segunda-feira, 12 de julho de 2010

1970/1980







o trio

A minha kamba Julieta, colega do liceu e amiga da Vila Alice. Vive em Genéve onde é enfermeira. A minha amiga Nela, do Porto, que viveu na Vila Alice e vive em Aubagne, França. Não a vejo há mais que tempos. E eu...todas no Rossio, junto das vendedeiras de flores de antigamente.

A caçula e eu

A caçula e eu. No castelo de Almourol, perto de Tancos. Vêm a diferença de idades? 13 anos. Como não há-de ser a minha caçula?

Kamba Milú

Minha Kamba Milú. Do peito, como irmãs. Aquela que a meias me ofereceu a viagem a Angola ao fim de 33 anos. Que me acolhe em sua casa. Que me telefona à meia noite quando faço anos. Que está sempre presente mesmo quando está ausente. Que quer esteja em Havana, na China, em Luanda, no Dubai, no Rio, S. Paulo ou Joanesburgo, Sal, ou S. Tomé, Dubai ou Lisboa, a qualquer hora, em qualquer momento, para rir ou para chorar, eu estou sempre para ela, mesmo que faça das tripas coração, mesmo que não durma e no dia seguinte bata com a cabeça nas paredes.
Decorria a década de 70. Em Torres Novas. Em frente ao tribunal, onde eu era estagiária, à época.

Ano de 1975

Em Torres Novas, Outono de 1975
Com a minha amiga Nela No Porto em Novembro de 1975

carnavalizando

Eu e a Fatinha. Num carnaval. Talvez com 11, 12 anos. O meu fato, obviamente, muito mais desajeitado que o da minha vizinha e amiga. As mais velhas, Ana e Hortênsia é que nos vestiram.
Ainda hoje somos amigas. A mãe, D.Regina é minha madrinha do crisma. A minha infância e adolescência está muito ligada a esta família. Foram anos muito felizes e cheios de traquinices. Eu saltava o muro para a casa delas e só quando a mãe me chamava para as refeições voltava à minha casa.

casamento dos tios

Mano Zé, tia Fernanda, eu e tio Augusto. Metemos todos medo a um susto. O tio Augusto, irmão do meu pai, outro homem da minha família, meu ídolo, meu herói.
Casamento que dura até hoje. Um dia destes vou vê-los a Trás-os-Montes. Em Agosto. Com o mano Zé. Já combinámos e tudo e tudo.
Eu tinha 10 anos, nesta altura. Casaram a 18 de Setembro. E esta?
Todos os anos lhes telefono a dar os parabéns. O tio diz-me assim e invariavelmente, num discurso de voz muito bem colocada: Clara, filha, tu não existes. És aquela máquina, filha. Salvas a honra do convento.
E eu que conheço esta ladainha de cor e salteada, riu-me variando o meu discurso. Adoro estes dois. Logo, vão ligar a dar-me os parabéns, que eu sei.

avô carvalho e eu

O meu avô Carvalho e eu. E a carrinha azul dos nossos passeios, todos os domingos. Até que saiu de Luanda e foi para Moçâmedes. E depois para Porto Alexandre. E depois para a África do Sul. E para o Algarve e para Vilar de Besteiros. E depois partiu para sempre.
O meu avô da minha paixão...o ídolo, o meu herói.

A santíssima...família perfeita.

Mãe, pai e eu. Não pareço, mas sou. Bebé de colo, de rabo ao léu. Olhem o pormenor da celha...ao lado do pai, sô Santos. Sou parecida com estes dois, não sou? Mais com ele...dizem.
Esta foto andou na guerra, literalmente. Recuperei-a, depois de me terem assaltado a casa e levado tudo. Algumas fotos ficaram espalhadas pelo chão, poucas, quase nenhumas.

parabéns para mim

Parabéns para mim.
Sou muito narcisista não sou? Pois sou, mas não faz mal. Não acordei ninguém. Não chamei ninguém. Não aborreci ninguém.
Faço a festa sem que me deitem foguetes. Deito-os eu. E apanho as canas.
Mas...às 00,00horas tive o primeiro telefonema. Da Ana Rita.
Directamente daqui, minha vizinha de ao pé da porta que é como quem diz, do Olival para a Póvoa.
Obrigada minha querida, és um doce. E tens bem a quem sair. À tua mãe.
Esta, ainda eu estava ao telefone contigo, já estava a ligar-me de Luanda, para me dar os parabéns. Amiga, obrigada yá?
Edgar, meu amigo, obrigada pelos parabéns. Adorei ouvir-te. Imaginei essa viagem que fiz contigo de Luanda Sul para Luanda, vindos de casa do teu primo e da Bia.
E depois chegou a mensagem da Linda, vossa vizinha de Luanda que está hoje, na outra banda, atravessando o Tejo. Linda, querida, como fiquei contente de te teres lembrado de mim...beijos.
Por fim, a Constância através do facebook. Uma mensagem muito bonita. Foste uma amor Bolinha.
Tenho que vos agradecer a todas.
Angola no seu melhor. Que orgulho! Tudo gente de Angola. A minha Gente!
Amo-vos hoje, muito. Obrigada.

a rua onde eu nasci

Do lado direito, em frente às bombas de gasolina, à época, Mobil, entre um prédio de dois andares e um prédio alto, havia um largo, no areal. E duas casas gémeas. Ainda lá estão. Uma delas, é do meu avô. Foi ali que nasci. Numa manhã de cacimbo.
Não pude fotografar porque hoje construiram à frente das casas, outras e o acesso é difícil. Chegar à casa exige uma explicação a quem mora ali. Que não quero dar. Que podem não aceitar. Da avenida ainda se conseguem ver as mangueiras que o avô plantou há mais de 60 anos.

o meu ano

É o meu ano. Hoje caso os anos. Nasci em 1955 e faço 55 anos.
Viva eu!
Hoje, 12 de Julho é a data que eu mais gosto. O dia devia ter muitas vezes 24 horas para me sentir rainha, dona deste dia, o único que é meu.
Obrigada mãe. Obrigada pai.
Estou tão contente!

o meu mês


o meu número, o meu dia

Hélvio - Lua Dela [2007] Coisas Nossas

Obrigada minha terra. Porque hoje, à 55 anos nasci do ventre da minha mãe, na minha avenida do Brasil. Em ti.

domingo, 11 de julho de 2010

na tela

Olho a cidade. Em contemplação. Gosto de terras grandes. A perder de vista. Com o mar a ilimitá-las.Olho as folhas movidas pelo vento. Ganhando asas.
Na chávena do café a marca do baton. Porque raio as mulheres maduras pintam os lábios mesmo que na praia? Sei porquê, mas não me apetece falar nisso. Fica para outra vez.
Ao longe o barco à vela. Velejando ao sabor da calmaria. Quase imóvel, portanto. O balanço parte das ondas, que vêm enrolar-se com a areia num abraço namorado a cada vez que se ondulam.
E a gaivota, fazendo parte deste cenário, passa veloz em busca de peixe.
Hoje é domingo neste lugar.
Olho o horizonte, azul, verde esmeralda. Para além da linha dourada.
Páro a película. A preto e branco. Muda, numa conversa de surdos.
Contemplo a cidade colorida de vermelho sangue das flores de acácias. Vou a caminho da Ilha. Na carrinha azul, do avô. Para a Chicala. Passei a fortaleza, que ficou para trás. Já estou na ponte. O avô agora curvou à esquerda. Junto aos restaurantes.
Paramos no nosso lugar de sempre.
Salto a correr da carrinha e vou molhar os pés. As ondas vêm beijar-me as feridas. Arde muito mas a água acalma-as. Já ninguém mais pára a minha traquinice. Chapinho feliz, livre. Abro os braços e corro para o avô que já se empoleirou numa rocha. Calças arregaçadas. Chapéu de coco na cabeça e pés descalços. O ritual de sempre, no lugar de sempre e eu como sempre...
O avô parece um polícia sinaleiro. Falta-lhe o apito para me fazer stop. E a farda de caqui com galões e fivelas. E o capacete de chefe de posto e as luvas brancas. Afinal, falta-lhe quase tudo.
O cenário está montado. Os pescadores enrolados em saias de panos coloridos, com turbantes na cabeça, fumam uns cigarros grossos forrados de folha de árvore castanha, enquanto remendam as redes de pesca. Os dongos estão parados.
Hoje é domingo. Já fomos ao cemitério da estrada de Catete pôr flores na campa da avó, eu ajudei com o regador a regar as flores dos vasos pequenos. Já fomos aos Correios à caixa postal, e comprar o jornal, que o avô se prepara para ler. Pôs os óculos. Não há vento e vai poder ler as noticias. Quando sairmos da praia, vamos parar na Mutamba. Em frente à Fazenda Nacional, para engraixar os sapatos nos engraxadores que páram ali. Vou ouvir outra vez kimbundu. O avô gosta de falar com eles essa língua que ainda não consigo decifrar, mas gosto de lhes ouvir.
A manhã está fresca. Corre uma aragem que parece que vem do mar. Parece até que vem aí o cacimbo. Estamos no tempo dos maboques e dos tambarinos. Vem até mim o cheiro das massarocas a assar e do bombô. Deus queira o avô compre uma massaroca para comer com manteiga. Vou-lhe pedir com jeitinho, que com jeito vai. Ele compra.
Vai dizer: Não digas à tua mãe Clarita, senão almoçares, vai ralhar comigo.
Gosto tanto deste avô!
Páro a película. A cores e ao vivo...ainda e para sempre.
Daqui a pouco o sol do meio dia vem abraçar-me com o seu calor.
Caminho devagar ao encontro do presente. Calma e feliz.
Chamo o passado e ele vem. Páro-o e ele permanece em mim. Chamo o presente e ele se dá como presente e até oferece o banco para que o passado se instale comodamente.
Em harmonia. Nesta cidade à beira mar plantada...

E..Viva la España!

Sinceramente. Muito sinceramente. Prefiro que a Espanha ganhe.
Até porque nunca fui muito simpatizante dos holandeses. Andaram lá por Angola, a quererem " papar " a terra aos portugueses. E não só.
Além disso, a minha bisavó, Maria Torrinha é bem mais importante que a população holandesa toda junta. E o sangue dela ainda me corre nas veias. E passei-o às crias.
Por isso, e porque gosto de Espanha, de paella, das praias, de castanholas, das saias rodadas, de flamenco, da língua, que se embrulha na boca e sai aquele som musical , porque somos porta com porta e porque derrotou Portugal e são sem dúvida uma equipa excepcional, merecem ganhar.
Vá lá então, almas do além mundo, hoje têm de ser espanholas, e com muito salero gritarem:
Olé!
E Viva la España!

quando a noite chega

Perante a beleza deste fim de tarde, na hora em que o dia se despede docemente da terra acenando, e dá lugar à noite que também silenciosamente, pé ante pé, se aproxima, as minhas lágrimas sabem a sal dos burrifos que vêm do mar, refrescando-me o rosto e as memórias.
Há tombos que a gente dá que valem esta fotografia.
Há tombos que a gente dá que agradecemos do fundo do coração, depois de nos levantarmos.
Eu sou perita em quedas. Ponho-me sempre a jeito e depois...zás. Pum catra pum, pum, pum!
O que é necessário é alguma habilidade e força, para nos levantarmos, sacudirmos a roupa, empinarmos o nariz e seguirmos em frente e em pé, claro...

tralho II

Estão a ver esta areia toda em cima do passadiço, pois, é uma areia traiçoeira, como algumas pessoas mal acabadas. Isto para dizer que ontem dei um tralho que até vi estrelas. As minhas sandálias deslizaram como se estivessem em cima de manteiga e não fosse ter tido uma dor horrível no tornozelo que foi raspando e me provocou uma ferida enorme ( antes no tornozelo que no cotovelo, essas custam mais ainda ) e teria sido divertido, juro. Foi uma sensação porreira, sentir-me a deslizar, por aí adiante, só parando quando estava com o rabo no chão.
Boa maria clara!
Um dia destes, quando nevar, tenho de ir deslizar na neve, coisa que até agora me provoca um certo receio. Afinal, não custa nada dar um tralhozito de rabo no chão.
Quem assistiu? Só o diabo, que apanhou o meu Deus distraído. Foi o que valeu, para não ser aplaudida pelas minhas inabilidades.
Levantei-me ainda o eco do meu Aiiiiiiiiiiiiiiiii se ouvia, fui tirar as minha fotografias ao fim de tarde e depois fui passar o pé por água porque o sangue escorria para o meu pobre pé e a seguir, jantar à esplanada da praia, uma bela sopa de agrião e uma tosta mista gourmet, de ...sardinha. Ah pois é. E julgam que não é bom? É bem bom, senão eu não comia, que havia lá muita coisa boa para ser comida.
O restaurante do hotel tinha um belo buffet, mas era tanta comida que torci a cara , dei meia volta e fui sentar-me na esplanada,da praia, em frente ao hotel( estava friote e eu sem casaco ), e ali fiz a minha refeição, muito bem servida por uma menina simpatiquíssima que há duas semanas me atendera juntamente com um menino igualmente simpático.
E dizem que somos tratados abaixo de cão, nas praias...não é aqui, nesta terra que eu amo e onde me sinto sempre feliz. Às vezes nostálgica, quando me lembro que os meus meninos, hoje bem crescidos, quase nasceram aqui, cresceram aqui em férias maravilhosas...mas isso é só uma nostalgia doce e boa de voltar ao passado.
Daqui a duas semanas...bem, não digo mais nada.

desporto II

ao raiar da aurora


TITO PARIS e MARIZA - Beijo de saudade

sábado, 10 de julho de 2010

desporto

Foi um sábado bonito e cheio de sol. Aqui, onde mar é azul, verde esmeralda.

destino d'água

Existem pessoas que a gente olha e diz: É aquela. Vai estar na minha vida em permanência.
Criar raízes. Instalar-se. Para sempre. Num sempre igual ao nosso.
Quem sabe o futuro? Num sempre em que acreditamos e que começa assim que olhamos, apontamos e dizemos: É aquela.
E parece que nós decidimos que aquela vai ficar.
Existem pessoas, que estão sempre à nossa porta. Simulando entradas. Insinuando começos. Distraindo-nos o querer. Oferecendo uma nota alta ao nosso aceno. Se calhar, até podiamos dar o jeito. Como se fossem crianças e os passos, inseguros, estendermos a mão, um dedo e zás, ficavam do lado de dentro. Logo se veria. Num sempre com dois vs. Vais mas voltas...caso...num sempre de boa vontade, condicionado.
Existem pessoas que não pedem licença para entrar.
Tarde piaste! Já estão instaladas, mal dás por elas. Decidem sem nos consultar. E o pior é que gostamos de acreditar nos sempres que nos trazem às mãos cheias de odores que se entranham como sangue nas veias correndo quente e jovem. De cacimbos já cacimbados e por cacimbar, tornados verões de astro rei no meio dia, de verso de palavras por inventar, num diário sem calendário, de canções para cantar, melodicamente junto do piano magestoso e elegante do canto da sala, e bancos de pedra, muros para sentar, baloiçando os pés e sonhando as estrelas na noite de luar, de jogo de sol e sombra, de cabra-cega, de toca e...fica, e foge...
Existem pessoas que nos desarmam, que nos atraiem e que nos intrigam.
Que se alojam nos nossos sempres de todos os dias.
Podem não ser gémeas. Nem sequer irmãs. Mas são almas que se banham nas mesmas águas.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

resumo alargado

Estou de viagem.
De comboio. E porquê? Porque D. Pitanga que está aqui mesmo à minha frente, dentro da sua casota, vai para Lisboa comigo, para passar o fim de semana com a cria mais velha.
Ah, porque torna e deixa, e tal e coiso, que tenho saudades dela e podias trazê-la, e ela vem mesmo? E ai que bom vais mesmo trazê-la...
Sobra. Sobra para mim, claro. Só não sobrou para o mano Zé, que evita uma ida lá a casa para tratar dela e...deixá-la fugir escada abaixo. Soube há pouco tempo que a D. Pitanga também tentou a fuga com o mano Zé que tem mais de 1,80m e é bem espaçoso. Este fechou-se em copas, mas não aguentou o segredo, deve ser como eu, é de família, dá-se mal com eles e zás, lá saiu, que a menina de olhos azuis que dá pelo nome de Pitanga, tomou-lhe o pulso e à sucapa, a sonsa, pirou-se escada abaixo.
Agora,vai aqui bem acordada, desconfiada e capaz de me comer numa fatia de pão. É a segunda vez que viaja para Lisboa, dentro deste compartimento claustrofóbico. De início, chorou um pouco mas agora vai sossegadita. De olho azulão arregalado que eu sei lá, não vá o diabo tecê-las.
Ir para Lisboa de comboio causa transtorno a outras pessoas e a mim. O mano Zé teve que se disponibilizar para me levar a Riachos para o apanhar. Depois, não posso viajar no intercidades porque o espaço é mínimo para a arrumar sendo que os lugares são marcados. Este pára em todas, mas ocupei 4 lugares, só para mim e minhas tralhas. Como nómadas, por esse mundo fora, com as traquitanas às costas. Por falar em costas, acho que a minha hérnea se queixou mais do que o normal e até tremo perante a hipótese de uma crise. É que eu não posso ficar imobilizada, sob pena de me internarem num asilo, por não poderem tomar conta de mim. E depois o que vai ser da minha Pitanguinha?
Bem, e para além de tudo isto, amanhã, bem! Amanhã quero ir ver o meu mar azul, verde esmeralda. E adormecer ao som das ondas batendo nas rochas e na areia. E apanhar sol e andar ao longo da praia até à ilha...do Baleal. E cantar até que a alma me doa...e também a voz.
Tive que desligar o computador. Estávamos quase a chegar ao Oriente e a minha kamba ligou.
Está em Lisboa, quase para ir para Luanda.
Cheguei e apanhei um taxi. O senhor, rapaz novo, abriu a mala do taxi e eu dei um passo atrás.
A minha gatinha não vai aí.
Tenha calma. Claro que não. É para os seus sacos.
Ah, pronto. Ela está assustada. Tem de ir ao pé de mim.
No percurso, a Pitanga voltou a queixar-se. O taxista resolveu falar-me de gatos e fazer-me perguntas sobre esta. Lá fui respondendo. Sei pouco de gatos. Sei é da minha. Isto é como as crianças. Nunca fui de dizer que gostava muito de crianças. Como se fossem coisas que devemos adorar. Não. Acho piada aos miúdos. Detesto putos embirrantes e mal educados e adoro, amando, as crianças que me dizem respeito. Amo-as de paixão.
Voltando à Pitanga, nem imaginam o que aconteceu, no taxi. Eu devia ter juízo e deixá-la em T. Novas, tipo castigo. Ponho-me a inventar e depois fico com cara de tacho com as loucuras da Pitanga.
Ela com a pata, passando por entre as grades da portinhola da sua cubata, tentava tocar-me. E conseguiu. Foi um toque molhado. Mijado, é o termo. Ah, pois é. Fez uma valente mijadela nos aposentos de princesa. E pior que isso, dentro do taxi, deste taxista puto, tão simpático.
Eu sabia que ela vinha borradinha de medo, na viagem. Mas que fizesse as suas necessidades sem ser no areão, ou na sílica, melhor dizendo...bolas Pitanga! Senti-me traída. Assim como assim, já me vou habituando, mas custa sempre.
Meti o rabinho entre as pernas e tirei-a com todo o cuidado, assim que parámos, na minha casa.
Surpresa das surpresas, o banco do senhor taxista, graças a Deus, estava sequíssimo.
Apeteceu-me pôr-me aos beijos à medrosa gatinha do olho azul celeste. Afinal foi uma traiçãozita que não provocou muito dano, apenas e só algum constrangimento para o meu lado.
Uma vez chegada a casa, libertei-a. Tratei dela e fui tratar de mim.
Fui visitar o Mulemba X'Angola. Estava lá a Cláudia que me fez uma festa dos diabos. Já há algum tempo que não a via nem ouvia. Desde que me ligou a dizer que estava no restaurante um grupo de angolanos para almoçar, que tinham visto no blog a indicação do Mulemba e ali foram à descoberta dos cacussos,da moamba e da cachupa. A Cláudia, nessa altura, baixou o tom de voz e disse-me - Clarinha, são todos angolanos, brancos.
É que a Cláudia é africana pura. Negra como os pais. E?...mas ainda hoje ela própria, no seu restaurante, tem necessidade de dizer que uns são brancos e outros negros. Os mestiços como sempre, andam ali, num lugar que, não sei bem qual é. Quer dizer, eu sei. Eles, os outros é que não.
Hoje, como sempre, o restaurante estava cheio de gente, de todas as cores, claro. Angolanos e não só. Jantei numa mesa, perto de uns homens já velhotes, portugueses, do Olival, mesmo, que não respeitando o meu prego de carne de vaca ( que foi isso que fui lá comer ) estavam entusiasmadíssimos a falar de um jogador de futebol brasileiro que terá morto a mulher e atirado-a aos cães para que a destruissem. E eu e o meu prego. E eu e o meu estômago. E eu e as ganas com que ando de bater em alguém. E os velhos estavam a pôr-se a jeito...e ainda agora tenho o estômago todo embrulhado da conversa. Noutro tempo, mandava-os calar e se não me obedecessem virava onça, agora, já não, mas ainda senti uns fornicoques que tive que controlar.
E pronto. Para acabar em beleza, estive a ver um programa em estreia na TVi, com a Iva Domingues e uma médium. E o António Sala, que achou-se visitado pelo seu amigo de sempre Carlos Paião. E os diversos convidados. E também lá gostava de ter ido. Que eu às vezes acredito outras nem tanto. E tirava a prova dos nove.
E para sexta-feira já chega, tendo em conta que trabalhei o dia todo, indispûs-me com uma colega por causa do ar condicionado que ela não quer que se ligue porque sente frio nas costas e tem lá um casaco mas NÃO LHE APETECE VESTI-LO. E eu tive de lhe dizer que a mim não me apetece uma ventoinha virada para mim directamente, e nem me apetece ficar doente. E já não tenho arcaboiço para discussões nem para egoísmos e arrogâncias de gente como eu.
Tendo em conta também que amanhã vou de viagem de novo para um fim de semana que me propûs gozar e me ofereci e quero-me bem tranquila e bela como diria a minha caçula, passando a mão pelo rosto, a exemplificar a beleza.
E com isto me vou, que hoje a Pitanga está a fazer o reconhecimento do espaço e não sei se vai querer dormir comigo ou com a minha cria. Se escolher a cria ( o mais provável, porque ela para além de sonsa gosta de botar charme ) vai ser um alívio para mim porque me deixará dormir de um sono só e não me acordará pela madrugada fora, para se empoleirar no meu ombro e obrigar-me a virar-me para que se deite no meu peito. Nem me morderá o queixo ou o nariz. Olhem que sorte a minha!...

Paul, o Bruxo!

Parece que é bruxo!
Paul. O Polvo alemão...
E escolheu a selecção de nuestros hermanos para campeã mundial de futebol.
Toma e embrulha!
Desprezando a caixa que continha o mexilhão com a bandeira holandesa fez a sua escolha inspiradora, pois então!
E eu pergunto. Os entendidos nestas coisas a escapar para coisas do outro mundo, o que têm a dizer sobre isto? É que eu estou intrigadíssima e muito curiosa e divertida.
Porque eu sou entendida em polvo à lagareiro, arroz de polvo, salada de polvo, e por aí adiante, mas advinhação escapa-se-me, lamentavelmente, pese embora ache muito bem que Espanha seja vencedora. A equipa que derrotou Portugal, merece a taça, pois claro, digo eu, deixando falar o sangue espanhol que me corre nas veias. E a desejar que Paul, o Polvo Alemão seja mais do que tentáculos. Uma espécie de advinho...
Dizem que não há bruxos. Pois... que los hay, los hay. E ninguém me convence do contrário.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Ando tão à flor da pele...

Como diz o cantor: " Ando tão à flor da pele ..." que qualquer coisa me faz chorar.
Até um cisco nos olhos. Pois...que até perco a vontade de rir de mim própria.
O meu sentir é uma amálgama confusa e desconfortável de sentires, muitos...de hoje, de ontem, de antes do ontem que virou passado faz tempo, mas que nunca é tempo passado.
Está a chegar a hora de me ligar umbilicalmente. E se o corte é violento, esta reunião que faço todos os anos, num luto que é aliviado nos restantes dias do ano, é dolorosamente saudosa.
Saudade sem fim. Dela. De todos. De mim.
Do que vivi. Do que quis viver. Do que ficou por viver. Da incerteza de viver.
Ando tão à flor da pele que tudo me provoca pranto.
E queria deitar para fora as mágoas, os pesadelos, os medos. As noites.
Ah! As noites...
Boas para verter lágrimas. Aquelas que gritam desesperadas, os desesperos de dias e dias fúteis, inúteis, vazios.
Que se revoltam com as partidas, abandonos, mentiras, traições.
Que praguejam incapacidades e vinganças, injustiças e desigualdades.
Que soluçam penas, caminhos interrompidos, cobardias, frustrações.
Que deslizam silenciosas e conformadas nas dores, nos lugares desocupados, nos silêncios contrafeitos, na impotência. E na saudade...
Ando tão à flor da pele que qualquer palavra, verso, mensagem, telefonema, emoção, me faz chorar como se fosse dia de dilúvio.
Voltar à união do cordão umbilical, num nó cego, atado no coração, me faz voltar ao ventre materno, para ser feto. E iniciar todo o crescimento, para voltar a nascer. Livre e pura. Pronta...

quarta-feira, 7 de julho de 2010

a vida depois das 5


Às 5 horas saí do emprego. Com a Lena, de boleia. Fomos ao Shopping de Torres Novas.
Escolher o presente que os meus colegas me vão dar. É da praxe. Um presente, por contribuição de todos, e em troca um lanche oferecido pelo aniversariante, que isto de receber e não dar em troca, já não existe. E assim, todos nós socializamos mais, e mais amiúde. Acho bem. Vai-me calhar agora a mim.
Não sabia muito bem o que havia de escolher. Há uma sapataria em Alcanena que tem despachado sapatos e carteiras à conta dos presentes de aniversário. Não me apetecia mais uma sandaloca ou uma mala. Afinal, a pessoa tem tanta coisa e acaba andando sempre com o mesmo.
Pensei num cachucho. Adoro anéis. Daqueles que se dermos uma sarda a alguém, arrancamos-lhe um olho no mínimo. Mas depois desisti. Nem dou sardas, nem preciso de cachuchos. Anéis é o que tenho mais e acabo como com as malas e os sapatos. Sempre os mesmos. Então do que me lembrei eu? De um relógio de verão. E se bem o pensei melhor o concretizei. E escolhi-o. E já está embrulhadinho, bonitinho, à espera que a je faça aninhos. A Lena levou-o com ela. Só lhe porei a vista em cima segunda-feira.
Depois disto, fui dar um beijinho ao João, à Joana, e restantes. Bem precisam de carinho e apoio.
Estava eu no alpendre, conversando com a minha amiga Manuela, que está muito em baixo, quando a caçula me ligou.
- Mana? Já estou livre.
Finalmente íamos jantar à Tasca. Que saudades! Reabriram depois de umas férias anuais.
O Alfredo ficou nervoso quando nos viu. Já eram mais de 9 horas. A Espanha jogava com a Alemanha. Na sala, um grupo grande numa mesa e um casal noutra.
Reparei que o Alfredo não estava nos seus dias, depois percebi porquê. Acabou por nos perguntar se já tinhamos ido às festas. E que ele queria ir ver a etiope que iria hoje abrilhantar as festas.
Ai é? Quem é ela?
Ele não sabia, mas queria vê-la e ouvi-la cantar.
Fui abordada pelo casal que se encontrava numa mesa. Nem mais nem menos do que dois amigos de outros tempos, que a vida se encarregou de afastar. Não passaram ao largo. Fizeram questão de parar, mostrarem-se contentes de me verem. Confundiram a caçula com a Ângela o que alegrou a caçula que gosta de fingir que não tem 42 anos. Depois perceberam que era ela.
Acharam ambos, que eu estava muito bem. Não sei se estavam à espera de encontrar uma clara decadente, infeliz e no seu pior. Percebi que o diziam do coração. Percebi que apesar de não estarmos juntos há mais de 3 anos, não me ignoraram e se o fizessem eu até percebia, e ainda estavam visivelmente satisfeitos. Somos os três de Julho e qualquer um de nós se lembra ainda do aniversário do outro. Foi gratificante perceber que por morrer uma andorinha não acaba a primavera.
De regresso à rua, resolvemos atravessar o Jardim das Rosas e perceber o que lá acontecia.
Descobri que a avenida mesmo junto ao rio está cheia de umas árvores que deitam um cheiro nauseabundo a peúga; vivo nesta terra há 35 anos e nunca soube ou senti este cheiro horrível.
Fomos direitas ao palco onde actuava a artista da Etiópia, Minyeshu. Nascida na Etiópia e a viver na Holanda. Falámos do Alfredo. Não se via por ali. Devia estar em brasa por não poder ver o show desta artista.
A estrela da noite acabara a canção e ouve-se: Thank you. Obrigadô. I learned today.
E nós resolvemos continuar a nossa marcha. A festa estava vista.
A caçula foi para a casa dela e eu vim para a minha.
Agora aqui estou cheia de calor, que a minha casa é fogo e não tenho ar condicionado.
A ventoinha está a 2 metros de mim e embora seja giratória, incide sobre o meu corpo e ele não se queixa. Pelo contrário, agradece.
Este foi o meu dia, após as 17 horas, como se diz na minha terra.

terça-feira, 6 de julho de 2010

testemunha

- Sou testemunha de uma vizinha e só agora é que ela me disse que devia ter cá estado hoje. E agora o que é que eu faço? Esqueci-me.
O funcionário levanta-se para a atender. Diz-lhe que foi condenada numa multa. A senhora
quase tem um xilique, depois desvaloriza numa ladainha já velha.
-Eu não pago. Não tenho dinheiro. Levem-me presa. Até preciso de descansar...
O funcionário, cheio de paciência, explica-lhe o que tem a fazer. Ensina-a a fazer um requerimento, explicando o que aconteceu, para que a falta seja justificada e não pague a sanção aplicada pela meritíssima.
Depois, em voz baixa e informal diz-lhe que se para a próxima data se deixar estar em casa e não se puser a caminho, a gnr irá lá buscá-la. Ela ri-se. Todos perceberam que estava a falar a sério, menos ela.
-Está a brincar não está?
- Não, não estou.
Eu, divertida com o caricato de situação atirei:
Deixe lá, vem de boleia, escusa de pagar autocarro.
Olhou-me desconfiada.
- Quando é que é a próxima data?
A minha colega escreveu-lhe a data para que não se esquecesse. Recomendou que guardasse o papel em local apropriado.
-Vou guardá-lo nas cuecas. Assim todos os dias vejo a data. Todos os dias mudo de cuecas...

Distancia.wmv

Esta canção é só uma das canções da minha preferência. É linda! Hoje precisava de a ouvir. Hoje quis que vocês a ouvissem. É uma alegria que seja cantada por dois angolanos que acompanharam o meu crescimento, cantando sempre e fazendo-me cantar. Apenas uma vez os vi em palco, cantando. Curiosamente, em Torres Novas...Duo Ouro Negro, Milo e Raul.

padre Hilário


Neste cu do mundo, num Ribatejo por vezes tão provinciano, eis que me deparo com um padre negro, com sotaque angolano ( não sei se é ) dando missa na Igreja do Carmo, desta cidade.
Não assistia a uma missa há muito tempo. Não é que não goste. Não tenho é pachorra para as homilias chatas e retrógadas, que já não fazem sentido e não me consigo concentrar nas palavras e no acto solene. Enquanto isso, mantenho um monólogo silencioso, que apenas é audível pelo meu espírito, nessas alturas, a que não posso escapar. E eu pecadora me confesso que se fosse percéptivel, iria ficar envergonhadíssima, perante os fiéis. Porque é o padre a pregar e eu noutra freguesia, no meu departamento crítico, praguejando. E gargalhando com a falta de imaginação, de inteligência para recrutar mais ovelhas para o seu rebanho.
Tanto machismo. Tanto preconceito. Tanta falta de tacto...
Bom, mas hoje foi diferente. A missa foi dolorosa, pelo motivo que foi, obviamente. Acompanhar a dor é muito sofredor. Porém o padre africano, de nome Hilário, conseguiu distrair-me desse cenário de partida, saudade, ausência e dei comigo a pensar no que leva um homem como ele a pregar nesta freguesia tão diferente do seu kimbo.
Homem novo, esclarecido e com um discurso tão coerente como despreconceituoso e ajustado aos tempos que correm. Se todas as missas fossem dadas por padres como o padre Hilário, de vez em quando conseguiam apanhar-me por lá. Muito de vez em quando...sem resistência ou dever.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

partida

Há momentos na vida que riscariamos fazendo uma cruz. Na nossa e na vida de pessoas a quem queremos muito bem. Este é um desses.
Desde o fim de tarde desse domingo que parecia perfeito, que tenho dificuldade em respirar.
O ar está demasiado pesado.
Quando há amigos a sofrerem, sofremos com eles. E vimos ao seu encontro.
A perda de mãe é tão dolorosa que não se consegue quantificar.
A minha amiga do peito, nesta terra tão madrasta, acabou de perder a mãe. Tão de repente que ela nem acredita. Nem eu, que não sou sua filha mas a quem ela tratava com muito cuidado e carinho, fazendo-me sentir sempre membro desta família tão unida.
Deixo aqui um abraço muito grande a todos. Para a minha amiga do peito, um abraço maior do que o Universo, que não caiba em todas as eternidades que possam existir. E muita coragem.

Musica Congo.wmv

Obrigada mais uma vez meu irmão. Pelo esforço e por atenderes sempre aos meus pedidos. Eu queria tanto esta música aqui, neste espaço que é de todos nós...Esta música faz parte do meu imaginário naquela terra que amamos tanto. Nunca mais a ouvira senão quando estive no grupo de amigos de Luanda há pouco tempo, em Junho. Ao meu amigo Zezé, devo, ter voltado a ouvir esta como outras desse tempo longínquo. Obrigada para ti também Zezé. É esta a música que eu queria tanto que vocês me dissessem que música era.

domingo, 4 de julho de 2010

florindo

Vi-a acordar.
Inspirar com força o ar da manhã.
Sorrir e dizer: Olá!
Percebi que era dia sim.
Fosse o dia como fosse.
Ficasse o dia como ficasse.
Ela estava pateticamente feliz
Perguntei-lhe a que se devia
Olhou-me, assim, de frente, como sempre
Quase me intimidei.
Os olhos crescem-lhe no rosto quando me olha
Como se tocasse a minha alma, desnudando-a
Esperei que me respondesse. A pergunta continuava no ar.
Agarrou-a, sorriu e respondeu:
O sol nasceu. O dia amanheceu e eu flori.
Quedei-me silenciosamente.
Sorri-lhe anuindo.
Às vezes, despertar devagar, sentindo o perfume do tempo e a cor da vida é quanto basta.
Foi um momento florido que captei.
Ela tem muitos momentos.
Breves instantes coloridos, que, curiosamente, determinam a minha forma de viver .
Florir, para ser feliz com e como ela...
Agarrar a manhã e o sol, acordar vagarosamente espreguiçando-me para o dia.
E sentir o perfume das rosas...

domingo para sempre

Sabem aquelas tardes de domingo, cheirando a domingo sem segunda-feira?
Pois é! É assim que hoje está. Um domingo à maneira. Tão bom, neste nada para fazer, sem querer fazer nada! De muito sol e calor do tipo Alentejo ou Ribatejo no seu melhor, que apetece deitar no sofá, adormecer a ver um daqueles filmes do tempo da maria cachucha. E não ir apanhar o autocarro de volta ao tarrafal, que é como quem diz, torres novas. Em festa, que ainda é pior, porque a música espalha-se pela cidade num ruído que faz mais calor ainda, quando tu não estás para aí virada.
Não fosse a D.Pitanga lá estar, e eu só iria amanhã de manhã. De madrugada. Fazia o sacrifício, mas deixava-me ficar aqui a curtir o prazer deste domingo sabendo a férias, sem segunda-feira a fazer caretas ameaçadoras.
Fazendo de conta que todos os dias são domingo e não me enfadar por isso.
Ah, hoje era, se pudesse...
Bom domingo para todos.

pobres e mal agradecidos


Quando vinha das compras, do Lidl, sim porque eu não tenho vergonha de dizer que compro no Lidl, porque há muito boa gente que faz lá as suas comprinhas todas, até o pão de lá vem, mas diz com ares de sonsa " Eu cá, no Lidl só compro comida do cão e do gato " Quando assim é, só me apetece chamar-lhes sonsos, tesos duma figa, com mania de gente gourmet e sem lhe poderem chegar...Corrê-los ao bofetão, era pouco. Ou vuvuzelando para cima deles.
Claro que já toda a gente me ouviu dizer que se pudesse só fazia compras no supermercado do Corte Inglês. Porque todos os produtos ali expostos são de uma qualidade de se lhe tirar o chapéu e eu gosto. Como gosto de cozinhar, e prezo-me de ser boa cozinheira. E sou boa anfitriã e por isso gosto do melhor, quer para mim quer para quem comigo convive. Daí a minha paixão pelo supermercado do El Corte Inglês para não falar das lojas gourmet, mas o Lidl satisfaz as minhas necessidades e alimenta algumas fantasias, a dos chocolates por exemplo. E por isso e porque a conta é uma agradável surpresa ali fui, hoje, mais uma vez. Da minha casa lá, é um instantinho. Só atravessar uma ponte e estou naquilo que se chama entre-terras, coisa parecida com entre-campos. Entre Odivelas e a Póvoa de Santo Adrião. Pois o LIDEL, como carinhosamento lhe chamo, ali está à saída da ponte chamando os mais desfavorecidos e os despreconceituosos.
Ora bem, mas a minha ida e vinda do Lidl nada tem de anormal, não fosse estar hoje com níveis de energia acima do normal, talvez do iodo de ontem, e para além de outras coisas só me apetece sair por aí fora a distribuir bofetões por quem se porta mal, pareço eu uma pré-histórica temível e desiquilibrada.
É que vi três pessoas juntas, perto da minha casa. Junto a um carro. Um casal nos seus sessenta anos e um homem relativamente novo (( 30 anos ), filho de ambos. Este muito mal humorado. Prepotente e mal educado dizia para o pai: Trago o carro cheio de tupperwares, vossos. Já não devem ter em casa nenhum.
E a mãe com ar infeliz, culpando o marido diz: É o teu pai que não os traz. Quando te levar alguma coisa não deixes que venha de mãos a abanar filho, fá-lo trazer os tupperwares.
Estão mesmo a ver o filme, não é? Pobre e mal agradecido, reclama de barriga cheia. Que maçada, o automóvel apilhado de plásticos...vazios.
Filhos!!!!!
E mais uma vez hoje me apeteceu que fosse meu filho. E tivesse menos 15 anos que fosse, já chegava, para levar uns açoites. Podia não valer de nada, mas que eu ficava consolada, ficava, porque criar cães que não reconhecem o dono, é algo que me custa engolir.
Os meus faz muito tempo, décadas, que não sabem o que é, umas sacudidelas de pó, mas eu tenho filhos de ouro. Às vezes... ficando ela por ela. Que me dou por muito satisfeita.
Hoje, ela até fez o almoço. Que me soube pela vida!

fim de tarde

Depois de apanhar um susto à chegada ao Cais de Sodré, pois uma vez fora do comboio da célebre linha Lisboa/Cascais/Lisboa, onde a semana que passou, se viveu momentos de violência extrema, tal como navalhadas e roubos a utentes pacíficos, dei-me conta que todos poderiamos ser possíveis criminosos, tal era o aparato de polícia e seguranças, aguardando a nossa passagem pelas máquinas do bilhetes, para os validarmos. Um exagero, tendo em conta que noutros dias de verão nem unzinho para contar como é que é, para dizerem como é que foi.
Dirigi-me ao Pingo Doce da estação para uns salgadinhos e um sumo natural de maçã e laranja, que estava mesmo a apetecer.
Não me lembrava do jardim das oliveiras com os seus bancos coloridos e modernos, senão quando me deparei com uma paisagem bonita de cores de verão e gente descansando ao sol, enquanto namorava, ouvia música ou simplesmente olhava o rio e o vai e vem dos barcos para a outra banda. E não me fiz rogada. Fui sentar-me num banco destes, amarelo pirili, de frente para o Tejo. E à boa maneira bimbalhona e portuguesa, puxei do saco dos croquetes e dos crepes chineses ainda quentinhos, e antes que se fizesse tarde, ali mesmo fiz o meu lanche ajantarado num fim de tarde para lá de bom, nesta Lisboa que eu também amo.
Depois, fui apanhar o 36 que pára ali mesmo em frente a escassos metros do jardim das Oliveiras. É claro que juntei o útil ao agradável. Podia ir de metro para casa mas não era a mesma coisa. De autocarro tenho o prazer de atravessar a cidade até á periferia onde moro e descobrir que um actor da nossa praça, famoso e que está neste momento numa telenovela portuguesa, também anda no 36. Se bem que apenas da avenida da Liberdade até ao Saldanha. Mas apanha o autocarro e ninguém dá por ele. Não sei se é isso que o senhor charmoso, com uns olhos maravilhosos e dono de uma voz de tirar o fôlego ( ouvi-o e vi-o declamar Fernando Pessoa no dia da poesia, na Mala Posta ) quer, mas é um facto que nem um músculo se moveu de entre tantos músculos faciais que iam no 36. Eu que lhe pûs a vista em cima assim que entrou e até que saiu não descolei dele, apenas para perceber o que vai na cabeça de gente assim, fui olhada pelo senhor charmoso, à sua saída com um certo brilhozinho de ironia no olhar, como quem diz: Ao menos tu, sabes quem eu sou? Vá lá, diz que me conheceste... Olhar que retribuí divertidamente como quem diz: Vai-te catar meu, e para a próxima tira os óculos e faz uma pose de artista, pode ser que tenhas mais sorte e a populaça te bata palmas e peça autógrafos.
Este foi um fim de tarde de sábado de verão bem disposto , como tantos outros,que é como quem diz, buéréré.

praiando e torrando

O Tamariz estava deste jeito. Podia-se estender a toalha a gosto. Depois de ficar sozinha, porque estive de companhia até às 2 horas, puxei a toalha para junto da água. Para o caso de convidados indesejáveis ousarem pensar fazer uma visita e revista às minhas ricas coisas, como, cartão de crédito, passe, algum dinheirito, óculos de sol, MP3, máquina fotográfica...
De preferência escolho a companhia de famílias com crianças. A dois ou três metros de gente que tem que estar sempre à vez, na toalha.
Ontem fui expôr as minhas vergonhas todo o santo dia. E torrei as gorduras, estrias e celulites sem nenhum remorso, saindo daqui a arder. Adormeci depois de um arrepiante e gélido banho a saber a sal e a arrependimento.
Mas tinha de ser. Que diacho! Já estamos em Julho e eu não me baptizava este ano com cabeça e tudo? Não sou de meios banhos de mar. Ou vai ou racha e desta vez não rachou. Parti mesmo para a toalha quase paralisada e a entrar em transe.
Mas já lá vai.
O pior foi o escaldão, nada que não passe também. Para a semana há mais. No meu mar azul verde esmeralda, que me vou oferecer de presente de aniversário. Havia de fazer anos todos os dias. Para o pretexto das ofertas. E para dar alimento à minha alma carenciada.

Fidelização

Quem nunca entrou na loja do urso castanho, enorme e simpático que está à porta e é um estímulo para visitarmos a loja? Que até dá vontade de parar, deitar-lhe a língua de fora ou simplesmente passar-lhe ao de leve, a mão pelo pêlo...
Domingo passado, entrei de raspão, tão de raspão na Natura do Dolce Vita, que nem pude comprar, pois quem estava comigo tinha tanta pressa e falta de pachorra ( sempre ), que só namorei de longe e breves segundos, um macacão todo castanho,para vestir nos meus anos, mas ficou-me no coração pra mais tarde comprar.E ontem aí vai ela, não se faça tarde e as promoções acabem.
As meninas da dita loja. são por norma, muito simpáticas, pontos a favor para que ali compre de vez em quando e quase sempre nos saldos, porque os preços são a escaldar e eu não gosto de me queimar. Tenho um cartão a custo zero, que acomula pontos e tem mais umas vantagens das quais benificio muitas vezes.
Contei à menina que me atendeu, que tinha uma mensagem da loja, no telemóvel.
Riu-se e nem me deixou terminar . Fui levada pela mão a 3 prateleiras de produtos de cosmética e bem estar pessoal e convidada a escolher dois produtos que não fossem da mesma gama. Era a minha prenda de aniversário.
Que simpatia, não?
Então é assim; Ao fazermos o cartão, os nossos dados vão para o nosso processo pessoal. Chegado o primeiro dia do mês do nosso aniversário enviam uma mensagem que diz:
O seu aniversário está a chegar, neste mês dirija-se a 1 loja NATURA e receba a sua prenda. Para a Natura os seus clientes são especiais todos os dias! PARABENS!
Claro que tudo isto é marketing. Claro que é preciso fidelizar os clientes.
Claro que é muito simpático e toda a gente gosta de receber um presente que nem estava nos planos e ainda por cima escolhendo, dentro das regras da loja, claro, porque interessa dar a conhecer os produtos que saiem menos na loja.
Eu, cá, gosto. Adoro presentes, dar e receber. Adoro surpresas destas e vim para casa cantando e rindo com dois saquitos da Natura. Um com o meu macacão, namorado desde a semana passada e o outro, o presente, o primeiro presente recebido, do aniversário que se aproxima.
É caso para dizer: Sempre a bombar...ou, o que vier é lucro! Ou ainda, Ganhaste maria clara!

para a tua rua...

Tem cara de puto reguila. E gestos de cachopo mal educado. Ou de quem saliva demais. Pode ser um caso de médico.
Ou aversão a câmara-mens. À televisão. Ao mundo.
Reminiscências do passado? Ou apenas, marcação de terreno?
Só me apeteceu dizer: Eh pá puto, vai cuspir para a tua rua...
Se fosse mãe dele, dava-lhe um par de açoites e punha-o de castigo, proibido de andar de porsche por uma época, para saber o que é bom para a tosse, ou para o cuspo...

Já faltou mais

Adieu France. Bonjour Belgique!
Boa estadia. Não vejo a hora de te dar um abraço, daqueles.
De um tamanho sem tamanho...
Bom trabalho e até um dia destes. Já faltou mais.
Muitos beijos, meu amor.

olá no mundo

" Ola chiquita, estoy en Habana e te envio muchos besos "

E eu, numa dor de cotovelo que me apanhou o braço, o corpo todo e o espírito que nem se fala, respondi:

" Olá, e eu estou em Cascais. Beijos "

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Canto De Rua - Paulo Flores.wmv

Estou tão contente! Mano Zé, és Grande. Conseguiste fazer o que te pedi. Finalmente esta linda canção já está no blog. Todos os angolanos já conhecem concerteza, mas para quem não conhece, oiçam e façam coro, porque isto é tão lindo, tão lindo que até me emociona, tipo, ficar mesmo com pele de galinha e o mesmo há-de acontecer convosco. E tem a particularidade de me fazer cantar do princípio ao fim esquecendo o lugar onde estou. Volto à minha rua e ao meu canto de rua. Aiuê!

Brigado, meu irmão. Ganhaste!

parabéns leninha

Hoje uma mulher angolana, que eu conheço e que se chama Helena, faz anos. E aqui estou para lhe desejar um bom dia de aniversário e tudo, mas tudo de bom. Ela merece.
E desejar-lhe que este dia se repita por muitos anos. E dar-lhe um abraço do tamanho do olhar de Deus.

no jardim das rosas

Aqui é o jardim das rosas. Onde tudo vai acontecer nestes dias de festas.

em festa

A Avenida já está engalanada. A esplanada recebe imensas pessoas todas as noites.

O cartaz das festas do almonda


Festas da cidade

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Avenida Marginal

tentando

O dia tem uma cor forte. Como se mil arco-íris me abraçassem.
E me devolvessem cor à face e brilho aos olhos.
E me dessem força, duma natureza amiga e protectora.
Quisera fechar os olhos e abrir a alma. E aceitar sem desconfiança os sins de que é feita a minha vida. Breves e desconfiados acenos afirmativos.
Saltar por cima das negações e pegar na ponta da meada. Desfazer emaranhados. Tecer de novo linhas virgens, ou limpas de mácula.
Sorrir. Gargalhar sem cócegas nem esforço. Soltar o meu som de pensante que fala e gosta de falar e rir até me doer o esqueleto.
Acho que sou capaz. Tento animada. Enquanto é dia e a cor forte me fere os olhos e me faz fechá-los. Para sonhar...

o euromilhões é que era!

Poucas horas atrás era quarta-feira. E embora nem sempre o diga, a cada 4ª feira, vou jantar com a minha caçula. A " Tasca " fechou para férias. A semana passada resolvemos experimentar um restaurante especialista em bifes e nos seus diversos molhos, junto ao almonda. Tem uma esplanada belíssima e um empregado, ou é o patrão? não o sei nem o conheço, mas que no mínimo é um pouco poucochinho. Daquelas pessoas que parecem muito humildes, e subservientes mas que depois ganham asas e tornam-se audazes e arrogantezitas. Mas tá-se bem. Só me falta conhecer mais três molhos para o bife e pronto, arrumamos o assunto e voltamos para a " Tasca " do sr. Vítor, que gosta de me dizer que tenho um perfume que assim e que assado, mas perfeitamente inofensivo e para um Alfredo que me pergunta sempre quando volto a Luanda e me fala na saudade que a mãe tem da sua terra...
Hoje seria uma 4ª feira como qualquer outra não fossem algumas nuances a darem-lhe outra cor.
Uma colega trouxe-me para Torres Novas. Estivemos na esplanada da Avenida. Acabei a comer caracóis e a beber panachê. Depois fui sentar-me na beira do rio com a Manuela, enquanto o Rafael fazia das suas. E por fim fui ter com a caçula.
Rebentei uma sandália, e aconteceu-me algo que só acontece aos outros. Mais uma. Um infeliz de um pássaro, não percebeu que a minha cabeça não é a sua casa de banho e vai daí senti um pingo. Olhei para cima para perceber se começara a chover. Passei a mão...e ai! Que nojo! E tantas asneirolas com os dedos e tudo à desgraçada da ave que tinha tanto onde descarregar a tripa e foi escolher-me a mim.
Que p...!
É claro que servi de chacota de mim própria e da caçula. E desanimada lá fui com uma sandália a dara a dar e a cabeça a cheirar a caca de passarinho. Só a mim...e aos outros, por isso acho que ainda me vai sair o euromilhões. Porque dizem que isto da caca, é sinal de sorte. Dinheiro, portanto.
Mas não acabaram os episódios.
Estava eu muito sossegadita à espera do belo do bife e a caçula alerta-me para uma aranhão que se preparava para fazer a teia no meu cabelo.
É o que digo, sinal de sorte. Era bom que na 4ª feira chegasse aqui e com letras garrafais escrevesse só SAIU-ME O EUROMILHÕES.
Era muito bem feita,não era?

para sempre

Gostava que chegasse o dia 1 de Julho. Era o primeiro dia do meu mês. Era o teu dia. É o teu dia.
Era dia grande, todos os anos. Gostavas como eu, como bons caranguejos, de uma boa festa. De reunires as tuas pessoas e conviveres com elas. E cantavas fados. E contavas histórias da tua terra longe, que eu até já a conhecia de cor e salteado e até já gostava dela.
A mesa sempre farta, a comida confeccionada por ti. Os caranguejos que ias apanhar aos sábados à noite para a Samba ou Morro dos Veados. A lagosta que preparavas tipo manjar de deuses. O cabrito, o churrasco. O uisque, com soda, que eu já gostava mas com seven-up ou coca-cola.
O sr. Camarinha que chegava com a sua guitarra para te acompanhar nas cantorias. E as cartas.
Não havia festa que não terminasse numa mesa de quatro, apostando a rodadas de cerveja, numa sueca inteligente e cheia de sinais e de truques.
Um ano, faz hoje muitos, tantos que já nem sei contá-los, teria eu uns 10 anos, ofereceste o jantar à família e amigos. Um deles, o Valdemar Rocha, comia na nossa casa, tipo hóspede, e dormia num quarto que alugara no Marçal. Na noite deste dia e depois de nos deixar, regressou a casa e encontrou nadas. Tinham-lhe assaltado o quarto e roubado tudo.
Nos anos seguintes, neste 1 de Julho, em nossa casa, à mesa, lembrava-se a desgraça do Valdemar Rocha naquela noite. Tão lembrado foi o episódio, que eu nunca mais esqueci, como nâo esqueci que este homem, para teu escândalo, já com quarenta e tal anos não sabia para que serviam os supositórios, e um dia doente, mostrou-tos, receitados pelo doutor e estava preparado para engolir um daqueles canhangulos. Não fosses tu e o homem tinha experimentado um supositório pela goela abaixo. O que tu te riste...é que o Rocha maneta, porque lhe faltavam dedos numa mão, e tu à socapa era assim que o tratavas, pois, o Rocha maneta tinha a mania que era um intelectual. Comprava o Província de Angola diariamente, ouvia todas as notícias e ousava discordar de ti àcerca da actualidade, do alto dos seus óculos de astes de osso, pretas.
O mais longe que chegou foi a guarda noturno. E a duras penas, pois gostava de andar de costa direita.
Mais um ano. Eles correm velozes. Seriam 85, os que hoje completarias. E cantariam as nossas almas e dar-te-iamos salvas de palmas...e presentes. E beijos e abraços.
E tu comovido, aposto que chorarias. Nunca tiveste vergonha das lágrimas. Nem de mostrares o quanto nos amavas. O quanto me amavas.
Tenho saudades de ti. Tenho saudades de pai. Tenho saudades de ser filha.
Tenho saudades dos dias 1 de Julho de outrora.
Hoje quero dar-te um abraço que não caiba em todas as eternidades que possam existir, porque hoje é o teu dia, para sempre.

Removida

Acabou o mês de Junho. Removida a imagem voltei a pôr os óculos, que são de lentes progressivas e como tal, devo portar-me sensatamente e tê-los sempre presos pelas orelhas, com muita pena minha.
Tirei esta foto em Luanda, 2009, Dezembro. Já envelheci depois disso, mas pronto, é só um pormenorzito sem importância, até porque como sou fotogénica, engano um pouco. Engano tudo.
Para terem uma ideía, veêm-me na fotografia e depois quando me veêm ao vivo e a cores não acreditam que seja eu. Perguntam pela irmã gémea, a da foto. E eu fico com cara de tacho...
Tirei esta foto numa manhã de domingo, depois de um dia de sábado de arromba. Festa de aniversário da minha amiga Ana Maria Oliveira. Para terem uma idéia foi a noite toda em festa. Acabando-a de manhã. A comer cachupa. E a ver o dia amanhecer na terra de todas as terras, para os lados de Talatona. Depois fui dormir uma horitas e vai de continuar a festa pelo domingo fora.
Ai saudades! De mim há 6 meses e da terra. Ai chiamiê!