domingo, 8 de agosto de 2010

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O que se faz a um vestido de noiva quando o casamento acaba?
Faz hoje trinta anos que vesti um vestido de noiva. Branco. Não vermelho como fantasiava ousadamente nos meus sonhos de adolescente ( se voltasse a casar, cruzes, canhoto, bato três vezes na madeira para isolar, fazia o gosto ao dedo e vestia um vestido longo e vermelho ).
No entanto o meu vestido branco era maravilhoso, na mesma.Com renda transparente, a partir do colo. Deixando a descoberto ombros e costas. E um véu de tule, ambicioso, com vários metros de cauda e que partia do alto da minha cabeça, duma teara cheia de pedrinhas brilhantes. Que fazia conjunto com uns brincos ao pendurão, enormes. Fiquei logo sem um deles, naquela coisa dos beijos e abraços, de parabéns à saída da igreja, que não foi a igreja da Nazaré, como eu também sonhara, nos meus devaneios de adolescente( se voltar a casar, cruzes, canhoto, chapéu de coco, gostava de casar na igreja da Nazaré, mas isso era se fosse viúva, que pena!...). Até parece que fui mais tempo adolescente que as outras miúdas, tal a quantidade de sonhos...que não se realizaram.
Sabem quanto custou o meu vestido e os acessórios,tudo pago, numa costureira da Golegã, de nome e renome, quase internacional?
Catorze contos.
Resumindo e concluindo, o meu vestido de noiva está guardado desde então.
E não sei o que lhe faça.

The gift - Facil de Entender

a coitadinha

Hoje quando acordei pensei:
Nem sequer vou ao computador hoje. Escrever o quê?
Hoje é suposto estar triste. Fingir-me anestesiada. Deixar passar o dia e meter a cabeça na areia como a dita avestruz. Para não pensar, não recordar, não sentir. Acordar amanhã e ter passado. Fazer cruz no dia de hoje, fazer-me de morta.
Hoje não estou. Não sou. Não vejo, não oiço. Não falo. Não sinto, não vivo...
Hoje não vou escrever...
Não vais o quê? Como? E porquê?! Deixa-te de tangas Maria Clara. Tu és mais tu. E vês, ouves, falas, sentes, vives, escreves e até lês. Minha, como é?! O que lá vai, lá vai. E afinal, nem doi. Estás perdida de riso por te sentires tão ridícula nesse papel de coitadinha. Vá, solta uma gargalhada, eu sei que estás mortinha por teres um motivo, unzinho que seja. Queres melhor que isto?
É! Eu, mais eu, temos razão. Prender-me à idéia da " triste viuvinha que anda na roda a chorar " é acreditar nas trevas e eu quando quero sou luz e sombra. E sol e luar. E mar...e sento-me nos sonhos de pedra e cal e num segundo, num momento vivo o que não vivi. Respiro um ar que é só meu e olho o horizonte feliz, agradecida, expectante, liberta.
Hoje eu vou escrever sim, porque já não tenho motivos para fingir que não aprendi a ler e a escrever, num bê-a-bá tropical e frutífero que me dá armas para passar este dia com serenidade e confiança. Com alguma esperança e até gozo, porque há sempre quem nos acene e diga como quem não quer a coisa: Olá, estou aqui. E sei que estás aí...
Bora lá então, tamos nessa!
Ele há dias...mais um dia. E estou viva. Muito viva! E não sou avestruz...

no café da manhã


" Nunca comi coisa tão boa ", diz um puto de 10 anos, talvez. A mãe, olha-me em pânico. Eu sei como essas coisas são. Sorri-lhe como que a dizer-lhe - relaxe, eu sei o que os putos são capazes de dizer, só porque lhes apetece -
Tive algumas destas enquanto as crias cresciam. Acho que toda a vida vamos levando com umas e outras e calejamos.
A mesa desta família estava repleta, em abono da verdade. Como se fosse dia de celebração ( só se for para eles ) ahn??? O que é que eu quero dizer com isto??? Calma, que lá chegarão. Até porque não quero equívocos e estas interrogações dizem-me respeito e como eu sou uma desbocada e não aguento um segredo, vou pôr-vos ao corrente não tarda muito. Ah, e hoje,que eu sei, há muita gente festejando feliz o desfecho de um percurso académico e eu faço parte desse grupo que me congratulo com o final feliz, mas o meu desabafo lá em cima, é coisa minha, que nada tem a ver com estas pessoas, evidentemente.
Deixei de observar a família feliz, ali junto de mim e o que dava tanto prazer ao puto ( sumo de laranja, ovos com bacon e salsichas, muitos folhados, fiambre, queijo, doces, fruta, iogurtes, leite com chocolate, folhados de maçã e gila, enfim, compreendo o puto, como o compreendo!... )
Portei-me benzinho. Um prato de fruta fresca e um sumo de laranja. Depois...bem, depois, olhem, seja o que Deus quiser. E Ele deve querer-me um bisonte,uma lontra ou uma baleia, só pode, que me dá um prazer imenso na comida. Dizem que o stress abre o apetite. Eu cá, só o perdi quando perdi 23 quilos e estive " morta ", ups! Ainda não...quero falar-vos primeiro da sala do matabicho, perdão, do " piqueno almoço ".
Sou cusca. Lamento, se desiludi. Sou mesmo. Tenho uma atenuante. É que não uso da cusquice para meu proveito ou para denegrir imagens. Sou-o só porque gosto de observar a vida à minha volta. Os comportamentos. Até porque acho que já sabem que gosto muito de pessoas e não sou daquelas que diz que quanto mais conheço os homens mais gosto dos animais. Tretas...as pessoas são tão interessantes e únicas!
Então vá! Enquanto comia, fui passando revista ao que me rodeava, até porque estava sozinha. Não. Não foi por acaso. Não ficou ninguém no quarto. Estava mesmo sozinha.
Quando era novita e via uma mulher assim como eu, sozinha, comendo, fumando, bebendo café, numa mesa de café, de restaurante, numa esplanada, ai como eu ficava invejosa. Pensava que um dia gostava de ser assim e fazer as mesmas coisas. Como eu admirava as mulheres independentes e enxutas, que não precisavam de ninguém. O queeeeeeeeeeê? Independentes? Enxutas? E o telemóvel? E o computador? E a mente? E as lágrimas? E os medos? Afinal, não era senão uma criança! Não era uma visionária, não, era uma lírica, isso sim.
Bem, mas continuando no périplo pela sala da minha refeição e da dos outros, a mesma estava cheia que nem um ovo e as pessoas, " muito educadas (?) " pediam desculpa se se tocavam junto dos ovos mexidos, das torradas e sobretudo em frente aos pratos dos folhados ( bruxa! ), como se não houvesse amanhã, porque nem há empregados a verificarem as travessas vazias... a mania dos seres com umbigos gigantescos.
É giro ouvir as conversas dos pares que mal se conhecem e já dormem juntos, que tiram uns dias para se (des)conhecerem melhor, longe do cotidiano, dos pares cansados e desgastados que falam linguagens gestuais e acomodadas, ou desconversam sorrindo enfadados mal o dia começa, de pais e filhos, de namorados à séria, apaixonados ( que dá inveja e saudade ) ou de presumíveis amantes, transbordando cio incontrolável e inesgotável.
Mas é mais giro ainda quando estamos a observar e de repente, mesmo à nossa frente, a 4 ou 5 metros, alguém observa a nossa cusquice.
Já quase não coro. De vez em quando lá calha porque parece que não, não é?!!! mas eu sou tímida. Há pouco tempo alguém me dizia como que dando-me um toque, eu senti-o assim ( Hello, Acorda ) que a escrita torna as pessoas mais interessantes aos olhos de quem lê, a realidade é que por vezes quem escreve é mesmo muito desinteressante na sua vidinha mediocre. E lembrando isto, é que eu não quero que tenham ilusões a meu respeito. Eu tenho uma vidinha e sou mesmo tímida.
Quando bati com os olhos no observador devo ter feito alguma expressão. Porque sou tímida mas não sou cínica e lê-se o que sinto, facilmente.
Não me ocorre que haja mais gente sozinha. Tenho um umbigo elástico e bipolar. Ora é um pontinho perdido numa barriga enorme, ou é um mundo sem limite, que absorve não a barriga, mas um todo em que me encontro. No intervalo, disto, é um umbigo perfeito, muito bem cuidado pela parteira Apolónia, da Vila Alice, a mulher que fez um aborto na sua clínica caseira e esteve presa algum tempo, numa época em que nem se faziam abortos assim, nem mulheres iam presas.
Mas voltando ao observador, escapara-se-me à observação. Homem maduro ( mais de 50 )sozinho ( sabe-se lá porque razão ) sorvendo uma chávena de um qualquer líquido e comendo pão. E olhando para mim, despudoradamente. O que me deixou intrigada. Já não estou habituada. Aliás, houve um tempo que mexia com as minhas vísceras. Disse, vísceras. E sentia um vómito. Depois, aos poucos foi atenuando. Quando dei por isso, tinha passado à indiferença. Mesmo perante chamadas de atenção, porque ah e coiso e tal...a minha resposta era nãnãnã. Como não sou cega, graças a Deus, os meus olhos vêm tudo e hoje é normal.
Este observador conseguiu uma coisa. Lembrar-me que há gente como eu, que come sozinha e observa. Só por isso, achei simpático observar-me. E encarei-o de frente como que dizendo que, provavelmente, porque estamos sozinhos, somos cuscos, mas essa atitude comum, cabe numa sala de refeições onde ninguém se conhece nem vai conhecer.

sábado, 7 de agosto de 2010

batidos sempre, hoje não


Ah pois é! É um batido Herbalife, com sabor a chocolate.
Os meus pequenos almoços, passam por batidos destes. De chocolate ou de outros sabores. Pepitas e natas, capuccino, frutos tropicais, morango, ou baunilha.
E cheia de boas vontades, meti este no saco. Hoje, já bebi dois batidos. E devia beber o terceiro, mas...nãnãnã. Preciso de mastigar. Preciso do ritual da refeição. Escolher o prato. Salivar perante o cheiro e o aspecto e finalmente iniciar a degustação. Vou ali e já venho, ok?
Vestir-me, sair deste espaço, atravessar a rua, sentar-me na esplanada, respirar o ar do anoitecer são importantes, mas não vou fazer sala porque estou cheia de preguiça e sono e hoje,prometo, sosseguem-se os espíritos que se preocupam com o tempo que passo acordada no computador. Hoje prometo que me deito com as galinhas.

Manuel Cruz - Ninguém É Quem Queria Ser

pobre?????

Tenho cara de pobre? Se tenho, quero encarnar o personagem, o que não é difícil e receber tudo, mas tudo a que tenho direito. Se possível até o rendimento mínimo...
É que na mesma semana, dois taxistas " perdoavam " a minha bagagem e não me cobraram o excedente por a levar comigo, permitindo que a arrumasse ao pé de mim.
Não foi o mesmo taxista que eu sei bem onde e quando isto me aconteceu.
Só me ocorre a pergunta, perante a perplexidade: Tenho cara de pobre?
Se não tenho, para lá caminho e assim como assim, venham mais destes, porque grão a grão enche a galinha o papo.

último round

Bom dia senhores passageiros. Chamo-me Miguel e vou conduzir-vos ao vosso destino. Dizendo de enfiada os diversos destinos dos passageiros, onde o meu se encontrava incluído.
Quero lembrar-vos que o uso do cinto de segurança é obrigatório.
Desejo a todos uma boa viagem.

Gostei do que ouvi e confesso que fui apanhada de surpresa. Apenas uma vez ao longo deste tempo que já vai longo viajei com um motorista que foi tão simpático quanto este. E eu gosto.
Lembrei-me de imediato dos aviões: Senhores passageiros fala-vos o comandante...
Oh como gosto de ouvir o senhor comandante!
E como gosto de andar nas nuvens rumo a um destino qualquer...
Já voltei a fazer a mala. Tem sido uma roda viva, num arruma, desmancha, sem parança.
Tudo porque o destino a gozar era ambicioso e houve quem se cortasse. Sozinha não ia, e por isso ando nesta esquizofrenia de gozar 3 dias agora, depois ir para Lisboa, depois mais 4 dias e voltar a Lisboa e agora por fim, aqui estou de novo, para mais uns dias junto ao mar, SOZINHA.
Esta palavra, diabolicamente assustadora, tornou-se numa aliada que tenho, assim como o amigo imaginário das criancinhas. E por isso " Tamos nessa ".
Há quem ande a pôr-me idéias para daqui a um ano ir a Cuba. Gostava. Muito. É uma possibilidade. Depende de como a vida me corre. Mas é um objectivo e nos dias que correm tudo se consegue por objectivos.
Por enquanto, aqui, sem pretenciosismos, mas com conforto e bem estar, sou saudada pelas meninas que trabalham nesta unidade hoteleira e que dizem: Tá boa? De novo connosco? Boa estadia. Com um sorriso de orelha a orelha. Nada paga isto.
Recordo assim a minha amiga quando me diz que somos abençoadas.
E não sou? Só sou!

mulher notável

Por vezes sou confrontada com uma pergunta um tanto inconveniente e quase sempre sorrio num encolher de ombros. E respondo a essa inconveniência, porque sim.
Porque é que estou acordada até tão tarde escrevendo no blog?!
Porque gosto de escrever. Porque muitas vezes guardo para mais tarde tarefas que às tantas da noite tenho mais vontade de as executar. E depois de tarefas cumpridas ainda vou à internet e não resito. Se tudo estiver de feição.
Não incomodo ninguém. E não preciso de dormir muito.
Hoje, se me perguntassem porque não estou eu a dormir sendo que daqui por três horas será dia, eu só tenho uma resposta.
Que bom que foi estar acordada e poder ver na tvi24 um programa de entrevista. " Mulheres da minha vida ", conduzido por Manuel Luís Gouxa. Entrevista a uma mulher notável de seu nome Maria Barroso.
Admiro esta senhora há alguns anos.
Num dia de aniversário duma pessoa muito chegada, recebi uma chamada dessa pessoa, já depois de lhe dar os parabéns, muito contente.
" Não vais acreditar com quem falei hoje e me deu os parabéns e...." prosseguiu por aí adiante.
Achei curioso que uma senhora como Maria Barroso após saber que esta profissional tinha na sua posse um elemento de que ela precisava, recorresse a ela, assim através de um telefonema. E lhe desse os parabéns por esta minha pessoa lhe ter dito que não estava a trabalhar, porque fazia anos e o que ela precisava estava no seu local de trabalho. E com humildade lhe pedisse o favor de lhe fornecer o elemento essencial para que contactasse a figura.
Por força da profissão que desempenha estivera na presença e ficara com o contacto de uma figura estrangeira que viera a Portugal com uma missão importante no campo do ensino e a propósito do bullying. O que esta senhora necessitava era do contacto desta importante figura.
A pessoa que me é muito chegada disponibilzou-se para a ajudar e fê-lo com agrado. E esqueceu de seguida.
Junto à noite, e quando eu me dirigia para o aniversário em questão, recebi outro telefonema.
" Não vais acreditar. Estava em casa quando me bateram à porta e duma florista chegava um ramo imenso de rosas. E adivinha de quem era o cartão?
Maria Barroso."
Hoje, ao longo da conversa, no pequeno ecran, foi crescendo em mim, uma admiração e um respeito profundos por esta senhora.
Que personalidade rica na sua sapiência e compaixão...fiquei fascinada pelas suas palavras, pelo seu conhecimento, pela sua lucidez.
Por este motivo ainda estou acordada, a escrever no blog.
E posso dizer que trocava e troquei umas horas de sono por esta possibilidade que tive de poder assistir a uma entrevista que me deixou completamente rendida. E ficaria acordada toda a noite a ouvir Maria Barroso.
Foi sublime, perfeita.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

voltar, foi bom


Despedi-me da Nazaré.
Foram dias e noites agradáveis e com companhias igualmente agradáveis.
Foi um mar bonito e uma terra de muita tradição.
Foi a velha praça onde se juntam as pessoas para o café.
O passeio ao Sítio. E voltar ao costume antigo das barracas.
Uma ida ao mercado onde o peixe fresquíssimo mete cobiça. Uma sardinhada. Uma caldeirada.
Foi areia e mar. Cheiro a bronzeador e a férias. Revistas cor de rosa. E conversas de amigos. E de vizinhos de barraca.
Foi biquini azul. E verde alface. E florido. Chinela no pé. Rabo de cavalo. Cara lavada. E revistas cor de rosa.
Foram compras em lojas de chineses, prazer e fotografia.
Sorrisos e gargalhadas, lágrimas e reflexão. Recordar.
Foi gozo de férias.
Foi um intervalo demasiado grande desta terra bonita.
E generoso o convite.
Foi bom voltar aqui.
Levo saudades.

Na Nazaré




No Sítio da Nazaré









O Sítio da Nazaré

indiferença


A Pitanga instalou-se nesta casa, que só conhecia de ter aqui passado 15 dias, quando fui a Luanda, em Dezembro. Já cá estivera uma vez depois e neste momento tem três semanas de hotel, com todas as mordomias e três pessoas mimando-a.
Eu não tenho estado muito presente e percebi que ela me pôs de castigo. Ou deixei de ser imprescindível, portanto...é mais isso, desconfio.
Acabaram-se os colos que nega, as festas que não lhe interessam e os mimos que pretenda dar. Não me procura. Não quer saber de mim. Mesmo. Ah, e soube que procura as crias com a mesma devoção que me procurava até às férias.
Não sei se chore, não sei se me resigne.
Como hoje estou piegas e de lágrima no olho, vai-se lá saber porquê, só me ocorre dizer:
Também tu Pitanga?????

Um dia...


Apeteceu-me escrever: Tenho saudades de casa!
Mas não é bem assim e por isso não vou dizer que tenho saudades de Torres Novas. Não tenho. É ponto assente.
Porém, as minhas flores ficaram lá. E devem ter muita sede. E isso preocupa-me.
Já passaram duas semanas que deixei a casa que foi lar e que já só é uma casa, onde tenho morada, com a Pitanga, de domingo à noite a sexta-feira.
Não gosto de abandonar as minhas coisas. Como se não pertencessem a ninguém. Elas têm voz e movimento. Interagem, embora por vezes não lhes preste muita atenção, nem seja tão participativa assim. Elas sabem que leva tempo e são eternamente pacientes.
Um dia, nesta casa do Olival, onde me sinto tão bem, ainda vou escrever num texto nunca escrito, com o pensamento em Torres Novas: Tenho saudades de casa!

avó Clara


Veio muitas vezes à fonte. A esta fonte. Encher os cântaros de água.
E passou a fonte, a cavalo no burro, a caminho das Fontainhas, orgulho de todos e que não era senão um pedaço de terra rica e de água abundante,que lhe pertencia, onde trabalhava de sol a sol para que nada faltasse aos filhos. Muitos.
Naquele tempo, em Trás-os-Montes, perdida na solidão e no abandono de uma região pobre e distante da capital, a população não tinha recursos; água canalizada, casa de banho, luz. Apenas os bafejados pela riqueza, mas que não era o caso.
Gouveia, uma aldeia do concelho de Alfândega da Fé, igual a tantas outras, que ficavam para lá do Marão, foi o lugar onde ela nasceu e viveu quase toda a sua vida. Ela era uma senhora. Tinha um porte de rainha. Do alto do seu metro e setenta e tal, dominava todos os que a rodeavam sem sequer falar. E todos a respeitavam e a amavam.
Vestia-se de preto. Lenço na cabeça, atado no queixo,deixando a descoberto um rosto de pele alva e uns olhos pequeninos e cinzentos. Lábios finos e nariz aquilino.
As pernas, de verão e de inverno tapava-as com meias pretas opacas. O tronco direito e alinhado vestia austeramente.
Ouvia falar dela desde que me lembro de existir. Nutria uma grande simpatia pelas diversas imagens que o pai saudasamente me passava. E a cada história que ouvia eu ambicionava vir à Metrópole só para viajar até à Gouveia e conhecê-la.
Dela tinha o nome. Clara. E o sangue. Porque era minha avó.
Por volta dos meus doze anos chegou-me a notícia. Ela iria a Luanda visitar a família. Os filhos que lá tinha, que eram quatro e as noras, duas, que não conhecia. A minha mãe e a tia Fernanda. E os netos. Eu, o mano Zé e o Paulo. A caçula e o João nasceram, para sua alegria, quando já se instalara em Luanda.
Foi um tempo estranho, aquele que viveu em Luanda. Eu tinha um avô, pai da minha mãe que conhecia desde a barriga da minha mãe. Esta avó, acabada de chegar, interferia na minha adolescência. Instalara-se no meu quarto e eu passara a dividir tudo com ela. Depois ficou doente. E eu terei sido muito mais do que ela esperava de mim, pois muito mais tarde, aqui em Portugal, soube que elogiava a minha conduta. Não fiz nada de especial. Nada que não fizesse no meu dia a dia de miúda inquieta com o corpo que mudava e com os pensamentos que a mais de mil assaltavam a minha imaginação. Ela era um ser rude e forte e não estava habituada a alguns cuidados e mimos, quando a doença a fragilizou.
Havia um certo orgulho em mim quando me diziam, quem a conhecia, que eu tinha o mesmo génio dela. Talvez por isso, consegui que ela vestisse de azul escuro, reduzisse as mangas para curtas e tirasse o lenço e as meias. Só o carrapito não consegui cortar-lho. Não por ela, mas pelas pessoas da aldeia dela, ali onde o Judas perdeu as botas mas onde as notícias chegavam e a Senhora Clara seria apelidada de doida, hoje, ganda maluca, se acaso voltasse com um corte de cabelo moderno.
De vez em quando ela tomava-me o pulso e eu a ela. E por várias vezes virámos as costas uma à outra, capazes de nos engolirmos. Eu era uma miúda mal educada e respondona. E não gostava que me tomassem conta da vida e ela tentava.
Um dia, num domingo, por causa da caçula fui mal educada, e o pai ouviu as suas queixas. Levei uns tabefes, que apenas doeram o tempo de a ver chorar pelos cantos, relevando as queixinhas, porque a vi mais sofrida que eu própria. Já não podia passar sem ela, mesmo quando não nos entendiamos.
Ao fim de 3 anos achou que estava na hora de voltar à santa terrinha e já ninguém a calava. Tinha três filhos, à espera. E muitos netos. E os maridos da filhas e a mulher do filho mais velho de todos.
O amor por ela nasceu naturalmente e floriu. Recordo o dia que a fomos pôr ao barco que a traria a Lisboa. E não foi fácil. A minha caçula adorava-a e foi difícil arrancá-la do seu colo. E eu, quando ela subia as escadas do barco, senti que partia alguém que eu amava muito e que provavelmente nunca mais veria.
Vi-a em 1975. Fiquei na sua casa de Trás-os-Montes um mês. Depois em 78 fui passar uns dias com ela. E vi-a pela última vez em 1980. Em Torres Novas, onde esteve algum tempo.
Se estivesse aqui fisicamente, hoje faria anos. Na casa dos noventa e tal.
Sei desta data como sei muitas outras. E sei que pela primeira vez na vida, soprou velas no dia de aniversário, porque eu lhe fiz um bolo e o enfeitei de farinha custarda e pêssego em calda, receita da Crónica Feminina, revista que saía todas as semanas e que a minha mãe lia religiosamente.
Tenho saudade desse tempo. E de ter avós. E da avó Clara, minha xará, que com muito carinho e orgulho vim aqui, hoje, recordar.

eternal sunshine-portishead

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Onde estão as palavras?


Há momentos. Dias, horas, segundos, que, mesmo se gostamos de dizer, ficamos sem palavras.
Pateticamente pateta silenciei.
Perante este mar.
Um a zero. Não ganho eu, mas não faz mal. Até que tenho bom perder. Quando o ganhador se chama Mar.
Estou sem palavras, nem umazinha que fui capaz de dizer, nem mesmo gaguejando.
Então, remeti-me respeitosamente ao silêncio, que apesar de não ter mau perder, ensinaram-me que " o calado ganha sempre ". Fico assim num sorriso patético, que silenciosa já estava. Hoje...

Aimee Mann - The Moth (high quality)

devaneio


Ei meu!
Deixa-te de tangas pá.
Ando eu à cata de bancos
de pedra por essas pedreiras fora, e como quem racha lenha, junto tudo num molhe, para o inverno, e construo já lugares de descanso para o cansaço das almas ávidas de sonhos, nos dias de marés vivas e tu aos pontapés às pedras.Olha com olhos de ver o que eu descobri. Dois bancos. Numa independência de podermos olhar nos olhos, bem de frente, do alto do nosso nariz, meu nariz empinado, e lermos as almas numa transparência dos dias solarengos e dos desejos de verão. E olharmos o horizonte inventando-o, da memória para o presente, da memória para o futuro.
Olha com olhos de ver,e diz que não tenho razão. Exeprimenta.Vá...
Eu, já me sentei. Só para experimentar. E gostei. De olhar esse mar azul de todas as tonalidades que o pintor quiser pintar. É perfeito para os meus delírios e devaneios.
Vou contar-te um segredo. Pxxxxxxxe...quando me sentei, lembrei-me de ti. Imaginei-te ali à minha frente, banco com banco, olhos nos olhos.

Parece que estou ainda ali, mas já não estou. Sorriste para mim, e pareceu-me que me piscavas o olho, que eu não me enganei, e sei que sim. E depois o teu olhar desviou-se do meu num pacto de silêncio e foi encontrar o mar azul, longínquo. Nesse momento, feito de momentos, sei que vi o que tu viste. Foi uma questão de fé, sei bem, mas ia jurar que vi o que os teus olhos viram. Não vou contar o que vi, porque isso era saberes tanto como eu e para além do mais, é segredo. E apesar de não me dar bem com segredos, este, podes crer, vou guardá-lo para mim...

ziguezagueando


Ziguezagueando no empedrado da calçada,
como num jogo de escondidas, no antigamente,
hoje chamado de " toca e foge ".
Observo dois meninos brincando.
Tenho curiosidade para saber,
quem vai ganhar, quem vai perder...
ou se acabam empatando
e se sentando no calçadão
em frente ao mar
e dão as mãos...

na função


Os homens estão aqui. A vigiar a praia, alegre e descontraidamente. Do alto da vigiliância exigida, passam os olhos no colorido dos biquinis que se passeiam na praia. Que se bronzeiam ao sol até ficarem castanhos. E parece-me que executam a função na perfeição.

caricato ou não...


Cadê os nadadores salvadores?
Chapéus há muitos.
Com pranchas salvadoras nem por isso.
Me contaram que estão observando o mar e os azuis dos biquinis das sereias das idades deles deitadas ao sol por essa areia fora...

Cláudios da vida...


-Cláudio, esta senhora é da sua terra.
-Jura? É mesmo? - disse ele olhando para mim entusiasmado.
-Parece que sim. De onde é que você é? - perguntei-lhe.
-De Angola. Jura, você é angolana?
-Sou.
-De que terra?
-De Luanda. E você?
-Sou de Cabinda. Minha terra é especial.
Quem nos pôe à fala, pergunta ao Cláudio há quanto tempo trabalha no restaurante.
-15 anos.
-E não vai a Angola há muito tempo? - perguntei-lhe.
-Desde 2007. Fui a Cabinda e a Luanda. Fiquei em Benfica na casa da minha mãe.
A conversa prolongou-se mais alguns instantes. Depois perguntou-nos o que iamos pedir.
O Cláudio é o empregado do restaurante onde fomos comer duas vezes. Conhece há vários anos as pessoas com quem eu estava.Tem uma pele castanha, um pouco mais castanha que eu estou agora, só um pouco. Usa rabo de cavalo, verdadeiras extensões entrançadas e loiras. Grande contraste o do Cláudio. Também no trato. O empregado mais simpático do restaurante. Quando nos despedimos parecia que me conhecia de sempre. Simpático, desejou-me boa estadia e " volte sempre patrícia ". O Cláudio é uma personagem, nesta terra. Gostam dele e ele gosta das pessoas da terra. Ouvi falar dele por ser angolano e que um dia ia conhecê-lo.
Conheci-o. Gostei dele. Fez-me lembrar o Alfredo, da Tasca, em Torres Novas.
Porque será que eu dou um pontapé numa pedra e encontro um angolano?
Mas é uma alegria partilhada, quando isto acontece fora de Lisboa. Num lugar onde não é suposto Cláudios da vida chegarem, instalarem-se e permanecerem 15 anos e quem sabe quantos mais. Isto está a mudar...

É Bolacha Americana!

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

feirando


A feira do livro. Na antiga lota. Espaço bonito, transformado em lugar de cultura.
Uma exposição de pintura e a Feira do Livro. Com preços realmente sedutores. Ao preço da chuva, estes.
Escolhi-os pelos autores, pelo preço e porque são daqueles que se leêm num ápice enquanto refasteladamente deitada numa espreguiçadeira junto de água quase tépida, na última semana de férias em Agosto. Que será para a semana que vem. Por enquanto, aqui estou nesta terra bonita mais uns dias.

Presente neste lugar


O dia termina. A noite chega de mansinho, num silêncio interrompido apenas pelas gaivotas que esvoaçam perto do farol. A cor brilhante duma noite de verão toca a tradição das barracas perfiladas e coloridas.
É noite neste lugar.
Verão de 2010.

tradição

dia azul


De dia tudo nos parece mais simples, mais fácil e bonito.
Não há princípio nem fim. Há o durante, do tempo presente. Só. E é o que basta.
Uma questão de mentalização. Há os que sabem fazê-la. Eu sou uma delas.
Dia quente. Sem vento. Muito sol. Uma toalha de praia azul. Um biquini azul e um mar igualmente azul. O que é preciso mais?!
Hoje a vida foi pintada de azul celeste neste lugar.

Paisagem soberba

elevador



- Queres tassentaaaaar miga? Levantando-se de imediato.
- Não, não se preocupe. Deixe-se estar sentada.
- Senta' miga. Eu vou em pé p'ra dar dois dedos de conversa com estas - disse, apontando o banco da frente onde estavam sentadas duas senhoras.
Insisti que permanecesse sentada. Ela teimosamente insistia para que me sentasse no seu lugar. Mais um pouco e o elevador em peso saberia da minha tentativa de recusa-
- Senta-te miga!
E eu sentei-me, agradecendo. Nunca a vira. Nem ela a mim.
A paisagem, vista dali é soberba e dura enquanto o elevador desce do Sítio até quase à praia.
O bilhete de ida e volta custa 1,80€.
Este lugar é lindo. E é costume as mulheres das sete saias abordarem os turistas num tratamento próximo e despreconceituoso.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

voltar


Voltar a este lugar não é nascer de novo.
Voltar a este lugar é voltar ao princípio...
Aos tempos de uma vida que prometia muito. Tudo.
Regressar é querer rever. Estar e sentir.
Ou querer saber se se quer rever, estar e sentir. Sozinha.
O tempo das coisas que começaram e já terminaram é um lugar de saudade.
Este lugar para além do almoço, passeio, contemplação, ou momento de passagem, este lugar, para permanecer, é um lugar confuso. Como a saudade o é.
Desse tempo tenho saudade duma barriga de seis meses de gestação, a primeira vez. Num volume e num orgulho de mãe. De ter vinte e sete anos e da entrega honesta com que me dava a tudo num tudo em que acreditava.
Desse tempo, mais do que de tudo, tenho saudade de mim.
Dizem que não devemos voltar ao lugar onde fomos felizes. Hoje diria o mesmo, não fosse acreditar que tudo tem uma razão e ainda que não tenha, o exercício exorcista resulta se tentar perdoar. Aqui ou noutra latitude, tento. Se o vou conseguir, não sei. Sei, isso sim que quando me deito no leito, amaciando o meu espírito cansado e adormeço sem rancores, acredito.
Há lugares que nos são queridos, mas doridos. Que falam numa linguagem que nos lembra tudo. Este é um deles. Mas não fujo. Quis vir e ver e sentir e tenho a certeza de que fiz bem.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

lembrando

Soube da notícia pela televisão.
Conhecia-o apenas dos comentários nas estações televisivas.
Sabia-o antigo director do Diário de Notícias.
A primeira casa de uma pessoa muito importante na minha vida.
Mário Resendes foi a primeira pessoa que falou com essa minha pessoa, quando, apenas com 21 anitos começou a estagiar nesse grande jornal que é o Diário de Notícias. E lhe desejou sorte e sucesso na sua carreira profissional.
Morreu o jornalista Mário Bettencourt Resendes, com 58 anos,de doença prolongada.
Como diz a Sónia Morais Santos, antiga jornalista do DN e actual colunista, " isto não está fácil "...

filmes

Hoje senti vontade de ir ao cinema.
Há bastante tempo que não ia comer pipocas, beber coca-cola ( a saber a tintura, porque aquilo é tudo menos coca-cola ) e...comer gomas. Sim, gomas, como os miúdos. Aquelas ácidas, mas tão ácidas que fazem arrepiar. Em formato de coca-cola. E de ovo estrelado. E aquelas que são tão fofinhas e cor de rosa que até dá pena desfazê-las na boca. E por fim umas verdinhas, moles e com sabor a menta. Jesus Maria!
Mas ida ao cinema é assim. Com rituais. Com determinadas companhias.
Senti vontade de ir ao cinema, mas depois esqueci. Ando caseira e pretendia ver um filme daqueles filmes de domingo que a televisão sempre dá sobretudo no inverno.
Mas não é que recebi um convite, assim num surpresa que já não me surpreende,vinda pelo telefone? E o que é que fiz? Surpresa? Não. Aceitei e não estou nada arrependida, apesar de ter um saco de viagem para preparar.
Mas não foi fácil, nada mesmo, chegar a horas. Como os taxis são para os que podem e para mim quando não há outro remédio, e hoje havia, fui a caminho do metro. Já estava na escada rolante quando uma das minhas sandálias se descolou. Digo-vos, disse uma asneira. E lembrei-me de alguém que me contabiliza o calçado que compro e que estando presente me diria logo: Vês? Só compras merdas.
E eu dar-lhe-ia razão porque hoje, a caminho do metro foi o que disse:
Mas porquê que só compro merdas?
É que as sandálias da minha desventura foram compradas no mercado das quartas-feiras. Por altura das férias judiciais ( que não o são, para nós, funcionários ) eu e outras vamos em procissão ao mercado e prometemos que compramos. Estas desgraçadas e outras custaram-me 10 euros. Estas fiquei com elas mas quase não as usei. As outras, dei-as assim que alguém gostou delas, sem sequer as ter estreado. Pelos vistos devia ter dado também estas. A sorte dos portugueses e não só é que damos um pontapé numa esquina e aparece-nos uma loja de chineses. E lá vou eu encontrar arranjo para as minhas sandálias ciganas numa loja de chinenes ( gand'ironia ) que me pregaram a partida em dia de cinema, estréia, este verão. Com cola tudo e ajuda do chinês que me atendeu consegui ser sapateira em dia de descanso.
Ia ver o filme das 19,15 horas, Dia e Noite, mas acabei por ver outro bem mais interessante, Vão buscar-me Alecrim. Acabado este fui jantar e de seguida, sem pestanejar candidatei-me ao anterior. E assim, marcharam dois filmes no mesmo fim de tarde. Nada inédito em mim, em nós. Já vi este filme antes.
Em dia de verão, foi diferente. E foi cumprido o meu desejo.

reflexão noturna

Não foi um domingo qualquer.
Foi mais um dia de férias.
À hora a que escrevo, posso estar de perna trocada no sofá que ouvindo o silêncio da noite e sentindo no corpo o tempo arrefecido para 19 graus, o que vejo é o monte que me separa do Lumiar, de Lisboa.
Não sou passada dos carretos e por isso, saber Lisboa a respirar aqui ao lado, por detrás do monte que os olhos alcançam do meu sofá tem um sabor diferente dos outros domingos em que penosamente aí vou eu a caminho do Ribatejo, para mais uma semana. Por vezes dou comigo a perguntar-me até quando?!!!Quando me sinto cansada, tão cansada que nem tenho ânimo para vir aqui vomitar desânimos e dores. Ninguém tem culpa disso e quem clica em " tukayana.blogspot " merece o meu maior respeito.
É mais fácil escrever se tudo corre bem, se me sinto feliz na minha pele e quando digo escrever, não é quando me sento num banco de pedra e romântica e desfasada do mundo real ainda grito vontades, " sonho " ou pretendo " sonhar " futuros melhores, ajustes de contas ou afectos,que acordada, desacreditei.
Viver é bom mas é difícil e por vezes doi. Muito. Escrever na dor não é escrever, é chorar em público. Eu não tenho vergonha de chorar. Nunca tive. E também não tenho dificuldade em escrever. Do público, aprendi a enfrentá-lo quando comecei a trabalhar, e fazia chamadas longas e audíveis a léguas num silêncio de só me ouvir a mim própria, para audiências de julgamentos e outras diligências.
Há domingos, muitos, ao longo do ano em que nem escrevo nem choro em público. Nem sonho. Vou a caminho do Ribatejo...
Este domingo é um domingo especial, porque não vou enfrentar uma segunda-feira como tantas e tão más. Por isso posso escrever sentada num sofá, olhando a noite calma no Olival Basto. Estou de férias e não é um sonho. É bem real e por isso me sinto tão grata ao universo.

domingo, 1 de agosto de 2010

Yes! Já cá mora.


YES! Consegui. A seis mãos. As minhas, as últimas.
Obrigada às outras mãos, pela disponibilidade e paciência em me ensinarem. Porque " burro velho não toma ensino " e vou contar-vos um segredo. Tive de escrevinhar tudo. Pensei que já sabia fazer tudo sozinha e afinal o formato não era o correcto para passar a foto para aqui. Voltei a chamar as segundas mãos,que estão mais à mão de semear. Com paciência, procurou e acho que achou, porque quem procura, acha. E agora eu? Não sei se a próxima sairá marcada sem ajuda.
E então perguntam vocês, para quê essa canseira de marcar fotos com o nome? Que posse vem a ser essa?
Adianto que sou uma mãos largas, peçam que eu dou. Mas sem a minha autorização não me parece nada bem. Fico brava se mexem no que é meu sem que o sinal seja aberto por mim. Talvez remeniscências do passado, quando fiquei com uma mão à frente e outra atrás. Ou por uma questão de feitio. Ou simplesmente porque não estou para aí virada.
Agora também vos digo, isto vira-me do avesso e já estou nervosa só de pensar que vou marcar mais uma, porque o sucesso disto, significa inteligência, esperto nos cabeça, que para o caso, não sei, não...
De qualquer forma, com ou sem etiqueta, a minha foto foi tirada esta semana ali para os lados das Portas de Santo Antão, Lisboa.
Brigada mesmo, ao primeiro par de mãos porque foi fundamental, para que chegasse aqui. Do coração. E ABREIJOS... ( tem etiqueta e dono mas sei que posso usar ).

lar


Ao redor de uma moqueca de peixe e camarão, a família...sagrada. A minha. O núcleo duro. Três, mais uma. A Pitanga.
E um convidado...
Um almoço de domingo, neste verão quente, amornado em banho maria numa sobremesa semi-fria ... a deixar derretido e doce o meu coração.

V


Com muita graça. Faz sentido. Gostei. Ah, gostei mesmo...

IV

III

II

palavra p´ra quiê?

nem comento!

publicidade II

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O nosso menu
Quem somos
Onde estamos
Take-away e entregas ao domicílio
As nossas sandwiches
As nossas sandwiches são confeccionadas em pão de baguete, normal ou integral, à excepção do hamburger e do cachorro quente, que são em pão próprio. Os molhos a acompanhar são à sua escolha entre a maionese, o ketchup e a mostarda, excepto quando expressamente indicado nos ingredientes da sandwich.


Sandwich mista
750 KZ
Fiambre, queijo e manteiga
Sandwich de presunto
750 KZ
Presunto e manteiga
Sandwich mwangolê
900 KZ
Ovos estrelados e chouriço frito
Sandwich mata-bicho II
900 KZ
Salsicha, omelete e queijo
Sandwich fitness
1.100 KZ
Queijo fresco ou requeijão, alface, tomate e oregãos
Sandwich BLT
900 KZ
Bacon grelhado, alface e tomate
Sandwich de carne assada
1.080 KZ
Carne de porco assada, alface, mostarda e pickles
Cachorro quente
700 KZ
em pão de baguete 850 KZ
Salsicha, batata palha, cenoura ralada e milho
Sandwich de atum
1000 KZ
Atum, ovo, alface, tomate e maionese
Sandwich do mar
1.500 KZ
Lagosta, alface, tomate, cenoura ralada e milho
Sandwich Italiana
950 KZ
Salame, pepino, pickles, alface e tomate
Sandwich Tostada de Frango
1.300 KZ
Peito de frango, bacon grelhado e queijo Brie

As nossas sandwiches
As nossas saladas
As nossas sopas
Batatas fritas e outros salgados
Sobremesas e pastelaria diversa
As nossas bebidas
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pescando

Na costa de península

praiando

domingo passado


Há uma semana foi assim. Fazendo parte da natureza e recolhendo imagens.

removida finalmente


Iniciado o mês de Agosto, a foto de Julho foi removida. Com agrado meu. Porque estava farta deste sorriso que se torna enjoativo ao fim de cinco minutos.
Gosto de rir. Gosto de gargalhar, mas ninguém aguenta esta chipala um mês, que ainda por cima, foi de 31 dias. Pópilas, bazei do sorriso pepsodent, colgate, couto, ou sei lá mais o quê...quê né?!