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sábado, 11 de junho de 2011

luto

foto tukayana.blogspot


Luanda é a terra dos meus encantos. É a terra onde nasci. Cresci. E de onde parti. Onde voltei. Onde quero voltar sempre. E um dia ficar...para sempre. Luanda é a terra que habita no meu coração. Rainha. Mãe. A minha sina. O meu destino. A minha estrada. A minha cidade. O meu mundo.

Luanda tem a outra face. De que não falo. Porque não quero. Porque há muito quem fale. É notícia espalhada boca-a-boca. Nos jornais. É nesse silêncio que faço de Luanda, que cabem a indigência, o suborno, a desigualdade, a corrupção, os assaltos à mão armada. O perigo a espreitar. A cobardia. O mundo do crime. E foi um crime que me fez entristecer hoje. E estar hoje aqui a escrever do outro lado de Luanda. Do lado escuro e doente. Neste momento uma família que eu conheço muito bem, de quem sou amiga, está a chorar um menino de 22 anos que morreu porque uma arma disparou uma bala perdida (?) que era para outra pessoa (?). Um assalto. Resistência da vítima, uma arma que dispara e que acerta em alguém que não fazia parte desse triste episódio. Neste momento há uma família que eu prezo muito que está de luto. Porque em Luanda o crime também espreita e às vezes acontece. E não tem rosto. Neste momento, Luanda está de luto porque há filhos seus que sofrem e há outros que são assassinos. Infelismente todos os dias. Luanda será alguma vez uma cidade segura? Já não me lembro de o ter sido. Na década de 50, talvez, quando se deixava roupa nas cordas do quintal, a porta de casa aberta durante a noite e podia-se circular nos muceques mesmo durante a noite. Eu já não sou desse tempo. Sei de ouvir aos meus pais e às pessoas da geração deles. Voltar atrás no tempo não conta para a história, mas retroceder neste particular seria sinal de que Luanda teria crescido e tomado o caminho que todos esperam, para a amarem muito mais. Lamento profundamente o que aconteceu. Corta-me o coração, saber que esta família de quem sou tão próxima, está em sofrimento profundo e que esse menino interrompeu o curso natural da vida tão precocemente. Por isso e porque é a família da qual conheço mais pessoas e são muitos, e com quem privo desde criança até hoje; avós, pais, tios, primos, amigos como família, também o meu coração enluteceu. Estamos juntos.