sábado, 23 de abril de 2011

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Chegar-te


Estou sentada. Aqui. Entrei na noite, no sofá da sala. Esticando as pernas para o descansa-pés. Ligando a televisão e na imagem navegando por mares de espuma, azuis e mornos, nas asas duma andorinha, gaivota ou albatroz. Tu saberás que ave me fará chegar a ti. Não sei porque estou aqui. Insistindo em ti. Relendo momentos breves. Revendo imagens de luz. Sorrindo palavras de apreço. Deixando escapar uma gargalhada baixa, de algum constrangimento. Até acenando com a cabeça. Não sei porque, mas espero. Um olá. Um sorriso. Um gesto, um pouco mais do que desconhecido, um pouco mais do que indiferente. Um pouco mais...Por momentos imaginei-te dando um ar da tua graça... hoje seria dia sim. Afinal, de ti nem a sombra. Talvez a chuva tenha parado e fosses ver o mar, talvez quisesses sentir o doce aroma das flores de frangipani lá para as bandas de Luanda, talvez alguma caçada pela savana te aguçasse o engenho, talvez precisasses regar a pitangueira do quintal ou banhares-te na lua cheia da baía. Não estás. Não te sei, nem te sinto. Não te cheiro nem te oiço. Não te encontro nem te procuro. Sei-te algures por aí, numa lonjura que não vislumbro. Se tu sabes de mim, não sei. Se tu sabes o que me sinto, não sei. Sei apenas que hoje me lembrei de ti e voei nas asas de uma ave qualquer, andorinha, gaivota ou albatroz! Que importa?! Se por ti sou capaz de voar e chegar-te...

arte e manha...









fotos tukayana.blogspot

Somewhere in Time (Orig. Movie Score) ♥ John Barry - Composer

esperteza saloia

Eh pá, caraca! A sério!!!! Já não se aguenta isto. Estou pelos cabelos com a insistência dos orgãos de comunicação social nesta notícia que aponta o dedo à tolerância de ponto dada aos funcionários públicos. E vem de lá aquela senhora portuguesa que fala com o bicho papão dizer que parece mal e tal e coiso, que até parece que não gostamos de trabalhar e queremos continuar assim. Quem pediu essa tolerância? E não foi sempre dada a cada quinta-feira santa? E afinal, vamos lá a saber... quem nos critica por pagarmos a crise? Quem? Não ouvi...Eh pá, deixem-se de m*****.

a minha gargalhada de escárnio!

" Sócrates internado no júlio de matos, com alucinações!!! Só ouve passos de coelho e portas a bater "...

o doce da vida


A Páscoa pôe-se a jeito para os chocólatras.


Amigos, dependentes de chocolate, como eu... Vamo-nos a eles que são tão lindos e gostosos!!!! E na Páscoa são permitidos. Se engordam? Ah pois é!!! O que é bom ou engorda ou é pecado(?) Sempre ouvi dizer...E vale mais um desengano que andarmos toda a vida enganados. Vale????


Bom apetite pecadores e gulosos. E sejam felizes.

Venham mais cinco - Zeca Afonso

Não sei porque me lembrei desta música...Ou sei?????

a saga continuando

Aqui está a Pitanga no seu trono preferido. Deste lugar vê a rua, as pessoas que passam e os automóveis. Vê o monte que nos separa do Lumiar, a Igreja, enfim o mundo lá fora, que ela gosta de espiar da janela, mas que não gosta de enfrentar. Aqui está a salvo até de humilhações de um qualquer (?) motorista de taxi que ao seu " miauuuuuuu " lhe respondeu: Maaaau?! Está mau não é? E não se pôe melhor. O taxista de que falo, conversou alegremente todo o percurso que fez comigo, desde Oriente até casa. Optou por portas e travessas, a fim de fugir ao trânsito e eu que confio desconfiando pensei para com os meus botões que já estava a ser enganada, sobretudo quando me disse: Vamos ali ver à 2ª circular se o trânsito está parado; se estiver, meto pela avenida Brasil. E se o disse, melhor o fez. Meteu pelos Olivais, e foi explicando que era assim que habitualmente fugia do maldito trânsito de Lisboa. Conheço bem a zona e percebi que era um bom profissional quando, para além de se desembaraçar de caminhos apertados, mudou o tarifário apenas quando a tableta de Olival Basto apareceu e não antes como todos fazem; antes que a calçada de carriche acabe e muito antes das bombas de gasolina. Quando lhe disse isso mesmo, reconheci o homem. Já por duas vezes seguidas e há algum tempo, me trouxe a casa a partir do Oriente. O discurso foi igual. A senhora não aceite. Estão a roubá-la. Negue-se a pagar e exiga ir à esquadra se eles não aceitarem. O limite de Lisboa está bem assinalado - Está bem está!!! digo eu. Eles é que vão a conduzir, fazem o que querem - Não, não. Nunca pague a mais. Eles não podem fazer isso. Ali estava o senhor que em dois dias seguidos me trouxera ao Olival, creio que na semana do Natal. Eu tive essa desconfiança assim que entrei no carro, mas não atentei bem no caso. Ora, ainda bem que foi ele. Fiquei bem contente porque paguei metade do que já paguei vindo pelo túnel do Grilo num dia não de um senhor taxista que até o transporte da Pitanga me cobrou. Afinal, Lisboa é uma ervilha e a toda a hora me deparo com situações que me confirmam isso mesmo. Não há duas sem três, diz o ditado. E quando a situação me é favorável então eu desejo que venham mais cinco...

quinta-feira, 21 de abril de 2011

enfim a salvo

Cheguei ao Oriente. Dirigi-me ao multibanco. No ombro o meu saco de sempre. Traçado, o computador, na mão direita o saco de viagem e o chapéu de chuva e na esquerda a Pitanga, dentro da caixa. Pûs o pé direito na escada e depois o esquerdo. E...zás. Mais uma vez me baralhei e vi jeitos de rebolar pela escada a baixo. Já caí muitas vezes. Nem sequer me surpreendo a cada queda. O espalhanço faz parte do meu dia a dia. Mas hoje, para além de mim, levava a Pitanga. Acabei sentada na escada ( degrau ) que me amorteceu a queda, A Pitanga ficou ao meu lado. A senhora que ia atrás de mim, ajudou a que me sentasse. Foi uma querida. Até me ajudou na saída. E eu tive um medo louco, coisa de segundos, porque as escadas rolantes não são o meu forte. E passou-me pela cabeça uma história triste, de um casaco midi, que ficara preso na escada e provocara a morte por estrangulamento de uma rapariga, há muitos anos atrás e que fora notícia em Angola. De tal forma me traumatizou que quando cheguei a Portugal parecia uma " besuga " ignorante a cada vez que tinha de andar em escadas rolantes. Em suma, mais um tralho a acrescentar a tantos outros. Esfolei a pele da perna direita e feri o joelho. A Pitanga, bem, a Pitanga, meus senhores, Ganhou!!! Não sei se deva dizer. Vou contar, até porque estou que nem posso com estes acontecimentos. A Pitanga...borrou-se toda! Muito triste, isto. A minha Pitanguinha nunca tinha feito pelas pernas abaixo. Coitadinha...Mas, já cá estamos as duas. Já tudo passou e como tudo está bem quando acaba bem, cheguei ao lar sã e salva e a Pitanga que tomou um banho ( forçado ), já está no seu ambiente. À janela da sala olhando a rua, os carros que passam e a chuva que cai. Eu, aqui estou como gosto de estar. Descansada e preguiçosamente num fare niente vendo também a chuva cair lá fora e ouvindo-a a bater na vidraça.

chove mas não molha

O Ribatejo está a meter água. Como eu. Afinal, podia ter vindo no interregional, mais barato e mais espaçoso, para que a Pitanga pudesse sentir-se confortável e convencida que estava que ainda havia greve, feita otária, paguei 11 euros no intercidades. Verdade verdadeira é que mal se entra, está-se quase a sair. Já estou em Vila Franca. Mais uns minutos e chego ao Oriente. Depois vou rumar a casa direitinha que nem um fuso que com tantas imbambas, não há pão p'ra malucos. E depois, este chove não molha pede lar. Sofá. Livros. Filmes. Televisão. Chá e torradas. É isso. Fim de tarde relaxado. Sem muitos truques que o tempo, esse está a querer gozar com a nossa cara.

lá vou eu...

Já trabalhei o período da manhã. Os senhores que mandam, impuseram-nos a tolerância de ponto. Eu não pedi nada. Até nem queria, mas eles publicaram no DR, e não se esqueceram de falar desse prejuízo de milhões de euros que vão ter hoje com o " descanso " dos funcionários públicos, nós mesmos, os tais " parasitas " da sociedade. Que vamos pagá-las todas daqui para a frente. Eu acho que já vou pagar um pouco hoje, pois que quero ir ali e demorar-me uns diazitos e há greve de comboios. Ah pois, preciso de ir de comboio porque a D. Pitanga vai também. A ver vamos se consigo chegar ao destino. O mano Zé vai ajudar e como sou filha de Deus, Ele vai dar uma mãozinha também. Por isso, aqui vou eu, não a caminho de Viseu mas para a capital, para passar uns dias e a Páscoa também.

às 4ª feiras

foto do google


Hoje é 4ªfeira. Quer dizer, ontem era quarta-feira. Resgatei as noites antigas, que acabaram há pouco tempo, num tempo em que eu e a caçula íamos ao Sr. Vítor, da Tasca. Infelismente o sr. Vítor partiu e a Tasca fechou. Desde esse dia passaram algumas 4ªs feiras. Andámos à deriva porque o hábito fazia o monge e parecia não fazer sentido uma noite de 4ª feira sem ser na Tasca. Há duas semanas a caçula ligou-me para que fossemos à Golegã, ao Barrigas. Já lá tinhamos ido duas vezes. Não fui porque andava numa dieta rigorosa (?), mas tive pena. Ontem, fui eu que não resisti à possibilidade de poder estar umas horas com a caçula. Assim como assim, faz anos sábado e eu não estarei. Nem ela. - Vamos jantar? - disse-lhe. Aonde? perguntou. Pois, aonde?!...Olha, nem que seja ao Mc Donald's, disse-lhe. Tá bem, respondeu-me. Depois ligo-te quando estiver despachada. Por volta das 9 horas ligou, dizendo, que tal e coiso, na praça 5 de Outubro, servem umas tostas belíssimas, e sumos naturais (?) daqueles que bebemos na praia, de manga, cajú, maracujá e por aí adiante. E aí fomos nós direitas ao Blue Moon Club. Só o nome do boteco!!! Eu nem sonhava que ali nas esplanadas do coração da cidade havia uma casa com este nome e que ainda por cima fazia tostas " maravilhosas " de um tamanho gigante e de um sabor fantástico. A caçula lá sabe...que as colegas vão lá almoçar muitas vezes e até comem massas muito boas... Ok. Então vamos pedir as tais maravilhas da gastronomia, do blue moon club. Que diga-se de passagem, esteve blue sim senhora, carago!!! Lotadíssimo, o espaço respirava futebol por todos os poros através dos formandos da EPP, que eram mais que muitos e acérrimos defensores daquela região que dizem que é uma naçon. Deixamo-nos ficar na esplanada e iamos apreciando o manjar dos deuses bem como os comportamentos da rapaziada, quase meninos e tão acelerados num comemorar de três golos como se estivessem na casa deles, no Dragão. A páginas tantas, passou por nós uma criatura do meu passado longínquo e isso suscitou comentários e ocorreu à caçula uma cusquice. - Já sabes que a Tasca vai voltar a abrir? Vai? - E tu conheces o novo dono, disse ela. E eu fiquei muito contente. Porque o Alfredo vai poder continuar a trabalhar, ( era um assunto que me deixava preocupada ), e porque afinal vamos continuar a frequentar o espaço. Não estará o sr. Vítor, mas conheço o novo dono há muitos anos bem como a sua família, que me é chegada. A caçula sabe das coisas. Ora então, a cusquice, não é senão uma novidade que me agrada. E já não é segredo pois que o dono divulgou-a à caçula e a quem com ela trabalha. Estávamos nós falando no caso quando passou o novo proprietário do espaço, bem como a pessoa que vai desempenhar as funções que o sr. Vítor desempenhava. Talvez para a semana já possa jantar na " Tasca " o restaurante onde eu mais gosto de jantar e estar. Até lá, aguardemos então. E para o caso de não abrir, sempre há as Pizzas, as Tostas, os hamburguers e outros...tudo coisinhas que não fazem nada mal, nem nos trazem dissabores estéticos...afinal, para me desculpar, apetece-me dizer, como uma amiga minha - " quero lá saber, já fechei a porta ". Mas não. Que eu sou a dar para o claustrofóbico e preciso de portas e janelas abertas...

quarta-feira, 20 de abril de 2011

entre o susto e a distração

Cheguei à estação às 8,16. Faltavam quatro minutos para o autocarro partir. Folgadíssima, parei uns minutos na boutique 111 para perceber que as roupas da montra pouco melhor são que as da montra dos chineses, mesmo ao lado, mas os seus preços são como a noite do dia. Na estação apenas se encontravam dois autocarros. O espaço habitualmente ocupado pelo meu autocarro estava vazio. Partia um autocarro, no momento. Olhei de novo o relógio. Era o branco. Se fosse o azul, dava-lhe o desconto de 4 minutos, pois que está atrasado esse tempo desde que o comprei, só que ainda não descobri como acertá-lo. Afinal, é só uma questão de fazer contas. Corri para a rua de onde chegara. Com um pouco de sorte, o motorista conhece-me e pára. O sr. margarido está a fazer outra volta, agora que não há putos para a escola. Mesmo a tempo, e afogueada de todo, vejo surgir o autocarro. E leio a letras vermelhas e saltitonas - ABRANTES - Fiquei a falar sozinha. Acho que até sairam uns impropérios, como de costume. Voltei para trás, a pensar já na minha vida a andar para trás. Com o tribunal em férias judiciais, os funcionários foram para férias e há um pequeno número assegurando os serviços urgentes, telefone e entrada de papéis, bem assim como o público. Isto quer dizer que eu tenho de estar às 9 horas no meu posto de trabalho pois estarei sozinha na minha secção. Isto quer dizer que se o mano Zé não me puder levar a Alcanena, estou frita. Ia eu pensando na minha triste sina e incrédula por o autocarro arrancar quatro minutos antes da hora, quando surge nervosa uma das " marretas " que se senta sempre no primeiro banco junto ao motorista. Então, para aonde foi? Não viu o autocarro? disse ela, com ar de ter andado à minha procura. Não, disse eu. - A gente viu-a a correr e vimos logo que não nos tinha visto, acrescentou. Quando entrei no autocarro os meus companheiros de viagem, num total de seis riam que nem uns desalmados, divertidos com a minha confusão. Então não nos viu? perguntou a outra " marreta ". Já não me envergonho assim às primeiras, porque se não, hoje era dia. Em vez disso ri-me com eles e encolhi os ombros. Mais um susto. Pequeno mas que incomodou. E ainda eu, não tive que aturar os putos, pois se eles estivessem não faltaria um f******, a kota está esclerosada de todo, meu!... Foi assim que iniciei o meu dia, após quatro dias de sossego, descanso e lazer. Xiça, penico, chapéu de coco!!!!

terça-feira, 19 de abril de 2011

Andre Rieu & Kimi Skota - My African Dream Live in Maastricht by volksmu...

" já nos safemos "

Eu sei que apanhaste um grande susto. Que estiveste mais para lá do que para cá. Tenho andando muito preocupada contigo e tu sabe-lo, não sabes? És minha kamba, de sempre. Como irmã. Por isso entristeci com o teu problema grave de saúde, remetendo-me ao silêncio aqui. Agora que já estás melhor, já posso suspirar de alívio. Te disseram que já não era para estares aqui deste lado da vida. Mas do outro. Agarra nisso e num " já nos safemos ", muda tudo o que achas errado. Como se tivesses renascido. Eu estou aqui deste lado para o que der e vier. A minha mão te dá a mão. O meu abraço está sempre a abraçar-te num tamanho sem tamanho e as palavras não as leva o vento. Sempre pronta para falar e escrever, por e-mail, no messenger, no chat ou ao telefone, vou estar sempre aqui. Vai ver a kanuca, tem umas boas férias. E quando voltares das terras de vera cruz e passares por Lisboa, vamos fazer uma grande celebração à vida. Eu e a Mena temos o colo que tu precisas, os beijos, kandandus e gargalhadas para que voltes a ser a kamba de sempre ya? As tuas rápidas melhoras. Uma boa viagem e até breve minha querida amiga. Ah, e fazes-me falta por isso pôe-te boa e deixa-te de frescuras de doentinha que não tens nem jeito nem paciência para isso, sim? Xi bué apertadinho. Adoro-te. Estamos juntas!

Luisa Sobral - I Would Love To

sarcasticamente


Espero!

Não encontro posição p'ra te esperar

nem hora, nem estação, para te encontrar...

Mas espero

Sem lugar marcado

num, sem rei nem roque

ou, vamos a ver se apareces que se faz tarde

e nem o pai morre nem a gente almoça,

moi-te feijeca,

que és irmão da batatinha

que quem espera desespera

não venhas não, que já eras

e eis que surge o outro ditado,

que quem espera sempre alcança

e num passo de dança

tiro-te o chapéu,

que chapéus há muitos,

ensaio a deixa

meto os pés pelas mãos

e mais do que queixa

Um suspiro aliviado

Vejo-te no sonho

meu anseio, tão sonhado

que um dia hás-de chegar...

Tarde é o que nunca chega

E nunca, não existe

Se eu te quiser esperar...


m.c.s.

Luisa Sobral - O Engraxador

Oiço com muito prazer esta menina que canta maravilhosamente. E para além disso é amiga da minha cria. Oiçam também. E comprem o CD. Vale a pena.

fertiliza-me os vazios


Eu hei-de amar até ao fim da minha vida

Hei-de saber dizer amor por o sentir

Tocar o amor pelo prazer

E semear amor nos prados da esperança.

Se acaso me vires nua de amor

Já morri.

Enterra-me os restos mortais

Fertiliza-me os vazios

E ressuscita-me.

O amor não pode morrer...