domingo, 17 de junho de 2012

fim de semana


Tenho andado preguiçosa. Tenho andado indisposta. Deito-me mais cedo. Nem por isso durmo mais. 
Não tenho ido andar. Doi-me a cabeça. Acho tenho pensado demais...
Enquanto espero o ofício que me desligará do que fiz quase a vida toda, mais de metade da vida, impaciento-me com os dias. Está errado. Eu sei. E é uma luta inglória. Nunca a ganharei, obviamente. Quase me apetece falar de mim para mim e rir da minha cara. De vez em quando acordo e digo mesmo: Põe-te mansa maria clara. Já amargaste tanto, é uma questão de tempo, apenas, e de saber esperar. Os dias nem se dão conta da minha existência quanto mais da minha impaciência.  E esse papel, essa ordem, esse desvinculamento, pode demorar ainda muitos meses. Os pessimistas dizem que ainda verei Alcanena terminar. E terei de ir para Santarém. Os optimistas dizem que lá para Dezembro estarei livre. Livre. É a palavra correcta. 
Nunca pensei que chegaria assim, sem que doesse, este desejo de mudar. De me instalar, para além de tudo, numa escolha minha. Disseram-me, uma daquelas pessoas que não oiço durante anos, porque não está, porque nada diz, mas existe e eu sei, e de vez em quando diz, olha-me nos olhos e diz...que quando dei a novidade da reforma, bateu qualquer coisa e de repente, daaaaaah,  privamos  há muitos anos e ou estamos a ficar kotas. Foi mais uma pergunta que uma afirmação. E nem precisei de responder. Há gente que conheço de toda a vida, e sim, estamos a ficar kotas. Toda a vida pode significar, 40 anos, 50 anos, a minha idade. 
Sim, estamos a ficar kotas. Nem acredito que vou fazer 57 anos. Acho até que esta confusão que pela primeira vez na minha já kota existência, me dei conta, a trocar a idade e cheia de propriedade a dizer uma idade que não tenho é sintoma de que os anos a acumular me perturbam. Tenho dito muito, que,  aos 57 anos, porque tarda e porque deixa, e tal e coiso... e depois então bate ali qualquer coisa que me diz que mentalmente estou a preparar-me para assumir mais um ano de vida sem que doa. Este papão da velhice persegue-me. Não são as rugas. Tive sorte porque nem tenho muitas. Ainda não há no meu buço o código de barras que algumas mulheres carregam. Não são sequer as minhas limitações a que me vou adaptando. É o tempo. Esse sacana que me foge. Que não tenho para a frente. Não o ritmo que me impõe.  


Mas...hoje é domingo. Estou descansada. Depois de me deitar quase de manhã, depois duma festa bonita a que tive oportunidade de assistir e participar, depois de ser acordada por uma mensagem que me dizia o horário dum comboio para o Ribatejo. Depois de perceber que tenho a cabeça a estoirar mais uma vez, fica-me um fim de semana bom a dourar esta minha impaciência de segunda a sexta, em que não faltou um convite para o sushi na sexta à noite, acordar no sábado com trabalho, muito trabalho, horas na feitura de 150 rissóis para a tal festa de casamento em Alfama e organizado pelo Alfama-te, e finalmente a festa, com marcha nupcial e tudo mais a que tinham direito. Um fadista japonês que canta fado em Tóquio e que também o faz em Alfama, uma desgarrada entre o tal e o Vital, outro fadista que conheço e que é bem lisboeta, e pai do noivo da festa. Música, desde brasileira, homenagem à noiva que é brasileira, a música pimba, e a música dos anos 80, onde eles já vão, perdi-os de mim entretida que estava a brincar às mães pois que as minhas crias nasceram  nessa década, enfim, houve sempre música para todos os gostos e até para os convidados brincarem ao portuguezinho piroso e básico. O DJ que é uma criatura que conheço destas festas e amigo dos organizadores do Alfama-te a páginas tantas, quase no finzinho, bêbado que nem um cacho, enrolando a língua e mandando gafanhotos, dizia que a festa estava gira. Os miúdos são fantásticos. Esforçam-se demais e deviam relaxar. Para hobby era muito à séria. E ele, estava ali porque gostava muito e não pelo dinheiro, porque ganhava 3 mil como director duma seguradora e não precisava daquilo para nada. Já eu, que estava sóbria e não ganho 3 mil, bem preciso de fazer de vez em quando uns pastéis ou uns jantares.
Enfim, uma festa giríssima. Mais uma a juntar a outras a que tenho ido.
Mais um fim de semana...

2 comentários:

persiana fechada disse...

olá. desejo-lhe as melhoras. um bom descanso. vejo que foi um sábado e tanto. o que interessa é que sempre se diverte muito, ao contrátio de muitas pessoas que não sabem apreciar a vida. Em relação á idade, é uma mulher nova e sabe viver a vida, na companhia dos amigos. beijos e um abraço

Maria Clara disse...

Obrigada Nuno. Abraço. :)