quinta-feira, 21 de julho de 2011

aconteceu ontem

foto tukayana.blogspot À minha frente caminha quem me acompanha. Fico para trás. Fico sempre para trás. O que incomoda quem comigo vai. Hoje, tal como noutras ocasiões. Eu sei que isso incomoda mas não evito. Não consigo evitar. Quero sempre registar as imagens de luz que tenho oportunidade de ver. De repente, e surpreendentemente tocam-me no cotovelo que está em posição de fotógrafo no activo. Olho. Era este homem que depois, fiz questão de fotografar, afastando-se. - Querem que vos tire uma fotografia? Com a mão estendida para a minha máquina. Devo ter feito caretas, mas não fui demasiado convincente, pois que não disse não, nesse gesto que toda a gente percebe. O homem riu-se e disse: é costume oferecer-me p'ra tirar fotos aos turistas.
Porque não? Sim. Porque não, aproveitar e registar uma foto de corpo inteiro a dois? Já tínhamos tirado daquelas, tiradas a nós próprios, que parecemos tipo monstrinhos com cabeças e caras imensas, onde somos mais narigudos que o pinóquio, por isso, destas, pensando bem, é um luxo. E daqui por muito tempo ao contemplá-la, um e outro ou os dois diremos : Que simpatia a deste homem que não sabe que já não se usa este oferecimento? Lembras-te das férias calmas e serenas quando fomos ver Lisboa da outra margem, sem o stress de passarmos a ponte 25 de abril? Ih, como tu tinhas o cabelo...Estavas mais gorda. As bolas da t-shirt não te favoreciam. Pôe-te de lado. Rodas a anca e olhas de frente e pareces mais magra. Lembras-te dos caranguejos querendo subir as pedras? E o cão em cima do sofá, olhando lisboa e o rio? Porque razão os armazéns ainda estão ao abandono e a Câmara não transformou a margem num lugar seguro, bonito, útil e da moda? Uma fotografia tirada pelo senhor que passeva, como nós, o que pode sugerir daqui por algum tempo...
E o simpático lá nos tirou a fotografia de corpo inteiro, com o rio e o tejo como cenário. Sorrimos para o fotógrafo. Com aquele sorriso cretino que todos sabemos fazer, na maior felicidade ( que cinismo! ) Não parece, mas fiquei agradecida. Já ninguém se oferece para este efeito. Recordei a última vez que alguém me pediu que fotografasse. Foi em Lausanne, junto ao lago. Foi um asiático. E eu tirei, não uma, mas, two, como me pediu. Num fundo montanhoso e repleto de neve de um abril suiço e quente, com as gaivotas coloridas no lago, dando um toque idílico ao momento. Depois foi a minha vez. E no mesmo local, com a mesma paisagem e o mesmo sorriso pateta. Apenas não tinha os olhos em bico, apesar de estar de visita à cidade pela primeira vez. Mais tarde, no mesmo dia, passeando-me pela marginal belíssima e sofisticada do lago, sozinha, pois que fazia horas para que a minha amiga voltasse do culto, aonde eu me negara a ir por não termos a mesma fé; como é que eu prescindia dos meus santos e seus altares, das minhas preces, dos meus conversares para o alto dos seus pedestais e dos seus sinais?! Eis que duas brasileiras trocando papinho num banco de jardim me inspiraram a novas fotografias e lhes pedi por favor, que era portuguesa, ficava difícil dizer que era angolana, muita explicação e nem sempre querem conhecer, não vá parecer estar a lembrar nas raízes, escravidão, pesada cruz, melhor fingir que não aconteceu. E muito simpáticas me disseram: Uma só? Pô, uma só não. Vamo tirá pelo meno duas, pode não ficar bacana.
E ocorre-me agora uma pergunta ou duas, já que me instalei na memória do Lago em Lausanne, porque será que não o atravessei até às montanhas. Arrependi-me depois. Não devemos deixar de fazer o que desejamos só porque não apetece a quem connosco está, ou já o fez antes. Via os barcos chegarem e partirem. Maravilhosos e sorridentes nos rostos de quem partia e chegava. Perdi isso. Como perdi o passeio no Sena. Tótó, fiquei nas margens tirando fotos belíssimas aos barcos e às pessoas. Aos monumentos. À cidade. Andando de autocarro e sofrendo os horrores de 2 graus num frio de gelar a ponta do nariz e a raiz do cabelo e chorar a bandeiras despregadas numa reacção de defesa ao frio concerteza, de dias de Fevereiro e não fui sequer saber o custo dum passeio no rio Sena!!! Olho para trás e penso-me muito pouco merecedora da cidade luz. E do Lago, quer em Lausanne quer em Geneve, quer entre estas duas cidades, ao longo das vilas e aldeias à beira água. Se tivesse percorrido estas águas teria forçosamente muito mais para contar. Assim, ficaram-me as fotografias. Como ontem. E as histórias em terra.
Mas desta vez, o rio foi um apelo a que não quis ficar indiferente. E afinal, quem não tem 1,90€ para ir a Cacilhas e voltar, e no intervalo, passear e recolher matéria para recordar?!

a travessia

foto tukayana.blogspot
Os barcos são todos iguais. Ou nós é que não nos surpreendemos. Não sabia como era este. Nunca precisei de vir trabalhar para a cidade antes de nascer o sol e de a abandonar no lusco-fusco, cansada e ansiosa por chegar a casa.
O barco, ia cheio de uns e outros, e pelo meio, turistas; uns como eu, de trazer por causa, outros que falam francês, não sei é se tocam piano, mas soube que gostam de ocupar os lugares da frente e por isso atropelam quem à sua frente se posicionar. Para mirarem as voltas que o barco dá, a espuma que a água verde azulada, mais verde que azul, deixa na superfície, as ondas, sim, as ondas que ele provoca. Mais uns quantos barcos iguais a este que andam todo o dia num vai e vem tejo acima, tejo abaixo, desta, para outras margens.
Sentei-me na lateral, junto a uma janela. Um homem, à minha frente, de costas para o sentido que o barco levava. E um miúdo ao seu lado. Não se conheciam. Quando o barco começou a deslizar nas águas do rio, Lisboa foi aparecendo e eu disparei algumas fotos sobre o Terreiro do Paço e castelo. Exagerando como se fosse a última vez. Nas costas da cadeira da frente, aos meus pés, uma bóia. Para o que desse e viesse. O homem olhava p'ra mim indiferente. A tudo e a mim também. Olhava porque eu me pusera bem na frente do seu raio de visão. Quando o cais se aproxima, o homem levanta-se. Olho-lhe os braços. Os cotovelos feridos até quase aos pulsos denunciam um problema. Embrulha-se-me o estômago. Talvez da calzone à Alcântara, degustada numa pizzaria giríssima e moderna, onde me levaram a almoçar, frequentada por gente gira, homens giros, chefes, com ar de chefes de qualquer coisa. Em grupo. Ou em casal. Será que o homem da psoríase já comeu calzone? Eu, foram poucas as vezes que escolhi esta pizza fechadíssima, com aspecto de rissol grande, massa e mais massa, e o recheio a surpreender-nos, para o bem e para o mal. A primeira vez foi em Montemor-o-Velho, aquando do festival internacional de dança onde a cria apresentava um trabalho, lindo por acaso, ou não por acaso. Jurei para nunca mais. Mas nunca se pode cair nesse lugar comum de compromisso tão radical e um dia destes, na esplanada das pizzas da avenida da Liberdade tentei-me e fiz bem pois as mini calzones que eles ali servem, são um manjar de deuses italianos, e não só. Nestes lugares da moda, eles são engraçados. Os pratos decorados, por vezes, causam piada. Um prato enorme, regado com azeite, está também na moda o azeite, veja-se as taças com azeite para a gente molhar o pão, a pizza em forma de rissol e mais adiante, umas folhinhas de rúcula e rodelinhas de azeitona preta. Por falar nisso, uma mulher que conheço, que podia estar ali comigo a comer pizza ou uma pasta qualquer, chefe, como os chefes que ali estavam, ao ver num supermercado saquinhos de rúcula, perguntou: Rúcula? Que é isto? E eu pasmei. Mas fiz mal. Eu, até começar a fazer saladas com queijo mozzarella, tomate, oregãos e a dita rúcula, também nunca tinha visto tal. Se vos disser que esta salada, a acrescentar-lhe massa, é o pitéu quase diário de uma figura pública da nossa praça, de que todos já ouviram falar, pelo menos, e que tem uma figura elegante e cuidada, acreditam? Sou eu que o digo, mas não digo mais poque seria uma inconfidência e apesar de segredos serem desprezados por mim, este, não me pertence e era chato.
O homem da camisa aos quadrados, cabelo grisalho e carregando uma doença tramada, nos cotovelos e no sistema nervoso, voltou a olhar-me, sempre indiferente, já em pé, virado para fora. O miúdo também se levantou. Foi-se abanicando ao som da música dos seus fones. Deixei-me ficar mais um bocadinho. Não tinha pressa. Já não tenho pressa. Perguntaram-me quando fora a última vez. A última fora de Luanda para o Mussulo. Como é que esquecera essa travessia? E esse passeio fantástico, único, de 3 horas ao longo de Luanda e do Mussulo, sentindo a cidade e a ilha beijando-me de boas-vindas e abraçando-me calorosamente num cacimbo de agosto e de amizade de infância...fazendo sentir-me eterna na minha pequenez, curvada, perante a sua maravilhosa beleza?!
Mas...e no Porto, no Douro, fazendo aquele passeio das pontes que dizem que é cruzeiro, o cruzeiro das 7 pontes, mas que afinal são 6, até à foz?! Como é que fui esquecer isso? Foi há tão pouquinho tempo, ainda não vai um ano...pior foi não me ter lembrado da travessia noturna num sábado de 81, no rio Zêzere, até uma estalagem, bem no meio do rio, numa ilha pequenina, que parecia que só lá cabia a estalagem, ou seria pousada? Só lá cabia eu e o que me levava ali...Como é que eu me fui esquecer disto?
Como se fosse um grande rio a desaguar no mar as minhas lembranças guardadas na memória a chaves de oiro, mas à margem delas e do que a maré levou, percebi a indiferença do homem grisalho, de camisa aos quadrados e braços cheios de psoríase, que olha e nada vê e viaja de costas para o seu destino.
Gosto de lugares de partida e de chegada. Gosto dos meios que nos fazem partir e chegar. Todos. Os que são colectivos. Nunca tinha atentado nisso. O prazer de viajar no meio das gentes.
Gostei desta viagem. Não foi uma travessia no deserto. Como algumas que já fiz e farei.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

no dia mundial da amizade

A todos os meus amigos, um kandandu maior do que o Universo.

para a outra margem

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Há janelas felizes. Varandas maravilhosas. Que não têm como horizonte África, mas para lá caminham. O rio Tejo labutando e passeando é o que esta varanda me dá a ver. Mas dá-me também terra. A outra margem. Almada, que a gente adivinha daqui mesmo que não se veja e o Cristo Rei. Quem quiser, passa a ponte, quem quiser vai de barco até Cacilhas, que se vê, claramente vista.
Quem sabe?! Quem sabe se eu não faço esta travessia...
Só por fazer. Só para fazer...só mesmo porque sim.
É uma viagem. Mais uma, duas, que tem volta na ponta. É um passeio. Dos tristes? Nãanananananani. Hei-de curtir.
Tenho feito algumas, poucas, travessias de barco. Nunca fui às Ilhas gregas. Nem a Porto Santo, nem entre ilhas dos Açores, nem...assemelho-me um pouco ao melhor e mais fiel amigo do homem; levanto-me, dou uma volta a mim mesma e sento-me de novo. Estas são as minhas viagens mais frequentes. Afinal, eu nunca fui, estou sempre para ir, no sonho que gosto de sonhar. De vez em quando, lá calha e é uma felicidade. Porém Troia para Setúbal e Setúbal para Troia já curti várias vezes, que até golfinhos vi. Vila Real de Santo António para Ayamonte no tempo em que se fazia de barco, também. Tancos para Castelo de Almourol, idem. E não me lembro de mais mas deve ter havido outras.
Esta viagem ganhou forma dentro de mim. Afinal, estou de férias, não quero nem posso ir longe, não quero nem posso gastar muito dinheiro, não quero nem me apetece fazer o mesmo de sempre. Bora lá então que se faz uma pressa. Não levo bóia. Será que é preciso?

fotografando







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cacimbo de Julho

Sopra o vento frio
A sul
Traz o cacimbo na pele
Um arrepio
Surpresa
Susto
Falta de agasalho...
Diz o povo
Kauelo já não é kauelo
E corre apressado
Ao baú ( da avó ),
Do século passado
Procura a farpela
Vestido de novo,
Todo enfarpelado
Espelha-se na banga
Já conformado
Sai para a rua
Olha para o céu
Afasta a nuvem
Que veste a lua
Cintilam estrelas
De frio também
Este é o Julho
Da terra-mãe.

m.c.s.

terça-feira, 19 de julho de 2011

os espertos do facebook

Ontei postei aqui Nelson Mandela, dando os parabéns ao homem único e extraordário exemplo vivo de Liberdade, que África possui. O orgulho africano.
Também publiquei na minha página do facebook, a mesma foto, e as mesmas palavras. Foram algumas as pessoas que comentaram. Hoje dei-me conta que alguém que conheço há muito, foi ali comentar. Já mais de meia dúzia o tinham feito Esta, raramente o faz. E o seu comentário, aparentamente inofensivo, foi de reparo. Na minha cultura e não no meu português. Escrevi Mandila e não Mandela. A criatura escreveu apenas: É Madiba e não Mandila. Só assim. Eu podia não saber que Madiba é o nome com que o seu clã carinhosamente o trata, mas sei. Eu podia até nem saber; para isso existem as mensagens, onde podemos trocar opiniões, saudações e correcções e onde ninguém entra, a menos que as façamos públicas a uns quantos. Eu podia até ter escrito mal por ignorância, mas não se faz o que esta criatura fez. Ninguém corrige o português mal escrito, no facebook, quanto mais o que nos parece ser ignorância cultural. Não estamos ali para dizer uns aos outros, ei, pssssss, não sabes escrever, meu? Olha que é com é e não com i, ou, onde é que estás com a cabeça que só dás calinadas? Meu, vai p'rá escola aprender o bê á ba. Seu matumbo, pensas que estás aonde, atrás do sol posto? Comê quiê, lês pouco, vai-te instruir mazé. Não. Ninguém de bem faz isto. E muito menos publicamente (?), sim que no meu caso tenho 400 e tal amigos do facebook. Se alguém que nos conhece quer mostrar, não a nós, mas a quem nos lê com assiduidade que é culto e nós somos uns ignorantes, armados a bestas, esse alguém é para lá de atrasado mental. Mas não lhe chamei isso porque é um preconceito com quem tem deficiência e não me parece bem que o faça. Mas acho que está a um dedinho de ser bloqueada, esta criatura, que nem parece que me conhece de outros carnavais, bem como à minha família, e vice-versa. Já lhe dei o benefício da dúvida a um comentário que fez em resposta a uma amiga minha e por sua causa tive que pôr ordem nos trabalhos e no seu lugar e pedir desculpas à minha amiga pela má educação da criatura. À terceira...nem o respeito à memória da sua família me fará vacilar. Será de vez.
Ó'méssa? !!! Já uma pessoa não pode chamar a Nelson Mandela, Nelson Mandila...
Querem lá ver!!!

limitações e inibições

Li no blog da SMS, amiga da cria, que recebeu um telefonema, porque havia grande probabilidade de ser compatível com uma pessoa que precisa de um transpante de medula. Ela empolgada, depressa, a correr, voou até ao serviço que faz exames e perguntas. E deparou-se com uma pergunta aparentemente estranha mas que pelos vistos faz todo o sentido. Se tinha hérnias. Depois do exame feito, ficou feliz porque apesar dos pesares todos a que está sujeita no dia a dia, tudo está bem com a sua coluna. Continuou assim a acreditar na possibilidade feliz de ajudar a salvar alguém que precisa muito. Mas quis saber o que é que o cu tem a ver com as calças. E responderam-lhe que até acontecer um caso de um dador que piorou da sua hérnia depois de fazer a sua doação, passou a obrigatório o dador não ter hérnias.
Se bem se lembram as pessoas que aqui vêm ler e me conhecem, eu tenho hénias. Uma na cervical e outra na lombar. Concluí assim que jamais poderei ser dadora.
Esta inibição recordou-me outra, já lá vão 15 anos, quando alguém muito muito próximo de mim, tão próximo que chegado o momento de serem precisos dadores de sangue, pois que os hospitais pediam a doação antes do doente ser operado, eu me cheguei imediatamente à frente.
Éramos dois, os que estávamos preparados para o efeito. Nas calmas. Sem crises e sem medos. Quando chegou a minha vez, foi necessário responder a um questionário. Respondi calmamente, apesar do nervosismo de estar para acontecer uma cirurgia de certa forma complicada, ali no hospital santa maria e na equipa de lobo antunes, em que o paciente era uma pessoa que eu amava muito.
Uma das perguntas era se já tivera doenças dos países tropicais. Paludismo, disse. E a outra, se sofria de doença cardíaca. Perguntei se taquicardia contava como doença.
Agradeceram-me muito, sorriram de orelha a orelha e disseram-me que não, muito obrigada mas a senhora não pode dar sangue. Quis saber como é que ficava. E a criaturinha doente?! Que, se fosse preciso algum familiar teria que se chegar à frente. Não foi preciso. Correu tudo bem. Menos para mim, que fiquei com a certeza de que não fui útil.
Agora, de novo e com esta história das hérnias, chego a uma triste conclusão. Não serei útil porque tenho limitações.
Afinal o meu sangue não serve para nada?!
Que triste conclusão a que a SMS me fez chegar.

curiosidades

foto tukayana.blogspot

a arte na rua II





fotos tukayana.blogspot

a arte na rua

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A arte, na rua Augusta.
Quem quiser alimentar a alma, pode fazê-lo a custo zero.
É só percorrer as ruas da Baixa de Lisboa e encontrará várias manifestações de arte.
No caso, Música.
Ah, mas como estes artistas não estão ali só para nos darem música, porque a vida custa a todos, vá lá, levem um porta-moedas com moedas de 1 euro e façam o que deve ser feito. Deixem uma quantia digna, porque o alimento da alma também tem preço. Façam-no vocês e eles agradecem.
Tenho o maior respeito por estas pessoas. Tenha também.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

assinalando





Parabéns Nelson Mandela!

estámu a sofrêre malê





Neste tempo de cacimbo diz-se em Luanda que:
KAUELO, já não é kauelo!!! FRIO já não é frio!!!
Pois é. Parece que bateu forte, o cacimbo, em Angola, este ano. De dia, se, as temperaturas são baixas, à noite a temperatura desce bué e o povo precisa embora se enfarpelar e já está a dizer: Estámu a sofrêre malê !!!

recordando e vivendo
















fotos tukayana.blogspot Aqui está, o lugar onde eu queria ter uma alegre casinha tão modesta quanto eu...
Meu Deus como era bom morar aqui mesmo em frente ao mar...
Gosto. Gosto muito deste lugar. Não por ter fama de chique. Mas porque aqui me sinto em casa.
No século passado, estávamos nós no ano de 1980, passei,neste lugar, duas semanas mais ou menos. Não de férias. Trabalhando. Com a responsabilidade de zelar por um colégio pré escolar. Com um grupo de crianças que não comiam sozinhas, não queriam dormir, choravam e eram deixadas às 8 e só partiam às 16 para as famílias. Conheci duas pessoas fantásticas. Uma delas, a Zélia recebeu-me na sua casa, logo à minha chegada, para um lanche de scones e chá, sem nunca me ter visto antes. Morava mesmo em frente à baía, numas águas-furtadas maravilhosas. Outra foi o sr. Santos, pai da dona do colégio, que vivia na casa, no andar superior. Era reformado das finanças, senhor viúvo e com uma educação esmerada. Que cozinhava para ele e para mim ( nesta altura eu apenas sabia estrelar ovos e vá lá vai ). E que de mim tratou quando quase me matei nas escadas, a caminho do telefone que tocava histericamente. Já nesse tempo eu caía, que nem uma patinha, nas cascas de banana dos caminhos por onde andava, pois foi para atender, com o coração aos pulos de saudades, o telefonema do namorado que me estatelei todinha, escadas abaixo, no alto de uns sapatinhos adoráveis que perdi pois que os saltos foram ver mundo, tal a violência do tralho. Fiquei tão mal tratada que o pobre do senhor me levou ao hospital para exames e depois, qual pai dedicado e protector, na hora certa, me dava os comprimidos.
Quando saía às 17, ia às compras com o sr. Santos ou ia sozinha,ver o mar. Percorria a vila. Comprava postais e mandava às minhas pessoas. E no entretanto, fiz uma alergia tal, aos pinheiros, que existiam no quintal que parecia um peixe esbugalhado e doido com o novo habitat. Fui convidada para jantar nos lares das pessoas que trabalhavam no colégio, conhecendo as suas famílias e entrando nas suas intimidades com muita naturalidade, que tudo fizeram para que me sentisse em casa. E senti. Levaram-me a conhecer a Boca do Inferno e o Guincho. A praia da Maças. E tudo quanto ficava à volta da vila. E a minha amiga Julieta foi visitar-me. Nessa altura era enfermeira em Sintra , perto dali. Foram uns dias muito especiais, por isso e porque a vila é tão bonita e apelativa, é um lugar que mora no meu coração. É um lugar onde eu gostava de morar. É um lugar onde vou sempre que posso.Faz-me bem. Apetece.

sinal do tempo

Sinto no meu corpo
O afago da brisa que corre
Nesta madrugada quente.....
Retenho-a
Qual formiga conservadora.
Suspiro
E o sopro leve que sai de mim
Ganha forma de ciclone
No formigueiro
Perto daqui.

Ainda é verão e o inverno nem sequer se anunciou.

m.c.s.

inconfidências

É. Eu gosto de Keane.
Não sei se é de bom tom gostar. Não me interessa. Gosto e pronto. A voz do miúdo é linda; eles tocam-me a alma. É quanto basta. Se a minha alma gosta do que é comercial?! Se calhar gosta. Mas o que gosta mesmo é que lhe passem a mão pela aura.
Não sei se já postei esta música. Também interessa pouco.
Indo eu, para um encontro de afectos, dei comigo a ouvir esta música que está gravada no MP4. Gosto de a ouvir, como todas as que lá estão e que são muitas. Tantas que já não ouvia esta, há muitas luas. Juro que gosto de keane, e com isto posso estar a enterrar-me. Porém a cada vez que a música passa, dou comigo a querer chorar. A querer lembrar. A querer fazer o número da coitadinha. Gosto de saber o porquê das coisas. Posso não chegar lá mas se chegar a algum caminho, entro nele confiante que acertei e sossego o espírito. A letra da música, pelo que eu percebo de inglês ( bahhhhhh ) não sugere as minhas lágrimas, não é dor de corno, tão pouco saudade, ou abandono de uma terra. E perda do passado muito menos, roubo material irremediável, despedidas, ou ainda acidente gravíssimo, morte de entes queridos. Então por que raio estes meninos que cantam bem e têm uma música tão bonita me provocam este estado de alma, que embora se mantenha branca, porque eu acho que apesar de gostar do vermelho, a minha alma veste um longo vestido branco, vincando a cintura (?) e caindo em vasé até ao chão, com um manto que parte dos ombros, igualmente longo, não é vestido de noiva, longe de mim tal idéia, mas estou a vê-la, a alma, e estou a vê-lo, o vestido e estou a ver-nos lindas de morrer, contudo, lá está a alma a mudar para branco pálido, triste, apenas com a audição desta música. Tenho pena dos keane. Não merecem este estado de alma.
Mas o que eu sei é que de repente estou a querer ouvir a música e chamo a carpir todas as mágoas que tenho e são algumas, daquelas que até a alma
perde o ar superior que ostenta. E vêm-me à memória dias como 4 de Janeiro, 29 de Junho, 29 de Julho, 4 de Junho, 9 de Maio, 10 de Outubro, 8 de Janeiro, 1 de Abril, 10 de Setembro, 15 de Outubro, de uns anos quaisquer, que não interessam nada, para o caso. E fica difícil disfarçar para o homem que me olha desde que entrei no Senhor Roubado até à Baixa, que até mudou de linha comigo e veio sentar-se de novo à minha frente. Como num filme com as rotações trocadas, tudo se passa em 2 minutos, mais coisa menos coisa. Depois, chega Aubrey. E fico no céu. Ganho de novo um brilhozinho nos olhos mas já não disfarço perante a criatura que me olha e não afasta o olhar de mim. Porque será que esta música me provoca uma sensação danada de boa? Também não sei. Ou sei?!!!
O dia 10 de Setembro, que acabara de fechar a sete chaves, vou buscá-lo. Troco-lhe o ano e Aubrey faz sentido. Todo o sentido.
E depois, afirmo sempre, que não há coincidências... E não. A energia do Universo é poderosa e coloca tudo nos devidos lugares.
Vou manter Nothing in my way no meu MP4 imediatamente antes de Aubrey, como estranhamente foi logo de início colocada e não foi por mim ( esquisito ). Porque eu não acredito em bruxas, mas que as há, lá isso há.

à beirinha do Tejo

foto tukayana.blogspotAdorei! Adorei! Adorei!
Adorei o almoço na tua casa. Obrigada GENTE LINDA!

domingo, 17 de julho de 2011

É o Verão



Bom dia, alegria
Grita alguém ao verão
Ele sorri satisfeito...E nada contrafeito
Num passo de magia inicia a bela estação
O sol presente horas esquecidas
Aquece o corpo das raparigas
Afaga a alma dos reformados
Inspira poemas
Mostra caminhos
É um presente dos afortunados.

Bom dia, descanso
Grita alguém, ao Verão
Ele sorri pachorrento
São as férias, novo alento
Dias e dias de prazer
Na preguiça de nada fazer
E é a praia
E é o mar
O bronzeado de arrasar
É a beleza desafiando a natureza...

Bom dia, noite escaldante
Grita alguém ao Verão!
Ele pisca o olho maroto
Num gesto bem sabidão
Discotecas, curtição
As amigas caipirinhas
Semba, kizomba,
Feitiço, paixão
É o tempo de abraçar
É chegada a hora
De conquistar
Esta louca estação
Pois claro, pois então... o Verão

m.c.s.

Boa praia

foto tukayana.blogspot Bom domingo e boa praia.

doce dos afectos

foto tukayana.blogspotArroz doce é um doce antigo como antiga eu sou. Nem sempre gostei desta guloseima tão tradicional. Era mais arroz de marisco, arroz de caril, arroz de tomate, arroz de feijão, arroz de manteiga, arroz à valenciana, arroz de grelos, mas nunca arroz de bacalhau ( que horror ). De vez em quando e se não houvesse mais nada doce, arroz doce. Tentei aprender a fazê-lo. Não consegui. Eu!!! Eu maria clara das dores, que tenho pretenções de ser boa cozinheira e também doceira, não sabia fazer arroz doce. Muita falta de paciência para a minha preguiça que gosta de fazer tudo a correr para se despachar rapidamente do trabalho. Aquele mexe-mexe e torna a mexer e deita leite a ferver e torna a mexer, mexe com os meus nervos. Quer dizer, mexia que eu já nem tenho nervos.
Decidi aprender, depois de comer o arroz doce da Manuela e também o da Lara. Que são de comer e chorar, soluçar, por mais.
Convenceram-me que era simples demais. Era mesmo só preciso paciência, leite, arroz, limão, pau de canela, açúcar, colher de pau, a minha presença e lume.
E ontem à noite, eu maria clara, a nova e estranha clara, que de férias não sai de casa,( quase ), e nem ao sábado à noite lá vai, decidi ir para a cozinha experimentar a receita das duas criaturas que melhor fazem arroz doce.
O resultado foi este. Ficou mesmo bom. E foi um belo teste à minha capacidade de suportar um tacho, uma colher de pau, lume brando e o calor duma cozinha, mais do que o apetite para o tão falado arroz. É que há quem cá em casa, goste mais do que eu e esse gozo de apresentar esta taça a quem gosto mais do que de arroz doce é um prazer sublime.