sexta-feira, 11 de junho de 2010

Ilha III


Ilha II


Ilha I

Entrada para a Ilha do Cabo. Ainda na Marginal. Em frente à fortaleza.

Carlos Burity - Ilha de Luanda

Votos

Bom desempenho Selecção! E boa sorte...

Saudades

Esta foto foi tirada na barragem das Mabubas, em 1954.
Um ano depois, a 11 de Junho, faz hoje 55 anos, ficaram unidos pelo matrimónio, na Missão de S. Paulo, em Luanda.
Nasci do amor que sentiram sempre um pelo outro.
Tenho tantas saudades deles...

tartarugas

Este lago, ou tanque, não é o meu. Aquele dos peixinhos vermelhos...feita a troca das tartarugas por peixinhos, não é, mas podia ser!

U2 - Magnificent

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Marchando...

Hei-de ver a minha terra, o meu país numa marcha organizada, festejando o seu destino. Nesse dia comemorarei com a alegria das crianças e serei uma angolana feliz.

Antes/Depois


Dia de Portugal. Outrora, da Raça...
Não é possível esquecer esse dia, antes da nova Senhora, a Democracia.
Talvez porque lá onde o sol castiga mais, este dia 10 de Junho transformado numa festa militar de exibição e afirmação, era dia grande em Luanda.
Uma manhã inteirinha assistindo à parada militar na avenida Paulo Dias de Novais, que não é senão a Marginal. Tendo a baía como margem e nós, os que assistiamos, obrigados ou não, que as crianças não tinham voto, na matéria.
Nas minhas memórias não estão desprazeres e obrigações de ser nacionalista, porque para além de tudo, era uma criança, que ia ali pela mão dos pais.
Eu, branca de segunda, como me chamavam os que não sabiam contar até três, curtia bués essa parada. Gostava de ver marchar com elegância e alinhadamente. Gostava de ver os carros de combate; tive um primo capitão dos dragões que falava dos carros de combate com um entusiasmo que me fascinava. Gostava de ver os helicópeteros. E os aviões a jato por cima das nossas cabeças, desenhando figuras no céu, ali em cima do mar da baía.
Ainda gosto de ouvir bandas, tocando cornetas e trompetes, e outros instrumentos.
Gosto de bandeiras. Nesse tempo antes da descolonização, neste dia, passava uma manhã, sem esmorecer, empunhando a bandeira de Portugal, que nos era oferecida para que a empunhássemos.
Hoje, em Luanda não há paradas militares. Nem é um dia grande. Portugal comemora lá, também. E com dignidade. O dia das Comunidades. Q.B.
Hoje, eu não comemoro nada. Cresci e se comemorasse todos os dias, estes, não me chegavam para tanta festa. Fico-me por gozar um feriado tão importante como ser o dia que julgo mais poderoso para o país. Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas. E fico-me bem.

Uma vez sem exemplo


Disseram-me que havia um espaço de restauração, novo. Onde podiamos jantar. Nos jantares de quarta-feira. "Parece que só fazem bifes. E entradas muito boas. " " Tá bem, vamos lá então ".
O espaço é por demais conhecido. Noutros tempos, foi um bar, pub ou seja lá o que foi, que nunca percebi muito bem. Sei sim que era frequentado maioritariamente por jovens, filhos dos chamados " queques " da cidade do Almonda. Também os havia. Os filhos eram os ditos " betinhos ". Mas estes levavam amigos que não o eram e ficava um ambiente misturado que agradava a uns e outros. A tal mestiçagem que é necessária. Diria mais, imprescindível.
Chegadas ao local, percebi a dinâmica do espaço rapidamente. E gostei. Com duas salas, a das refeições e a do bar onde se bebem uns copos, se ouve música e se faz o que se faz em locais assim como estes. O que nos dá na real gana dentro das regras impostas e que nos impomos.
Um ambiente agradável a fazer lembrar os restaurantes do Bairro Alto, exceptuando as quintas-feiras. Um espaço velho mas com mesas redondas, outras quadradas, poucas, e cadeiras de realizador. As toalhas brancas. A televisão num canal que passava tourada. Estamos no Ribatejo. A poucos quilómetros da Golegã. Golegã, cavalos, cavalos, cavaleiros, cavaleiros, agro-betos.
Esta a designação para as pessoas que se demarcam do povo rural, sem deixarem de ser agricultores. Proprietários de quintas ou ex-quintas. Ou ex-proprietários. Ou ex-bem. Mas com a pose disto tudo. Cheiram a queques, betos, agro-betos à distância. Conhecem-se. Não há como não os conhecermos. Antigamente era a samarra e a botinha de tacão de prateleira. Hoje já não. Têm outras características, comuns à comunidade queque e beta. Eu bato com o meu olhar num qualquer e sei de imediato que pertence a esta espécie.
Mas não é um olhar crítico. Acostumei-me à diferença entre pessoas. Quando cheguei de Angola, não. Foi um choque, hoje estou vacinada. A hipocrisia quer queiramos ou não instala-se pelo desejo de sobrevivência num espaço que não nos é favorável et voilá, quando nos damos conta já adquirimos alguns tiques que vistos de fora, nos confundem, pela semelhança.
Bem, o restaurante novo estava à pinha. De queques. Só. Conheço-os a todos. Há muito não os via. Falo com alguns. O Amora, ex-perito médico do tribunal da comarca, filho do Dr. Amora, homem muito estimado que foi na cidade e arredores, a irmã, as amigas da irmã, o Sottomayor, uma joía de rapaz, advogado, com quem privo por força da profissão, os sócios do escritório, gente da Golegã e muitos mais.
Foi-me perguntado: Porque é que são todos assim?
Parecidos...do mesmo jeito. Os mesmos cabelos e penteados. As mesmas roupas. A mesma pronúnica. O mesmo tom de voz. O tratamento por você...até com os filhos. Os mesmos olhares...
Ora aí é que a porca torce o rabo.
É que eles, nesta terra estão em extinção, porque os comuns mortais deram filhos que são como os seus filhos e a mestiçagem passou a existir. Já não têm muita razão de persistir e então assiste-se ao declínio e agonia de uma espécie que desesperadamente ainda tenta cunhar a sua passagem. E ainda olham altivamente. Não para mim que me conhecem bem.
Detenho-me a falar neles pelo fenómeno, claro, apenas por estudo sociológico, eu que nem sou formada em sociologia, mas pronto...sei que já ocupam pouco terreno.
Fiquei com a idéia que o restaurante onde jantei pretende ser uma extensão do Clube da cidade, instalado há mais de 600 anos na Praça 5 de Outubro e com a frequência exclusiva dos dinossauros...queques, e dos rebentos betinhos, com entrada muito condicionada. Conheço o Clube mas é um espaço que nunca me interessou como não me interessa a betice que por lá tristemente se pavoneia.
Mas vamos ao que interessa que eu fui ali para jantar e conversar com a minha caçula.
Descobri que para além do bife da vazia com batatas fritas e só, também faziam francesinhas. Ora bem. Eu, que sou da plebe, adoro uma francesinha e na falta de estar num qualquer boteco do Porto comendo a melhor francesinha do mundo e arredores, arrisco. Na mesa do Amora comiam-se as ditas. Tinham bom aspecto e os olhos também comem. Oh se comem!
Mas foram só os olhos. O bife da minha acompanhante era mínimo e as batatas uma vergonha. Sobretudo porque eu sei que ela tem dentes até às orelhas e gosta de comer.
A minha francesinha sabia demasiada a cerveja. Foi a pior francesinha que comi na vida.
De sobremesa só tinham sorvetes. Não quis. Ela pediu. Eu desconfiei. Quando chegou olhei-a e só não dei uma gargalhada de imediato porque não fui ali para gargalhar para um sorvete anão e que não era meu. Mas ela, ela riu a bom rir com o meu olhar e com o meu " nossa senhora! ".
Estivemos a rir um bom bocado. O que valeu é que este povo refinado tem o umbigo tão grande que nem dá por nós, o que se torna vantajoso.
Para pagar, tive que ir ao multibanco mais perto, que fica a cerca de 200 metros, vá lá, mas estava a chover e não tinha chapéu. Já perceberam que ali se paga com dinheiro vivo. Espertos.
O el cantante na horinha, não vá o mundo acabar de repente...
Como já perceberam, não gostei especialmente do restaurante novo. Não por causa de quem o frequenta mas porque apesar do espaço mais ou menos agradável, a comida deixou muito a desejar e depois...o Sr. Vítor e o Alfredo são gente como eu gosto. Não, não serei cliente.
Vou voltar à " Tasca " porque ali sinto-me em casa de amigos com o paladar duma cozinha que sem ser pretenciosa é requintada e saborosa.
Esta saída não chegou a ser uma alternativa. Foi um devaneio gastronómico que não valeu.
E eu sou fiel a quem merece e me merece.

episódio


" Não. Agora não vens para aqui que eu quero escrever."
Teimosa, tenta arranjar posição. Estou sentada na cama, com o computador nas pernas fletidas. O espaço entre o meu tronco e o computador é o da Pitanga. Encaixa-se nesse espaço como se fosse uma rainha no seu reino. E não " admite " que eu me pronuncie. Ou melhor, ignora. Ajeita-se sobre o meu braço esquerdo. Atira com a cabeça para trás, num abandono de bebé, ao ouvir o meu lamento sempre igual " Ai meu Deus, Pitanga, não... "
Olha para mim, pergunto-lhe conformada: Então bebé? Tás bem não é?
Deita a cabeça no meu peito num abandono que me comove e desmancha a minha pose.É assim que ela me conquista diariamente.
A janela entreaberta abre-se. Parece um tiro direito a ela. Grito-lhe: Não Pitanga, não.
Tenta a liberdade da rua e do desconhecido. Apanho-a antes do salto para o parapeito. Decido mostrar-lhe a rua à distância do 3º andar.
Está fresco e o vento chega a nós. A manhã parece Outono. Fresca e chuvosa. No conforto que o feriado me dá num nada fazer sem relógio nem obrigações, saboreio o ar da rua. A Pitanga afinal, tão alvoraçada com o desconhecido para além da minha janela, debate-se no meu colo assustada. Tenta recuar para dentro de casa. Sorrio sem ressentimento. Afinal, uma gata não é muito diferente duma pessoa. Nesta necessidade de afecto e também de desbravar mundos. Perante eles, Medo!
A Pitanga ainda não cresceu de forma a poder estar ao parapeito de uma janela do 3º andar segura e tranquila sem correr riscos de uma queda irremediável.
Os gatos dizem, têm sete vidas, mas eu não confio. Portanto, prefiro-a no meu colo, atrapalhando a minha escrita.
Ela escolheu rapar com a patinha, o lençol. Sei que quando o faz quer ir para baixo da roupa. E fica aos meus pés, muito sossegadita. Faz tempo que não pedia que eu levantasse a roupa. O susto deve ter sido grande...
Esta está a ser a minha manhã de feriado, no seu início.

Nneka - Viva Africa

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Beijo de rosas

Este sol que eu chamo tanto, veio envergonhado dar-me o presente de chegar no fim da tarde, para me beijar os olhos, o cabelo, o nariz e a bochecha...não sei se chegou à boca. Esqueci. Não tive culpa. Chegou tão de surpresa que eu me esqueci... Não. Se calhar o sol se esqueceu de beijar-me a boca.
Não vou derreter nesse fogo que não teve sequer tempo para incendiar. Vou antes soltar a alma neste fim de tarde e de gratidão vou retribuir e afirmar que o beijo, Sol, me soube a rosas.

Mote para sonhar

Acordei querendo sonhar. Faltou-me tempo. As minhas noites ficaram pequenas para os sonhos que ando a querer sonhar. Não sofro de insónia, nem rebolo na cama para dormir. Não tomo comprimidos milagreiros. Não preciso de fantasias. Deixei de ser sonâmbula faz tempo. De vez em quando tenho uma recaída. Pequena. Nada de preocupante.
Hoje eu queria silenciar o som musical e ensurdecedor da madrugada já sol alto e ficar-me enrolada no meu sonho para sonhar o que me falta. Na sombra das janelas que já não estão fechadas e da porta aberta. E ouvir as salvas de palmas que não dei nem pedi. Sem vénias nem obrigações. Sem etiqueta.
Hoje precisava sonhar nas asas do vôo do pássaro branco. Podia ser até a velha cegonha que dá luz a mais sonhos. Livre de mácula. Atravessar o tempo devagar e poisar na tua janela por abrir, só para acreditar-te no meu sonho que ainda não tive tempo para sonhar e te dizer que gosto de ti.

Mais velha

Como é kota? Me passaste...ficaste mais velha! Um mês mais nova que tu, eu aqui maria clara, mais kanuca...ainda bem que não estás na tuga nem eu na banda, senão estavas a querer mandar em mim por seres mais velha e eu tinha que te obedecer. Yá, casa lá os anos então. Bolo já tens. Apaga a vela e pede um desejo por ti e pede então um por mim. Aquele que tu sabes. Não, estás a ficar senil. Não é a alma gémea. É mesmo o euromilhões. Se esse desejo se cumprir, minha kamba, os outros ...vão aparecer, porque sorte puxa sorte.
Muita sorte para ti amiga e bom aniversário.

Recordando

Foi no tempo das maçãs da índia. Dos maboques e dos tambarinos.
Foi no tempo do Sr. Torrão. Da D.Filipa e do Liceu.
Das aulas de Lavores.
Éramos unha com carne. Mas não sabiamos. Iamos estando juntas nas conversas e nas confidências. Nas matérias dos livros e nos intervalos, na fila dos bolos. Na ginástica e nos jogos de ringue, na cerca. Nas idas para casa. Nas gargalhadas. Também nas tristezas, que já aconteciam.
Na aula de Lavores, cada uma exibia os seus trabalhos por acabar. Eu...bem, eu não queria saber de costurar ou bordar, ou as duas coisas, para nada. Como boa canhota, desafinava nas linhas e a habilidade fugira para a vizinha do lado. da frente, de trás. E o pior, é que eu não me importava.
Mas me importava com a tua crítica, sobretudo quando feita na frente das outras. De me dar vergonha e ficar com ganas de ti. E foi o que aconteceu. Ainda te vejo, nos vejo, na salinha pequenina de cadeiras que pareciam feitas para bonecas, a caminho do balneário. parece que foi ontem. Mas passaram tantos anos. Talvez 43 anos. Tinhamos 12, 13 anos talvez.
A infeliz Carolina, a xará, que partiu tão cedo que nos chocou a todas porque éramos umas meninas, riu também, até a Yuri que tinha o mesmo jeito que eu de desajeitada. E tu deste o mote para que elas me " humilhassem " nas suas gargalhadas. O meu mau feitio já vem desse tempo e te respondi mal. Tu devolveste. E as meninas adorando. Prato cheio para elas que sentiam raiva da nossa cumplicidade.
Ficámos zangadas nesse dia e no outro e no outro...não voltamos a falar de olhos nos olhos, até ao fim do ano.
Que resto de ano maldito esse...
O regime do liceu era tão severo, mas no último dia de aulas permitia que nos divertíssemos. E uma das diversões era escrevermos e desenharmos nas batas umas das outras.
Ainda estou para saber onde fui aprender a fazer caveiras. Com ossinhos e tudo, em cima, da cabeça. E nesse ano, nesse último dia, recebera pedidos e mais pedidos para desenhá-las a caneta preta, de ponta de feltro ( marcadores ). Estava eu no meu desempenho, quando te vi aproximar de mim. Juro, nem queria acreditar. Tu? Carolina de Lurdes? A própria? Direita a mim? Assim, de frente, olho no olho? Engolindo o orgulho? Não!... Sim!
E pediste-me que te fizesse uma caveira. E eu larguei tudo e desenhei-te uma bela e viva caveira na tua bata branca de aluna do liceu e minha colega e amiga desde os nove anos.
Serviu-nos de lição. Ainda fomos colegas vários anos. Amigas até hoje. Nunca mais nos zangámos. Podemos não estar de acordo por vezes, mas respeitamo-nos sempre.
Temos mais a unir-nos que a separar-nos. Cada vez temos mais.
Hoje estou feliz porque fazes anos e comemoras a Vida. Casas os anos. 1955/55 anos.
Já te dei os parabéns aqui. Já ouvi a tua voz ao telefone. Já trocámos mensagens.
Já falamos da mulher que te deu à Luz há 55 anos.
Escolhi a música das Gingas, sem saber que era a música preferida dela.
Acredito, porque sabes que acredito, que ela te veio dar os parabéns.
Minha querida, adoro-te porque és um ser humano especial: sensível, inteligente, generoso, feliz, optimista e bem humorado. A minha kamba de sempre, desde menina.
Adoro-te porque sim.
Obrigada por seres minha avila.
Sorri sempre e continua a oferecer as tuas gargalhadas quando houver tristeza à tua volta.
Sê feliz num tamanho igual ao que fazes felizes os outros.
Um abraço do tamanho do olhar de Deus, amiga! E um bom dia de aniversário.

Happy Birthday to you

Parabéns a você nesta data querida, muitas felicidades, muitos anos de vida. Tenha tudo de bom, do que a vida contém, tenha muita saúde e amigos também. Vivaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa! Tem um dia cheio de coisas boas. Felicidades, minha querida amiga. Beijocas minhas e muitos muitos miaus da Pitanguinha, yá?

terça-feira, 8 de junho de 2010

Dois em um

Não sei se são almas gémeas. Mas pombinhos, eles são. Dois em um.

O Baba


Embora em Setembro de 2008, continuo a ser eu. E o BABA!
Em frente às instalações da TAAG, onde trabalha, como paquete.
O Baba, é uma figura! Não pude deixar de o cumprimentar, de lhe prespegar dois beijos e de tirar uma foto com ele. À pergunta:Baba, sabes quem é ela? Respondeu com um sorriso de orelha a orelha: Sei, pois. Lá da Vila Alice!
Ao longo de 33 anos ouvira estórias sobre o Baba de chorar a rir, horas a fio. Ainda a semana que passou, na nossa farra angolana o Baba foi protagonista de muitas estórias.
O Baba é uma figura! Mas que rica figura...comovente, hilariante, interessante para uma tese de um qualquer estudante de psicologia ou sociologia.
Conheci-o menino. Hoje é este homem que aqui está.
Sobreviveu a todas as vississitudes, e ainda arranjou um emprego e construiu uma vida feliz. Neste momento " inxige " um fato às riscas, porque tem um casamento um dia destes. Não tenho dúvidas de que irá a esse casamento dentro de um fato às riscas. O Baba já veio a Portugal. E já viajou para o Brasil.
No dia seguinte a este da fotografia, tive que ir à TAAG confirmar a viagem de regresso a Lisboa. Aproximou-se e perguntou-me se tinha alguma coisita para ele.
Disse-lhe que ele não precisava, porque tinha ordenado. Ao jeito de sempre, puxou o forro dos bolsos para fora, dizendo: Está fraco! Está fraco!
O Baba é um filho da Vila Alice. Uma figura de Luanda. Um angolano. Como eu, como qualquer um que nasceu ali e se sente africano.

( Zezé, porque esta figura nos é muita chegada, porque me intrigou toda a vida a história dele ficar histérico com " o presunto da metrópole " uma singela homenagem à pessoa que nos tem preenchido muitos encontros divertidos e fraternais, com as suas estórias. Sei que vais adorar ver o nosso Baba, cheio de estilo, porque tu foste e és muito importante para ele, bem como a Mimi, Fernanda para sempre )

As Gingas

Kamba de volta

Comentário de Kamba, ao post " Tenham Maneiras ".
E mais não digo, ele disse tudo...e como sempre, acho-o perfeito, soberbo, cheio de arte e de humor, para dizer palavras escritas num português africanizado de braço dado com um kimbundo que todos os angolanos e portugueses que amavam e amam Angola, conhecem.

KAMBA disse...
XÉEEEEE
tao a ver, num falei ki tenho ki ti cuidar???? más então aki num é tó kubico menina clarinha???? si o kubico é teu voce permites ki uma palhaça vem aki pra ti insurtar?????
esse ki falaram ki canta muinto bem nome dele é kié???? carrera??? qual carrera?? di tiro???? akele bairro ki inxiste lá em malange???? vou inda escutar as canções mas parece lhe chamam «pimba» num é????
tão te xotar na tua terra sabes pruké?????
É RAIVAAAAAAAAAAAAAAAAA
uauéeeeeeeeeee sabes akela cuesa ki dói aki no joelho do braço quando você tax com inveja dum mambo ki arguém tem e você num podes ter???? você és sortuda pruki tens nacionalidade da n'guimbi e também do puto, então akelas pessoa feia ki também kiriam mas desconseguem de ter ficam anssim azedas (parece quando comemo tambarino ou cajú ki num tá be maduro) e com toda malcriação vêem ti insurtar no tó kubico.....más então pruki ela tá vir aki pra ti espreitar???? pruké num arranja também kubico dela pra se enfeitar com as kamba dela????? ou num tem?????? se fosse aki na n'guimbi lhe agiamos.............
LHE IGNORA NUM LHE LIGA SÓ YÁ?????? PRA LHE DAR MÁS RAIVA DA FEICE NUM LHE RESPONDE LHE DEIXA MEMO SÓZINHA DEITAR OS FÍGADO CÁ FORA, SE ESPERNEAR......A RAIVA MATA.....VOCÊ ARGUMA VEZ VISTE PALANCA NEGRA GIGANTE KI SÓ INZISTE AKI NA «TUA» NGUIMBI OLHAR NUMA FORMIGA????????MAKUTO!!!!!!LHE PISA.....LHE COSPE, LHE FAZ NECESIDADE MAIOR MEMO EM CIMA DA CABEÇA.....
PREPARA MBORA TUAS FÉRIAS AKI NA BANDA QUANDO VORTARES COLOCA BUÉEEEEE DE FOTOS DA NGUIMBI PRA MOSTRAR NOS KI GOSTAM OS KI NUM GOSTAM DAKILO KI VOCÊ FALA LHES RESPONDE SÓ AI AI TUNDA MUGILA, TUNDAKOOOOO continua tuas escritura, se ri, te dá encontro nos tós avilo (esses encontro ki falaste lá atrás ki foste comer funge e escutar canções antigo, te deram até CDs gravado com as música ki escutaram), fala inda axas memo ki essa invejosa pode? mentiúrraaaaa prumero num pode ir anssim na casa dos otro pra pitar sem lhi convidarem, segundos si vai no restorante tem ki dividir metade do ki comeu e bebeu, tercero kem ia lhe ofertar CD toalmente sem pagar a luz??????
AXO TOU PRECISAR DI TI MANDAR MABOQUES PRA OFERTAR NAS INVEJOSA
sabes cumé ki vás dar más raiva????? bota só buéeee di música da «TUA» nguimbi de preferencia em kimbundu , vou ti mandar umas boa, anssim ela num vai entender nada e fica BEM BOELAAA.......o prubulema ki tamo com ele sabes qual é?????? vou ti explicar
A MAKA É A TUA CAPACIDADE DE GOSTAR BUÉ E COMER PASTEL DE NATA E MIKONDE, ENTENDESTE????????
O KIMBO CÚIAAAAA

Hoje me disseram...

Não sei porquê, mas quase que acredito em almas gémeas. Talvez porque me dá jeito acreditar. Sei lá!
Um dia distante, julguei ter encontrado essa alma que me ia fazer feliz para todo o sempre. Gémea que nem eu, no amor. O registo certo. Aquele que é o eco do outro.
O tempo e a falsa alma, desmistificaram a minha crença.
Vivi a minha vida, com alegria e algumas vezes num dó de alma e nunca mais pensei nisso.
Não faz muito tempo me falaram de novo em almas gémeas. A minha, que andou presa num imbondeiro estes anos todos, foi-se soltar numa África amada com toda a minha alma e se soltou mesmo alegremente, que em África, as almas não são penadas, são espíritos livres e maiores, mais perto de Deus. Se sentam com Ele na sombra das múcuas, tecendo nas linhas da vida, afagos, pontes e caminhos que se cruzam para se encontrarem e se agasalham num para sempre de muito querer parar a estação das chuvas e do calor. Assim como no paraíso...
De novo desacreditei de almas gémeas, porque careci de ficar lá onde o sol brilha numa áurea que nos envolve como anjos e porque em terras de D. Afonso Henriques o imbondeiro dá lugar à oliveira e a azeitona dá azeite e o seu óleo faz escorregar as almas que se penduram na esperança de ver passar a tal alma que é a sombra da outra, porque a azeitona não é que nem múcua. Não dá sombra quanto mais a gémea da outra.
Hoje me mandaram o horóscopo. É diário. Eu leio divertidamente. No fundo, no fundo às vezes dá-me jeito acreditar.
Hoje deu jeito. Não é que diz, sim, porque não eliminei o mail, como que para dar sorte, que estou em maré dessa tal sorte e a alma gémea anda aí? Maré, lembra mar, mar marinheiro, pescador, aventureiro, ou naúfrago... Não sei aonde nem quem, ou se quem, senão ia pendurar-me na sua âncora, na sua proa, na sua rede, ou quem sabe no seu caminho. Será que me calha uma alma distraída? Vai passar e não vai-me enxergar?
O horóscopo só não deu num pormenorzinho, pequenino. Essa alma quer encontrar-me, deixa que eu a encontre, ou vai ser como outras almas? Falsas. Tipo gémeos mas não tanto?! ou Judas?!
No entretanto que pode durar uma eternidade, vou temperando a vida de vontade, de seguir o meu caminho, parando na beira da estrada para descansar e olhar livremente o horizonte para receber o meu destino. E vivê-lo. Com as linhas com que me coso.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Of course!


Of course. It's Africa, man, it's Africa!

Responde uma sul africana à pergunta do jornalista português:
Vão festejar?

Fabio Jr Quero Colo

a partir de hoje


Teresa + Helena = Casamento
O primeiro, entre pessoas do mesmo sexo.

Os santos já estão à porta

Santos da porta não fazem milagres, dizem. Eu direi que os Santos já estão à porta. Para a semana, é Santo António. Começam a enfeitar-se as ruas dos bairros típicos e os seus restaurantes. Uma pequena amostra aqui está.
Santo António é de Lisboa e por isso os lisboetas e não só, convenhamos, preparam-se para viverem as festas populares com muita sardinha, muita bebida e muita alegria. E marchas populares.

Lisboa, hoje

Lisboa cheia de luz e beleza, numa tarde de domingo.

O melhor cachorro quente

Miradouro de S. Pedro de Alcântara. Ao fundo o quiosque. E no quiosque fazem-se os melhores cachorros quentes de Lisboa e arredores. A sério. Quem gosta de cachorros quentes, vá lá e peça um cachorro quente completo. De comer e chorar por mais. E quem não gosta, se provar, passa a adorar. Juro.
Chegam aos Restauradores, sobem no elevador da Glória, pagam 1,40€, é claro, e já estão lá...
E para além de se sentarem ao sol na esplanada, saborearem o belo do cachorro ainda têm uma paisagem soberba para admirarem, com o Castelo de S. Jorge e o Tejo mesmo à vossa frente.
Eu fiz isso e adorei. E ainda tirei umas fotos para mais tarde recordar.

Ascensor da Glória, hoje



O Elevador da Glória. A caminho do Miradouro de S. Pedro de Alcântara.

domingo, 6 de junho de 2010

A arte de dançar

Todos os domingos vejo na Sic, o " Achas que sabes dançar?" A dança interessa-me. Comove-me. Eleva-me. Faz-me sentir um ser melhor. É uma arte que admiro de paixão. Há vinte e muitos anos que estou perto de gente da dança, ouvindo-os, vendo-os aprender, executar e criar...
A minha cria mais nova, está na dança desde os cinco anos de idade. E nunca mais parou, licenciando-se. Continua em formação. Em França.
Hoje, à poucos minutos vi um par que me entusiasmou, mexeu comigo e me prendeu ao ecran mais do que os outros. Ele, chama-se Márcio. Na plateia estava a sua claque. Negros. Vários. Com a bandeira de Angola. E senti um arrepio na pele. E uma lágrima...emocionou-me o Márcio e o seu par. Emocionou-me a claque. Emocionou-me o ex bailarino da Gulbenkian, o jurado César, que lhes disse estarem 100% os dois, que o momento proporcionado fora um verdadeiro espetáculo tendo- lhes dado os parabéns.
A televisão também está de parabéns. A dança há muito precisava de dançar em português, na casa de todos os que ao domingo à noite exigem mais do que telenovelas. E os bailarinos que Portugal forma precisavam de mostrar que existem.
A dança precisa de ser apoiada e acarinhada.
É uma Arte. Maior. Um remédio d'alma. E quem a ensina, quem a executa, quem a cria, merece todo o nosso respeito e admiração.

Sou a verdadeira Pitanga

Quem sou eu? Quem sou?
Um pouco confusa com a luz que bateu nos meus lindos olhos azuis, fechei-os, mas não estou a dormir.
Digam lá que não sou uma GATA?
O meu nome é Pitanga. Dizem que é um fruto angolano. Da terra dela...que não conheço nem conhecerei. Não vou poder viajar até lá porque me barraram a entrada no avião do cabrito. E parece que nessa terra maravilhosa(????) há lá gente que faz espetadas com a minha raça. Credo, como é que ela fala tão entusiasmada duma terra que tem gente que não respeita os gatos? E mais...como é que tem uma amiga do peito, que eu sei, porque vou ler os comentários do blog, (eu estou quase sempre ao colo dela quando está na net, afinal eu é que sou amiga do peito), que não gosta de gatos? Quer dizer, de gatas?
Bem,vou mudar de assunto, porque ela tem uns amigos mais selvagens que eu e depois ainda cá vêm a casa com alguma pressão de ar e esfolam-me viva.
Mas agora que perdi a vergonha, e resolvi mostrar-me, ficaram a conhecer-me, embora não esteja no meu melhor. Aqui que ninguém nos ouve, eu sou uma gatona.
Hoje estou um pouco deprimida, e o meu pêlo ressente-se, porque não sei se sabem mas ela deixou-me quatro dias fechada em casa, a pão e água. Quer dizer, com umas latinhas de comida húmida, comida seca colorida e água. Deixou-me entregue à minha sorte e ao tio Zé.
Eu, que copio o mau feitio dela, para me vingar, remexi-lhe as gavetas da cómoda do corredor. Nã, não foi só a última, a dos pijamas. Passei para a seguinte. Bem feita, nhanhanhanhanha!
Mas a fúria entretanto passou-me, porque assim que a ouvi nas escadas fui pôr-me à porta esperando-a. Passou-me a mão pelo pêlo, que ela sabe bem o que me fez, e eu deixei. E gostei. E até já fui lamber-lhe as mãos e mordiscar-lhe os dedos. Tratou-me por pitanguinha, bebé, fofinha, meu amor, minha querida, e eu fui derretendo a raiva que lhe tinha. Ocupei-lhe o colo e recebi um cafoné. Vem mansa de Lisboa...correu-lhe bem o fim de semana prolongado. Ainda bem, não sobra para mim, porque quando sobra chama-me D.Pitanga, pergunta-me se quero levar com o chinelo e até já cumpriu. Nesse dia se não fosse cá por coisas, tinha ido queixar-me à comissão de protecção de menores em perigo...
Bem, bem, vou mas é calar-me. Não vá o diabo tecê-las. Já me alonguei muito, se calhar falei de mais, por isso me despeço. Foi um prazer aqui escrever.
Muitos beijos felinos e um abraço do tamanho do meu mundo e do dela.
Até á próxima. Ouvi uma conversa ao telefone e desconfio que vai haver uma próxima brevemente, com a caçula dela. Não quero levantar falsos testemunhos mas já cá me chegou e que remédio, vou ter que pôr os bigodes de molho de novo para me preparar para a solidão.
Xau, xau, miau, miau...

Meu amor minha flor minha menina - Zeca Baleiro

tempo do uálálá

Acordei com vontade de fazer um piquenique. Daqueles à séria. Porque eu sei o que isso é. E gosto de pensar que gostava, afinal de contas. Já não me lembrava que se fazem piqueniques. O tempo, as vontades puxando-nos para outros campos, outras praias e outras pessoas, apagam-nos a memória das coisas simples e bonitas como reunir à volta de uma manta, de uma toalha no chão ou numa mesa de pedra e bancos corridos e olhar as nossas escolhas, de frente mas sem jogar ao sério. Divertidamente. E falar, e contar histórias, e jogar às cartas, e ouvir música e comer.
Há piqueniques e piqueniques...
Os que se fazem junto ao mar são os verdadeiros encontros connosco, com os outros e com a Natureza. Digo eu que me estou a ver em preparativos. Véspera de domingo, à noite. De observadora apenas.
O pai matou o cabrito ou o leitão. Para o grande acontecimento que é ir passar o domingo à praia, debaixo dos coqueiros. Nas Palmeirinhas. Depois do Controle da polícia.
A mãe faz bacalhau albardado e prepara o tacho para o arroz de frango que fará assim que o sol raiar. O mano Zé brinca com os vizinhos Mário e Vitoca. A caçula anda de volta das saias da mãe e eu olho desanimada a gaveta do guarda vestidos. Comprei sozinha um biquini cor de vinho, lá na baixa, na Pereira Forjaz. Ficou-me no ponto. Queria exibi-lo, como se fizesse passagem de modelos. Da manta para a beira-mar. Da beira-mar para os coqueiros onde o pai, a mãe e o primo Fernando estarão a fazer uma sesta e esperando que a digestão se faça também.
Mas desisto do biquini. O pai não me deixa usá-lo. Que pouca vergonha! Onde já se viu? Filha minha de cuecas e sutien! Nunca, mas nunca, estás a ouvir? E eu mastigando as lágrimas, numa fúria quase descontrolada, que eu tinha o feitio dele, respondia entre dentes que um dia ia usá-lo e ele não poderia impedir-mo. Em silêncio jurava vingar-me da proibição. No fundo eu sabia que ele não me queria " provocadora " ( achava ele ), por causa dos " gabirus " e dos outros. Os adultos como ele, aqueles que eram do " puto " e que nos conheciam e que poderíamos encontrar nessa coisa descontraída que era passar o domingo à praia e fora de Luanda. O que o pai não queria era que eu fosse mal falada. Tudo por causa de um biquíni... Jesus, Maria!
Eu tinha forma de o usar. Na Ilha. Nas férias de Março, quando ia com a Fatinha Garnacho e a Dulce, à boleia da Marginal para lá. Nos mini-jipes, porque nós até escolhíamos o carro que nos daria boleia, bem arejados e visíveis dos outros, para o caso de correr para o torto e, não fosse o condutor ter ideias . Ou com o Borges da Cunha, o amigo professor de ginástica e comentador desportivo, que era de Nova Lisboa mas vivia em Luanda e tinha um Ford Capri com uma buzina espampanante, linda de morrer. Vingava-me do pai e desses piqueniques " fatelas " em que tinha hora para comer, ir para a água, e quer quisesse quer não, tinha de fingir que gostava de dormir a sesta. O mês de Março era de arromba e só não podia bronzear muito o rosto para que o patriarca nem sequer desconfiasse das minhas exibições na praia em frente à Floresta com gente da minha idade, livre e feliz, aprendendo a dar umas braçadas, o suficiente para não me sentir inferior perante um verdadeiro nadador, cheio de músculos e de energia e para quê mentir, rodeado de meninas bonitas como nós éramos à época. Também, ninguém tinha 16, 17, 18 anos. Éramos umas princesas e sabíamos disso. Insuportáveis portanto...
Mas o reinado, não funcionava nos piqueniques de domingo. Em família! Que piroso! Achava eu... O primo Fernando, que tinha um carro amarelo com uma risca ao meio preta, abria as portas, punha as cassetes a tocar e saía música do Roberto Carlos, Nelson Ned, Teixeirinha, Silvinho, Ângela Maria e a pedido, isso é que eu embirrava, fados. Da Amália Rodrigues, Teresa Tarouca, Alfredo Marceneiro, Tony de Matos. Vêm-me desse tempo, as letras todas de cor dessas músicas ouvidas ao domingo em regime de clausura mais ou menos consentida que era, e isso eu tinha direito, sentar-me dentro do carro, no lugar do pendura, com o braço todo de fora, na banga, dando umas baforadas do LM do Fernando, à socapa do patriarca e com consentimento da mãe e o silêncio do Zé e da caçula. O meu primo Fernando era divorciado e passava todos os domingos em nossa casa. Era um bacano, talvez mais velho que eu, uns 18 anos mas muito moderno e despreconceituoso.
Quando passava a hora da digestão do leitão assado, arroz de frango, bolos de bacalhau, ah pois, o bolo de bacalhau não podia faltar ( e eu que abominava todas aquelas comezainas ) e doces, era uma festa. Já eu estava na areia olhando o mar, lá longe, sonhando com uma vida livre e bonita, a vida que queria para mim e acreditando, e vinha a ordem da soltura anunciada pelo mano Zé.
Podemos tomar banho! Ufa! Finalmente!
Já toda a gente chapinhava na água salgadíssima fingindo saber nadar, gritando pelas picadas das alforrecas, dando mergulhos exibicionistas, boiando dentro das bóias pretas, enormes, ( câmaras de ar dos camiões), atirando água e areia aos outros...enfim, uma alegria. Domingo...
Ainda havia o lanche com coisas boas que a mãe fizera, o relato do Benfica, e depois a arrumação de tudo e a partida para Luanda. Se fosse cedo, íamos à Ilha dar uma volta. Mesmo até ao farol e depois rumávamos a casa.
Hoje, apetecia-me fazer um piquenique à maneira, tipicamente familiar, com raízes transmontanas e beirãs em terras de praias azuis e verdes, com biquini ou não, mesmo vestida até aos pés e fazendo tudo a que me negava nesse tempo áureo da minha adolescência em que vivia na minha terra, os domingos eram passados em família e tinha 16, 17, 18 anos talvez...
Estarei hoje a sentir-me velha ou apenas nostálgica? Se calhar as duas coisas...
É que entrei num tempo em que já não é senão o tempo do uálálá...

fecho

A praia fechando...
Gosto de ficar na praia quando ela é mais minha. No silêncio da terra e do sol.
E no mar murmurando palavras que não percebo mas adivinho. E as traduzo nas entrelinhas das ondas que a água desenha.
Gosto de ficar olhando dentro de mim, na esperança de levar comigo o azul suave e tranquilo para a semana em terras de serras e lezíria. Para os verdes de uma região que é terra e rio. E estrada a perder de vista e deste mar que me abre horizontes, nem que seja para mergulhar dentro dos meus sonhos e refrescar-me a alma.

pescando

praiando

No fim da tarde, de maré baixa.

Cascais

Na baía de Cascais...a lembrar os Delfins cantando a sua Baía. Muito bonita. a música e a baía.

aberração

bandeira amarela

sábado, 5 de junho de 2010

Tenham maneiras

Já cá faltava. A vuvuzela.
E o povo. O zé povinho que gosta de piqueniques no coração da capital. E do Modelo, da Selecção e do Tony Carreira. E de dar barraca colectiva, que é muito mais avacalhada do que a solo. Coisa de homem, mesmo quando a maioria é mulher.
Apanhei o 36 e sentei-me comodamente junto doutra criatura de Deus . Vinhamos juntas. Apanhei-o no Cais de Sodré. Quando chegámos ao Marquês, mais parecia as festas de Santo António antecipadas uma semana. O povo descia do Parque Eduardo VII em todas as direcções. MEEEEEEEEEDO! E não vinham sozinhos. Traziam bolas vermelhas, vuvuzelas, geleiras térmicas e bebedeiras. T-shirts vermelhas e cachecóis da selecção.
O 36 parou a seguir ao Marquês e subitamente o meu autocarro foi invadido de povo, mulheres, homens, crianças, velhos. Entraram como se não houvesse amanhã ignorando bilhete ou passe. Fazendo barulho, rindo despudorada e exageradamente, atropelando-se em busca de lugar, passando com as bolas de futebol, as vuvuzelas, bonés, bebedeiras, histerismos, mesmo a razar o nosso nariz.
Juro que eu já vi quase de tudo. Até porcos voarem...mas estava longe de passar por isto. Nem queria acreditar. Ao meu lado e depois de uma troca de olhares ouvi:
Eu nem vou dizer nada. Para não acreditar que isto é real.
Eu estava na mesma.
Este povo invadiu um autocarro sem pagar, violou-nos o silêncio e o bem estar e achou-se no direito de dar vivas a Portugal, mandar bacoradas sobre o Tony Carreira e comparando-o no charme ao Cristiano Ronaldo que tinham acabado de ver.
Um puto sentado no degrau do 36 tocava o hino nacional. As vuvuzelas faziam-se ouvir. Aliás faziam-me estremecer de susto.
As massas por muito previsíveis que sejam, podem ser perto de perigosas quanto menos se espera. Quando nas massas a percentagem é feminina, a parvoice é tão grande que me envergonha. Como se fosse responsável. Quando a mulher não conhece os limites da linguagem e deixa falar o espírito livremente fica uma coisa tão ordinária que só me ocorre que está tudo por fazer nesta ervilha que fala português e se dá pelo nome de Portugal.
Não consegui ser indiferente. Apeteceu-me levantar, de mão na cintura, afastar o homem que a menos de meio metro avançava para o meu colo, com as bolas que trazia num saco e um meio sorriso gorduroso, e fazer uma peixeirada muito maior da que estavam ali a fazer. Correr com eles um a um do autocarro, esvaziar as bolas vermelhas, amordaçar as mulheres, mandar parar o hino e os vivas a portugal e à selecção e deitar fogo às malditas vuvuzelas por quem nutro uma antipatia profunda.
Neste meio tempo, neste pesadelo que poderia ser hilariante mas que não passou de alguma estupefacção e desilusão, ouvi ao mesmo tempo que pensava mais do mesmo, que a vuvuzela era bem metida onde não brilha o sol. Ri-me com a observação..
De facto quando eu não vou ao encontro do problema, este vem ter comigo. Eu acho que é para que não me falte nada.
Fizeram-se apostas. Se o povo seguia para a nossa paragem ou se ficava pelo Campo Grande. Foram saindo aos poucos. Quando saimos já não havia povo no 36.
Hoje percebi que Modelo é igual a piquenique, igual a música pimba, igual a selecção, igual a povão.
Não sei se gosto desta combinação. Bem sei que isso é indiferente e não tenho de gostar.
Faço compras no Continente, muito raramente no Modelo, piqueniques, já nem sei o que isso é, talvez seja giro mas tenho que escolher as pessoas com quem vou estender a manta, música pimba e o sr. tony carreira, abomino. Da selecção, quem eu admiro é o Carlos Queirós que até nem marca golos e quanto ao povão, façam-me um favor, tenham maneiras, mas se custa muito, então, não tomem de assalto o 36.

fazer de conta


Porque é sábado, sei fazer de conta com mais propriedade. E sentimento. E sol e cor. E perfume...
Me invade a ternura das crianças e a saudade dos sofridos. E me sento na beira do tanque. Ingenuamente imagino os peixes vermelhos que deixei nessas águas que ficaram salobras, saltando numa alegria da minha aparição. Sei falar com os peixes. Lhes gabo as escamas brilhantes que o tempo não debotou. E os olhos... parece que se comoveram tanto que vejo uma lágrima cintilando. Choro também.
Trouxe comigo a fragância das rosas que o avô cuidou estes anos todos, mesmo quando se ausentou para Sul. As suas mãos eram abençoadas e predestinadas à criação. Até as mangueiras me agradeceram o suave aroma das flores preferidas do meu herói.
Gosto da sombra das mangueiras. Fresca e colorida de amarelo, laranja e vermelho. As cores terra da minha saudade. Me envolvo nelas. Sou filha da terra.
Sinto no peito uma doce sensação a espalhar-se e a dominar o meu espírito.
E ali, junto de mim e dos meus ascendentes, na beira da água fresca que não amareleceu, dos peixes vermelhos que não envelheceram, das rãs que não pararam o seu coaxar, das rosas que não murcharam, das mangas que esperaram por mim, respirando um tempo perfumado que não passou, me vejo querendo ficar. Assim, sem mais quês nem porquês.
É sábado. Não custa sonhar de faz de conta que sou feliz na simplicidade do tempo do tanque, me fazendo permanecer mas partir num oceano para navegar e descobrir ...

nacionalismo

despedida


Mais uma vez o mar entre nós.
Poderoso...mas não nos vence.
A nossa amizade ainda é mais!
Boa viagem...e boa aterragem.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Et Voilá!

Os teus planos futuros estão aí a dizer que podem ser possíveis e concretizáveis e eu estou radiante, por ti, meu amor.
Ainda que não te veja tão depressa.
Ainda que não te faça todos os doces e pratos preferidos.
Ainda que não possamos sentar, olhar nos olhos e conversar sobre tudo, sem reservas.
Ainda que não te dê o meu maior abraço. Aquele que não tem tamanho, onde cabem os abraços todos que dou e tenho para dar.
Ainda que o meu coração continue apertadinho e seja saudade.
Parabéns Lindo! És um dos meus orgulhos...
Bonne chance! Et Voilá...Toma conta de ti...

FUTURE PLANS - (excerpts)

parar o tempo

Ontem foi feriado. Dia de Corpo de Deus.
Hoje continua a ser feriado, e amanhã e depois...
A temperatura está boa. O sol que eu chamei todo o inverno chuvoso, está quente. A escaldar.
A fazer lembrar férias e praia. Toalha estendida. Saco que tem de ser grande, como eu. Um biquini a mais, para o que der e vier. A parte de baixo, pelo menos. Mp3, mola do cabelo, escova, saco com água, maçãs, livro, caderno, caneta, máquina fotográfica, pilhas, lenços de papel, óculos de sol, porta moedas, passe de metro, cartão multibanco, protector que acaba não sendo usado, eu sei, eu sei que faço mal, que mania de quererem ser mãezinhas e paizinhos, façam o que eu digo, não façam o que eu faço. Tudo a postos para uma manhã, uma tarde ou um dia na Linha ou na Costa. Eu e eu, sós. Eventualmente outra pessoa ou ainda outra. Chega. Gosto que seja assim. Dou um mergulho e viro-me para terra. Espiando a minha toalha. O inconveniente de estar sozinha...
Quando começo a cantarolar, estou no ponto. Relaxei. A temperatura da água está boa e brinco sozinha chapinhando e dando umas braçadas sem sair do pé. De costas, de barriga, como o Borges da Cunha, o amigo do Ford Capri, me ensinou, ali na praia em frente da Floresta, na Ilha.
Volto para a toalha e prossigo os meus rituais de banhista, adquiridos quando passei a ir para a praia por minha conta e risco.
Os africanos, carregados de saias, vestidos, saídas de praias, um cem número de bugigangas, insistentemente me abordam mas eu resisto. Quase nunca faço negócio à beira mar.
Os homens das tatuagens, acham-me com cara, quer dizer, com corpo para tatuar e até se ajoelham para que eu escolha a tatuagem. Confesso que...há uma parte do corpo que fica tapadinha, que até nem me importava de ver, e teria que ver com espelho, com uma bonita tatuagem. Só para ter...esta mania de ser atrevida.
Também há os engraçadinhos. Aqueles que têm mais de quarenta anos com ares de antigos jogadores de futebol que batem a bola sozinhos, e que estão sozinhos, e de vez em quando " distraidamente " mandam a dita bolinha para junto da toalha e depois, ah que desculpe, que incomodei, que não volta a acontecer e tal e coiso, com um sorriso meio viscoso que me faz sempre uma náusea que ultrapassa essa coisa da pele e é muito visceral e incontrolável e devo ficar com cara de vómito porque não volta mesmo a acontecer e até se viram de costas ou se tornam invisíveis, que até dá pena.
Também há as criancinhas. Que passam a correr entre o saco e a toalha. Ou que atravessam a toalha se eu não estiver deitada. Ou que choram baba e ranho por um gelado, porque têm a fralda suja, porque querem ir para a água ou porque são embirrantes.
Em suma, é o sol, é o mar, é a onda e a areia. É o tempo quente. Cheirando a férias e a vida.
Mas ainda não fui fazer o gostinho ao dedo. E tenho quatro dias de férias. Essa é que é essa!
Ontem, troquei o sol, pela sombra.
Uma verdadeira sombra da mulemba...e aproveitei-a e sentia-a até ao fim. Que essa sombra nem sempre faz aqui, porque a mulemba é árvore da minha terra e só os angolanos conseguem recebê-la mesmo longe. E cantei e dancei e me banhei de lembranças. E dá para recomeçar a caminhada.
Ontem, troquei o sol pela sombra e fá-lo-ei sempre que me for oferecido um baloiço para eu baloiçar na sombra da mulemba, parando o tempo e ninando os afectos do meu coração e as minhas memórias e conciliando o passado com o presente para esperar o futuro.

Na corda bamba


Adoro! De Armando Manzanero. Cantor romântico de meninos e meninas apressados para crescerem.
O nome duma canção que nos outros tempos, aqueles de outras paragens, outras décadas e outros bateres de coração, quem sabe mais apressados, mais frágeis, mais ansiosos, esperando abrir o salão nos braços do príncipe, nesses outros tempos de um antigamente que já só volta nos sonhos sonhados de olhos fechados ou nas farras de amigos que ainda o são, arrancava suspiros de impaciência e pressa...
Nunca mais sequer me ocorrera que um dia, muitas noites de espera, ansiedade e romantismo, eu ouvia esta música. Adoro! De Armando Manzanero.
Sou antiga. Muito antiga. Do século passado. Como esta e outras músicas que ouvi ontem. Numa festa, verdadeira farra dos antigamentes. Quando nos quintais dos bairros como a Vila Alice, na sombra das macieiras, palmeiras e mangueiras, nos juntávamos, que era até de manhã. Nem a polícia travava a alegria e o prazer de viver. Mas isso, isso foi há mais de trezentos anos...
Ontem regredimos para o passado. Regredimos não está bem dito. Voltamos atrás mas avançámos. Numa escada de dez degraus, ganhámos, porque subimos vinte, ao acrescentarmos tempos de uma ternura, de recordações, de amor e amizade, de saudade, contentamento e paz que parece que estamos a subir a escada do céu, dançando alegremente ao som de harpas e cornetas celestiais. Ao som da música africana, angolana e não só. E sul americana. Cubana e brasileira. Merengues, sembas, kizombas, sambas...
Acompanhando na mesa, de funge de carne com farinha de bombô. E feijão... e espetadas e camarão...
Todo o dia comendo do sabor da nossa terra. E bebendo...também as histórias da Caop, do S.Paulo e do Bairro Operário. Da Vila Alice. Das tradições, dos óbitos do nosso povo.
Do carro do fumo, do carro da água. Da Cagalhoça e suas meninas. Do Baba que " inxige "um fato às riscas para ir a um casamento, da Joana Maluca de quem eu tinha pavor mas que dava beijos na São, com aqueles lábios grossos, bué beiçurra, babando-se como o Baba; que nojo, pobre São!
Da manteiga Zarco, dos gatos apanhados no quintal que viravam saco de pancada do Luisinho, do pão com manteiga e açúcar, sabendo a fiambre, dos Natais, dos cânticos e do Pai Natal negro...
Uauê! Uauê! Hoje estou de ressaca. De um dia tão proveitoso! Que nem toquei numa gota de álcool...mas preciso digerir os sentimentos.
Porquê que não moramos todos na mesma cidade? Porquê que no dia seguinte fica um sabor de saudade que aperta o peito? Porquê que cada dia é uma despedida? Porquê que estamos sempre no princípio do fim? Na corda bamba da vida, um pé em Angola e outro balançando para nos equilibrarmos nesta terra que também é de Deus porque nós temos fé??
A culpa não é nossa mas nos fizeram carregar este destino que sacudimos teimosamente para não ser maldição.
Família, do peito, como irmãos, foi bom estarmos juntos, ainda...
Obrigada Zezé, Lena, Milú, Edgar, Ana Rita, Mimi...
Obrigada mãe, pai, mãe Eduarda que nos fez deste jeito e Angola, que é sempre o motivo, o pretexto, a causa e a consequência destes encontros que quero eternos.

Adoro Armando Manzanero

quinta-feira, 3 de junho de 2010

serei...

Iniciei o meu fim de semana prolongado.
Devagar se vai ao longe...
Talvez domingo...um dia, um dia serei Grande!
Na minha pequenez...

a passo de caracol



Dias de escolha. De primeira escolha, hoje. De vida passando devagar. Na tranquilidade da minha paz.
Na descoberta de mim. Na alegria de me ter tal qual sou, fui, serei. Ou adivinho...
Como mudei!...
Não tenho pressa, no meio da velocidade esquizofrénica do tempo, esse presente envenenado que rejeito.
Quero viver os meus dias, na minha vez. Estou na fila para ser feliz e espere o tempo que esperar, não desisto.

Corpo de Deus


Imagem de Cristo na Igreja de S. Paulo. Luanda. 2009.

Heroes & Saints - Nicolaj Grandjean

vida plena

Chegar ao fim...
É doloroso. É libertador.
É assustador. É uma meta.
É mudança...
Queria nunca precisar escrever o final, nem pôr o ponto. Aquele que faz a separação de mim.
Queria passar pela vida usando meios de alcançar e acomular tempos para construir outros tempos sem sacrificar os actuais.
Queria que nada desaparecesse para sempre.
Queria ter a sabedoria de poder manter tudo o que tive e senti, tudo o que me é dado hoje e tudo o que sonho para amanhã.
Queria ser sempre o princípio das coisas.
Queria afinal ter a riqueza de uma vida plena...

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Feita formigueiro

Um formigueiro, na pedra da calçada portuguesa do átrio da igreja de S. Paulo, Sambizanga, Luanda. Formigas enormes, apressadas e trabalhadeiras. A terra, vermelha.
Dia 2 de dezembro de 2009. Passou meio ano. Hoje...
O formigueiro faz-me lembrar Luanda. Fervilhando, nervosa, apressada e trabalhadeira.

patrice - soulstorm

Uma questão de fidelidade

O tema, logo pela matina, era sobre o Salão Erótico. Em surdina...
Não eram colegas mulheres. Mas podiam ser.
Não prestei atenção. Apenas ouvi um dizer que:
" Os hipopótamos são os únicos animais que acasalam para a vida. São fiéis à parceira ".
Não sei se é verdade. Sei pouco sobre o assunto porque não leio sobre o tema. Vejo alguma televisão mas nunca vi ou ouvi a propósito.
Uma colega de imediato lhe respondeu:
Não são os únicos. Há mais.
Eu, que habitualmente fico quieta no meu canto, não dando palpites, lembrei-me de um amigo que um dia me disse que os albatrozes são pássaros livres dos mares do Sul, o meu Sul, ou ainda mais para Sul, andando no mar meses a fio nos seus voos rasantes, mas indo a terra uma vez por ano para acasalarem então com a sua fémea.
E não fui de modas.
" Os albatrozes também são fiéis. Vão a terra uma vez por ano para acasalarem com a mesma parceira ".
E o meu colega, o primeiro, aquele que falava em surdina com outro disse com uma grande lata: " Se um marinheiro mata a fémea, acabou-se a vida sexual do albatroz..."
Será que os albatrozes machos se sentem viúvos e ficam para sempre de luto? Ou fazem-no e escolhem outra fémea?
Eis uma questão a que não sei responder, mas que me intrigou.
Porque com o macho homem...bem, esse nem precisa que lhe morra a fémea. Basta que esta se distraia...
Mas quem quiser que se queixe que eu não tenho nada com isso, evidentemente. E a bem dizer, nem todos são desse jeito.
E o que é que isto terá a ver com o Salão Erótico 2010?
Nada, né? Mas as conversas são como as cerejas...

terça-feira, 1 de junho de 2010

Mercado Negro - Oh Lua

Nada como uma Mulemba

Um chorão

Uma pimenteira


Afinal, esta árvore não é um chorão, é uma pimenteira. Perdoem-me gente do campo, campónios ( ? ) ou serão...os verdes? Eu tenho gente muito minha amiga, tenho. Com amigos destes... Sempre que me distraio, engano ou cometo um pequenino e inconsequente erro, vem logo quem diga na minha rica cara, que nem disfarçam nem nada, que, ah coiso e tal, porque sim e porque não e porque torna, que não fosse cá por coisas até ia desmentir e tal, e tá-se bem e vamos ficar ainda melhor...
Tudo bem. Ok. Aqui estou, repondo a verdade. Afinal de contas uma pimenteira, seja lá o que isso for, não é um chorão. Ocorre-me, isso sim, que se a pimenteira fosse a árvore da pimenta, o chorão estava coberto de razão de o ser. Chorão...
Ora então, raciocinando, porque os tais amigos, muito amigos, sempre a quererem que eu me torne campónia, ou dos verdes, ou só mesmo, pessoa que gosta e conhece o campo, fazem-me puxar pela cabeça e chegar a uma conclusão lógica. Uma pimenteira é uma pimenteira e um chorão...é um chorão. E ambas são árvores bonitas e semelhantes.
E a única coisa que eu queria era dar sombra da pimenteira ou do chorão ao sol que anda quente.
Pensando bem, no final das contas, o sol até que tem as suas razões em dar-me negas. A minha oferta recaiu em árvores que fazem chorar ( pimenteiras ) e árvores que choram desalmadamente ( chorões ). Ora, estava mesmo a pedi-las.
Ainda se fosse a sombra da mulemba...

Super Tramp - School - Showing visually the complex L and R ch phase rel...

O dia da criança


Se hoje os governos assumissem o compromisso de proteger, alimentar, respeitar as nossas crianças, o Mundo caminhava para o paraíso.
Não se diz que o melhor do mundo, são as crianças?!
No dia em que o dia de hoje não seja necessário para acordar as mentes, nesse dia eu terei a certeza que o mundo é justo.

A partir de Luanda, em 2008.

Remoção da imagem.
Setembro de 2008.
Um, milhões de beijos, do alto da fortaleza de S. Miguel.