quarta-feira, 10 de maio de 2017

hoje é dia...

Hoje é dia de fechar a dor. Enterrar os meus fantasmas e guardar as cinzas nesta memória que se aviva a cada Maio. A cada apelo à placenta e a raiz. Ser filha de mãe ausente numa distância e intransponível e irremediável.
Enquanto observo os gestos felinos e irrequietos, quiçá tresloucados, de dona Gata; e poiso o olhar amanhecido no verde mais verde do monte, acentuado pela chuva que cai de mansinho no lugarejo onde habita a minha conformação de estar encostada à fronteira de separação com a cidade grande, volto atrás e torno a voltar, na música de richard hawley - the ocean, que, se me acalma, também me remete para lugares de emoção e desassossego do que há-de vir, foi, já não é. Não sei se algum dia há-de ser. 
E me afoga nesse mar de lembranças. E possibilidades.
Volto atrás na minha vida. 
Não há dúvida. Hoje é dia isolar a saudade. Trancá-la. E deitar as chaves para o vazio que nem sempre habita fora de mim.

m.c.s.

2 comentários:

Cassyus Lucas disse...

Meu deus, que lindo!
Maravilhoso mesmo, parabéns viu.

Maria Clara disse...

Obrigada viu? :D