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terça-feira, 19 de junho de 2012

presente

foto tukayana.blogspot
Não sabia o que era viver com uma gatinha, dia e noite. Tratar dela. Por tu.
É muito melhor do que alguma vez imaginara. Eu nem sequer imaginava. Gatos não eram flores do meu jardim.  
Desde pequenina que amava cachorrinhos. E sofria por eles. Via-os crescer e depois via-os desaparecerem. Viviam no quintal, à rédea solta. E conforme entravam em casa também saiam para a rua. E atravessavam-na. E ficavam por lá, debaixo das rodas de um qualquer automóvel.
Nunca me acostumei à perda. De animais. Nem às outras.
Na minha casa houve quase tudo o que é possível haver. Pombos, galinhas e galos, patos, galinhas do mato às pintinhas, gansos, uma águia, periquitos, papagaios. Peixes, rãs e sapos, um cágado enorme e várias tartarugas. Um macaco.  Cães e gatos. Estes, nunca dentro de casa.
E a Pitanga. Dona Pitanga que há três anos coabita comigo num tu cá tu lá que parecemos irmãs, mãe e filha ou grandes amigas. Como tal, sofro se a Pitanga não está bem. 
Bem sei que viver fechada não deve ser muito saudável para um felino. Privada da liberdade fica condicionada a uma casa com algumas divisões mas fica igualmente privada da sua sexualidade. Era aqui que queria chegar.
Dona Pitanga tem cio como qualquer gato adulto, que não foi operado. E não é bom. Nem de ver.
Ultimamente são cios uns  a seguir aos outros. Há quadros e candeeiros do meu quarto que correm sérios riscos, há peças de louça que parte. Há uma ladainha que oiço ao entrar no prédio e que incomoda com certeza toda a vizinhança. Não come e não dorme nem deixa dormir. É deprimente e humilhante esta situação, digo eu. Para além de que, afasta-se de mim e não me obedece.
Hoje, voltou a querer colo. Voltou a querer festas no pescoço e a abandonar a cabeça no meu braço.
A minha Pitanguinha voltou e eu fotografei o momento.
Ficou decidido. Vai tomar a pílula. Para acalmar e deixar de estar em sofrimento. Já contrario a sua natureza privando-a da liberdade e do convívio saudável  com animais da sua raça. Não posso nem devo  privar-me de ter a minha gatinha como sempre. Normal, chata, ciumenta e companheirona.
Presente...

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

gatices e vizinhança

- Olá vizinha.
- Olá, estás boa?
- Estou. E afasta-se.
Quero abrir a porta cá de baixo , mas não encontro as chaves.
- Não tens chaves para entrar?
- Não mas posso ir buscar à minha mãe, ao café.
Tinha visto a mãe, na mercearia da Rita, onde fôra buscar uma caixa de broas dos Santos para levar à minha prima.
- Deixa que eu procuro.
Ela que já se afastara a caminho do café da mãe, do outro lado da rua, volta atrás e com um ar muito assumido, baixa o tom de voz que usara até ali e pergunta:
- A sua gata anda saída?
Não, respondi intrigada. Porquê? Pobre Pitanga. Saída? Há dois meses que não tem cio, graças a Deus, porque é doloroso assistir ao desespero da pobre bichinha.
E ela dispara:
O meu gato anda aluado.
- Anda? Digo eu ganhando tempo e fôlego para continuar a conversa com uma garota com os seus 10 anos que por acaso é minha vizinha.
Anda, anda muito aluado. Pensei que a sua gata andasse saída. O Black não se pode aturar.
Afastou-se a caminho do café num desencontro com a mãe que está na mercearia da Rita. E eu subi as escadas. Meeeeedo! Muito meeeeedo! Qual será a ligação entre a minha Pitanga " saída " e o aluado Black?
Não quero fazer futurologia, mas esta miúda conseguiu que eu imaginasse uma ligação entre o Black e a Pitanga e francamente não gostei desse tu cá tu lá do Black com a minha Pitanguinha, apadrinhado pela dona.
Apeteceu-me dizer à miúda que fosse devagar com o andor mas ela ficaria a olhar para mim com um ar divertido com que anda sempre e desisti.
Será que tenho que reforçar a vigilância? Ah pois, vale mais prevenir do que remediar. Não vá o gato preto da vizinha do lado trepar paredes, janelas, varandins e fazer uma visita
à Pitanguimha da minha alma.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

outra pitanguice

Tenho uma amiga que diz com alguma graça que, quando uma mulher vai para velha, tudo lhe acontece. Eu que o diga. Que até uma gata faz pouco de mim. Eu que não me acho nada poucochinha. Não é que acordei com uma gata, de nome Pitanga, em cima do único ombro que tinha à mão de semear? Como um papagaio, no poleiro. Eu que gosto de cantar de galo, sujeita a capacho de uma felina. O que me vale é que a kamba diami anda distraída por terras de santa cruz e outras, a das pampas, e não vai saber disto, pois que se não, não faltaria, dizer-me que esta gata é uma assanhada e ainda bem que não vai à nguimbi, porque viraria pincho num abrir e fechar de olhos.

segunda-feira, 21 de março de 2011

de noite...

Cai a noite. D. Pitanga não dormiu sozinha em casa,nenhum dia da semana. Talvez por isso se abandone num sono descansado. Ao pé de mim, à horas. A sala tem a temperatura agradável de um dia quente, a televisão baixinho não a incomoda e o barulho do teclado, há muito é seu conhecido. As crias despediram-se e voltaram para a capital. A casa tem sabor a tranqulidade e ela simplesmente dorme.

de dia...

Quando eu digo que D. Pitanga se passa, é a sério. E a prova é que de vez em quando, sobretudo quando um saco surge da rua e o poisam numa cadeira, ela cusca, não vai de modas e entra para o saco.
Ei-la!
Imaginem fazer destas e piores, naquela hora da manhã que tenho que me despachar e fechar a sala e o meu quarto para que não seja tudo seu.
Chamá-la, procurá-la e ela não estar nem aí para mim, burricando e agradecendo um esconderijo, para permancer nestes dois compartimentos que ela adora, o meu quarto e a sala é o que acontece quase que diariamente.
Então? É desgastante ter uma gata assim em casa, não é?
Mas é muito divertido! E ela é uma querida que eu não dispenso por nada neste mundo...