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quarta-feira, 18 de julho de 2018

alegoria

Se eu ainda sonhasse acordada, procurava um lugar em frente ao mar, para te imaginar...
E se ainda tivesse fé, oraria a Deus, aos Anjos e Santos também e sorria na esperança de dias de bonança...
Se eu ainda tivesse força na voz, pediria ao Universo a graça de abraçar esse plano de acreditar - ali em frente ao sol, ao luar, ao oceano...
E se ainda soubesse cantar, escrevia uma balada, poema da minha autoria, para te oferecer na chegada, como prova da minha alegria... 
Morreu-me o sonho de crer no que não vejo, não oiço, não pressinto. 
Não alcanço.
Hoje o tempo dá e tira, leva e traz - bem não faz, e eu que já perdi o voar, espero a noite tombar para disso me esquecer, adormecer e no sono profundo, sonhar...

m.c.s.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

divagando

Há dias assim. Que o não vai dar uma volta e pôe no lugar o sim.
Que a pergunta tem resposta. E a rosa abriu no jardim.
Digo eu, passeando por pensamentos ao deus dará.
Será?!

m.c.s.

sábado, 27 de julho de 2013

porque hoje...é sábado!

Hoje é um bom dia. É sábado. E ... oxalá... 
Que se criam sempre grandes e habilidosas expectativas ao seu redor. 
Porque é sábado, se torna o dia dê do calendário. E calava-me já, que as palavras são desnecessárias. As evidências falam por si e por mim. Lembrar Vinícius é uma saída airosa para quem gagueja perante a nobreza do dia.
Falar do dia enquanto se espera dele o melhor, é o meu vício. Um dos. Como tal, siga a marinha...
Juro, eu não queria. Mas eu não queria mesmo. Tinha até jurado sangue de cristo. Oh! Qual cristo! Meter cristo nisto é um pecado mortal. 
Era escusado associar o sábado ao mar. Está escandalosamente implícito e hoje eu queria era fugir do lugar comum. Não bater mais no ceguinho, coitado, pois está farto de alombar comigo. E eu estou farta de chover no molhado. A pessoa cansa-se. 
Mas marinha, lembra mar, este lembra água salgada. Praia. Biquini e toalha. Mirones. Sol. Mergulho e pirolitos. Lembra até baleias e tubarões. Engatatões. Alforrecas e peixe-agulha.
Nadador-salvador. Bola de nívea. A embandeirar em arco. E a propósito, lembra bandeiras . A vermelha. E aqui paro porque o mar está revolto e se calhar vêm aí as marés vivas nesta minha morta vontade de naufragar. Vai que me teriam de salvar da minha ignorância de nadar? Vai que me deixava enrolar na onda maior e não me fariam respiração boca a boca?!
Vai que eu não teria como agradecer? 
Se sigo o caminho da praia, o dinheiro vai miseramente contado não vá o diabo tecê-las e os amigos do alheio, que têm olhar de lince e mãozinhas marotas pensarem que pelo andar da carruagem sou apessoada de excessos. 
Pois é, não me parece boa ideia, tentar-me a nadar, seja lá de que modalidade for num mete nojo que deus me livre e guarde, não vá eu ficar no mato sem cachorro, sendo que os nadadores-salvadores estão lá para qualquer afogamento, mas há que evitar excessivas e inconscientes pretensões. 
Hoje é um bom dia. E...oxalá...mas não. Há sábados destes. Sem sol e sem mar. Sem mergulhos na asneira e no vazio. No arrependimento. Sem sul nem andorinhas do mar ou gaivotas. Sem albatrozes e outros algozes. 
Ainda assim, tenho para mim que o mar me chama. Me desafia. Me provoca e me estimula. Aguarda e guarda lugar de podium para o avistar mais e melhor. Acho até que me dará uns binóculos para mais rigorosa observação.
Tenho para mim que ainda vamos rir muito. Por último, que é quem ri melhor, enquanto o pôr de sol se põe a sul. Será que estou a prever uma insolação?
Aprendi que tarde é o que nunca vem. Um dia destes, se Deus quiser, Ele quer, estarei em frente desse imenso, provocador, fascinante, tranquilizador e estiloso mar do meu sonho de sábado atrás de sábado. De estória atrás de estória. De ideia atrás de ideia. Sem ficção. Que o mar existe e eu gosto dele. Demais. Romanticamente demais...
Mas hoje, apesar de sábado e do meu romantismo, a minha onda é outra.

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

divagando II

Digo eu sem querer esforçar-me muito…

Sou intuitiva e por isso intuo
Sou curiosa e por isso procuro
Sou preguiçosa e nem sempre encontro

Concluo bocejando que, de nada vale achar se não me dou por achada.
m.c.s

divagando

Sou pitosga e nem sempre vejo os sinais
Portanto se achares que não estou a entender, não gesticules, desbronca-te…


m.c.s.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

parei na esquina...

Parei na esquina. Gosto das esquinas desde kanuca. 
Naquele tempo, a esquina da escola 83 nos conhecia bem. De olhos fechados. Demais. 
A mim e à minha kamba Milú. Ficávamos a ver escurecer. A rir e a gozar, aiuê, na hora que tudo muda. No poente, sem medo da hora do lobo.
Na nossa terra os jovens não têm medo. De abuso até são atrevidos. E ficam assim para a vida.
Ficávamos a ver a nossa vida correr por entre estórias onde as princesas, nós, na frescura da inocência exibíamos umbigos grandes, bué gigantes. Do tamanho do mapa que estudámos, que diz, é África. O mundo éramos nós. E depois de nós, outra vez nós. No nosso bairro. 
E os sonhos eram p'ra já, no outro dia, quando os namoramentos se desenhassem e abrilhantassem de corações com setas de cupido, o horizonte, que podia ser no outro largo, no outro beco, na outra esquina e nos seduzissem com cantadas daquele tempo, num piscar d'olho, numa canção do bandido, de trazer por casa, que podia ser o Roberto Carlos a cantar, eu te amo, eu te amo, eu te amo... que nos encantava. E o bairro ficava parece virava festa com o amor aos saltos por entre as poças de mais uma chuvada acabada de cair, de molhar, de limpar a poeira vermelha que sempre se fazia notar e que vinha lá dos outros bairros. Se fazia notar, quase tanto como o ridículo dos nossos rostos ruborizados e encantados de paixão e esperança. Cheios de borboletas a esvoaçarem à nossa volta. Aiuê, vaidade! De andar de mão dada com o kanuco mais estiloso da outra rua.
Parei na esquina a olhar as coisas passadas. Gosto de ficar assim, quieta, parada, sem mexer ou baralhar os sentimentos. D'olhos abertos, ou semi-cerrados, a saborear esse cheiro, perfume de frangipani, rosas vermelhas de paixão ainda candengue e inocente, pura que nem ar da roça. Esse cheiro de manga madura dos quintais da rua e de casa. Do bairro. Esse perfume da felicidade que não se esquece mais, mesmo que vividos outros bairros, outras ruas, outras casas, outras terras e outros amores.
Gosto de ficar a sentir o coração a bater no peito, tum tum tum, tum tum tum, parece vai  sair pela boca só de lembrar, parece me vai fazer desmaiar, acordar, ressuscitar. 
Gosto de ficar na paz, a sorrir para o que foi e já não é, podia ser mas não foi, nunca mais é.
Gosto de ficar a me enganar de faz de conta, pode vir a ser se não desanimar e Deus ajudar e o kimbanda não se enganar. 

Não baixar a guarda, lutar, teimar, teimar, teimar, acreditar... 
Olho o vazio que  ficou depois do depois. Fazer o quê com esse espaço que não lhe sei dar uso, transformar ou substituir? Ocupar?!
Olho o que restou do momento, da hora, do dia, do sol e do luar, da estrela cadente e da estrela do mar, que me disse que o amor não se enganou, não morreu, o sonho não se perdeu e o tempo não me venceu. 
Parei na esquina,  onde gosto de ficar...
Dali, olho o que foi e o que pode vir a ser, neste presente que é e não é. E nem a lágrima que rola livre, me intimida, neste privilégio de saber quem fui, quem sou, quem foste e quem és. Neste privilégio de te amar... 

terça-feira, 5 de junho de 2012

encontro

Não digas nada.
Não quebres este silêncio perfeito, d'um amor imperfeito, fascinado pela capacidade d'amar longe e além de segredos, confissões ou desculpas mais que perfeitas.
Que toca há muito o sobrenatural.
Que chega perto do divino e é já uma eternidade. 
Que foi escrito nos céus com a alma radiante de quem nunca é distante, porque sente este amor sem idade. 
Não digas nada. 
Porque sei das palavras  que guardaste, d'encontro em encontro, ao desencontro e à ausência de estarmos, sermos e amarmos.
Sei dos versos que ficaram por escrever. Da voz que nem aprendeu a ler.

Dos poemas que ficaram por cantar e até o que nunca saberás dizer.
Não digas nada. 
Assim, secretamente inocente te mantenho vivo.
Reconstruo-me. Reconstruo-te na memória. Sem mácula, filtro, culpa ou desculpa.

Pincelo a branco cabelos loiros. Desenho rugas nos olhos brilhantes. Acrescento o velho sotaque na voz. 
Entro no jogo de bola nos pés. Passo-ta. Apelo ao sorriso maroto. Sarcasticamente, ou será que ternamente? me sorris. Sorrimos. Simplesmente.  
Já te oiço a gargalhada. Sinto a intimidade que não se perdeu de nós, na distância, no tempo e na idade...ainda.
Ponho-nos na expressão, a saudade. 
Na voz, a ternura. No abraço, o calor. No sentimento, a elevação.
Reconstruo-me. Reconstruo-te. Somos a emoção. 
Não digas nada...    

sábado, 3 de março de 2012

divagando-te



Na noite que chega, no sono que acena, na dor anestesiada, deixo a porta entre-aberta. 
Descuidadamente, viciadamente,  no trinco.
Numa inconsciência premeditada.
Entras no meu sonho. Na minha preguiça de viver. Sem bater. Sem nada dizeres. 
Puxas o banco, devagar. Estudadamente devagar. E numa estratégia recorrente, numa pose, numa posse desinteressada, jogas-te. Jogas-me. De frente p'ra mim. De frente p'ra ti...
Entras-me nas pupilas, na pele, na alma, militantemente adormecida.
Olhas-me nos olhos, como se todas as noites, todos os dias, todas as terras me trespassasses.
Sentada, não digo nada. Não faço nada. Espero. Como ontem, anteontem, no século passado. 
Espero um  amanhã. Um mais que nada.
Porque me visitas a noite esquecida e me ofereces sorrisos? 
Porque desenhas nas sombras, o sol da manhã?
Porque me desventras a madrugada?
E suspendes entre os dedos das mãos abertas, que articulas como marionetas, futuros inventados...
Hinos de memórias fechadas à chave nos dias de  cacimbo verdadeiramente vividos, mais do que sonhados...
Horizontes de buganvílias. Perfumadas e coloridas.
Trepando vontades, entrelaçando esperanças, embelezando saudades...
Um dia, uma noite, aposto sou eu que vou entrar no teu sonho e te pergunto assim num de repente tudo o que me vai no espírito. Na mente. Acho depois,  vou ficar muito tempo a sonhar-te...