sábado, 16 de outubro de 2010

Desenhos de Luz,hoje

A mesa dos professores
A Zita e a professora de inglês Maria do Amparo
Professor do liceu do ano 73 a 75
Grupo de alunos do Liceu D.Guiomar de Lencastre no almoço 2010, no hotel Tivoli Oriente, em Lisboa, bem como os professores.

reencontros

Hoje foi um dia, de certa forma, ansiado e alegre. Um misto de emoções e sentimentos que teria de pensar para classificá-los. Não me apetece definir sentires, vivências...
Sei que pela primeira vez fui participar no almoço anual que há cinco anos se faz, de antigos alunos do liceu D.Guiomar de Lencastre. Fui porque sim. Quis. Fiquei curiosa. Expectante. Apesar de não conhecer ninguém ali. Impensável há uns tempos atrás, pôr-me ao caminho e enfrentar um grupo de mulheres desconhecidas, da minha idade, mais novas e mais velhas, em grupo. Mas já não tenho desses constrangimentos. Estou receptiva a tudo o que me pode dar alegria, prazer, emoção, bem estar. Por isso fui. Porque através do facebook cheguei a uma colega de um tempo bem longínquo, quando tinhamos 14, 15 anos. Depois foi fácil.
Uma das organizadoras, Zita Soares, simpatiquíssima e amiga do facebook ajudou-me, mostrando-me a Ury Borges, a minha colega de turma que tinha voz de cana rachada e parecia um louva deus, ou um gafanhoto saltitão, nas aulas de Canto Coral, com a professora Dilma.
Encontrei algumas colegas do mesmo ano. Caras muito conhecidas, aqui e ali. Encontrei alegria e muito boa disposição. Um ambiente conhecido para a maioria que já ali vai há 5 anos.
Tive algumas surpresas muito agradáveis e de certa forma emotivas.
Ver a Ury ao fim de tantos anos foi bom. Forte.
Ser abordada por uma antiga aluna do liceu que me perguntou se eu era a clara e de seguida me diz que me conhece do facebook, foi incrível. Não imaginava alguém dirigindo-se-me deste jeito, porque sim. Foi tão grato, tão grato que valeu logo o almoço e o tempo de que dispunha para ali estar. ( Obrigada Fernanda ).
Por fim, ver um friso de luxo que me fez voltar atrás no tempo, e voltar a sentar-me na secretária de uma qualquer sala de aula, depois de tocar para a entrada, esperando a professora, que fazia parte deste friso... foi assim, como que comer cerejas depois de um ano privada delas.
A stôra Darcília, a Stôra Maria do Amparo ( amparito como lhe chamávamos ), a stôra Fátima Manso, a stôra Lígia...como eu gostei de ver e falar com a professora Lígia, ganda stôra, de inglês, rígida e amiga, que todas gostávamos muito. A minha kamba Milú perdeu esta oportunidade de oiro. Mas aqui vai um beijo da stôra direitinho para ti, minha kamba...
A Zita no fim botou discurso, como organizadora do encontro e conseguiu arrancar-me umas quantas lágrimas, que eu também não me faço de rogada...
Falando das salas de canto coral ao fundo do edifício principal, do bar da D.São, contínua que tão bem conhecíamos, dos crocodilos dos tanques, da Cerca, enfim, da nossa vivência naquela que foi a nossa escola principal, a ver-nos crescer, a amparar-nos e a ensinar-nos a sermos gente.
Um dos momentos altos para além deste, do discurso da Zita, foi o da stôra Amparo dizendo poesia e o professor homem que eu não conheci, dizendo poesia de autores angolanos. E fazendo esta afirmação que me arrepiou e não fosse eu ter vengonha e ter-lhe-dado um abraço de apoio. A propósito do poema " Voltar " disse ele: Só estou à espera que a minha mulher se reforme, para voltar. Os meus filhos já lá estão a trabalhar..."
No fim, despedimo-nos com um até para o ano, que acredito que seja, para a maioria dos que ali estiveram. A Zita fez um pedido.Que cada um que ali esteve hoje, leve outro, para o ano.
Da minha parte vou fazer os possíveis para que as kambas vão comigo.
Quando for dormir, se tiver tempo para estar acordada e não apagar rapidamente, poderei organizar as imagens que retive, as conversas e palavras que se disseram, os beijos e abraços que se deram, o ambiente que se viveu e acho que hoje, repousarei leve e trasnquilamente, dormindo o sono dos justos.

vaidade em forma de colo

Quando cheguei a Lisboa tinha este presente. Da Pipoca Mais Doce. Ou seja da menina linda e generosa, Ana Garcia Martins, a jovem jornalista, agora casadinha de fresco e chegada de lua de mel da Índia e dumas praias paradisíacas, amiga cá de casa.
Muito obrigada querida Ana. Um baton da Dior é um luxo a que não vou poder chegar daqui por mais algum tempo. A cor é o máximo. Um vermelho que eu gosto muito. Adorei. E como faz bem saber que alguém recebe algo que pode usar, oferecer às amigas da sua idade, à mãe ou outras e simplesmente se lembra da " mamãe "...
Abraço grande, grande, do tamanho do Mundo.

não tenho agulheta

Senti-me palhaça desta anedota que é a política portuguesa e seus governantes.
Palhaça triste que dá a cara...
Uma pen incompleta, é o cúmulo e se não me dá vontade de rir, só posso chorar.
Estamos mesmo entregues às feras e aos palhaços ricos, de um circo que ainda vai pegar fogo e eu não sou bombeiro, não senhor, nem tenho agulheta...
Se isto não fosse uma tragédia, ai, era uma grande comédia, mas a mim já não dá vontade de rir. E embora não seja boa a matemática, ainda sei fazer contas de subtrair, quer dizer, diminuir, diminuir, até, sei lá roubar (? )...

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

olhares

Olho à minha volta. Perto. Muito perto.
Onde o meu olhar alcança...
Sem pestanejar...
E olho montes e vales. Serras, ruas e vielas. Becos sem saída.
Fixo o meu olhar cansado sobre as coisas reais.
Nunca gostei do que é pequeno. Esforço-me. Salto o invisível como se fosse um muro alto e esbarro no mundo pequeno à minha volta. Nas mentes pequenas. De olhares miopes.
Hoje, porém fico-me pela pequenez da realidade que vivo. E que me rodeia.
Doridos os meus olhos queriam ver azul. Ondularem ao sabor do tempo. Adormecer e sonhar castelos de areia molhada, na beira-mar da praia dos meus encantos e desencantos. Chapinhar ao sol e no sal desse mar que me faz falta e que não vislumbro daqui.
Tudo é pequeno. Nem contos de fadas, nem poemas, nem serenatas. Nem mantos bordados a prata e ouro. Nem coroas de diamantes.
Hoje os meus olhos lúcidos, choram o que a minha alma sente. E cegam-na.
Hoje tenho as vistas cansadas...

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

saudade de não sei quê

Amarelam as folhas dos castanheiros da avenida. O rio acinzenta-se numa cor de burro quando foge ao tempo húmido destes dias mais pequenos.
Há um odor nauseabundo, cheirando a ratos, de cartão espapassado, que me enoja.
Os cães farejam as flores do jardim bacilento da beira-rio.
Os patos nadam na água lodosa a caminho da represa, indiferentes à estação. Será que os patos são imbecis como as galinhas?
Não vi partir as andorinhas e tenho pena. Não lhes acenei em jeito de despedida. Para a próxima substituo os lenços de papel por outros. De caxemira. Quando é que elas voltam? As andorinhas? Quando aparecerem os ninhos no meu varandim estará na hora da Primavera. E voltarei a ouvir o piar jovem dos passarinhos.
Das sarjetas entupidas nasce água como cascatas e inunda a estrada calcetada. Os mosquitos iniciam passos de dança. Uma dança histérica e canibal.
As horas parecem esquecidas de mim. Perdidas nos minutos que não passam. Nem por mim nem pela minha melancolia. Fazem-me caretas. Esboço sorrisos. Acalmo o meu choro numa canção de ninar...
Hoje foi mais Outono que ontem e menos que amanhã. Olho a cidade e os efeitos deste tempo inquieto já me atingiram. Não quero transportar tempestades, frios e cheiros. Fantasmas e sonhos pequenos. Mas fui apanhada no calendário.
Planeei atravessar este tempo, leve como uma pluma, nas asas do meu pássaro livre.
Que foi feito do meu esboço traçado na folha de papel cavalinho? Transformei-o num barquinho de papel. À deriva. Falta-lhe o mar. Se ao menos tivesse sono, dormia agarrada à onda numa praia de sonho de outono até que o ano passasse e voltassem as andorinhas. Quando o sol já fizesse das suas...

affair

Não sou preconceituosa. Não sou de todo.
Não tenho nada contra nada. Sou a favor, sempre, seja do que for, se o que for valer a pena.
Não tenho nada contra homens de mais de 60 anos. Nem contra brasileiras. Seja de que idade for.
Eu própria, não brasileira, mas angolana, chegada a portugal em 1975 com 20 anitos, fui descriminada por ser retornada ( que não sou, porque nunca sequer tinha estado em portugal, de visita ). E não me abriram a porta da frente. Entrei pela dos fundos e levou tempo a conquistar o meu lugar, onde comodamente me instalei até hoje. Mas fizeram-me engolir muito sapos até lá.
Não tenho portanto nada contra ninguém. Sou a favor de pessoas felizes, mesmo que isso passe pela imcompreensão das ditas normais, que não é o meu caso.
Os seres felizes são mais fáceis. Mais óbvios, tornando a nossa vida igualmente fácil.
Estamos então conversados. Mas eu não estou satisfeita.
E tenho uma questão a colocar, que me intriga.
Porque é que não se encontram hoje, homens com mais de 60 anos que não tenham, ou não tenham tido pelo menos uma vez, um affair com uma mulher brasileira?
Gostava que me explicassem. E eu não sou burra, mas não entendo.
Alguém que conheço, com mais de 60 anos, disse-me há pouco tempo que fora uma brasileira que o ensinara a abraçar. Aka. Canário! ( como diria a Sónia M. Santos. ) A senhora em questão precisou atravessar mar para descobrir a pólvora nesta ervilha perdida na europa? E mais, foi preciso uma criatura das américas chegar para ver, estar e vencer?
Há coisas que não entendo. Se calhar não tenho nada com isso, mas gostava de perceber como é que há quem não saiba que os abraços se dão com a alma. Será que os portugueses a perderam?
Ou será que as mulheres brasileiras têm uma Alma maior e mais generosa que deixa os portugueses mais aconchegados?
Tema para um estudo sociológico diria a minha amiga que anda no último ano de sociologia e não é brasileira.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Jay Sean - Ride It [Offical 2oo7 Video Off My Own Way]

como cão a roer ferro

Ainda não vi o fim ao enredo que me faz persona non grata num escárnio e mal dizer da PT e MEO.
Aqui está ela no seu melhor. Uma parabólica novinha em folha e colocada totalmente de borla. Um " mimo " feito pela PT MEO por me terem lesado ao longo de dois meses e tal e ter sido necessário mudar para a TV satélite para que os serviços funcionem com normalidade.
Este, já funciona normalmente. O da televisão. Mas o da Internet ainda não. Está que nem mexe. Mortíssimo.
Como é que eu estou na net? Cá me arranjo.
E com esta história louca que parece que não pode ser verdade, terceiro mundista, aqui estou, calmamente no sofá, na net, mas não na da PT.
Eu tenho-me em má conta. Se calhar eu precisava de passar por isto para perceber que devo ser muito boa pessoa. Porque ainda nem sequer redigi uma reclamação para o Sr. Provedor do cliente pt. Ameaço diariamente, mas cão que ladra não morde, apesar de cada vez que falo para o 16200 parecer um cão a roer ferro.

Broas dos Santos

Não estamos em Novembro. Mês dos Santos. De todos os Santos. Das broas dos Santos, merendeiras ou bolinhos dos Santos. Todos estes nomes para estas merendeiras maravilhosas e que fazem tão mal, mas tão mal às vesículas mais sensíveis, como a minha que está feita uma pedreira pior que a Pedreira do Galinha, a caminho de Fátima, e onde estão as pegadas dos Dinossauros, mas sabem tão bem, tão bem, que valem o bem que sabem, para o mal que fazem.
Como basta um pouquinho de frio e chuva para fazer lembrar as broas, aqui estão elas.
Estas são de café, de amêndoa e de chocolate.
Não fui eu que fiz. Comprei-as na mercearia de comércio tradicional que fica ao pé de casa. Não que goste mais das mercearias. Não gosto nada. Agora está na moda, é chique dizer-se que se gosta muito da mercearia do bairro, que tem as frutas e as couves da horta, o pão de centeio e o chouriço caseiro. Tretas, para parecer bem. Eu gosto das grandes superfícies, onde escolho as broas que quero, como quero e porque quero. E outros alimentos. E ninguém me aborrece.
Mas esta mercearia simpática está à mão de semear, a menina é muito gentil e tem de tudo para além das broas. Até já lá descobri leite de soja o que para mim e para os meus batidos é essencial. Mas para além disto tudo fica a 200 metros da minha casa, portanto, ouro sobre azul.

adoro presentes

Um mimo da caçula. Assim, só porque sim.

Será?

Diz que foram vistas baleias no mar de Luanda. Em frente à praia do Bispo.

para os EXPERTS

Alguém que tenha blogues sabe dizer-me como faço para voltar a ser notificada dos comentários que aqui vêm deixar? É que neste momento e já há mais de duas semanas que apenas quando sou eu a comentar, respondendo aos comentários, me aparece no gmail a normal notificação.
Já perguntei aqui mais ao pé da porta, mas não fui muito feliz. Ninguém, mas ninguém sabe como se faz. Eu acho que fiz alguma asneira que provocou isto.
Então vá, ajudem-me lá. Não que nade em comentários, mas os que são feitos, não é por nada mas gostava disso tomar conhecimento, pois por vezes há comentários a posts mais antigos e assim deste jeito nunca saberei que os há.

Desde já o meu agradecimento. Se me ajudarem, Deus vos pague e se não ajudarem, o que é que hei-de fazer? Nada, evidentemente.
Acredito que haja pelo menos uma alminha que conhecedora do problema me possa ajudar. Vou ser optimista e esperar yá?

asfixiada

De vez em quando vivo pesadelos.
Acordei já sentada na cama, com o coração aos pulos e completamente encharcada em suor. Acabara de ser asfixiada. Ainda sentia falta de ar e a pressão no pescoço, pela violência de que fora alvo. Coisa de outro mundo...
Levantei-me, fui à cozinha beber água e só acordei completamente, quando a Pitanga, que me seguiu, reclamou a minha pisadela.
A sensação de asfixia não é boa. Nada boa. E a gente acredita que está a morrer, seja lá o que, e como, isso fôr.
Não sabia como era irem-me aos fagotes, se se pode comparar.
Nunca andei envolvida em brigas. Nem mesmo quando era miúda. Os miúdos tinham medo de mim porque eu era maria rapaz, sem medos e sem problemas de lhes chegar a roupa ao pêlo. Bastava correr atrás deles e deixar escapar um chorrilho de palavrões daqueles cabeludos, que eles fugiam, saltando muros por esses quintais fora. Não precisava chegar a vias de facto.
Nunca fui aos fagotes de ninguém. A não ser quando tinha 15 anos e parecia já uma senhora, mas ainda era uma miúda endiabrada e muito senhora, sim, mas do meu nariz. Tinha uma vizinha com idade para ter juízo, 18 anos e muito poucochinha, que queria fazer parte do meu núcleo de amigos, mas não tinha espaço nem eu lho dava. Como é que alguém é amiga de uma criatura a quem chamam Molombosa? Ninguém, claro. Eu era boa para alcunhar uns e outros mas por acaso até nem fui eu, nem nunca soube o que molombosa queria dizer. A minha vizinha,Teresa molombosa plantava-se ao portão da sua casa, cujo senhorio era o meu avô Carvalho, lendo e exibindo fotonovelas, numa provocação besta e vulgar e num vagar preguiçoso e desleixado. Um dia, como sempre, passei por ela e a imbecil teve a ousadia de me chamar " machimbombo do miungo ". Beeeeeeem! Eu ainda era menor. Mas já tinha 1,73m. E ser chamada de machimbombo ainda vá que não vá, mas, do miungo????? Jesus Maria que eu sou filha do meu pai e neta do meu avô. E puxei a eles. Quando a Teresa Molombosa deu por ela já estava com um bofetão bem assente na sua cara pateta e bolachuda. E gritava que gritava agarrada à orelha: O meu brinco de ouro branco, ai o meu brinco de ouro branco. Partiste o meu brinco de ouro branco.
Tive pena dela, mas já estava feito. Vingara-me da afronta.
Miungo queria dizer tudo menos santa. Ouvia os homens chamarem às mulheres oferecidas, miungueiras. E às prostitutas do Bairro Operário e Marçal. O autocarro que fazia a linha do Largo dos Lusíadas para o Cazenga e vice-versa, para além de ser muito velho, cheirava a catinga que empestava tudo ( cheguei a andar nele, ora se eu não tivesse andado é que era uma admiração, por isso eu sei que ainda vou andar de candongueiro ) e era chamado insultuosamente, capoeira das galinhas ou machimbombo do miungo. Nãnãnãnãnã. Do alto dos meus 15 anos insolentes e arrogantes podia lá deixar passar um insulto deste tamanho? Por isso este episódio. Felismente único e isolado da criatura estouvada que era e contida que aprendi a ser, com o tempo.
Ainda hoje se oiço falar em ouro branco, eu recordo a teresa molombosa, que mais tarde, aí pelos anos 90, encontrei carregada de filhos, num bairro a dar para o manhoso, perto da avenida do brasil, mas em Lisboa. Não sei se estou arrependida deste episódio. Na altura tive pena mas não senti um pingo de arrependimento. Hoje, diverte-me pensar que eu era uma peste e que foram bons tempos, aqueles.
Mas voltando, não aos fagotes, mas ao meu sonho/ pesadelo, foi mesmo muito assustador e daqui para a frente ainda que me apeteça apertar o pescoço a alguém, pensarei duas vezes, contarei até dez, se calhar em inglês, ou crioulo, ou até quimbundo e certamente, desistirei a meio, porque é muito mau sentir-mo-nos asfixiados, quer acordados quer a dormir...
Eu tenho-me sentido assim, nesse aperto angustiante e o sonho foi a cereja no topo do bolo.
A propósito, e cerejas? Que eu adoro? Lá voltamos ao mesmo. Que as conversas são como as ditas. O Outono tem de passar e o Inverno também, para que volte a crivar-lhes o dente.
Felismente, recuperei do pesadelo e já respiro livremente e aliviada... até à próxima.

hoje, Outubro

Amanhecendo, da minha janela.

a minha artesã preferida



Não estão a ver mal, não. Não precisam de pôr os óculos.
São mesmo centros de mesa de Natal.
Bem sei que ainda faltam dois meses e tal para a bonita época natalícia. Mas já faz frio. Já chove. Já se comem castanhas. E calçam-se botas. E colocam-se os edredons de inverno nas camas. E compra-se lenha para as lareiras. E já há lojas de decoração com a árvore de natal...portanto, não é descabida a apresentação destes centros de mesa.
Adianto que não fui eu que os fiz. Oh! Eu! Não saberia por que ponta lhes pegar. Não sou habilidosa. Nos trabalhos de mãos. Se calhar por ser canhota. Ou não.
Sei fazer malha e olhem lá! Páro aí porque já não há pachorra para botinhas de bebé ou para um coletezito para mim. Longe vai o tempo em que me achava a rainha do tricot e dominava os pontos mais difíceis e bonitos. A precisão dava-me o engenho. Quem sabe com a crise, volte às agulhas e às lãs...nunca se sabe. Deus queira que não.
Mas com precisão ou sem ela, numa atitude de grande talento para a coisa, uma amiga minha, kamba antiga, do tempo das discussões nas aulas de lavores do Liceu Feminino, resolveu pôr mãos à obra e para além de ser um pássaro dos ares do mundo, voando de um mundo para outro, quase que diariamente, gosta de poisar na sua casa em Luanda e dedicar-se a estes trabalhos giríssimos. Diz ela que é um bálsamo para o cansaço e para o stress. Eu sei disso. Sei porque gosto muito de cozinhar e se acaso estou com dor de cabeça ou outras dores assim mais visíveis, como por exemplo, dor de cotovelo ( mentira, não tenho dores de cotovelo nunca ) o remédio é chegar-me à cozinha, parar em frente ao fogão, umas horas.
Mas dizia eu que a minha amiga tem muito jeito para os trabalhos manuais, verdadeiro talento, a bem dizer. E por isso produz, quase como numa linha de montagem. Isto que estão aqui a ver é nada, comparado com o que faz.
A mim, o ano passado, brindou-me com um belo centro de mesa, de presente de Natal.
Este ano já começou a pôr ordem nos trabalhos e o resultado é este.
Se alguém estiver interessado nos seus centros faça o favor de dizer.
Foi também por isso que eles foram aqui colocados, para além de mostrar os dotes da minha artesã preferida.
Ela faz um sucesso na sociedade angolana. Poderá fazê-lo também em Portugal. Porque não?

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Skunk Anansie Hedonism 1997 HQ Lyrics

Estão em Lisboa. Para um concerto.

perfil

Lembras-me romãs. Como gosto de te ver comer romãs...
E uvas brancas.
Lembras-me salame. Coca-cola.
Televisão. José Hermano Saraiva. Canal 2.
Lembras-me música. Bjork. Lena d'Água...
Cinema francês. Filmes de Almodôvar.
Lembras-me velas a arder. Perfumes. Limpeza. Harmonia. Equilíbrio.
Lembras-me sofá e manta de inverno. Chá.
Livros. Outros idiomas. Arte. Pintura. Movimento.
Lembras-me inteligência. Emoção. Fortaleza e fragilidade.
Lembras-me cultura. Muita.
Gargalhada. Sentido do ridículo. Humor.
Lembras-me massagem. Mãos. Altruísmo. Preocupação.
Humildade. Trabalho, esforço, exigência, auto-crítica.
Lembras-me sonhos. Grandes. Estradas. Vôos.
Lembras-me poesia. Textos. Cantigas. Voz, canto.Representação.
Lembras-me sucesso e talento. Dom.
Lembras-me Criação. Dança.
Lembras-me fotografia. Criança. Amuo. Colo. Abraço.
O melhor abraço do mundo.
Lembras-me família. Cordão umbilical.
Elo. Âncoras.
Lembras-me força.Que preciso, para te ver forte.
Lembras-me viagens. Chegadas e partidas. Ausências.
Ainda não foste embora e já tenho saudades de ti.
Como posso não ter se o que tu me lembras é Vida?!
A vida eternamente grávida, que quero brotando em ti...
Lembras-me... Lembras-me a qualquer hora. A todas as horas.
A minha condição de mulher e mãe, sempre.
Queria poder dizer que me sento no banco de pedra, olhando lá longe e me preparo para ter o sonho mais lindo de todos. Aquele que há tanto procuro alcançar.
E que o vejo desenhar paisagens e pessoas. Odores, sabores.
Flores. De frangipani. De acácias.
Prados verdes. Cascatas. Rios e mares azuis. Anjos, pássaros, o Sol.
E tu.
Queria poder dizer que me sento no banco de pedra. Mas não digo.
O meu sonho é perfeito. Só lá faltas tu...

domingo, 10 de outubro de 2010

Arte em Lisboa

A peça é concepção de Joana Vasconcelos, uma artista plástica portuguesa de sucesso. Que cria peças de tamanhos até aqui não vistos.
Junto ao rio Tejo e no Cais das Colunas a sua obra...

cais das colunas II

Um navio no Tejo. Ao domingo. No cais das colunas.

cais das colunas

Um barco no Tejo. No Cais das Colunas.

graffiti

Um apontamento colorido na cidade sombria. Do Outono.

esquecimento

De volta ao tarrafal, a propósito, um dia destes tenho de desmistificar esta coisa de chamar tarrafal às minhas chegadas a casa, no Ribatejo, ao domingo à noite, hoje não me apetece fazê-lo, encontrei o meu telemóvel que ficou esquecido dois dias aqui. Surpreendentemente sobrevivi. Pois. Isto, eu já não vou para nova e esqueço-me das coisas.
As mulheres, para quem não é mulher e anda distraído com as compras das ditas, pois então as mulheres, algumas, muitas, têm paranóias por sapatos, perfumes e sacos. E eu mulher me confesso, adoro calçado, perfume e malas. E se posso compro. E se preciso e não preciso, compro. E depois, sou capaz de andar com o mesmo saco toda a santa semana, mas pronto, sei que os outros que são a perder de vista, estão ali mesmo à mão de semear.
Antes de viajar para Lisboa, mudei de saco. E esqueci o telemóvel no saco que ficou. Mesmo antes de chegar à capital, dei pela sua falta. Entrei em pânico. Mas não era preciso. Correu tudo tão bem que quase não me lembrei desse objecto que transformei no meu fiel amigo. Não fossem algumas pessoas que se lembram de mim ao fim de semana e me ligam e passaria a esquecê-lo com frequência, para que fizesse companhia à Pitanguinha.
Ah, verifiquei que tinha chamadas. E um número com bastante insistência. E mensagens. E fiquei com um enorme sentimento de culpa. Não foi de propósito, juro. Eu atendo sempre. Se ouvir. Mesmo que seja desconhecido. Pode ser importante. Já me tramei por isso. Mas atendo na mesma. Juro.
Bom, mas agora que estou na posse do dito telemóvel ninguém me liga. Vai-se lá perceber isto...
Mas que foi um descanso, lá isso foi.

pai p'ra sempre


O teu tempo chegou ao fim. Num dia assim. Como hoje. Um dia dez de um mês de Outono. Outubro. De um ano qualquer. Mais um dia dez a juntar a tantos outros de que estou cativa...
Foi muito sofrido mas ao mesmo tempo libertador. O teu corpo deixou de padecer. A tua alma deixou de vaguear entre almas e nós. Os teus filhos.
Sabes? Era difícil ver-te outro. O que eu conheci, partira quando a mãe partiu e eu iniciei o vosso luto nesse momento.
Já não me lembravas rebuçados de mentol.
Nem fados cantados. Desgarradas.
Histórias de cabritinhos que pariam filhos de dentro de barrigas abotoadas com fileiras de botões.
Nem leitões assados em domingos de festa. Caldeiradas de cabrito. Uisque com soda.
Histórias narradas de um tempo longínquo, em terras do fim do mundo de um trás-os-montes perdido para lá do Marão.
Nem caixas de bolos da Royal, à segunda-feira de manhã.
Nem mãos cruzadas por cima do ventre ( que herdei de ti ). Nem pernas cruzadas balançando um ritmo qualquer dançando na tua mente e no coração. ( que também herdei de ti ).
Nem o jogo da malha apostado em rodadas de cerveja. Nem baralhos de cartas em fúria, pelos ares quando perdias ou faziam uma " arrenúncia ".
Idas ao mercado Quinaxixe ou S.Paulo, aos domingos de manhã.
Nem as limonadas que fazias para o almoço. Nem os miolos de cabrito que guardavas para mim e para o mano Zé. Nem as fatias de papaia ou de ananás que cortavas para que fôssemos os primeiros a comer.
Os espirros sonoros. ( que eu e a ângela herdamos de ti ).
Nem o prazer que retiravas das coisas pequenas. Dos filmes, das festas dançantes ( o que nós dançámos os dois ...), dos passeios para a Barra do Kuanza, para Cambambe, Cacuaco, Caxito, Mabubas, Catete...
Nem jogos de futebol no estádio dos Coqueiros ( íamos sempre ) assistindo a jogos do provincial, torneios entre equipas da metróple, Benfica, Porto, Sporting, Braga, Guimarães, Belenenses, Setúbal, e equipas brasileiras como o América, o Fluminense e outros que não lembro já. E jogos de basquete, e jogos de hoquei, que não perdiamos nem por nada.
Nem a tua tristeza quando te confrontavas comigo, se eu te queria tomar o pulso. ( Éramos iguais ).
Nem a hospitalidade com que recebias na nossa casa, todos os que ali chegassem.
Nem a tua gargalhada de eterna criança. Nem o teu humor. Nem as tuas lágrimas que não escondias. Nem a tua inteligência. A tua imaginação fértil. As tuas quadras, que orgulhosamente mostravas.
Nem a tua protecção. O teu cuidado. O teu carinho. O enorme Amor que nos tinhas, tão grande que não cabia no Mundo...
Partiste antes de partires. Mas foi num dia como o de hoje que nos deixaste completamente.
Tenho tantas saudades, meu pai! Tantas saudades de ti. De nós. Daquele tempo. Da nossa família...
E sinto tanto orgulho, mas uma coisa tão boa no meu peito de ser tua filha!...
De ser a clarita, filha do Sô Santo, como éramos conhecidos na avenida Brasil, na Vila Alice, e saindo do asfalto, no Marçal, que atravessávamos, para juntos irmos ao mercado de S. Paulo. Do orgulho que te via nos olhos quando cresci e saía contigo para a Baixa e me apresentavas aos armazenistas.
Partiste num dia como hoje e eu não pude fazer nada. Já tinhas partido, com a mãe.
Já não lembravas o homem feliz que conheci e com quem privei tantos anos, nem o pai galinha, nem o marido protector, leal e amigo, nem o amigo dos seus amigos, o familiar mais amigo, nem o cidadão exemplar...
Já não nos lembravas. Já não te lembravas sequer...
Mas, eras o meu pai que eu amava tanto e de quem era cópia perfeita.
Hoje, se fosses fisicamente presente, abraçava-te num abraço do tamanho do Mundo.
Assim, abraço-te num abraço que não caiba em todas e quaisquer Eternidades que possam existir...

nem sempre nem nunca

Se hoje fosse dia de trabalho, dar-me-ia um gozo muito grande escrever a data a que corresponde o dia. Uma raridade...
caso para dizer, nem sempre nem nunca.

10.10.10

mais vale sê-lo que parecê-lo

Não. Não é para me armar. Nem que quisesse já não o conseguia fazer.
Pûs esta fotografia no facebook. No álbum que tenho andado a aumentar.
2008. Agosto/Setembro. Dia das eleições em Luanda.
Só que, um amigo meu angolano viu-a e de imediato fez um comentário dizendo que não gostava da foto. Da sua cor. E ficou-se por aí. Posteriormente disse-me algo que me deixou inicialmente estarrecida. Sabem o que foi? Custa-me repetir mas tem de ser, para que possa resolver isto sem me complexar ou traumatizar.
Que pareço um SAGUI.
Apeteceu-me cortá-lo às postas e atirá-lo às feras.
Não resisti e vim ver a fotografia. E não é que agora já só vejo um sagui?
Não te perdoo amigo. Como é que eu agora vou conviver com esta fotografia de uma forma descontraída? Que macacada me arranjaste!
E isto tudo porque nunca me viste com a macaca!
Já nem sei se vale mais sê-lo que parecê-lo. Se calhar...

Alminhas

Chama-se " Alminhas ". É um restaurante muito agradável e simpático. No centro histórico de Tomar. Gerido por umas senhoras simpatiquíssimas. O serviço é rápido e eficiente. Os pratos são fantásticos. As sobremesas uma bomba. E o preço, uma alegre surpresa.

bobó de camarão



Aspecto óptimo. Colorido. Tropical.

Pois, foi o meu jantar de ontem no jantar de amigas e colegas em Tomar. Bobó de camarão com arroz basmati.

a filha da romena

Ponham-se nesta cena:
Uma mulher nova, com ar (?) de romena ( deus que me perdoe pelo preconceito )aborda-vos. Sabem de antemão que é para pedir qualquer coisa. Mendicidade pura. Esperam que vos peça dinheiro. E de repente ouvem: senhora, dê qualquer coisa na pastelaria para a minha menina.
E vocês apanhados de surpresa perguntam: Qual menina? -Porque não havia menina nenhuma por perto. Ela, a mãe aponta e chama: Tamiana vem cá.
O que é que vocês fazem?
Eu digo. Sigam o coração.
E esqueçam que vos querem tramar. Que são farsolas e vivem de esquemas. Que deviam era estar a trabalhar. Ou voltar para as suas terras.
Olhem a mãe. Olhem a menina. Esta, com menos de dez anos. Morena, olhos grandes e meigos, cabelo escorrido e castanho. Mal vestida. Olhando para vocês. Com a certeza no olhar, que ia para a pastelaria escolher o que comer porque vocês não iam virar-lhe as costas.
Então vá, vamos lá à pastelaria para escolheres o que queres. E a senhora também.
A menina saltita à minha frente e pára em frente à vitrine. Tanta coisa boa. Mas ela vai direita a uma napolitana, carregadinha de chocolate.
Disse-lhe que escolhesse o que queria beber. Apontou para uma coca-cola, mas a mãe não deixou. Ficou-se e bem, por um sumo natural de laranja. Insisti com a mãe para escolher o pequeno almoço e ela acabou por pedir um folhado misto. Apenas.
Quer a criança, quer a mãe, antes, agradeceram muito.
Esta manhã, junto ao metro de Sete Rios, sabe-se lá porquê, estas duas pessoas fizeram sentir-me melhor pessoa. Não foi a acção. O que eu fiz. Isso foi o de somenos.
Foi o olhar da Tamiana. Doce e agradecido. Uma menina do leste em terras de Lisboa a expensas de estranhos...
E agora vocês dizem-me: As miúdas aprendem com as mães a serem manhosas, espertalhucas. As romenas são as piores. Só querem pedinchar aqui e ali.
E eu digo, o olhar duma menina, desta menina, não é um olhar mentiroso.
Tamiana, a menina romena, ainda tem o olhar dos inocentes.

sábado, 9 de outubro de 2010

mais do que porque sim

Porque tenho eu um blog?!

Se tivesse 20 anos, empinava o nariz, fazia um trejeito de superioridade e responderia malcriadamente, num tom petulante: sei lá! Porque sim!
Não tenho 20 anos, embora tenha pena, e já tenho idade para ter juízo. Ou seja, não ser malcriada, nem arrogante e embirrante e saber o porquê das coisas.
E sei. E são muitos os motivos e todos igualmente preponderantes na decisão de me meter neste enrascada. Porque é. Não tenho feitio para dar respostas a perguntas que não devem ser feitas. Nem para me justificar. Nem para ler nas entrelinhas comportamentos provocados por idas ao blog à socapa e sorrateiramente. O mundo é uma ervilha. Quem vive nela tem obrigações. E uma delas é respeitar o outro. E se não é para ajudar, então que não estorve, prejudique ou inveje.
Eu não sei escrever. Dou calinada que ferve. E baralho-me nas explanações. E cativo os meus sonhos. E assassino a poesia. E sou a minha principal crítica e não gosto muitas vezes do que escrevo. E envaideço-me com um elogio. E a minha alma cresce quando um filho me diz que : Fizeste um texto que merecia ser publicado em qualquer lado. Um texto, percebem? Unzinho. Mas isso é motivo de celebração. É o crédito. O apoio. Acreditar que de vez em quando Alguém me pôe as palavras nos dedos, as intenções na mente e o sentimento no coração e aproveito essa união de energias, sem saber ler nem escrever ...
O motivo porque tenho um blog é acreditar que um dia chego lá. Noutra reencarnação? Porque não?
Outro motivo é ter tempo, muito tempo, um dado e o outro que conquisto, sacrificando outros tempos, como por exemplo o de dormir, que acho uma canseira desnecessária.
Outro ainda é, amar. A vida. As palavras. A escrita. Os livros. A poesia. As pessoas. As personalidades. As terras. As viagens. O sol. O mar. O verão. A praia. Os sábados. A fotografia. A música. Tudo.
E poder dizer, eu sou, eu fiz, eu vi, eu senti, eu quero, eu não fui, eu chorei, eu gargalhei, eu caí, eu levantei-me, eu arrependo-me, eu aprendo ...Em suma, poder dar-me a mim, alguma importância. Viver.
Ainda outro, agradecer publicamente a todas as pessoas que me cruzam a vida e que me respeitam. A quem eu estimo.
Mais outro motivo. Vaidade. Saber-me alguém que alguém tem nos favoritos. Ahn?! Achavam que eu não assumia? Claro que sim.
Querer disciplinar-me.
Querer Mundo. E o mundo interior que tenho, saltar para fora, encontrar mundos.
Angola. O meu orgulho de ser angolana, falar da minha cidade, do meu mar, do meu sol, da minha gente, do meu povo, das suas crenças, da sua música. Espevitar quem não perdoou Angola. Dar a conhecê-la aos que não conhecem África. Dizer-lhes o que é a minha terra , a sua gente, a sua música, os seus costumes, a sua gastronomia.
Provocar. Espicaçar. Divertir. Comunicar. Dar recados. Aliviar o cansaço e as rotinas.
E finalmente, ter destruido dois diários. Um mais valioso que o outro. Destruído, na véspera de casamento, como se assim naquela destruição estivesse a construir mais verdade e transparência.
O outro, destruído muito tempo depois, assim, sem dó nem piedade. De importância, parte da minha vida, num período. E vou levar muito tempo para me perdoar de ter feito essas mutilações.
Os blogues estão na moda. Eu lia alguns. De gente chegada. E aos poucos comecei a perguntar-me : porque não?! Mais mutilações não.
Por fim e porque acho que me escaparam motivos, mas assim os que me ocorrem foram estes, por fim, uma necessidade gritante, desesperada de estar ocupada e exorcisar fantasmas. De afugentar a solidão de ser sozinha. Com o grande empurrão de dois seres que achavam que tinha de fazer algo por mim, que me desse prazer e fizesse crescer a auti-estima que andava muito rasteira.
Tukayana foi o nome. Em kimbundo, venceremos, e era o pseudónimo que tinha para os meus poemas desde 1975, quando pretenciosamente achei que tinha sensibilidade para escrevinhar as minhas emoções.
E pronto. Eis porque escrevo aqui.
Espero escrever muito tempo. Sempre que puder.
Para toda a gente que clicar em tukayana.blogspot. Para os que conheço e sei que vêm cá e para os que hei-de conhecer. Para os que não conheço e será improvável um dia conhecer.
Para quem quiser.
Acho que respondi à curiosidade de quem me questionou. Mas por favor. Não voltem a questionar-me porque eu não tenho de responder a perguntas que não se devem fazer.
O blog está cá. A escolha é vossa. Clicarem ou não.
Se vierem por bem, têm uma amiga. Se não, vou voltar a ter 20 anos e na petulância da idade, assim de voz pequena, sussurrando, com as mãos nos cantos da boca para que o som saia mais silibado, com convicção digo: eh pá, vai pentear macacos para a tua rua ok? Deixa-me da mão que eu já sou crescidinha táaaaaaaá?

eu tenho anjos da guarda


Um dia destes, para me livrar de uma investida que não apetecia, não estava nem estou para isso virada, e não sei se algum dia estarei, melhor, não queria mesmo, safei-me como pude e sem melindres, apelando a contos de fadas, princípes encantados e a certeza de que se não houver algures no reino encantado nada reservado, assim, desse jeito, não vale a pena. Porque não visto a pele de gata borralheira.
Bem, podemos não viver histórias de encantar. Podemos não encontrar a nossa alma gémea, ou as nossas almas gémeas...
Mas seguramente há pessoas de sorte. E eu sou uma delas. E agradeço ao meu bom deus por isso.
Talvez mereça, não sei. Talvez já mereça...
Não estou a falar de amores para sempre. De um grande e avassalador amor. De uma história única( as nossas histórias são sempre únicas e várias ). Não estou a falar de paixões. Não estou a falar de Love story. Não estou sequer a falar de um romance, uma conquista.
Estou a falar de Anjos da Guarda.
Sim. Não estou doida varrida. Nem tem a ver com a hora a que escrevo num dia sagrado como é o sábado, mas também.
Eu tenho Anjos da Guarda. E não sei se por despeito ou porque me contento assim, sei sim que sinto assim, arrisco dizer, que vale mais um Anjo da Guarda, que estórias da carochinha...

Love - John Lennon

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

inventar o sol

Hoje está um dia tão sombrio, tão cinzento, tão molhado...
Tão lixado.
Não quero estes dias assim.
Não quero calçar botas, nem usar chapéu de chuva e gabardine.
Não quero vestir de preto.
Não quero franzir a testa. Nem rugas de expressão, debaixo das minhas rugas.
Não quero comprar meias e mais meias. Nem camisola interior. Odeio camisolas interiores...
Não quero dores nas costas.
Não quero cheiro a terra e a bafio.
Não quero que mude a hora. Odeio que mude a hora.
Não quero dormir mais horas.
Não quero sentir o gelo do frio na minha pele.
Não quero parar os sonhos.
Não quero mais noite dentro de mim.
O que eu queria mesmo era agarrar o sol nas minhas mãos num aquecer de Outono.
O que eu queria mesmo era o sol da minha terra aquecendo a minha alma.
Eternamente...

à boleia

O Bruno, técnico da PT que instalou com sucesso, ufa, as minhas televisões, através de satélite, disse-me com ar trocista: a senhora já pode ver aquele concurso novo , tipo big brother, a toda a hora, no canal 10.
E desligou-me o ruter da net que ficou ligado à box antiga da Meo e agora é que não tenho hipótese de ter internet ( juro, tenho de ir à bruxa e acho até que só uma ida não chega, terá que ser uma peregrinação assim seguidinha como novena ).
E deixou-me quase com as lágrimas nos olhos de impotência, eu que já tenho esta idade...
E no fim, sabendo que tinha perdido o autocarro trouxe-me a Alcanena.
Ah pois é. Julgam que rejeitei a boleia? Claro que não. E eu que nunca tinha andado numa carrinha da PT, estreei-me hoje.
O Bruno foi um querido.

e o resto são cantigas

A minha santa casa tem sido uma movida. Não madrilena.. Antes fosse. Ribatejana. De uma pequenez que até dá raiva.
Estou eu aqui, a meio duma manhã de trabalho, a olhar para o nada, e esperando que o senhor técnico da PT se desembarace de um serviço para o qual não vinha devidamente preparado. Nem fisicamente ( sobe e desce um terceiro andar dezenas de vezes ) nem com material.
Faltaram-lhe os pregos do tipo braçadeiras. Por acaso a senhora não tem pregos, daqueles que são braçadeiras?
Sei lá o que é isso. Na despensa deve haver dessa gingajoga toda, mas eu não estou para aí virada. A minha despensa é um lugar assim como a casa do lobo mau. O quarto escuro. Completamente desconhecida para mim, nos materiais, tantos e objectos a mais que por lá existem e que não comprei, não quiz comprar e tenho raiva a quem comprou.
Sei lá eu o que é um prego do tipo braçadeira...
E isto tudo porque a saga Meo ainda não terminou.
Ontem só me apeteceu ir-me a eles à dentada.
Depois de me deixarem sem serviços, televisão, net e telefone desde 6ª feira, finalmente 4ª vieram instalar o telefone e a net. Hoje ainda só tenho telefone, net nem vê-la. Esta é a móvel. Hoje o outro técnico, o da televisão por satélite aqui anda devassando toda a minha privacidade. É da sala para o quarto e do quarto para a sala soprando de calor e impaciência e sou eu entre acalmar a Pitanga que levianamente se espojou no tapete, de barriga para o ar como se fosse uma cadelinha, assim que o senhor entrou, provocando-o num atitude que segundo ele nunca tinha visto nos dias da sua vida, a minha Pitanga é uma sedutora, e seguir o senhor técnico como se eu fosse também um destes animais submisso de quatro patas. Ele diz, minha senhora? e eu lá vou solícita. Dê-me isto, dê-me aquilo...e eu dou. O que posso e sei.
Que drama, que novela mexicana de quinta categoria...
Está enervado porque parece que há um problema com o satélite e eu estou enervada porque as horas passam e já devia estar a trabalhar.
Só me saem duques...
Ontem estive mais de uma hora com o funcionário de Coimbra, ao telefone, claro, e perante a ficha de cliente que eu apresento, disse-me que nunca vira tal coisa na vida dele de funcionário da PT. foi tão paciente, simpático e atencioso e ainda por cima não me tratou por d.maria costa, que acabei oferecendo os meus préstimos acaso venha cá abaixo e precise de alguma coisinha.
É que às vezes eu já não sei se é do cu ou das calças. Felismente que aparecem estas criaturas que me dizem que não tenho culpa nenhuma disto. O mano Zé tão paciente e calmo, ontem perdeu a paciência com uma senhora completamente destituída de inteligência que o reteve ao telefone mais de 10 minutos para lhe dizer depois, que ia passar à equipa técnica.
Mas porque é que eu não aceitei a ajuda do funcionário da PT que leu o meu post e me mandou um e-mail oferecendo os préstimos? Às vezes, esta coisa da honestidade chama-se burrice. A cunha ainda vale...
Enfim, aqui estou eu e o técnico, um puto com menos de 30 anos com idade para ser meu filho, com a impaciência própria das pessoas desta idade, deixando escapar um, porra para isto, de vez em quando, porque isto é mesmo uma porra, uma merda e sei lá mais o quê.
Não consigo ter o sinal do satélite. Isto significa que não tenho televisão.
Se tivesse agora 40 anos que fosse, acho que ficaria histérica e desataria a chorar impotente com esta situação. Assim só me apetece dizer que burriquei nisto. Há-de ser o que fôr. E daqui não saio enquanto o serviço não funcionar.
Hoje até é 6ª feira. Tenho um jantar que adivinho, muito agradável, na bonita cidade de Tomar, num restaurante que segundo informação, é muito agradável, com pessoas que estimo e que todas juntas já não se encontram há muito tempo, por isso Viva la Vida, que o resto...são cantigas.

vazios

Sem sonhos. Sem palavras. Apenas o lugar. Onde o sonho se espreguiça. Espera e cansa.
Amanhã é outro dia. Melhor.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

premiado

O escritor peruano Mario Vargas Llosa é prémio Nobel da Literatura.
" Arrepanhou " o prémio muito justamente.
Se acaso não conhecem o escritor, o que é um deslize quase imperdoável, penitenciem-se e tornem urgente uma ida às livrarias.
Para assim desatarem a ler as suas obras, que são muitas.
Vá lá, de que é que estão à espera?

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

anjos do meu caminho

Disseram-me assim:
- Vi a Ângela.
- Viste?
- Vi a tua família toda. Na Feira ( dos frutos secos ).
Percebi a confusão. Queria dizer Paula.
É habitual eu trocar-lhes o nome. Achei curioso, trocarem-lho.
E o que me disseram a seguir encheu-me dum sentimento doce e grande.
Orgulho. Admiração.
Perguntaram-me assim:
Como é que ela consegue?!
Eu não respondo. Quem pergunta não espera resposta.
Eu não sei responder. Ninguém sabe. Nem ela.
Todos sabemos que é, muita coragem, muita força, muito Amor.
-Andava como sempre. Bem disposta. Chamei-a...
-Está sempre bem disposta.
- Como é que ela consegue?!
Consegue. Só sei que consegue.
Uma lição de vida. Que a minha irmã, a minha caçula nos dá a todos.
Andava ela, o Paulo, o mano Zé e Lurdes.
Ele, o Paulo estava bem disposto, segundo o mano Zé. A cadeira de rodas já não é impedimento. Já não se fecha. Já percebeu que a sua vida é preciosa e deve vivê-la.
Que privilégio, fazer parte deste núcleo familiar...
Um dia, será normal, completamente normal a caçula e o meu herói, passearem pelas ruas da cidade, sem que me contem que os viram...

pelo passado

1975. Junho.
Que saudades deste tempo!

De armas, eu...

Às 6.56 horas ainda é noite. Aliás às 7.20 horas ainda não é dia.
- Bom dia. Um bilhete para Riachos, por favor.
-São 7.05€.
-É agora às 7.56 não é?
-Não. Às 6.56.
-Ah pois. É isso.
-Ai o sono, esse malandreco.
Sorri para a criatura bem disposta, ele sim, e não o meu sono, malandreco.
- Então uma boa viagem no comboio das 7.56.
-Muito obrigada, mas olhe que não. Não quero a sorte desse horário que às 9 tenho de estar a trabalhar.
- Chega antes das 9.
- Ainda vou ter de fazer cerca de 20 kms, depois de chegar.
- Ei minha senhora, você é uma mulher de armas.
Sorri de novo. Um engraçado acabadinho de me sair na rifa.
De armas são as mulheres que da margem sul têm de vir para Lisboa, levantarem-se diariamente de madrugada, prepararem tudo para que as rotinas familiares se cumpram, apanharem autocarro, barco, autocarro, metro, eu sei lá, até se sentarem num qualquer local de trabalho, que devia ser de descanso, tal a trabalheira. Enfrentarem umas quantas horas, vencendo o cansaço, o desânimo, o sono e a má disposição, delas e dos outros que as rodeiam.
Eu posso ser de armas, não sei, mas sei-me sobretudo de bagagens. Mala para cima, mala para baixo. Pitanga que vai, Pitanga que fica. Fim de semana curto, fim de semana comprido. E movendo-me, a vontade que o domingo à noite, sombrio e deprimente de vez em quando não exista, mas sim manhãs de segunda e neste caso de quarta-feira que começam em madrugadas apressadas, conversadoras, bem dispostas e com um nascer do sol deslumbrante, a fazer lembrar que vale a pena viver. Seja de costas ou de barriga.
De armas eu...

terça-feira, 5 de outubro de 2010

pássaro da amizade


Andava inquieta.
Preocupada.
Uma amizade que prezo deixara de dar notícias.
Quando isto acontece percebo quão frágil é a minha estabilidade emocional. E quanto preciso dela.E quanto preciso dos amigos.
Uns não fazem esquecer outros. E no meu coração não há aqueles mais, aqueles menos.
Há. Todos.
Os amigos fazem falta se não estão.
Tenho poucos amigos à mão de semear. De ao pé da porta. Tenho até uma amiga que quebrara este feitiço kármico, de viver longe de quem amo. E diariamente vivia uma amizade fisicamente habitual e constante. Depois, também ela, deixou de estar. Foi fazer faculdade. Foi perseguir sonhos. Para o lugar dos outros. O da ausência.
Diariamente falo com os meus amigos no facebook, no messenger, ao telefone, mandam e-mails. E de vez em quando encontramo-nos. Em Torres Novas, em Alcanena, em Lisboa ou no Olival Basto. Noutra terra qualquer porque para mim não há distâncias, há sentimentos, como que pássaros livres voando ao encontro da amizade.
Também em Luanda...
Quando se nasce noutro país e nunca se lhe volta as costas nem às pessoas que se deixa para trás, sem deixar para trás, a sina é esta. Está traçada e é cumprida.
Os amigos estão longe. E a vida é feita de encontros e de desencontros. Não conheço ninguém que se despeça tanto dos amigos. Não conheço ninguém que espere mais que eu, os amigos de volta e felismente tenha tantos reencontros. Há pessoas que não vejo há muitos anos, poucos anos, um ano, meses, semanas, dias. Há pessoas que não dão notícias apesar de saber que não me esquecem. E há pessoas que nos dão a alegria de lermos que estão aqui.
Fiquei feliz por saber notícias. Na verdade, eu fico feliz por ter amigos. Se dão notícias depois de alguma ausência, ainda mais.
Deixo um recado. Digam nem que seja... Alô. Só para que eu não fique preocupada. Como aquelas mensagens que recebemos após um encontro de afectos e que diz apenas : Já cheguei.
E o nosso coração parece que ganha asas e voa...feliz.

fim de semana prolongado





de mim, a sombra

Nua e crua. Crescendo e soltando-se do aprisionamento do corpo. Desmaterializando-se. Sem artefactos... A sombra. De mim.
Nem sempre sou a sombra. Nem sempre quero ser uma sombra, de mim.
Cativo-me na chuva e na noite escura e longa e escondo-me entre os sons da escuridão e as suas figuras desumanas e assimétricas. Confundo-me na ceguez que as trevas exaltam. Quase sempre. E de sombra nem vê-la!
Contudo gosto dela. O meu amigo sol, na luz que emana, escreve a sete palmos de mim que sou mortal. E ultrapassa-me e é disso que eu gosto. Sermos mortais na nossa eterna sonhadora imortalidade.
Gosto da imagem caminhando ora ao meu lado, ora à minha frente, ora correndo, comigo. Sentando-se sem atrapalhar. Escutando-me muda e queda. E apenas numa linguagem gestual se me afirmando presente.
Uma velha amiga. Leal. Companheira. Corajosa, ouvinte. Amiga de todas as horas, num raiozinho de luz. Par de mim.
Não sei a vez primeira da surpresa, num Oh! que eu sou mais. Outra. Mais que uma. Muitas. A mesma afinal...

Confusamente desde pequena oiço dizer que olho para a sombra. Será por me observarem os contornos incontroláveis ou incontornáveis? Ou será porque quero a minha sombra imortal como dias de sol?...
Só que a luz dos meus olhos se não apague num deixar de funcionar o interruptor que me liga à corrente mágica de uma outra que sou eu, porém intocável, contemplarei a sombra de mim, sempre com deleite. E busca. Procurando-me nos limites da minha condição de alma gémea de mim.
Eternidade

Lembrava-me do teu sorriso
Era o teu encanto
A tua vantagem
Ficou cativo no tempo
A preto e branco guardado...
Cuidei dele na memória...
Quando te vi
Reconheci-te o esgar
No gesto...na ruga
És igual a ontem
Percebem-se os caminhos
As encruzilhadas
As estradas que percorreste
Nos sinais da tua pele
Sulcos marcados pela vida
Umas vezes plena, outras vazia
És um passageiro do mundo
Em movimento constante
Não tens porto nem paragem
Andas sempre em viagem...
Viajamos juntos no coração
E são eternos os nossos momentos
Fugazes os nossos lugares
Há uma eternidade que nos une e separa
E sempre voltamos ao gesto antigo
Vejo-te sorrindo
Olhando para nós
Olho-te e estamos juntos
Sorrimos e não estamos sós...

( por m.c.s. )

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Me Leve - (Fagner/Ferreira Gullar) - Cantiga Para Não Morrer -

Má nada!

Eu nunca, mas nunca vou mudar de religião, ups, de clube.
Jesus é um querido. Do além. Do mais puro que por cá anda.
" Porquê? Em segundo. Não estou a perceber a pergunta. Por causa do Guimarães.
Eh pá, essa é uma pergunta inteligente. Não tinha dado por isso.
Nao olho para o Porto, olho para o Benfica. Então se puder ficar em terceiro, quero ficar em terceiro, agora "
Má nada!
A senhora jornalista esteve bem. Muito bem. Inteligente. E baralhou Jesus. Conseguiu que dissesse que nesta jornada quer ficar em terceiro, para assim ficar mais próximo do Porto.
Este joga hoje. Vai a Guimarães.

domingo, 3 de outubro de 2010

exposição

Mude é o Museu do Design e da Moda. E fica na Rua Augusta, em Lisboa.


O interior do Museu

Decorre neste momento para além da exposição permanente sobre design mobliliário, uma exposição interessantíssima sobre um transporte simpático e que apaixonou e apaixona quase todos os adolescentes, paixão essa que se alimenta pela vida fora.
Trata-se de uma exposição de scotters de várias épocas e fabrico de várias nacionalidades, sobretudo alemã, francesa e italiana.
Vá até lá e terá oportunidade de ver scotters, sidecars, lambrettas, vespas. Lindíssimas. Que nos transportam no tempo e nos fazem viajar para os anos ( a mim ) 60, 70, quando as pessoas se locomoviam neste despretencioso meio de transporte. Fiquei apaixonada por uma Bernardet de 1954. Giríssima.
Também poderá ver uma exposição de vestidos antigos, dos variados estilistas mais conhecidos como Givenchi Hermès, Ives Saint Laurent, Pierre Cardin, Paco Rabanne, Cristian Dior, Ana Salazar, Mary Quant, a inventora da mini-saia.
É uma exposição a não perder. Vão adorar. E tem um pormenorzito bem interessante e que é muito mas muito agradável, nos dias que correm. É grátis. Ora bem!...

a calçada que me descalça

A calçada portuguesa...bonitinha. Uma obra de arte. Que só existe nos nossos passeios, estradas cortadas ao trânsito, quintais de vivendas. Em Portugal. E nas ex-colónias. Esta é em Luanda. Está lá linda e parecendo novíssima, acabada de colocar por um qualquer calceteiro, talvez chinês, no átrio da minha igreja. De S.Paulo. Do Sambizanga...
E esta e todas as calçadas portuguesas são lindíssimas. E têm tanto de obra de arte como de traiçoeiro. Numa perseguição feroz às mulheres. De saltos. Já tinham advinhado não é?
À minha conta, já somou várias quedas e muitas capas, cuja ida ao sapateiro, significativa, em termos de euros e pela parte que me toca, ainda ouvindo ralhetes do sapateiro que me pergunta: Mas por onde é que a senhora anda, que esfola os saltos todos? E isto e aquilo. Como preciso dos seus préstimos porque sapateiros que se prezem como o " meu " já vão escasseando, mastigo a vontade de lhe responder ao meu jeito, e a somar a traição da calçada, ainda a humilhação perante o senhor sapateiro.
Ontem foram mais umas capas para não dizer que parecia uma aleijadinha cheia de calos por esse Rossio fora e rua Augusta. Livrei-me do Chiado, mas juro-vos que foi só por acaso. Isto tudo porque me ofereceram uns sapatos e eu quis usá-los, lindos, belos. Agora, aonde? Na calçada portuguesa da baixa de Lisboa.

Muito má volta...

encontro com a chuva

Chove. Acinzenta-se a cidade num vento frio e inconveniente. Na terra bassa de alegria.
As árvores nervosas oscilam de norte para sul. E as nuvens velozes iniciam a viagem. Sempre o sul no caminho. A rota do viajante.
Onde o termómetro marca uma febre de sol praia e mar. De descanso e de prazer.
Não há volta a dar. Chove hoje e aqui. Numa promessa sádica dos jornais, das televisões, num passar de boca em boca, " que não hás-de ter um bom domingo." Nem um fim de semana prolongado. Laureado. Bem aproveitado. " Para não contares como foi. Ah e nem vais precisar de fazeres figas, não vá o diabo tecê-las..."
Chove e o que te resta é esta verdade. E isso é muito. " Muito pouco poderás dizer. Pensa bem. "
Posso ser o livro por abrir. Do teu escritor preferido. Posso ser aquela série sobre batas brancas ou verdes, ou doutra cor qualquer, hospitais, amores e desamores. Estão lá actores que tu gostas e histórias e profissões que sonhaste. Posso ser o travesseiro onde encostas a canseira de dias desocupados, ocupados, chorados e perdidos, passados.
Posso ser aquele prato que há muito queres saborear e nem dá trabalho fazer. Posso ser o teu sofá, descansa pés, banho de imersão, sais e água perfumada. Posso ser janela aberta para a rua, o monte e o movimento da erva crescida e seca. Posso ser a descoberta neste aparelho pequenino. A informação. A comunicação. Posso ser música de angola, cantada e dançada sob o tapete vermelho da sala. Posso ser gaveta para organizar. Fotografias. Posso ser texto. Palavras.
Rimadas. Ou não. Ao acaso. Confissão...
E telefone. Um alô amigo, sentido, apetecido. Também posso ser sobremesa. Posso ser chá de gengibre e mel. Verniz para as unhas, creme hidratante, máscara para o rosto. Quimono vermelho de motivos africanos, rabo de cavalo, cara lavada, água de colónia e chinela no pé, que ninguém vê. Posso ser criança brincando, correndo na casa, jogando às escondidas com animal que parece gente e se porta melhor que muita gente. Posso ser máquina fotográfica, eternizando momentos fugazes. Posso ser preguiça.
Posso ser manhã desocupada, tarde repousada e noite sem viagem. Posso ser domingo que parece sexta-feira. Posso ser silêncio. Pensamento com o coração. Encontro com Deus. Posso ser apenas reflexão. Respiração...
Chove e o dia promete. Escolhe. Recebe. Depende de ti e de mim.
Por mim, está ganho!

Comer Orar Amar |

Comer Orar Amar, é um filme que está aí nas salas de cinema. Uma história verídica. Julia Roberts é a protagonista. Protagoniza uma mulher brutalmente honesta. Que precisa reencontrar-se. Mudar...Um bom filme. Vão ver que vão gostar. Eu que não comi pipocas, nem bebi coca-cola,tão pouco comprei gomas para devorar como se não houvesse amanhã, o que é que fiz? Chorar, evidentemente. Mas porque sou tola e estou mais sensível. É só por isso.

Joan Baez - Diamonds And Rust

V almoço

O 5º almoço de encontro das alunas e professoras do Liceu D.Guiomar de Lencastre, realiza-se em Lisboa, no Hotel Tivoli ( junto à Expo ) no próximo dia 16 de Outubro-
As inscrições são até 6 de Outubro.

sábado, 2 de outubro de 2010

outubro


VOLTAR by Rodrigo Leao

morada

Quero morar no teu olhar

Ser sol e mar
Farol, estrela
Ser côr da terra
Luar...
Luz p'ra te guiar

Quero morar na tua boca

Ser beijo sabor a pitanga,
Carambola, manga...
Sorriso acácia e jasmim
Palavra, poema em mim

Quero morar na tua mão

Ser arte e prazer,
Maciez, calor
Nota musical
Numa canção d' amor

Quero morar no teu coração

Ah como quero sentir-me aí,
Parte de mim
Sentindo-te
Respirando-te
Numa toada batida
Teu, meu alento
Lar do meu sentimento
Enfim...

O que eu queria mesmo
Era morar em ti...

( por m.c.s. )

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Frutos secos e passados

25ª Feira Nacional dos Frutos Secos em Torres Novas de 1 a 10 de Outubro.

Hasta siempre, Comandante! - Per sempre, Comandante!

Palavras para quê? E eu que só queria ter um pretexto para colocar aqui esta belíssima e carismática música...

ando mesmo quilhada com isto

A notícia duma greve geral chegou. Para 24 de Novembro.
E eu, palavra, palavrinha que pensei que a haver uma manifestação, pela primeira vez na minha vida, vou. De punho fechado, erguendo-o, reclamar.
Mostrar o meu desagrado. A minha ira.
Mas pensei na última manifestação que por acaso, aconteceu quando eu estava em Lisboa. E também por um acaso, alguém com quem me ia encontrar, iria fazer reportagem. E eu acompanhei a manifestação uns metros bons.
E o que vi não gostei.
Já não se fazem Manifestações como antigamente. Já não há grevistas como antigamente.
Lutando por ideais. Por uma vida melhor e mais justa para todos.
Hoje, e peço desculpa se houver quem é do antigamente e se move por intenções nobres, hoje faz-se greve para se ficar em casa. Faz-se greve e vai-se às manifestações para cumprir calendário e ser-se fiel ao partido.
Provavelmente, merecemos estar como estamos. Por mim falo. Nunca ergui o meu punho nem dei voz à minha indignação. E será que vale a pena? Perguntaram-me à pouco. Será?
Eu tenho o péssimo defeito de acreditar. Acho que ainda vale a pena mostrarmos que não somos invertebrados.
Não que não ache que tem que haver medidas rígidas de austeridade.
Mas, pelo amor da santa, que não sejam só e sempre os mesmos a serem chamados ao castigo.