sábado, 6 de dezembro de 2014

uma história de quase Natal



Pessoa de gostos simples, alguns pirosos, passeio-me pela cidade conforme me dá mais jeito. Vou a lugares comuns a pobres e ricos, remediados e d' outros. 
Desta feita, tinha encontro marcado com a Amizade no centro comercial Colombo, lugar que ambas ( eu e a amizade ) tratamos por tu. Quer nas lojas para as nossas bolsas, no hipermercado, nas praças centrais, quer na Restauração. Não me rala que me digam, que horror, centros comerciais! Para quem? Sou eu que vou. Que digam que é onde vai todo o bicho-careta. Tão pouco que falem nas minorias ( aonde é que eu pertenço? ), que crescem e se tornam avassaladoramente maioria. Muito menos que digam que detestam, odeiam, não sei como és capaz. E acrescentem, ainda se fosse o Amoreiras ( coisa chique, porque torna e porque deixa, ao domingo de manhã encontram-se por lá os políticos e outros que tais, baaaah! ), o Átrio Saldanha ou o Corte Inglês ( os novos ricos e os velhos gagás tresandando a euros. E não vou também a esses? ). Não quero disso saber porque quem vai ao Colombo sou eu e lá me sinto bem. Desde a primeira vez acabado de inaugurar. Devo dizer que pode passar-se um mês sem que o visite, como numa semana posso lá ir dia sim dia não.
Ontem foi dia. Depois da filha sair no Alto dos Moinhos, vindas d' um pequeno almoço na estação fluvial do Terreiro do Paço, segui sozinha ( mais uma carruagem a abarrotar que isto já é Natal e há dinheiro pelos vistos ) até ao Colégio Militar. 
Aí chegada comecei o périplo por lojas que me interessam. Douglas, Área, Zara, Zara Home, Nature, Misako, Ritual, Parfois, Celeiro, Gato Preto e Fnac. Aqui procurei os livros duma lista que me foi facultada para que escolhesse um. Para oferecer, está claro, porque para mim vi lá vários, o último do Ondjaki, o último do Lobo Antunes, por exemplo. Mas, primeiro quem está primeiro. 
Comprei então dois livros para duas pessoas do meu coração. Contente com a compra, até porque tinha 10 € em cartão, lá fui eu almoçar. Sozinha. Uma sopa, um crepe de legumes e frango e um sumo natural. O saco sempre comigo, evidentemente. A seguir fui à casa de banho, pendurando o dito saco no gancho da parede. Estava eu na Primark ( loja procurada pelos menos brindados pelo dinheiro ) quando tocou o telefone. Era a minha amiga dizendo onde estava. Desci até à praça principal. A da árvore de Natal. Procurei-a e não a encontrei. Enquanto esperava mesmo em frente às escadas rolantes de acesso aos andares de cima, resolvo tirar umas fotografias. Fui andando e fazendo a volta à árvore. Ela liga-me. Percebo então onde está. Nesse momento apercebo-me que não tenho o saco da Fnac. Olho em volta. Lembro-me que fora à casa de banho. Subo a escada rolante nada convencida de que os livros estivessem pendurados no interior duma casa de banho visitada por tanta gente, alguma apenas gentinha. A meio lembro-me que andara na Primark com o saco da Fnac. Desço rapidamente. Penso que estou xexé pois só posso ter perdido o saco sem sequer dar por isso, quando andei a fotografar a árvore de Natal ( coisa importante  ). Tristíssima e furiosa comigo própria, desacreditada no mundo em geral e neste em particular, desço as escadas rolantes. No pilar bem em frente vejo um saco grande e amarelo. Respiro fundo e acredito que pode ser o meu saco.
Sorrio direita a ele. Era o meu saco. Com os dois livros dentro. O tempo que passou desde que o deixei ali até que o  recuperei seguramente foi de mais de meia hora.
Há horas de sorte. Aquela foi uma dessas. Quem diria?! Ganhei a tarde. 
E mais que isso, pensei contente que ainda há gente séria. Que não mexe no que não é seu. Felizmente para mim.


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