quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

mais que coisas

A vida deve ser feitas de grandes coisas. E de coisas pequenas.
Que nos tornem mais que coisas.


m.c.s.

poder

Fosse chuva e reinava,
num reino que não é meu
Fosse crente e acreditava
Neste coração que é ateu...

m.c.s.

a felicidade

A felicidade trabalha-se.
Quem fizer, terá...

m.c.s.

respeito


Para que o mundo seja um lugar melhor não temos que ser todos Amigos, Irmãos, Íntimos. Temos apensas que nos respeitar.

m.c.s.

sobre a felicidade


Para a felicidade ser perfeita, devia ser eternamente (in)consciente. Digo eu pessoa tão imperfeita a sentir-me feliz à toa...

m.c.s.

eu?!

Eu só conheço dois tipos de pessoas.
Não. Não são as boas e as más. Dêem lá uma circunstância qualquer e podes ser uma ou outra. 
Não. Não são as bonitas e as feias. Arranca os dentes a uma bonita, engorda-a e despe-a de jóias e de marcas. Deixa que o buço cresça e vais ver. Faz o contrário a uma feia e então verás. Nesse banho de loja, perfume e auto-estima, como se transformará...
Não. Não são as espertas e as burras. Solta um menino na rua e vais ver a esperteza, nascer da precisão. Protege desmedidamente uma criança e vais ver como será idiota, quando adulta. 
Não. Não são os sobreviventes. E os desistentes. Estimula ou humilha continuadamente e terás um e outro. Deixa-os ir porque sim. Não permitas que vão. E terás um e outro. 
Eu só conheço dois tipos de pessoas.
Sim. As Vivas e as que já morreram. E ninguém lhes disse. Nem tão pouco desconfiam.
São vivas porque Amam. São mortas porque matam o Amor. 
Eu? Eu sou do tipo das vivas. Até ver :) 

m.c.s.

acontecer

Quem me acredita sabe-me de cor.
Quem de mim duvida, nem me conhece e tão pouco me adivinhará.
A menos que ponha as mãos no fogo e me sinta.
Me ame.
A menos que me aconteça...


m.c.s.

a bela, guapa, Pitanga

e

pessoas

Estar frágil não faz de mim fraca. 
Estar receosa não faz de mim medrosa. 
Estar triste, não faz de mim depressiva. 
Estar só não faz de mim abandonada.
Estar hesitante, não faz de mim insegura.
Estar em gritos não faz de mim histérica.
Estar em palavrões não faz de mim mal educada.
Estar em silêncio não faz de mim ausente.
Estar sem norte não faz de mim pessoa com baixa auto-estima. 
Mas estar em juras não faz de mim verdadeira.
Ultrapassar obstáculos não faz de mim corajosa.
Não desistir não faz de mim persistente.
Saber dar nome às coisas não faz de mim sábia.
Ser susceptível não faz de mim sensível.
Descodificar a vida não faz de mim pessoa bem-resolvida. 
Sorrir e divertir-me não faz de mim feliz.
Sentir amor não faz de mim amorosa.
Estar, não faz de mim - viva.
Ser momentos. Todos.Humanos. É que faz de nós o que somos, a segundos, minutos, dias, meses, anos. 
E nem boas nem más. Nem vítimas nem vilãs. 
Nem felizes nem infelizes. 
Nem melhores. Nem piores.
Todos somos tudo. Tudo, somos todos. 
Somos gente. Às vezes mais que isso. Pessoas.

m.c.s.

só, na Natureza


sombras


desperdício

Os mal intencionados deixam-se envelhecer, perdendo tempo demais desperdiçando a bondade da vida e a sua graça. 
A jovialidade dos puros.

m.c.s.

pensamentando-me hoje


O ser humano só se torna lúcido e superior se se soltar do cordão umbilical que o liga a si próprio e baixar o olhar para o que o rodeia, compreendendo e aceitando que o benefício do mundo pode não ser por si beneficiado.


m.c.s.

domingo, 8 de janeiro de 2017

fotografando por aí

Não. Não é África. Nem ilhas paradisíacas do Pacífico. 
É uma praia portuguesa. A Torre - Oeiras/Carcavelos.
Eu não sou uma turista ocasional. Sou kunanga há quase 4 anos e depois de três décadas e tal de trabalhos (es)forçados. Que tira umas fotos. Como esta. 


m.c.s.

hoje

Hoje acordei diferente. Ao colo de Deus. 
E só de sentir o Seu abraço já a alma se me gargalhou. 
Hoje acordei velha. Num tempo sábio, apreendido por mim. Sem pesos nem idade. Apenas lúcida e conclusiva. 
Hoje acordei " Viva ". Visceral. E emocional. Forte.
E encarnei a Fénix...

m.c.s.

pensamentando

Às vezes não é o copo cheio. É a gota d' água.

m.c.s.

sábado, 7 de janeiro de 2017

conclusão

Eu não quero ser boa. Quero ser pessoa.
E assim ser tratada.


m.c.s.

carcavelos no fim da tarde


fazendo o amor

Coração a dois

liberdade

Não é livre aquele que tem asas para voar.
Livre é aquele que mesmo de asas cortadas, simula o voo.

m.c.s.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

parecer não é ser (?)

Não é o que pensam e dizem, que faz de mim o que sou. 
Isso pode ser - presumir, apostar, atrever, bajular, desacertar, invejar, tolerar, analisar, arriscar, adivinhar, intuir, compreender, amar... 
É antes, o que eu penso e não penso, digo e não digo, faço e não faço que me define.
É sim a minha gramática, aritmética, geografia, ciência, psicologia. Lucidez. Discernimento. Incentivo. Objectivos. 
As concretizações e as desistências. A resiliência. 
A génese. 
É sim a energia, a fé, a moral que me move, alma em mutação.

m.c.s.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

( des ) engano

Não é o nevoeiro que cobre como um manto branco, o monte deste lugar aonde me deito e acordo de sonhos e pesadelos, que me confunde, me perturba, me entristece, me deprime.
Mas as almas, revelando-se negras, na sua nudez mal disfarçada, por entre alvas e finas cortinas.

m.c.s.

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

contrariar

Se vires a esperança morrer
Se a vida quase tudo te tirar
Rouba-lhe o poder de destinar
Que o sonho não vai sobreviver...

m.c.s.

conclusão


A vida sem objectivos não é vida.
É morte. Lenta.

m.c.s.

bóia de salvação

Eu até nem me chateio se falta o sol. E a chuva ameaça cada momento.
Não me incomodam ameaças nem o astro em viagem.
A aquecer qualquer outra paragem.
Levando alento.
O que me chateia é se tenho uma vida cinzenta e sombria.
Num toca e foge com a alegria. 
O que me chateia é se preciso de bóia de salvação,
para as tempestades do coração.

m.c.s.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

o encontro

Quando a tua primeira amiga, aquela primeiríssima de todas, a que já estava lá quando ainda estavas agarrada a uma placenta no ventre da tua mãe, aquela que te viu quando nasceste, com olhos de criança de dois anos, te acompanhou ao longo da vida, ontem te liga e simplesmente te pergunta,
- Como é que está a tua agenda para amanhã? Vamos almoçar juntas?
Há alguma possibilidade de dizeres que não? Não. 
Desmarcas tudo o que já tinhas marcado. Se tivesses marcado
Ficas em pulgas para a abraçares. Para receberes o seu olhar. A sua ternura e doçura. Ouvires a voz. A velha voz de candengue. Cristalina e pura. Que nunca muda. 
Para sentires esse amor que nunca morre. Que nunca morrerá. 
Exaltas de alegria. 
Encontrares alguém que gosta de ti, de quem tu gostas desde que nasceste, é voltares ao bairro e aos cheiros. Às cores.. Aos passeios com o avô, ao domingo. Às idas ao Cazumbi. Juntas. Às 
cantigas em coro.
É voltares ao Sô Santos e dona Celeste. À Dona Rosa e Sr. Eurico. Ao Largo Camilo Pessanha. 
É voltares a ouvir Percy Sledge e música de Cabo Verde. Comeres muzonguê feito por ela. Contares segredos com a certeza de que nunca serão revelados.
É voltares ao dia do seu casamento. À festa. Aos tangos dançados no quintal da sua casa. E ela, linda. A tua primeira amiga.
Encontrares alguém de quem tu nunca te esqueces, é para além de tudo estares sem filtros. Sem máscara. Sem pose. Sem reservas nem pé atrás. É como estares contigo. Em eco. Pacificamente. 
Quando o barco que vem do Barreiro, junto à hora do almoço a deixar na estação fluvial do Terreiro do Paço, far-se-à Natal. E tu, eu, serei bem mais feliz e completa. 
Poderei encostar a cabeça no seu ombro. Abraçá-la coração cm coração. Demoradamente. Sentir a sua boa energia. Falar e fazer silêncios. Sem constrangimentos nem julgamentos. 
A minha amiga de sempre. Lizete. Feita presente. De Natal. De todos os dias que quisermos estar juntas. Como irmãs. Nesta amizade que tem 61 anos.
Sou um ser abençoado. Ela um ser especial. Muito especial. Singular e único.

m.c.s. ( escrito antes do Natal )

os amigos

A pessoa gosta de viver. Muito. E bem. E disso tem absoluta consciência. Desde que acorda até que se deita. Nem gosta de dormir senão o necessário à saúde, porque é um perfeito desperdício na vida que tem. Às vezes sonhos. Que não se realizam. Às vezes pesadelos. Que provocam suores. Taquicardia. Medo. Que não controla. Porque dorme.
A pessoa sempre cultivou os afectos. Ao seu jeito. Na família nem sempre é compreendida. Nos amores também. Com os amigos não. Nesse amor que não morre mas pouco cobra há uma sintonia quase que perfeita. Sabe que os amigos só se perpetuam no tempo numa igualdade de doação. Numa aceitação de cedências saudável. Numa triagem de atitudes, relevando ausências e enaltecendo presenças. E sobretudo na lealdade. Na verdade e no carinho. Na independência. 
Um amigo quando está contigo tem de se sentir amado. Especial. Único. Tens de te sentir feliz com a sua presença. Tens de o escutar. De o alegrares. De te colocares no lugar dele quando é necessário. Sem perderes a tua identidade. A tua atitude. O teu ponto de vista. Tens de o olhar de frente. E ver a sua alma. E ler o seu coração. 
Acho que sou boa nisso. Não me ensinaram. Não copiei. Sou. Simplesmente. E hoje mais lúcida que ontem, sei que estou certa. Um amigo é um ser muito importante na minha vida. Às vezes, muitas vezes, quase sempre, enfim, confesso que acho que sempre, essencial. Imprescindível. Insubstituível. Talvez por isso atravessei o Atlântico, sem amigos. Mas eles não se perderam de mim. Não me perdi deles. Nada se findou. Tudo continuou. E hoje com 61 anos sei que a minha fortaleza vem da amizade que cultivei. 
Que cultivo. E sou imensamente grata à vida por ter os amigos que tenho. E ter capacidade, discernimento, sensibilidade e um coração capaz de amar pessoas minhas iguais; e simultaneamente tão diferentes. Com alegria e respeito. 
A Amizade existe. Sim. Eu, os meus amigos, somos prova disso.


m.c.s.

a culpa



Aqui da Europa, deste lugarejo pacato onde como, durmo, rio, choro, me entristeço, me amanheço e me animo, ou me espreguiço, escolho e avanço ou me deixo ficar com a liberdade do ser e estar, aqui onde tenho a raiz que me prende à casa, às pessoas minhas semelhantes, ao país, e asas para poder voar, aqui, onde vivo em paz e me sinto feliz, vejo Aleppo. 
Podia dizer que fanaticamente angustiada, mas mentiria. Podia dizer que nunca me sai do pensamento, mas seria cínica. Podia dizer que vou fazer algo para reverter a situação, mas sei que não o farei, não.
E sinto um vómito. Visceralmente falando. E sinto uma dor corrosiva. E sinto uma impotência devastadora. E sinto que há deuses menores. E desacredito. Na justiça. Na inteligência. Na compaixão. Nos homens. Em mim. Em ti. E no mundo. 
Ali não se fará Natal. Não chegará o velho das barbas brancas. Nem presentes. Ali nem os dias têm o direito de se marcar em cruz no calendário. Concretizados. 
Ali há braços caídos e lágrimas que não se choram. Palavras que não se articulam. E passos que não se dão. 
O futuro não existe e as crianças não se farão velhas. 
Não há poema que vingue. Gesto que ganhe sorrisos. Silêncios onde se tracem sonhos. Caminhos que se abram .Olhos que olhem de frente. 
Não há balada que se dance; nem braços que se aconcheguem em abraços. Pão que dê fartura. Chão onde nasçam flores. Sol que brilhe no céu. 
Em Aleppo, todas as Aleppos, a culpa não morre solteira. Vive nos senhores da guerra. E o mundo cada vez mais feio, triste e injusto. E o mundo cada vez mais perigoso. 

E desumano. Moribundo.


m.c.s. ( escrito antes do Natal )

reflectindo sobre recomeços

Com frequência vou à farmácia que fica aqui ao dobrar de casa. Sou a cliente do Inderal. Quase diariamente vou ao supermercado e por lá me perco entre compras e converseta com a Marta, a mais simpática da loja; seguida do Mário, seu marido, do Fernando, seu irmão e por fim da Cristina, sua cunhada ( a trombuda do boteco ). 
Duas a três vezes por semana vou à churrasqueira do Vítor, que o é mais da empregada Tina, que quer, pode, manda, nele, nos cozinhados e no que vende; e ainda quer mandar em nós. Duas vezes por semana atravesso a rua para ir ao euromilhões, loja onde está a Nela, ex-empregada do supermercado, o seu malandreco e frustrado marido, pois que as suas piadas são secas e desprovidas de habilidade humorística e algum conteúdo, que provoque um esgar que seja; e também do seu irmão, que anda não consegui definir bem, mas que me parece bipolar, porque, ou está de costas ou de barriga. Ou me ignora como se eu fosse um vidro transparente, ou me chama minha querida num tom que também ainda não soube interpretar. 
Na padaria do meu " cubico " entro todas as vezes que quero pão, bolos, queijo fresco ou empadinhas de galinha. Ou seja, mais do que uma vez por semana. Também de quando em vez vou ao mercado, que fica logo depois da Igreja; como também vou ao Chinês, que é uma chinesa simpática e bonita, junto à cabeleireira. Onde lhes faço uma visita quando preciso de cortar o cabelo. Raramente vou ao Mulemba, restaurante da tia Helena e da Mizé que a semana passada sofreram a dura dor da perda da Cláudia, com apenas 36 anos. 
Deste kimbo que dá pelo nome de Olival Basto, do qual falo com alguma intimidade, é quanto sei. Fica tudo na minha rua, à excepção da farmácia, do chinês, da cabeleireira e do Mulemba. Que distam da minha casa no máximo 300 metros ( o Mulemba ).
Depois e por fim tenho a minha amiga Olívia que vive duas ruas acima. A mais próxima de todos os outros pois que à distância de um telefonema, um " Oi " no chat, ou mesmo dum toque de campainha aqui em casa e umas escadas para subir.
Este é o pequeno mundo meu. A poucos passos de mim. De um sorriso. Dois dedos de conversa. 
À volta de mim estão Odivelas e Póvoa de Santo Adrião aonde tenho amigos do peito. De infância. E uns compadres. 
Dou comigo a pensar que estou bem vizinhada. Protegida e apaparicada. Pela minha amiga Olívia que me chega o saco d' água quente, reumon e o compensan quando preciso; que me toma conta da Pitanga se estiver fora, desce p' ra comprar pão quentinho e volta a subir escadas para mo entregar, só porque estou de pijama. Que apesar do seu ar de generala, dona Tina, demonstra ter algum cuidado comigo; que na loja todos são simpáticos e prestáveis, mesmo a Cristina que tem mais dias que acorda com os pés de fora, ou o Fernando não lhos aquece. Na cabeleireira são umas queridas e conversam que se desunham, muitas vezes tecendo elogios ao meu aspecto ( que nem sempre estou a 50% quanto mais a 100).A chinesa da loja, querida é, mesmo naquela sua pronúncia cheia de eles em vez de erres, no seu desejo de me agradar e me levar a comprar. No mercado idem. Na farmácia há duas meninas maravilhosas, uma que sabe o meu nome e o procura ( tenho cartão das farmácias ) para assim ganhar pontos e ficar registado para efeitos do IRS. Me vendeu a vacina da gripe sem receita médica e fala-me sempre que pode sobre Torres Novas, amiga que é duma miúda que conheço, bem como à sua família ( o mundo é uma ervilha ).
Na papelaria é aquela base. O do " querida " que nem sempre está a favor, a Nela que repete o meu nome vezes sem conta numa vontade de ser mais do que educada, próxima; e o seu marido sem piada mas que ainda assim me trata com o devido respeito. No Mulemba, sou recebida como se fosse a Rainha Ginga por aquela família que tem o restaurante nas mãos. 
De forma que fora daqui e apanhando o transporte para casa, faço-o de plena consciência que aqui é o meu kimbo. Aonde me sinto bem. Mimada. Acompanhada. Respeitada. Valorizada. Há ja 41 anos de vida em Portugal e o Olival é a terra aonde meia dúzia de pessoas me abre os braços todos os dias e sempre que preciso. Só porque sim. E por aquilo que sou e represento para elas. Sendo eu. E dando-me o que sei e posso. Tornando este lugar o ideal para viver. Há 3 anos.
Já precisava...

m.c.s.

ser-se

Ser uma boa alma não é amar os nossos próximos. Isso é ser humano. 
Ser boa pessoa é sentir compaixão e respeito pelos distantes. De nós.

m.c.s.

avaliando perdas e ganhos

Quando se perde a confiança no outro, ganha-se anticorpos.
Digo eu, tomando o peso a perdas e ganhos; e negando-me a ser um zero à esquerda, nas contas desta vida de ilusões e desilusões.

m.c.s.

fotografia no Tivoli

No Tivoli - espectáculo de Bonga terça-feira.