sábado, 1 de junho de 2013

o sonho

Tive um sonho. Cheio de sinais, gestos e palavras. Cheio de ti.
As palavras, essas, ecoam ainda dentro de mim. Gravidamente.
Sim, eu sei que foi um sonho. É sempre um sonho. Com intervalos pesados. Longos e vazios de ti. 
Nesse espaço de tempo cronometrado, sei-te como me sei. Como me aprendi. Almas que nunca serão gémeas vestindo a mesma cor, o mesmo tamanho, dançando a mesma balada. Abraçando-se como se fosse o último abraço, ou o primeiro. Dedos que se tateam e se encontram. 
Faz tanto tempo que não nos desenhamos simetricamente que até parece que nunca saímos do sonho que não sonhei, receosa de acordar. E do intervalo. Com medo de te esquecer.
Não, estou a pensar mal. Com dureza e desesperança. Eu nunca te esqueci. Tens sido a lembrança do sonho que não sonhei porque me acordaste tantas vezes como as que te quis sonhar.
Na verdade, és um sonho meu. Recorrente. Não existe nem talento nem imaginação para sonhar outro tu diferente. Só me conheço em ti. Só te conheço a ti. Na motivação. Na inspiração.
Não quero deixar de sonhar-te. Diz que quando a gente sonha, a gente vive. A gente convida e recebe. A gente é. Num tempo só nosso. 
Também não quero ser sonho de ninguém. Só teu. Já te sonhei tantas vezes que conheço os caminhos dos nossos sonhos. Os nossos encontros. Reencontros a darem-se as mãos. Lavarem as almas. Parar o momento. 
É isso. Sempre que te sonho o mundo pára. O relógio avaria. A calendário é rasgado. 
Fazes-te único. Fazes-te perto. Tão perto que te oiço a voz. O sotaque. A gargalhada e a piada. Te oiço emoção. Te sinto o coração.
Tive um sonho. Já tive muitos. Afinal não sei sonhar outros. 
Enquanto te sonho e não sonho vou calculistamente abrindo estrada para te fazeres perto. 
Sempre mais perto. Se não sonharmos juntos, ao menos que vamos para intervalo ouvindo a mesma canção.

2 comentários:

Agostinho disse...

Porque não concorrer? A FNAC,p.e., tem até dia 20 aberto concurso para novos talentos.
A M.C. tem material mais do que suficiente para reunir em livro quer em poesia quer em prosa; e até em fotografia mostra "bonecos" interessantes.
Parebéns!

AJ

Maria Clara disse...

Obrigada. :)