sábado, 7 de dezembro de 2013

um simples conselho

Que nunca o que não tenho e seja posse de outro, faça de mim um invejoso.
A felicidade alheia nunca poderá ser motivo de infelicidade minha, sob pena de não conseguir alcançar esse tal sucesso, essa tal dádiva, essa tal posse das coisas que me fazem falta. 
Digo eu, nesta manhã de sábado solarengo, em que me sinto grata pela vida, porém preocupada com o que vejo à minha volta. 
E já agora, apesar de não me pedirem conselhos, eu dou, porque ando cá há muitos anos e gente feliz, precisa-se. 
Nunca pense que ela, a felicidade, lhe cai dos céus, pelos seus belos olhos. Trabalhe para isso. Construa a sua própria felicidade. É possível. Sou eu que lhe digo.
Ah! A do outro pode não ser a sua medida. 
BOM DIA! FELIZ SÁBADO!

vidas por um fio

foto tukayana.blogspot
A UCI de Santa Marta é uma barra pesada. 
Principalmente para quem está lá ligado a máquinas e tubos. Com a vida por um fio.
Mas para quem está deste lado da porta, também não é fácil.
Nunca tinha entrado neste hospital. 
Não precisei de lá ir. Fui acompanhar uma amiga, mas deu para perceber a energia que existe naqueles corredores, no elevador, nas paredes, nos bancos e sofás de espera.
Espera-se muito. Espera-se pouco...infelizmente. 
A vida presa por arames ali dentro, pessoas fazendo do coração um coração de ferro, cá deste lado.
Nunca tinha estado no hospital Santa Marta. Nem na UCI. 
Apenas no Maria Pia, em Luanda, quando me ia encontrar com a minha amiga Julieta, que era enfermeira nessa unidade hospitalar.
E no Hospital Santa Maria em Outubro/Novembro de 2007, pelas piores razões possíveis.
Sei que devemos conhecer a parte boa e também a má que a vida tem. 
Para, nem que seja, reflectirmos. 
Hoje a única coisa que sou capaz de pensar é no ditado que diz, antes cadeia que hospital.
E ainda que, a UCI de Santa Marta é uma barra pesada.

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

a Notícia

A notícia chegou aos media. A Portugal. Ao facebook.
Onde eu aliviava o cansaço do dia. De mais um dia. Na banalidade de uma vida insignificante.
Uma amiga, Ana Lúcia Amaral, deixa a notícia. Eu leio e fico em choque.
Procuro a notícia na televisão. E encontro-a na SIC Notícias. 
Mário Crespo, está visivelmente emocionado. A voz do jornalista revela a emoção que tenho a certeza foi o lugar comum dos homens, num mundo que conquistou, que mereceu, que enriqueceu este homem excepcional cujo coração deixara de bater e a mente parara. 
Um nó se forma na minha garganta. Na minha alma.
Saber desaparecida fisicamente uma figura rara e universal reduz qualquer ser normal a uma pequenez tão insignificante que é legítimo perguntarmos o que fazemos neste mundo, o que queremos dele, o que o mundo espera de nós.
Qual a semelhança com seres superiores e de rara grandeza como Nelson Mandela.
E não há comparação possível com uma Humanidade cheia de pequenas vitórias, umas quantas bandeiras de paz, sorrisos fotográficos, apertos de mão entre governantes, negros e brancos unindo-se no quotidiano, ou repartindo a vida e gerando filhos, defensores de igualdade social, poemas de justiça, cânticos de amor e paz. 
Nada feito se compara à grandeza deste homem. 
Completamente triste na certeza do lugar vazio que homens comuns não poderão preencher, profundamente assustada com os destinos de África e do Mundo, deixo as minhas simples palavras de agradecimento a esse gigante ser humano.
Ser raro é uma raridade. Ter a certeza que há um ser raro, é acreditar que o mundo não se perde. E o impossível não existe.
Muito obrigada Madila por provocares em mim o desejo de ser uma pessoa generosa, simples, pura. 
Descansa em paz Guerreiro de Luz.

P.S. Deixo aqui alguns comentários de amigos,( Mário Paiva, João Pessoa e Carlos Nando Marques na minha publicação de ontem do facebook sobre o desaparecimento de Nelson Mandela, por me merecerem destaque. Obrigada pelos comentários.

MARIO PAIVA - …ninguém é eterno, a vida é um ciclo fechado pela morte, mas há os que jamais deixarão a lembrança, tanto dos seus contemporâneos como dos vindouros… e cito Brecht…

“Há homens que lutam um dia, e são bons; 
Há outros que lutam um ano, e são melhores; 
Há aqueles que lutam muitos anos, e são muito bons; 
Porém h
á os que lutam toda a vida 
Estes são os imprescindíveis”

…estes, a história, memória da Humanidade, jamais deixará morrer.
Obrigado, Mandela, por este bocadinho e… até já!

JOÃO PESSOA - MADIBA, OBRIGADO!!!!
«««««««««««««««««««
Nelson Mandela, morreu
e eu,
Curvo-me perante a sua Grandeza!!!

CARLOS NANDO MARQUES - "Nelson Mandela é um Cristo gentil, o mais sorridente dos redentores."


a caminho da praça da Independência - Luanda


As torres de Luanda




Baía de Luanda


Edifício da Alfândega


Estrada de Catete ( ali perto de mim )


quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

até sempre Madila!

Morreu Nelson Mandela!
Estou em modo de choque.
África está de luto. O mundo está de luto.
Perdemos um ser superior da Humanidade.
Paz à sua alma.

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Huambo hoje











a meta

A viagem é a meta, diz-me o signo, para este domingo de outono solarengo em terras de portugal.
Sorrio às palavras lidas. Ao Caranguejo desenhado, signo meu, destino também.
Caminhar devagar. Em passo inseguro, no receio de perder a oportunidade, a boleia, ou o norte. Ou em passo certo, na segurança que me dá a experiência das coisas por mim passadas. Mas sempre devagar, a passo de caranguejo, ou não fosse esse o meu destino, a minha meta. 
Com a segurança da bússola, dando-me as pistas, indicando caminhos. 
Com as certezas de já ter passado entre as linhas da vida e repetido, repetido as estradas, voltando atrás, cambaleando, caindo, erguendo-me e continuando, com um fim em vista. A meta. As metas.
Mas é realmente na viagem que se colhem os frutos. Que se descansa a mente. Que se escolhe. E se faz um intervalo. 
Que a gente chora para além das lágrimas, gargalha para além do riso, se espiritualiza para além da alma, se eleva para além do mundo...
É na viagem que a gente se reconhece viajante e se renova. E anima.
É na viagem que estimulamos a persistência, através da força arrancada de dentro de nós. 
É na viagem que cresce a tranquilidade e a coragem. 
A sabedoria. Que nos preenche. E realiza.
A viagem é a meta, diz-me o signo. Não desanime, acrescenta...
Olho para além da janela da sala. O sol ilumina as oliveiras do monte. O mato que se vê daqui. A cor das casas. A torre da igreja. O sino. 
As chaminés e as antenas parabólicas. As nuvens. O sol. O céu. O mundo...
Para lá deste monte que me separa da cidade grande há uma vida nova. Diferente. Que todos os dias quero alcançar. Renovam-se-me as esperanças. Mostram-se-me caminhos. Deixam-me viajar.
Preparo-me hoje para mais uma viagem. Porque não tenho como nem nem quero negar, que a viagem é uma meta...


dona Pitanga posando

Olha p' ra ela, com ar de carneiro mal morto!
Dona Pitanga acha-se muito...e tem razão. 
É mais um dos amores que tenho, protejo, cuido e amo.
Quem não entender que se dane. Só perde. 
Porque estes seres são a nossa melhor companhia.
A nossa saúde...
Não importa se estamos feios, gordos, velhos.
Se temos dinheiro ou não. 
Gostam de nós porque sim e também porque não...porque não são humanos.
Pensem nisso!

o burro sou eu?

Nunca subestimes um amigo. Não te esqueças que ele sabe exactamente quando isso acontece.
Os fins nem sempre justificam os meios. A menos que queiras perder o amigo e ganhares um inimigo.
Digo eu, a pensar se me queria para meu inimigo...

m.c.s.

a carta

Queria escrever uma carta. 
Ousada. Perfumada.
Sem um pingo de pudor.
Uma carta que revelasse todo o meu grande amor.
Que nessa carta pudesse, abrir alas à tua alma e a minha não ficasse ferida. 
Morta. 
Arrependida...
Queria dizer, que passo as noites, nos lençóis, rebolando. Suspirando. Acordada.
Com a  lua falando. 
E sonhando. Que ganho asas e voo, albatroz dos mares do sul. E atravesso a madrugada...
Queria dizer, que o meu sorriso é bobo e corado de prazer. 
E se penso em ti sinto-me a desfalecer.
E desenho a encarnado, cor de sangue e da paixão, nas folhas deste papel, feliz e engalanado, junto ao teu, o meu coração. 
Queria dizer que és a voz do amor, da minha vontade de ouvir. De sentir.
De recriar um novo tema para te oferecer o poema.
De te cantar a canção que fala deste amor que ainda hei-de solfejar e tatuar na memória. 
Quando te encontrar. Quando te souber amar.
Quando puder gravar nos céus, esta estranha e bonita história.
Era uma vez, um avião de papel que não mandei, porque não levava endereço. 
Nem esse amor mora em mim.
Era uma vez uma carta por escrever.
Um romance por viver.
Um amor por acontecer. Sem barreiras, limites e fim.

o Tempo

Sou pessoa de paz. 
O meu conflito é com o tempo. Uma guerra feroz de luta contra o tempo. 
Mas paradoxalmente é o tempo que me apazigua.
Hoje não declaro guerra aberta ao tempo. Espero antes, ganhar tempo para vencer mais este conflito. 
Diz-me tempo, que vais passar depressa....
Digo eu, acenando a bandeira da paz, pois quero tempo passado. Muito rapidamente...

m.c.s.

despertador

Trrrrrriiiiim! Trrrrriiim! 
O relógio toca.
Alguma vez foram um despertador?
Eu. Muitas vezes. E gosto. 
Não passa nunca da hora de ser despertador, quando a gente que a gente gosta, confia mais no nosso norte do que no relógio da casa. De parede, de pulso, de cabeceira.
Se hei-de ser outras coisas piores e inúteis, ao menos que seja um despertador. 
Digo eu, olhando os relógio sem corda, sem pilha, sem uso, na gaveta das tralhas. Pensando que nem sempre chego a horas.
Ou na hora certa...
E assim, muitas vezes fico a ver passar os comboios. No mato sem cachorro. A horas pouco prováveis, decentes ou felizes.
Mas isso sou eu.
Quem em mim confia, chega sempre a horas. Na hora certa. Nem minuto antes nem minuto depois. Nem que para isso, ponha o galo a cantar.
Por falar nisso, que horas são?
Deve estar na hora de acertar os ponteiros e pôr-me a jeito de chegar a horas antes que se faça tarde, para um encontro feliz e a horas certas ao segundo, porém sem hora marcada, porque aqui o relógio é que marca a hora. 
Não quero ficar a ver navios nem com a barriga a dar horas.
Não quero chegar fora d' horas nem que para isso recorra ao relógio de cuco ou ao de repetição.
Vou então dar corda aos atacadores...

saudades

É tão mais fácil repartir saudades...
Sorriem quando choram, se forem dois corações a chorar. A penar. 
E abraçam-se. E geram companhia e protecção. Amparo. Doação.
As palavras, essas, não exigem detalhes, roupagem, enfeites, máscaras. Estão na expressão facial, na linguagem gestual, nas linhas deste destino. Sempre perdendo, sempre faltando. Sempre machucando. Sempre provocando. Tristeza...
Sempre p' ra mais tarde, vamos a ver, se der ou puder, há-de ser o que Deus quiser.
É tão mais fácil repartir saudades...
Outro rosto. Não estar só. Adivinhar o pensamento. Lê-lo e entendê-lo. 
Nem que doa igual. Bálsamo para a alma doente.
Estender a mão e ter d' outra mão, o calor. Fixar o olhar e receber compreensão. Amor...
É tão mais fácil repartir saudades quão mais fácil é, em companhia senti-las.
Já não sei o que isso é...

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

no Chiado...

No Chiado, o Natal fazendo notar-se através d' um Pai Natal provocatório.

luanda vista do mar...luanda novinha em folha









segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Luanda no pôr do sol





maravilhosamente Luanda



Às vezes

Às vezes uma palavra e muda tudo. 
É força que tem a voz, a intenção...
Às vezes o silêncio me diz coisas que não sei entender 
Às vezes é preciso perceber...
E não trair a razão
E não deixar calar o coração
Há na linha do destino, entrelinhas por escrever
Sonhos p' ra enfeitar 
Os encontros por acontecer
Há saudade de amar
E um pouco de mim a querer
E um pouco de mim a ceder...
Às vezes uma palavra e muda tudo
Perfumada
Oferecida
Desejada
Sentida...

m.c.s.

luanda estás linda!


largo da Independência - Luanda


A Floresta vista da Baía


O farol visto da contra-costa ( Ilha de Luanda )


A fortaleza vista da Baía.


Farol da Ilha de Luanda, visto pela contra-costa