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quarta-feira, 15 de janeiro de 2014
terça-feira, 14 de janeiro de 2014
momento
foto tukayana.blogspot - ria Formosa
O sol tocou-me a pele
A ria acenou-me
Bonita
Silenciosa
Hospitaleira
Elevei a minha alma
Entreguei-me ao dia
Senti o perfume da tarde
Inspirei-o profundamente
Inspirei-me...
E pensei em ti
Que saudade...
Meu dilema
Minha felicidade
Eterno poema
O sol tocou-me a pele
A ria acenou-me
Coquete
Sorridente
Hospitaleira
Verdadeira...
m.c.s.
Etiquetas:
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ria Formosa
a viagem ao Sul
foto tukayana.blogspot - praia de Faro
Não foi a primeira vez...
Um dia, era domingo, como me lembro bem...estava quase o almoço terminado e toca o telefone. Era de Trás-os-Montes. A Leonor, não só saira do coma, como também do hospital.
Voltei para a cozinha para levantar a mesa e colocar a louça na máquina.
- A minha prima Leonor já está em casa.
Daí a ver o caminho para Chaves foi um ápice. O regresso foi depois do jantar e a chegada a casa foi de madrugada.
Chaves fica no norte de Portugal, num Trás-os-Montes profundo, entre montes e serras, estradas e caminhos, pontes e pontões.
Muralhas e história.
Dizem que o que tem de ser tem a tal força que move montanhas. Sou eu a dize-lo e a fazer essa força sempre que algo me empurra com força, a isso.
Ontem não foi portanto a primeira vez nem a segunda, nem terceira, tão pouco quero que seja a última. Se for possível, universo, dá o empurrão para que esta dinamica não se perca e possa seguir o institinto, perseguir a vontade, dispor-me a põr pés ao caminho.
- Sábado vamos ao Algarve.
Fiz contas de cabeça. Afinal, não foi sábado. Foi domingo. e fui também.
Há muito tempo que não ia a Faro. Há sete anos.
A cidade está mais bonita e calma. Pode ser do inverno.
A ilha está mais bonita também. Pode ser dos meus olhos.
E a Ria Formosa fascinou-me. Pode ser do meu coração.
Conheço-a dali e a caminho de Vila Real de Santo António. De Tavira.
Mas ontem a Ria foi mais ela. Mais minha. Mais próxima e fascinante.
Foram olhos que já viram muito, que ma mostraram. Olhos que conhecem a beleza das coisas. A alma que existe no que é belo. Olhos que selecionam.
Fui eu de alma livre e receptiva. Fomos nós, pessoas que nos encontrámos num daqueles encontros e reencontros felizes, que sabem a amor que não morre, que é a amizade que une pessoas desde a escola, desde a terra onde nascem. E as pessoas dessas pessoas, também.
Foi um dia maravilhoso. Longe da capital. No sul. Com sulistas.
Depois, o regresso.
Trouxe na pele uma primavera antecipada e nos sentidos o iodo, o horizonte e o carinho com que fui presenteada.
Trouxe no bolso um dia fantástico e no coração, amigos.
Não foi a primeira vez que fiz muitos quilómetros para abraçar alguém e voltar de seguida. E não quero que seja a última.
Sou daquelas pessoas que diz que se Maomé não vem á montanha, vai a montanha a Maomé. Não terá sido bem assim, mas é com esta energia que ponho pés ao caminho e não perco as oportunidades que me são oferecidas, algumas vezes de bandeja.
O caso...
terça-feira, 17 de julho de 2012
a amizade
foto tukayana.blogspot
Quando a Amizade tem praticamente 5 décadas, não há distâncias nem outros condicionalismos que não se vençam.
Ontem o tempo chamou-se ápice, a alegria, chamou-se fantástica, o humor chamou-se brilhante, a gargalhada foi irmã, o nosso encontro foi perfeito.
Quando três amigas de infância se juntam, o mundo deixa de ter importância.
O céu pisca o olho, a terra sorri e Deus abençoa.
Beijos no vosso coração minhas kambas de toda a vida e para sempre ( Mena e Milú ).
Quando nos reformarmos as três, vai ser bué da fixe...
Ontem o tempo chamou-se ápice, a alegria, chamou-se fantástica, o humor chamou-se brilhante, a gargalhada foi irmã, o nosso encontro foi perfeito.
Quando três amigas de infância se juntam, o mundo deixa de ter importância.
O céu pisca o olho, a terra sorri e Deus abençoa.
Beijos no vosso coração minhas kambas de toda a vida e para sempre ( Mena e Milú ).
Quando nos reformarmos as três, vai ser bué da fixe...
terça-feira, 29 de maio de 2012
Sábado estarei lá
A angolanidade que existe no coração de todos os que nasceram e viveram nessa terra longe, a necessidade de mostrarem ao mundo angolano e não só, o quanto amam esse lugar, a ansiedade de voltarem ao passado que na maioria das vezes pode nem ter sido assim tão fantástico quanto o desenham mas porque se perdeu sem que o tivessem repudiado, perdendo-se e com ele os companheiros de vida desse tempo, os amigos, fá-los, faz-nos procurar, sempre procurar, encontros. Podem ser breves. Podem não ser perfeitos, podem não reunir todos os velhos avilos que gostariamos, mas não dizemos não. Não interessa se estamos mais velhos, mais gordos, mais carecas, mais doentes, não interessa o presente. Interessa o que o presente nos dá de novo.
O presente de nos reunirmos.
A internet é amiga. O facebook é kamba. Devolve-nos a proximidade dum tempo que se não foi perfeito existe na perfeição das nossas memórias. Devolve-nos um tempo que queríamos eterno. Para isso os amigos eternos juntam-se e convivem e brindam e fazem a viagem de volta...à terra e ao bairro.
O presente de nos reunirmos.
A internet é amiga. O facebook é kamba. Devolve-nos a proximidade dum tempo que se não foi perfeito existe na perfeição das nossas memórias. Devolve-nos um tempo que queríamos eterno. Para isso os amigos eternos juntam-se e convivem e brindam e fazem a viagem de volta...à terra e ao bairro.
Sábado estarei na Vila Alice. Com amigos que me viram nascer. Que conheceram os meus pais e tios. Que entraram na minha casa. Que têm uma memória comum. Que tornam os entes que já partiram, presentes.
Com amigos que me viram crescer. Como irmãos. Que me confiaram segredos. Que gargalharam comigo e choraram também. Com amigos a quem amei e que me amaram e me fizeram feliz na adolescência. Quando já era uma mulher desabrochando para a vida e perdendo as primeiras penas nos vôos de pássaro livre que sempre sonhei voar.
Sábado, estarei na minha rua. Na minha casa. No meu bairro. Com amigos. Com pessoas que respeito e amo.
Sábado, as palavras sotacadas serão música. Os sorrisos brilharão nos lábios e nos olhos de cada um e Angola estará nos nossos corações.
A angolanidade faz todo o sentido se estamos juntos. Não se força. Não se mascara, Não se inventa. Sente-se.
Sábado, as palavras sotacadas serão música. Os sorrisos brilharão nos lábios e nos olhos de cada um e Angola estará nos nossos corações.
A angolanidade faz todo o sentido se estamos juntos. Não se força. Não se mascara, Não se inventa. Sente-se.
Sábado estarei na Vila Alice, deste lado de cá, sentindo com o coração que mora lá desde que nasci.
sexta-feira, 30 de março de 2012
foi assim
Saí de casa já era noite. A cidade cheira bem. As flores espalham o seu perfume adocicado.
Percebe-se a primavera no ar fresco da noite que não chega ao arrepio.
Há grupos de mulheres caminhando apressadas como se fossem apanhar o comboio ali para as bandas dos Riachos ou do Entroncamento. Como se costuma dizer, com o fogo no rabo. São as hormonas aos saltos. A praia no dobrar da esquina deste tempo quente. As gorduras necessitando ser eliminadas. É a vontade de ser bonita, agradar e ser desejada.
Desço a rua. O ginásio da Lena C. está ao rubro. Todas as noites a sala das máquinas tem as portas abertas e da rua podemos ver o andamento destas pessoas que malham sem parar, ajudadas pelo PT.
À minha frente reconheço as traseiras de um homem especial. O andar e a forma de vestir. O tamanho imenso.
Tenho uma amiga à espera no fundo do viaduto. Hesito entre atravessar a rua seguindo o meu caminho ou apressar o passo para lhe chegar e assim cumprimentá-lo. Não posso deixar uma pessoa à minha espera no fundo do viaduto já noite escura. Não que seja perigoso mas é concerteza intrigante para a mentalidade de certas pessoas. Ainda há quem pense que há gente no " ataque ". Pobre da minha amiga. Ocorre-me outra, que brinca com as histórias das violações, nós que trabalhamos todas com o mesmo, e que diz sem o menor pudor que se alguma fosse violada tinha de colaborar...coitada da minha amiga! À minha espera no fim do viaduto numa cidade que a partir das oito da noite não mexe senão à sexta-feira e sábado quando caem cá todos os forasteiros que acham a noite em Torres Novas, fantástica, só porque lá na terra deles não têm discotecas nem uma praça 5 de outubro cheia de bares e de gente a beber copos e a ouvir música nas esplanadas.
Quase sem querer, atravessei a rua. O Luís M. olhou para trás. Como frequentemente acontece quando parece que algo nos obriga a olhar para trás. Sorriu, voltando-se para a estrada e atravessando-a.- Olá! Hoje vais andar sozinha? Então e a Manuela?- Está de férias, mas tenho outra amiga à minha espera.
- Estás em forma?! Cada vez te acho melhor. Quantos quilómetros?
- Sete. Mais ou menos. E aqui para nós que ninguém nos ouve, domingo fui fazer a meia-maratona. - A sério? Isso é muito bom. Quanto tempo demoraste? - Hora e quarenta mais ou menos. O Luís M. é uma boa pessoa. E sábio. E deixa falar o poeta, o cartoonista, o desenhador, o reflexologista.E disse-me que eu estava mais bonita. E eu percebi. Com as letras todas o que os olhos do Luís lêm.- Não te empato mais. Vai lá ter com a tua amiga.
- Sete. Mais ou menos. E aqui para nós que ninguém nos ouve, domingo fui fazer a meia-maratona. - A sério? Isso é muito bom. Quanto tempo demoraste? - Hora e quarenta mais ou menos. O Luís M. é uma boa pessoa. E sábio. E deixa falar o poeta, o cartoonista, o desenhador, o reflexologista.E disse-me que eu estava mais bonita. E eu percebi. Com as letras todas o que os olhos do Luís lêm.- Não te empato mais. Vai lá ter com a tua amiga.
E eu fui. E andei como noutras noites. A cidade já mexe mais qualquer coisita. É do calor que se faz sentir. E do verão na curva do caminho espreitando para todos.
segunda-feira, 5 de março de 2012
pela manhã, segunda-feira
Desço a rua do antigo centro de saúde que foi isla e a seguir salas da secundária maria lamas e hoje é atl. Como sempre, andando rápido. Nas minhas sabrinas mais novas que parece que são como redbull dando-me asas para voar mais rápido até ao viaduto.
Uma mulher com a minha idade tem de se calçar confortavelmente. Já não deve embarcar em saltos, modas, montras apelativas e amigas que se exibem no alto das suas andas como se deslizassem de patins porque não palmilham ruas, becos e esquinas como eu, nem devem ter uma coluna como a minha, que ainda hoje achei que em vez de 56 anos tenho para aí oitenta e ia a descer a rua do atl e a pensar para com os meus botões - maria clara isto não se põe melhor, e se um dia queres andar e não consegues? E quem te mandou quereres viver no topo dos prédios, sem vizinhos por cima? E quem é que te vai valer? E...
Avistei o João S. ao fundo da rua. Mudou o sobretudo escuro para uma gabardine beje. Quem lhe disse que ia chover? E calças bejes também. Como se o João precisasse de chuva para se exibir. ou de verão para calças brancas. Com a sua velha pasta na mão como se de um executivo se tratasse, sempre gostou de parecer mais do que é, o seu andar de passos curtos e um sorriso sempre igual, aproxima-se de mim. Hoje páro. Assim como assim nem vou atrasada. E é segunda-feira. Já basta o que basta e o João tem sempre uma qualquer saída que me faz sorrir. Previsível e bem disposto ainda que o mundo esteja para acabar mais logo.
Avistei o João S. ao fundo da rua. Mudou o sobretudo escuro para uma gabardine beje. Quem lhe disse que ia chover? E calças bejes também. Como se o João precisasse de chuva para se exibir. ou de verão para calças brancas. Com a sua velha pasta na mão como se de um executivo se tratasse, sempre gostou de parecer mais do que é, o seu andar de passos curtos e um sorriso sempre igual, aproxima-se de mim. Hoje páro. Assim como assim nem vou atrasada. E é segunda-feira. Já basta o que basta e o João tem sempre uma qualquer saída que me faz sorrir. Previsível e bem disposto ainda que o mundo esteja para acabar mais logo.
- Sempre que te vejo lembro-me de há 30 anos atrás. Ou mais...
- Ai é? - Curiosamente eu também me lembro dos tempos passados. Desse tempo divertido e inconsequente, na década de 70. Éramos, a bem dizer, uns miúdos. Ele acabado de chegar de Nambuangongo, assustado e cacimbado de todo, e eu, triste, terrivelmente triste, de Luanda. E nos juntávamos na Império, da Bia, a dona da pastelaria, do sr. Alves, empregado com quem os rapazes gozavam pelo seu jeito feminino, que exagerava para os ouvir, no Viela, do Sr. Mário, na Abidis do Manel, homem ressabiado, racista e politicamente infeliz, que acabou por acabar com a vida deixando filhas bebés ao deus dará que tiveram que crescer sem pai. E nos juntávamos na praça 5 de Outubro e tirávamos fotografias no castelo e passávamos horas na esplanada da avenida que na época era dos pais do João jogador de hoquei, briguento e...comunista, o que não abonava nada, mesmo nada a seu favor, hoje convertido num respeitável solicitador, professor, pai de família. Um senhor.
- Ai é? Ecoou na minha cabeça.
- Ai é? Ecoou na minha cabeça.
- A sério. Lembro-me daqueles tempos. Era porreiro não era? Não era como hoje. Quais computadores qual carapuça. A gente vinha para a rua curtir. Com pouco dinheiro. Nenhum. Tesos, ó Clara, tesos mas novos e felizes. Os cachopos d'agora não sabem viver - E riu-se.
- Pois. Tens razão. Nesse tempo fumavas à borliu um maço por dia, chulando uns e outros. Ainda fumas?
- E ainda cravo. Voltou a dar uma gargalhada. Bons tempos Clara, bons tempos. Olha, vou-me embora até ao estádio. Às nove e meia tenho uma reunião com o presidente da câmara. O espeta-figos. E riu-se de novo.
- E ainda cravo. Voltou a dar uma gargalhada. Bons tempos Clara, bons tempos. Olha, vou-me embora até ao estádio. Às nove e meia tenho uma reunião com o presidente da câmara. O espeta-figos. E riu-se de novo.
O alcaide, como diz uma amiga. O alcaide e o João S. reunidos por causa do desporto da cidade. Do concelho. Olha que dois! A alcunha de espeta-figos diz quem estudou com o alcaide que lhe vem dos bancos da escola. Por ser alto. E magro, à época.Dissemos adeus como sempre, num chau e até outro dia. Ele seguiu para o estádio e eu em sentido contrário, para o viaduto. Mais uma vez sorrindo do João e para o passado comum.
Desse tempo ficaram algumas pessoas que raramente encontro. O Tó e a Luísa são os que vou vendo por aí. Nas ruas da cidade, esta última. O outro, nas festas da cidade ou na feira medieval, e pouco mais. O Bispo, partiu para sempre, numa viagem de comboio que acabou tragicamente, em Santarém. Foi há tantos anos quantos a minha cria mais velha tem de vida. Foi no ano em que nevou em Torres Novas. Como o tempo passa, Jesus Maria! Como o tempo passa... Subo o viaduto com o sabor doce da nostalgia. Do tempo em que a feira de março se fazia no Rossio, ao cimo do viaduto. E eu, o Tó, o João, o Bispo, a Luísa, e outros, em procissão, subíamos a ladeira de Santiago a caminho da feira, das farturas da Pina, dos tirinhos, dos jogos de matraquilhos, dos carrinhos de choque e do algodão doce. Da diversão barata e possível.
Quantos anos tinha, mesmo? Poucos. Muito poucos. Vinte. Pouco mais.
Hoje, segunda-feira, o João foi assim como uma fada, que com a sua varinha mágica tocou nos dias vividos em que eu era feliz, livre, jovem, e não desconfiava o que era ser feliz, só porque sim. Tocou e fez-me recordar com saudade esse tempo.
Hoje, o viaduto não me pareceu nem tão longo nem tão íngreme, nem tão cansativo.
terça-feira, 7 de junho de 2011
des(encontro )
Tenho almas penadas na vida que escolhi e na que rejeitei também. Na que vivo e suponho que, na que viverei. Cruzaram-me os dias, os anos, muitos anos. São um clã, penando.De vez em quando, desgarradamente, saem das trevas e dos silêncios que escolheram como eternos. E tal como eu, e outros mortais, saem às ruas, que eu não me nego a percorrer. Eu, que não sou alma penada, pois sou inocente, embora juíza de mim própria.
Como as almas não têm rosto, quando alguma passa por mim tenho alguma dificuldade em lhes perceber a expressão. Como Deus é meu amigo serena-me o espírito e faz-me expectante. E como também é amigo de alminhas destas, porque Deus é amigo de toda a gente, coloca palavras de salvação na voz cavernosa da alma penada.
Hesitante, apavorada, sem pingo de cor, que as almas não têm cor, sobretudo as penadas, desejando ardentemente voar dali para fora nas asas de alguma coruja, levo com a triste e amargurada alma, um pouco gorda, também. Cai-me na sopa. Talvez a providência divina, responsável pelo seu alimento para a subida de uns degrauzitos a caminho de ser melhor e mais leve, lhe tenha dado o empurrão. O tropeção. Tive dificuldade em saber o que fazer. Por segundos que me pareceram horas. Os meus olhos bateram de frente, sem pestanejar ou alterar a expressão. Como se, de gesso me mascarasse. E respondi à saudação. Incrédula, não estava a perceber, nem a acreditar nisto. Porém não parei. bastava uma hesitação minha...e ela, a alma penada movendo-se a duras penas, teria parado, ali mesmo à minha frente. Não parei. Não tive medo. Nem raiva. Nem ódio. Não foi num cruzamento. Cruzes, canhoto, chapéu de côco...mas não parei. Eu ainda estou viva e inocente. E não desejo encontros do outro mundo. O monólogo em que me silenciei até chegar ao meu altar sagrado fez-me entender que há caminhos tortuosos que temos que ultrapassar. Se queremos subir. Depois da subida o que fica? Uma sensação de paz profunda e uma pena imensa de almas que não encontram a Luz. Ontem, enquanto percorria o caminho que me leva à minha rotina solitária, onde só entra quem eu deixo, senti-me uma boa pessoa. Tem dias assim. Não duram. Porque se durassem era um paraíso pasmaceiro. E depois, ser boa pessoa é relativo. Neste caso e comparando-me com o clã de almas penadas que eu conheço e me cruzou a vida, sou uma santa.
segunda-feira, 30 de maio de 2011
salud senõra
- Por favor, sabe de um restaurante para comer frango? perguntou-me uma mulher sozinha e aparentemente da minha idade, falando num espanholês perfeitamente perceptível. Eu descia os Restauradores a caminho da Praça da Figueira. Parei para responder e verifiquei que ela se escapava de um metediço, com ar desleixado, que me disse: deixe lá que eu ensino a senhora. A turista em questão, agarrou-me o braço e disse: Posso ir com a senhora? Ele está aqui para roubar. A senhora não sabe do restaurante?! No hotel disseram que era por aqui. Mas aqui na baixa tem muitos, onde pode comer bem, esclareci. Continuava a caminhar ao meu lado. Subitamente, olhou-me para os pés e disparou? - Você não cai dos saltos, nesta calçada? É perigoso. Como é que consegue? Eu não uso. Vieram-me à memória todas as quedas que dei, sempre de sapatos rasos, ou quase sempre. Em seguida passou à crítica aos franceses. Aqui tem muitos franceses. Isto quando passaram por nós vários turistas franceses. Eles são antipáticos não acha? Eram demasiadas perguntas. E o que devia responder? Sei lá se são antipáticos. Já lá estive e não tive grande razão de queixa, embora ache que falam muito alto, são indiferentes e um pouco desarrumados. - Acha? perguntei. - Acho! Você é espanhola? continuei. Não, sou da América do Sul. Não quis dizer o país ou não achou importante. Não insisti. Não me interessava saber. Começava a chover e estávamos já no Rossio. Parou para comprar um chapéu de chuva. Despedi-me. Desejou-me salud. Desejei-lhe boas férias. Repetiu: Salud senõra. Fiquei a pensar nos saltos e na observação. Na chuva, na calçada e nas quedas. Nas férias...sábado, 9 de abril de 2011
sakidila
Hoje estive num lugar de gente que se cruzou comigo no becos da vida. Nas ruas da inocência dos verdes anos, nos quintais das maçãs da índia cassumbuladas, num consentimento autorizado pelos pais dos nossos vizinhos e amigos.
Hoje estive num lugar que não está às portas de África mas tem uma janela, de onde se vê o passado terno, da cor da amizade, sabor a infância e cheiro a frangipani e flor rosada do imbondeiro.
Hoje estive num lugar onde o som teve o ritmo da dança riscada no salão de outros tempos, sembada agora no resgate do que já vivemos.
Hoje estive num lugar onde as lágrimas se misturaram com sorrisos e as palavras e abraços tiveram o tamanho da nossa saudade. Calma e lúcida saudade.
Hoje, neste lugar vivi o presente, isenta de fantasmas do passado e na leveza das memórias bailando-me no coração.
Hoje gostei deste lugar e gostei de estar com as pessoas com quem me cruzei um dia, feito dias e noites, anos, vinte anos, do outro lado do tempo. Do outro lado da vida.
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