? Tentei dar-te asas. Consegui. E tu voaste.
Hoje, meu amor, desejo que nunca pares de voar. Nunca pares de sonhar.
Que a vida te seja leve e tu a enfrentes sempre como uma dança que és capaz de dançar.
Que a sua coreografia seja um movimento harmonioso, belo e alongado no tempo, num sem fim, para tu criares.
Parabéns, meu príncipe, pelos vinte e sete anos de vida que hoje completas.
Sou a mãe mais feliz do mundo por seres meu filho. A minha cria caçula.
És um privilégio que Deus me ofereceu e que eu agradeço todos os dias.
Amo-te para lá de todos os movimentos, de todas as peças, de todos os passos de dança, que o universo ainda não inventou.
Um abraço maior do que todas as eternidades que possam existir.

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Mãe




O olhar sereno, 
Cor de mel, doce
Sol morno e ameno
Raiando de luz
A voz sotaqueada a norte,
Aguda mas forte
Quando me chamavas
Ralhavas
E me desejavas sorte
As mãos aveludadas
De rainha,
Quantas vezes cansadas
Tocando-me a alma
E a pele de menina,
O colo de sempre
Sabor a ternura
Sono e chão
Paz e Candura
Ainda fazem bater suavemente
O meu coração
Ainda sinto o teu calor
Bem presente
Eternamente...
Minha mãe
Porque tu és Amor!


m.c.s. ( à memória da minha mãe que partiu há 24 anos e hoje faria 77 )

domingo, 25 de novembro de 2012

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

divagando

Só aquele que tem olfacto sentirá o perfume da rosa. 
Digo eu que tenho os sentidos apurados.


m.c.s.

domingo, 18 de novembro de 2012

outono em mim




Gélida a tarde deste desencanto
Que trago no olhar cansado
Baço 
Cinzento
Desmaiado
Fere-me esta chuva forte
Chorando a minha vontade de ficar-me para aqui
Indiferente
Sopra p' ra longe 
As folhas do outono triste 
Uiva o vento que arrasta sinais de amargura
E se junta ao temporal 
Numa estranha loucura
Leva os restos d' um verão 
Que ficou por viver
Desejos perdidos no seu fenecer
Jogados ao chão 
Não sei se quero este sentir
Não sei se ainda sei sorrir
Apago a careta rasgada
Pela soma das estéreis madrugadas
E pouco mais sinto que nada
Pouco mais sei sentir
São ténues os sinais do sol
e da sua alegria
Leve é o toque da sua acalmia
Gélida a tarde
O tempo e o futuro incerto
Que se agiganta 
Crescendo em mim
Se faz longe 
E fatalmente tão perto
Conformado este meu pranto
Gélida é a tarde do meu deserto
Do meu desencanto...

m.c.s.

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

parabéns mano Zé!


És meu irmão. E fazes anos hoje.
Passou tanto tempo desde que nasceste, mano Zé!
Tanta coisa, tanta estória e tão envolvidos na história das nossas vidas, da nossa família e da nossa terra!
Tanta gente nasceu depois que nos alegrou e tantos partiram que nos desgostaram e entristeceram. 
Tantas caminhadas que fizemos lado a lado. Tantos aniversários comemorados, Natais, alegrias. Tantos lutos...
Musicas ouvidas, sons da nossa saudade. Estórias percorridas em pormenores da nossa fraternidade. Viagens no sofá da sala para além mar; sorrisos, lágrimas, memórias... 
Ser irmão é isto. Partilhar o ventre materno e depois as nossas vidas, desde que existimos. 
Eu já existia quando nesceste e lembro como se fosse hoje o teu nascimento atribulado junto à noite. A mãe, o pai e a parteira, dona Apolónia, uma mulher da Vila Alice, voz de comando e decidida. Que tratava o pai e a mãe por tu e os punha em sentido.Estás a ver o pai em sentido às ordens duma mulher? Pois então!
Eu, no patim da casa ao colo do avô Carvalho. Chorando assustada com as movimentações no interior, repetia continuadamente : eu quero a mãe, eu quero a mãe. E o avô que devia estar numa pilha de nervos acalmava-me como só ele o sabia fazer. 
A noite descera à " cubata " como todos chamavam àquele casarão junto das mulembas do quintal livre e sem muros, onde o pai se iniciou como comerciante e onde a mãe e eu ficamos a viver, quando casaram. 
Dentro de casa alguma coisa corria mal, que o pai chorava. A porta do quarto não se abria e o avô estava enervado. A dona Apolónia gritava no corredor, esbracejando.
O teu nascimento foi comentado na rua, nos vizinhos, no largo. Nasceste com cinco quilos e tal e a parteira partiu o teu braço em três partes. 
Mesmo que não me lembrasse desta história que envolveu a tua chegada acidentada, foi drama contado ao longo dos anos, em que pai e mãe, avô, tio Augusto e pessoas mais chegadas lembravam como se fosse o próprio momento, numa intensidade que só quem ama consegue ter.
Hoje completas mais um ano de vida. Graças a Deus. 
Sei-te feliz e isso tranquiliza-me muito.
E sei que te olho com olhos de irmã mais velha que tem de ti um amor que podia dizer quase paternal.
É. Tens sido mais que irmão, o pai, que eu, que nós perdemos. Estás sempre lá, no lugar que eu preciso tantas vezes. Estás sempre lá, no lugar que a caçula precisa tantas vezes. Que o Paulo, a Ângela, o David, precisam. Estás sempre lá, meu irmão, no lugar que qualquer irmão, cunhado, sobrinho precisa. No lugar do amor, do altruísmo e da lealdade.
O meu muito obrigada por seres quem és e meu irmão.
Muito parabéns, sucessos e vida saudável. 
Tem um dia muito feliz.

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

divagando

Quando me viro de  frente para Sul, fico que nem Anjo.
Sem costas...

m.c.s.

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

pensando


Eu não deixei Angola, apenas parti. 
A minha alma ficou lá. 
Um dia faço a viagem de volta, para encontrar a minha placenta, a minha alma, o meu lugar.

m.c.s.

domingo, 11 de novembro de 2012

Parabéns Angola



Minha terra que bonita
Menina e tão gigante
Bravo povo em ti habita
Tens alma de diamante

Terra de tantas mães
Tantos amigos e irmãos
Hoje estás de parabéns
E todos damos as mãos

Minha terra abençoada
Minha voz na humildade
Quer dizer-te obrigada
E chamar-te de saudade

Ah minha terra querida
Meu sol, meu mar, meu chão
Hoje mais do que nunca
Moras no meu coração.

m.c.s. ( 11.11.2012 )





sábado, 10 de novembro de 2012

Parabéns Princesa


história das histórias


Gosto de contar estórias e histórias. E há-as. Às histórias e estórias. 
Esta é uma história que me aconteceu. A história! Que me mudou para sempre.
Verdadeira. Sublime e longa. Que desejo como não desejo mais nada, que persista para além do tempo e de mim, por muitos anos.
Daria a minha vida se pudesse, para que jamais se escrevesse nela, o fim.
Porquê? Porque esta história mudou a minha vida. 
Porquê? Porque esta história é a minha vida.
Porque é uma história de mulher. De mãe que deu vida ao mundo. 
Sim porque não há nada mais sagrado do que dar à luz. 
E hoje, há trinta anos eu pari um bebé de 4,200 quilos e 50 cms, moreno, cabeludo e chorão, na maternidade do hospital de Torres novas, às 00,40 horas.
Era véspera de São Martinho, que se comemora com bastante entusiasmo e tradição no Ribatejo, nomeadamente na Golegã, a 10 minutos de Torres Novas. Era véspera da data que prezo tanto com as datas mais importantes a assinalar na minha vida. Véspera da Independência da minha terra.
Eu era uma menina de 26 anos quando soube que estava grávida. Invadiu-me uma alegria sem fim. Uma curiosidade imensa de saber como seria o meu bebé que queria menina.
Com o decorrer dos meses tornei-me espaçosa, mais bonita e vaidosa com o barrigão que ostentava. Inchei, enjoei, sonhei, esperei.Nove meses. 
No tempo que inevitavelmente esperei, aprendi a fazer malha para fazer botinhas, casaquinhos, fatinhos, gorros, luvas.Li livros, revistas, publicações sobre pais e filhos, bebés e mães.Escolhi nomes, escolhi roupas, berço, porta bebé e cadeirinha. Banheira e cestinho com os produtos de higiene. 
Foi um tempo bom, de encantamento e beleza sentindo um pequenino ser desenvolver-se no meu ventre. Fui a grávida mais orgulhosa de todas as que conheci. Como se fosse a única grávida que algum dia existiu no mundo e todos os seus arredores.
Trabalhei até ao fim. 
Chegou a terça-feira. Dia de mercado semanal na então vila. A noite fôra inquieta e dolorosa. Faltavam três dias para o fim do tempo, nas contas da dr. Alzira Amaral, obstreta angolana a residir no Ribatejo.Passei a noite no sofá da sala tentando dormir sem incomodar quem dormia. 
De manhã tinha a certeza de que o meu bebé do qual não sabia ainda o género, apenas sabia que se fosse menina se chamaria Ângela, ia nascer breve. 
Assaltou-me um pânico profundo desse momento. Com um umbigo do tamanho do mundo achava que me finava no momento do nascimento. Sempre ouvira estórias tristes sobre este assunto. Eu certamente iria para a estatística aumentando o número.
Não me apetecia comer enjoadíssima que estava. Fui à mercearia de onde gastava e comprei uma torta Dan Cake de chocolate e foi o que comi ao longo do dia.À tarde resolvi ir à médica que dava consulta na Golegã, vila em festa com as comemorações do São Martinho. Após o toque foi-me dito que deveria ir ao hospital pois que estava por horas o nascimento do meu bebé.
Fiquei com o coração tão apertadinho que a partir dali só queria dormir. Mas o meu bebé tinha de nascer. Era inevitável. 
Foi mais ou menos rápido visto de fora e agora. Vista pela freira que tinha fama de ser do pior nas relações que tinha com as parturientes, coisa que não comprovei porque foi um amor comigo, voltei a casa pois ainda faltava uma horas. 
Voltei por volta das dez da noite julgando que não seria capaz de parir a minha cria. E eu que não sou invejosa, olhava as mães que dormiam repousadamente na enfermaria e queria estar nos seus lugares. 
À meia noite mais coisa menos coisa passei para a sala de partos. Apenas a parteira a ajudante e eu. E o meu bebé até áquele momento protegido por mim. 
Foi fácil e lindo o seu nascimento. Duas oo três vezes fazendo toda a força que conseguia, não na garganta como errada e inexperientemente julgava, mas no ventre e foi-me dito que estava a nascer. Depois o choro engasgado e ficou ao pendurão junto a mim. Uma menina. 
Que sensação boa foi ver o meu bebé pela primeira vez...
Senti-me a mais importante das mulheres. A mais abençoada.
Passaram trinta anos e continuo a sentir a mesma emoção.
Passaram trinta anos e a bebé deu lugar a uma mulher.
Inteligente, elegante, bonita, trabalhadora e amiga.
A minha filha querida.
Parabéns meu amor!

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

tomando o peso da vida

Já fiz tantos lutos, que sinto que carrego uma grande cruz às costas...da alma, que queria leve.

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

chove




Chove Outono
Impondo-se a estação
E chamando a saudade
De cacimbos por viver
Farpas no meu coração
Lembrando-me a cidade
Neste choro de não a ter

Chove Outono
Na queda da folha
Nua árvore 
Triste e fria
Vida despida
Chapéu aberto
Mar sem kianda
E eu..um deserto
Sem guarida
Nem céu
Nem alegria

Chove Outono
Na minha indiferença 
De ser diferente
Chove indiferente 
À minha vontade
À minha saudade
De me ser e ter 
Para além da verdade 
E do que a alma sente

Chove Outono
E o presente
E o meu lamento 
De me ver ausente
Chove Outono
Na terra antiga
Carreiro das minhas dores
Chove em mim
E no tempo a atravessar
Poiso de meus desamores
Que é urgente exorcisar
Chove Outono...

m.c.s.

E foi assim...


Então lá vai, o romance da Pitanga e do Jeremias chegou ao fim.
Bem sei que na maior parte das vezes, o fim é triste. Eu, ser humano, pensante e sensato, 
já senti na pele vários desenlaces, não fosse criatura com muitos anos de vida e de vivências que nem vale a pena delas falar, porque daria outra estória que não interessa nada para o caso. Ou interessa? A ver vamos.
Vamos então ao que importa, dado que tive seguidores atentos, na maioria amigas, que torceram por este romance e que prevendo futuro ambicioso, me viam avó feliz e orgulhosa de crias lindas de Pitanga e Jeremias.
Não. Isso não podia acontecer, simplesmente porque a Pitanga não iria viver nenhuma estória de amor para sempre e até que a morte os separasse em companhia das suas crias e como tal há que cortar o mal pela raiz que é como quem diz, pôr termo a esse flirt à janela e separado pela mesma, como nos tempos da maria cachucha. Não e por nada mas eu sou do tempo da maria cachucha.
Ora bem, porque uma estória tem de ter princípio, meio e fim, do princípio já vocês tinham conhecimento. Do meio, iam tendo através das fotos. O fim, inevitavelmente esperado, aconteceu ontem, quando me mudei para a minha casa do Olival, de armas e bagagens, para junto da minha própria cria que acabou de chegar a Portugal.
Imbambas arrumadas, Pitanga na gateira, o que levou um certo tempo e muita paciência das minhas crias para a enganarem; é que ela odeia viajar e odeia sobretudo ficar presa num espaço mínimo, desconfiando sempre que tal acontece e pondo-me a cabeça em água e a miar tanto quanto ela, aí vamos nós, sem que evitasse olhar a janela do namoro, sentindo-me a pior das criaturas, por isso e por não ver o Jeremias despedindo-se da sua amada, sentindo-me também, um estupor por estar a abandonar o espaço onde aquele romance felino se iniciou sem que tivesse remorsos.
Descidas as escadas, Pitanga na mão da minha cria mais nova, chegámos à rua. 
Nesse momento ouvi um barulho atrás de mim, vindo duma porta mais adiante. E eis senão quando, vejo o Jeremias empoleirado à porta, olhando-nos sem expressão. 
Conclusão: O Jeremias, como qualquer apaixonado que se preze, qual Romeu da estória, veio despedir-se da Pitanga, a sua Julieta, que abandonava o local do namoro tristíssima e revoltada, digo eu. Com a gateira, com as minhas crias e comigo e quiçá com a certeza de que o seu caso de amor chegara ao fim sem que tivesse sequer começado.
Eis um final que não foi feliz. Eis-me lá e aqui sentindo-me a amante da estória. Não fosse por minha causa e este caso de amor teria pernas para andar, assanhar-se em gatices fogosas criando raízes e muitos gatinhos gatinhando nas suas vidas.
Como me sinto? A própria da amante, uma qualquer gata assanhada, que interrompe um caso de amor que poderia ser eterno e feliz.
Ou não? Quem o saberá? 
Dizem que é o que tem de ser. Fico-me assim conformada. 
A ver vamos se a Pitanga e o Jeremias ficarão também. 

terça-feira, 6 de novembro de 2012

chegada



Há na noite que chegou
Boas vindas de alegria
E na espera que findou
Cheiro a maresia
Samba e fantasia 
Versos 
Passos de dança
Vénias
E gestos de criança
Lanço foguetes p'ró céu 
Desenho estrelas cadentes
Luas cheias d'amor
E o dia brilha de côr...
Há no meu respirar
Suspiros 
E bençãos de Deus
Sorrisos nos olhos meus
Nos olhos teus...
No momento de t'abraçar
E na paz recuperada
E no olhar que poiso em ti
No beijo e no abraço
Felicidade na chegada...
Há na noite que chegou
Boas-vindas de alegria
O mundo ficou melhor
Hoje és minha poesia


m.c.s.


domingo, 4 de novembro de 2012

Pitanga e Jeremias

foto tukayana.blogspot

pitangando

foto tukayana.blogspot

Linda que só ela


Pitangando

foto tukayana.blogspot