Os fantasmas não se amam.
Libertam-se...
m.c.s.
quarta-feira, 2 de setembro de 2015
terça-feira, 1 de setembro de 2015
ainda eu
Ainda brilho nas estrelas mortas
Na memória do firmamento
Ainda respiro,
Cinza e fumo, poeira
Partículas à deriva
Na arte que me ensinou, o pensamento
E viro páginas em branco, vazias
E escrevo a ouro e prata
E todos os metais do mundo
Diário do meu lamento
Marca, tatuagem, futuros
Na sombra, paredes, muros
Gritos, do meu eu mais profundo...
Ainda brilho nas estrelas mortas
Na explosão dos meus festins
Ainda ardo no fogo das horas
Ainda sonhos de carmim
E beijos, suspiros,
Salvas, foguetes
Clarões de luz,
Constelações
Mitologia, lira, canções...
Ainda a poesia
Ainda a fantasia
Entre um tempo morto e outro que nasceu
Ainda eu...
m.c.s.
Na memória do firmamento
Ainda respiro,
Cinza e fumo, poeira
Partículas à deriva
Na arte que me ensinou, o pensamento
E viro páginas em branco, vazias
E escrevo a ouro e prata
E todos os metais do mundo
Diário do meu lamento
Marca, tatuagem, futuros
Na sombra, paredes, muros
Gritos, do meu eu mais profundo...
Ainda brilho nas estrelas mortas
Na explosão dos meus festins
Ainda ardo no fogo das horas
Ainda sonhos de carmim
E beijos, suspiros,
Salvas, foguetes
Clarões de luz,
Constelações
Mitologia, lira, canções...
Ainda a poesia
Ainda a fantasia
Entre um tempo morto e outro que nasceu
Ainda eu...
m.c.s.
pedido
Não me peças os teus vazios.
Erros e mentiras.
Minhas entranhas.
Auroras inventadas.
Sonâmbulas.
Ideias esventradas
Vidas estranhas...
Não me peças pesadelos. Convertidos.
Pântanos transformados em rios.
Demónios, fantasmas e sentires
falsamente exorcizados...
Não me peças massagens, abraços e beijos no ego
nem silêncios e cumplicidades. Sorrisos cobardes.
Não me peças clichés. Vulgaridades...
Não me peças milagres.
O meu lugar (in)comum é o amor.
Onde sonho o mar e expulso a dor.
Onde me sento a amar
o que foste e hás-de ser em poemas de te dar.
Não me peças nada se não me vês.
Se não o sentes. Nem o és.
Não me peças gestos, palavras e castrações.
Não me peças silêncios às emoções.
O meu lugar (in)comum se chama alma.
Leve,
pura,
calma.
Não me peças ( mais ) nadas...
m.c.s.
Erros e mentiras.
Minhas entranhas.
Auroras inventadas.
Sonâmbulas.
Ideias esventradas
Vidas estranhas...
Não me peças pesadelos. Convertidos.
Pântanos transformados em rios.
Demónios, fantasmas e sentires
falsamente exorcizados...
Não me peças massagens, abraços e beijos no ego
nem silêncios e cumplicidades. Sorrisos cobardes.
Não me peças clichés. Vulgaridades...
Não me peças milagres.
O meu lugar (in)comum é o amor.
Onde sonho o mar e expulso a dor.
Onde me sento a amar
o que foste e hás-de ser em poemas de te dar.
Não me peças nada se não me vês.
Se não o sentes. Nem o és.
Não me peças gestos, palavras e castrações.
Não me peças silêncios às emoções.
O meu lugar (in)comum se chama alma.
Leve,
pura,
calma.
Não me peças ( mais ) nadas...
m.c.s.
ontem
Ela, a madrinha, chamou-me Clarita. Num carinho que sempre me enterneceu. A sua mais velha, Clarinha e as pombas, a do meio Clarance, como sempre me haviam tratado, num misto de ternura e troça; e a mais nova, a minha companheira de tantas brincadeiras, tantas confidências, tantas vidas vividas numa só, olhou-me doridamente e abraçou-me. Abraçámo-nos...
Os amigos, pessoas que se amam há uma vida inteira, que partilharam tanto bem querer não deviam encontrar-se para despedidas para sempre. Partidas eternas...
Mulheres da minha vida, elas são responsáveis por parte daquilo que sou. Aprendi e ganhei mundo com todas. Vivi-lhes dias lindos e longos. Noites estreladas. Regras.
Limites. Beleza. Descobertas. Sabedoria. Magia. Futuros.
E fui uma criança feliz junto delas. E uma adolescente abençoada. E tinha vinte anos quando me despedi entre lágrimas e acenos. Esperanças de voltar.
Passaram quarenta anos e nunca mais tínhamos conseguido estar as cinco juntas ao mesmo tempo. A espaços a mais velha, a mais nova e a madrinha. Também a do meio e a mais velha juntas. A mais nova sozinha. Foi preciso a morte tocar esta família para nos reunirmos.
Ontem, não fora ser tão dolorosa e cruel a partida de alguém e teria sido um dia muito feliz para mim. Acredito que para elas também.
Por umas horas voltei a casa. Às minhas pessoas. Ao lugar do amor que nunca morre. Ao lugar do afecto, do respeito e da verdade. Àquele lugar eterno tão precioso. O da
Amizade. Em dose quádrupla. E ouvi chamarem-me Clarita, Clarance, Clarinha e as Pombas e demos um abraço sofrido e maior do que o Mundo. Para lá de cinco céus.
Há uma ternura profunda quando se ouve - é a minha afilhada.
É a minha amiga de infância.
Há um carinho desmedido quando sabemos ser a afilhada, a amiga de infância.
Mas foi preciso a morte passar perto para celebrarmos a vida que já vivemos juntas e a riqueza que isso é.
A maldita roubou-nos a cena. Mas não nos roubou o amor que sentimos. Nem os laços que criàmos.
Não fora ela e ontem teria sido um dia de reencontros tão feliz...
m.c.s.
seres presentes
Há seres quase velhos, de tão sábios e anos acumulados. Que são meninos.
Têm uma varinha de condão e tocam almas. E fazem dos momentos tempos eternos.
E pincelam-te sorrisos no rosto. E ternura no olhar.
E beliscam-te os sentimentos.
E sem qualquer razão que não a de serem meninos, conquistam-te o coração.
Para afagos na alma. Na emoção.
Breves presentes.
Há seres quase quase, mas nunca amanhã...
Tal como os meninos, têm muito para dar.
E acreditam em bicos de pés, cordas, escadas, pontes e asas, para lá chegar. Mas não para envelhecer e parar.
Há seres que são meninos. Eternos. E levam-te à magia desse mundo de brincar. De sonhar...
Há seres que transportam o menino e moram na minha nobre verdade.
Na minha doce e triste saudade. Numa curva da memória.
No malmequer que desfolhei...
Na minha mais breve e louca história.
Mulher/ menina que também me sei. A escassos tempos.
Surreais momentos. De encantamento...
m.c.s.
m.c.s.
forma de dizer
Não sou poliglota
Nem dona de mil linguajares
Não sou artista, professora
Nem contorcionista
Ou doutora
Na arte de bem falar
Não me importo com o sotaque
Nem forma gramatical
Não me importo com a voz
Palavras de ocasião
Não me importo com os erros
Pago-os se os tiver que dar...
Não tenho língua materna
Nem outra de precisão
Minha língua é afiada
Pronta e bifurcada
Recorrente e sempre " à mão "
Minha língua é dialecto
Com que falo, coração..
m.c.s.
Nem dona de mil linguajares
Não sou artista, professora
Nem contorcionista
Ou doutora
Na arte de bem falar
Não me importo com o sotaque
Nem forma gramatical
Não me importo com a voz
Palavras de ocasião
Não me importo com os erros
Pago-os se os tiver que dar...
Não tenho língua materna
Nem outra de precisão
Minha língua é afiada
Pronta e bifurcada
Recorrente e sempre " à mão "
Minha língua é dialecto
Com que falo, coração..
m.c.s.
sábado, 22 de agosto de 2015
talvez
Dias há em que não tenho chão. Onde cair morta.
E me reanime...
Talvez o dia ainda me acene.
Talvez amanhã eu seja eco. E rocha. E punho. E rejeite os limites. Que me sufocam o crescimento.
Nessa saia justa a rebentar pelas costuras.
Talvez amanhã, seja diferente. Eu faça diferente...
Talvez eu acredite e solte as rédeas. E abandone portos (in)seguros. E parta.
Para fora de mim.
Esse lugar onde não há muros, fronteiras ou barreiras para a minha expressão.
Para o meu desfecho. E conclusão.
Para deixar explodir o coração. E ser asa e voar.
Ser inteira. Caminho e luz. Para me achar.
Talvez...
m.c.s.
E me reanime...
Talvez o dia ainda me acene.
Talvez amanhã eu seja eco. E rocha. E punho. E rejeite os limites. Que me sufocam o crescimento.
Nessa saia justa a rebentar pelas costuras.
Talvez amanhã, seja diferente. Eu faça diferente...
Talvez eu acredite e solte as rédeas. E abandone portos (in)seguros. E parta.
Para fora de mim.
Esse lugar onde não há muros, fronteiras ou barreiras para a minha expressão.
Para o meu desfecho. E conclusão.
Para deixar explodir o coração. E ser asa e voar.
Ser inteira. Caminho e luz. Para me achar.
Talvez...
m.c.s.
segunda-feira, 17 de agosto de 2015
de novo o sonho
" ...aquele que voa tem de poisar em algum lugar..."
Poisa e pára enquanto pare o sonho.
Uma vez parido é deixá-lo evoluir livremente.
Voar...
Até os albatrozes voltam uma vez no ano ao lugar de onde partiram. Para acasalar ( criar de novo o sonho ).
m.c.s.
Poisa e pára enquanto pare o sonho.
Uma vez parido é deixá-lo evoluir livremente.
Voar...
Até os albatrozes voltam uma vez no ano ao lugar de onde partiram. Para acasalar ( criar de novo o sonho ).
m.c.s.
exorcisismo
Há uma cor marfim na minha tristeza.
Uma fragrância de frangipani na minha saudade.
Brisa fria e branca nesta falsa paz...
Porque há um silêncio negro e teimoso. Dominante.
Um sorriso desdenhoso. Obsceno e perigoso.
Rindo-se de mim.
E uma interjeição. Denegrindo-me a emoção.
Há até moribunda tranquilidade.
E viva desilusão.
Destruindo-me a inspiração.
Na esquizofrenia enganosa d' um verão louco a despedir-se envergonhado, há cobardia e desamor.
E intermináveis gestos. De negação. Por tactear. A vida...
Contas de somar dias, para diminuir o desencontro do coração. Nas contas por ajustar.
Há em mim uma criança meio perdida. Na mudança. Na vontade de chorar.
Há este frio, este vazio de não ficar. De não partir.
De não amar. De não saber esse lugar.
Do tempo, o meu sonho matar...
Há no fim, essa certeza.
Há uma cor marfim na minha tristeza...
m.c.s.
Uma fragrância de frangipani na minha saudade.
Brisa fria e branca nesta falsa paz...
Porque há um silêncio negro e teimoso. Dominante.
Um sorriso desdenhoso. Obsceno e perigoso.
Rindo-se de mim.
E uma interjeição. Denegrindo-me a emoção.
Há até moribunda tranquilidade.
E viva desilusão.
Destruindo-me a inspiração.
Na esquizofrenia enganosa d' um verão louco a despedir-se envergonhado, há cobardia e desamor.
E intermináveis gestos. De negação. Por tactear. A vida...
Contas de somar dias, para diminuir o desencontro do coração. Nas contas por ajustar.
Há em mim uma criança meio perdida. Na mudança. Na vontade de chorar.
Há este frio, este vazio de não ficar. De não partir.
De não amar. De não saber esse lugar.
Do tempo, o meu sonho matar...
Há no fim, essa certeza.
Há uma cor marfim na minha tristeza...
m.c.s.
cativeiro
( foto do google )
Guardo beijos que não dei
Pele e língua, ávida boca
Quase louca
Toque quente, desejei...
Terra e céu, horizonte
Estrela rei, no poente
Depois do mar e do monte, desenhei...
Guardo sons e acordes, arrepio
Melodia qu' ensaiei e não dancei
Mágico passo a pés juntos
Estreito laço
Soltas as mãos, olhar cerrado, corpo amado
Eu e tu, união, ilusão...
Tu e eu
Fui só eu que enlacei...
Guardo os versos e os poemas
Palavras soltas, foram tantas
No eco d' outras
Foram puras, foram santas
Foi só cor
Como livre e colorido
Cego e louco
Quase tudo, por tão pouco
Foi meu sofrido amor
Guardo sonhos, adiados, que sonhei
Inspirados
Nesses beijos que não tive
Que não dei...
m.c.s.
Guardo beijos que não dei
Pele e língua, ávida boca
Quase louca
Toque quente, desejei...
Terra e céu, horizonte
Estrela rei, no poente
Depois do mar e do monte, desenhei...
Guardo sons e acordes, arrepio
Melodia qu' ensaiei e não dancei
Mágico passo a pés juntos
Estreito laço
Soltas as mãos, olhar cerrado, corpo amado
Eu e tu, união, ilusão...
Tu e eu
Fui só eu que enlacei...
Guardo os versos e os poemas
Palavras soltas, foram tantas
No eco d' outras
Foram puras, foram santas
Foi só cor
Como livre e colorido
Cego e louco
Quase tudo, por tão pouco
Foi meu sofrido amor
Guardo sonhos, adiados, que sonhei
Inspirados
Nesses beijos que não tive
Que não dei...
m.c.s.
ser Benfiquista
Acho, sou benfiquista desde que o vermelho me conquistou, provando-me ser a cor mais linda e vital do universo. Ela é o sangue e a paixão. A bandeira. O verão. O fogo
e as queimadas. O vulcão. As acácias e as rosas do amor. O rubor. O batom. Os morangos, as maçãs e as cerejas. O pôr do sol. Ela é exuberância. Alegria. Intensidade. Atracção. Conquista. Coração.
Nasci com certeza predestinada a ser benfiquista. E apesar de ser oito ou oitenta nos meus sentires fui sempre amornando esta fatalidade. Embalando-a mas não exagerando. Para exageros estavam lá o pai e o tio. Alguns vizinhos e os " loucos ".
Mas, olhando-me alma vermelha, sei que ser benfiquista de alma e coração pode ser a meio da semana, assim,
- Vamos ao estádio domingo? Vamos pois. Então vou passar lá para comprar os bilhetes. Boa, disse eu de sorriso de orelha a orelha. E de repente me adociquei e me vesti de vermelho antevendo um estádio ao rubro. As bandeiras esvoaçando, a águia no seu percurso circular, o rectângulo do jogo, a claque e seus cânticos e a emoção de esticar o cachecol, cinquenta e muitos mil adeptos esticando-o, enquanto entoam brilhante e estrondosamente o hino ( ali todos dão a voz e a emoção ) . Sem medos nem preconceitos, os homens vermelhos não se importam de ser " papoilas saltitantes ". Têm nisso o velho e glorioso benfiquismo.
E assim chega um domingo ameno de verão.A época começando. E preparo o cachecol. O coração. O sorriso. Para a festa e mais o que der e vier. E vou. Almoçar perto dali.
No famoso centro comercial, são às centenas passeando as camisolas e os cachecóis. Enganando a ansiedade. O risoto de frutos do mar sabe-me pela vida. O filme que vejo a seguir, Lugares Escuros, com Charlize Theron ( que é brilhante, como aliás sempre o é ), também. Os M&Ms devorados esquizofrenicamente em vez das pipocas, idem. E assim cumprido calendário de entrada ao prato principal lá vou eu para o estádio. Sem pressas nem excessivo convencimento. O mundo vermelho está a postos. As bifanas, as waffles, as sandes de presunto, os cachorros e até o prego. Paro, paramos,na imperial. Depois nos hambúrgueres. Deixamo-nos ficar a comer e a observar o desfile
vermelho a caminho não sei de onde pois faltam quase duas horas para o início do jogo. O Mourinho é que era, meu! Oiço a um puto. Sorrio à ideia. Já cá esteve. E nem por isso nos valeu. Imagino aquele rectângulo demasiado pequeno para JJ constantemente pulando a " cerca " e sendo advertido pelo bandeirinha. Coloco o Vitória nesse lugar. Tem de ser. O passado morreu e o futuro é hoje, digo-me friamente. Damos uma volta à loja depois de comermos e termos bebido outra imperial. Epá maria clara já bebeste? Diz-me ela sorrindo entre o gozo e a censura. Eu nem gosto de cerveja, por isso bebo rápido. Faria se gostasses, diz. Não mesmo. Só acompanhando comida. O que gosto mesmo é de panaché. Vai subir-te à cabeça mais rápido. Diz. Enganas-te. Já desceu aos pés. Gargalhada. Encaminhamo-nos para o sector 5. Desta vez apanhamos lugares e fila, fixes. O estádio ainda está deserto. Ficamo-nos a observar todas as dinâmicas enquanto tiramos selfies e eu resolvo experimentar mandar fotos através do telemóvel. Consegui numa vitória de sinal feliz. Finalmente o jogo começa. E começam os nervos. De todos. À minha volta. A cria é contida. Mas sei que sofre. Mais que eu. Quando me abraça e pulamos abraçadas ao primeiro golo, na segunda parte. Ao intervalo disse-lhe - se é para sofrer e dar-me uma coisinha má deixo de vir apesar de não ser atitude de benfiquista mas tenho uma pressão no peito e não estou para isto. Mudo de ideias. Depois dos golos ( 4 ) que me fazem cantar, rir, pular e esvoaçar o cachecol, abraçar a cria e sorrir para os parceiros do lado da frente e de trás. Um estádio inteiro, mais eu, cantamos - O Campeão voltou . Assim fácil. Depois do Ola John ter saído ( nem devia ter entrado ). O jogo virou com os putos Nelson Semedo e Vítor Andrade. Ainda bem que virou. Tinha uma dolorosa dor nas costas. Estava farta d' uma criatura que chamava gordo ao Vitória e o mandava ir para casa. E d' um puto ( não mais de 10 anos ) atrás de mim, que sabia mais de futebol que eu havia de saber toda a vida que ainda tenho para viver e já vivi, juntas. Quando o jogo terminou o olhar aguou-se e relaxei. Relaxámos. O caminho para o metro e a viagem foram rápidos. Enlatados que nem sardinha em molho de tomate, num ambiente alegre e comemorativo com algumas piadas à mistura.
Afinal acabámos em primeiro, neste jogo primeiro deste novo e surpreendente ( ? ) campeonato. Ganhámos. E bem. Estou contente. Sou benfiquista. E como sou...acho que orgulhosa, respeitosa e ansiosa quanto baste.
sexta-feira, 7 de agosto de 2015
há a imortalidade ( â memória de Adalberto Gourgel )
foto de Adalberto Gourgel
Há um apagão de estrelas
Na minha alma cansada
À falta de luz que me desnorteia,
Âncora desta cegueira
Ceifada da minha e doutras estradas
Há um farol apagado em noite de breu
Chuva chorada pelo céu
E kalema inventada nas águas paradas
Do rio que me banhou na vez primeira, que nele entrei
Há até um gato preto atravessando a estrada
Uma coruja na torre da igreja
E uma hiena chorando comigo.
Aquela que outrora se ria, à porta de mim
Espreitando a fraqueza
Medindo-me o fim
Há um cheiro a terra molhada...
São lágrimas de dor e perda maior
Nos filhos do amor, da terra mãe
Há a lembrança
No canto do traço, da luz e da cor
No tempo,
No espaço ilimitado de quem faz história
Há uma tribo inteira tocada pela dor
Há uma chuva de estrelas
Nas almas em pranto
Recebendo esse traço, essa cor, esse amor...
Há um homem partindo, terreiro finado
Guerreiro de luz por todos falado
E o além acolhendo-o na sua glória
Há um acrescento de imortalidade na minha memória...
m.c.s.
Há um apagão de estrelas
Na minha alma cansada
À falta de luz que me desnorteia,
Âncora desta cegueira
Ceifada da minha e doutras estradas
Há um farol apagado em noite de breu
Chuva chorada pelo céu
E kalema inventada nas águas paradas
Do rio que me banhou na vez primeira, que nele entrei
Há até um gato preto atravessando a estrada
Uma coruja na torre da igreja
E uma hiena chorando comigo.
Aquela que outrora se ria, à porta de mim
Espreitando a fraqueza
Medindo-me o fim
Há um cheiro a terra molhada...
São lágrimas de dor e perda maior
Nos filhos do amor, da terra mãe
Há a lembrança
No canto do traço, da luz e da cor
No tempo,
No espaço ilimitado de quem faz história
Há uma tribo inteira tocada pela dor
Há uma chuva de estrelas
Nas almas em pranto
Recebendo esse traço, essa cor, esse amor...
Há um homem partindo, terreiro finado
Guerreiro de luz por todos falado
E o além acolhendo-o na sua glória
Há um acrescento de imortalidade na minha memória...
m.c.s.
( partiu a 2 de Agosto último )
o amor não morre
...e de repente o céu se ilumina.
A terra exala o perfume do éden.
Os pássaros voam em círculos.
A kianda emerge das águas.
O vento canta melodias de embalar.
O velho sorri.
A criança espanta-se.
O coração taquicarda-se. E o mundo pára.
O passado foi ontem e o futuro não existe. Só a memória. Do que sou. Do que transporto em mim. Do que abraço e sinto.
...e de repente, tão de repente que não tenho tempo de me recompor, desperta em mim adormecido amor.
m.c.s.
A terra exala o perfume do éden.
Os pássaros voam em círculos.
A kianda emerge das águas.
O vento canta melodias de embalar.
O velho sorri.
A criança espanta-se.
O coração taquicarda-se. E o mundo pára.
O passado foi ontem e o futuro não existe. Só a memória. Do que sou. Do que transporto em mim. Do que abraço e sinto.
...e de repente, tão de repente que não tenho tempo de me recompor, desperta em mim adormecido amor.
m.c.s.
quarta-feira, 5 de agosto de 2015
domingo, 2 de agosto de 2015
A propósito de extravagâncias e obscenidades
Lendo a indignação de uma amiga virtual a propósito do evento que fará uma cidade ser impedida de passar por uma rua da invicta por esta ser fechada ao trânsito, tenho uma coisinha para dizer, já que na sexta-feira, ouvindo a notícia em sede de telejornal ( não percebo como o casamento d' um empresário, mesmo se é o grande empresário do futebol e tem no seu palmarés como agente, jogadores como RC7 ou treinadores como Mourinho ) ocorreu-me que isto é de facto uma aldeia com meia dúzia de seres poderosos ( cretinos ) que manipulam os mais fracos e desfavorecidos. E manipuláveis. Cara alegre, capacho para botas sujas.
Isto é não mais que um circo montado em que os palhaços são o povo e eles os ursos domesticados.
Só um conselho à navegação residente ou em visita, no Porto. Livrem-se de irem para a Foz. Correm o risco de gramar com um desfile de vaidades ofensivas, obscenas e ridículas.
Polícias e seguranças histéricos. Jornalistas atrevidos e paparazzis loucos. E no limite, serem detidos para reconhecimento de identidade.
O que o dinheiro faz! Porque será que não fico indiferente a notícias destas, medidas destas e até opiniões favoráveis a estes procedimentos?
É que parafraseando Jesus Cristo direi que " O meu reino não é deste mundo ", ou será que devo lembrar Saramago que disse " O meu mundo não é deste reino "?!
quinta-feira, 30 de julho de 2015
amar
Amar antes de mais nada
Amar depois de tudo
Amar só por amar
Amar até ao absurdo
É desse amor assim
Que quero morrer um dia
Ser princípio e fim
Na ilimitada lonjura
Mais que na fantasia
Amar até à loucura
Amar na maior ousadia
Mais, muito mais, melhor
Que o próprio amor, que diz
Que é louco e eterno feliz
Quem morre de tanta alegria
m.c.s.
Amar depois de tudo
Amar só por amar
Amar até ao absurdo
É desse amor assim
Que quero morrer um dia
Ser princípio e fim
Na ilimitada lonjura
Mais que na fantasia
Amar até à loucura
Amar na maior ousadia
Mais, muito mais, melhor
Que o próprio amor, que diz
Que é louco e eterno feliz
Quem morre de tanta alegria
m.c.s.
sábado, 25 de julho de 2015
domingo, 12 de julho de 2015
sexta-feira, 26 de junho de 2015
solidões
As cidades são solidões dos nossos desencantamentos.
As memórias são os cantos da nossa solidão.
Nós somos o solitário. Que de memória percorre os cantos e desencantos das cidades.
m.c.s.
As memórias são os cantos da nossa solidão.
Nós somos o solitário. Que de memória percorre os cantos e desencantos das cidades.
m.c.s.
terça-feira, 14 de abril de 2015
afagos
Se afago a tua alma e te faço poema é a minha que afago. E exalto.
És-me inspiração de versos que hão-de rimar. E poetizar-me o dia.
m.c.s.
És-me inspiração de versos que hão-de rimar. E poetizar-me o dia.
m.c.s.
o mundo está louco
Já não sei se a culpa é das mães que metem dentro de casa estes abjetos paranóicos, assassinos,
Já não sei se a culpa é dos verdadeiros pais que os fazem e depois não estão presentes, não cuidam, não amam, não querem nem saber,
Já não sei se existem distúrbios mentais, dificuldades económicas, indigência,
Já não sei se por existirem famílias disfuncionais, serviços legais ao serviço dos cidadãos, que não funcionam nem previnem, se as penas são brandas,
Já não sei se é um pouco disto tudo,
Já não sei nada, mas há uma coisa que eu sei, as crianças é que morrem às mãos destas famílias, desta sociedade.
Que fez a minha geração e a anterior que não incutiu valores morais aos seus educandos de forma a serem hoje adultos equilibrados?
Quem detêm esta loucura canibal numa Europa que pretende ser o espelho do mundo?
Como se resolve isto?
E diz que hoje é o Dia do Beijo!
Hipocrisia ou cobardia? Ou uma cambada de avestruzes escondendo a cabeça na areia, ( eu incluída )?
Porque é que eu me sinto impotente e culpada, se criei os meus filhos o melhor que soube e pude e fiz deles seres normais?
sabor
Sabor a mel, chocolate,
Abacate...
Sabor a canela, carambola,
Manga....
Maboque e pitanga
Dizem os poetas, de beijos na boca,
Os apaixonados e sonhadores
E até o pintor e o cantor
Mas de todos os sabores,
Os beijos, que me deixam louca
São os teus, no coração
Sabor a amor,
Sabor a emoção.
m.c.s.
Abacate...
Sabor a canela, carambola,
Manga....
Maboque e pitanga
Dizem os poetas, de beijos na boca,
Os apaixonados e sonhadores
E até o pintor e o cantor
Mas de todos os sabores,
Os beijos, que me deixam louca
São os teus, no coração
Sabor a amor,
Sabor a emoção.
m.c.s.
segunda-feira, 13 de abril de 2015
domingo, 12 de abril de 2015
tempo
Eu não te encontrei agora.
O nosso tempo é um regresso ao futuro que passou, sem te encontrar.
m.c.s.
O nosso tempo é um regresso ao futuro que passou, sem te encontrar.
m.c.s.
emoção
As amendoeiras do monte, rosa se tornaram,
Os lírios do campo, na beira da estrada,
se abriram,
A onda se espraiou,
O céu jorrou,
lá do outro lado do mundo onde o tempo sábio,
às vezes, corre devagar
A estrela cadente me brindou
E até o relógio de parede parou,
Só para contemplar o brilho do meu olhar,
Só para escutar a voz do meu coração
A conjugar o verbo
Da minha emoção...
m.c.s.
Os lírios do campo, na beira da estrada,
se abriram,
A onda se espraiou,
O céu jorrou,
lá do outro lado do mundo onde o tempo sábio,
às vezes, corre devagar
A estrela cadente me brindou
E até o relógio de parede parou,
Só para contemplar o brilho do meu olhar,
Só para escutar a voz do meu coração
A conjugar o verbo
Da minha emoção...
m.c.s.
sábado, 11 de abril de 2015
pensando
Gosto de gente que fala com o coração as palavras que tem na mente.
E guarda na memória abraços e beijos, gestos para oferecer.
Gosto de gente como eu, que não filtra a vontade, nem esconde o amor.
Respeita-o.
m.c.s.
E guarda na memória abraços e beijos, gestos para oferecer.
Gosto de gente como eu, que não filtra a vontade, nem esconde o amor.
Respeita-o.
m.c.s.
esperança
Não tenho ilusões. O que tenho são sonhos.
Certa do que o passado não volta.
Confiante que o futuro há-de chegar.
m.c.s.
Certa do que o passado não volta.
Confiante que o futuro há-de chegar.
m.c.s.
sexta-feira, 10 de abril de 2015
escrevinhando-te
...afinal eu confesso...
nada que não o tivesse feito antes, que eu gosto, é de ti.
E de sentir este vício de ti.
Esta pretensão de escrever para ti.
Depois de um intervalo, voltei a sentir o perfume das rosas.
E voltei a ver o voo rasante do albatroz.
E a alegria das borboletas.
E o sol brincando com o mar no fim da tarde.
E a cor da paz.
Voltei às entrelinhas desta vida, presente dos céus.
Voltei à intenção
A deixar seguir o coração
Voltei a escrever só para ti.
m.c.s.
nada que não o tivesse feito antes, que eu gosto, é de ti.
E de sentir este vício de ti.
Esta pretensão de escrever para ti.
Depois de um intervalo, voltei a sentir o perfume das rosas.
E voltei a ver o voo rasante do albatroz.
E a alegria das borboletas.
E o sol brincando com o mar no fim da tarde.
E a cor da paz.
Voltei às entrelinhas desta vida, presente dos céus.
Voltei à intenção
A deixar seguir o coração
Voltei a escrever só para ti.
m.c.s.
quinta-feira, 9 de abril de 2015
a propósito de biscates
A propósito de avarias, arranjos e outros que tais, perguntaram-me se me prestava a...
Eh pá não. Não faço biscates.
Sei lá eu o que é uma chave de fendas, uma porca ou um martelo de orelhas.
Tenho ideia do que é um parafuso porque não sou doida.
Eh pá não. Não faço biscates.
Sei lá eu o que é uma chave de fendas, uma porca ou um martelo de orelhas.
Tenho ideia do que é um parafuso porque não sou doida.
m.c.s.
perdão
Perdoar é tornar nobres, sentimentos menores.
Não sou da nobreza mas quero ser digna.
E perdoada...
Não sou da nobreza mas quero ser digna.
E perdoada...
m.c.s.
a viagem
A viagem começa na ideia.
A felicidade dá os passos.
E a chegada é de novo ponto de partida...
m.c.s.
A felicidade dá os passos.
E a chegada é de novo ponto de partida...
m.c.s.
quarta-feira, 8 de abril de 2015
o meu poema
Há pessoas que ora são, ora não são como nós.
E na diferença, falam o que nós calamos.
Sorriem ao que choramos.
E silenciam o que nos vai na alma.
Gritam os nossos silêncios.
E calam fundo em nós.
Há pessoas que inspiram a nossa vida.
E nos poetizam.
Enquanto no caminho me cruzar contigo,
ser-me-às poema.
m.c.s.
E na diferença, falam o que nós calamos.
Sorriem ao que choramos.
E silenciam o que nos vai na alma.
Gritam os nossos silêncios.
E calam fundo em nós.
Há pessoas que inspiram a nossa vida.
E nos poetizam.
Enquanto no caminho me cruzar contigo,
ser-me-às poema.
m.c.s.
quinta-feira, 2 de abril de 2015
no silêncio
Há um sacro silêncio
Na noite que adormeceu
As palavras por dizer
Há um sentimento gritando
A desejar crescer
Num sorriso que me prendeu
E eu,
Eu teço-te olhares
Entre linhas e laços
Azul, cor de mares
E de céus
Bordados na memória
A ponto pé de flor
E escrevo na minha história
Este calado amor...
m.c.s.
Na noite que adormeceu
As palavras por dizer
Há um sentimento gritando
A desejar crescer
Num sorriso que me prendeu
E eu,
Eu teço-te olhares
Entre linhas e laços
Azul, cor de mares
E de céus
Bordados na memória
A ponto pé de flor
E escrevo na minha história
Este calado amor...
m.c.s.
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