quinta-feira, 11 de agosto de 2011

descalce-se e entre

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No Festival dos Oceanos, o Iluminarium, no Rossio. Visite. Eu fi-lo e gostei.

tenham um bom dia!

Só venho aqui para contar um pequeno segredo.
Hoje não estou no melhor dos meus dias. E não sei porquê. Ou sei?
Sei lá...
Ontem dei comigo a pensar que daqui a 4 anos, tenho 60 anos. E não gostei. Não me venham com tretas de que o que conta é o espírito e só envelhecemos se o quisermos. Mentira. Envelhecemos sim. Muito. Eu que o diga. E digo porque nos últimos tempos, tenho olhado para o espelho, com olhos de ver tudo claramente visto. E não gosto do que vejo. Se isto não melhora, não sei o que faça. Não queria arrumar as botas e dizer: Pronto maria clara, sopas e descanso, que já deste o que tinhas a dar.
Jesus Maria, só de escrever isto até ganho brotoeja. Será que as pessoas se apercebem quando prescrevem? E será que têm uma converseta de pé da orelha com o seu eu, nas calmas, numa de muita conformação? Raios me parta se eu sou pessoa para deitar fora conversa com os eus mais enferrujados que me acompanham e que a cada dia querem dar um ar da sua desgraça!!!
Pois é. Não ando nada bem. Porque não bastava o mais mau, ainda tenho que lutar contra o meu espírito que nem sempre é jovem e me tenta pregar rasteiras a ver se caio. E eu não só caio, como me espalho ao comprido, como hoje. Há dias que vale mais ficar na cama e esquecer que o sol é amarelo, o dia azul, o mar existe, o sonho está à minha espera num banco qualquer e a minha terra ainda amanhece cacimbando tudo o que abraça. Há dias que até a Pitanga atrapalha...
Coitadinha da minha Pitanga! Anda como eu. Carregando os três éfes. Farta, feia e... esqueci do outro. Estão a ver a velhice o que é que faz? Bem, a minha consolação é que se esqueci pode não ser importante ou verdade.
Que tédio acordou hoje comigo!
Tenham um bom dia!

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

esperando VIII

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Tiê - Se enamora


desconforto

Subir o viaduto é obra. Logo pela manhã. Parece a direito mas não é. A meio começamos, quer dizer, começo eu, a soprar como se estivesse a vazar. E custa. Muito. Sobretudo se não se tem o hábito ou a precisão de galgar viaduto acima. Houve um tempo que eu subia o viaduto com uma perna às costas e não foi há muito tempo. Depois trocaram-me as voltas; passei a ir de autocarro e a volta foi outra e hoje não posso com uma gata pelo rabo.
Voltei a subir o viaduto. Pelas 8,30 e debaixo de um sol escaldante numa temperatura de 25 graus. Cheguei lá acima a precisar de um duche. Como é que logo pela manhã uma criatura que inevitavelmente, transpira, terá de ficar transpirada para o dia inteiro, pois que o emprego não nos oferece um chuveirinho para nos banharmos quando escorremos suor pelas costas abaixo? Isso é que era. Cada um tinha a sua toalhinha e quando houvesse necessidade, fariamos um intervalo para nos banharmos...era fixe e evitava os maus cheiros que por vezes nos atormentam, assim, daqueles cheiros que nos fazem lembrar refogado, que o meu nariz apurado detecta assim quando ainda venho lá longe e a minha vesícula rejeita que até se pôe a latir se eu tento desesperadamente ignorar. É que há corpinhos que precisam não só de banho mas não sei, também, de um desodorizantezito, uma gotas de água de colónia, nem que seja lavanda, serve, pois serve, e não pôem as minhas entranhas revoltadas e enjoadas comigo por não tomar medidas. Mas como é que eu posso dizer a uma criatura assim de ao pé da porta: Lave-se criatura de deus! Ou: E um desodorizante, não? Eu ofereço, não seja por isso...
Não posso, mas agora já percebo. Se essa criatura subir o viaduto todos os dias, não tiver tomado banho nem mudado de roupa, nem se tiver aconchegado com um cheiro que neutralize o outro, ah pois é, inevitável que cheirará a cebola, a coelho ou a qualquer outro cheiro daqueles que ninguém gosta.
Mas porque é que eu me sujeitei ao viaduto e suas consequências nefastas? Ora, porque é que havia de ser? Como está escrito que as minhas promessas não valem a ponta de um corno, pois sou como os cadastrados, reincidente, fraca, mulher de várias palavras, cada circunstância, uma, cada dia, outra, se meter comida então, já nem há palavras para descreverem a minha vergonhosa conduta, ora dizia eu que tal como está escrito que não vale a pena jurar e rejurar que é perda de tempo e de palavra, também é perda de autocarro apesar de tentar muito chegar a horas. Ora, mais uma vez, acordei às 7,47 e assim não deu. Ou tomava banho...ou tomava banho. E jamais conseguiria pôr-me ao fresco em 13 minutos. Liguei a quem de direito, que neste caso foi uma colega que até está de turno tal como eu, quer dizer, não estamos de turno, o tribunal é que está, nós estamos a ferro e fogo, mas vai dar no mesmo. Somos poucos e nesses poucochinhos há alguém que me pôde levar. Por isso a minha aventura. Por isso esperei à sombra duma tileira que a minha boleia chegasse. E enquanto esperava, sentia o desconforto do maldito suor a correr pelas costas abaixo. Logo hoje que me vesti de preto e branco. O que vale é que o automóvel da minha colega já vinha fresquinho e foi uma viagem em beleza até ao dito emprego, trabalho, tarrafal ou seja lá o que fôr. Ar condicionado tem e ventoinhas também. É que o dia hoje não está para brincadeiras. Ainda se eu pudesse estar deitada à sombra da mulembeira...

Thiago Pethit e Tiê - Essa Canção Francesa


esperando VII

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terça-feira, 9 de agosto de 2011

ontem e sempre

foto tukayana.blogspotHá na vida pessoas que nos dão a mão, o coração e a alma.
Há pessoas que tinham que existir na nossa vida para que ela valesse. Há pessoas que estiveram, estão e estarão.
Esta pessoa é uma delas. Não é minha seguidora do blog, lá no quadradinho. Não me bajula nem anda aos beijinhos e abraços. Não me vê nem me fala todos os dias. Não me chama Clara ou Clarinha, Clarita, Maria Clara, ou, das Dores, como outras. Nunca me chamou pelo nome. O máximo que me chamou foi Tache, que sabe-se lá porquê devia achar parecido com Clara. Quando queria miminhos, como colo ou que lhe desse de comer e outras coisas que fossem da sua conveniência, passava rapidamente de Tache a Tachinha. E um dia, furiosa e zangada comigo até me chamou Tachão, ( o que foi hilariante e guardado na memória para sempre ).
Ontem, num dia particularmente marcado em calendário, voltou a chamar-me Tachinha o que me comoveu. Sem qualquer intuito de levar vantagem. Ontem, convidou-me para jantar ( e fomos ) e ofereceu-me um presente. Ontem pegou-me ao colo.
Ontem foi mais irmã que as irmãs. Foi a minha mana de sangue e do coração. Eu que nunca a tratei por mana como ela me trata...
Obrigada Paulinha, minha caçula. Ontem foste Grande! Ganhaste!
Estamos juntas, minha irmã.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Tulipa Ruiz - Só Sei Dançar Com Você


predestinada? Ou não?

Hoje, segundo o destino, não devia estar vestida de vermelho. Ou devia?
Hoje, segundo o destino devia estar a curtir uma dor de corno que eu sei lá. Ou não devia?
Hoje, com destino ou não, gosto da cor do meu vestido. O meu coração está vermelho. Os meus sonhos são vermelhos. Substituo o ramo de rosas vermelhas por flores de acácia vermelha e sento-me num verão ansiado, esperando um fim de tarde vermelho alaranjado, numa esperança construída, num agradecimento ao universo que ajudou a que " hoje " eu me sinta tranquila e a caminho duma paz merecedora, já.
É libertador o sentimento que me invade hoje, de vermelho vestida...

muito giro, na minha modesta (? ) opinião

Pensava que este, era um filme de " gajas ", para " gajas ". Não me enganei. É um filme de gajas. Mas na sala estava uma meia dúzia deles, " gajos ". E tão divertidos quanto elas, nós.
Um bom filme para uma tarde de férias neste verão chalado que todos, uns mais que outros, é claro, estamos a passar. Vão ver. Eu fui e fartei-me de rir à conta desta história que se chama " A melhor despedida de solteira ".

tiê - perto e distante

Fantástico. Oiça e diga se não é...

domingo, 7 de agosto de 2011

esperando VI

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na beira-rio

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Lisboa, na beira-rio, num sábado nublado, chuvoso e a lembrar o clima tropical. Um passeio por aqui vale muito a pena. E beber um café, uma água, olhe, o que quiser, na esplanada panorâmica, é para lá de bom. Experimente.

curiosidades

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Vocês sabiam que as luzes da ponte 25 de Abril e também do Cristo Rei se apagam durante a noite? Eu não sabia.
À meia-noite ainda as luzes brancas estavam acesas, bem como o Cristo rei. Às 3 da manhã qual não foi o meu espanto quando de uma varanda virada para o Tejo, olhava em frente e o Cristo Rei tinha simplesmente sumido. Depois olhei para a ponte e esta apenas estava parcialmene iluminada com luzes vermelhas. Depois percebi que o cristo estava às escuras. Fica muito mais triste, a ponte e Almada, sem as luzes cintilando. Será que é para poupar?
Aqui está uma coisa, das muitas que existem, que eu não sabia e que constatei in loco. Que é como quem diz, de cusca que sou quando me apanho na tal varanda virada para o rio. Afinal não sou tão distraída assim...
E também queria uma varanda assim...
As coisas que eu descobria!!!

Tulipa Ruiz - Efêmera

Uma voz bonita, uma canção fantástica. Não conhecem? Agora ficarão a conhecer e se gostam de boa música, vão amar.
Um bom domingo para todos.

abordagem III, não estranha

Já tinha " aviado " dois, que é mesmo o termo que me ocorre. Deixei o professor de filosofia, que veio de Pampilhosa da Serra e que desde a minha entrada em torres novas me veio a cocar e cá para mim a filosofia queimou-lhe alguns fusíveis, deixei a mulher que é do Sobral, vive no Cartaxo, trabalha no mercado e precisava de 5 euros para regressar a casa, e porque a minha vida não é isto, desci as escadas para ir para o metro.
Ao fundo das escadas estava a mulher romena que está sempre por ali, mais nas escadas, mais junto ao café onde já lhe ofereci o pequeno almoço bem como o da sua filha. Não sei se me conhece. Vejo-a quase todos os sábados que venho para Lisboa e me desloco de metro para o destino. Acena-me com o borda d'água e quando não é este, são outros papéis que não me detenho a ver.
- Senhora, posso pedir-lhe uma coisa?
Eh pá, mais não, disse muito para mim. Basta, que eu não sou a segurança social. Que ironia esta!!! Uns são e os outros é que têm compaixão!!! respondi-lhe sem parar:
- Não pode, querida, não pode...e porque este sábado muito falei com os meus queridos botões que ficaram em torres novas, pois que a roupa que tinha vestida não os tinha, repeti para dentro:
- Não pode, não quero saber de mais pedidos, não pode não, porque se pede eu dou...
Não gosto que me falem ao coração. Sou sempre enganada. Ou quase sempre...

abordagem estranha II

Dirigi-me à caixa do multibanco. E após recolher as magras notas que tinha pedido, voltei-me para agarrar no saco e no computador. Uma mulher naquela idade que não sabemos quantos anos tem, mas os suficientes para sabermos que é bem mais velha que nós, ou se não é, está muito maltratada pela vida, diz-me:
- Minha senhora, minha senhora peço-lhe que me ajude. Por favor...não me abandone aqui...com as mãos postas e lágrimas nos olhos.
- Diga lá...
- Ó minha senhora nunca me vi nesta situação, que desgraça!!! a minha nora teve que vir para Lisboa de ambulância de urgência e eu acompanhei-a. Cá ficou. E eu julguei que os bombeiros me levariam de volta mas eles dizem que não podem transportar-me. Deixaram-me aqui e que voltasse de autocarro para o Cartaxo. Sabe eu sou de Sobral de Monte Agraço, mas estou a viver com a minha nora no Cartaxo, quer dizer, numa aldeia de lá. Vim sem dinheirinho nenhum, às pressas. Já uns senhores me deram dois euros. Dê-me só um eurinho por favor, se tiver.
Tive tempo para pensar que podia ser uma grande tanga. Tive tempo para lhe dizer que não tinha dinheiro e dar meia volta. E tive tempo para a ouvir. Procurei o meu porta-moedas preto com dizeres em suiço, que trouxe de lá como recuerdo e que me tem feito um jeitão, pois é lá que guardo tudo quanto é moeda, mas que me ia fazendo perder um avião para França só porque apitou e tive que procurar, ficar para o fim, mostrar, passar de novo etc, etc...aquela história do costume.
Sabia que tinha 15 euros em moedas. Sei que hoje para andar em Lisboa é preciso muita moedinha, que os preços dos transportes públicos já galoparam, assim num cavilhar, cavilhar, como a anedota do menino joãozinho, que nós é que estamos já cavilhadinhos. Pensei que um euro, dá-se a um arrumador, e nós sabemos exactamente para onde é que esse euro vai direitinho. Só damos com medo das represálias no belo do carrinho, mas damos. Então porque não? A história merece um euro. E abri o porta-moedas. E as moedas de um e dois euros a rirem-se para a mulher. Tirei uma moeda de um euro e outra de dois e pûs-lhas nas mãos.
- Ó minha senhora, Deus a proteja e guarde. Muito obrigada. Olhe, conhece o Cartaxo?
Oh se conheço!!! Ao longo de uma vida, ouvi falar do Cartaxo, de alguns dos seus habitantes, e fui conhecer uma rua e uma casa, assim num de propósito que tinha que ser, que " era a rua onde eu vivia " e tal e coiso " e a escola onde eu estudei, e os amigos que viviam aqui e a quinta para onde ia brincar e "...
Oh se conheço o Cartaxo!!! As pastelarias da rua principal e a churrasqueira duma família de Angola, ela uma senhora loira toda posta por ordem, muito simpática, ele um homem com ar pachorrento, de chinelos e calções, e o filho. O filho, aquele adolescente que numa aula de química, sobreviveu a uma explosão e que ficou queimado e deformado. E depois da mãe ter ido embora e das inúmeras operações, ali servia às mesas. E o quê que servia, para além de muitos pratos que qualquer restaurante oferece? Moamba de galinha com funge de bombô. Nessa época em que eu ia ali de propósito, ou parava a caminho de Lisboa, aos sábados, para comer, não conhecia mais nenhum restaurante onde se comesse moamba, senão em Almada, mas ficava fora de mão. A cozinheira era uma mestiça simpática, o garante de boa comida...
Oh se conheço o Cartaxo!!! Acho que há alguns anos que não vou a esse restaurante, mas de repente bateu uma saudade. E porque assim foi, olhei-a e pensei: que se lixe, se me estás a enganar ( acho que não estava )o universo se vai encarregar de ajustar essas contas, e perguntei:
- Quanto dinheiro lhe falta para o bilhete?
- Assim ficam a faltar 2 euros. Custa 7 euros.
- Tome lá o resto, escusa de andar a pedir a uns e outros. E dei-lhe mais 2 euros. - Ó minha senhora, obrigadinha, eu sou a Eugénia do Frutos Almeida do mercado do Cartaxo. Se fôr ao cartaxo e perguntar no mercado por mim, logo lhe dirão onde estou, vá lá que lhe pago este dinheirinho. Agora vou tomar o meu comprimido. Deus lhe dê muita saudinha...
Aconteceu assim. Não sei se fui enganada, agora não interessa nada, mas enquanto escrevia pensava que deveria ter ido com ela à bilheteira e solicitado o bilhete e logo ali via se era uma impostora. Mas...já lá vai. Pode ser que um dia passe no Cartaxo para comer uma moamba no restaurante o Ribatejano, salvo erro era esse o nome do dito e me lembre de perguntar pela senhora Eugénia do Sobral de Monte Agraço,( aquele lugar que já tem parque infantil )... e que vive com a nora e trabalha no frutos almeida, que eu até julgava que só existia em Lisboa, uma delas, na avenida de roma, e que tem uns pastéis de massa tenra de comer e chorar por mais...

abordagem estranha

- Desculpe...
Olhei. Um homem acabado de sair do autocarro em que também eu viajei à minha frente a olhar para mim.
- Faça favor...
- O que é que a senhora faz?
- O que é que eu faço, como?
- O seu trabalho...
- Porquê?
Quando não conheço, ou quero ganhar tempo para perceber, em vez de responder, encano a perna à rã com a sacramental pergunta que não quer dizer nada, porquê?
- Desculpe mas não me apresentei. Sou o Ernesto e viajei desde a Pampilhosa da Serra até Lisboa. E reparei que entrou em Torres Novas. Fui lá professor...de filosofia, ( sorrindo nostálgico ) e observei-a. Vinha do lado oposto ao seu. Um pouco mais atrás. Por acaso não é professora?
- Não, não sou.
- Faz esta viagem com frequência?
(Querem lá ver a criatura que se está a esticar...penso eu para com os meus botões ali bem no meio do terminal de Sete Rios )
- S
im. Semanalmente.
- E não se aborrece, pelo que observei. Trouxe o computador. Um livro...
E porque o telemóvel tocou disse para fim de conversa, e os fones, e um caderno, e uma máquina fotográfica, o suficiente para me distrair...e desculpe que tenho que atender o telemóvel...
- Foi um prazer mas ainda não me disse o que é que faz...
- Sou oficial de justiça.
- Olhe que não parece, não parece não senhor.
- Bom dia, respondi e atendi o telefone.
Estou aqui em Sete Rios, disse já para quem me ligara. A criatura entretanto, acenara-me com a mão, curvava a cabeça num cumprimento mudo, e iniciara o caminho para a estação de comboios e metros.
Deixei-me estar a falar e em seguida fui levantar dinheiro. Sem que antes interrogasse os meus botões, pois que afinal, tenho cara de fazer o quê?! já que não pareço oficial de justiça.
Estava com cara de tacho era o que era, perante aquela estranha abordagem, mas não fiquei por aqui, porque há manhãs que nos contemplam com o insólito.

sábado, 6 de agosto de 2011

os girassóis

Afinal, os girassóis também murcham!

Aos sábados o autocarro passa pelo campo de girassóis, do Carregado, a caminho de Lisboa.
Gosto de viajar na direita do barco, do avião, do automóvel, do autocarro.
Não consegui ainda recolher a imagem de luz desses girassóis lindos que aparecem de repente na paisagem da lezíria. A máquina ou não tem cartão ou não tem pilhas. Se vou a acompanhar o rio que desce a caminho da foz, do lado esquerdo, os girassóis ficam entre os passageiros e opto por deixar para um dia...
Um dia destes os girassóis não me escapam, no seu olhar risonho e viçoso para o sol que brilha no alto de um verão inseguro. E pensando assim faço muitas viagens do lado oposto, acompanhando o rio veloz, como o meu pensamento, qual jangada florida e prenhe de girassóis, descendo alegremente até ao mar.
Hoje, porém, ocupei o lugar certo para os girassóis. Mas as nuvens taparam o sol, da cor dos girassóis, do campo do Carregado. E o campo de girassóis voltou-se de costas para o sol e para mim. Afinal há uma grande tristeza quando o sol não está. E não é só minha.
Eu sabia que tinha algo em comum com aquele campo de girassóis.
Afinal os girassóis tambem murcham!
E ainda não foi desta, que os girassóis fizeram pose para a minha fotografia
.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Maria Gadú e Caetano Veloso - Nosso Estranho Amor

esperando V

foto tukayana.blogspot
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Hoje...
Entardecendo à minha janela. Na cidade do Almonda.

estou que nem posso

Ninguém, com uma pedreira na vesícula, deve fazer tanta asneira.
Ninguém com algum juízo, come pizza, pão de alho e queijo, chocolate, frutos secos, enquanto o diabo esfrega os olhinhos, mentos de mentol ( a última tonteira ), sumos de manga, tostas de atum e queijo, arroz doce, profiteroles com 3 chocolates, bacalhau assado com batatas a murro, pimentos, pepino, tomate, ovos, coca-cola, presunto, queijos vários, patê, pasta de camarão e outros frutos do mar com natas, muitas natas, bolo de chocolate, tarte de Santiago ( com amêndoa, directamente da Galiza ), tudo numa semana.
E eu pergunto, uma sopinha não? Não.
Um arrozinho branco com um bife grelhado, não? Não.
Um peixinho cozido com legumes, não? Não.
Uma frutinha cozida, não? Não.
Um dia a líquidos, não? Não.
Stop para tanto disparate, não? Sim, sim, sim.
Uma dieta à séria, não? SIM!!!
Juro que me vou portar bem, até Trás-os-Montes...

Eu no melhor dos sorrisos ;)

aconteceu ontem

Quem vive sozinha com uma gata tem de viver diferente dos que vivem com cães, piriquitos, coelhos anões, tartarugas, peixinhos vermelhos, ratos e pessoas.
Se é melhor? Tem dias.
Ontem não foi dia. Quer dizer, andou para não ser...
Às seis e meia já estava em casa. Até às sete e meia foi um desfiar de idéias que me tomaram conta da vida como aquelas alcoviteiras que toda a gente tem pelo menos uma por perto e que magicam intrigas para levarem vantagem.
Negociar com o Criador é negociar com as cartas todas na mesa. Não vale batota. Ele sabe tudo. Conhece-nos por dentro e por fora. Vira-nos do avesso. Acaba-nos com as frescuras em três tempos. Por isso jogar com o Criador tem de ser jogo limpo.
Tenho por perto alguém profundamente crente que me diz nos momentos menos bons: Entrega nas mãos de Deus. A primeira vez que ouvi isto não foi há muitos anos. Achava que a minha entrega era demasiado grande para mãos tão pequenas. Que arrogância a minha! Depois, porque estas coisas requerem muita humildade, paciência, confiança e reflecção e porque quando a gente perde tudo, ou julga que perde tudo, é obrigada a agarrar na mão que nos é estendida, porque outras mãos, muitas, ficam nas encolhas, que pimenta no rabo dos outros para nós é cocó de bébé, aos poucos fui-me convencendo. Era pegar...ou pegar. À medida que relaxava e libertava os pensamentos e sentimentos que atrasam a nossa vida ( já estava a acreditar nisso ), a coisa fazia-se. Quando dei por isso, a minha vida já estava a correr sobre rodas.
A entrega estava feita. As mãos de Deus são gigantescas.
De vez em quando, entro num acordo. Aprendi na minha profissão que vale mais um mau acordo do que uma boa sentença. Quando a coisa fica incontrolável na minha cabeça, falo com Ele, de coração aberto e humildemente. Não me custa, embora ache sempre que os meus pedidos podem não ser levados em consideração perante a miséria do mundo. Mas eu confio no universo e não me tenho dado mal. Há uma coisa que eu sei fazer muito bem. Reconhecer quem me ajuda, ser grata e agradecer. É o que Lhe faço todos os dias. E Lhe olho de frente e Lhe sustento o olhar. Sem arrogância. Com honestidade, sabendo qual é o meu lugar.
Entrei em casa às 6,30. A Pitanga esfomeada. A casa enorme a gritar silêncios e o dia lá fora lindo. Bebi um copo de leite de soja, de chocolate. A Pitanga, invejosa, também quis. Pûs num pires, um golinho. Cheirou, olhou pra mim como que a chamar-me idiota e saltou para o chão.
Liguei o computador e a televisão.
Sem paciência, percorri alguns blogues que gosto. Li o que lá deixaram escrito, com pouca pachorra para decifrar enigmas, gargalhar com algumas imagens, ou sorrir patetamente com posts com os quais me identifico e me revejo. Ou comentar momentos diários de uma mãe, de uma mulher, ou de um umbigo maior que a minha falta de paciência. De seguida fui ao hotmail. Depois ao gmail e ao facebook. Nesse entretanto já eu me questionara mil e uma vezes sobre este estado de alma deprimente e pedira que Ele me surpreendesse com algo que quebrasse a minha inconformação para acabar o dia, acabando-me.
No hotmail tinha dois e-mails que me fizeram pensar coisas, ter vontade de falar com a pessoa que mos mandou, horas a fio, até de madrugada. Mas não posso. Fisicamente não posso.
Também alguém que me mandava mails com assiduidade, deixou de o fazer, vai-se lá saber porquê, e o vazio que o meu hotmail é, depois disso, acrescenta motivo para um fim de tarde daqueles onde não há lugar para abraços do tamanho do mundo. No facebook, é tudo igual. Poemas e mais poemas, alguns que não o são mas que pretendem ser, mas nunca serão, fotografias e mais fotografias, músicas e mais músicas, amigos e mais amigos, tantos e tão amigos que é mesmo brincar às amizades, porque afinal, entrei em casa às 6,30 e fiquei só. Com a Pitanga, que não tem facebook. Oh, se a Pitanga teclasse...aí está outra que seria interessantíssima no mundo virtual. Alguém que me é chegado, diz com muita sapiência que o facebook torna qualquer mortal muito mais interessante, com uma vida do mais deslumbrante e rico que há. Cair na real é cair no esquecimento. Há então que fazer apelos ao mundo virtual.
Não precisei de os fazer. Bastou ir a um grupo de amigos de angola e lá encontrei uns comentários a mim dirigidos que me fizeram pensar que eu ando de bem com Deus. A seguir alguém me entra em casa, através do chat pedindo que fosse ler um poema seu e lhe dissesse se poderia colocar num grupo a que ambas pertencemos ou se era muito triste. Falámos ao telefone porque lhe liguei para lhe dizer que achara o escrito fantástico e que o grupo merecia ler as suas palavras. Se eu estivesse no Olival, iamos jantar ao Mulemba, era certo e sabido. Mas em casa é que eu não jantei. Se o tivesse feito teria mexido uns ovos caseiros, do galinheiro da Lurdes, que mos deu a semana passada quando lá fui à quintarola e uma salada de tomate, alface e cebola que também trouxe de lá, regada com azeite que comprei e oregãos que a Manuela apanhou no campo e mos ofereceu. No fim comeria uma pera que é também da pereira do mano Zé.
Mas apesar de ter entrado às 6,30, e a minha casa estar horrivelmente vazia, que até a Pitanga a deve deitar pelos olhos, a minha caçula passado um pouco, ligou. Mana, onde estás? Vou sair cedo. - Estou em casa. E se ainda menstruasse diria que estou naqueles dias parvos de chorar por tudo e por nada, porque a voz da caçula, foi a gota d'água que depressa apareceu, feitas muitas, nos meus olhos já mortimhos por chorarem, que só a Pitanga viu, e que veio a correr para o meu colo fazer-me festas na cara, com a patinha felpuda e fofinha e encostar a cabeçinha dela no meu corpo como se percebesse o meu drama, fizesse parte dele e também ela estivesse naqueles dias. Um drama que durava não há mais de uma hora, mas que era, o drama.
E então, percebi que Ele, o Criador, o Universo, Alguém, alguma Energia boa, se apoderou do meu tempo, da minha vontade e da de pessoas que por vezes são como Anjos na nossa vida.
E tudo ficou nos seus lugares.

"Pensa bem" [C4 Pedro / Ary] [letra]

Elas, algumas deixaram de ser matumbas!!! Antes tarde que nunca.

esperando IV

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quinta-feira, 4 de agosto de 2011

advinhação





Todos os seres têm intuição? E essa, é um luxo? Incomoda? Atrapalha? É uma mais valia?
Eu sou muito intuitiva. Tenho até um amigo que me chama kimbanda. Outro, feiticeira. Mas este último é a querer flertar comigo e eu respondo que não prevejo boas abertas nos próximos séculos, fazendo jus à advinhação com que Deus Nosso Senhor me contemplou.
Uma coisa eu sei. Como que num pressentimento, como que num aviso, como que por acaso ou porque de facto é para ser assim, sei lá, é que raramente me surpreendo com acontecimentos à minha volta. Com as minhas pessoas, comigo. Não que não sou capaz de me surpreender, mas porque num momento qualquer, num minuto, num segundo ou no tal milésimo desse segundo, alguém se instalou na minha memória e deixou algo como que uma antevisão. Não estou a brincar convosco. Estou muito a sério. Para mim, todas as probabilidades existem, tudo é possível, e talvez seja por aí.
Houve porém na minha vida três acontecimentos desvastadores, sim, todos eles foram como que um terramoto que me subterrou e me deixou destruída, sendo que foi preciso muito tempo para juntar os cacos todos, todos não, fora os que se perderam pelo caminho, tal a surpresa e incredulidade. A morte do meu pai. Toda a gente via que ele estava a morrer, menos eu. O meu casamento, ninguém via que seria possível terminar, nem eu. O acidente do Paulo. Jamais intuí uma desgraça tão grande e que nos deixou tristes para sempre.
E isto tudo... porquê que estou aqui a escanqueirar ( esta palavra não existe mas eu gosto dela ) a minha vidinha? Primeiro porque não me importo e depois porque li algo sobre o presidente da câmara do burgo onde vivo, pessoa já anteriormente conhecida por muitos e por mim e quando muito timidamente apareceu com a proposta de um programa na rádio local, onde era director de programação e locutor nas horas vagas e algumas pouco vagas, alguém, em quem eu confiava mais do que em mim, vai-se lá saber porquê, preveni a criatura de que esta pessoinha ainda ia ser presidente da câmara do burgo.
Na batatinha! Anos mais tarde, alguns bons anos, as minhas palavras não cairam em saco roto. Há mais de 300 anos que lá está.
Há também em mim uma intuição forte, tão forte que se fez certeza de que um dia vou viver em Angola. E há algo de que tive sempre a certeza, assim como se tivessem escrito para mim, que tem mesmo de acontecer, e que parecia impossível, no entanto...hoje já acho que, essa leitura foi com as letras todas e pode acontecer, não vou dizer o que é, mas um dia quem sabe, revelarei. Quando acontecer.
Por fim acho que um dia me sairá o euromilhões. A sério. Acho mesmo. O sô Santos também achava e deu no que deu. Carrego portanto a intuição dele, mais a minha, que um dia a coisa dá-se. Acreditem, se isso acontecer eu...ia dizer que conto, mas como posso contar? Não posso. Posso sim que eu posso tudo, era o que mais faltava. Vocês saberão porque não gosto de segredos e ia ser muito difícil aguentar essa bomba na minha mão. Já basta o que basta!

esperando III

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Marcelo Camelo - Ô ô (novo CD "Toque dela")

jantar da quarta-feira



Eu e uma certa dama atiramo-nos a pão de alho e queijo e a uma bela pizza como esta. Depois, profiteroles.
É que hoje é quarta-feira. E há coisas que giram, giram e nunca mudam.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

arrumando a vaidade

Nos lares deste país, se calhar do mundo, instituiu-se que uma vez no ano, preferencialmente no verão, se fazem limpezas grandes. E lá andam as senhoras e as empregadas de espanador, aspirador, esfregona e pá, subindo e descendo escadotes e algumas até de pincel na mão, para a mudança da cor das suas paredes. De uma parede, como está na moda. Arrastam-se móveis, lavam-se paredes, cortinados, almofadas, edredons, limpam-se as pratas, abrilhantam-se as madeiras. É uma roda-viva que dá trabalho mas que realiza as donas de casa e enche de orgulho os seus maridos, pois que casaram bem, com senhoras prendadíssimas.
Como já perceberam, eu não entro nestes esquemas de maneira nenhuma. Vou limpando como posso, apetece e sou capaz. E cá me governo. Ninguém me apanha de trincha na mão e muito menos subindo escadotes.
Mas, organizar sapatos e carteiras, aqui está uma tarefa que me dá água pela barba. Tenho panca por calçado e sacos, para além dos perfumes. Mais do que por roupa. Houve um tempo que tinha uma carteira. Depois duas. Uma de verão e outra de inverno. Depois melhorei e passei a ter uma preta, outra castanha ou beje, e outra branca. Com os sapatos era igual. Uns pretos e um castanhos e umas sandálias para o verão. Mas se querem saber, era infeliz. Sonhava com a troca diária de sapatinhos, combinar malas com os ditos e trocar conforme a roupa. O meu namoro preferido era às montras das sapatarias e lojas de malas. Ah se me saisse o totobola! Ah se me saisse o totoloto! E não saíu.
Hoje, não mudo de mala nem de sapatos diariamente e podia. Chego a andar com o mesmo saco uma semana só para não despejar a tralha que lá tenho dentro.
Chegou também para mim, a altura da limpeza das malas e sapatos. Estes organizei-os por caixas no início da primavera. Quanto às malas é mais complicado. Não tenho lugar para tanta mala. E vou espalhando-as pela casa, pelas caixas que se escondem debaixo das camas. Penduradas aqui e acoli.
Se gasto muito dinheiro? Não! Mas não gasto mesmo. Tenho fama que adoro malas não é? E então oferecem-me. Só neste aniversário, recebi duas. No Natal, outras duas, assim no espaço de 8 meses, adquiri 4 malas e não paguei nenhuma. E pelo meio, comprei nos saldos de inverno outra e agora nos de verão ainda outra. Só este anos 2011 já cá cantam 6 malas. Exagero? Ridículo? Eu sei, eu sei. Sinto-me até um pouco mal. Pareço uma nova-rica. Quem me dera. Nova, velha, rica era o que me interessava, mas não. Não gasto mais do que 30, 40 euros numa mala e eee...evito comprar malas com certas pessoas por perto que me dizem: está mesmo a fazer-te falta mais uma malinha...ou ainda outra, quantas malas tens? e eu não sei responder. Eu sei lá! Só sei que é imoral. Uma escandaleira. Elas são de pele, de cabedal, de plástico, de pano, de ganga, de camurça, pretas, brancas, bejes, azuis, castanhas, cinzentas, vermelhas, amarelas, tigresas, prateadas, douradas, laranjas, grenás, às flores, às riscas, com letras, lisas, de duas cores, alças de correntes, de osso, de madeira, de traçar, pochetes, sacos enormes, malões, carteiras de duas alças, quadradas, retangulares, abauladas, muitas, muitas, muitas.
Quando a caçula estava na Alemanha a viver comprava-me às meias dúzias e mandava e trazia e eu adorava. Ainda hoje mas dá. As crias também e algumas amigas idem.
E agora, não sei o que fazer a tanta mala que fui adquirindo ao longo dos anos e que mais de metade não uso. Até me esqueço que as tenho. A mala mais antiga que possuo tem 30 anos e a mais recente tem menos de 15 dias.
De forma que ando em arrumações mas não consigo arrumar nada.
Quem me ajuda? Eu dou malas a quem as quiser. Já tenho dado muitas. Novas. Há pouco tempo alguém me ofereceu uma que foi direitinha para as mãos de outro alguém que não tem dinheiro para o essencial quanto mais para malas. Na verdade, não gostei dela mas quem com ela ficou adorou. E estamos nisto. Sou uma ilha rodeada de malas por todo o lado.

aconteceu


- Quero renovar a carta de caçador.
- O bilhete de identidade?
- Carta de cidadão.
- Então e há muitos coelhos?
- Jesus, carago, se há. O mato está cheio deles. Mas eu não gosto de coelhos.
- Ai é?
- Ganhei nojo deles. Estão cheios de moléstia. Essa malta, come tudo. Eu não. Antes quero pardais de trigo. São do melhor, para o petisco.
- Pardais? - completamente incrédula.
- Pardais sim. Lá do meu quintal. Tenho lá uma rede. Apanho aos duzentos. É cá um petisco!
O estômago, sensível, embrulhou-se-me todo, recordando Carlos do Carmo, parecem bandos de pardais à solta, os putos, os putos... e imagino já 200 putos apanhados numa rede para serem fritos.
Já pouca carne como, coelho, nem manso nem bravo, nem a saber a carqueja, nem a saber a farinha, aves pequeninas, nunca.
- Há quem dê carqueja aos coelhos de casa para saberem a coelho bravo. Eu não gosto. Dou-os todos.
- Então mas se não gosta, porque é que os caça?
- Por causa dos tordos. E para me distrair e dar uns tirinhos. Olhe, andei há tempos a trabalhar numa obra do cemitério e havia lá muitos pardais de trigo, verdilhões e pintassilgos. Com uma luz e um bocado de enxofre, íamos lá à noite. Era só apanhá-los.
No cemitério, à noite. Sinistro.
Devo ter feito uma careta tão enojada que o homem riu-se e disse a seguir:
- Já de enguias, também não gosto delas. Parecem cobras.
- Também é pescador?
- Sou, faço tudo para estar entretido. Vou muito para o Tejo. Ali para a ponte da Chamusca, para a Barquinha, Castelo do Bode e também vou para o mar.
E lá foi a rir-se divertidíssimo com a minha repugnância e espanto por tão violenta forma de se divertir.

desejo

- Havia de ser já noite escura.
-Para quê?
- Para estar em casa.

São 8,17 horas. Acabo de entrar no autocarro. Perplexa, olhei para trás. A Rosa e a senhora do Entroncamento que tem um filho no algarve e o marido na Escócia. Para ela o dia devia passar a noite escura e ser para já. O que quer ela afinal? Suspender a vida, ou estar no casulo? Esquecida,ou esquecendo?
Fui sentar-me no lugar vago, junto à porta, onde posso tocar à campainha sem que me levante. Perturbador este estado de alma. Negro, diria. Reflectindo, fui de pensamento em pensamento sem chegar a coisa nenhuma.
Que sei eu? Há dias assim. O marido na Escócia, o filho de férias no Algarve e ela em casa com o Tejo, o rafeiro que lhe apareceu no quintal ainda cachorro e nunca foi reclamado.
" Havia de ser já noite escura! Para estar em casa "...
Olho-me. À procura de cumplicidade. Não encontro nada senão uma manhã radiosa. Para respirar o dia todo. Não gosto de noites escuras. Só se levar comigo o sol para me iluminar a noite.
A senhora do Entroncamento, que tem o marido na Escócia, o filho no Algrave e o cão adoptado, saberá que se leva o sol para dentro de casa? Talvez saiba. Por isso o desejo. Os gatos são todos pardos, à noite. Mas ela tem um cão. Não se aplica a teoria de que não gosta de iguais. E é na diferença que está a diferença.
O dia está lindo.
Tenho tanto que fazer! Tanto para escrever, tanto para ouvir e dizer...
Agarro o dia. Como sempre. Quer dizer, tirando as 6ªs, os sábados e os domingos. Nesses dias, não agarro, tomo de assalto, trepo por ele acima, atiro-me de cabeça, obscenamente.
Havia de ser já noite escura? Para ir para casa? Não tenho um marido na Escócia, nem filho no algarve, nem um cão chamado Tejo. Se levo o sol para iluminar a minha noite?
Quando não há luar...

esperando II



foto tukayana.blogspot

Deixa Quieto "Gabriel o Pensador" Leon

não gosto de silêncio

Porque gosto eu de terras grandes? Avenidas barulhentas e muito trânsito? Pessoas passando? Carros businando? Acho que é porque parece não vai haver nunca um fim, no mundo.
Neste fim de mundo louco e desgovernado que é uma cidade que perdeu o silêncio e o tino.
Quem gosta do silêncio? Eu não. Não gosto de ouvir o silêncio batucando na minha cabeça, acelerando o meu coração numa taquicardia que aprendi a controlar mas que se o silêncio é de ouro até o metal parece gritar nos meus ouvidos que estou morta e o coração pula fora.
Na vida, vivi sempre em frente à vida. De frente para escolas. De frente para hotéis. De frente para igrejas. Para padarias. Bombas de gasolina. De frente para campos de jogos. Janelas abertas. Luzes acesas. De frente para avenidas. Ruas principais. Onde passam bombeiros, bêbados, malucos, polícias perseguindo ladrões, guarda-noturnos, carros de lixo, carros do fumo. Carros.
Quem gosta de uma casa quieta? Como se tivesse partido e não deixasse endereço?
Dou à chave. Porta-chaves barulhento. A Pitanga aparece apressada, pronta para afiar as unhas no tapete da entrada. Mia. Mando-a para dentro. Poiso a carteira na mesa da cozinha. Falo com ela. Porque comeu tudo. Porque não gostou da comida. Porque deitou uma caixa ao chão. Porque enrolou os tapetes. Puxo os estores. Abro a torneira da água fria. Corre a água. Ligo a máquina. Começa a lavar. Espirro e tusso de seguida. Vou à casa de banho, puxo o autocolismo. Cai a escova do cabelo. Tomo banho. Ligo o secador. Seco a cabeça. Toca o telefone. Dou uma gargalhada. Batem à porta. A vizinha ralha com o filho mais novo. No 2º direito tocam guitarra eléctrica. Alguém estende roupa. Corre a corda. Entro na sala. Ligo a ventoinha. E a televisão. Chamo a Pitanga. Ligo o skipe. Falo para longe.
Não gostaria de viver no silêncio.
E não sei viver numa terra agonizante. No meio do nada.
Gosto de tudo o que grita por vida. Para ficar com a certeza de que nada termina.
Será por isso que gosto de agitação, terras grandes, estradas barulhentas, pessoas apressadas? Não o sei. Mas sei que gosto. O que eu não gosto é de silêncio.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

homenageando Zeca

Passaram 82 anos do seu nascimento.

raízes

Bô?! Que mai fai?!
Tradução: Então?! Que mais faz?

Não. Não enlouquei. E estamos a falar de alguém português, que vive em Portugal e que ensinou muita criancinha, ( hoje doutores de curso tirado nos bancos da faculdade ), a escrever, a falar e a conjugar os verbos em português.
Quem é? Alguém de quem gosto muito. Chama-se Leonor. Filha da tia Margarida, irmã do sô Santos. Neta como eu, da avó Clara. Vive em Trás-os-Montes, na bonita cidade de Chaves. A última vez que fui vê-la a Chaves, tinha saído de um coma profundo, após um acidente violentíssimo. A minha família tem destinos escritos nas estradas mortíferas deste país. Mas já estivemos juntas depois, no funeral do tio Acácio, perto de Vila Flor, há cerca de 5 anos. A primeira vez que a vi? No dia 1 de Agosto de 1975. Acabada de chegar de Luanda. E foi amor para sempre. Já era um pouco. Desde a adolescência que escrevíamos cartas uma à outra. Eu nunca precisei de conhecer pessoas fisicamente, para as amar. Tretas? Tanga? História da carochinha? É porque não me conhecem. Apetece-me dizer que sou idiota a esse ponto. Mas não sou, não. Raramente me engano se invisto numa relação puramente virtual. Com a tia-avó Olívia foi assim, e quando finalmente a conheci, gostei tanto dela como se tivesse vivido junto de mim a vida toda. Afinal, o que me encanta mais nas pessoas? A voz. E não é voz bonita ( também ). Não me apetece estar com muitas explicações, até porque acho, e peço que me perdoem, que não me compreenderiam. É mesmo verdade que o que conta é o que a gente é e não o que a gente tem. E a voz, é. E as palavras, são. E a intenção, é. E o coração, é. E assim, neste ser abelhuda, travando conhecimento com uns e outros, a Leonor passou a ser a minha prima querida que só conhecia de fotografia. Mas conhecia os gostos, os sonhos, os amores e desamores, a letra, a Voz. A única coisinha que me animava ao chegar à Gouveia era saber que não me ia sentir tão só, na enorme solidão que era deixar Angola para trás. E foi perfeita a empatia que houve entre nós. Pessoas tão diferentes. Nessa época, ela estava de férias, porque tinha acabado o curso em Bragança, onde vivera, e depressa fomos as duas para Bragança, e bem, foi um intervalo na minha triste realidade, de tanta rambóia. Tinha muitos amigos como ela. E eu precisava de tudo o que me entusiasmasse. Divertimo-nos, muito. Divertimo-nos muito, mesmo depois de casar, com um angolano, e quando já tinha filhos ( 3 ) pequenos, e eu ia de férias para sua casa. Eu não imaginava que em Trás-os-montes, num fim do mundo onde judas teve sarampo e perdeu as botas, houvesse gente como a Leonor e os seus amigos. Quem vivia em Angola, julgava ( digo eu )que este portugal era um atraso de vida e as suas pessoas eram umas atrasadas e ignorantes. Como me senti ridícula e culpada por pensar assim!
De vez em quando e durante todos estes anos ( 36 ) temos falado ao telefone. E todos os anos me diz que vá para cima, nas férias. Restaurou a casa onde nasceu e passa nela, temporadas. " Olha que não ficas na aldeia encafuada. Vamos a Alfândega, ( Alfândega da Fé ), a Vila Flor, à Senhora da Assunção, vamos por aí... todos os dias saímos ", diz-me ela, para me convencer a ir. Como se uma vez decidida, a boa-vai-ela fosse mais importante que estar com ela, e sentir-me em casa, no sítio onde estão as minhas raízes.
Tenho pensado na Leonor nos últimos tempos. Ainda no domingo falei dela a propósito da Galiza, onde vai com muita frequência. E porque é um ser fascinante, que me faz falta e que gosta de mim. Mulher de tiradas inteligentes, ditados populares, emitações de sotaques, conhecimento perfeito do ridículo, amor à família, desprezo por etiquetas e regras, corajosa, forte que nem uma rocha, sentido de justiça profundo, convicções fortes, contadora de histórias fantásticas; pormenores de uma personalidade encantadora, que me encantam. É uma mulher inteligente, prática e bem humorada, e para ela, as coisas têm o valor que têm. Nem mais acima, nem mais abaixo.
Ontem, exactamente 36 anos passados, do dia em que a conheci, olho no olho, abraço com abraço, tocou o telemóvel. - Leonor - E atendi.
" Ao menos uma semana. E depois vais à tua vidinha. Agora ainda não estou lá, mas quando entrares de férias estarei. ". A princípio pensei que é muito longe para me meter em aventuras... Nem sei qual o melhor transporte até Alfândega. Depois pensei na Pitanga. A quem entrego a Pitanga?
Depois, senti o cheiro das estevas logo ao entrar à escola, a dobrar a curva, no início da aldeia. E as gargalhadas da Leonor.
Bô, que mai fai? E começou a crescer uma vontade. Como posso eu ter saudade de um mês vivido ali, no cú de Judas, chorando todos os dias enquanto ouvia Bonga em altos berros para silenciar os meus soluços, e a única estrada que queria percorrer era o caminho que me levasse dali para fora, para onde estivesse mais perto de Luanda?! São as raízes - disse-me a Leonor. Quanto mais velha fico melhor me sinto na aldeia. São as pedras. Os cheiros. As cores. - e eu ouvia-a e confirmava. Quem saiu do seu lugar, nunca a si mesmo regressa, diria Mia Couto.
Mas...e eu? Eu não pertenço aqui. Há dias que nem sei se pertenço a lugar algum. Crio raízes em qualquer kimbo que me abrace. Eu abraço os lugares onde tenho raízes e ainda assim, parto em viagem...
Fiquei com um sorriso palerma, daqueles que faço se me inicio num sonho bom, daqueles que dá uma preguiça doce.
Não quero perder o perfume das estevas. Não quero perder os pirilampos e os grilos. Nem as amoras silvestres na beira dos caminhos. Nem os figos lampos. Nem a ilusão de ver surgir os lobos que desciam ao povoado, famintos. Nem o pôr do sol nos montes que a minha vista alcança. Nem os rebanhos recolherem ao fim da tarde. Nem o queijo de cabra e ovelha. Nem o sino da capela que fica junto do cruzeiro, dando as horas. Nem a água fresca da fonte a caminho das Fontainhas. Nem o primeiro raio de sol da manhã. Nem os homens antigos tirando o chapéu à nossa passagem. Nem as histórias, que lhe foram passadas, muitas, dos nossos antepassados, e que encontram eco na minha memória subconsciente.
Não quero perder o reencontro com a Leonor no lugar onde nos pertencemos antes de nascermos, nos laços de sangue.
E vou. Um dia destes, eu vou.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Maria Gadu - Tudo Diferente (com letra)

esperando

foto tukayana.blogspot

começa agosto

Começa a semana. Começa Agosto.
Não é simpático, o oitavo mês do calendário. Nunca me perdi na procura de explicações. Não gosto do nome, e não é por rimar com desgosto. É que nem sendo o mês das férias me anima a boa-vontade.
Na cidade o dia amanheceu frio, cinzento e chuvoso. A cidade anda à procura de si e não se encontra. Partiu em busca de dias mais felizes. A crise não a impediu de bater com a porta e viajar para a beira-mar, para o aeroporto, ou para a serra.
São horas de bater com a minha porta também. Esqueci-me do relógio, presente do F....., que me deixou feliz e surpreendida. Não pelo presente, porque o F....., dá-me sempre presentes de aniversário que gosto muito, não é por aí. Há uns relógios que têm duas braceletes, uma com o relógio propriamente dito e a outra, com a função apenas de enfeitar o pulso. E o meu é desses. Mas esqueci-me dele e já bati com a porta. E são 8,03 horas. Apresso-me. Desço a rua e o rapaz que espera a carrinha do CRIT, não está. É uma das várias bússulas até chegar ao meu destino. Quando estou pertíssimo da E.P.P, passa o TUT. No caminho encontro o ex vizinho que agitado me cumprimenta em tom ameaçador - Olá vizinha, tá boa? e eu francamente apresso-me a responder-lhe não vá ele estar descompensado e atravessar a rua para me espetar algum sopapo. Às vezes o tom demasiado zangado, o ar demasiado agressivo faz-me imaginar um cenário de forte agressividade. Porém, dizem que é pacífico e eu afinal nem tenho razão de queixa. Conheço-o há muitos anos e assisti à sua degradação. Mas sempre foi correcto comigo.
Até chegar à garagem ainda me cruzo com mais quatro pessoas. Todos homens. A cidade hoje é mais masculina que sempre. O meu sapateiro, homem com ar rude, baixinho, e dentro de um fato de macaco azul, com o avental sujo de cola e graxa, levanta a mão, acenando-me. Bom dia senhora. E faz-me uma vénia tal que quase se some na sua pequenez. Junto à marisqueira está um anão que é já costume andar por ali. Ri-se e eu faço de conta que não percebo. Fico desconfortável no meu metro e setenta e três. Por muito que tente não ser preconceituosa...não sei lidar com anões. Deus que me perdoe e guarde, mas para quê mentir? Não sei o tamanho das suas almas e penso sempre que hão-de ser pessoas em permanente conflito interior. E gente assim é imprevisível. E eu vou na minha vidinha para o meu trabalhinho, a lutar com o tempo o que já me dá dor de cabeça que chega...
Evito voltar a ver as horas no telemóvel porque é uma perda de tempo, porque me julgo atrasada. Quando estou a chegar, vejo virem na minha direcção os dois sub-chefes da EPP. E percebo que afinal estou dentro da hora. Só quando assim é, me cruzo com eles, acabadinhos de sair do autocarro. Assim que entrei na garagem vi a trupe do costume à espera, mais alguns que de mochila se preparavam para rumar até à Nazaré. Hoje não é o melhor dia para irem a banhos de mar e sol. Mas que tenho eu a ver com isso?

Aproximo-me e cumprimento-os. A Rosa e o Júlio regressaram de férias. Este conta que no sábado foi à prova da ementa para o casamento da filha. Sete pratos. Quatro de carne e três de peixe. Que brutidade, apeteceu-me comentar, mas não. Tudo o que possam ouvir-me passará a ser contra mim e eu já tenho tanta gente desertinha ...tanta, tanta, não. Mas alguns que conto pelos dedos. O Júlio tem uma filha casadoira. Ainda há quem tenha filhas casadoiras, de papel passado, casa comprada, mobílias, enxoval, cerimónia religiosa, flor de laranjeira e grinalda, grande festa com muitos convidados e sete pratos. Quatro de carne e três de peixe.
Finalmente, o autocarro chega. O motorista já aprendeu que vou para alcanena e que preciso assinar o bilhete. Empresta-me a caneta. O meu lugar junto à porta está ocupado por dois veraneantes da Nazaré, que depositaram a geleira térmica no lugar das malas e se apressaram a entrar no autocarro para a escolha do lugar. Está certo. Eu faria o mesmo. É duro viajar num autocarro do século passado, por mais de uma hora, curvas e curvas e aldeias e mais aldeias e paragens e travagens e cheiros e música de rádios locais berrando aos nervos e resistência de cada um.
Agarro no caderno, procuro a caneta no fundo do saco novo que a Paula me ofereceu, encontro-a e começo a escrever este texto. À minha volta pode trovejar, chover a potes que depois de ter os fones, fico no meu mundo. Até chegar ao destino.

é só a amália?!

Gosto muito de você, leãozinho...

Não cuspas para o ar que te pode cair em cima, num rugido muito envergonhado. Como um Sonho. Ou será antes, um pesadelo?
Quem será o clube que se segue?
Nunca digas desta água não beberei.
Afinal só o Benfica é que era? Duma coisa tenho a certeza, a águia Vitória, ou Glória? foi pioneira nesta coisa do mundo animal.

de braço dado com o fim de semana

foto tukayana.blogspotEu tenho uma família linda.
Este fim de semana foi demais. Bom que eu sei lá!
Obrigada mano Zé, Lurdes, Paulo e Paula. Vocês foram o máximo. O passeio então...adorei!
Mano Zé e Lurdes, o bacalhau com batatas a murro de chorar por mais. O queijo delicioso. O melão da horta, jesus maria!!! A cerveja desceu-me às pernas e senti-a nas veias mas pronto, uma vez não são vezes; o passeio a pé resolveu essa limitação e até a banda a tocar lá para as bandas da paróquia de s. pedro, as modinhas antiquérrimas como eu, mais que eu, foi tolerada.
Caçula, a tua pasta com camarão, estava óptima. O bolo de chocolate um must e as framboesas para lá de boas. As entradas mesmo à medida, da nossa fome e vontade de comer. A camisola de oferta, na batatinha.
Paulo, a tua boa disposição, valeu, o teu sorriso divertido a cada coisa que me ouvias, reconhecendo a velha Clara com fama que vem de longe e que tu conhecias, foram beijos no meu coração.
Cria, minha princesa, que acabadinha de chegar de férias vieste a nós tão bem disposta... Conversadora, de histórias novas e bronzeada, descansada, linda que eu sei lá, como foi bom estarmos todos juntos neste ambiente familiar...
Andei de braço dado com o fim de semana. Em família.
Há fins de semana felizes. Este foi um deles.
Obrigada meus anjos.
Ah, escolhi esta foto, minha caçula, porque ninguém sabe que és tu. ( lol), mas um dia destes, à má-fila aqui postarei a da praia. Ela marca um fim de semana gostoso ( o outro, em Peniche ).
O cenário foi outro, as pessoas as mesmas. Em vez da princesa, o príncipe. Bem sei que não há bela sem senão, mas um dia destes, faremos uma festa de família em que não faltará ninguém.

da outra margem

fotos tukayana.blogspot.

O Arrepiado.



atravessando o rio

fotos tukayana.blogspot







A travessia de barco, Arrepiado/Tancos.

passeando pelo ribatejo

foto tukayana.blogspotO rio Tejo a caminho do mar...
O castelo de Almourol, situado numa ilha, na Praia do Ribatejo, Vila Nova da Barquinha.
A foto? Tirada por mim, do cais de Tancos civil, onde existe uma esplanada à beira rio.
O dia? Sábado passado.
As pessoas que me acompanhavam?
O mano Zé, a Lurdes, a caçula e o Paulo.
Visitem esta região bonita do Ribatejo. Quem conhece, poderá rever a paisagem maravilhosa que os campos e o rio nos oferecem. Quem não conhece, gostará certamente de conhecer. Desde Torres Novas até à Praia do Ribatejo poderão conhecer a Ladeira do Pinheiro, onde está a basílica da santa da Ladeira, esta já falecida, mas que eu conheci em vida e muito bem, por motivos profissionais; depois o Entroncamento, a cidade dos comboios, Vila Nova da Barquinha, à beira-rio, que tem uma margem lindíssima, e um restaurante onde servem comida indiana e angolana, muito procurada, Tancos, com um cais para se fazer a travessia para o Arrepiado, na outra margem, Constância vila poema, muito típica e bonita, onde se faz uma festa bonita com as ruas enfeitadas de flores de papel e uma procissão no rio, de barcos de pescadores, todos engalanados, e onde existe um restaurante maravilhoso, da Maria João e do Dâmaso, o Remédio d'Alma, Tancos militar, praticamente abandonado e perdido na sua história militar do passado onde até aviões ali aterravam, e por fim a Praia do Ribatejo, com os seus palacetes antigos, o comboio a passar na ponte férrea vindo da Covilhã, e o rio. Sempre o rio. Se atravessarem a ponte para a outra margem, poderão conhecer uma terra muito bonita de nome Arrepiado, depois aproveitem para comprar laranjas muito conhecidas e saborosas que se vendem à beira da estrada numa terra de nome Carregueira. Chegarão à ponte que vos fará passar para a vila da Golegã. Se seguirem em frente poderão conhecer a Chamusca, Alpiarça, Almeirim, Santarém e por aí adiante até Lisboa. Se passarem a ponte chegarão à Golegã, uma vila muito especial, de quintas, agricultores, rio e cavalos. De tascas onde se comem enguias e fataça, e do restaurante da d. são, o Central, onde poderão comer o bife à Central que é muito melhor que alguns bifes que por aí existem e que têm fama que vem de longe. Também há o Barrigas onde apanhamos uma barrigada de comida com entradas maravilhosas, pratos fantásticos e sobremesas de se perder o juízo, a um preço bastante razoável. Justo. E há ainda outros mas como ninguém me pagou, siga a marinha. Depressa chegamos a Riachos, uma vila de Torres Novas que me diz algo, pois que lá apanho o comboio muitas vezes, a caçula lá se encontra instalada e até Pedro Barroso, o cantor que se diz ribatejano de gema mas que nasceu em Lisboa, ali tem um estúdio e ali vive. Para além de que, no tempo em que era funcionária na cidade do Almonda, Riachos era a maior aldeia da comarca e por isso me dava muito trabalhinho. De Riachos até Torres Novas, distam apenas cerca de cinco quilómetros, pelo meio há um centro comercial, no lugar de Nicho de Riachos, já fazendo parte da cidade, e pronto, eu estou em casa, quem for passear, conhecer ou rever a região, e não viver aqui por perto, entra na auto-estrada e pode ir a caminho do caminho que escolher.
Por fim gostaria de dizer que o
Castelo de Almourol é lindo. Eu já fiz a travessia mais do que uma vez da margem para a ilha, uma pequena aventura, muito engraçada. Não é todos os dias que se vai a uma ilha que apenas tem um castelo e arvoredo. Por isso vale a pena. Venham então passear à beira-rio. Num Tejo com características um pouco diferentes daquele que chegará a Lisboa para ali desaguar. Um rio que apanha o Zêzere em Constância, esse que ali perto da Barragem de Castelo de Bode, pertíssimo também, poucos quilómetros, até teve durante alguns dias um crocodilo ( yá, adorei curtir essa de crocodilos do tejo; tuga é confiado, que só ele ) que foi notícia dos telejornais e que afinal não passou de um peixe gato, com bigodes e tudo, mas não o peixe gato dos filetes do supermercado, mas um super, hiper, peixe que pesava cerca de 200 quilos, disseram.
Ufa!!! Acabei. P'ró que me havia hoje de dar!!!