domingo, 12 de setembro de 2010

vermelha de raiva

Eh pá, tás aqui tás a ir com os porcos como o outro. Mas sou eu que te mando dar uma voltinha ao bilhar grande.
Anda aqui uma criatura a dar o dito pelo não dito, a sua palavra a ir para o esgoto...
Eu já fui, benfiquista até debaixo d'água ( biquini vermelho ), já fui vizinha do estádio da Luz ( assentei praça no Colombo ), casada com um sportinguista ( nada melhor para existirem razões para ser do benfica ) e afinal não valeu o gosto para o desgosto...
Como é que é? Brincamos? Ou quê????????
Afinal quando é que o campeonato começa? Ahn?!...

( in)justiça?

O mister foi com os porcos.
Quem se lembra do murro que Scolari deu num jogador? De nome Dragutinovic.
Eu.
E foi castigado? Nãaaaaaaaaaaaaaaaao!

Não assim. Apenas numa suspensãozita e num trocados em euros.
E não vou falar sequer nos insultos aos jornalistas ( isso é que eu fico podre, capaz de provocar uma epidemia, tipo peste negra ), dirigentes federativos, dirigentes de clubes e outros.
Ah pois é! Vale mais cair em graça que ser engraçado. E esses olhos bonitos, tudo no lugar e sotaque fantástico não encantaram os homens de barba rija indiferentes aos seus atributos.
Sabe que mais professor? Arrumar as botas e voltar às origens é o que está a dar.
África espera por si. Nem que seja para dar um tiro, perdão, um pontapé no escuro.

sábado, 11 de setembro de 2010

dragões nº 5

dragões nº 4


dragões nº 3

dragões nº 2

Junto à obra de Cutileiro, virada de costas para o fotógrafo desconhecido, tirando as minhas fotografias. Nos céus de Lisboa, os dragões chineses olhando para a cidade.

dragões nº 1

A 1ª foto sobre os dragões chineses. Ainda não me cruzara com o desconhecido. Depois desta foto, subi aqui pela esquerda até à bandeira de Portugal, lá em cima.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

estranho sinal

Subi o Parque Eduardo VII. A noite não tardava, estava ali. Uma ou outra pessoa nos bancos do jardim, junto da calçada. Acabara de saber notícias da minha amiga, que já se encontra em Lisboa, chegada de Marrocos, num hospital. Notícias animadoras.
Olhei à volta e pensei na solidão do parque ao anoitecer. Na minha solidão. Não doeu. Era mais o estado de estar fisicamente sozinha. Os pensamentos eram mais que muitos a povoarem-me a mente.
Durante a tarde falara com um amigo. Dissera-me que não via a luz ao fundo do túnel. Não queria sermões. Só queria falar. Dizer do seu estado. Num dó d'alma. Passei-me. E disse-lhe: " Então só te resta dares um tiro nos cornos ", respondeu-me: " Não tenho pistola ". Ninguém aqui estava a brincar.
Ficou furioso comigo porque insistia no sermão. Como se a vida às escuras existisse apenas para ele. Chamei-o à terra. " Queres dizer-me a mim como é que é a puta da vida? ". Pediu-me desculpas. Relevei. Não pode ter cabeça para grandes reflecções. Tem a vida muito embulhada.
Fui fazer o passeio a que me propûs, de cerca de duas horas por Lisboa fora, num autocarro turístico, e disso falarei quando calhar. O facto é que achei-o desinteressante mas a minha falta de ânimo também se devia à conversa perturbadora que tivera antes com esse amigo.
Subia o parque Eduardo VII e pensava numa hipótese para este meu amigo. Nas minhas mãos não está a solução, penso eu. Porém, de repente tive uma idéia. Animei-me. Cheguei ao cimo do Parque. Junto ao monumento ao 25 de Abril, obra polémica de João Cutileiro, estava um homem sentado num banco, de costas para mim, munido de uma máquina profissional. Eu parei ali, contemplando a cidade. Dali até ao castelo à esquerda ao fundo e ao Tejo e outra margem do rio. Tirei a máquina da carteira e fiz uma fotografia. As cores do céu transformavam-se com a tarde a despedir-se e a noite a querer ocupar-lhe o lugar. Fiquei um pouco mais a saborear este encontro da natureza. E a beleza da cidade que pouco tempo antes desdenhara de enfado, quando me passeava pelas suas ruas e estradas, monumentos e decadêncais. Trânsito e pessoas.
Ouvi claramente ouvindo, chamarem por mim: Claaaara. O som vinha de trá. Virei-me. Um homem, este homem da fotografia, virava-se também, para mim, sorridente.
Aproximou-se com um sorriso de gente boa. Perguntou-me: Fala português? Sim, respondi surpresa. Ia jurar que me tinha chamado pelo nome. Eu tinha ouvido.
" Sabe o que é aquilo ali" ? Apontando o céu que estava nas minhas costas, sentido contrário ao da baixa e do rio." Não ". Voltei a responder. Como se o conhecesse. Naturalmente.
" Venha cá que eu vou mostrar-lhe uma coisa." Fui com ele dois, três metros . Parou e disse: Está a ver ali no céu ( apontando ) aquelas manchas laranjas, quase simétricas? - Que parecem asas de borboleta? perguntei. " Isso." Disse. "São dois dragões. A olharem para baixo. Para a terra." Sorri para ele e devo ter feito uma careta qualquer porque perguntou: " Não acredita? "
Sim, disse. Acreditava sim naquele rosto iluminado, naquela certeza de ser, naqueles olhos vivos e inteligentes e naquela voz de gente boa. Como que um anjo no meu caminho, por momentos.
" São dragões chineses. E hoje o céu está cheio deles. Olhe. Hoje vêem-se muitos dragões. O céu está maravilhoso. " E apontava o céu e todas as manchas laranjas, nuvens desenhando figuras, como que em direcção à terra. A nós. " Hoje é um dia excepcional. ". Arrepiei-me. O homem dos olhos bondosos continuou: É para lhe dizer que não aprendeu tudo. Disse-lhe " Não tenho essa pretensão ". " Eu sei, mas fica a saber que a vida nem sempre é opaca. Por vezes é transparente. Como que vista através de um cristal, de um vidro. Espelho. Como se fosse de Luz." Virou-se naturalmente e continuou a fotografar. Fui andando a caminho da passadeira. Ainda olhei para trás. Ele lá continuava extasiado com os seus dragões. Parei junto ao jardim da esplanada Linha D'Água, onde queria ir lanchar. E não resisti aos dragões. E fotografei-os. Para ter a certeza de que existem e estavam no céu neste fim de tarde. Tirei o caderno que anda sempre comigo no saco e para que não me esquecesse passei para o papel o que acabara de acontecer.
Sei há muito tempo, que nada acontece por acaso.
Não sei quem era o homem que me saiu ao caminho. Ainda agora jurava que me chamara pelo nome. E deixou-me com uma pergunta para a qual não tenho resposta: Por alma de quem? Sim.
Por Alma de quem? Porque o que aconteceu ali não foi normal, apesar de ter sido natural e real.
Parecia coisa do Além. Neste dia excepcional para os dragões chineses e também para mim. Neste dia 10 de Setembro de 2010.

óbvio

" CALA-TE OU DIZ COISAS QUE VALHAM MAIS QUE O SILÊNCIO ! "
Tenho um amigo do peito que diariamente me manda um pensamento. O e-mail dele é dos primeiros a ser aberto. Não faz parte daqueles 380 e tal que ainda me faltam abrir. Esta noite, enchi-me de coragem, e pondo mãos à obra e pés ao caminho, fui abrindo uns e outros até passar para a casa dos 300, o que já é bom e deixa-me de consciência mais tranquila, numa de me ter dado umas palmadinhas nas costas e silenciosamente dizer " Boa , linda menina, tardaste mas arrecadaste ".
No gmail fui fantástica. Num, gaba-te cesto, diminui para 15 os e-mails que estão por abrir, sendo que metade são meus, do hotmail para o gmail. Não percebem?
Esqueçam, que não é importante.
Bem, mas desviei-me do assunto que me fez escrever, como sempre, numa atitude antiga de dar " secas " e parecendo que estou a esquivar-me do dito. Numa de fintar as palavras, mas não.
O que eu quero dizer é que, custou-me o silêncio, quando li o pensamento, já que tenho as palavras aqui a saltarem na ponta da língua porque as minhas letras gostam de andar aos pulos e da liberdade de formarem idéias faladas e escritas nas quaisquer páginas que eu lhes ofereça. O pensamento ainda está a acordar e já elas estão à porta, prontas para sairem, acenando-me com piscadelas de olhos mas evitando-me o olhar. Assim numa matreirice de me quererem pregar partidas que me podem custar caro, eu que só tenho uns trocados na algibeira...
Custou-me o silêncio mas concordo mais ou menos com o pensamento. E desconfiada que sou, com a mania de que eu, maria clara, posso de vaidade, ser o centro do mundo e isto ter sido pensado e feito para mim, assim numa de perseguição, como que uma carapuça para a minha cabeça pequenina, enfiei-a bem resignada, apesar do sol não queimar, o frio ainda não ter aparecido e a chuva não cair, mas o meu espírito livre e irrequieto de nascida na banda, criada na rua, xingando quem me ofende, me fez questionar, isto é, quebrar o silêncio que me estava a pesar:
Como é que é avilo, que estás aí na nguimbi mas não te esqueces da kamba aqui, isso é mesmo provocação nos mais velhos?
Euê, me mandaste embora calar? Pópilas!
Estou a falar demais ou quiê?
Minhas palavras de cinco kuanzas são fatelas?
Sou matraca?
Muito decibeis ameaçadores?
Não falar é melhor do que o meu parlapiê?
Ou é mais um pensamento que uma gaja usa conforme a hora e a intenção?
Isto é, como nos der mais garantia, no momento actual que estamos a viver?
Xé, avilo, me tocaste feio. Logo pela manhã, naquela hora. Me fizeste parar, pensar e fechar a boca. Até senti um pouco de vergonha. Fiquei encarnada como camisola do benfica. Será que tenho mesmo que me calar porque o tal do silêncio é mais cuioso?
Fiquei fraca das quinamas, com essa insinuação.
Mas te cuio bués, e sei que não és de más intenções.
Amanhã espero embora lá um pensamento p'ra me fazer esquecer esse aí e poder dizer:
Yá, esse camba que escreveu embora lá, tá cheio das razões.
Tem esperto na cabeça. Deve ser doutor da faculdade. Bué d'estilo intelectual.
Não é como aquele outro lá que anda roçar o rabo nas esquinas da sombra da mandioqueira toda a hora, e se diz com bué de razão para ser mudo. Não sabe mesmo falar...
( jinhos E.P. )

o meu primo Paulo

Era sábado. Um dia de excelência.
Fim do tempo frio. Do cacimbo. Ao cair do dia.
O teu pai chega da maternidade e dirige-se à minha casa. Estou no quintal, virada para a avenida, junto ao portão onde um dia partira um braço. Sou a primeira pessoa a quem ele dá a feliz novidade.
" Já nasceu o bebé. É um menino."
Ainda tenho o momento presente como se fosse hoje. Ainda sinto o cheiro desse sábado. A alegria.
Eu esperava ansiosamente o teu nascimento. Eras o primeiro primo que tinha.
Hoje completas mais um ano de vida e que vida. De muito estudo, de muito trabalho.
E porque és um prefeccionista não deixas para amanhã o que podes fazer hoje e por isso não te vejo há séculos porque não tens um tempinho entre seres profissional, pai, filho, e marido, para desceres até ao Ribatejo.
Não faz mal. Nem é sermão. É pena, porque me fazes falta.
Muitos parabéns. Um bom dia de aniversário e faz o favor de seres feliz.

Anniversary Song by Eva Cassidy

no vôo da Liberdade!

Um dia alguém escreveu assim " não sei se tenho de voltar, mas se eu voltar um dia, quero ser um albatroz ".
Ensinou-me a gostar e respeitar esta ave tão bonita e especial. Que habita nos mares do Sul, mais a sul que este sul português. Que voa em vôos rasantes e que é observado pelos homens do mar. Que vai a terra uma vez no ano, para acasalar. Sempre com a mesma fémea. E formam casal para a vida toda.
Paradoxalmente representa a Liberdade. Que tanta gente sonha...
Faz sentido hoje. Dia 10 de Setembro. Deus escreve direito por linhas tortas.
Um abraço do tamanho do Mundo, albatroz dos mares do Sul. Desse Sul que adoras e onde te sentes livre. Deus te proteja nos vôos rasantes que tens para voar e te faça Livre!

10 de Setembro

Dia 10 de Setembro
Há quem acredite em karma. Na força do destino. Não sei se acredite, mas que não é normal um dia reunir acontecimentos tão marcantes, não. Quem pode explicar isto? Desconfio que ninguém.
Desde os cinco anos, representou começar as aulas.
Há 43 anos representou nascimento. Do meu querido primo Paulo Alexandre. Que eu amo de paixão.
Em 2007, 10 de Setembro foi muito traumático. Representou traição, abandono, dor. Fim.
Em 2008, 10 de Setembro foi o dia mais frágil e emocionante do ano. Representou reencontro com as minhas origens, as minhas raízes. Foi o dia que fui ao cemitério da Estrada de Catete, em Luanda encontrar a campa onde está sepultada a minha avó Rosalina das Dores Pais, mãe da minha mãe. Não entrava ali há mais de 33 anos. Foi o dia em que cheguei mais perto de Deus, nesses 33 anos, a par com o dia em que cheguei a Luanda, nesse ano.
Em 2009, 10 de Setembro foi um marco. Um ponto de partida. O início de um período muito grato e de um estado de alma que me foi mudando o ser e a vida. Foi muito importante. E que não consegui sozinha. A internet foi o meio para o que acabei de dizer. (Vou ficar-te sempre grata P.L.)
O que me reserva o futuro? Não sei nem quero nada saber. Só quero que o dia 10 de Setembro seja um dia normal, como normal sou e estou. E que se quebrem os feitiços. Ou o karma, que atrasa sempre as nossas vidas, quando não as pára.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

entrelinhas

Ler nas entrelinhas é permanecer triste.
Se as palavras não falam de nós. E as intenções...
Não nos brindam champanhes, flutes, morangos e chantilys.
Não nos dizem canções declamadas.
Nem poemas desenhados. Nem sorrisos oferecidos.
Não nos insinuam bandeiras de paz ou sóis de fim de verão.
Não nos oferecem sonhos, lugares sentados, velas e ondas.
Horizontes.
Nem aguarelas dos tempos livres.
Nem luas, savanas, rosas e auroras.
Peixes conversadores e vermelhos.
Nem carnavais.
Nem flores de frangipani.
Ler nas entrelinhas é permanecer triste.
Um segundo...

Vou observar os mangais.
Perfilados. Viçosos.
Leio-lhes a vontade. De me devolverem à terra.
Ao muro onde tomo assento.
Às mangas do meu quintal. As mangas dos morcegos.
E dos candengues da escola 83.
Vizinhas das goiabas e do sape-sape.
Percebo que leio a minha terra, de advinhação. Sem erros ou juízos de intenção.
Mais do que leio pessoas. Que não me transparecem como na terra do além mar.
Gozo o prazer antecipado de oferecer as frutas do meu quintal, como beijos. De mel...
E nas entrelinhas, dos espaços por ocupar, percebo que não sei ficar triste...

Emma Shapplin - Cuore Senza Sangue b .wmv

de guarda-chuva

Cairam as primeiras chuvadas em Luanda, ontem. " A varrer o cacimbo " como disse e bem a pessoa que também me disse que " choveu bué ".

saudade destes lugares








Preciso me encontrar Marisa Monte

apreensivamente esperando

É tão estranho...ver as notícias do telejornal sobre o acidente de autocarro em Marrocos.
E leio em rodapé - 11 pessoas continuam internadas, 5 em estado grave - e fico toda arrepiada.
Uma amiga de infância faz parte deste número.
Eu lutando sempre para que não sejamos números e afinal não somos senão um algarismo que se associa a outros e passamos a fazer parte das estatísticas pelos piores motivos.
Este número afinal tem um algarismo que é uma amiga minha.
E não é daquelas que a gente diz que é amiga, mas apenas é uma conhecida de longa data. Não.
Daquelas amigas que a gente conhece a mãe, os irmãos, a família toda, os amigos, os gostos, os desgostos, os pensamentos, as palavras, a casa. Entra, senta, come e dorme. Ri, chora, conversa, desabafa, desconversa. Passeia. Vê peças de teatro e ouve poesia em dia de poesia.
Conhece muito e bem. E gosta. E ama. Como família. Irmã do coração.
Que se lembra do nosso aniversário, que nos trata por " das Dores " ou " Maria Clara " sempre, que conhece a nossa família, que nos conhece assim como palma das nossas mãos.
Dou comigo a ver as imagens dos feridos e tentando vê-la.
Sei que é forte. De fibra e de armas. Foi assim a vida toda. Vai sair desta.
Ainda nos vamos rir disto...
Agora, só quero que venha para Lisboa o mais rapidamente possível, após a avaliação ao seu estado e que se restableça totalmente.
Sonhei com ela. Com a foto do facebook, no auge da vida. Linda.
Estou um pouco assarapantada com este acontecimento nas nossas vidas. Este acidente envolve muita gente. Na parte que me toca como amiga, da minha amiga, sei pessoas da família, porque de uma família muito unida se trata, muito preocupadas e tristes mas arregaçando as mangas e esperando que ela volte já hoje, para lhe darem todo o carinho e apoio de que necessita.
Ao longo dos tempos, fui conservando os meus amigos e até fazendo outros. Duas amigas já faleceram. Ambas angolanas. Ambas em Luanda. Uma outra amiga, e há muitos anos, mais de 30, esteve em coma um mês, tendo recuperado quase totalmente.
Felismente para mim e para os meus amigos, nenhum outro esteve em perigo de vida .
Por isso alguma dificuldade em lidar com esta situação.
Quando não sei o que fazer, faço algo que me alivia. Oro...

e-mails especiais

Hoje tinha vários e-mails novos, no meu correio electrónico. Para além dos 385 que estão por abrir no hotmail e 65 no gmail. Esses continuam fechados à espera de melhores dias.
Três deles chamaram a minha atenção, satisfação, orgulho e preocupação.

O 1º tinha como título " Obrigado ".
E era de alguém que conheci em Angola há cerca de 38 anos. E que nunca esqueci apesar de estar ausente de mim trinta e tal anos, porque foi das pessoas que comigo privou que melhor me tratou e eu nunca esqueço quem me trata bem.
Pediu-me um favor( ? ) há cerca de um ano e muitos meses. Uma coisa simples para mim e de real importância para ele. Não me custou nada satisfazer o pedido. E consegui resolver-lhe o grande e grave problema.
Agora, passado este tempo todo, concretizou aquilo a que se propunha e veio agradecer-me, dizendo no final do e-mail que " foste uma pessoa fundamental, nesta união ".
Nunca ninguém me dissera que eu tinha sido fundamental...
Eu já esquecera. O agradecimento não chegou logo e nem precisava de chegar, de resto não fiz nada que me fosse difícil fazer, e sei que posso, com esse gesto ( favor ? ) ter mudado a vida de várias pessoas. Ainda bem. Fiquei contente com as notícias e senti-me uma pessoa melhor por ter sido " fundamental ".Um abraço, meu amigo e Deus permita que tudo a partir de agora corra muito bem convosco.

O 2º e-mail tinha como título " Oláaaaaaaaaa "
E quem o escreveu está em Kiev já há uma semana.
E diz assim " Hoje dei uma aula. Correu muito bem. Eram uns 40 ".
Está a decorrer na capital da Ucrânia um festival que envolve bailarinos, coreógrafos, artistas plásticos e outros. É lá que está a minha cria.
Hoje senti-me orgulhosa de ser mãe. Senti-me sempre. Hoje, especialmente por ser mãe de gente crescida.
Todos os meus beijos para ti, meu amor. E bom trabalho.

O 3º e-mail tinha como título " O acidente em Ceuta "
E quem o escreveu está em Luanda.
Mas...tem uma pessoa da família, irmã de sangue, entre os acidentados, internada em Ceuta.
Pois é! Tenho uma amiga de longa data, desde que eu era tão pequena que já me custa lembrar quando a conheci, que estava no autocarro acidentado, hoje, em Marrocos e é um dos feridos hospitalizado, que não virá no barco para Lisboa.
Já aqui fez comentários ( alguns ) e é minha vizinha aos fins de semana.
A última vez que falou comigo foi para me convidar para ir numa viagem ao norte. Subir o Douro, de barco, a partir da Régua. 3 dias. O 3º dia coincidia com o meu 1º dia de trabalho em Agosto, e com pena não aceitei. Falou-me nesta viagem a Marrocos. Estava entusiasmada. Adora viajar e conhece o Mundo. Desta vez teve um acidente...de percurso.
Estou expectante. Quando li o e-mail da sua irmã e minha amiga do peito, fiquei assustada. Depois falei com outra pessoa da família. E fiquei apenas apreensiva.
Hoje as minhas orações são para ti, minha querida. As tuas melhoras rápidas. E vai correr tudo bem. Kandandu.

Três e-mails, que não traziam anexos com vídeos, fotos, ou piadas. Traziam texto. Que me era dirigido. Muito pessoal. Mexendo com os sentimentos. Provocando estados de alma distintos. Fazendo-me parar, sentar e pensar em pessoas e no que representam na minha vida.
Cada vez mais, assino por baixo do que disse sabiamente, António Feio - Não se deve deixar nada por dizer. Não se deve deixar nada por fazer...
Há dias que chegam ao fim assim. A lembrarem-nos que coisas boas e más não acontecem só aos outros.
Hoje o meu dia foi intenso e por isso já mereço dormir pelo menos 7 horas.
Até amanhã se Deus quiser...

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Yola Semedo feat. Paulo Flores - Mar Azul

limite

Que as há, sei que sim, mas não me hão-de vencer, palavra de maria clara das dores...
Estou a pagar, não pela língua, mas quem sabe porque me desbronco e conto o que faço, e para onde vou ou quero ir. Já o meu paizinho dizia que o calado vence sempre.
Mas é contra a minha natureza calar-me à vida, e proclamar férias é fazer um hino à alegria. E depois, sujeito-me porque há por aí uns invejosos...
Não é que a minha vida meta cobiça, mas porque a vida deles é tão desinteressante, e já sabemos como é que são os invejosos, nem vivem nem querem que os outros vivam...eu descuido-me, não faço figas, não ando com o credo na boca nem os hostilizo com um Vai de retro Satanás, e depois... planos para o brejo.
Podem crer que acredito mesmo nisto, provas, resmas delas, do que estou a dizer.
Mas não pensem que me tenho aborrecido nestes dias mais recatados a recompôr-me de um domingo esforçado e abusado ( porque a coluna não me desculpou a leviandade de andar na gandaia todo o santo dia, ainda que arrastando-me pelos caminhos).
Deu para ler, ver televisão, escrever, dormir, brincar com a Pitanga, conversar no chat, no messenger, ao telefone e não só... e fazer dieta ( esta é a melhor parte ).
Mas agora dei um BASTA! Já para a rua! Vá, vá...que a vida está para além do olival basto.
E como sou muito obediente, vou ali e já venho...
Intrigam-me as donas de casa com aquele ar tranquilo e feliz , sorrindo cândidamente...ou será patetamente?!
Como podem elas ter tantos amanhãs pensados e vividos hoje...
Vá, vou laurear a pevide que não tenho espírito para rainha...da pasmaceira.
Não digo onde é que vou, por causa das bruxas, mas quando voltar, pode ser que me desbronque toda, ou só um coxito.

dor de cotovelo

Ai que inveja!
De quem pode dar um mergulho, dois, três, um cento...
Na água morna. Sem relógio nem hérnias discais...

"Teardrop" - Massive Attack

o sol, em mim

Adio a minha natureza.
Apresso a vontade de sair por aí.
Procurar o sol. Escondido, algures.

Eu sei...
Numa sombra da mulemba
Beijando pétalas de acácia

Dançando à porta da cubata
Dourando a onda do azul marinho
Pendurando sorrisos nos inconformados

Voando com os inocentes.
Quero sair por aí
Procurar o sol. Escondido
De mim...
E senti-lo aqui
Falando palavras sábias
Abraçando-me adiada do destino
Entardecendo-me o que já passou
Segredando-me tempos do depois
Brilhando dentro de mim...

Eu sei que anda algures, por aí
E quero sair a procurar...

( por m.c.s. )

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Adele - Hometown Glory

hoje setembro

Já chove!...
Lá fora, nos telhados vermelhos das casas, feitas lares, de diversos andares .
E compartimentos. E cimento.
E nos montes, verde seco e castanho, do fim do verão.
Olho da minha janela a buganvília viçosa e colorida. Banhada de sol.
Do sol envergonhado, que se abrigou junto à trepadeira.
As andorinhas denunciam o tempo, nos vôos rasantes, tocando a copa das árvores que se balanceiam ao sabor do vento.
E eu...nem chuva nem sol, nem vento nem verde, nem asas de pássaro.
Espreito a buganvília, numa manhã triste de Setembro. E chorada, feita mar.
Queria o sol nas minhas mãos. E dançar na chuva.
Sentir o perfume da terra, e voar nas asas do pássaro livre.
Colher a flor da buganvília e oferecer-ta, de presente, a ti, ausente, assim, numa franqueza de te dizer que gosto de ti.

crème de la crème

O espectáculo dos golfinhos e leões-marinhos é " la crème de la crème " do zoológico.
É um regalo ver a bancada lotada, com gente de todas as idades. Vibrando, divertindo-se, dançando e batendo palmas. Rindo à gargalhada.
Eu sou estimulada a sentir-me muito melhor pessoa, com estes animais tão ternurentos. Passam-me a sensibilidade e beleza. A inteligência e a elegância que existe neles. Fico sensibilizada de ir às lágrimas. E não sei se rio, não sei se choro...

No Zoo

Uma visita ao Zoológico ao domingo.

O leão marinho com mais de 30 anos beijando humanos. No caso, a sua tratadora

As girafas desobedecendo e os humanos também

Um macaquinho que saltou do seu compartimento gradeado e veio comer ginguba dada pelos humanos que desobedecem assim aos avisos vários e espalhados por todo o Zoo para que não se alimente os animais

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

minha terra

Minha terra
meu encanto
meu sorriso,
quando vou,
na lonjura,
o meu pranto.
Na Muxima me revejo
sagrado altar milagreiro...
e na prece que lhe faço
p´ra voltar, sempre,
me quero,
te quero, livre,
meu povo, feito dor.
Meu chão,
minha terra sol e cor...
És meu rio,
beijo e mar.
Meu amor...
És meu sonho de ficar...
( por m.c.s. )

Quadras da minha solidão - Alda Lara

luanda ao acordar

" Olha, parece que és mesmo importante aqui na terra, estão a pintar os prédios aqui da rua, inclusive o meu, deve ser por tua causa..."

Falar com Luanda logo pela manhã é iniciar o dia " ouvindo " o pregão das quitandeiras, os galos cantando; " sentir " o aroma das acácias floridas, da mandioca a assar, e olhar da janela a cor da cidade, do mar e do céu que a gente toca com a ponta dos dedos, cada manhã que permanece.
É antever os pincéis garrindo as casas da avenida e escutar o assobio dos homens que vão-se equilibrando nos andaimes da cidade em obras, num semba estudado e dançado no fim de semana no subúrbio para sul.
É ouvir a voz sotacada dos candengues, a caminho da escola.
É percorrer cada beco, cada esquina e cada bairro de chinelo no pé.
De sorriso na mente. E amor no coração.
É voltar para casa, de cara lavada...
Em cada prédio que vou olhar, em cada toque de artista eu vou perceber que a minha terra não pára de crescer.
E de se pôr bonita para eu a ver...

da janela do ócio

Já o sol ia alto quando experimentei " as minhas cruzes ". Muito voltaren, porque não é fácil passar por isto assim só com palavrinhas mansas e caldinhos de galinha.
Acordei muito melhor. Já não ando aos ais pela casa ou outras interjeições menos próprias. Nem evito a Pitanga que caminha ao meu lado ou fazendo piruetas em frente aos meus pés e sujeitando-me a que tropece ou caia e isso seria trágico, dado o meu estado.
E ontem, até saí. Com muitas dores, mas fui cumprir o domingo que é dia de descanso e de lazer.
A caçula veio passar o dia e claro que tinha de a acompanhar, mas foi assim numa de " se te apanho, se te agarro, se te apanho, se te agarro " porque quando me acontece esta limitação nos movimentos físicos, fico coxa. Ao nível da anca, passa-se qualquer contracção que me entorta e vejo-me fisicamente desviada no equilíbrio necessário para andar.
A p.d.i é uma coisa tramada e eu já sou senior.
Só nestas alturas percebo que me movimento muito. Ele é moedas que caiem e tenho que as apanhar. Ele é comandos de televisão,e de ar condicionado. Garfos, escovas de cabelo ...
Ele é uma tosse que mexe com todos os músculos e que me provoca dores, sendo que, espirros são proibidos, porque tenho memória recente de ir parar ao hospital, devido a um cínico de um espirro.
Ele é até para me vestir. E calçar? Sandálias para atar no tornozelo...Nem pensar. E pentear? E virar na cama? E levantar de repente e assustada devido a um pesadelo? E descer escadas do metro a correr para o apanhar? Nem sonhar. Sentar e trocar a perna? Para esquecer. Subir caminhos íngremes? Só para amanhã. Esperar em pé uns minutos ( largos ) que a caçula chegue, ali no Saldanha, para irmos bora lá para o Osaka para a nossa sushizada? Um pesadelo.
E nas actividades de dona de casa...os electrodomésticos que estão arrumados em locais pouco acessíveis a coxos e aleijados? E a máquina de lavar louça? Termos que tirá-la e arrumá-la? Impossível. E tirar a roupa da máquina? Ufa! E fazer a cama...Jesus Maria que se acabam as consciências pesadas da cama por fazer, do pó por limpar, do tapete por aspirar. Que se lixe!...Alguém assim, consegue? Eh pá, venham cá a casa fazer-me uma faxina, que eu preciso mesmo.
Há males que vêm por bem e o melhor é tirar partido de algumas maleitas, não graves, mas demoradas na resolução. E sendo assim, porque temos o pretexto da doença, não fazemos népia. Mas também não aparece nada feito. Temos de comprar ou encolher os ombros.
E na rua... para nos deslocarmos na capital? Aka, que bom que é deixarmos de andar com a indigência aos fim de semana e passarmos a ter motorista só para nós.
Que no caso e porque eu devo ter alguma coisa com taxistas, porque são muitos os episódios para contar que envolvem os ditos cujos e a mim, ontem depois de " despachar " a caçula no comboio para a parvalheira, entrei num taxi em frente ao Vasco da Gama e disse ao senhor que queria vir para o Olival Basto. O dito, olhou-me espantadíssimo: Olival Basto? Eu transportei a senhora e uma menina, ontem, não foi? E agora, eu, saber se foi. De facto apanhámos taxi naquele local. São para lá de muitos, os taxis parados naquele lugar. Sempre. A nossa preocupação era a Pitanga que chorava desalmadamente por ter feito xixi e não haver espaço limpo e seco para se espojar . Quando o senhor chegou à minha rua teve o mesmo gesto do dia anterior e... Meeeeeeeedo! Percebi que era de facto o mesmo taxista.
E não gostam que eu diga que isto é uma ervilha, há quem diga que é um penico, eu fico-me pela ervilha, mas que é, é. Como é que me cai na sopa a mesma criatura? Mistério.
Bem, mas o que me interessa mesmo é que acordei francamente melhor, apesar de ter andado mais de 2 horas no Jardim Zoológico com a caçula. Só o ar de felicidade dela!... valeu por tudo.
Hoje, não me mexo do sofá. Estou numa de televisão e computador. Numa de piroseira absoluta. Tenho umas certas saudades da pimbalhada.
E não me importo que se saiba que vou " papar " todos os programas pirosos e popularuchos que as nossas estações televisivas apresentam diariamente. Goucha, Rita Ferro Rodrigues, já foram com os cães, agora de tarde, acho que é a Júlia Pinheiro e à noite vou pôr em dia as telenovelas da TVI. Com um intervaleco jeitoso, para os Prós e Contras, evidentemente...
Se me canso? Claro que canso e o que é que posso fazer? Antes cansada e sentada, que cansada e ter que andar para aí ao deus dará. Que no caso haveria de dar muito pouco, porque coxa não vou lá.
Tenho comigo aqui ao meu lado o livro do Mia Couto, o último vôo do flamingo, vou começá-lo. Parece que o filme é francamente mau, opiniões, claro; irá estrear para a semana, mas eu quero ver. E o facto de não ser bom não tem a ver com o livro, pois a história é boa. Foi o que me transmitiram.
Não farei pipocas, porque estou proibida, não dos médicos, mas por mim, de mexer uma palha que seja. Logo, hoje está decidido e meio cumprido, porque o dia vai a meio que passarei apenas a iougurtes, leite de soja, água, chá verde e fruta. Ah, o mais importante, batidos de herbalife. E passarei muitíssimo melhor do que quando como uma feijoada como aconteceu um dia destes no mano Zé. Ele que me perdoe, mas os enchidos trabalham no meu estômago e vesícula muito mais do que eu o quero fazer aqui em casa.
O sol do meu amanhecer, ali por cima do monte que me separa do Lumiar, já vai alto. Não quero saber disso para nada. Hoje estou por conta do destino mais do que nunca. Espero que por muito boa conta. A menos que alguém me arranque de casa assim com um convite fantástico, o que duvido. Já não há quem tenha esse dom...nem quem queira andar ao lado duma coxa. Num, se te apanho se te agarro...

domingo, 5 de setembro de 2010

devagar, devagarinho e a passo (in)certo

Para quem escreveu lá atrás, que é sempre a bombar, uma tartaruga, não parece ser a escolha certa.
Não bate a bota com a perdigota, não é verdade? O animal ilustrando as palavras e a intenção, deveria ser antes, uma lebre. Por exemplo.
E já se perguntaram: Ela está louca? ou afirmaram: A mulher passou-se.
Pois então. Passei-me mesmo. Com dores que me pôem louca da vida e furiosa. E impotente para resolver a meu proveito.
Começaram ontem à noite, não me deixaram dormir as horas que preciso, para que ande bem .Quando acordei de manhã, tentei enganá-las, fintando-as de mansinho e parecia que tinha conseguido, mas não.
Há três anos, sempre este marco para falar em desgraças, mas pronto, adiante mesmo a passo de tartaruga, e como estava a dizer, há três anos que sei que tenho de ser operada. A hérnias. Uma na lombar e outra na cervical. Já sofri o diabo com qualquer delas. Mas o diabo feio mesmo, de achar que ter filhos é brincadeira de criança ao pé disso.
Ser operada significa levar anestesia. Ficar inconsciente. Bem sei que durmo todos os dias, mas...nem sequer sou assim tão apanhada pelo sono, e a essa necessidade normal e saudável já tive tempo de me habituar ( 55 anos ). Agora, eu maria clara, filha da d. celeste e do sô Santo, dizer a um médico qualquer coisa como: Vá lá doutor, marque lá essa coisa, que eu vou entregar-me nas suas mãos, (e pode, deve, até, ter umas mãos especiais, como eu gosto, um artista, como os artistas verdadeiros que trabalham com destreza e talento ) eu não digo nunca. Mas nunquinha mesmo. Prefiro sofrer horrores. Ficar do tipo tartaruga e andar devagar, devagarinho, parada e pasmada, mas ninguém me vai fazer deitar naquela coisa fria e impessoal e olhar gente que não conheço, todos vestidos de verde( eu até sou do Benfica ) e passar a ser estatisticamente duas hérnias. Nã,nã,nã! Cruzes canhoto. Ser número é coisa que não estou para aí virada. De repente de número, 55+, passar a 55-. Até já estou toda arrepiadinha, do tipo pele de galinha. Não sei o que se passa mas hoje virei-me para os animais, e que animais. Abomino tartarugas e não respeito galinhas...
Isto está mau. É a minha hérnea na lombar, acho que é L4, L5, para o caso até podia ser X, Y, ou Z a ver se eu me ralava...
E ninguém pode dizer que desta água não beberei. Eu sei.
E tinha agendado um programa bem fixe para este domingo. Para as minhas férias de Setembro. Não se pode fazer planos, e eu também sei disso. Falham muito. Ele há por aí umas bruxas sem vassoura a deitarem-nos " olho gordo ", Ah queres ir para Berlim? Ouvires o comandante, do alto do cockpit, nos ares da Europa? Bem feita, agora não vais. Ah queres voltar a Peniche? Uôooo, nem mesmo aí vais. Ah, queres ir à Beira Alta, à terra da tua mãe? querias, batatinhas com enguias, que eu vou mexer os cordelinhos e ficas-te na vontade. Ah e queres armar em turista e entrares num desses autocarros de 1º andar como fizeste em Paris e ires redescobrir Lisboa? isso é que era bom, frescuras dessas. Ah, queres ir ver filmes ao Corte Inglês? tu és lá uma " tia " para te exibires no centro comercial mais " tio " da cidade... por isso, pôe-te no teu lugar, não vais, não vais, não vais e pronto. Ah queres andar de eléctrico dos antigos e percorreres o itinerário dos turistas? esquece, tu não és estrangeira a sério, deixa-te de tretas. Ah, queres ir ao museu do Oriente? e pernas, para andares? Ah, e queres deitar-te na relva junto do lago nos jardins da Gulbenkian? deixa-te ficar deitadinha na tua ( salvo seja ) cama. Ah, até ias fazer a linha da Linha que tanto gostas e uma banhoca nas águas do Tamariz...mas não vais, que eu não quero e depois, para que te queres pavonear de biquini azul? E hoje? Querias ir ter com a caçula e comeres uma sushisada? Que ela e tu tanto gostam? E depois ao Santini? E aos Armazéns do Chiado? E à Fnac? E passeares na Baixa? E ao parque das Nações? Com ela?
Não sei se vais. Vá lá. Pode ser que vás. Se eu me distrair. Mas pensa sempre que o seguro morreu de velho.
Fico a pensar nisto. Preciso de emagrecer. Preciso de deixar de carregar pesos, como se não houvesse amanhã. Mesmo. A sério. Preciso de ter mais cuidado com a saúde. Senão, estou quilhada. E estas dores que me pôem quase de gatas e isto nada tem a ver com competições com a Pitanga, estas dores que deviam ir com os cães, não as desejo nem às bruxas sem vassoura com que me cruzo na vida e que não fazem falta nenhuma ao meu dia a dia.
Não sei se chore não sei...se chore.
Estou em plena crise. E conheço-a bem. Já lá não vou senão com anti -inflamatórios e isso levanta-me outra questão. A minha colite não se dá com eles. E terei umas férias de ...caca.
Estou mesmo muito quilhada, como se diz no Norte. E nada conformada que eu não sou de me conformar.
Bem, se ouvirem o INEM, já sabem, mandaram-no vir, para mim.
Cruzes, canhoto, xiça, penico, chapéu de coco.
Parece que foi praga...eu não acredito,mas que as há, há.
E devia ter arruda num vaso, por via das dúvidas.
Olhem, e se não der sinal de vida, duvido que não dê, é porque deitada não consigo escrever, yá?

sábado, 4 de setembro de 2010

Uma luz ao fundo...

Tenho uma história para contar. Verdadeira. E eu faço parte dela. Mas antes queria que não houvesse história para contar. Seriamos todos os que fazem parte deste episódio que começou há três anos, muito mais felizes. Adianto que tenho uma família Linda. Funcionam hoje mais do que nunca, num todo. E individualmente conhecem o papel que representam na família e desempenham-no tão bem que já hoje chorei, como há muito tempo não chorava.
Imaginem que um membro da vossa família, com 39 anos, cheio de vida e de sonhos, vai almoçar a casa depois de sair do seu emprego, no carro da empresa, como todos os dias.
E que a um ou dois quilómetros de casa, numa curva, vê um camião vir de frente e depois não vê mais nada, nem ouve, nem sente, nem fala, nem anda...nem acorda.
Mas imaginem que há um outro membro da família, que é a alma gémea deste familiar que sabe que não conseguirá sobreviver a isto, se tudo terminar, e mesmo num coma 4, quando os médicos de serviço vêm dizer-lhe ( eu ouvi muitas vezes ) no final de cada visita de 5 ou 10 minutos que conquistada chega a meia-hora, que as esperanças são poucas, ainda assim não desiste, por ela e por ele, e fala-lhe e promete-lhe coisas, e conta-lhe outras, e ri-se e dá gargalhadas e as pulsações dele são mais aceleradas à sua voz, às suas palavras e abre um olho e depois outro, ao fim de muito tempo.
E imaginem que este doente, que precisa que o seu coma chegue a 12, e depois mais, a 14, mas que dizem que está em coma 4, é mandado para Torres Novas, para...morrer. E vai. E nem no hospital acreditam. Mas ela e nós acreditámos. E ele começa a acreditar, mas não nos diz que sim. Não consegue.
E passam 3 meses.
E há uma enfermeira, a chefe, que acredita e torna-se assim como que uma fada madrinha, dele e dela que lhe pôe música para que oiça e continua a falar-lhe muito, tudo. A contar-lhe coisas de todos os dias. A falar-lhe do cão que têm e que era a menina dos olhos dele.
Chega o Natal e a passagem de ano. Ele inqueita-se mais nesse período. Ela diz-lhe que é Natal. Passa-o junto dele no hospital. À volta deles nasce um sentimento muito forte de simpatia e respeito, desde, auxiliares a médicos. Conhecem-na do seu emprego. Ela trabalha também na área da saúde. Tratam-na muito bem. Ela ajuda-os na higiene dele. Na alimentação. Movimenta-se no hospital, nesse e nos seguintes como se fosse um deles e tudo lhe é permitido.
Um dia ela pediu-lhe um beijo e ele fechou os lábios em círculo como que a dar um beijo. Ela de máscara, dava-lhe beijos já há algum tempo. Os dias passaram. E quem diariamente ali estava foi percebendo que já ouvia e já conseguia ver. Depois foi mexendo um dos braços. Recebeu uma bola e começou a jogá-la fora. Depois a cada uma das pessoas que se encontrava no quarto de visita. Dirigia-a para a pessoa conforme o nome lhe era dito. Foi muita insistência da parte dela. Foi muita aprendizagem da parte dele. Foi muita teimosia. Foi muito amor. É muito amor.

Mudou de hospital. Para Leiria. Depois para Gouveia e depois para casa aos fins de semana, de vez em quando. Em permanência, há um ano.
Neste ano as melhoras foram muitas. Já dá gargalhadas. Os olhos brilham de satisfação quando vê a minha cria mais velha. Quando me vê a sua expressão tem tanta ternura que quase me faz chorar. Lembra-se do passado, do ano de 2007, antes do acidente, temos a certeza. Por isso essa ternura quando me olha...
As suas saídas são para a fisioterapia. Este verão manifestou desejo de sair, a passeio. Os sábados passaram a ser - O DIA - aquele em que ele vai ver o mundo lá fora e gosta. Ela sempre presente.
Eu tenho uma família fantástica.
Não são eles sozinhos, que vão. Entram nesta história agora, mas fizeram parte dela desde o início, quando ela ia todas as quartas-feiras e aos fins de semana, sábados e domingos, para Gouveia, mais dois elementos da família. O irmão homem, dela.
Que tem mais 9 anos que ela e tem sido o mano e o pai e tudo o que é (im)possível ser. E a sua mulher que está presente, sempre.
Hoje cumpria-se mais um sábado de saída. Perguntaram-lhe onde queria ir. Sugeriram " os Olhos d'Água " junto do rio Alviela, O Tejo, lá para os lados da Golegã, Alpiarça e por aí adiante, eu própria sugeri, Constância, Castelo do Bode, a Ilha do Lombo ( Tomar ) ou a Lagoa Azul ( Ferreira do Zêzere ) e ele foi sempre dizendo que não. Perguntaram-lhe sobre a praia. Se queria ir ver o mar. E ele disse que sim.
A praia onde ele queria ir, o mar que queria ver, esse mar imenso, é o mar mais perto da terra onde vive e fica a sessenta e poucos quilómetros. Isso dá mais de 100 kms no total. Muito cansativo. Temiam por ele. Mas ele decidiu.
Imaginem que têm um herói destes na vossa família cuja alma gémea e vossa heroína é a vossa caçula e tem menos 13 anos que vocês.
Imaginem que estão em casa e ao fim do dia recebem uma fotografia no telemóvel ( da cria ) onde estão os vossos heróis... e o mar.
E percebem que o vosso familiar, protagonista desta história foi mesmo ver o mar. Esse mar sonhado. E os outros elementos da história foram acompanhá-lo.
Mas, mas o que vos arranca umas quantas lágrimas, assim como que mar que ele está a ver, é que este herói hoje já pôde decidir. E porque acreditou, foi possível.
O que vos emociona ainda agora, é que este herói que até era pescador nas horas vagas e de lazer, só hoje viu o mar, que não via há três anos.
Três anos... de vida sem ver o mar.
Três anos...
Obrigada família Linda, por fazer parte da vossa vida.

Tenho-vos sempre no coração.
Mas hoje, Jesus Maria, como estou feliz ...e orgulhosa de todos vocês.

transporte da Pitanga

Isto pode parecer sádico mas não é. Parte-se-me o coração, no momento em que faço a Pitanga entrar na caixa que a transporta de uns sítios para outros. Mas não há outro jeito. Se não quero que fique sozinha, tenho de a levar comigo e esta é a forma. Ela não gosta nada. Pudera. Quem gosta de ficar encarcerada? E o pior é que fica tão assustada que faz xixi. E depois é como que uma bola de neve. Os gatos não são nada porcos. E ela chora sempre depois de deixar a sua caixa molhada e mal cheirosa e não quer lá ficar.
Hoje ao almoço, falando sobre comer coelho e outros animais como aves pequeninas, que eu não como porque imagino os pobres dos bichos e não consigo, alguém falou sobre comer gato.
Ainda estou com o estômago embrulhado.
Dei comigo a dizer algo que saiu sem que pensasse, mas que fez eco em mim e que me fez pensar depois.
" Se alguém tentasse levar-me a Pitanga, para comer, eu matava"
E depois disto pensei que só digo isto em relação aos meus filhos. Sempre o disse e não me importo que quem ouve fique escandalizado. Pelas minhas crias sei que seria capaz de matar. Pela Pitanga, soube hoje, perante uma possibilidade de acabarem com a sua vida. Isto faz-me pensar que o amor que eu tenho pela minha Pitanguinha está num patamar muito alto.
Conhecendo-me, não estranho, mas não sei se me assuste se não volte a pensar nisso.
Sobre a nossa viagem, fez-se. E ela já anda feliz pela casa, no Olival.

da minha janela IV

Amanheceu assim na cidade do Almonda. E eu amanheci espertíssima. Cheguei à cor para marcar esta foto, o que vindo de mim é motivo para celebração. E a grande conquista foi conseguida entre telefonemas à MEO ( continuo com avaria ) e o programa novo que só agora estou a descobrir. Não sei não mas se tivesse menos 10 anos tinha uma grande esperança de vir a ser uma informática de mão cheia.
Este é o meu primeiríssimo dia de férias. Acordei em Torres Novas. Opção minha. E porque vou estar de companhia. Já não me lembro como é a praça 5 de Outubro ao sábado, por isso vou ali sentar-me numa das esplanadas bonitas que agora há por lá. A olhar o castelo de Gil Pais. E vou dar um passeio porque pode fazer-se o circuito ao castelo a pé por um empedrado novo e assim ver a vista do alto da muralha.
E vou para o campo a seguir. Para a quinta do mano Zé. Ver se as " minhas " laranjas estão de boa saúde que este inverno não me escapam.
Que não me façam promessas...porque ou são para cumprir...ou são para cumprir.
E ainda me vai sobrar tempo para fazer uma visitinha à caçula e ao Paulo.
Visitadas todas as capelinhas, vou rumar à capital e como a Pitanga vai também, a companhia é mesmo a calhar para me ajudar na logística.
Chegada a Lisboa e depois de me organizar vou ter um encontro muito prazeiroso.
Alguém que chegou de Luanda e que ontem à noite me fez companhia ao telefone para falarmos das últimas da semana. Uma companhia que não troco por nenhuma.
As minhas férias a começarem numa velocidade que me faz dizer que é sempre a bombar...
Jesus, Maria, que para estar paradinha, assim sem sequer mexer os olhinhos, vou ter muito tempo, uma eternidade...

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

marcação de fotos

A janela onde a Pitanga se instala. Quando tem permissão para estar na sala. Ela escapou-se-me e apenas ficou esta penumbra. Lá fora ainda dia.
E as minhas fotos poderão aparecer de novo marcadas. Desta feita num outro programa. Que o mano Zé instalou. Já me tinham falado nele.
O outro programa não me permitiu continuar a marcar as minhas fotografias. Restou-me este.

filho da terra

O senhor televisão foi condenado. O apresentador mais popular do mundo da televisão portuguesa, que é natural duma freguesia de Torres Novas, Parceiros de S. João.
Na sua terra as pessoas não querem acreditar na sua culpa. Oiço com frequência dizer: " Ele? O Carlos Cruz? Não, não acredito." No ínicio do processo eu própria o disse algumas vezes.
Conheci Carlos Cruz. Foi jurado do festival de pequenos cantores de Torres Novas no ano em que o David concorreu pela primeira vez com uma letra sua, tinha então 9 anos.
Curiosamente, muito curiosamente, o senhor televisão adormeceu no decorrer da 2ª parte do festival, enquanto crianças e adolescentes cantavam, dançavam, em palco.
Tenho fascínio por vozes bonitas. Aliás, é talvez o que mais me atrai nas pessoas. A voz. E as mãos.
Se Carlos Cruz tem umas mãos bonitas não o sei. Mas tem seguramente uma da vozes mais bonitas que conheço. Gostava de o ver e ouvir no 1,2,3 e a minha natureza diz-me que pode estar inocente. E se estiver, hoje cometeu-se um grave erro na história da Justiça em Portugal.
Não falo do que não sei, mas não percebi como é que a senhora de Elvas não foi condenada e todos os outros que supostamente frequentaram a sua casa, o foram...mas quem sou eu?!
O colectivo de juízes proferiu o acordão.
Hoje, dois filhos da terra foram notícia. Abertura de telejornais. Pelas piores razões.
José Torres faleceu e Carlos Cruz foi condenado a sete anos de prisão.
Foi uma sexta-feira negra para Torres Novas que preza muito os seus filhos. Pelo menos as figuras públicas.

partida, mais uma

Quero deixar aqui umas palavras sobre um homem de Torres Novas, que hoje partiu.
José Torres. Um jogador do Benfica. Um homem de bem. De uma família de bem.
Que se destacou no mundo do futebol pelas melhores razões.
Conheci-o. Conheço a sua irmã. Sou amiga da sobrinha. Conheci os seus pais. Lembro-me de os ver comprando bolos na pastelaria Abidis, que já não existe na cidade. E da mãe comprando na loja do meu pai.
Lamento que desapareça hoje alguém de bem, que honrou a terra e levou longe o nome de Torres Novas.
Que afinal, é a terra dos meus filhos e onde vivo.

férias em Setembro, bem bom!

Não saiu em Diário da República, mas eu sei e basta.
Estou de férias a partir deste momento.
Não é bom?
Uma semaninha que me vai saber pela vida.
Para fazer o que me der na real gana...
Ou não. Ser eu a escolher.
Com poucas interferências ou nenhumas.
Já estou a descomprimir dos últimos dias, que foram de estalo.
Ufa! Já lá vão.
E eu também vou...

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

O que é que fica

inquietação

Moçambique inquieta-me.
Acompanho as notícias com alguma angústia.
Receio manifestar-me sobre o que está a acontecer porque não sei o que está por detrás destas manifestações isoladas e acessos de revolta do povo da periferia da cidade do Maputo. Se apenas o custo de vida, se o cansaço de viverem uma vida sem o suficiente. Com um ordenado mínimo de cerca de 50 euros.
E porquê que aparecem crianças e adolescentes à frente das câmaras de televisão falando das dificuldades, rindo e posando para as câmaras, como se tudo fosse inconsequente e a morte normal. E o porquê dos soldados atirarem a matar como hoje ouvi nas notícias.
Inquietam-me estes tumultos.
Angustia-me que o povo passe mal e morra. E está a morrer...
Inquieto-me também por pessoas de quem gosto e que vivem em Moçambique. E outras que vão por temporadas.
É muito provável que leiam este post.
Vá lá, digam alguma coisa. Um sinal que me sossegue, yá?
Um abraço do tamanho do mundo.

o ombro

Li agora um mensagem que dizia assim:
" Vim ver um filme português para escrever sobre ele. É baseado no livro O último vôo do Flamingo, do Mia Couto, e acabaram de me dar o livro. Se ainda não leste é para ti. Beijinhos "

( perdoa filhota por transcrever a tua msg, sei que tu não gostas destas exposições, mas faz sentido depois do que escrevi no outro post )

Percebem porque apesar de ser nim, vale a pena nunca cortar o cordão umbilical?
E ficar nesta angústia porque um levanta vôo, mas não ficar, porque o outro me aconchega e dá o ombro?
Ser mãe é tudo isto e mais que eu não digo porque envolve dois seres para além de mim que são discretos e não gostam que se fale deles.
Só me apetece chorar mas não sei se chore se ria.
O meu caminho em busca da felicidade, vale muito a pena. Nestes momentos é que percebo que sim.
Obrigada meu amor.

ser assim

Hoje tenho o coração aos pulos.
Enquanto não forem para aí seis da tarde, não respiro.
Digo de mim para mim: Tens de te controlar, maria clara. Tens de te controlar. Assim numa atitude de tensão, com as mãos fechadas em punhos, tens, tens, tens de...
Tenho, tenho...quem consegue? Bom p'ra quem consegue. Tá-se bem, numa nice.
Distraio-me e ralho comigo.
E chamo-me: Estúpida, que já devias estar habituada.
Mas por mais que finja, por mais que me enfie toda na areia como a outra, é mentira. Não é possível. É o cordão umbilical aos pulos. Estica, encolhe, mas não se corta. E ai de quem venha de tesoura em punho para cortar. Fico do tipo, pacaça ferida.
Portanto é assim. Ser mãe é ser um nim. Bem que desconfiava disso. Sempre desdenhando os nins do mundo e afinal ...também sou mas não sou, sinto mas não sinto, quero mas não quero, vou mas não vou, digo mas não digo. Sim, ser mãe, entre outras atribuições tem mais esta de ter mas não ter. Em suma ser e estar sempre nim. Como agora. Queria que fosse embora,( para o seu bem ) mas queria que ficasse cá ( para o meu bem ).
Enfim, só sei que pouco sei, para não cair na esparrela do chavão, e neste momento só sei que queria que fossem seis da tarde, para dar um grande suspiro.

consciência

Às vezes a minha consciência pesa-me. Tenho-a grande. Deve ser por isso.
Para a manter como o azeite à tona da água, levezinha, levezinha, quais claras em castelo, os meus sentidos têm de andar alerta. Num doloroso exercício de trapezista na corda bamba, e com pernas para andar...equilibrando-me.
Observo. À medida que vamos chicoteando os dias e vice versa, aprende-se a olhar deixando o raio x para trás, avançando numa modernidade de ressonância magnética se fôr o caso. Convêm que seja o caso. Para não falhar, pese embora a consciência me diga que por vezes falha. Eu falho.
Observo muito. E o que vejo? Uma mão cheia de consciências vazias. E do tamanho de cabeças de alfinetes. Deitam-se, levantam-se, respiram sempre com a mesma ausência de espaço para a consciência. Gostava de ajudar pondo-lhes o dedo na dita minúscula consciência, mas o que vejo é tão ínfimo que não há dedo que as encontre. Longe vai o tempo de apelar a consciências, assim sendo, vou esperar para ver. Pode ser que algumas cresçam um pouco, ganhando esse espaço necessário para aqueles dias em que precisamos de facto de pôr a mão na consciência...
Nunca é tarde. Eu que o diga.

da minha janela III

Hoje a cidade amanheceu assim

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Vai com Deus

Boa viagem, meu amor.
Uma boa aterragem.
Boa estadia e bom trabalho.
Uma abraço do tamanho do olhar de Deus e muitos beijos.
Ficas no meu coração. Sempre. Tudo.

Os Golpes - Vá Lá Senhora

fisalis de comer e chorar por mais

São fisalis. Estas frutas saborosas. Colhi-as e comi-as na hora. E o licor de fisalis é excelente. Já me calhou uma garrafa há uns tempos atrás.

cana de açúcar

Sabem o que é isto? A planta da cana de açúcar. Do pomar do meu irmão. Ele tem de tudo um pouco. Mostrou-me umas plantas que podem ser da maçã da índia e do maboque. E tem uma pitangueira pequenina. Uma anona. Uma nespereira, uma pereira, uma romanzeira.

quiabeiro

A planta que dá quiabos. Com alguns. Que amanhã serão colhidos, para juntar a outros que já o foram. Para mim.

laranjal

Fui ao campo, ao fim da tarde. Ver regar as laranjeiras a perder de vista. Que diz que dão laranjas muito boas. Eu não sei porque nunca comi laranjas daqui. Damascos sim. E pimentos e beringelas e tomate e courgetes. E feijão verde. E quiabos. E hoje, até fisalis.
Está prometido uma saco de laranjas para o tempo delas. Vou esperar. Espero que não seja preciso sentar-me mano Zé e Lurdes, que ficaram tão surpreendidos por eu não conhecer o sabor das vossas laranjas. Ah pois é, nunca passaram perto de mim.

As esmeraldas da vida

Ontem fui cantar os parabéns à Esmeralda. Fez 72 anos, mas não estava feliz.
Não me lembro de ver alguém tão infeliz no seu dia de aniversário, como ela, ou melhor, tão conformada com a p... da vida.
E isso entristeceu-me.
A vida dela tem sido uma luta. Sempre contra e nunca a favor. Dando tiros nos pés.
Agora, alguém lhe criou condições para respirar, sorrir, acabar os dias numa doce tranquilidade.
Mas a Esmeralda tem muitos fantasmas e amargura-se. E mal vive.
Incomoda-me que pessoas válidas, ainda rijas, com a mente sã, não se incomodem. E encolham os ombros às surpresas boas que a vida, pela mão de gente de bem, lhes proporcionam. E acho que foi isso a que assisti ontem.
Mas se assim é, ela não tem culpa. Há culpados, vários...
Incomoda-me que as pessoas a quem se dedicou nunca se tivessem incomodado com ela.
Há incómodos que são obrigatórios. A vida da Esmeralda foi acomodada e hoje tem dificuldade em reagir, mesmo ao que a vida lhe dá de bom.
Levei-lhe uma planta. Para se alegrar e enfeitar a sua casa, que partilha com outra pessoa que também incomoda a minha condição de cidadã cristã. As duas são ajudadas por alguém, ou um conjunto de alguéns, que conhece bem os deveres de um cidadão nobre e pôe na prática o que tem no coração. O sentimento da compaixão.
Ontem à noite fui convidada a fazer uma surpresa à Esmeralda. Uma festinha, um jantar de aniversário. E aceitei. E aparecemos seis pessoas de rompante à sua porta. E ficamos. E cantamos os parabéns e tiraram-se fotografias e fizeram-se planos, para outras vezes.
Saí de lá sem perceber se gostou, ou se não queria sair do casulo em que um pouco acomodadamente se meteu.
E isto perturbou-me muito.
Acabei, com as pessoas de bem a que me referi, sentada no banco de jardim do Jardim das Rosas, junto ao rio, refrescando-me do calor intenso que abrandou na noite, enquanto um pequenito brincava nos baloiços, falando sobre a vida que por vezes é tão madrasta, as madrastas que me perdoem, mas a minha noite não melhorou.
Depois, já à porta da minha casa estive com uma amiga noite fora, conversa fora, até que cansadas nos despedimos. As vizinhas, que também já o foram da Esmeralda, gostam de espreitar os carros que param. E gostam de me tomar conta da vida.
Não me conformo com a tacanhez, mas até dou um desconto.
Não dou desconto, isso não, a quem prejudica a vida de outro ser como fizeram com a Esmeralda.
Esta Esmeralda teve sorte porque está perto de gente de bem que a ampara e protege, mas quantas Esmeraldas da vida se tornam indigentes porque a família não cumpre as obrigações?!...
Não me conformo. Ontem acabei a falar em voluntariado em Angola.
Cresce em mim esse desejo que sei que inevitavelmente cumprirei, só para não ver mais esmeraldas serem tratadas como couves, que se atiram aos porcos.

rentrée da justiça

Terminaram as férias judiciais.
Hoje é a rentrée da justiça...
Eu já cá estou. E vejo os colegas chegarem com o ar ( in) conformado que reconheço.
Mas dura pouco. Isto é como um vício. Sentamo-nos. Ligamos o computador. Procuramos o programa que nos liga ao trabalho e subitamente, parece que nunca daqui saimos.
Está na pele, no sangue, na mente. É uma obrigação. Que tem de ser cumprida e não há nada a fazer.
A melhor forma de encarar com naturalidade é sorrir e aceitar. Cumprir com boa vontade. O melhor que soubermos.
Afinal é para isso que nos pagam.
Boa rentrée então, oficiais de justiça, que hoje iniciam as funções aqui e no resto do país, depois duma pausa, merecida, não tenho dúvidas, que ser oficial de justiça não é brincadeira de meninos.

da minha janela II

Setembro amanheceu assim

NEIL DIAMOND - September Morn

para setembro

Digo adeus a Agosto. Preparo-me com outra cara, mas o mesmo rosto, a mesma pessoa para Setembro.
É um mês difícil este. Sempre foi. Era o começo das aulas, num ciclo que durou muitos anos. Sempre a 10 de Setembro. Mais tarde fatidicamente o dia 10 marcou-me a vida, para o mal e para o bem. Mas mais dias há de Setembro que não apago da minha memória. Se tiver saúde para poder aqui lembrá-los, fá-lo-ei.
Sim, Setembro é um mês difícil, porém já não me mete medo. Tenho para mim que se estamos cá é para ultrapassarmos e aprendermos. E crescermos.
Um bom Setembro para todos.