terça-feira, 15 de abril de 2014
nas malambas
Nas malambas dessa minha estória vivida e contada,
vou tropeçando, caindo, levantando,
perdendo acento e exclamando aqui e acolá,
teimando, superando
A ver o que a conversa dá.
Tem dias cinzentos, tardes de sol e noites de luar,
Tem canto da kianda
Rugido de leão
Tem até camaleão mudando de cor
E feitiço de kimbanda
Tem ciúme, amor e desamor
Saudade...
Nas malambas dessa minha vida
Tem tanta gente me vendo, outra tanta que não quer ver,
E quem desconsegue me ver
Tem tanta gente espreitando
Fugindo e desistindo
Tem também gente suspeita e insuspeita
E tem quem me aperta a mão, curva a cabeça
Beija e abraça
Conquista e promete
Rouba até o meu coração...
Nas malambas dessa minha vida d' alguma inspiração
Não vou nem me queixar
Olho o rio passando veloz sem desistir de correr para o mar
E de palavra em palavra
De razão em intenção eu me prometo,
Um dia também eu lá vou chegar!
m.c.s.
vou tropeçando, caindo, levantando,
perdendo acento e exclamando aqui e acolá,
teimando, superando
A ver o que a conversa dá.
Tem dias cinzentos, tardes de sol e noites de luar,
Tem canto da kianda
Rugido de leão
Tem até camaleão mudando de cor
E feitiço de kimbanda
Tem ciúme, amor e desamor
Saudade...
Nas malambas dessa minha vida
Tem tanta gente me vendo, outra tanta que não quer ver,
E quem desconsegue me ver
Tem tanta gente espreitando
Fugindo e desistindo
Tem também gente suspeita e insuspeita
E tem quem me aperta a mão, curva a cabeça
Beija e abraça
Conquista e promete
Rouba até o meu coração...
Nas malambas dessa minha vida d' alguma inspiração
Não vou nem me queixar
Olho o rio passando veloz sem desistir de correr para o mar
E de palavra em palavra
De razão em intenção eu me prometo,
Um dia também eu lá vou chegar!
m.c.s.
quinta-feira, 10 de abril de 2014
antigamente era tudo diferente
Passaram as horas. O dia segurou-se entre nuvens carregadas e borrifos
duma chuva miudinha a confirmar o boletim meteorológico. O tempo não
tem culpa da minha preguiça de sair ao encontro de gente, coisas para fazer, p' ra distrair a mente e alimentar o espírito.
Para aqui me deixei ficar olhando o monte onde se passeiam cavalos brancos, parece são livres, pastando do verde da erva crescida à custa das bátegas que cairam no inverno que até parecia que tinham aberto todas as torneiras do céu, numa borla a que já não estamos habituados. À fartazana é o termo certo.
Antigamente o tempo passava mais devagar. Uma manhã demorava tanto a chegar ao almoço que a barriga ficava a dar horas e a boca a crescer-lhe água só de pensar. E as tardes? Essas provocavam sono, a gente inventava sonhos, enganava o relógio e quando chegava a hora de escurecer já estava farta de esperar a noite, o jantar, a conversa, o café, o abraço, a gargalhada, o telefonema. O amor e o descanso.
Antigamente era tudo diferente...
Passaram as horas. E no fim do dia, vesti-me de vontade, fui ao quarto buscar as calças de ganga rotas,
- essas calças são tão feias...já não és uma adolescente.
Disse-me, como um tiro disparado, mesmo a matar, a ver se me morria de vergonha e as arrumava num canto qualquer, mas não. Eu oiço tudo, lá isso é verdade, com a maior cara de pau do mundo e intervalos, mas só faço o que me apetece e por isso aqui estão elas, vestidinhas. Vesti também um camiseiro, adequado à minha idade ou o que isso for. Calcei os mocassins bejes que têm mais de quinhentos anos e que sobreviveram a verdadeiras guerras e batalhas de trazer por casa. Na verdade, sobreviveram à custa de tudo guardar no sótão, até macaquinhos. E conservá-los anos a fio.
Vestida, calçada, penteada e perfumada, rimel nas pestanas, o risco preto nos olhos,
- porque fazes esse risco por baixo dos olhos? Dá-te um ar mais pesado. Ficas melhor sem ele, mais nova.
Disse-me outro dia e eu apenas lhe sorri, encolhendo os ombros.
- Sou nova por acaso? Deixa-me com o meu velho risco que já é tarde para o tirar.
De forma que a ficar, faltou colocar o baton, que foi a última coisa que fiz antes de pegar na carteira e sair escada abaixo.
Tenho para lá duma mão cheia de batons, glosses e outros que tais; todas as cores e mais um par de botas e acabo sempre a pintar os lábios com os mesmos. Olho-me ao espelho e já não vou para nova. A cor da moda é linda, mas envelhece-me. Ninguém me disse mas eu sei.
Antigamente era tudo diferente...
Saio para a rua. O bafo quente d' um anoitecer encoberto só não me surpreende porque ouvi falar no tempo à apresentadora do programa da tarde.
Esta mania de plantarem laranjeiras nos passeios das ruas, nas terras portuguesas...
Já Alcanena as tinha, mas lá, não cheiravam a este aroma doce, a lembrar todos os antigamentes em que fui feliz. Já aqui o perfume da flor espalha-se e chega a mim como bálsamo para a solidão a que me votei neste dia, metade chuva, metade verão antecipado.
Entro no supermercado. E saio a olhar a conta. Sinto-me violentada. E não tenho forma de dar a volta a isto. Só se esquecesse a comida da gata, os detergentes, a fruta, o leite e mais umas coisitas que fazem parte dos bens de primeira necessidade.
Já é noite na rua. Olho o monte. Parece maior e mais habitado. Em frente, a ponte que liga uma terra a outra. Em baixo o IC. Centenas de carros, para lá e para cá. Milhares de luzinhas. E a A8, a caminho de Leiria. E por falar nisso, pergunto-me, quanto tempo ainda precisarei para atravessar a ponte tal e qual como subia ou descia o viaduto lá no Ribatejo, sem qualquer inquietação, tensão ou medo?
Há lugares que chamamos nossos. E há aqueles que mesmo não sendo nossos os conquistámos, ainda que não nos tenham conquistado a nós, completamente. E o viaduto está num lugar assim.
Quantos anos precisarei para chamar minha a esta ponte, minha, a esta terra entre a ponte e o monte, a duzentos metros das horas de ponta, a dez minutos da cidade grande? Quanto tempo precisarei para me cruzar com desconhecidos insuspeitos, não olhar de lado as sombras, não apressar o passo ao ruído súbito, ou não atravessar a ponte depois das nove?
Enquanto olho os lilases que ainda não se alilasarm, ocorrem-me os castanheiros junto ao rio, os jacarandás da avenida nova e as tileiras do quartel. E decido que um dia destes tenho de me pôr a caminho, faça chuva ou faça sol, porque já sinto saudades da serra, do castelo, do rio, da lezíria e dos afectos.
Enquanto não, vou percebendo a energia desta terra que escolhi para recomeçar. Um dia, a ponte não será um obstáculo nem uma necessidade. Apenas um meio para me ultrapassar. E ultrapassar o antigamente...
Para aqui me deixei ficar olhando o monte onde se passeiam cavalos brancos, parece são livres, pastando do verde da erva crescida à custa das bátegas que cairam no inverno que até parecia que tinham aberto todas as torneiras do céu, numa borla a que já não estamos habituados. À fartazana é o termo certo.
Antigamente o tempo passava mais devagar. Uma manhã demorava tanto a chegar ao almoço que a barriga ficava a dar horas e a boca a crescer-lhe água só de pensar. E as tardes? Essas provocavam sono, a gente inventava sonhos, enganava o relógio e quando chegava a hora de escurecer já estava farta de esperar a noite, o jantar, a conversa, o café, o abraço, a gargalhada, o telefonema. O amor e o descanso.
Antigamente era tudo diferente...
Passaram as horas. E no fim do dia, vesti-me de vontade, fui ao quarto buscar as calças de ganga rotas,
- essas calças são tão feias...já não és uma adolescente.
Disse-me, como um tiro disparado, mesmo a matar, a ver se me morria de vergonha e as arrumava num canto qualquer, mas não. Eu oiço tudo, lá isso é verdade, com a maior cara de pau do mundo e intervalos, mas só faço o que me apetece e por isso aqui estão elas, vestidinhas. Vesti também um camiseiro, adequado à minha idade ou o que isso for. Calcei os mocassins bejes que têm mais de quinhentos anos e que sobreviveram a verdadeiras guerras e batalhas de trazer por casa. Na verdade, sobreviveram à custa de tudo guardar no sótão, até macaquinhos. E conservá-los anos a fio.
Vestida, calçada, penteada e perfumada, rimel nas pestanas, o risco preto nos olhos,
- porque fazes esse risco por baixo dos olhos? Dá-te um ar mais pesado. Ficas melhor sem ele, mais nova.
Disse-me outro dia e eu apenas lhe sorri, encolhendo os ombros.
- Sou nova por acaso? Deixa-me com o meu velho risco que já é tarde para o tirar.
De forma que a ficar, faltou colocar o baton, que foi a última coisa que fiz antes de pegar na carteira e sair escada abaixo.
Tenho para lá duma mão cheia de batons, glosses e outros que tais; todas as cores e mais um par de botas e acabo sempre a pintar os lábios com os mesmos. Olho-me ao espelho e já não vou para nova. A cor da moda é linda, mas envelhece-me. Ninguém me disse mas eu sei.
Antigamente era tudo diferente...
Saio para a rua. O bafo quente d' um anoitecer encoberto só não me surpreende porque ouvi falar no tempo à apresentadora do programa da tarde.
Esta mania de plantarem laranjeiras nos passeios das ruas, nas terras portuguesas...
Já Alcanena as tinha, mas lá, não cheiravam a este aroma doce, a lembrar todos os antigamentes em que fui feliz. Já aqui o perfume da flor espalha-se e chega a mim como bálsamo para a solidão a que me votei neste dia, metade chuva, metade verão antecipado.
Entro no supermercado. E saio a olhar a conta. Sinto-me violentada. E não tenho forma de dar a volta a isto. Só se esquecesse a comida da gata, os detergentes, a fruta, o leite e mais umas coisitas que fazem parte dos bens de primeira necessidade.
Já é noite na rua. Olho o monte. Parece maior e mais habitado. Em frente, a ponte que liga uma terra a outra. Em baixo o IC. Centenas de carros, para lá e para cá. Milhares de luzinhas. E a A8, a caminho de Leiria. E por falar nisso, pergunto-me, quanto tempo ainda precisarei para atravessar a ponte tal e qual como subia ou descia o viaduto lá no Ribatejo, sem qualquer inquietação, tensão ou medo?
Há lugares que chamamos nossos. E há aqueles que mesmo não sendo nossos os conquistámos, ainda que não nos tenham conquistado a nós, completamente. E o viaduto está num lugar assim.
Quantos anos precisarei para chamar minha a esta ponte, minha, a esta terra entre a ponte e o monte, a duzentos metros das horas de ponta, a dez minutos da cidade grande? Quanto tempo precisarei para me cruzar com desconhecidos insuspeitos, não olhar de lado as sombras, não apressar o passo ao ruído súbito, ou não atravessar a ponte depois das nove?
Enquanto olho os lilases que ainda não se alilasarm, ocorrem-me os castanheiros junto ao rio, os jacarandás da avenida nova e as tileiras do quartel. E decido que um dia destes tenho de me pôr a caminho, faça chuva ou faça sol, porque já sinto saudades da serra, do castelo, do rio, da lezíria e dos afectos.
Enquanto não, vou percebendo a energia desta terra que escolhi para recomeçar. Um dia, a ponte não será um obstáculo nem uma necessidade. Apenas um meio para me ultrapassar. E ultrapassar o antigamente...
quarta-feira, 9 de abril de 2014
ei-lo
foto tukayana.blogspot
O mar já cheira a mar. A casa. A lar...
O sol já queima a pele, bronzeia, parece mel.
A onda se acalmou, a criançada se aventurou e até a gaivota se humanizou.
O dia é uma viagem parando em várias estações.
Marés cheias de promessas.
Desafio a mergulhar coragem.
Canções de ir e voltar. De embalar ilusões.
E apaziguar corações.
O farol lança o anzol, pescadores de entretem.
Bate a onda no rochedo, já sem drama nem qualquer medo.
O mar já cheira a mar. A romance. A enredo.
O mar revela já, os seus segredos.
m.c.s.
O mar já cheira a mar. A casa. A lar...
O sol já queima a pele, bronzeia, parece mel.
A onda se acalmou, a criançada se aventurou e até a gaivota se humanizou.
O dia é uma viagem parando em várias estações.
Marés cheias de promessas.
Desafio a mergulhar coragem.
Canções de ir e voltar. De embalar ilusões.
E apaziguar corações.
O farol lança o anzol, pescadores de entretem.
Bate a onda no rochedo, já sem drama nem qualquer medo.
O mar já cheira a mar. A romance. A enredo.
O mar revela já, os seus segredos.
m.c.s.
uma nova era
Barcos e tripulação italiana, começaram a fazer a rota Porto Luanda/Ancoradouro da Samba, Porto Luanda/ Cacuaco.
à procura de ti
foto tukayana.blogspot
O dia estava quieto. As férias silenciaram o lugar. De novo a lembrança da páscoa. Da sexta-feira santa.
Sempre que se amarela o tempo, se aquietam as tardes e o vento não bule nem sequer uma folha da ameixoeira da rua, vêm-me à ideia as sexta-feiras santas, quietas e em espera. Metade véspera, metade intriga.
Dá-se um nó no meu estômago, à lembrança. No estômago, não para ser diferente, mas porque nunca o sinto na garganta.
Na verdade, sinto uma paz santa que se liberta e espalha, quando desato o nó e vou...
E fui pelo dia à procura da sexta-feira santa, das férias, das crianças, das amêndoas. Do mar, do poema. De mim. E de ti.
Inevitavelmente, procurei-te. No voo da gaivota. Na música que o búzio me cantou. No tocador de violino que arrecadou moedas e arrancou aplausos na esplanada da praia. Na onda que branqueou a areia dourada. No barco à vela ao sabor da brisa. No mergulho dos miúdos. Até no horizonte que mais do que ver, o adivinho.
Mas não o encontrei. Ao poema. E por isso também não me encontrei. Nem a ti.
Amanhã? Não se sabe.
Se o dia brilhar ao sol e o sol me contar onde estás, quem sabe a minha sorte, a tua sorte, mudará...
Sempre que se amarela o tempo, se aquietam as tardes e o vento não bule nem sequer uma folha da ameixoeira da rua, vêm-me à ideia as sexta-feiras santas, quietas e em espera. Metade véspera, metade intriga.
Dá-se um nó no meu estômago, à lembrança. No estômago, não para ser diferente, mas porque nunca o sinto na garganta.
Na verdade, sinto uma paz santa que se liberta e espalha, quando desato o nó e vou...
E fui pelo dia à procura da sexta-feira santa, das férias, das crianças, das amêndoas. Do mar, do poema. De mim. E de ti.
Inevitavelmente, procurei-te. No voo da gaivota. Na música que o búzio me cantou. No tocador de violino que arrecadou moedas e arrancou aplausos na esplanada da praia. Na onda que branqueou a areia dourada. No barco à vela ao sabor da brisa. No mergulho dos miúdos. Até no horizonte que mais do que ver, o adivinho.
Mas não o encontrei. Ao poema. E por isso também não me encontrei. Nem a ti.
Amanhã? Não se sabe.
Se o dia brilhar ao sol e o sol me contar onde estás, quem sabe a minha sorte, a tua sorte, mudará...
( des )inspiração
Um dia qualquer, num daqueles dias improváveis, surpreendentes, em que a
manhã se acinzentará, a tarde se envergonhará e a noite será mais negra
do que breu, enfim, um dia para esquecer e não sobrar nem uma hora
resgatada, para contar como foi e porque foi, eu sei que deixarei de me renovar. E perderei a inspiração.
Arrumarei as botas e descalça ficarei para continuar esta caminhada agreste, cheia de pedras no caminho.
Não colherei os frutos, porque não verei a semente. E a palavra deixará de florir, perdida a intenção.
Não mais te verei na curva da estrada e perder-te-ei. E também à motivação.
Sem objectivo, uma rosa, será não mais que uma flor como tantas outras. E nem branca a lembrar-me a mãe de todas as mães, a minha, nem amarela a lembrar-me memórias, estórias, passado, presente, nem vermelha a lembrar a paixão que se passeia por aqui, ainda, a tornarão uma flor especial, recorrente, imperial.
O perfume que me adoça e aviva o tempo, escolha minha, prazer meu, não mais será que um cheiro enjoativo e banal.
A criança não será senão o adulto em crescimento, cruel e manipulador. Crescendo-lhe a língua e o desejo de a não dobrar. E não o melhor que a gente tem e que há na vida. O futuro. A promessa de saltar o muro...
Uma lareira, um queimador de papéis e espalha-cinzas, que encardirão paredes e atearão fogo às chaminés. A cama, um mal necessário, descansa-ossos e servidor de necessidades e outras habilidades..
As ondas do mar derrubarão o paredão, demoníacas, um dragão...
E a lua, se não aparecer no firmamento, um transtorno para viajar noite fora, um desalento.
Quanto ao poema, esse, será feito de letras juntas, caderno de linhas, pontos finais, sem parágrafos e interrogação, muitos erros e desprovido de endereço e coração. Mais um escrito frustado, censurado, arremassado, para esquecer e rasgar.
Um dia destes, quem sabe se em data marcada, destino antecipado, não sei, talvez num daqueles dias inesperados, trágicos, tristes e sofridos, temidos e odiados, kármicos, deixarei de inovar e perderei a inspiração. Para sonhar.
Quando?! Será com certeza no derradeiro dia em que deixar de amar.
Arrumarei as botas e descalça ficarei para continuar esta caminhada agreste, cheia de pedras no caminho.
Não colherei os frutos, porque não verei a semente. E a palavra deixará de florir, perdida a intenção.
Não mais te verei na curva da estrada e perder-te-ei. E também à motivação.
Sem objectivo, uma rosa, será não mais que uma flor como tantas outras. E nem branca a lembrar-me a mãe de todas as mães, a minha, nem amarela a lembrar-me memórias, estórias, passado, presente, nem vermelha a lembrar a paixão que se passeia por aqui, ainda, a tornarão uma flor especial, recorrente, imperial.
O perfume que me adoça e aviva o tempo, escolha minha, prazer meu, não mais será que um cheiro enjoativo e banal.
A criança não será senão o adulto em crescimento, cruel e manipulador. Crescendo-lhe a língua e o desejo de a não dobrar. E não o melhor que a gente tem e que há na vida. O futuro. A promessa de saltar o muro...
Uma lareira, um queimador de papéis e espalha-cinzas, que encardirão paredes e atearão fogo às chaminés. A cama, um mal necessário, descansa-ossos e servidor de necessidades e outras habilidades..
As ondas do mar derrubarão o paredão, demoníacas, um dragão...
E a lua, se não aparecer no firmamento, um transtorno para viajar noite fora, um desalento.
Quanto ao poema, esse, será feito de letras juntas, caderno de linhas, pontos finais, sem parágrafos e interrogação, muitos erros e desprovido de endereço e coração. Mais um escrito frustado, censurado, arremassado, para esquecer e rasgar.
Um dia destes, quem sabe se em data marcada, destino antecipado, não sei, talvez num daqueles dias inesperados, trágicos, tristes e sofridos, temidos e odiados, kármicos, deixarei de inovar e perderei a inspiração. Para sonhar.
Quando?! Será com certeza no derradeiro dia em que deixar de amar.
quarta-feira, 2 de abril de 2014
um dia seremos iguais
Há um não sei quê de infinito, no silêncio que me separa de ti.
Sagrado e inatingível.
Celestial...
Em delírio, penso, talvez sejas um anjo de asas brancas, envolto de luz.
Alumiando-me o destino.
Desafiando-me o desejo de me elevar. E subir ao monte mais alto da terra, para tocar o céu e renascer. E assim permanecer.
A contemplar o mundo e o voo do albatroz.
A planície florida de jasmins. Flores de frangipani, doces e singelas, brancas e amarelas, a contrastar com o verde forte e perfumado das casuarinas.
E no tempo das acácias, um tapete vermelho me estenderás, só para me sentir urbana. Mortal. Vaidosa. Uma rosa.
Há um não sei quê de misterioso e belo, irreal, nessa ausência, escondida presença de mim. E da vida.
Um medo, um pecado, ou desamor. Uma renúncia, ou um castigo dos deuses.
Um dia, tenho a certeza, desces à terra e eu subo degraus.
Iguais seremos.
E num abraço maior do que o mundo, muito maior do que o universo e que todas as eternidades, subiremos juntos aos céus.
E verei cumprida a minha sina.
m.c.s.
Sagrado e inatingível.
Celestial...
Em delírio, penso, talvez sejas um anjo de asas brancas, envolto de luz.
Alumiando-me o destino.
Desafiando-me o desejo de me elevar. E subir ao monte mais alto da terra, para tocar o céu e renascer. E assim permanecer.
A contemplar o mundo e o voo do albatroz.
A planície florida de jasmins. Flores de frangipani, doces e singelas, brancas e amarelas, a contrastar com o verde forte e perfumado das casuarinas.
E no tempo das acácias, um tapete vermelho me estenderás, só para me sentir urbana. Mortal. Vaidosa. Uma rosa.
Há um não sei quê de misterioso e belo, irreal, nessa ausência, escondida presença de mim. E da vida.
Um medo, um pecado, ou desamor. Uma renúncia, ou um castigo dos deuses.
Um dia, tenho a certeza, desces à terra e eu subo degraus.
Iguais seremos.
E num abraço maior do que o mundo, muito maior do que o universo e que todas as eternidades, subiremos juntos aos céus.
E verei cumprida a minha sina.
m.c.s.
a palavra
É a palavra que me guia
E na palavra me amparo
Estrela, bastão,
Chama, caminho
É a palavra que viaja no vôo dos pássaros
Dá voz às ausências
Soletra desejos
E manda-te beijos
É a palavra que escolhe
Espalha e perfuma
E abraça-me a inspiração
Para te amar
É a palavra que me incita a sonhar...
m.c.s.
E na palavra me amparo
Estrela, bastão,
Chama, caminho
É a palavra que viaja no vôo dos pássaros
Dá voz às ausências
Soletra desejos
E manda-te beijos
É a palavra que escolhe
Espalha e perfuma
E abraça-me a inspiração
Para te amar
É a palavra que me incita a sonhar...
m.c.s.
terça-feira, 1 de abril de 2014
chove
Chove. Intensamente. E faz frio.
Ainda as gotas da chuva não me molharam e a humidade gelada do dia já se me entranha nas entranhas.
De robe, toalha enrolada à cabeça e tanto por viver, neste domingo invernoso, a roubar a minha cena de pessoa feliz que o que quer é abraçar momentos, a roubar esperanças primaveris de dias longos e soalheiros, coloridamente bonitos e ternos, aqui estou, dividida.
Sou uma má pessoa, penso. Reconsidero. Sou uma estranha pessoa. Viciada em mim e na minha vida.
E para afugentar o egoísmo construído nos dias solitários, o conforto desplicente em que me conforto, alicerçado à custa de esforço preso por arames, nos dias interminaveis, espreito o dia cinzento, onde o poeta jorra nuvens embaraçosas que comprometem o quadro e a primavera. E comprometem o meu desejo de ser boa pessoa. Ou reconsiderando, ser menos estranha e viciada pessoa.
E me dar ao dia. E ir. Ao encontro dos afectos.
Misturar-me com o temporal e receber a alegria divina de me fazer presente entre os presentes.
Chove. Tão intensamente que por segundos duvidei de mim e do meu coração sempre pronto, sempre batendo em nome do amor.
Vejo uma aberta. E não hesito.
Afinal, vou. Porque não chove em mim.
Ainda as gotas da chuva não me molharam e a humidade gelada do dia já se me entranha nas entranhas.
De robe, toalha enrolada à cabeça e tanto por viver, neste domingo invernoso, a roubar a minha cena de pessoa feliz que o que quer é abraçar momentos, a roubar esperanças primaveris de dias longos e soalheiros, coloridamente bonitos e ternos, aqui estou, dividida.
Sou uma má pessoa, penso. Reconsidero. Sou uma estranha pessoa. Viciada em mim e na minha vida.
E para afugentar o egoísmo construído nos dias solitários, o conforto desplicente em que me conforto, alicerçado à custa de esforço preso por arames, nos dias interminaveis, espreito o dia cinzento, onde o poeta jorra nuvens embaraçosas que comprometem o quadro e a primavera. E comprometem o meu desejo de ser boa pessoa. Ou reconsiderando, ser menos estranha e viciada pessoa.
E me dar ao dia. E ir. Ao encontro dos afectos.
Misturar-me com o temporal e receber a alegria divina de me fazer presente entre os presentes.
Chove. Tão intensamente que por segundos duvidei de mim e do meu coração sempre pronto, sempre batendo em nome do amor.
Vejo uma aberta. E não hesito.
Afinal, vou. Porque não chove em mim.
nao acontecemos
E chegaste...
Não dei por ti
Mas olhaste-me
E sorriste
E falaste
E eu percebi...
E me abraçaste
Quando te senti
Não me amaste
Não ficaste
Não me dei
Não quiseste nem te deste
E eu...e tu, não acontecemos
E nesse instante nos morremos...
m.c.s.
a propósito do dia 1 de Abril
Não foi neste dia de mentiras que o maior engano vivido me aconteceu,
A minha maior mentira, de véspera, nasceu...digo eu.
Quem entendeu, entendeu
Quem não entendeu, deixe para lá, porque nada de bom perdeu
m.c.s.
A minha maior mentira, de véspera, nasceu...digo eu.
Quem entendeu, entendeu
Quem não entendeu, deixe para lá, porque nada de bom perdeu
m.c.s.
claramente
O dia clareou triste. Sombrio. A lembrar a sua condição.
A chuva e o granizo pesado e gelado, o mau tempo a avisar, não me deixam partir sem destino, ao deus dará a verdade dos dias amenos, que adivinho, sonho, preciso, como pão para a boca e amor para o coração.
Sem endereço, nem ao cuidado de nome e morada certa, hoje, dia dos enganos e outros danos, não é dia de arriscar. Alguém se poderia magoar. Ou negar...
Noutro dia, quem sabe, o sol brilhará, o vento, brisa soprará, o mar se aquietará e a minha verdade se encontrará com a tua.
Temos o destino a unir-nos, marcado para um amanhã.
Enquanto isso, deixo-te com a minha ( in)certeza de ser, neste dia de (des)mentiras.
- Brilhas-me o dia, clara-mente.
A chuva e o granizo pesado e gelado, o mau tempo a avisar, não me deixam partir sem destino, ao deus dará a verdade dos dias amenos, que adivinho, sonho, preciso, como pão para a boca e amor para o coração.
Sem endereço, nem ao cuidado de nome e morada certa, hoje, dia dos enganos e outros danos, não é dia de arriscar. Alguém se poderia magoar. Ou negar...
Noutro dia, quem sabe, o sol brilhará, o vento, brisa soprará, o mar se aquietará e a minha verdade se encontrará com a tua.
Temos o destino a unir-nos, marcado para um amanhã.
Enquanto isso, deixo-te com a minha ( in)certeza de ser, neste dia de (des)mentiras.
- Brilhas-me o dia, clara-mente.
m.c.s.
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