segunda-feira, 3 de setembro de 2012

férias


Estar de férias nem sempre é estar na praia, a passeio, viajando ou bem de saúde. 
Estar de férias por vezes resume-se a mudar de endereço. Deixar o local de trabalho e ficar em casa. Sem fazer nada. Ou apenas o estritamente necessário. É o caso. O meu caso. 
Se me estou a queixar? Claro que não. Já não me queixo. Porque já acho tudo muito normal. Já acho que viver é importante, o mais importante. Depois, tudo a gente leva, como dizem e muito bem os brasileiros. A gente vai levando conforme pode. Deixei de me angustiar por não fazer isto ou aquilo que idealizo. Tento fazer o que está ao meu alcance, procurando que o meu alcance vá sempre um pouco mais longe. 
Uma virose qualquer tomou conta de mim. Tentou vergar-me, moldar-me, enganar-me e prostar-me. Resisti. Só porque não gosto de ficar de cama doente. Rendida e submissa. À mercê de outros vírus, regaladinhos por me apanharem. 
Os ossos doendo, as articulações, as vísceras às voltas, enjoos, suores, arrepios, dores de cabeça, garganta e ouvido, espeturação, tosse forte, perda de voz, eis os sintomas. Mezinhas daqui, mezinhas dacoli, brufen, gotas, pastilhas, benurons, chás, mel, limão, enfim, a tentativa de que pudesse passar sem visitas forçadas ao homem da bata branca e eis-me aqui, fechada em casa desde que entrei no sábado ao fim do dia, vinda da outra banda, lá dos lados de Alcochete.
Mas isto não é inocente porque se inocente sou não é neste caso. Tem um propósito e a jogar a meu favor.
Embora não sôfrega de cada segundo, minuto, dia de férias, e para isso acho que contribui o facto de estar a um passo da reforma e no fundo o meu subconsciente que está sempre conversando com o eu mais presente e visível de mim e dos outros, já sabe que vou ter todo o tempo do mundo assim o queira o universo e tenha alguma sorte e por isso, férias já não foram este ano o que eram todo o resto de tempo que vivi para trás. 
Eu sei que mudei; já não sou a outra, aquela que vivia inquieta, medrosamente, ansiosa e angustiada. Também sei que as minhas escolhas, fruto de não ter outro remédio e também de não querer tudo o que me pôem à frente em bandeja, ou não, permite que goste de todas as minhas escolhas e as aproveite ao máximo, porque sou eu, só, a responsável por elas, sou eu, só, quem vai vivê-las. 
Provavelmente também por isso, este ano tudo é diferente. As férias foram e estão a ser diferentes. A crise disso tem alguma responsabilidade, não foi só a minha mudança. Se bem que a crise apenas me desviou d'outros destinos que poderia pagar até à mesma se instalar. 
Afinal, estou melhor de saúde. Valeu a pena ficar em casa e fazer tudo direitinho. 
Tenho saudades da Pitanga que desta vez não veio comigo e por isso vou embora amanhã. Aqui tudo está nos seus lugares. Trabalha-se. As minhas crias trabalham e eu não estou muito a fim de bater chinelo pelas ruas de Lisboa. Tive um convite para uns dias na praia, numa daquelas praias mais para aquelas bandas. E vou. Em Julho não fui, apesar do convite para essa altura. Mas agora vou. 
Estar de férias pode ser, deve ser, feita de escolhas que nos convêm e ou nos fazem felizes. 
Acho que nunca estive tão de bem com a vida como agora. Tenho até um certo prazer ao pensar que nada como lucidez, para nos abrir caminhos e nos deixar permanecer neles da melhor maneira. Vivendo e agradecendo.   

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