
segunda-feira, 12 de julho de 2010
o trio
A caçula e eu
Kamba Milú
Minha Kamba Milú. Do peito, como irmãs. Aquela que a meias me ofereceu a viagem a Angola ao fim de 33 anos. Que me acolhe em sua casa. Que me telefona à meia noite quando faço anos. Que está sempre presente mesmo quando está ausente. Que quer esteja em Havana, na China, em Luanda, no Dubai, no Rio, S. Paulo ou Joanesburgo, Sal, ou S. Tomé, Dubai ou Lisboa, a qualquer hora, em qualquer momento, para rir ou para chorar, eu estou sempre para ela, mesmo que faça das tripas coração, mesmo que não durma e no dia seguinte bata com a cabeça nas paredes.Decorria a década de 70. Em Torres Novas. Em frente ao tribunal, onde eu era estagiária, à época.
carnavalizando
Eu e a Fatinha. Num carnaval. Talvez com 11, 12 anos. O meu fato, obviamente, muito mais desajeitado que o da minha vizinha e amiga. As mais velhas, Ana e Hortênsia é que nos vestiram.Ainda hoje somos amigas. A mãe, D.Regina é minha madrinha do crisma. A minha infância e adolescência está muito ligada a esta família. Foram anos muito felizes e cheios de traquinices. Eu saltava o muro para a casa delas e só quando a mãe me chamava para as refeições voltava à minha casa.
casamento dos tios
Mano Zé, tia Fernanda, eu e tio Augusto. Metemos todos medo a um susto. O tio Augusto, irmão do meu pai, outro homem da minha família, meu ídolo, meu herói.Casamento que dura até hoje. Um dia destes vou vê-los a Trás-os-Montes. Em Agosto. Com o mano Zé. Já combinámos e tudo e tudo.
Eu tinha 10 anos, nesta altura. Casaram a 18 de Setembro. E esta?
Todos os anos lhes telefono a dar os parabéns. O tio diz-me assim e invariavelmente, num discurso de voz muito bem colocada: Clara, filha, tu não existes. És aquela máquina, filha. Salvas a honra do convento.
E eu que conheço esta ladainha de cor e salteada, riu-me variando o meu discurso. Adoro estes dois. Logo, vão ligar a dar-me os parabéns, que eu sei.
avô carvalho e eu
O meu avô Carvalho e eu. E a carrinha azul dos nossos passeios, todos os domingos. Até que saiu de Luanda e foi para Moçâmedes. E depois para Porto Alexandre. E depois para a África do Sul. E para o Algarve e para Vilar de Besteiros. E depois partiu para sempre.O meu avô da minha paixão...o ídolo, o meu herói.
A santíssima...família perfeita.
Mãe, pai e eu. Não pareço, mas sou. Bebé de colo, de rabo ao léu. Olhem o pormenor da celha...ao lado do pai, sô Santos. Sou parecida com estes dois, não sou? Mais com ele...dizem.Esta foto andou na guerra, literalmente. Recuperei-a, depois de me terem assaltado a casa e levado tudo. Algumas fotos ficaram espalhadas pelo chão, poucas, quase nenhumas.
parabéns para mim
Parabéns para mim.Sou muito narcisista não sou? Pois sou, mas não faz mal. Não acordei ninguém. Não chamei ninguém. Não aborreci ninguém.
Faço a festa sem que me deitem foguetes. Deito-os eu. E apanho as canas.
Mas...às 00,00horas tive o primeiro telefonema. Da Ana Rita.
Directamente daqui, minha vizinha de ao pé da porta que é como quem diz, do Olival para a Póvoa.
Obrigada minha querida, és um doce. E tens bem a quem sair. À tua mãe.
Esta, ainda eu estava ao telefone contigo, já estava a ligar-me de Luanda, para me dar os parabéns. Amiga, obrigada yá?
Edgar, meu amigo, obrigada pelos parabéns. Adorei ouvir-te. Imaginei essa viagem que fiz contigo de Luanda Sul para Luanda, vindos de casa do teu primo e da Bia.
E depois chegou a mensagem da Linda, vossa vizinha de Luanda que está hoje, na outra banda, atravessando o Tejo. Linda, querida, como fiquei contente de te teres lembrado de mim...beijos.
Por fim, a Constância através do facebook. Uma mensagem muito bonita. Foste uma amor Bolinha.
Tenho que vos agradecer a todas.
Angola no seu melhor. Que orgulho! Tudo gente de Angola. A minha Gente!
Amo-vos hoje, muito. Obrigada.
a rua onde eu nasci
Não pude fotografar porque hoje construiram à frente das casas, outras e o acesso é difícil. Chegar à casa exige uma explicação a quem mora ali. Que não quero dar. Que podem não aceitar. Da avenida ainda se conseguem ver as mangueiras que o avô plantou há mais de 60 anos.
o meu ano
Hélvio - Lua Dela [2007] Coisas Nossas
Obrigada minha terra. Porque hoje, à 55 anos nasci do ventre da minha mãe, na minha avenida do Brasil. Em ti.
domingo, 11 de julho de 2010
na tela
Na chávena do café a marca do baton. Porque raio as mulheres maduras pintam os lábios mesmo que na praia? Sei porquê, mas não me apetece falar nisso. Fica para outra vez.
Ao longe o barco à vela. Velejando ao sabor da calmaria. Quase imóvel, portanto. O balanço parte das ondas, que vêm enrolar-se com a areia num abraço namorado a cada vez que se ondulam.
E a gaivota, fazendo parte deste cenário, passa veloz em busca de peixe.
Hoje é domingo neste lugar.
Olho o horizonte, azul, verde esmeralda. Para além da linha dourada.
Páro a película. A preto e branco. Muda, numa conversa de surdos.
Contemplo a cidade colorida de vermelho sangue das flores de acácias. Vou a caminho da Ilha. Na carrinha azul, do avô. Para a Chicala. Passei a fortaleza, que ficou para trás. Já estou na ponte. O avô agora curvou à esquerda. Junto aos restaurantes.
Paramos no nosso lugar de sempre.
Salto a correr da carrinha e vou molhar os pés. As ondas vêm beijar-me as feridas. Arde muito mas a água acalma-as. Já ninguém mais pára a minha traquinice. Chapinho feliz, livre. Abro os braços e corro para o avô que já se empoleirou numa rocha. Calças arregaçadas. Chapéu de coco na cabeça e pés descalços. O ritual de sempre, no lugar de sempre e eu como sempre...
O avô parece um polícia sinaleiro. Falta-lhe o apito para me fazer stop. E a farda de caqui com galões e fivelas. E o capacete de chefe de posto e as luvas brancas. Afinal, falta-lhe quase tudo.
O cenário está montado. Os pescadores enrolados em saias de panos coloridos, com turbantes na cabeça, fumam uns cigarros grossos forrados de folha de árvore castanha, enquanto remendam as redes de pesca. Os dongos estão parados.
Hoje é domingo. Já fomos ao cemitério da estrada de Catete pôr flores na campa da avó, eu ajudei com o regador a regar as flores dos vasos pequenos. Já fomos aos Correios à caixa postal, e comprar o jornal, que o avô se prepara para ler. Pôs os óculos. Não há vento e vai poder ler as noticias. Quando sairmos da praia, vamos parar na Mutamba. Em frente à Fazenda Nacional, para engraixar os sapatos nos engraxadores que páram ali. Vou ouvir outra vez kimbundu. O avô gosta de falar com eles essa língua que ainda não consigo decifrar, mas gosto de lhes ouvir.
A manhã está fresca. Corre uma aragem que parece que vem do mar. Parece até que vem aí o cacimbo. Estamos no tempo dos maboques e dos tambarinos. Vem até mim o cheiro das massarocas a assar e do bombô. Deus queira o avô compre uma massaroca para comer com manteiga. Vou-lhe pedir com jeitinho, que com jeito vai. Ele compra.
Vai dizer: Não digas à tua mãe Clarita, senão almoçares, vai ralhar comigo.
Gosto tanto deste avô!
Páro a película. A cores e ao vivo...ainda e para sempre.
Daqui a pouco o sol do meio dia vem abraçar-me com o seu calor.
Caminho devagar ao encontro do presente. Calma e feliz.
Chamo o passado e ele vem. Páro-o e ele permanece em mim. Chamo o presente e ele se dá como presente e até oferece o banco para que o passado se instale comodamente.
Em harmonia. Nesta cidade à beira mar plantada...
E..Viva la España!
Sinceramente. Muito sinceramente. Prefiro que a Espanha ganhe.Até porque nunca fui muito simpatizante dos holandeses. Andaram lá por Angola, a quererem " papar " a terra aos portugueses. E não só.
Além disso, a minha bisavó, Maria Torrinha é bem mais importante que a população holandesa toda junta. E o sangue dela ainda me corre nas veias. E passei-o às crias.
Por isso, e porque gosto de Espanha, de paella, das praias, de castanholas, das saias rodadas, de flamenco, da língua, que se embrulha na boca e sai aquele som musical , porque somos porta com porta e porque derrotou Portugal e são sem dúvida uma equipa excepcional, merecem ganhar.
Vá lá então, almas do além mundo, hoje têm de ser espanholas, e com muito salero gritarem:
Olé!
E Viva la España!
quando a noite chega
Há tombos que a gente dá que valem esta fotografia.
Há tombos que a gente dá que agradecemos do fundo do coração, depois de nos levantarmos.
Eu sou perita em quedas. Ponho-me sempre a jeito e depois...zás. Pum catra pum, pum, pum!
O que é necessário é alguma habilidade e força, para nos levantarmos, sacudirmos a roupa, empinarmos o nariz e seguirmos em frente e em pé, claro...
tralho II
Boa maria clara!
Um dia destes, quando nevar, tenho de ir deslizar na neve, coisa que até agora me provoca um certo receio. Afinal, não custa nada dar um tralhozito de rabo no chão.
Quem assistiu? Só o diabo, que apanhou o meu Deus distraído. Foi o que valeu, para não ser aplaudida pelas minhas inabilidades.
Levantei-me ainda o eco do meu Aiiiiiiiiiiiiiiiii se ouvia, fui tirar as minha fotografias ao fim de tarde e depois fui passar o pé por água porque o sangue escorria para o meu pobre pé e a seguir, jantar à esplanada da praia, uma bela sopa de agrião e uma tosta mista gourmet, de ...sardinha. Ah pois é. E julgam que não é bom? É bem bom, senão eu não comia, que havia lá muita coisa boa para ser comida.
O restaurante do hotel tinha um belo buffet, mas era tanta comida que torci a cara , dei meia volta e fui sentar-me na esplanada,da praia, em frente ao hotel( estava friote e eu sem casaco ), e ali fiz a minha refeição, muito bem servida por uma menina simpatiquíssima que há duas semanas me atendera juntamente com um menino igualmente simpático.
E dizem que somos tratados abaixo de cão, nas praias...não é aqui, nesta terra que eu amo e onde me sinto sempre feliz. Às vezes nostálgica, quando me lembro que os meus meninos, hoje bem crescidos, quase nasceram aqui, cresceram aqui em férias maravilhosas...mas isso é só uma nostalgia doce e boa de voltar ao passado.
Daqui a duas semanas...bem, não digo mais nada.
sábado, 10 de julho de 2010
destino d'água
Criar raízes. Instalar-se. Para sempre. Num sempre igual ao nosso.
Quem sabe o futuro? Num sempre em que acreditamos e que começa assim que olhamos, apontamos e dizemos: É aquela.
E parece que nós decidimos que aquela vai ficar.
Existem pessoas, que estão sempre à nossa porta. Simulando entradas. Insinuando começos. Distraindo-nos o querer. Oferecendo uma nota alta ao nosso aceno. Se calhar, até podiamos dar o jeito. Como se fossem crianças e os passos, inseguros, estendermos a mão, um dedo e zás, ficavam do lado de dentro. Logo se veria. Num sempre com dois vs. Vais mas voltas...caso...num sempre de boa vontade, condicionado.
Existem pessoas que não pedem licença para entrar.
Tarde piaste! Já estão instaladas, mal dás por elas. Decidem sem nos consultar. E o pior é que gostamos de acreditar nos sempres que nos trazem às mãos cheias de odores que se entranham como sangue nas veias correndo quente e jovem. De cacimbos já cacimbados e por cacimbar, tornados verões de astro rei no meio dia, de verso de palavras por inventar, num diário sem calendário, de canções para cantar, melodicamente junto do piano magestoso e elegante do canto da sala, e bancos de pedra, muros para sentar, baloiçando os pés e sonhando as estrelas na noite de luar, de jogo de sol e sombra, de cabra-cega, de toca e...fica, e foge...
Existem pessoas que nos desarmam, que nos atraiem e que nos intrigam.
Que se alojam nos nossos sempres de todos os dias.
Podem não ser gémeas. Nem sequer irmãs. Mas são almas que se banham nas mesmas águas.
sexta-feira, 9 de julho de 2010
resumo alargado
Estou de viagem.Paul, o Bruxo!
Parece que é bruxo!Paul. O Polvo alemão...
E escolheu a selecção de nuestros hermanos para campeã mundial de futebol.
Toma e embrulha!
Desprezando a caixa que continha o mexilhão com a bandeira holandesa fez a sua escolha inspiradora, pois então!
E eu pergunto. Os entendidos nestas coisas a escapar para coisas do outro mundo, o que têm a dizer sobre isto? É que eu estou intrigadíssima e muito curiosa e divertida.
Porque eu sou entendida em polvo à lagareiro, arroz de polvo, salada de polvo, e por aí adiante, mas advinhação escapa-se-me, lamentavelmente, pese embora ache muito bem que Espanha seja vencedora. A equipa que derrotou Portugal, merece a taça, pois claro, digo eu, deixando falar o sangue espanhol que me corre nas veias. E a desejar que Paul, o Polvo Alemão seja mais do que tentáculos. Uma espécie de advinho...
Dizem que não há bruxos. Pois... que los hay, los hay. E ninguém me convence do contrário.
quinta-feira, 8 de julho de 2010
Ando tão à flor da pele...
Até um cisco nos olhos. Pois...que até perco a vontade de rir de mim própria.
O meu sentir é uma amálgama confusa e desconfortável de sentires, muitos...de hoje, de ontem, de antes do ontem que virou passado faz tempo, mas que nunca é tempo passado.
Está a chegar a hora de me ligar umbilicalmente. E se o corte é violento, esta reunião que faço todos os anos, num luto que é aliviado nos restantes dias do ano, é dolorosamente saudosa.
Saudade sem fim. Dela. De todos. De mim.
Do que vivi. Do que quis viver. Do que ficou por viver. Da incerteza de viver.
Ando tão à flor da pele que tudo me provoca pranto.
E queria deitar para fora as mágoas, os pesadelos, os medos. As noites.
Ah! As noites...
Boas para verter lágrimas. Aquelas que gritam desesperadas, os desesperos de dias e dias fúteis, inúteis, vazios.
Que se revoltam com as partidas, abandonos, mentiras, traições.
Que praguejam incapacidades e vinganças, injustiças e desigualdades.
Que soluçam penas, caminhos interrompidos, cobardias, frustrações.
Que deslizam silenciosas e conformadas nas dores, nos lugares desocupados, nos silêncios contrafeitos, na impotência. E na saudade...
Ando tão à flor da pele que qualquer palavra, verso, mensagem, telefonema, emoção, me faz chorar como se fosse dia de dilúvio.
Voltar à união do cordão umbilical, num nó cego, atado no coração, me faz voltar ao ventre materno, para ser feto. E iniciar todo o crescimento, para voltar a nascer. Livre e pura. Pronta...
quarta-feira, 7 de julho de 2010
a vida depois das 5
terça-feira, 6 de julho de 2010
testemunha
- Sou testemunha de uma vizinha e só agora é que ela me disse que devia ter cá estado hoje. E agora o que é que eu faço? Esqueci-me. Distancia.wmv
Esta canção é só uma das canções da minha preferência. É linda! Hoje precisava de a ouvir. Hoje quis que vocês a ouvissem. É uma alegria que seja cantada por dois angolanos que acompanharam o meu crescimento, cantando sempre e fazendo-me cantar. Apenas uma vez os vi em palco, cantando. Curiosamente, em Torres Novas...Duo Ouro Negro, Milo e Raul.
padre Hilário

segunda-feira, 5 de julho de 2010
partida
Desde o fim de tarde desse domingo que parecia perfeito, que tenho dificuldade em respirar.
O ar está demasiado pesado.
Quando há amigos a sofrerem, sofremos com eles. E vimos ao seu encontro.
A perda de mãe é tão dolorosa que não se consegue quantificar.
A minha amiga do peito, nesta terra tão madrasta, acabou de perder a mãe. Tão de repente que ela nem acredita. Nem eu, que não sou sua filha mas a quem ela tratava com muito cuidado e carinho, fazendo-me sentir sempre membro desta família tão unida.
Deixo aqui um abraço muito grande a todos. Para a minha amiga do peito, um abraço maior do que o Universo, que não caiba em todas as eternidades que possam existir. E muita coragem.
Musica Congo.wmv
Obrigada mais uma vez meu irmão. Pelo esforço e por atenderes sempre aos meus pedidos. Eu queria tanto esta música aqui, neste espaço que é de todos nós...Esta música faz parte do meu imaginário naquela terra que amamos tanto. Nunca mais a ouvira senão quando estive no grupo de amigos de Luanda há pouco tempo, em Junho. Ao meu amigo Zezé, devo, ter voltado a ouvir esta como outras desse tempo longínquo. Obrigada para ti também Zezé. É esta a música que eu queria tanto que vocês me dissessem que música era.
domingo, 4 de julho de 2010
florindo
Inspirar com força o ar da manhã.
Sorrir e dizer: Olá!
Percebi que era dia sim.
Fosse o dia como fosse.
Ficasse o dia como ficasse.
Ela estava pateticamente feliz
Perguntei-lhe a que se devia
Olhou-me, assim, de frente, como sempre
Quase me intimidei.
Os olhos crescem-lhe no rosto quando me olha
Como se tocasse a minha alma, desnudando-a
Esperei que me respondesse. A pergunta continuava no ar.
Agarrou-a, sorriu e respondeu:
O sol nasceu. O dia amanheceu e eu flori.
Quedei-me silenciosamente.
Sorri-lhe anuindo.
Às vezes, despertar devagar, sentindo o perfume do tempo e a cor da vida é quanto basta.
Foi um momento florido que captei.
Ela tem muitos momentos.
Breves instantes coloridos, que, curiosamente, determinam a minha forma de viver .
Florir, para ser feliz com e como ela...
Agarrar a manhã e o sol, acordar vagarosamente espreguiçando-me para o dia.
E sentir o perfume das rosas...
domingo para sempre
Sabem aquelas tardes de domingo, cheirando a domingo sem segunda-feira?Pois é! É assim que hoje está. Um domingo à maneira. Tão bom, neste nada para fazer, sem querer fazer nada! De muito sol e calor do tipo Alentejo ou Ribatejo no seu melhor, que apetece deitar no sofá, adormecer a ver um daqueles filmes do tempo da maria cachucha. E não ir apanhar o autocarro de volta ao tarrafal, que é como quem diz, torres novas. Em festa, que ainda é pior, porque a música espalha-se pela cidade num ruído que faz mais calor ainda, quando tu não estás para aí virada.
Não fosse a D.Pitanga lá estar, e eu só iria amanhã de manhã. De madrugada. Fazia o sacrifício, mas deixava-me ficar aqui a curtir o prazer deste domingo sabendo a férias, sem segunda-feira a fazer caretas ameaçadoras.
Fazendo de conta que todos os dias são domingo e não me enfadar por isso.
Ah, hoje era, se pudesse...
Bom domingo para todos.
pobres e mal agradecidos
Quando vinha das compras, do Lidl, sim porque eu não tenho vergonha de dizer que compro no Lidl, porque há muito boa gente que faz lá as suas comprinhas todas, até o pão de lá vem, mas diz com ares de sonsa " Eu cá, no Lidl só compro comida do cão e do gato " Quando assim é, só me apetece chamar-lhes sonsos, tesos duma figa, com mania de gente gourmet e sem lhe poderem chegar...Corrê-los ao bofetão, era pouco. Ou vuvuzelando para cima deles.
Claro que já toda a gente me ouviu dizer que se pudesse só fazia compras no supermercado do Corte Inglês. Porque todos os produtos ali expostos são de uma qualidade de se lhe tirar o chapéu e eu gosto. Como gosto de cozinhar, e prezo-me de ser boa cozinheira. E sou boa anfitriã e por isso gosto do melhor, quer para mim quer para quem comigo convive. Daí a minha paixão pelo supermercado do El Corte Inglês para não falar das lojas gourmet, mas o Lidl satisfaz as minhas necessidades e alimenta algumas fantasias, a dos chocolates por exemplo. E por isso e porque a conta é uma agradável surpresa ali fui, hoje, mais uma vez. Da minha casa lá, é um instantinho. Só atravessar uma ponte e estou naquilo que se chama entre-terras, coisa parecida com entre-campos. Entre Odivelas e a Póvoa de Santo Adrião. Pois o LIDEL, como carinhosamento lhe chamo, ali está à saída da ponte chamando os mais desfavorecidos e os despreconceituosos.
Ora bem, mas a minha ida e vinda do Lidl nada tem de anormal, não fosse estar hoje com níveis de energia acima do normal, talvez do iodo de ontem, e para além de outras coisas só me apetece sair por aí fora a distribuir bofetões por quem se porta mal, pareço eu uma pré-histórica temível e desiquilibrada.
É que vi três pessoas juntas, perto da minha casa. Junto a um carro. Um casal nos seus sessenta anos e um homem relativamente novo (( 30 anos ), filho de ambos. Este muito mal humorado. Prepotente e mal educado dizia para o pai: Trago o carro cheio de tupperwares, vossos. Já não devem ter em casa nenhum.
E a mãe com ar infeliz, culpando o marido diz: É o teu pai que não os traz. Quando te levar alguma coisa não deixes que venha de mãos a abanar filho, fá-lo trazer os tupperwares.
Estão mesmo a ver o filme, não é? Pobre e mal agradecido, reclama de barriga cheia. Que maçada, o automóvel apilhado de plásticos...vazios.
Filhos!!!!!
E mais uma vez hoje me apeteceu que fosse meu filho. E tivesse menos 15 anos que fosse, já chegava, para levar uns açoites. Podia não valer de nada, mas que eu ficava consolada, ficava, porque criar cães que não reconhecem o dono, é algo que me custa engolir.
Os meus faz muito tempo, décadas, que não sabem o que é, umas sacudidelas de pó, mas eu tenho filhos de ouro. Às vezes... ficando ela por ela. Que me dou por muito satisfeita.
Hoje, ela até fez o almoço. Que me soube pela vida!
fim de tarde
Dirigi-me ao Pingo Doce da estação para uns salgadinhos e um sumo natural de maçã e laranja, que estava mesmo a apetecer.
Não me lembrava do jardim das oliveiras com os seus bancos coloridos e modernos, senão quando me deparei com uma paisagem bonita de cores de verão e gente descansando ao sol, enquanto namorava, ouvia música ou simplesmente olhava o rio e o vai e vem dos barcos para a outra banda. E não me fiz rogada. Fui sentar-me num banco destes, amarelo pirili, de frente para o Tejo. E à boa maneira bimbalhona e portuguesa, puxei do saco dos croquetes e dos crepes chineses ainda quentinhos, e antes que se fizesse tarde, ali mesmo fiz o meu lanche ajantarado num fim de tarde para lá de bom, nesta Lisboa que eu também amo.
Depois, fui apanhar o 36 que pára ali mesmo em frente a escassos metros do jardim das Oliveiras. É claro que juntei o útil ao agradável. Podia ir de metro para casa mas não era a mesma coisa. De autocarro tenho o prazer de atravessar a cidade até á periferia onde moro e descobrir que um actor da nossa praça, famoso e que está neste momento numa telenovela portuguesa, também anda no 36. Se bem que apenas da avenida da Liberdade até ao Saldanha. Mas apanha o autocarro e ninguém dá por ele. Não sei se é isso que o senhor charmoso, com uns olhos maravilhosos e dono de uma voz de tirar o fôlego ( ouvi-o e vi-o declamar Fernando Pessoa no dia da poesia, na Mala Posta ) quer, mas é um facto que nem um músculo se moveu de entre tantos músculos faciais que iam no 36. Eu que lhe pûs a vista em cima assim que entrou e até que saiu não descolei dele, apenas para perceber o que vai na cabeça de gente assim, fui olhada pelo senhor charmoso, à sua saída com um certo brilhozinho de ironia no olhar, como quem diz: Ao menos tu, sabes quem eu sou? Vá lá, diz que me conheceste... Olhar que retribuí divertidamente como quem diz: Vai-te catar meu, e para a próxima tira os óculos e faz uma pose de artista, pode ser que tenhas mais sorte e a populaça te bata palmas e peça autógrafos.
Este foi um fim de tarde de sábado de verão bem disposto , como tantos outros,que é como quem diz, buéréré.
praiando e torrando
De preferência escolho a companhia de famílias com crianças. A dois ou três metros de gente que tem que estar sempre à vez, na toalha.
Ontem fui expôr as minhas vergonhas todo o santo dia. E torrei as gorduras, estrias e celulites sem nenhum remorso, saindo daqui a arder. Adormeci depois de um arrepiante e gélido banho a saber a sal e a arrependimento.
Mas tinha de ser. Que diacho! Já estamos em Julho e eu não me baptizava este ano com cabeça e tudo? Não sou de meios banhos de mar. Ou vai ou racha e desta vez não rachou. Parti mesmo para a toalha quase paralisada e a entrar em transe.
Mas já lá vai.
O pior foi o escaldão, nada que não passe também. Para a semana há mais. No meu mar azul verde esmeralda, que me vou oferecer de presente de aniversário. Havia de fazer anos todos os dias. Para o pretexto das ofertas. E para dar alimento à minha alma carenciada.
Fidelização
Domingo passado, entrei de raspão, tão de raspão na Natura do Dolce Vita, que nem pude comprar, pois quem estava comigo tinha tanta pressa e falta de pachorra ( sempre ), que só namorei de longe e breves segundos, um macacão todo castanho,para vestir nos meus anos, mas ficou-me no coração pra mais tarde comprar.E ontem aí vai ela, não se faça tarde e as promoções acabem.
As meninas da dita loja. são por norma, muito simpáticas, pontos a favor para que ali compre de vez em quando e quase sempre nos saldos, porque os preços são a escaldar e eu não gosto de me queimar. Tenho um cartão a custo zero, que acomula pontos e tem mais umas vantagens das quais benificio muitas vezes.
Contei à menina que me atendeu, que tinha uma mensagem da loja, no telemóvel.
Riu-se e nem me deixou terminar . Fui levada pela mão a 3 prateleiras de produtos de cosmética e bem estar pessoal e convidada a escolher dois produtos que não fossem da mesma gama. Era a minha prenda de aniversário.
Que simpatia, não?
Então é assim; Ao fazermos o cartão, os nossos dados vão para o nosso processo pessoal. Chegado o primeiro dia do mês do nosso aniversário enviam uma mensagem que diz:
O seu aniversário está a chegar, neste mês dirija-se a 1 loja NATURA e receba a sua prenda. Para a Natura os seus clientes são especiais todos os dias! PARABENS!
Claro que tudo isto é marketing. Claro que é preciso fidelizar os clientes.
Claro que é muito simpático e toda a gente gosta de receber um presente que nem estava nos planos e ainda por cima escolhendo, dentro das regras da loja, claro, porque interessa dar a conhecer os produtos que saiem menos na loja.
Eu, cá, gosto. Adoro presentes, dar e receber. Adoro surpresas destas e vim para casa cantando e rindo com dois saquitos da Natura. Um com o meu macacão, namorado desde a semana passada e o outro, o presente, o primeiro presente recebido, do aniversário que se aproxima.
É caso para dizer: Sempre a bombar...ou, o que vier é lucro! Ou ainda, Ganhaste maria clara!
para a tua rua...
Tem cara de puto reguila. E gestos de cachopo mal educado. Ou de quem saliva demais. Pode ser um caso de médico.Ou aversão a câmara-mens. À televisão. Ao mundo.
Reminiscências do passado? Ou apenas, marcação de terreno?
Só me apeteceu dizer: Eh pá puto, vai cuspir para a tua rua...
Se fosse mãe dele, dava-lhe um par de açoites e punha-o de castigo, proibido de andar de porsche por uma época, para saber o que é bom para a tosse, ou para o cuspo...
Já faltou mais
olá no mundo
sexta-feira, 2 de julho de 2010
Canto De Rua - Paulo Flores.wmv
Estou tão contente! Mano Zé, és Grande. Conseguiste fazer o que te pedi. Finalmente esta linda canção já está no blog. Todos os angolanos já conhecem concerteza, mas para quem não conhece, oiçam e façam coro, porque isto é tão lindo, tão lindo que até me emociona, tipo, ficar mesmo com pele de galinha e o mesmo há-de acontecer convosco. E tem a particularidade de me fazer cantar do princípio ao fim esquecendo o lugar onde estou. Volto à minha rua e ao meu canto de rua. Aiuê!
Brigado, meu irmão. Ganhaste!
parabéns leninha
quinta-feira, 1 de julho de 2010
tentando
E me devolvessem cor à face e brilho aos olhos.
E me dessem força, duma natureza amiga e protectora.
Quisera fechar os olhos e abrir a alma. E aceitar sem desconfiança os sins de que é feita a minha vida. Breves e desconfiados acenos afirmativos.
Saltar por cima das negações e pegar na ponta da meada. Desfazer emaranhados. Tecer de novo linhas virgens, ou limpas de mácula.
Sorrir. Gargalhar sem cócegas nem esforço. Soltar o meu som de pensante que fala e gosta de falar e rir até me doer o esqueleto.
Acho que sou capaz. Tento animada. Enquanto é dia e a cor forte me fere os olhos e me faz fechá-los. Para sonhar...
o euromilhões é que era!
Hoje seria uma 4ª feira como qualquer outra não fossem algumas nuances a darem-lhe outra cor.
Uma colega trouxe-me para Torres Novas. Estivemos na esplanada da Avenida. Acabei a comer caracóis e a beber panachê. Depois fui sentar-me na beira do rio com a Manuela, enquanto o Rafael fazia das suas. E por fim fui ter com a caçula.
Rebentei uma sandália, e aconteceu-me algo que só acontece aos outros. Mais uma. Um infeliz de um pássaro, não percebeu que a minha cabeça não é a sua casa de banho e vai daí senti um pingo. Olhei para cima para perceber se começara a chover. Passei a mão...e ai! Que nojo! E tantas asneirolas com os dedos e tudo à desgraçada da ave que tinha tanto onde descarregar a tripa e foi escolher-me a mim.
Que p...!
É claro que servi de chacota de mim própria e da caçula. E desanimada lá fui com uma sandália a dara a dar e a cabeça a cheirar a caca de passarinho. Só a mim...e aos outros, por isso acho que ainda me vai sair o euromilhões. Porque dizem que isto da caca, é sinal de sorte. Dinheiro, portanto.
Mas não acabaram os episódios.
Estava eu muito sossegadita à espera do belo do bife e a caçula alerta-me para uma aranhão que se preparava para fazer a teia no meu cabelo.
É o que digo, sinal de sorte. Era bom que na 4ª feira chegasse aqui e com letras garrafais escrevesse só SAIU-ME O EUROMILHÕES.
Era muito bem feita,não era?
para sempre
Gostava que chegasse o dia 1 de Julho. Era o primeiro dia do meu mês. Era o teu dia. É o teu dia.Era dia grande, todos os anos. Gostavas como eu, como bons caranguejos, de uma boa festa. De reunires as tuas pessoas e conviveres com elas. E cantavas fados. E contavas histórias da tua terra longe, que eu até já a conhecia de cor e salteado e até já gostava dela.
A mesa sempre farta, a comida confeccionada por ti. Os caranguejos que ias apanhar aos sábados à noite para a Samba ou Morro dos Veados. A lagosta que preparavas tipo manjar de deuses. O cabrito, o churrasco. O uisque, com soda, que eu já gostava mas com seven-up ou coca-cola.
O sr. Camarinha que chegava com a sua guitarra para te acompanhar nas cantorias. E as cartas.
Não havia festa que não terminasse numa mesa de quatro, apostando a rodadas de cerveja, numa sueca inteligente e cheia de sinais e de truques.
Um ano, faz hoje muitos, tantos que já nem sei contá-los, teria eu uns 10 anos, ofereceste o jantar à família e amigos. Um deles, o Valdemar Rocha, comia na nossa casa, tipo hóspede, e dormia num quarto que alugara no Marçal. Na noite deste dia e depois de nos deixar, regressou a casa e encontrou nadas. Tinham-lhe assaltado o quarto e roubado tudo.
Nos anos seguintes, neste 1 de Julho, em nossa casa, à mesa, lembrava-se a desgraça do Valdemar Rocha naquela noite. Tão lembrado foi o episódio, que eu nunca mais esqueci, como nâo esqueci que este homem, para teu escândalo, já com quarenta e tal anos não sabia para que serviam os supositórios, e um dia doente, mostrou-tos, receitados pelo doutor e estava preparado para engolir um daqueles canhangulos. Não fosses tu e o homem tinha experimentado um supositório pela goela abaixo. O que tu te riste...é que o Rocha maneta, porque lhe faltavam dedos numa mão, e tu à socapa era assim que o tratavas, pois, o Rocha maneta tinha a mania que era um intelectual. Comprava o Província de Angola diariamente, ouvia todas as notícias e ousava discordar de ti àcerca da actualidade, do alto dos seus óculos de astes de osso, pretas.
O mais longe que chegou foi a guarda noturno. E a duras penas, pois gostava de andar de costa direita.
Mais um ano. Eles correm velozes. Seriam 85, os que hoje completarias. E cantariam as nossas almas e dar-te-iamos salvas de palmas...e presentes. E beijos e abraços.
E tu comovido, aposto que chorarias. Nunca tiveste vergonha das lágrimas. Nem de mostrares o quanto nos amavas. O quanto me amavas.
Tenho saudades de ti. Tenho saudades de pai. Tenho saudades de ser filha.
Tenho saudades dos dias 1 de Julho de outrora.
Hoje quero dar-te um abraço que não caiba em todas as eternidades que possam existir, porque hoje é o teu dia, para sempre.
Removida
Acabou o mês de Junho. Removida a imagem voltei a pôr os óculos, que são de lentes progressivas e como tal, devo portar-me sensatamente e tê-los sempre presos pelas orelhas, com muita pena minha.Tirei esta foto em Luanda, 2009, Dezembro. Já envelheci depois disso, mas pronto, é só um pormenorzito sem importância, até porque como sou fotogénica, engano um pouco. Engano tudo.
Para terem uma ideía, veêm-me na fotografia e depois quando me veêm ao vivo e a cores não acreditam que seja eu. Perguntam pela irmã gémea, a da foto. E eu fico com cara de tacho...
Tirei esta foto numa manhã de domingo, depois de um dia de sábado de arromba. Festa de aniversário da minha amiga Ana Maria Oliveira. Para terem uma idéia foi a noite toda em festa. Acabando-a de manhã. A comer cachupa. E a ver o dia amanhecer na terra de todas as terras, para os lados de Talatona. Depois fui dormir uma horitas e vai de continuar a festa pelo domingo fora.
Ai saudades! De mim há 6 meses e da terra. Ai chiamiê!












