segunda-feira, 16 de julho de 2018

sexta-feira, 6 de julho de 2018

exploração ou não ...eis a questão...

Vinha eu com fome, músculos doridos da aula de yoga e cansada do autocarro; de conversas de deitar fora, piadas e bocejos, com 4 pratos partidos logo pela manhã e mal sabendo que o 5.º estava para partir mal chegasse a casa, quando em frente à Lusófona entrou uma jovem que se sentou ao meu lado. Pegou no telemóvel e iniciou uma conversa. Ouvi-a dizer que trabalhou no domingo à noite num restaurante do Chiado. A lavar pratos. Coincidência? Prestei atenção pois os pratos estavam na ordem do dia.
Queres só saber quanto é que me pagou? Eu cheguei lá e me apresentei no trabalho como ele tinha falado no Helder. Me mandou p' rá cozinha lavar pratos. E eu burra não lhe perguntei qual o salário. Não tens a mínima ideia, amiga. Toda noite a lavar pratos, saí dali com uma dor de costas... Me pagou bem? Nada. Das 21 às 00,30 me pagou só 30 €. Jantei lá. Mas 30 €? Nunca mais. Tenho o meu emprego. Ele julga o quê? Quando terminei lhe perguntei pelo salário, me deu na mão, contei e 
fiquei só a lhe olhar. Me disse que paga assim para todos. Apeteceu-me lhe atirar o dinheiro nas fuças. Sim, a casa fica cheia o tempo todo. Toda hora se lamentarem mas tem restaurante que tá-se bem. Bué de gente a trabalhar. Estrangeiros. Portugueses? Só duas meninas na sala a servir. Tem indiano ou quê, moldavo, brasileira e eu, angolana. Não sei se ilegais ou quê...
Na paragem seguinte saiu. Eu fiquei a fazer contas. Recebeu mais do que 7.50€ por hora, já que trabalhou 3 horas e meia. As empregadas domésticas por aqui ganham esses 7,50/hora. Uma empregada ocasional, levar para casa 30 € por lavar pratos numa cozinha, com jantar, é exploração? Sei bem que 30 € não pagam um passe mensal, metro/ carris mas ajuda e muito. Digo eu, que se calhar seria um desastre a lavar pratos a avaliar pelos que parti num só dia. Mas quem precisa tem de se fazer à vida. A qualquer preço? Eis a questão...

m.c.s.

foi ontem - 5 de julho - parabéns ao escritor

'' Fazer amor, sim e sempre. Dormir com uma mulher, isso é que nunca. Dormir com alguém é a intimidade maior. Não é fazer amor. Dormir, isso é que é íntimo. Um homem dorme nos braços de uma mulher e a sua alma transfere-se de vez. Nunca mais ele encontra as suas interioridades ''.

Um Rio Chamado Tempo, Uma Casa Chamada Terra
Mia Couto

O meu contacto com Mia Couto é dos livros. Colecciono-os sagradamente, relíquias, que os considero, já que é um dos meus escritores preferidos. A delícia da sua escrita sabe a africanidade, generosidade, talento, verdade e melaço. Também as metáforas na sua inteligência e profundo conhecimento dos povos e dos sentimentos, abrem-nos caminho para a exploração da nossa própria originalidade, sensibilidade e criatividade, onde a imaginação encontra motivos para ficarmos cativos do que vamos descobrindo em nós, proporcionado pelas palavras que tão bem sabe tecer num manto que borda ao mesmo tempo que nos abraça e comove. Inspira e toca o mais puro que em nós habita.
O meu contacto com Mia Couto é dos livros. E uma única vez, breve, olhos nos olhos, mão na mão e palavra com palavra. Foi na apresentação de um livro. Perguntou-me porque não levara comigo todos os livros dele - que os assinava. Porque lhe disse ter quase todos os livros da sua autoria. Acrescentando sem me envergonhar, numa ousadia sem filtros que a idade me dá, que era um dos meus escritores preferidos.
O meu contacto com Mia Couto é o contacto que todos os que gostam de ler, fazem, por terem quando escolhem como mais respeitável e próximo o seu escritor de eleição. 
Hoje completa 63 anos. Como Caranguejo que é, inspira quem toca. E ele tocou-me desde que o descobri.
Parabéns ao escritor e poeta. E que a inspiração não lhe falte por muitos e longos anos de vida saudável, para ir tocando leitores e convidando-os ao mundo da magia das palavras vivas e sagradas.

m.c.s.

terça-feira, 19 de junho de 2018

por vielas de Alfama












fotos mcs

janelas de lisboa

foto mcs

lisboa




fotos mcs

fotografar Alfama

foto mcs
Fotografar é tirar fotografias. É a oportunidade de colher imagens de luz do que é oportuno. Segundo o ponto de vista do fotógrafo. E gostar. Do resultado.
Fotografar é escolher.
Numa curva de Alfama, o requinte do preto e vermelho esperando por nós.
m.c.s.

segunda-feira, 18 de junho de 2018

cascais do meu olhar



















fotos mcs

aberta a época

foto mcs

ginga

Na ginga da vida já tive planos
Balançar os desenganos
até cansar despropósitos 
que não eram meus...
Pé ante pé, trocando as voltas
ensaiando presentes
livres,
limpos de mágoas e provocações
Retaliações
E num passo de mágico estalar os dedos
E de luva branca, mais que possibilidades,
entregar verdades
Livrando-me dos enganos
sem medo nem saudades
Como se a minha existência fosse bambolear
kizombas, sembas, tangos
Porque na ginga da vida também se dança
fazendo e desfazendo planos...

m.c.s.

astro

" O sol quando nasce é para todos ". Não. Não é verdade. Só para os que se amanhecem com ele.

m.c.s.

tudo não existe

' Quem tudo quer tudo perde ' Não. Não é verdade. 
TUDO não existe.

m.c.s.

impossibilidade

Diz que '' Vozes de burro não chegam ao céu ''. 
Verdade. Só porque o burro está em extinção.

m.c.s.

pontos de vista

Diz-se '' Vender a alma ao diabo ''. Mentira. A alma não se deixa vender. Nem o hipotético diabo teria moeda p' ra ela.

mcs

negação



Diz que " É o que se leva desta vida " . Mentira. Desta vida não se leva nada. 

mcs

sábado, 16 de junho de 2018

amor próprio

O amor mais oscilante do mundo é o amor próprio. Tanto está em alta como bate no fundo.
m.c.s.