quarta-feira, 15 de setembro de 2010

juventude

Olho os nossos jovens. Observo-os. Também fisicamente. São lindo os miúdos de hoje. Todos.
Ou são os meus olhos...e nós também o éramos aos olhos dos nossos pais, tios, avós, amigos?!
Os jovens hoje têm tudo para terem o Mundo nas mãos.
Há 40, 30 anos, era mais díficil ter só que fosse, metade do mundo sob o nosso olhar. Contudo eu achava que essa metade de mundo era minha.
Se eu tivesse a idade deles, hoje, tentava conquistar a outra metade.
Não é difícil ter o mundo nas mãos. Mais difícil é segurá-lo para que não nos escape.
Dificílimo é carregar o mundo nas costas.
Gosto dos jovens. E do mundo jovem, dos jovens.
Gosto deste tempo presente. Um pouco mais que do outro que vivi.
Gostava de crescer neste tempo.
Em suma, concluo que o que gostava mesmo era de ser jovem.
O resto tentava conquistar...

terça-feira, 14 de setembro de 2010

as palavras

Inesperadamente recebi um correio.
Que gostava dos meus escritos, aqui do banco dos meus sonhos.
"" Que tara é essa, a dos bancos onde te sentas para " sonhares "? Os sonhos sonham-se melhor deitados" ".
E que sempre que lê os textos que têm como imagem um banco de pedra - " Parece que me chamas a mim para sonhar contigo. Sinto que podia ser comigo. Queria fazer essa viagem...
Sei que não é para mim, sei que não tem que ser para alguém, sei que afinal, são apenas palavras, que teimas em deixar escritas" ...
Eu poderia responder a este correio que me chegou inesperadamente. E dizer que não. Não é para ninguém. Não é para ele, pessoa que me mandou este correio.
Mas me apeteceu continuar, pegando nas palavras deste alguém que afinal não me inspira e sabe que não, e dizer que:
São palavras, que teimosamente quero desenhar. Eu que não sou artista. Palavras soletradas, copiadas, repetidas, deslocadas, intencionadas. Que quero largar como se largam papagaios às cores nos céus da esperança.
Fazê-las viajar nas asas do tempo. Numa viagem para o meu lugar de partida e de chegada.
Fazê-las chegar. A ti. Que sonhas também.
Tu, só tu as podes ler com a certeza de que são para te depositar no colo, quando te sentares no banco de pedra a sonhar. Comigo, ou sem mim. Numa liberdade que não combinàmos. Que está instituida.
São para ti, porque só tu conheces a cor dos meus sonhos se chamo pela mulemba. Ou se cheiro a acácia. Ou se olho a lua prateando a Baía. Ou se me arrepio no silêncio desértico da paisagem. Ou se remexo cinzas de um passado de memórias que vestem ramos de palmeira e sabem a coco e a maresia.
Só tu chegaste aqui e queres chegar além. Onde os animais se passeiam na savana, as hienas choram lamúrias de crianças, as lesmas procuram o caminho de casa, os peixes conversam no tanque, o sal das lágrimas se mistura com o das salinas, o poente é vermelho, o batuque se ouve dentro de nós, os galos cantam à meia noite, e as manhãs são brancas e perfumadas. Os cheiros são fortes, a luz é intensa, as nuvens carregadas, os cacimbos, bençãos.
Onde o sol é inspiração, o mar é uma canção e a terra um poema.
Só tu chegaste aqui e queres chegar além. Por isso são para ti as palavras que escrevo, quando quero sonhar no banco de pedra.

Ne Me Quitte Pas. Maria Gadu

gorda porque sim e porque não

Tive um lanche do mais alarve que existe, de comemoração de aniversário de uma colega que por acaso é minha xará. A 1ª vez na vida que me acontece, trabalhar ao lado de alguém com o meu nome, o que, vou dizer-vos, é um pouco inquietante. Clara, isto e aquilo. E eu olho e afinal não é comigo. Clara porque isto e porque aquilo e eu não olho e afinal é comigo. E quando pergunto, que foi? E me dizem: Não é contigo, é com a outra. Eh pá, caio em mim... afinal há outra. Sukuama, isso é que é tramado... não, e o pior é que já atendi por duas vezes alguém que me pediu para falar com a Clara Silva e eu com a maior cara de pau disse: Silva não, Santos, ou Silva não, Marques, ( este às vezes distraio-me e digo ) e a pessoa com toda a razão diz-me: Silva, minha senhora. Este minha senhora soa-me àquele Minha Senhora que os políticos disparam contas as jornalistas quando estão a ser entrevistados e não lhes agrada a insistência ou a suspeição. Oh minha senhora! E isto soa a Oh grandessíssima p...
Nunca deram por isso? Se calhar é porque não têm jornalistas assim a tratar por tu.
Bem, mas então, quando a pessoa está já a espumar de raiva, percebo tristemente que não sou a única. Existe outra. Que chegou há pouco tempo. Mas está. Como eu. E reduzo-me à minha insignificância, o que por vezes também não é mau.
Mas tudo isto para dizer que não se deviam comemorar aniversários com comida. Devia fazer-se, sei lá um passeio a pé, em grupo." Onde é que vão? Não vamos, estamos no aniversário da Clara Silva". Ou uma sessão fotográfica. Mostrávamos as fotos depois. " Onde foi? No aniversário da Clara Silva." Ou ainda uma ida ao cinema. " Que vão fazer? Vamos comemorar o aniversário da Clara Silva." E nada de patuscadas.
Porque, depois de comer várias espécies de queijo, presunto, paio, batatas fritas com sabor a presunto ( eu que não gosto de batatas crocantes ), e outros, não tendo escapado sequer o bolo brigadeiro, apre, xiça, penico, estou que nem posso. A caminho do autocarro gritei em silêncios ecoados por todo o cérebro que: A-C-A-B-O-U!
Macacos me mordam se não acabou.
Ontem, um colega, aquele que se péla por um bitoque, entra em delírio com espetada de lulas, ou tem pensamentos pecaminosos com uma tarte de alfarroba, depois de me perguntar o que é que tinha e eu lhe ter repondido que estava com azia, disse-me:
Há uma pastilhas que se chupam muito boas. Esta férias engordei uma mão cheia ( assim mesmo ) de quilos e era o que chupava. Não lhe estou a chamar gorda, bem entendido.
Muito bem entendido. Isto não li nas entrelinhas. Eram carris, as linhas de comboio com que me brindou. E só estava a chamar-me gorda sim senhora que eu de burra tenho pouco.
Ora eu...tenho lá necessidade disto? Vindo de alguém que cai de quatro por um bitoque?
Ou de andar na rua sem olhar para as montras espelhadas? Esconder-me debaixo de túnicas largas? E de vestes pretas?
Mas afinal, vamos cá a saber, porque como eu?
Como porque choro. A seguir, choro porque como.

Como de ansiedade. A ansiedade faz-me comer.
Como porque partem. Como porque chegam.
Como porque estou triste. Como porque comemoro.
Como porque estou sozinha. Como de companhia.
Como o que há. Como porque sim.
E porque não.
Porque como? Sim, porque como, eu?!
Nãnãnã. A partir de hoje, não é de amanhã, a partir de hoje, acabaram-se as comezainas.
E mais. Vou passar a fazer os meus seis quilómetros diários, dando a volta a torres novas a partir da minha casa, numa volta preparada para pedestres, que abandonei porque, ah e tal e coiso porque anda e porque deixa, que está sol e que faz chuva e não me querem acompanhar.
Quem quiser que se negue, eu vou mesmo. Passei a tarde toda a pensar nisso. Que tenho de recomeçar e tem de ser já, antes que se faça tarde.
Daqui por três meses, tiro uma fotografia e venho aqui deixá-la. Palavra de Maria Clara das Dores.

recomeço

" Eh pá, outra vez esta seca, as férias parece que foram ontem que começaram e já estamos aqui outra vez, porra..."
" Eh pá puto, apoiado, dá cá mais cinco, tuge "... foi o que me apeteceu dizer-lhe, numa solidariedade antiga, do tempo do colégio quando só arrastando-me é que me conseguiam sentar no banco da escola. Sempre lavada em lágrimas. E acomulando promessas disto e daquilo, que nem sempre cumpriam. Quando era o avô, sim. Em dobro.
Porém hoje sei que estas, as férias, terminaram não ontem, mas anteontem, e as próximas são pr'amanhã.
No intervalo temos de viver. Muito e bem. E estudar e trabalhar.
Por isso e com um saudosismo masoquista, sorri ao puto.
Eles são como bandos à solta por estas ruas fora. E esperando autocarros. De novo.
No meu autocarro houve novidades. O motorista do tempo de aulas regressou. Aquele que é meu amigo e me guardou a carteira que perdi. Fez-me um sorriso bem disposto e perguntou-me assim numa confiança que lhe dei: Como é que a senhora está? As férias? Lá temos que voltar ao sacrifício, não é?- Apeteceu-me dizer-lhe que não devia ser, não, mas que remédio. É para isso que nos pagam, como diz uma colega minha, que por acaso até está de férias.
Os putos que vão ser a minha alegria nesses 20 minutos, ( porque lhes acho piada e não por serem muito engraçados ) iam calmos e silenciosos. Alguns devem estar a dizer palavrões lá para os lados das faculdades a que concorreram porque não iam no autocarro. A menina da Escola Profissional também não. Minha vizinha que partilhava tarefas comigo, e sorria sempre quando eu me aproximava, apressando-se a tirar as suas coisas do banco para que me sentasse.
Vistas bem as coisas, não me esqueci destas pessoas. Apaguei-as temporariamente. Algumas não voltarei a ver. Viajarão por outras estradas. Aprenderão outros palavrões, ambicionarão outros sonhos...
Eu, quem sabe que viagens farei, com quem ou se as partilharei, que palavrões aprenderei ainda e que sonhos me faltará sonhar ...
Enquanto não, vou iniciar assim, o meu percurso de trabalhadora do estado, tentando desempenhá-lo o melhor que souber e puder e me deixarem. Porque isto da Justiça não está fácil e já ninguém acredita nela. É que, nem eu. Mas não comentem, porque não me fica bem à cara dizê-lo. E depois tenho sempre presente que um dia há muitos anos disse estas palavras " Juro por minha honra que cumprirei com lealdade as funções que me foram confiadas ". A minha parte eu cumpro...

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

novela mexicana

Já há umas horas que tenho estado como cão a roer ferro.
Eu tento ser boa pessoa. Juro que faço por isso. Mas é difícil.
Quando:
Há mais de um mês disse aos senhores da MEO que estava com problemas.
Tantos que estou sem telefone, televisão, e internet. Vê se pode?
Hoje, 2 ª feira, dia 13 de chegadas e partidas, a fazerem-me pensar na vida, e respirando assim numa de não me acostumar, e achar sempre que aquele avião é que cai, aquele que transporta o que é de meu, e para cúmulo dos cúmulos faço mais uma tentativa junto dos senhores, assim como quem quer mesmo a coisa e em bicos dos pés deixo em sentido quem está do outro lado da linha. Julgava eu, pobre inocente.
Marcámos as 7 da tarde. Para virem mudar o ruter e passar a poder utilizar os três serviços. É que isto arrasta-se e é indecente o que andam a fazer. Mas mais indecente é deixarem-me especada a ver se chove. Que é como quem diz, a ver se eu estou ali na esquina.
De criaturinhas dissimuladas e falsas nem nada. E não é preciso ser bruxo para advinhar o que vai acontecer amanhã quando estiver ao telefone com uma qualquer criatura que trabalhe para estes senhores. Vou passar-me.
Como é que se pode ser boa pessoa numa freguesia destas?!!!!!

de novo aqui

Inspirar...expirar...
Inspirar...expirar...
Ufa! Que me doi o ar que tenho inspirado.
Que não relaxei por o deitar fora...
Toda a tarde e noite fora desejei ser peixe.
Vermelho de preferência. E ter guelras. E cardume.
E não um pulmão apenas.
Inspirar, expirar, inspirar, expirar...
Já posso voltar a ser gente. Recuperei o outro pulmão.
Benvindo mais uma vez, meu amor!

Não há!

Hoje faz 35 anos que cheguei a Torres Novas, para viver. Era sábado...
Hoje faz 2 anos que saí de Luanda depois do meu regresso passados que foram 33 anos.
Ah! E era sábado.
E depois, querem que eu acredite em coincidências?????

Pensamento

" Não caminhes à minha frente, posso não te poder seguir.
Não venhas atrás de mim, posso não te saber guiar.
CAMINHA A MEU LADO, SÊ, SIMPLESMENTE MEU AMIGO ! "

O prometido é devido. O Pensamento chegou, como chega todos os dias.
E eu publico-o. Deste gostei.
Cauteloso e sábio.
Obrigada E.P.
Ah, e EP não é Estabelecimento Prisional, bem entendido.

sobre carris

O sol nascente no comboio das 6,53 horas, Lisboa/Tomar

Maria Gadú - Trem das onze

domingo, 12 de setembro de 2010

em negação

Não tenho querido sentar, no banco do sonho acordado.
Não tenho sabido dizer, o que a mente silencia.
Não tenho sentido a fé para a espera paciente.
Não tenho recebido sinal do farol que me ilumina.
Nem sei a fase da lua, nem marés na noite escura.
Não sinto o afago da onda, nem sou beijada pelo vento.
Não me deito na sombra da duna nem acordo com o sol.
Não vejo espírito de Luz protegendo a minha estrada...

Ainda assim, entrei na noite

Feita de nadas
E loucamente inventei
Uma lua cheia... encantada
Romântica e prateada
Menina dengosa e feliz,
Cantante, poeta, amante
Vestes brancas, lantejoulas,
Cabelos soltos ao vento
Nos lábios beijos de mel,
Nos olhos promessas de amor
Nas mãos o sonho brilhando
E no coração em chamas
A cor duma grande paixão...

Não tenho querido sentar, no banco do sonho acordado
Do frio daquela pedra
Oiço cansados monólogos
Participo nas viagens
Dos meus sonhos mais esforçados
Vejo nuvens cacimbando
Meus voos de asas curtas

Vejo o destino adiado
E suspiro nostalgias
Não tenho querido sentar, no banco do sonho acordado
Não por nada, mas por tudo
Até p'ra não perder a magia...
Os meu sonhos, fantasias...

Não estou com a macaca

Hoje é dia de " estar com a macaca ". Sei lá, ser assim solidária com a pobre da bichinha. E antever-me já atrás das grades que me separam da " vida mulata " que tenho levado.
Mas até eu estou decepcionada comigo. Tinha preparado um cacho de bananas, um saco de ginguba e outros acepipes para compensar a macaca e afinal, não. E abandonei a idéia do lenço para limpar as lágrimas. Macaca que é macaca, não chora.
Não me reconheço, essa é a verdade. Tranquila, como dizem os emigrantes em França. Nem parece que é domingo. Que é o fim das férias. E muito menos que estou com um pé cá e outro lá, naquele lugar onde me têm comido a carne mas nem por isso quero que me roam os ossos.
Depois de uma semana que nem sei dizer se correu bem ou mal, ou sei, correu, e o importante é que corra, despeço-me calmamente e sem fantasmas.
Há uma decisão que pesa. E muito. Sabem como os putos fazem à noite? Joãozinho, já para a cama. Oh Mami só mais um bocadinho, please! Ah pois é. Eu também adiei o meu regresso para amanhã. Please, please mano Zé, podes ir buscar-me ao comboio? E levares-me a casa p'ra deixar a Pitanga? E levares-me para a casa da Justiça? Logo ao raiar do dia? Que nem vou dormir nada, mas pronto? Este prazer de ficar ao domingo à noite no Olival, a fingir que vivo mesmo aqui? E que não preciso de ir embora?
E o mano Zé disse que sim. Eu tenho um mano Zé que vale uma fortuna.
Quero o domingo todo para mim. Este pedaço de dia que resta. Os programas de televisão que se iniciam hoje, pois então. O Idolos e outro que me falaram que é uma espécie de Big Brother . Eu não quero nada transcendente. Só me quero divertir. Rir, que tristezaas não pagam as ditas de que o país está cheio. E nós, consequentemente. Eu só quero ser feliz.
E daqui a pouco vou às Amoreiras. Procurar uma roupagem para um casamento. Ainda há quem se case. E seja feliz. E tenha muitos meninos...
As Amoreiras levam-me a pensar em vips e figuras públicas. Há quem vá às Amoreiras só para chegar perto destas figuras que por lá se passeiam, sobretudo aos domingos de manhã, e fazer assim figuras tristes. Eu vou porque lá há algumas lojas com modelitos de cerimónia.
Figuras, figuras fazem as mulheres ( as tias ) que frequentam o El Corte Inglês, outro lugar chiquérrimo, do tipo condomínio fechado. Onde eu e umas poucas entramos.
Elas, as tias, que assinaram contrato vitalício com o lugar, mas não com as pessoas com quem andam de tiracolo, têm olhos até à nuca. Já nós passámos e elas ainda nos seguem o rasto. Temos que fazer figas. Com os dedos das duas mãos. E se ficarmos com aquela dor de cabeça que provoca alguns enjoos e sono, não é gravidez, ( na minha idade só milagre e Deus tem mais que fazer ), certo e sabido que foi mau olhado dessas mal amadas. Está bem que se perguntem o que é que eu, ou outra como eu, muitas como eu, pindéricas, ali estamos a fazer. E eu, juro-vos, penso baixinho cada vez com menos paciência e um dia destes apanham-me com a macaca à séria e sai alto, assim alto de envergonhar quem estiver comigo: calma mulheres, conforme entrei assim vou sair, de mãos a abanar, não levo nada que não seja meu. E depois, o melhor, é comprarem uma trela ok?
Eu quase que não olho para os anexos destas criaturas, mas diabo, uma mulher não é de ferro, nem cega. E pode descansar as vistas uma vez por outra que andam muito cansadas de ver tanto sacana. E até vos digo, nem é o caso. Nem estou a falar por mim, porque muito sinceramente, cadê? cadê? Como diz uma amiga minha, já nem há, são todos de plástico. E eu até só vou ao Corte Inglês, imaginem, por causa das laranjas do supermercado, que são uma coisa boa que a gente come, essas sim, melhor, muito melhor que as amargas das tias e os bacilentos dos anexos, e por causa da padaria que é excelente, das oportunidades do piso -2, do piso dos perfumes e do cinema. As salas são óptimas. De vez em quando também gosto da sala do restaurante, lá em cima. Acho piada àquele ritual dos empregados a fazerem gestos uns aos outros, comunicando, que parece que mandam beijinhos, uma coisa até muito abichanada, que não é para homens de barba rija como aqueles e contaram-me que parece que é um procedimento muito antigo das casas de restauração da Lisboa de outros tempos, recuperado por este restaurante pretencioso.
Bem, como não estou com a macaca, vou apanhar o metro a caminho do consumismo. Mas não tenho intenções de me ferrar. Só que não seja ferrada, já eu fico bem. O que é preciso é escapar por entre os pingos da chuva.
Resto de bom domingo para todos. Que eu vou fazer-me à vida como se estivesse de férias.
É pouco bom, é!

Há uma Luz que nunca se apaga


Dia 10 de Setembro completou mais um ano, um ser que eu amo de paixão, desde que nasceu.
O Paulo é assim como que O Primo. Um ser pelo qual eu sinto muita admiração.
É um artista. É um ser inteligente e sensível e pinta a vida com as suas cores e traços muito próprios. Um ser singular e único.
Resolveu mandar-me este e-mail de resposta ao meu post no seu aniversário.
O que copiei para aqui não é senão o que queria dizer-me por isso o passei na íntegra.
A foto que me enviou é de Angola, claro, a sua terra, e onde esteve a trabalho por uns dias ao fim de 33 anos tal como eu e coincidentemente no mesmo mês. Setembro de 2008.
Não a consegui passar para o blog porque é um diapositivo e não deixa e também não o sei fazer.

Aqui está outra que podia ser a sua e que é também uma imagem das Pedras Negras de Pungo Andongo.
Bem hajas, meu primo.

Clara, agradeço a tua memória e aquela expressão. Visitei o teu blogue e tentei deixar lá este comentário mas não consigo dar-me com aqueles procedimentos todos e mandei tudo à vida. Venho dizer o mesmo neste correio.

Sabes que sempre fui um envergonhado e aquela tua memória põe-me muito pequenino. Não é comum fazeres uma viagem no tempo. No entanto, construíste esse mecanismo. O teu texto é equivalente a um salto no tempo, à velocidade da luz, fazendo-me viajar até um espaço conhecido, estranho só na data do tempo. É um tempo para mim desconhecido, evocado na bonita memória das palavras do meu Pai: “…é um menino”. É estranho visionares, porque se trata disso de um filme, uma narrativa já do teu tempo mas que tu não viveste, da qual não tenho memória, isto é: como foram os primeiros tempos neste planeta, o que se disse sobre nós, que estranhas esperanças nos reclamavam.

Venho reverenciar a tua doce memória do espaço que eu mais tarde tão bem conheci: “Estou no quintal, virada para a avenida…”. Lembras-te de como se estendia o espaço do vosso quintal até à Avenida Brasil? Lembras-te da Mangueira do quintal?

Lembro-me de algumas festas dos vossos anos na noite do vosso quintal; Lembro-me que a parede do vosso quintal não era paralela ao alinhamento da Avenida…Estas memórias, que agora vens enriquecer são-me muito caras, eu habito-as, e elas moram em mim. São uma explosão de felicidade interior inimaginável. Aliás, julgo que não sendo um optimista, esses primeiros tempos de felicidade, edificaram o abrigo onde me salvo de todas as contrariedades que por mim passaram.

Angola é um sítio divino, senão olha para a foto que anexo. É uma terra de Deus. Deus habita muitos lugares, mas julgo que por vezes escolhe, e quando me deparo com os não lugares desta terra, já que os lugares são espaços que foram posteriormente à obra da natureza edificados pelo homem, como este, das Pedras Negras de Pungo Andongo, fico imóvel e transido de um medo multidimensional perante tanta beleza, e sim, vejo que Deus gosta de morar por aqui, este não lugar é afinal um lugar, mas não do homem, de Deus.

Um bem hajas por fazeres vir ao de cima a tentativa de explicar. Eu não gosto, porque sinto que morar nestas memórias é muito melhor que as mil palavras que as cristalizam. Isto evoca-me o título de uma canção dos Smiths: “There is a light that never goes out

Um grande abraço Clara.

Paulo Gomes

comentando


Anónimo disse...
por tua causa mandaram pintar as fachadas dos prédios e até plantar palmeiras na antónio barroso e adjacentes ...xée tax podendo!

Maria Clara disse...
Uauê! Não acredito! Cumpriram mesmo, no prazo?Xeeeeeeé, vou ter de fiscalizar as obras quando chegar. Ouvi dizer que as antenas parabólicas deixaram de funcionar e a própria da Internet também. Coméquié?????? Ah, vai avisando que quero tapete vermelho, desde a Mutamba até à entrada do prédio do kamba Carvalho.Tou inzigir porque lhes conheço e vão-se fazer de esquecidos.
( Acabada a época balnear, o mês de Setembro quase a meio, planeando mais uma viagem a Luanda, brincar e sonhar é o melhor remédio para que estes meses passem depressa.
O gozo antecipado do que é observar e viver Luanda, os amigos e a sua, nossa, gente.
Luanda a dominar o meus pensamentos a partir da agora. Já me sinto em casa )

vermelha de raiva

Eh pá, tás aqui tás a ir com os porcos como o outro. Mas sou eu que te mando dar uma voltinha ao bilhar grande.
Anda aqui uma criatura a dar o dito pelo não dito, a sua palavra a ir para o esgoto...
Eu já fui, benfiquista até debaixo d'água ( biquini vermelho ), já fui vizinha do estádio da Luz ( assentei praça no Colombo ), casada com um sportinguista ( nada melhor para existirem razões para ser do benfica ) e afinal não valeu o gosto para o desgosto...
Como é que é? Brincamos? Ou quê????????
Afinal quando é que o campeonato começa? Ahn?!...

( in)justiça?

O mister foi com os porcos.
Quem se lembra do murro que Scolari deu num jogador? De nome Dragutinovic.
Eu.
E foi castigado? Nãaaaaaaaaaaaaaaaao!

Não assim. Apenas numa suspensãozita e num trocados em euros.
E não vou falar sequer nos insultos aos jornalistas ( isso é que eu fico podre, capaz de provocar uma epidemia, tipo peste negra ), dirigentes federativos, dirigentes de clubes e outros.
Ah pois é! Vale mais cair em graça que ser engraçado. E esses olhos bonitos, tudo no lugar e sotaque fantástico não encantaram os homens de barba rija indiferentes aos seus atributos.
Sabe que mais professor? Arrumar as botas e voltar às origens é o que está a dar.
África espera por si. Nem que seja para dar um tiro, perdão, um pontapé no escuro.