foto tukayna.blogspot
terça-feira, 5 de junho de 2012
encontro
Não digas nada.
Não quebres este silêncio perfeito, d'um amor imperfeito, fascinado pela capacidade d'amar longe e além de segredos, confissões ou desculpas mais que perfeitas.
Que toca há muito o sobrenatural.
Que chega perto do divino e é já uma eternidade.
Não quebres este silêncio perfeito, d'um amor imperfeito, fascinado pela capacidade d'amar longe e além de segredos, confissões ou desculpas mais que perfeitas.
Que toca há muito o sobrenatural.
Que chega perto do divino e é já uma eternidade.
Que foi escrito nos céus com a alma radiante de quem nunca é distante, porque sente este amor sem idade.
Não digas nada.
Não digas nada.
Porque sei das palavras que guardaste, d'encontro em encontro, ao desencontro e à ausência de estarmos, sermos e amarmos.
Sei dos versos que ficaram por escrever. Da voz que nem aprendeu a ler.
Dos poemas que ficaram por cantar e até o que nunca saberás dizer.
Sei dos versos que ficaram por escrever. Da voz que nem aprendeu a ler.
Dos poemas que ficaram por cantar e até o que nunca saberás dizer.
Não digas nada.
Assim, secretamente inocente te mantenho vivo.
Reconstruo-me. Reconstruo-te na memória. Sem mácula, filtro, culpa ou desculpa.
Pincelo a branco cabelos loiros. Desenho rugas nos olhos brilhantes. Acrescento o velho sotaque na voz.
Reconstruo-me. Reconstruo-te na memória. Sem mácula, filtro, culpa ou desculpa.
Pincelo a branco cabelos loiros. Desenho rugas nos olhos brilhantes. Acrescento o velho sotaque na voz.
Entro no jogo de bola nos pés. Passo-ta. Apelo ao sorriso maroto. Sarcasticamente, ou será que ternamente? me sorris. Sorrimos. Simplesmente.
Já te oiço a gargalhada. Sinto a intimidade que não se perdeu de nós, na distância, no tempo e na idade...ainda.
Ponho-nos na expressão, a saudade.
Na voz, a ternura. No abraço, o calor. No sentimento, a elevação.
Na voz, a ternura. No abraço, o calor. No sentimento, a elevação.
Reconstruo-me. Reconstruo-te. Somos a emoção.
Não digas nada...
segunda-feira, 4 de junho de 2012
sábado, 2 de junho de 2012
Depois...
Depois do olhar
E da voz
Depois do abraço
Do beijo e do toque da mão
Depois de tocares a minha emoção
De novo,,,
Deixa-me ficar triste
Deixa-me quieta
A olhar dentro de mim
Dentro de ti
Dentro do amor´
E da solidão
Depois do encontro
Depois do sorriso
Do gesto
E do mundo seres tu
Deixa-me a paz
Deixa-me a esperança
De sonhar como criança
Ainda os dias
As noites e as luas cheias
Ainda o tempo
Ainda o vento e a brisa do mar
Deixa-me triste chorar
Mais um abraço
Um beijo
Um olhar
Um toque na mão
Deixa-me cantar a nossa canção.
m.c.s.
E da voz
Depois do abraço
Do beijo e do toque da mão
Depois de tocares a minha emoção
De novo,,,
Deixa-me ficar triste
Deixa-me quieta
A olhar dentro de mim
Dentro de ti
Dentro do amor´
E da solidão
Depois do encontro
Depois do sorriso
Do gesto
E do mundo seres tu
Deixa-me a paz
Deixa-me a esperança
De sonhar como criança
Ainda os dias
As noites e as luas cheias
Ainda o tempo
Ainda o vento e a brisa do mar
Deixa-me triste chorar
Mais um abraço
Um beijo
Um olhar
Um toque na mão
Deixa-me cantar a nossa canção.
m.c.s.
a senhora Clara não gosta?
- Bons Santos. Xau.
- P'ra ti também. Diverte-te.
Estava eu no Suminho à espera do sumo de melancia e da tosta de frango, ananás e queijo, quando este casal trocou uns miminhos e uns votos de boas festas dos Santos.
- P'ra ti também. Diverte-te.
Estava eu no Suminho à espera do sumo de melancia e da tosta de frango, ananás e queijo, quando este casal trocou uns miminhos e uns votos de boas festas dos Santos.
Se fosse em torres novas estranharia. Ahn? Que santos? Parece que estão parvos.
Em Lisboa toda a gente sabe que os Santos estão aí. Os bairros estão enfeitados, já cheira a sardinha assada e à bifana no pão, à sangria e a manjericos. Bons Santos. Como, Bom Natal. Bom ano ou boa Páscoa. Boas Festas...
Por que raio um sumo e uma tosta demoram tanto tempo? Fico a pensar no que acabou de me acontecer na loja de onde saí. A miúda que me abordou por causa do cartão, que me disse ser portuguesa mas o sotaque a denunciou, diz que foi para o Brasil bebé e ali viveu uns anos, levou um correctivo. Não sei o que me aconteceu mas passei-me com ela. Já não me acontecia isto há muito tempo. Interessei-me pelo cartão. Desde que não pague coisa nenhuma e apenas sirva para fidelizar o cliente, eu adoro. Dez por cento de desconto nas compras sempre que as fizer. Tudo lindinho. Precisava comprar uma peça de vestuário. Tinha-a na mão. E não pensei duas vezes. Foi então quando lhe disse que queria fazer o cartão. Foi então quando ela me disse que não valeria para a compra que fizesse no momento. E foi então quando só faltou pôr-lhe o dedo à frente do nariz. A miúda é bem formada. Aguentou bem e pediu desculpa, mas não fizera por mal. Acabei a fazer o cartão, a ouvir os seus pedidos de desculpas entre as confidências que foram surgindo. Faz faculdade no curso mais parvo que hoje alguém poderia fazer. Palavras dela. História. Para dar aulas.Tem uma irmã enfermeira numa clínica em Massamá e uma irmã em artes.
Em Lisboa toda a gente sabe que os Santos estão aí. Os bairros estão enfeitados, já cheira a sardinha assada e à bifana no pão, à sangria e a manjericos. Bons Santos. Como, Bom Natal. Bom ano ou boa Páscoa. Boas Festas...
Por que raio um sumo e uma tosta demoram tanto tempo? Fico a pensar no que acabou de me acontecer na loja de onde saí. A miúda que me abordou por causa do cartão, que me disse ser portuguesa mas o sotaque a denunciou, diz que foi para o Brasil bebé e ali viveu uns anos, levou um correctivo. Não sei o que me aconteceu mas passei-me com ela. Já não me acontecia isto há muito tempo. Interessei-me pelo cartão. Desde que não pague coisa nenhuma e apenas sirva para fidelizar o cliente, eu adoro. Dez por cento de desconto nas compras sempre que as fizer. Tudo lindinho. Precisava comprar uma peça de vestuário. Tinha-a na mão. E não pensei duas vezes. Foi então quando lhe disse que queria fazer o cartão. Foi então quando ela me disse que não valeria para a compra que fizesse no momento. E foi então quando só faltou pôr-lhe o dedo à frente do nariz. A miúda é bem formada. Aguentou bem e pediu desculpa, mas não fizera por mal. Acabei a fazer o cartão, a ouvir os seus pedidos de desculpas entre as confidências que foram surgindo. Faz faculdade no curso mais parvo que hoje alguém poderia fazer. Palavras dela. História. Para dar aulas.Tem uma irmã enfermeira numa clínica em Massamá e uma irmã em artes.
- A senhora Clara gosta disto aqui? Depois de me ter perguntado a morada e lha ter dado. E um miúdo que estava no balcão a escrever sabe-se lá o quê se ter rido e ter-me dito: boa zona, conheço bem. - Porquê? É de torres novas? perguntei - Não. Sou abrantino mas vou lá à noite ao fim de semana e não só.
- A senhora Clara não gosta ?
O que é que se responde a uma menina que me tentou passar a perna num assunto que a Zara não lhe agradece e que eu não aceito? O que se responde quando não se sabe muito bem se afinal se gosta de torres novas e o que não se gosta é de mofar de tédio numa cidade com língua comprida e passo curto?
- A senhora Clara não gosta ?
O que é que se responde a uma menina que me tentou passar a perna num assunto que a Zara não lhe agradece e que eu não aceito? O que se responde quando não se sabe muito bem se afinal se gosta de torres novas e o que não se gosta é de mofar de tédio numa cidade com língua comprida e passo curto?
- A senhora tem facebook? E eu pasmei com a ligeireza com que contorna as situações. Escreveu o seu nome num papel e deu-mo. Me procure. Vou gostar. Vem sempre aqui?
Enfim. O Colombo no seu melhor. E eu adorando andar no centro comercial mais popular de Lisboa. Cheio de angolanos. Conheço pelo sotaque. E pela postura. Pelo andar da carruagem. São óbvios.
À saída do metro um casal de brasileiros entradotes na idade mas com óptimo aspecto perguntou--me: Senhora, o shopping é para aqui? Sim, sim, respondi. Eu vou para lá se quiserem podem acompanhar-me.
Enfim. O Colombo no seu melhor. E eu adorando andar no centro comercial mais popular de Lisboa. Cheio de angolanos. Conheço pelo sotaque. E pela postura. Pelo andar da carruagem. São óbvios.
À saída do metro um casal de brasileiros entradotes na idade mas com óptimo aspecto perguntou--me: Senhora, o shopping é para aqui? Sim, sim, respondi. Eu vou para lá se quiserem podem acompanhar-me.
O Colombo à sexta- feira é uma festa. O povo continua a passear-se alegremente. Lembro a minha amiga do peito que em tempos dizia que o Colombo era a nossa segunda casa. Nem tanto. Muito barulhento. A minha cabeça que esta semana não esteve no seu melhor depressa reclamou e vi-me a caminho de casa, um tanto ou quanto aliviada. O taxista? Angolano.
A boleia que tive de manhã, quer dizer à hora do almoço caiu que nem ginjas e a nossa conversa cai inevitavelmente em Angola. Na muamba que adora. Nunca viu o mapa de Angola mas sente-lhe o sabor. Um dia ainda vou fazer-lhe uma muambada. Já prometi. É o mínimo que posso fazer.
-Clara, quer vir para Lisboa? Vou mais cedo. Também eu vinha mais cedo e foi assim, ouro sobre azul. A viagem, agradável. A companhia também.
-Clara, quer vir para Lisboa? Vou mais cedo. Também eu vinha mais cedo e foi assim, ouro sobre azul. A viagem, agradável. A companhia também.
Olho para a noite de ontem que foi muito quente. O aniversário do pequeno Rafael que já fez cinco anos comemorou-se em ambiente familiar, festivo e caloroso. Às 11 horas da noite os termómetros marcavam 26 graus. Quando recebeu a minha prenda disse-me: Não era preciso. O Manão ( mano joão ) já me deu um helicóptero. Depois ouvi a estória da escolinha que nos faz pensar mais do que sorrir. O Rafael é um menino especial. A mãe diz-lhe depois de voltar de são martinho do porto de uns dias bons, ali passados. Rafael tens de ir à escolinha. Não quero ir, mãe. Porquê? Eles já não me conhecem. Muito bom, isto. Delicioso. Como foi bom estar em família de novo.
Olho para hoje e para amanhã. Amanhã é outro dia. Outras gentes. Outras palavras. E estórias. De gente crescida que viveu junta num bairro que nos deu tanto quando fomos crianças e adolescentes. Alguns ainda lá vivem e vão estar amanhã entre nós. Outros vivem espalhados por este mundo de Deus e querem partilhar pela primeira vez a alegria destes reencontros. A minha vida é feita de encontros, reencontros e desencontros. Mesmo. Pode ser um lugar comum mas assim é. Partidas e chegadas. Abraços e beijos. Palavras. Gargalhadas. Lágrimas. E adeus de novo. Até quando?! Nunca o saberei. Vivo longe dos que amo. Vivo longe dos que amei. Vivo perto da saudade.
Vivo desejando, sonhando, sofrendo e esperando. Esta é a minha condição. Igual a de muitos angolanos que partiram da terra na década de 70.
Lembro de novo a miúda brasileira que faz faculdade e que trabalha na Zara e hoje me tentou enganar com a história dos cartões e suas vantagens.
- A senhora Clara não gosta? Como hei-de gostar de viver longe da minha gente, da minha terra, da minha música e do meu sotaque?
Olho para hoje e para amanhã. Amanhã é outro dia. Outras gentes. Outras palavras. E estórias. De gente crescida que viveu junta num bairro que nos deu tanto quando fomos crianças e adolescentes. Alguns ainda lá vivem e vão estar amanhã entre nós. Outros vivem espalhados por este mundo de Deus e querem partilhar pela primeira vez a alegria destes reencontros. A minha vida é feita de encontros, reencontros e desencontros. Mesmo. Pode ser um lugar comum mas assim é. Partidas e chegadas. Abraços e beijos. Palavras. Gargalhadas. Lágrimas. E adeus de novo. Até quando?! Nunca o saberei. Vivo longe dos que amo. Vivo longe dos que amei. Vivo perto da saudade.
Vivo desejando, sonhando, sofrendo e esperando. Esta é a minha condição. Igual a de muitos angolanos que partiram da terra na década de 70.
Lembro de novo a miúda brasileira que faz faculdade e que trabalha na Zara e hoje me tentou enganar com a história dos cartões e suas vantagens.
- A senhora Clara não gosta? Como hei-de gostar de viver longe da minha gente, da minha terra, da minha música e do meu sotaque?
Daqui a poucas horas estarei com gente que roubou maçãs da índia do quintal da vizinha, comeu peixe espada frito em óleo de palma, viu filmes no cinema Império, estudou na Industrial, na Comercial e no Feminino. Que jogou à bilha, ao garrafão, às pedrinhas. Que correu atrás do carro do fumo e fez corridas de bicicletas nos passeios das ruas do bairro. Que lançou papagaios nos nossos céus. Que passeou comigo nas ruas, caminhos, becos e esquinas, da avenida até à Ilha, me cantou canções de embalar e até a canção do bandido.
Como é que hei-de gostar disto?
Hoje Lisboa esteve linda. E calorosa. Como se fosse verão. Já tinha saudades.
Acho que foi o único dia da semana que não me doeu a cabeça. Torres Novas? Está lá a Pitanga. A caçula e o mano Zé. O Paulo e a Lurdes. Alguns amigos. Torres Novas está lá, no mapa que reconheço.
Como é que hei-de gostar disto?
Hoje Lisboa esteve linda. E calorosa. Como se fosse verão. Já tinha saudades.
Acho que foi o único dia da semana que não me doeu a cabeça. Torres Novas? Está lá a Pitanga. A caçula e o mano Zé. O Paulo e a Lurdes. Alguns amigos. Torres Novas está lá, no mapa que reconheço.
terça-feira, 29 de maio de 2012
Sábado estarei lá
A angolanidade que existe no coração de todos os que nasceram e viveram nessa terra longe, a necessidade de mostrarem ao mundo angolano e não só, o quanto amam esse lugar, a ansiedade de voltarem ao passado que na maioria das vezes pode nem ter sido assim tão fantástico quanto o desenham mas porque se perdeu sem que o tivessem repudiado, perdendo-se e com ele os companheiros de vida desse tempo, os amigos, fá-los, faz-nos procurar, sempre procurar, encontros. Podem ser breves. Podem não ser perfeitos, podem não reunir todos os velhos avilos que gostariamos, mas não dizemos não. Não interessa se estamos mais velhos, mais gordos, mais carecas, mais doentes, não interessa o presente. Interessa o que o presente nos dá de novo.
O presente de nos reunirmos.
A internet é amiga. O facebook é kamba. Devolve-nos a proximidade dum tempo que se não foi perfeito existe na perfeição das nossas memórias. Devolve-nos um tempo que queríamos eterno. Para isso os amigos eternos juntam-se e convivem e brindam e fazem a viagem de volta...à terra e ao bairro.
O presente de nos reunirmos.
A internet é amiga. O facebook é kamba. Devolve-nos a proximidade dum tempo que se não foi perfeito existe na perfeição das nossas memórias. Devolve-nos um tempo que queríamos eterno. Para isso os amigos eternos juntam-se e convivem e brindam e fazem a viagem de volta...à terra e ao bairro.
Sábado estarei na Vila Alice. Com amigos que me viram nascer. Que conheceram os meus pais e tios. Que entraram na minha casa. Que têm uma memória comum. Que tornam os entes que já partiram, presentes.
Com amigos que me viram crescer. Como irmãos. Que me confiaram segredos. Que gargalharam comigo e choraram também. Com amigos a quem amei e que me amaram e me fizeram feliz na adolescência. Quando já era uma mulher desabrochando para a vida e perdendo as primeiras penas nos vôos de pássaro livre que sempre sonhei voar.
Sábado, estarei na minha rua. Na minha casa. No meu bairro. Com amigos. Com pessoas que respeito e amo.
Sábado, as palavras sotacadas serão música. Os sorrisos brilharão nos lábios e nos olhos de cada um e Angola estará nos nossos corações.
A angolanidade faz todo o sentido se estamos juntos. Não se força. Não se mascara, Não se inventa. Sente-se.
Sábado, as palavras sotacadas serão música. Os sorrisos brilharão nos lábios e nos olhos de cada um e Angola estará nos nossos corações.
A angolanidade faz todo o sentido se estamos juntos. Não se força. Não se mascara, Não se inventa. Sente-se.
Sábado estarei na Vila Alice, deste lado de cá, sentindo com o coração que mora lá desde que nasci.
domingo, 27 de maio de 2012
poente
Há na melancolia do poente, um domingo menos.
Voltar a casa devia ser, voltar ao chão. Ao lugar da paz. Ao ninho.
Aonde a alma abraça a noite cantando hinos de alegria. E acena à lua, sonhadora.
Onde moro? Onde habita a minha crença? Onde se instalou o espírito inquieto?
Que foi feito da minha esperança?
Perco o norte. Há muito perdi o sul.
Não encontro a rosa dos ventos.
Nem a brisa que me beijaria beijos de união de sol e mar.
Há na melancolia do poente a partida dum pedaço de mim.
Quebra-se a asa da borboleta.
Desfolha-se a rosa do jardim.
Desce o gato do telhado.
Há um sonho roubado.
Não sorrio p'ra ninguém e ninguém sabe de mim.
Há na melancolia do poente um acrescento de fim.
Voltar a casa devia ser, voltar ao chão. Ao lugar da paz. Ao ninho.
Aonde a alma abraça a noite cantando hinos de alegria. E acena à lua, sonhadora.
Onde moro? Onde habita a minha crença? Onde se instalou o espírito inquieto?
Que foi feito da minha esperança?
Perco o norte. Há muito perdi o sul.
Não encontro a rosa dos ventos.
Nem a brisa que me beijaria beijos de união de sol e mar.
Há na melancolia do poente a partida dum pedaço de mim.
Quebra-se a asa da borboleta.
Desfolha-se a rosa do jardim.
Desce o gato do telhado.
Há um sonho roubado.
Não sorrio p'ra ninguém e ninguém sabe de mim.
Há na melancolia do poente um acrescento de fim.
isto digo eu...
Em tempo morto, de viagem, a caminho do Ribatejo, dei comigo a pensar na minha idade e nas suas vantagens e desvantagens. E cheguei a uma estranha e hilariante conclusão.
Se tivéssemos sete vidas, neste momento eu estaria numa linda idade.
Com mais paciência, tranquilidade, desprendimento e sabedoria para viver as outras seis...
sábado, 26 de maio de 2012
almoço de sábado
foto tukayana.blogspotabado
Grão cozido, delícias do mar, picles, cogumelos, pimento vermelho e courgete salteados. Salsa picada.
nossa senhora...
Nossa Senhora da Conceição, faça sol chuva não.
Nossa Senhora da Conceição, faça chuva, sol não...
Parece é uma música de embalar. Parece mais que prece, é uma lenga-lenga do povo mais inocente e candengue também. Desse que numa hora a mãe acabou de dar à luz e deixou a fralda pouco tempo atrás, noutra hora já está solto no mundo, pé descalço, por conta própria, brincando de saltar à corda, de jogar às escondidas, de andar de xica, ou de descansar da brincadeira e ir pankar jinguba com pão quente no patim da casa da vizinha enquanto a mais velha, mãe de todos, minha madrinha, conta estórias da nossa terra e das terras distantes que lhes vimos na aprendizagem das linhas férreas e dos rios, dos montes e serras e nas caixas e latas que atravessam o mar, para virem na loja do sô Santos, naqueles barcos grandes, que vamos esperar no porto quando vem do puto mais um familiar. Sempre há alguém que chega no Príncipe Perfeito, ou no Niassa que abraça o avô, o pai, a mãe. E traz chouriço, presunto, salpicão, queijo, tudo caseiro. Às vezes traz também chocolate dos grandes que compra a bordo.
Essa aprendizagem que lhe meti à força na memória como música de tabuada, ensinada pela menina Piedade, que parece é sargento e nos põe a bater a pala, numa continência que ninguém questiona mais; como é que vão questionar a mais velha? Eu muito menos, apesar de estar sempre a falar e a perguntar coisas. Eu? Não, que sei das conversas chegadas dela com o meu pai e a minha mãe. Essa aprendizagem que nos faz dizer de cor e salteado, esses rios, essas serras, essas estações de comboio, pouca terra, pouca terra, numa passada que parece é morna de cabo verde...
Não sei para quê a gente aprende isso tudo. Acho nunca vou andar de comboio mesmo, nem vou conhecer essas serras, esses rios, essas terras. O pai diz que não vamos morar lá nunca. Aqui é a terra dele. Ainda bem. Não quero sair nunca da minha rua. Lhe conheço os cantos todos. As cores garridas das quitandeiras e os cheiros. Aiuê o cheiro da terra molhada, do pão da padaria e de maboque aberto na beira da estrada. Da castanha de caju e bombô a assar. O cheiro da gajaja, da gajajaeira em frente.
Nossa Senhora da Conceição, faça chuva, sol não...
Parece é uma música de embalar. Parece mais que prece, é uma lenga-lenga do povo mais inocente e candengue também. Desse que numa hora a mãe acabou de dar à luz e deixou a fralda pouco tempo atrás, noutra hora já está solto no mundo, pé descalço, por conta própria, brincando de saltar à corda, de jogar às escondidas, de andar de xica, ou de descansar da brincadeira e ir pankar jinguba com pão quente no patim da casa da vizinha enquanto a mais velha, mãe de todos, minha madrinha, conta estórias da nossa terra e das terras distantes que lhes vimos na aprendizagem das linhas férreas e dos rios, dos montes e serras e nas caixas e latas que atravessam o mar, para virem na loja do sô Santos, naqueles barcos grandes, que vamos esperar no porto quando vem do puto mais um familiar. Sempre há alguém que chega no Príncipe Perfeito, ou no Niassa que abraça o avô, o pai, a mãe. E traz chouriço, presunto, salpicão, queijo, tudo caseiro. Às vezes traz também chocolate dos grandes que compra a bordo.
Essa aprendizagem que lhe meti à força na memória como música de tabuada, ensinada pela menina Piedade, que parece é sargento e nos põe a bater a pala, numa continência que ninguém questiona mais; como é que vão questionar a mais velha? Eu muito menos, apesar de estar sempre a falar e a perguntar coisas. Eu? Não, que sei das conversas chegadas dela com o meu pai e a minha mãe. Essa aprendizagem que nos faz dizer de cor e salteado, esses rios, essas serras, essas estações de comboio, pouca terra, pouca terra, numa passada que parece é morna de cabo verde...
Não sei para quê a gente aprende isso tudo. Acho nunca vou andar de comboio mesmo, nem vou conhecer essas serras, esses rios, essas terras. O pai diz que não vamos morar lá nunca. Aqui é a terra dele. Ainda bem. Não quero sair nunca da minha rua. Lhe conheço os cantos todos. As cores garridas das quitandeiras e os cheiros. Aiuê o cheiro da terra molhada, do pão da padaria e de maboque aberto na beira da estrada. Da castanha de caju e bombô a assar. O cheiro da gajaja, da gajajaeira em frente.
O céu da minha rua é mais azul. As estrelas da minha rua são mais brilhantes. As casas da minha rua parecem a minha casa. Todas elas. As pessoas da minha rua, são o meu povo. Aiuê, aiuê, não quero sair nunca da minha rua. Lhe conheço os cantos todos.
E lhe gosto bué.
Me lembrei que há meninas que eu conheço e sou kamba, que andam de comboio. A Susete todo o dia vem da Boavista até ao porto, na estação do Bungo, pouca terra, pouca terra, curicutelêeeeee. Depois, apanha o maximbombo para a escola. Esse é outro como o comboio, que não lhe ando. Apesar que eles param mesmo em frente na minha casa ali ao lado dos Bastos. Tem uma paragem lá. Em frente da cubata da velha Mariquinhas, que lhe temos medo mas não lhe temos vergonha e lhe chamamos de velha mariquinhas deste lado da rua, e preparamos a fuga se ela corre atrás, e lhe tentamos cegar de lhe pôr a cabeça com calundu, com os espelhos, caté deve ficar de boca para nuca que nunca viu mesmo essas coisas. Essa velha Mariquinhas parece que não, mas sabe bué, dizem mesmo que foi escrava. Ela se gaba, lá na loja do sô Santos quando vai comprar petróleo para a candeeiro, na hora que fica tudo escuro na cubata, caté se ouvem os grilos a cantar, que mete medo no escuro. Todos os mais velhos lhe respeitam e não desdizem a ideia dela. Menos os meninos que correm a sua atrás lhe gritando de velha Mariquinhas até que ela dá berrida neles. Eu não, porque ela me vai entregar no sô Santos e vou ver o cavalo marinho passar de detrás da porta onde está pendurado para as mãos dele.
Na paragem do maximbas que fica em frente da casa da Velha Mariquinhas fica toda a hora, mas mais na hora da saída da escola dos miúdos e do trabalho dos mais velhos um mundo de gente esperando o 16 para esse bairro novo que lhe chamam Terra Nova. E tem também outro mais longe que lhe chamam Cazenga. Nunca que fui lá. Nem de maximbombo, nem a pé, nem de carro. É nos confins da avenida. Nunca que passei do hospital. Nunca que passei dos eucaliptos que eu avisto daqui, e ficam em frente do hospital de São Paulo onde costumo ir quando espeto prego no pé ou caco de vidro. Ali fica também a casa do cajueiro, onde dizem de boca pequena que está lá o Simão Toco e se juntam muitos africanos a fazer não sei o quê que eu não percebo nada dessas conversas que falam. Tenho medo dessas estórias que me contam de simão toco. Dá um frio na espinha porque parece é segredo que nunca que vamos poder contar nos outros e eu não gosto nada de segredos que ficam a me encher a memória e a saltar na ponta da língua mas não posso falar porque juro sangue de cristo que vou morrer com ele, o segredo.
Nossa Senhora da Conceição, faça sol, chuva não...
Na paragem do maximbas que fica em frente da casa da Velha Mariquinhas fica toda a hora, mas mais na hora da saída da escola dos miúdos e do trabalho dos mais velhos um mundo de gente esperando o 16 para esse bairro novo que lhe chamam Terra Nova. E tem também outro mais longe que lhe chamam Cazenga. Nunca que fui lá. Nem de maximbombo, nem a pé, nem de carro. É nos confins da avenida. Nunca que passei do hospital. Nunca que passei dos eucaliptos que eu avisto daqui, e ficam em frente do hospital de São Paulo onde costumo ir quando espeto prego no pé ou caco de vidro. Ali fica também a casa do cajueiro, onde dizem de boca pequena que está lá o Simão Toco e se juntam muitos africanos a fazer não sei o quê que eu não percebo nada dessas conversas que falam. Tenho medo dessas estórias que me contam de simão toco. Dá um frio na espinha porque parece é segredo que nunca que vamos poder contar nos outros e eu não gosto nada de segredos que ficam a me encher a memória e a saltar na ponta da língua mas não posso falar porque juro sangue de cristo que vou morrer com ele, o segredo.
Nossa Senhora da Conceição, faça sol, chuva não...
Chuva quando cai, até magoa os sonhos dos nenés que brincam na rua em frente da casa. Nos passeios das lojas, no recreio da escola ou no átrio da igreja. Já me apanhou na brincadeira de, minha mãe dá licença quantos passos, a jogar à semalha, ao berlinde, esse então, não acaba com o sonho, destroi sem dó nem piedade os buracos onde caem as bilhas, aquelas esferas dos rolamentos dos irmãos mais velhos que ficam a inventar corridas de trotinetes para fazerem estilo, nos passeios das lojas, nas descidas, p' ra depois gritarem para as meninas que são campeões e para virarem os mais bangosos lá do bairro.
Chuva quando cai até que é gostosa. Mas depois... olha a surra que sabemos que vão-nos dar...
Primeiro saltamos de alegria porque é banho de roupa molhada a colar no corpo, e cabelo escorrido. Chapinhar na água, com os pés nus. Depois a terra fica barrenta parece é de propósito para sujar nossa roupa. Nos molhamos até no tutano. Quando chegamos em casa não vale a pena entrar no pé ante pé que mãe que é mãe já chamou, já procurou, até já xingou e ficou parece é caçadora de animal selvagem, nos esperando. Só o susto quando ela diz: maria claaaaaaaara!
Chuva quando cai até que é gostosa. Mas depois... olha a surra que sabemos que vão-nos dar...
Primeiro saltamos de alegria porque é banho de roupa molhada a colar no corpo, e cabelo escorrido. Chapinhar na água, com os pés nus. Depois a terra fica barrenta parece é de propósito para sujar nossa roupa. Nos molhamos até no tutano. Quando chegamos em casa não vale a pena entrar no pé ante pé que mãe que é mãe já chamou, já procurou, até já xingou e ficou parece é caçadora de animal selvagem, nos esperando. Só o susto quando ela diz: maria claaaaaaaara!
Nossa Senhora da Conceição, faça sol, chuva não! O sol vem mais amarelo depois. Brilhante parece é lua cheia. Seca as poças que nos vão molhar quando carro passa. Mas se for na cacimba, aiuê, a cacimba fica bonita quando chove, parece é mar a chegar na minha rua, até dá vontade de mergulhar nela. Mas eu, não. Levava uma surra daquelas, se é que sobrevivia. Eu não sei nadar. E dizem que lá tem sereia que canta de madrugada. E fica só a espreitar os que vão de abuso nas águas que lhe pertencem. Ainda me apanhava e me arrastava pelos cabelos naquelas casas todas iguais que lhe chamam de bairro indígena e me punha rabo de peixe. Nossa Senhora da Conceição...
Enquanto salto à corda, com uma menina de cada lado segurando as pontas e estou a ouvir as outras dizerem 56, 57, 58...sinto as gotas da chuva a ferir a pele escura do sol e da praia de domingo lá no Morro dos Veados e me distraio. Não quero perder. Não gosto de sair para baloiçar a corda para a outra saltar. Quero chegar nos 100, 101, 102...Está quase a ser duas horas. O sol está a pique. De vez em quando cai umas gotas d' água parece quer estragar a nossa brincadeira. A menina Piedade vai chegar e vamos entrar na sala para aprender mais um rio, uma serra, uma estação. Se cair uma chuvada com trovões e tudo, pode ser vamos embora mais cedo para casa. É só atravessar a rua. No meu quintal, tem um alpendre de zinco. Vou poder brincar e ouvir a chuva cair, lá de baixo. Xéeeeee, eu gosto do barulho da chuva a cair no zinco, parece é música. Vou ficar lá até a dona Celeste me chamar p'ra lanchar pão com doce de mamão que ela mesmo fez e fechou nos frascos vazios, de energetic. Ou ovo estrelado, das galinhas que fingimos, eu e a Fatinha, de nossas alunas, quando estamos a brincar de professora. Ou pode ser ela assa um chouriço de sangue e me pergunta se quero também. Já estou a sonhar com o lanche.
Nossa Senhora da Conceição, faça sol, chuva não. Nossa Senhora da Conceição, faça chuva, sol não...
Enquanto salto à corda, com uma menina de cada lado segurando as pontas e estou a ouvir as outras dizerem 56, 57, 58...sinto as gotas da chuva a ferir a pele escura do sol e da praia de domingo lá no Morro dos Veados e me distraio. Não quero perder. Não gosto de sair para baloiçar a corda para a outra saltar. Quero chegar nos 100, 101, 102...Está quase a ser duas horas. O sol está a pique. De vez em quando cai umas gotas d' água parece quer estragar a nossa brincadeira. A menina Piedade vai chegar e vamos entrar na sala para aprender mais um rio, uma serra, uma estação. Se cair uma chuvada com trovões e tudo, pode ser vamos embora mais cedo para casa. É só atravessar a rua. No meu quintal, tem um alpendre de zinco. Vou poder brincar e ouvir a chuva cair, lá de baixo. Xéeeeee, eu gosto do barulho da chuva a cair no zinco, parece é música. Vou ficar lá até a dona Celeste me chamar p'ra lanchar pão com doce de mamão que ela mesmo fez e fechou nos frascos vazios, de energetic. Ou ovo estrelado, das galinhas que fingimos, eu e a Fatinha, de nossas alunas, quando estamos a brincar de professora. Ou pode ser ela assa um chouriço de sangue e me pergunta se quero também. Já estou a sonhar com o lanche.
Nossa Senhora da Conceição, faça sol, chuva não. Nossa Senhora da Conceição, faça chuva, sol não...
sexta-feira, 25 de maio de 2012
quinta-feira, 24 de maio de 2012
quarta-feira, 23 de maio de 2012
recomeçar
Queria recomeçar.Tudo novo. A estrear. Mágico. Perfeito...
Não sei. É uma ideia a formar-se e a ganhar raízes e espaço, no limite que determinei na arrogância de uma solidão que não procurei mas alimentei.
Recomeçar...
Sentada num banco de espera, olho à minha volta.
Não. Não me parece um dia bom para recomeçar.
Até porque vejo apenas cimento à minha frente. E poluição. E gente apressada. E impaciente. E mal amada.
Preciso de tempo para recomeçar. Habituar-me à ideia que deixei esquecida num canto qualquer, fechada à chave que joguei fora.
Preciso de tempo e coragem. Tenho de embalar memórias. Fechar mágoas.
Empacotar dias e noites frias, escuras e assustadas.
Atirar para longe os vazios. Fazer cruzes nas traições. Apagar as tristezas e gritar à apatia.
Vaiar a conformação e espicaçar a coragem. Matar a indiferença. Enterrar o machado de guerra.
Queria recomeçar mas hoje não me parece estar de feição.
No dia que eu recomeçar, quero acreditar. Quero saber o hino da alegria entre sinos e guizos. Campos de papoilas. Rios velozes correndo para o mar.
Quero ter o testemunho do mar.
Hoje nem eu vou na beira-mar, nem o horizonte me vem beijar os pés. As mãos. O coração.
Lavar a alma.
A onda não me toca ao de leve e a brisa não me conta segredos.
Não desenho na areia nem danço no movimento dengoso da kianda. Não me deito na duna nem tu és visão.
Não te vejo nas cartas nem nas linhas da mão. Não és sequer ilusão...
Queria recomeçar. Num dia perfeito. Eu, tu e o mundo, perfeitos.
Num fim de tarde. Entre risos e trompetes. Perfume de rosas, arco- íris e borboletas. Em festa.
Entre o sol, a lua e o mar...
E a terra a abençoar.
Não sei. É uma ideia a formar-se e a ganhar raízes e espaço, no limite que determinei na arrogância de uma solidão que não procurei mas alimentei.
Recomeçar...
Sentada num banco de espera, olho à minha volta.
Não. Não me parece um dia bom para recomeçar.
Até porque vejo apenas cimento à minha frente. E poluição. E gente apressada. E impaciente. E mal amada.
Preciso de tempo para recomeçar. Habituar-me à ideia que deixei esquecida num canto qualquer, fechada à chave que joguei fora.
Preciso de tempo e coragem. Tenho de embalar memórias. Fechar mágoas.
Empacotar dias e noites frias, escuras e assustadas.
Atirar para longe os vazios. Fazer cruzes nas traições. Apagar as tristezas e gritar à apatia.
Vaiar a conformação e espicaçar a coragem. Matar a indiferença. Enterrar o machado de guerra.
Queria recomeçar mas hoje não me parece estar de feição.
No dia que eu recomeçar, quero acreditar. Quero saber o hino da alegria entre sinos e guizos. Campos de papoilas. Rios velozes correndo para o mar.
Quero ter o testemunho do mar.
Hoje nem eu vou na beira-mar, nem o horizonte me vem beijar os pés. As mãos. O coração.
Lavar a alma.
A onda não me toca ao de leve e a brisa não me conta segredos.
Não desenho na areia nem danço no movimento dengoso da kianda. Não me deito na duna nem tu és visão.
Não te vejo nas cartas nem nas linhas da mão. Não és sequer ilusão...
Queria recomeçar. Num dia perfeito. Eu, tu e o mundo, perfeitos.
Num fim de tarde. Entre risos e trompetes. Perfume de rosas, arco- íris e borboletas. Em festa.
Entre o sol, a lua e o mar...
E a terra a abençoar.
estou para aqui...
Estou para aqui num faz de conta que amanhã é sábado.Sem sono ou vontade de deitar o cansaço e dormir.Ao deus dará, esquecida do mundo, esquecendo tudo o que incomoda.
Ainda há coisas que incomodam mas que num jogo de cabra-cega se jogam para trás das costas p'ra não pesarem demais.Estou para aqui à procura de motivo para continuar desperta. Atenta e confiante. A pensar em ti, em nós, neles, os que estão perdidos, esquecidos do mundo. E de mim. Neles os que de alguma forma fizeram promessas, acenaram num até já que dura uma eternidade que nunca vai transformar-se em presença. Neles que falharam. Neles, os que não prometendo, deixaram sorrisos, como beijos frescos a saber a hortelã pimenta.
E ensaiaram uma música, soletraram uns versos. Coloriram uma rua. Um rio. Preencheram um deserto. Construiram a ponte. Neles os que se despediram para sempre e deixaram a memória. Estou para aqui traçando destinos que cabem na minha mão e adoçam a minha alma.
Queria ser um albatroz. Um bonito albatroz. Livre e fiel albatroz. E poisar na esperança duns binóculos no alto mar em busca dos voos rasantes e dizer que estou para aqui a olhar futuros de acácias vermelhas, flores de frangipani e sois vermelhos beijando o mar, sem esquecer passados nas corridas atrás do carro da tifa, pão e doce de tomate, jogos de futebol na terra barrenta e vermelha duma infância que avançava devagar e feliz nos dias calmos duma terra abençoada.Estou para aqui, esperando, sempre esperando. Sempre sonhando.
Sempre vivendo com a mente dividida entre a razão e a leveza do coração a saltar páginas de passados e presentes.
Na liberdade do futuro que o sonho dá...
Sempre vivendo com a mente dividida entre a razão e a leveza do coração a saltar páginas de passados e presentes.
Na liberdade do futuro que o sonho dá...
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