segunda-feira, 10 de maio de 2010
As mangueiras
Olha só, a bater uma saudade de manga da minha terra...vou fazer como então? É o problema que tou com ele mesmo. Xé! Vou masé dormir que amanhã tenho que acordar cedo p´ra pegar no batente. Pode ser que sonhe com as mangas do meu quintal que os candengues do Marçal, e também os morcegos para além de mim, Zé e Paula tanto gostávamos. Como ainda desenho o rosto da Lucrécia como se não tivessem passado 34 cacimbos, quem sabe sonho que ela está a dar uma corrida nos putos da escola...como é mesmo o número dela? Acho que é 143, ou é 83?
Me esqueci, mesmo,e passei lá há pouco tempo...pxxxxt! Não! É 83, mesmo, o número da escola, mas se não for o meu kamba vai rectificar. Quando vai na clínica ao pé da Foto Dora, fica com o nariz bem em frente da escola e de costas na escola Industrial. Ele sabe o nome das coisas que eu deixei faz tempo. Também, está sempre a rodar com o Sô Tiago. Ah, fiquei com saudade do Sô Tiago e da Nica...não dá, nessa hora, saudade...vou mesmo me esticar para dormir. Caté...
Isola!
Não gosto de gente mentirosa. Podia deixar passar, desde que não me prejudicasse, não me mentissem a mim. Mas não. Odeio ver gente mentir com todos os dentes que tem na boca.
Regra número um nas minhas regras para viver em paz - Não mentir. Por vezes, contorno a verdade, oculto-a por motivos diversos, porém, mentir, tento que não seja imprescindível.
Não gosto nem de ouvir mentiras no dia 1 de Abril. Não acho a menor graça, como também não gosto de partidas, que envolvem sempre mentiras.
Não gosto de gente invejosa. Não percebo como pode alguém sair em busca da felicidade preso que está à inveja. Esse mal, traz outros e prejudica quem está à volta.
Na vida, como sabe quem me lê, só tinha, assim, uma pontinha, pequenina, uma coisa de nem se dar por isso de " inveja " de uma pessoa. José Eduardo Águalusa, que dizia-se a viver entre Luanda e Lisboa e quando estava em Luanda, escrevia em frente ao mar, na sua casa na Marginal. Li isto algures e nesse momento pensei - Eh meu, como gostava de estar no teu lugar! - Mas só no lugar mesmo. Depois, numa entrevista que deu na RTP2 e que o meu amigo João, lá de baixo de Loulé, na hora, me mandou uma mensagem dizendo que quer Águalusa quer Mia Couto ( escritor do meu coração ) estavam na 2, e ele sabia da minha paranóia por esses dois, o " invejado " disse então que não estava a viver em Luanda actualmente e eu deixei de imediato de sentir essa coisa feia de querer o lugar do outro.
Abomino traidores. Não aceito traições. Posso afirmar com os dois pés no chão e os dedos livres sem figas atrás das costas, que nunca traí ninguém. Nem família, nem amigos, nem amores, nem colegas, nem a pátria.
Será que um traidor tem consciência? E se a tiver, conseguirá viver em paz? Será que acredita que pode subestimar a sua vítima?
O mundo é feio e triste com mentira, inveja e traição.
O mundo das pessoas acorrentadas é um mundo pequenino.
Graças a Deus que sou livre.
Bato na madeira com os nós dos meus dedos e só me ocorre dizer: ISOLA!
Regra número um nas minhas regras para viver em paz - Não mentir. Por vezes, contorno a verdade, oculto-a por motivos diversos, porém, mentir, tento que não seja imprescindível.
Não gosto nem de ouvir mentiras no dia 1 de Abril. Não acho a menor graça, como também não gosto de partidas, que envolvem sempre mentiras.
Não gosto de gente invejosa. Não percebo como pode alguém sair em busca da felicidade preso que está à inveja. Esse mal, traz outros e prejudica quem está à volta.
Na vida, como sabe quem me lê, só tinha, assim, uma pontinha, pequenina, uma coisa de nem se dar por isso de " inveja " de uma pessoa. José Eduardo Águalusa, que dizia-se a viver entre Luanda e Lisboa e quando estava em Luanda, escrevia em frente ao mar, na sua casa na Marginal. Li isto algures e nesse momento pensei - Eh meu, como gostava de estar no teu lugar! - Mas só no lugar mesmo. Depois, numa entrevista que deu na RTP2 e que o meu amigo João, lá de baixo de Loulé, na hora, me mandou uma mensagem dizendo que quer Águalusa quer Mia Couto ( escritor do meu coração ) estavam na 2, e ele sabia da minha paranóia por esses dois, o " invejado " disse então que não estava a viver em Luanda actualmente e eu deixei de imediato de sentir essa coisa feia de querer o lugar do outro.
Abomino traidores. Não aceito traições. Posso afirmar com os dois pés no chão e os dedos livres sem figas atrás das costas, que nunca traí ninguém. Nem família, nem amigos, nem amores, nem colegas, nem a pátria.
Será que um traidor tem consciência? E se a tiver, conseguirá viver em paz? Será que acredita que pode subestimar a sua vítima?
O mundo é feio e triste com mentira, inveja e traição.
O mundo das pessoas acorrentadas é um mundo pequenino.
Graças a Deus que sou livre.
Bato na madeira com os nós dos meus dedos e só me ocorre dizer: ISOLA!
Coloridas
Almocei a olhar as minhas cerejas. Estão a mudar de cor. Algumas avermelharam, e os melros já estão a afiar os dentes, ou seja, o bico. Planando nos céus, muito perto do quintal na vertical, mas só Deus sabe a quantos metros, dois falcões, brincando,de planadores. Será que os falcões andam a rondar as minhas cerejas? Ou sou eu que estou com a mania da perseguição? Se gostam de fruta, há por ali mais. As nêsperas estão quase no ponto e as uvas mais uns mesitos e estão lá também. Daquelas que sabem a flores. Eu dispenso tudo se me prometerem que não tocam nas minhas cerejas.
domingo, 9 de maio de 2010
Somos Campeões!

Yes!Yes!Yes! Somos Campeões!
Vivooooooooooooó BENFICA!
Parabéns benfiquistas. Somos Grandes!
Filha do meu coração, hoje estás que nem podes. Mais eu...
Boa Festa para ti e para os Benfiquistas e Campeões do teu coração...
Já soam os foguetes. As businas ouvem-se ao longe.
A noite, hoje, é vermelha e os benfiquistas são da cor da paixão.
Parabéns Benfica do meu coração!
Ganhámos!...
A mulher, o burro e o cão
Apresento-vos a minha amiga Manuela. Para além do que aqui já disse sobre ela, é também assim. Para além duma cidadã do mundo, que já viu muito, viajada, nos transportes mais modernos, é ainda, uma mulher que gosta de campo e se adequa a todas as circunstâncias.
Aqui, de boleia numa carroça de burro, que passava perto dela, numa aldeia do Sardoal.
A velhota tinha cerca de 80 anos, natural da aldeia, ainda trabalhava no campo apetrechando o burro e conduzindo-o com destreza.
A minha amiga, como se vê, na maior. Como anda sempre.
Permitiu as fotos, cedendo-as.
É uma mulher divertida, arrojada e sem medos.
Parabéns, minha amiga!
Hoje é dia 9 de Maio. E é domingo. Dia de Descanso e de Paz. Assinalado. Deus marcou-mo para sempre. Depois, procurou alguém que tivesse nascido neste dia. E trouxe-me, para que me marcasse a vida e me ajudasse no destino. E aliviasse a carga negativa que este dia tem no meu espírito. Perda de mãe...Ganhei uma amiga...
E uma amiga que se tornou num ser imprescindível. A minha amiga Manuela...
Quando eu defendia que amigos verdadeiros ou se fazem na infância ou na adolescência, ou nunca mais se fazem, Ele, provou-me que as minhas teorias eram absurdas e ignorantes e tenho de morder na língua antes de proferir blasfémias.
A Manuela é só a pessoa mais íntima que tenho, nesta terra de Cristo onde vivo de segunda a sexta.
Perguntar-me-ão, porque não a trato por tu. Eu trato-a por tu mas não na escrita ou verbalmente. Eu trato-a por tu no coração. Ela ainda não fez 50 anos. Faz hoje 49. Se calhar por isso, quando nos conhecemos me tratava por você e foi ficando até hoje. Não é um bloqueio.
A Manuela conhece-me e vira-me do avesso como poucas pessoas e eu deixo. Conhece a minha vida, sabe o que sofro, o que me faz feliz, o que anseio, o que amo, quem amo, o que ambiciono, o que temo...conhece-me os defeitos, as más atitudes, as fraquezas, as raivas, os ódios, as angústias, os medos, as fragilidades. Conhece-me os passos quase todos. Os vôos...
A Manuela é diferente de mim mas convergimos na essência.
Sou-lhe muito grata, porque não é fácil " levar " com uma criatura partida em mil pedaços e pacientemente, generosamente, apanhá-los e colá-los aos poucos, muitas vezes contra a minha vontade.
Sou-lhe muito agradecida porque em três anos ajudou a que eu fosse uma nova pessoa, sem sofrimentos nem angústias. Devo-lhe isso. Diariamente me repetia conceitos, idéias, fórmulas, caminhos para seguir, de forma a que tudo fosse mais simples e fácil e eu aos poucos fui acreditando. Quando não acreditava em mim, ela acreditou, e dizia-me que eu era muitas. Que eu era algo que não era capaz de ver ou sentir.
E para que não comesse mal e não ficasse sozinha, levou-me para a sua casa quase diariamente para passar os serões. E continuar a saber o que é uma família.
E estimulou-me. E fez-me recuperar a confiança e a auto-estima que eu perdera. E quando estava mais rasteirinha que a erva, puxava-me para cima e olhava-me nos olhos. E eu por gratidão acreditava que não a podia desiludir.
Há uma semana, quando eu, até sou hoje, uma pessoa normal como qualquer outra, foi ela que me levou ao Hospital quando percebeu que eu não estava bem nem ficaria melhor com as mezinhas da minha autoria. E enquanto esperei resultados de exames, esteve ali ao meu lado no corredor de acesso aos consultórios, fazendo-me esquecer que estava doente, gracejando como ela o sabe fazer, à passagem de uns e outros que ostensiva e vaidosamente, se passeavam em dia de pouco que fazer no Banco do Hospital. E levou-me à farmácia. E deu-me de jantar e levou-me a casa. Faz este papel de pessoa de família melhor do que muitas vezes as famílias o fazem.
Mas não é só comigo que assim é. E não anda a expiar os seus pecados. É a sua natureza. Não é madre Teresa de Calcutá, longe disso.Quando a conheci achei-a muito simpática e apenas isso. Hoje não é assim que a vejo e ela sabe-o. Tem um mau feitio dos diabos. É uma generala e muito doutora. Adora mandar. Pôr e dispôr. Quando está com os azeites diz muito assumidamente " Eu não sou uma boa pessoa, não sou mesmo..."
Mas é uma óptima pessoa, sim. Com muito mau génio, mas um ser humano de mão cheia. Singular e de excelência. Raro. A copiar, emitando-a. E é inteligente, intuitiva, esperta, perspicaz, corajosa e forte como uma rocha.
E chama-me " coração ", " minha querida " e " maria clara ". E é muitas vezes o meu braço direito, que me aconselha, me estimula, me anima e me faz recuar ao tempo de criança, fazendo-me soltar longas e alegres gargalhadas. E que não permite que eu tenha pena de mim.
E eu gosto muito dela. Tanto que parece que somos irmãs ou que crescemos juntas de pequeninas e não este crescimento de há três anos.
E para além disto tudo, é a dona da " minhas " cerejas... que espero com ansiedade.
Obrigada Manuela por existir na minha vida desta forma complexa e simples, deste jeito amigo e puro. Desta maneira natural de viver ao meu redor.
Hoje, desejo-lhe um bom dia de aniversário. Que o repita por muitos anos nesse jeito bonito de viver.
Que Deus lhe conserve as forças para continuar a ser a matriarca. Eles já não saberiam viver de outro jeito.
Que Deus a ajude a criar o Rafael.
Que seja " doutora ", porque bem o merece.
Que as suas escolhas a façam muito feliz.
Que tenha sempre saúde e que o Amor esteja presente em todos os actos de escolha.
Um abraço do tamanho do olhar de Deus...hoje e sempre.
Parabéns! Muitos anos de vida!
Um ramo de Rosas de Porcelana. As Rosas da minha terra. Do meu chão e da água do Bengo, e de todos os rios dessa Angola maravilhosa de que ouve tanto falar, minha querida amiga. Ofereço-lhe hoje, neste dia de aniversário, rosas, mas Rosas especiais. Daquelas que África dá.
Aos filhos da terra e àqueles que a querem conhecer e gostam verdadeiramente de flores. Às gentes do mato e do campo...como você.
Eu sei que um dia eu tenho de a levar ao lugar onde o tempo pára para que as pessoas sejam felizes...e acredito que nesse dia vou dar-lhe, não rosas de porcelana, mas um presente maior. A possibilidade de fazer um estudo sociológico do mais rico que há.
Fica prometido, para um qualquer 9 de Maio do futuro...PARABÉNS! Muitos anos de vida!
Queen - Love of My Life [ High Definition ]
Muitos parabéns amiga. A minha oferta é esta. Freddie Mercury num dos seus maravilhosos momentos, para sempre...Love of my life é a minha música preferida, na voz deste homem fantástico e eterno. Um bom dia de aniversário.
Hoje...para sempre
O mês de Maio é o mês de Maria, e das flores.
E da partida...
Hoje, partiste há muitos anos...mas não nos deixaste.
Cada dia, há um pedaço teu no rosto da Paulinha ou um olhar nos olhos da Ângela, que eu reconheço. E quando o espelho me olha vejo-te na expressão que adquiri com os anos.
As tuas mãos tão belas nesses dedos de princesa, tocam-me o rosto e a alma quando preciso.
E oiço o teu sussurro quando adormeço.
Estás no sorriso bondoso que sorrio quando estou distraída de mim e o meu pensamento está em ti.
Estás nos nossos actos e no nosso dia-a-dia.
Não, mãe. Foi uma ilusão do tempo. Uma finta da vida e um engano do destino.
Não foi uma partida.
Tu sempre permaneceste em nós. Para sempre...
E da partida...
Hoje, partiste há muitos anos...mas não nos deixaste.
Cada dia, há um pedaço teu no rosto da Paulinha ou um olhar nos olhos da Ângela, que eu reconheço. E quando o espelho me olha vejo-te na expressão que adquiri com os anos.
As tuas mãos tão belas nesses dedos de princesa, tocam-me o rosto e a alma quando preciso.
E oiço o teu sussurro quando adormeço.
Estás no sorriso bondoso que sorrio quando estou distraída de mim e o meu pensamento está em ti.
Estás nos nossos actos e no nosso dia-a-dia.
Não, mãe. Foi uma ilusão do tempo. Uma finta da vida e um engano do destino.
Não foi uma partida.
Tu sempre permaneceste em nós. Para sempre...
sábado, 8 de maio de 2010
Teta Lando - Eu Vou Voltar
Um dia também eu vou voltar, mas dessa vez, para permanecer eternamente. Tenho para mim que essa é a maior verdade que tenho para viver. E devolver-me-ei à terra, aos cheiros e às cores. Ao sotaque e à alegria. À vida simples e sã e serei Feliz...
De Luanda sei vinte anos...
De Luanda sei vinte anos. Sei as manhãs, sei as tardes, sei o som dos grilos na noite e dos cães ladrando, sei o gosto das mangas maduras em que me lambozava num desgoverno que afectava a minha barriga, sei das estrelas e dos contos das sereias na cacimba do bairro Indígena, sei dos pescadores da Ilha, fumando cachimbo, envoltos em panos, sei da Joana Maluca, sei da Velha Mariquinhas, antiga escrava em Portugal, feiticeira com mais de 100 anos, sei das meninas do Bairro Operário e da Cagalhoça, sei do carro do fumo ( tifa )e dos garotos correndo numa alegria histérica e sempre renovada, sei da sirene das ambulâncias passando para o Hospital de S.Paulo, sei do Padre Luís que me confessava sempre dos mesmos pecados e me contou a história do Pinóquio tinha eu 7 anos, sei do jogo do Garrafão, da Minha Mãe dá Licença, Brincando na serra enquanto o lobo não vem, o que é que o Lobo está a fazer?... ou ,Minha mãe dá-me fogo.De Luanda sei a avenida ser alcatroada, brincar nas manilhas e perder as sandálias, alugar bicicletas e chumbar no liceu, sei do Liceu Feminino, da D.Filipa, da professora Aida, de História, ou da Irene Marques, dos jogos de rinque, na cerca, ou as aulas de Canto Coral, dos russos comidos no intervalo e das missas na Igreja de Jesus, com os orfeões das escolas de que fazia parte. Sei da Mocidade Portuguesa e do Hino...Lá vamos cantando e rindo...De Luanda sei a praia das Palmeirinhas, D.Amélia, ou na Ilha, a Floresta. Sei do Colégio, da D.Zita e D.Dina, professoras. Sei das idas ao porto esperar pessoas idas de Portugal. Sei das procissões com a Nossa Senhora de Fátima. Sei do Chá das Seis e do Cazumbi. Dos jogos de futebol nos Coqueiros, do hoquei em patins, do basquetebol e do campeão Vila Coltilde ( ali perto de mim ). Sei da febre amarela e da cólera e do pânico para apanhar a vacina. Sei dos Santos tapados de roxo na semana da Páscoa, das idas ao cemitério no dia 1 e 2 de Novembro e da rádio passando música sacra. Sei dos parodiantes de Lisboa à hora de almoço e das radionovelas - O Inimigo. Sei do filme do Tony de Matos que passou no Império, o Destino marca a hora. Da Marisol, do Joselito e do Cantinflas. Sei das salsichas quando apareceram em lata, e da margarina Vaqueiro também. Sei de Energetic para pôr no leite e de cêcemel. Sei de matete que se dava às crianças, de doce de mamão, dos figos selvagens, das gajajas ácidas e das pitangas, do gengibre e da cola, quando as quitandeiras estendiam as quindas e vendiam - eh peixié peixié...Dos homens que vendiam pelas portas, queijos frescos numas caixas metalizadas, dos pirolitos às cores metidos nos suportes de madeira com furinhos e andares. Do Sr. Torrão, dizendo- é caramelo torrão de Alicante, mete na boca, derrete num instante... Dos papagaios nos céus, dos primeiros helicópteros. Da colunas militares e dos tropas vindo do mato. Dos camiões de contratados para trabalharem no mato. Da carroça dos cães e do meu ódio pelos homens cada vez que levavam um cão meu na carroça. Da roupa branca fervendo na celha e corando nos coradores...da Lucrécia, minha lavadeira, que dizia -menina Clarita, menina bonita...do tio Augusto cantando -Fica comigo esta noite e não te arrependerás, lá fora o frio é um açoite, calor aqui tu terás...Dos sipaios ao domingo passando junto de mim quando eu ia chamar o meu avô para matabichar em nossa casa. Dos engraxadores, criaturinhas pequeninas com a caixa às costas. Das madrugadas ouvindo o assobio dos varredores, na rua. Dos bandos de pássaros no céu ao sábado à tarde e dos miúdos gritando e dizendo que era um casamento. Dos carros de rolamentos. Do Carnaval. Do Roberto Carlos, das fotonovelas e dos livros da Corim Tellado. Dos brindes que saiam no detergente "Extra " e nas tampas da Coca-cola. Os cromos do futebol. Do Alex cantando pelos cinemas em espetáculos de encantar as jovens. Dos cigarros "Baía " ,dos negritos que pedia à Lucrécia para ir comprar, avulsos. Dos bolos da Royal e das empadas, com ovo e azeitonas. Dos pregos no prato. Dos S.Marcos, das cassatas. Dos ovos estelados em azeite e das caldeiradas de cabrito. Dos rebuçados de mentol que o pai punha no bolso quando saíamos para passear. Dos baleizeiros que enganávamos com moedas portuguesas, dos concursos de montras na baixa. Do Santos Quipexe, chefe de posto que passeava na sua mota com um lugar de lado, no Simão Toco, no conjunto os Jovens, ou os Cunhas. Do Minguito cantando -Ai este tango este tango..na Voz de Angola e no programa que dava ao domingo- Momento da Mulher. Da Lucília Pita Grós Dias, locutora de fama que fazia o Rádio Magazine da Mulher e logo a seguir o Mais Alto e mais Além, para os tropas. Fomentava a rivalidade entre benfiquistas e sportinguistas e quando o sporting ganhava punha - Vivó Sporting...De Luanda sei as barrocas do Miramar e o Eixo Viário, as Amarelas,sei a Cuca e a Samba. A estrada de Catete, a Vila Alice,Vila Clotilde. A Liga Africana. Sei os baleizões de copinhos às cores e colherzinhas, tudo embrulhado em papel. Sei os bolos de banana e de ananás. Sei as santolas e os caranguejos de Moçamedes.As maçarocas, o algodão da Funda para Catete, plantado junto à estrada. Sei as caçadas de pacaças e veados. Sei a miss Portugal - Riquita. E os seus calções cor de vinho, à chegada a Luanda vitoriosa. Sei Ouro negro e o seu Curicutela... De Luanda sei os desfiles militares em cada 10 de Junho, o dia da Raça, na Marginal. Sei as injecções contra o tétano depois de me cortar em cacos de garrafa, por andar descalça no quintal ou na rua a brincar.Sei braço partido por cair de um muro abaixo.Sei gesso e imobilidade.De Luanda sei as saias plissadas. A goma nos saiotes. As permanentes na cabeleireira com grotescos ferros, verdadeiras tenazes, no pobre cabelo, e os chapéus com tule para irmos aos casamentos. Sei as boleias para a praia à revelia do pai. Os primeiros namorados. O primeiro beijo na ponta da Ilha. Na praia do Sol. Junto aos Maristas, na estrada de Catete. Os sonhos. A Igreja da Nazaré para abençoar um futuro casamento. Achar que o vestido de noiva podia ser vermelho e longo. Ir às boutiques na Baixa. Os primeiros pubs. Os cafés e pastelarias. Os bolos da Detinha. De Luanda sei " O Jumbo ", o Autódromo. A Filda. As fogueiras e os balões que se elevavam no ar e na noite, nos Santos Populares. De Luanda sei as mornas de Cabo Verde, o criolo e a palavra lindíssima que quer dizer meu amor- Nha Cretcheu- De Luanda sei a Alegria. A Esperança. Sei a Amizade, o Respeito e a Humildade. A Compaixão. Sei o Amor... De Luanda sei o sofrimento, a morte, o racismo, o ódio. De Luanda sei a partida, a perda...De Luanda sei tudo o que fui e o que sou. Pareço saber de Angola. Apenas sei de Luanda, mas uma terra é feita de coisas como estas e todas as terras são parecidas se as suas gentes forem autênticas.O pouco que sei é da participação. É da leitura. É da intuição. É porque quis saber. Porque quis viver.
t.novas 2009
clara santos
t.novas 2009
clara santos
Ver Luanda de outro ângulo
Ribatejando
Ribatejando a caminho de Lisboa ao fim de semana. Com mágoa minha, há três semanas que vejo a cidade da luz dos pintores e fotógrafos, por um canudo. Apenas no domingo passado para almoçar num almoço de mãe e filha, de dia da mãe e uma visita à Feira do Livro. Tenho saudades desta paisagem, que me leva para outros amores e outras imagens.
O rio e Lapas
Este rio que eu conheço e que se passeia pela cidade, oferece ao campo, beleza e verde e torna as aldeias diferentes. No verão, aqui em Lapas, aldeia coladinha a Torres Novas é frequente ver as crianças e adolescentes banhando-se do calor mais quente que faz no Ribatejo, particularmente nesta região.
Lapas é uma aldeia típica, construída em cima de grutas, um testemunho vivo do neolítico, e já foi palco de filmes. O nome que a aldeia tem, provém exactamente da palavra lapa que tem origem em gruta.
Há quem diga que há uma passagem subterrânea que liga o castelo de Torres Novas às Grutas, que dista 2 kms de um ponto a outro. É uma lenda que os torrejanos conservam, pois até hoje não foi descoberto canal subterrâneo algum.
Lapas é a aldeia mais típica e bonita do concelho de Torres Novas.
São rosas
sexta-feira, 7 de maio de 2010
Tralhos e tralhos
Tralho. Sabem o que é? Ah não sabem? Sorte a vossa.
Já eu...é cada tralho, que não fosse ser filha de África, e das forças da natureza e seria como um sopro suave, igual à brisa ténue da primavera e...Oh! Os tralhos da vida estatelavam-me e não mais me levantaria.
Quando estamos na maré que está a vazar, a sorte dá a outra cara da moeda e até a palavra chama o azar. Por isso os artistas batem na madeira e tapam os ouvidos com as mãos à má sorte.
Já não bastava o que bastava, como, hospital, os senhores que afinal tinham mesmo cara de médicos e em quem eu acreditei, radiografia, análises, espera de 3 horas e depois, os pulmões com infecção, temperartura, tosse, cansaço, obrigada a desmarcar o fim de semana numa praia do meu coração, presente de filha, o MP3 ter-se finado, a Pitanga ter perdido o apetite, e agora a queda de um anjo...ocorre-me por causa dos Delfins e do Miguel Ângelo cantando, A queda de um anjo em cima de um homem...etc, etc, que não estou para cantorias. Mas este anjo que se esparrachou no meu corpo na horizontal, não é um anjo qualquer.É um anjo papudo. E provocou estragos. A juntar ao que já havia.
Foi mau e não teve honras de risinhos e chacota. Os putos, um batalhão deles, até que foram amigos e se riram, foi só depois de eu voltar costas. Dois deles, ajudaram-me e queriam fazer o número da desgraçadinha da senhora velhota que vai precisar de uma ambulância. Eu tirei-lhes as idéias. Apenas que, ia perder a m....do autocarro. O rapaz que me ajudou pôs-se a jeito de pedir ao motorista que esperasse por mim. Não foi preciso. Afinal ia bem a tempo e como sempre, que raio de feitio o meu, precipitei-me e as traiçoeiras das sandálias fizeram-me ir beijar o chão logo pela manhã.
Agora, para além do que já para aqui havia, há um joelho ferido, um pé torcido, uma mão negra e muita falta de pachorra para estas curvas apertadas em que me estou sempre a meter.
Pensando bem, até não foi mau de todo. Nem rasguei as calças apesar do joelho estar maltratado.
Afinal, sou uma mulher de sorte!...
Já eu...é cada tralho, que não fosse ser filha de África, e das forças da natureza e seria como um sopro suave, igual à brisa ténue da primavera e...Oh! Os tralhos da vida estatelavam-me e não mais me levantaria.
Quando estamos na maré que está a vazar, a sorte dá a outra cara da moeda e até a palavra chama o azar. Por isso os artistas batem na madeira e tapam os ouvidos com as mãos à má sorte.
Já não bastava o que bastava, como, hospital, os senhores que afinal tinham mesmo cara de médicos e em quem eu acreditei, radiografia, análises, espera de 3 horas e depois, os pulmões com infecção, temperartura, tosse, cansaço, obrigada a desmarcar o fim de semana numa praia do meu coração, presente de filha, o MP3 ter-se finado, a Pitanga ter perdido o apetite, e agora a queda de um anjo...ocorre-me por causa dos Delfins e do Miguel Ângelo cantando, A queda de um anjo em cima de um homem...etc, etc, que não estou para cantorias. Mas este anjo que se esparrachou no meu corpo na horizontal, não é um anjo qualquer.É um anjo papudo. E provocou estragos. A juntar ao que já havia.
Foi mau e não teve honras de risinhos e chacota. Os putos, um batalhão deles, até que foram amigos e se riram, foi só depois de eu voltar costas. Dois deles, ajudaram-me e queriam fazer o número da desgraçadinha da senhora velhota que vai precisar de uma ambulância. Eu tirei-lhes as idéias. Apenas que, ia perder a m....do autocarro. O rapaz que me ajudou pôs-se a jeito de pedir ao motorista que esperasse por mim. Não foi preciso. Afinal ia bem a tempo e como sempre, que raio de feitio o meu, precipitei-me e as traiçoeiras das sandálias fizeram-me ir beijar o chão logo pela manhã.
Agora, para além do que já para aqui havia, há um joelho ferido, um pé torcido, uma mão negra e muita falta de pachorra para estas curvas apertadas em que me estou sempre a meter.
Pensando bem, até não foi mau de todo. Nem rasguei as calças apesar do joelho estar maltratado.
Afinal, sou uma mulher de sorte!...
quinta-feira, 6 de maio de 2010
Vale a pena?...
Quando nos provocam tanto mal, mas tanto mal que fica a alma dorida num dó d'alma, que parece que ela é menor do que o corpo que encarnou, podemos antecipar vinganças. Sorrir à idéia desse mal encarnar nesse outro corpo. Gozarmos antecipadamente o momento. O tal momento que sonhamos desde o dia tal do calendário.
Quando chega a hora, porque chega sempre, já não há vinganças. Já não motivo. Nem razão. Já nem há alma, aquele espírito capaz de nos magoar. Já não há nada. E pelo nada que há, choramos de pena.
Quando chega a hora, porque chega sempre, já não há vinganças. Já não motivo. Nem razão. Já nem há alma, aquele espírito capaz de nos magoar. Já não há nada. E pelo nada que há, choramos de pena.
Se ao menos...
A diferença, como da noite, do dia, torna a minha noite assustadora e fazia do meu dia, uma aventura.
Era o tempo da estação das chuvas e do doce cacimbo. Era o tempo das quedas, dos cortes de cacos nos pés, do paludismo, do sarampo e da papeira, das bexigas malucas e das gripes. Era a mãe preocupada. O pai atento e nervoso. O avô que ainda não partira para sul, ali no deserto, trazendo-me presentes e prometendo passeios na carrinha azul. Era o tio e a tia, visitando-me. Eram os meninos, com quem brincava, impacientes e tristes. Era até o mano Zé, excitado com o corropio lá na casa por causa das maleitas de que era vítima. Era a minha lavadeira.
Era eu que passava de maria clara a clarita...
E o pêssego em calda ( hoje brrrrrr), as canjas de borracho ( que nojo ) e os bolos da Royal.
À distância de tantos cacimbos espirrados e tossidos, era um tempo tão ameno.
Quem me dera fazendo a viagem a esse regresso...
Os pés estão pesados. O coração fraco. No peito guardei dores e males. A pele parece de galinha e o queixo quer tremer. Não sei se de medo se de frio. E os pulmões...afinal aquelas coisas esponjosas que nos fazem respirar portaram-se mal comigo. Se calhar pûs-me a jeito, como sempre, para tudo, o que é uma fraqueza que tenho, não sei se porque gosto de arriscar se porque não quero perder mais.
Acho que ainda não estou " mali mali " de forma a desanimar e fazer doações, preparar heranças e deixar escritos, mas estou muito cansada de arrastar esta alma num corpo enfermo e queria voltar ao pêssego em calda e às canjas de borracho.
Se ao menos as minhas cerejas amadurecessem!...
Era o tempo da estação das chuvas e do doce cacimbo. Era o tempo das quedas, dos cortes de cacos nos pés, do paludismo, do sarampo e da papeira, das bexigas malucas e das gripes. Era a mãe preocupada. O pai atento e nervoso. O avô que ainda não partira para sul, ali no deserto, trazendo-me presentes e prometendo passeios na carrinha azul. Era o tio e a tia, visitando-me. Eram os meninos, com quem brincava, impacientes e tristes. Era até o mano Zé, excitado com o corropio lá na casa por causa das maleitas de que era vítima. Era a minha lavadeira.
Era eu que passava de maria clara a clarita...
E o pêssego em calda ( hoje brrrrrr), as canjas de borracho ( que nojo ) e os bolos da Royal.
À distância de tantos cacimbos espirrados e tossidos, era um tempo tão ameno.
Quem me dera fazendo a viagem a esse regresso...
Os pés estão pesados. O coração fraco. No peito guardei dores e males. A pele parece de galinha e o queixo quer tremer. Não sei se de medo se de frio. E os pulmões...afinal aquelas coisas esponjosas que nos fazem respirar portaram-se mal comigo. Se calhar pûs-me a jeito, como sempre, para tudo, o que é uma fraqueza que tenho, não sei se porque gosto de arriscar se porque não quero perder mais.
Acho que ainda não estou " mali mali " de forma a desanimar e fazer doações, preparar heranças e deixar escritos, mas estou muito cansada de arrastar esta alma num corpo enfermo e queria voltar ao pêssego em calda e às canjas de borracho.
Se ao menos as minhas cerejas amadurecessem!...
domingo, 2 de maio de 2010
Os queques da moda
Surgiu um novo conceito de bolo, em Portugal. Vindo de Nova Iorque. E do Sexo e a Cidade...
São os cup cakes. São queques de chocolate com cremes diversos e com um aspecto colorido e bonito a fazer salivar os gulosos.
Na feira do livro, ali no Parque Eduardo VII lá estavam eles, lindos de comer.
Mas achei-os um pouco enjoativos.
Parece que no Campo Pequeno são melhores.
Pronto, estão sempre a dar-me idéias... lá terei que ir provar os do Campo Pequeno...
Obrigada por me ensinarem
Respirar com um pulmão só, custa lágrimas de dor, falta o ar na grandeza de ser-se Mãe.
Foi assim que eu respirei hoje, dia da mãe. E eu senti-lhe tanto essa falta de lugar vazio fisicamente...
Materializou-se na voz encorpada, quente e cheia de ternura. Materializou-se nas palavras que me escreveu de filho raro e único.
O outro pulmão esteve juntinho de mim e do meu coração também, fisicamente. E é uma cópia do outro na essência. Rara e única.
Os filhos devem ser todos assim para as mães, mas os meus...os meus são mais filhos, mais meus, mais deles, mais do Mundo...mais...
Enchem-me a vida.
São a minha maior força e a minha maior fragilidade.
São estes filhos que eu tenho que me ensinam diariamente a ser mãe.
E que me fizeram acreditar que ser Mãe é a possibilidade maior de todas de eu poder ser um ser melhor e maior.
Obrigada Ângela e David, por serem os meus filhos
Foi assim que eu respirei hoje, dia da mãe. E eu senti-lhe tanto essa falta de lugar vazio fisicamente...
Materializou-se na voz encorpada, quente e cheia de ternura. Materializou-se nas palavras que me escreveu de filho raro e único.
O outro pulmão esteve juntinho de mim e do meu coração também, fisicamente. E é uma cópia do outro na essência. Rara e única.
Os filhos devem ser todos assim para as mães, mas os meus...os meus são mais filhos, mais meus, mais deles, mais do Mundo...mais...
Enchem-me a vida.
São a minha maior força e a minha maior fragilidade.
São estes filhos que eu tenho que me ensinam diariamente a ser mãe.
E que me fizeram acreditar que ser Mãe é a possibilidade maior de todas de eu poder ser um ser melhor e maior.
Obrigada Ângela e David, por serem os meus filhos
Para ti, Mãe
Lembro-me de ti, ainda eu, menina de colo. Tal como me lembro de mim. Num retrocesso ao princípio da minha memória, sei-me assim lembrando-te, com três anos.
Tinhas vinte e dois anos. Eras uma menina. E eras linda.
O teu Universo cabia num livro de bolso. Apenas nós. Mas tinhas um mundo maior do que o Universo de todos os outros.
E diariamente fizeste disso um modo de vida. Nossa a tempo inteiro, o tempo todo. Sorrindo e esperando amanhãs.
Hoje sei o que é seres tu, Mãe! Deixaste-me essa parte de o ser vinte e quatro horas eternamente.
Não tenho a tua serenidade.
Nem o teu altruísmo de dar sem esperar receber.
Nem o teu olhar terno e bondoso que abençoava tudo o que olhavas.
Nem a tua capacidade para o sofrimento e para a resignação...
Tento emitar-te, seguindo-te os passos e um dia hei-de ser como tu.
Muitas vezes desejo o teu colo, ou voltar a ser feto para que me protejas e quando assim é sinto que estás onde Deus te colocou, olhando-me e sinto a tua festa na minha cara, a tua voz no meu ouvido, a tua presença na minha vida.
És o meu Anjo de Luz.
Obrigada Mãe!
Tinhas vinte e dois anos. Eras uma menina. E eras linda.
O teu Universo cabia num livro de bolso. Apenas nós. Mas tinhas um mundo maior do que o Universo de todos os outros.
E diariamente fizeste disso um modo de vida. Nossa a tempo inteiro, o tempo todo. Sorrindo e esperando amanhãs.
Hoje sei o que é seres tu, Mãe! Deixaste-me essa parte de o ser vinte e quatro horas eternamente.
Não tenho a tua serenidade.
Nem o teu altruísmo de dar sem esperar receber.
Nem o teu olhar terno e bondoso que abençoava tudo o que olhavas.
Nem a tua capacidade para o sofrimento e para a resignação...
Tento emitar-te, seguindo-te os passos e um dia hei-de ser como tu.
Muitas vezes desejo o teu colo, ou voltar a ser feto para que me protejas e quando assim é sinto que estás onde Deus te colocou, olhando-me e sinto a tua festa na minha cara, a tua voz no meu ouvido, a tua presença na minha vida.
És o meu Anjo de Luz.
Obrigada Mãe!
sábado, 1 de maio de 2010
Carlos Paião: "Lá longe senhora" (WPSF 1985, Portugal)
Um dos maiores compositores da música portuguesa.
Largo dos Lusiadas ( ex )
Dia especial para a Pitanga

A Pitanga cresceu. E é uma mocinha. E anda doidinha. E eu que a ature.
Que presente, Maria Manuela... não fosse gostar já tanto dela e diria que...envenenado.
Porque será que toda a gente acha que quando uma mulher fica sozinha, deve arranjar um cão ou um gato na falta de humanos?
Eu se fosse desses humanos, ficava ofendidíssimo, mas... os humanos não se queixam. Devem gostar de ser comparados aos gatos e caninos de companhia de senhoras sozinhas e a caminhar para menos novas.
Comigo também aconteceu assim. Porque não arranjas um cão? Ou um gato? Ou peixinhos? Ou tartarugas? Ou...o raio que os parta. Porque, arranjado o animal, começam as piadas.
Felismente para mim que tenho cara de sargenta, não têm coragem de fazer graçolas descaradamente e até tenho uma gatinha, género feminino...mas fica sempre no ar que, já não é capaz de...já se virou para...ou agora só bichanas.
Encolho os ombros porque nunca fui de me preocupar com o que a cambada diz.
Mas, a Pitanga anda doida. E parte-me tudo. E salta e quase relincha.
Hoje, dia 1 de Maio, sábado feriado, dia do trabalhador, agarrei nela pelo pescoço, abri-lhe a bocarra e espetei lá para dentro a primeira pílula de muitas que sucederão. Estava nervosa. Eu, mais que ela. E se falhasse? Mas não. Correu tudo bem, muito bem.
E assim, num dia inesquecível para o Mundo, a minha Pitanga toma a pílula pela primeira vez...
Que linda e importante que ela é.
Apesar dos pesares, ainda bem, Maria Manuela, que a Pitanga foi encontrada abandonada e me veio parar às mãos. Tem sido uma feliz surpresa e permite que eu continue a ralhar, rir, preocupar, aborrecer, tropeçar, praguejar e proteger, para cá da porta de casa.
Kamba informando

Kamba em viagem para Oriente
" tava mbora sossegado por caso ki vou viajar amanhã, deskeci de ti informar ki tou ir lá longe, ali onde moram akeles ki tem olho pikeno parece é risco através do tamanho deles lhes deram nome da capital pekim, tarveis através da pouca artura dos muadiés......mi informaram ki lá nakela banda deles num deixam abrir esse teu mambo aki se é brogue ou kié...mas é pruké lhes fizeste argo argum, agora te deram......te barraram...eu axo ki é inveja da tua artura só pode...mas a conversa ki se passou pra mim vir aki é ki foram lá em casa mi falar ki tou te cumplicar cum mós escrito aki... eu se admirei, eu mas prukié tão me difamar assim???
ah pruke os amigo dela do puto não tão intender o k tax falar lá, são pessoa de respeto, até doutor, jornalista, gente fina, dikotas, tarveis num tão a gostar....eu falei, é kié????? si num tão a gostar bazam então, podem zagaiar, tundako, ora possas, eu sou povo, só se a clarinha mi xotar é ki vou si calar, espaço é dela, kem num gosta paciencia, kadiéeeeemás, depos me explicaram não é bem assim precisa só vocé explicar o significado das palavras k tax usar.....ah!!!!! assim nos entendemo....pruke eu num sou muito bom de caxputo, num fui na faculedade...... mas no tempo do cólono se comunicava muito bem cum mós avilos do marçal, da mercearia (agora tão a xamar cantina nas loja dos malianos) do só Santos...ta certo esses nunca ki vieram aki na nguimbi vou começar lhes traduzir ya? pruke assim tão em parampas pra intender e veem fumo....apanham do ar, uaué tão a ver bilhas......
Eu e Luanda 2008
Já estamos em Maio. E por isso como é hábito a foto do perfil foi removida e deu lugar a outra.
Luanda 2008, do alto da fortaleza, mandando beijos a toda a cidade e também às minhas pessoas que ficaram neste lado de cá e a quem enviei esta e outras fotografias, como que a dizer-lhes que apesar de estar lá, ao fim de 33 anos de ausência, apesar de tudo não os tinha esquecido. A foto removida e que aqui está agora, foi tirada em Santa Ana, Caxito, num domingo de cacimbo.
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