segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Vivam os noivos

Como diria o mwangolê, está a sair um casamento búlgaro aqui ao lado. Paredes meias com as minhas.
De facto eu não sou cusca. Mesmo nada. 
Porquê? Porque fui apanhada de surpresa...com música ensurdecedora, muito acima dos decibéis aconselhados; ele eram trompetes, flautas e clarinetes. Como deve mandar a tradição.
Também uma fila descendo barulhantemente as escadas; convidados, e familiares ( conheço alguns ) vestidos a preceito e para o efeito. Eles de branco, fato completo, brilhante, de doer as vistas. Elas, de vestidos de noite, longos, rodados e cheios de folhos, como se vestiriam as damas nas festas antigas, com um toque de exagero piroso no brilho, mas pronto, cada um veste-se como quer e gosta...e pode. Saltos agulha e cabelos artisticamente penteados. Maquilhagem exagerada. Bonitas, espampanantes e alegrezinhas, a bem dizer.
Alguns dos convivas transportam para baixo, doces e bebidas e uma limusina branca na rua aguarda pela noiva que se fez esperar mais que a conta, dada a impaciência dos restantes, que esperavam na rua.
Fui surpreendida por um casamento mesmo ao lado de mim. Paredes meias. Mas gostei de ver a animação da festa que envolve este acto antes tão importante e para toda a vida e hoje banalizado e que já não é a carta fechada, mas sim, um e-mail, descarado e breve muitas vezes mandado por terceiros e acabando com a vidinha a dois. Felizmente que para alguns povos ainda é levado a sério e os convidados não se chegam a arrepender do dinheiro que gastam, do tempo que perdem nos retratos e da seca que é no mais das vezes.
A estes noivos desejo uma vida feliz. Como nada sei, não sei se serão meus vizinhos. Eles são mais que as mães por metro quadrado, por isso não me admirava que aqui ficassem a viver. Mãe, pai, nora, filho, bebé e a noiva já cá vivem. Há tempos apresentaram-se. Simpaticamente. A noiva desfaz-se em sorrisos quando me vê e já me abordou por causa do meu perfume. Cheira muito bem, senhora. Disse-me, ao mesmo tempo que me olhava de alto a baixo, sabe-se lá porquê. 
Enfim, já cá vivem tantos que mais um, dois ou três, o que é isso? Pormenores sem importância, para eles que saíram das suas terras para procurarem uma vida melhor por terras lusas. Dá vontade de rir, mas fazer mais o quê?
Vivam os noivos! Que casaram hoje. E são meus vizinhos. Será bom prenúncio? A ver vamos.

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