sábado, 19 de março de 2011

no teu dia

Penso-te. No melhor de ti.
O sorriso.
A generosidade.
A dedicação à família.
Penso-te. Rosto. Gestos e hábitos.
Orgulho e exemplo...
Que me faz trilhar pela estrada que trilhaste.
Penso-te na memória e no coração.
Num tamanho tão grande...até ao infinito.
Penso-te.
E mesmo quando não te penso, não me sais do pensamento.
Penso-te tudo, pai.

sexta-feira, 18 de março de 2011

mais uma viagem

Ainda faltavam dez minutos para as oito quando saí de casa. Não fora ter deixado o cartão no computador e teria tempo para umas fotos que ando para fazer a partir da minha rua e apanhando o vale do Alvorão. Torres Novas tem a paisagem mais bonita, de todas, a partir da minha rua, o que não faz dela a rua mais bonita. Apenas o ponto de partida para chegar a belas imagens de luz a que não poderão fugir todo o vale a perder de vista para os lados da serra de Aire, nos caminhos, montes e ladeiras até Fátima.
Calmamente cheguei à paragem que tem, nas traseiras a morgue do antigo hospital e na frente a Escola Prática de Polícia. Já lá estavam duas miúdas que apanham o TUT ali. Uma delas a miúda que usa aparelho para corrigir os dentes e que é muito malcriada, a tal que se pegou comigo por causa do chapéu de chuva e a quem me apeteceu dar-lhe dois pares de lambadas bem assentes, tal como um dia lá atrás, na terra que tem o sol mais lindo do meu mundo, as dei à Mulombosa, minha vizinha por me ter chamado uns mimos que não admiti, tinha eu então dezasseis anos, que até lhe saltou o brinco de ouro branco da sua perfeita orelhinha.
O sr. margarido demorava a chegar. Já o TUT passara e apanhara as miúdas e o motorista me questionara sobre a minha ida tendo o meu dedo indicador da mão canhota lhe dito que não, quando finalmente um autocarro estancou a escassos centímetros de mim. Não era o sr. Margarido. O motorista que eu também conheço, embora raramente faça este serviço para Leiria, abriu a porta e disse:
- É para Alcanena?
- Sim.
- Entre. Hoje substituo o Margarido.
Entrei, agradecendo.
- O Margarido disse-me que a senhora que trabalha no tribunal costuma entrar aqui, por isso parei.
Agradeci de novo.
Os motoristas da Rodoviária são uns queridos.
Agarrei neles e coloquei-os na minha lista.
Qual lista?!
Aquela que tem o tamanho da minha gratidão.
Qual lista?!
Aquela que usarei quando me sair o euromilhões.
Enquanto isso, aquela que mora no meu coração.

na boa...

No autocarro, depois de ter os fones colocados que não tem havido pachorra para conversetas de meio angolar, mas ainda a tempo de ouvir:
- Puto, tens aí alguma coisa para consumir?
- P´ra consumir? O quê, meu?
- Uma merda qualquer que dê energia, f......
- Meu, só se for um charro, yá?
- Por exemplo.
- Puto, na boa...

quinta-feira, 17 de março de 2011

A Caruma - Coitadinha

sóis

Tocou o telemóvel. Tenho o som demasiado alto. A cada telefonema, toda a secretaria ouve o toque e pode cuscar. Este e outros telefonemas.
Já uma criatura não pode ter um segredo...como sempre ponho-me a jeito. Isto porque tenho uma certa dificuldade em perceber o som do dito telemóvel, desde sempre. E decidi que tenho de o ouvir a cada chamada. Respondendo.
Mas apanho cada susto!...
Não vou porém baixar esse som demoníaco, porque preciso estar ligada ao mundo, sobretudo ao mundo dos afectos.
Atendi. Antes de falar já sorria satisfeita. Conheço-a bem. E ela a mim.
Se não ligasse, ligava eu. Sabia que iria fazer-me raivinhas.
- Olaaaaaaaaaaá!!!! É só para te fazer inveja - E ria em gargalhadas cristalinas. Audivelmente feliz.
Deste lado, sorri grata e tranquilamente.
Gosto de saber a caçula, com as minhas crias. Os três juntos. No fundo ela é a minha cria mais velha. A primogénita.
Imaginei-os.
E censurei a minha ingratidão ansiando desesperadamente a Primavera.
Afinal estes três seres, são o Sol do meu verão...

orgulhosamente neta


Falei com alguém que me disse assim:

" O meu pai é o meu herói.
Lembro-me da sua bondade e da sua sabedoria..."

O pai desta pessoa era o meu avô Carvalho.
Imaginam como fiquei?
Estas palavras, poderia ter sido eu a dizê-las.
Já as disse muitas vezes. Aqui e na vida, lá fora.
Ontem o meu coração encheu-se de orgulho e de amor...

quarta-feira, 16 de março de 2011

Fernando Santos "Aiaia"-Africana(vem dançar)

o sonho esperado

Espero.
Esperei ontem assim como te espero hoje.
E no hoje que termina, vislumbro o amanhã.
Amanhã olharei de soslaio o lugar vazio da minha espera.
Feita passados.
E o futuro, quando será presente?
Espero.
Nem que tenha de esperar sentada...
Depois, convido-te a sentar também
E sonhares comigo
Para além das correntes que estrangulam os sonhos
Que aqui se perdem
No vai e vem insignificante de uma maré vazia...

o primeiro beijo


Há alguém que ande por aqui que se lembre do primeiro beijo de amor que trocou com outra pessoa?
Eu ponho o dedo no ar.
Não sei se é memória de elefante, de uma manada, duas ou três, duma mata inteira, mas guardo na memória afectiva, essa pessoa, o dia, o mês, o ano, a terra.
E faz hoje trinta e nove anos.
Ele foi o primeiro namorado. Eu fui a namorada com quem ele quis casar.
Não me esqueceu. Eu não o esqueci.
Desse tempo, ficou uma saudade do tempo em que eu acreditava no amor e nas pessoas. Desse tempo ficou-me a memória de dias bonitos.
Ficou-me o primeiro beijo de amor.

terça-feira, 15 de março de 2011

segunda-feira, 14 de março de 2011

lamento

Tenho tantas saudades de Angola...

Zé Pitinha

Fernando Aiaia, o músico angolano recentemente desaparecido. ( Janeiro de 2011 )

como se fosse ficção

Apenas uma palavra - MEDONHO

reproduzindo

Há alguém que diz que eu não tenho memória de elefante.
Tenho memória de uma manada.
E eu pergunto: Isso é bom?

Diana Krall - Boy From Ipanema (From "Live In Rio")

domingo, 13 de março de 2011

só eu sei


Descia as escadas no fim da tarde
Não voltaria atrás.
Caminhava para a noite de domingo
Só eu sei...
Só eu sei a dor nesse desfazer
Cumprido este tempo, tem de se cumprir o dever
Com as mãos tapo as orelhas
Não quero saber de conselhos
Não me servem idéias ou razões
Eu queria soluções...
Senti rolando, uma lágrima macia
Triste, as escadas, comigo descia
Mais uma noite a vencer
Mais uma despedida
Mais uma estrada a percorrer.

debaixo d'olho da objectiva

Comércio tradicional, na cidade invicta.

altar de domingo

Porque hoje é domingo, o altar na Igreja do Carmo, no Porto.

as bagas da gula

Tenho um certo encantamento por produtos naturais e lojas desses produtos.
Entro sempre que posso e vejo tudo. E compro. Eles, os produtos, estão ali a saltar das prateleira metendo-se-nos pelos olhos dentro numa promessa de vida quase eterna. E eu gosto disso. E vou de espírito aberto porque me interessa confiar.
Em suma, lojas destas, manipulam a minha vontade, como as lojas de perfumes. E eu sei. E deixo.
Como assim é, faço cartões por dá cá aquela soja, burututo, batido, ou chá de gengibre.
E tenho o cartão do Celeiro, acomulando pontos que ao número duzentos, dá um bónus. Doze euros de produtos, o que é um incentivo. Digo eu, que nunca deixei de pertençer à geração à rasca e sou mãe de quem anda enrascado. E cada vez que tenho bónus fico como se me saísse a lotaria que não há meio de sair, mas que um dia sai, disso tem esperança a Ana Maria que semanalmente faz sociedade comigo, devido à minha convicção, aproveitando a boleia nessa sorte que eu acho que vou ter. Se não, veremos um dia, eu a anunciar aqui a taluda.
E sou distribuidora Herbalife, outra maravilha em produtos de excelência existentes em mais de sessenta países no mundo e testados pelos melhores médicos e cientistas entre eles o prémio nobel da medicina de 98.Conheço todos os seus produtos e uso-os. E recomendo-os. E se quiserem é só dizerem.
Então, posto isto, e como já sabem, só me faltou pôr um avião a passar com uma faixa dizendo que eu estava no Porto, mais uma vez o digo, que fui ao Porto. Pareço eu que fui a Roma ver o Papa, mas compreendam que cada viagem é um motivo de exaltação minha. Não gosto de parança nem grande rotina. Já basta o que basta.
Mas o que me fez aqui vir escrever não foi a cidade ou o clube que mais dizem que é uma Nação. Não. Foi uma descoberta que fiz. Na área dos produtos naturais.
Bagas de goji. O nome é giro. Sugestivo. Existem no Tibete o que é um cartão de visita e sendo vermelhos ainda mais atraentes se tornam. Parecem jindungos, o que para mim é agradável. Comem-se secos, e a dose aconselhada será uma colher de sobremesa delas, duas vezes ao dia.
Comprei as ditas bagas. No primeiro dia fiz tudo certinho. O sabor é semelhante a alperces secos. Nada mau para quem gosta de frutos secos e passados. Voltei para Torres Novas e pûs-me ao computador. Desloquei as bagas para junto de mim e chamei-lhes um figo. Quer dizer, tremoços, azeitonas, pipocas, jinguba, castanha de cajú, tudo o que se come assim como quem é alarve e precisa de entreter a gula.
No dia seguinte de manhã acordei mais para lá do que para cá. Num enjoo semelhante a gravidez que não tenho. A minha estadia no Porto foi pacífica e depois, as bagas até podem ser afrodisíacas, não o sei, mas que eu saiba ainda não engravidam.
Não tenho dúvidas que as bagas de goji terão propriedades benéficas. Mas têm de ser comidas com conta peso e medida. Ah e dizem que quem toma as bagas gulosas e mágicas tem uma vida mais alegre e sorri muito mais.
Experimentem. Mas um conselhozito, comam por dia só duas colheres delas. Pois terão dissabores se as comerem como se estivessem a comer pipocas e a ver desenhos animados numa qualquer sala de cinema.

Johnny Cash - 'Hurt"