segunda-feira, 19 de março de 2012

a viagem

foto tukayana.blogspot
Depois d' um fim de semana abençoado, aqui estou saindo do Porto, de regresso a casa.
No intercidades, com destino ao Entroncamento, o sol ainda alto, temperatura amena e uma carruagem lotada de gente bonita. No norte há gente linda, ar limpo, moderno e discreto. Este comboio vai carregado de gente dessa, e tenho p'ra mim, assim como quem tem uma teoria, que deve ser para não quebrar a harmonia deste fim de semana mágico e prolongar o estado de graça que afinal, desde sexta-feira, conquistei em Lisboa com o jantar para 21 pessoas que confeccionei, para o Alfama-te.
Onde está a clara insegura e cheia de medo de falhar? Não sei. Sei que me descolo dessa criatura frágil cuja pele vesti uma vida, para me aventurar até onde o impossível me disser que é o limite.
E o espírito aberto, alegre, disponível e convicto continuou o percurso na noite que acabou no espaço da Mira, uma brasileira da Amazónia, simpática e generosa que mais do que explorar o Tejo Bar, recebe quem ali vai com sorrisos e boa disposição, num tu cá tu lá que é mais você, não fosse ela brasileira, do interior dum brasil que nem todos, se calhar, nenhuns, conhecem.
E apesar de dormir, miseráveis quatro horas, à semelhança da noite anterior, o espírito mergulhou no fim de semana num atirar-se de cabeça , num vaipe, num perder a dita cabeça e ala moço que se faz tarde, que nesta fase da vida não dá para adiar p'rá amanhã o que a gente pode fazer hoje, quando é para daí retirar prazer, gandaia, caipirinhas, de nos fazer pensar que já não temos os pés no chão, foi isso que me aconteceu sexta, quando me puseram uma nas mãos que de estômago vazio e cheia de sede, sôfrega bebi e  não fosse apanhar o ar fresco da noite Alfamada da cidade má linda do mundo, tirando a minha Luanda, entre becos e esquinas, escadas de madeira íngremes e um stop maria clara que tens de ter juizinho e ia ver-me a tentar triste e ridiculamente fazer o quatro, prova provada de que o álcool já subiu à cabeça e já desceu às pernas e que tentativas são deprimentes recursos usados pelos bêbados de ocasião, porque os outros não fazem quatros, fazem figuras mais tristes ainda, verdadeiros trinta e uns.
Claro que a Mira se encarregou d'ajudar a que os vapores da lima (?), gelo(?) e cachaça ( yes ) se esfumassem, oferecendo a companhia, a risada e a desvalorização da coisa. Passou rápido porque nem mais uma gota passou na minha garganta,  nessa noite, e até hoje, que eu cá não sou pessoa de copos e canecas. Das últimas só de chá.
O comboio vai parando nas estações e à medida que isso acontece uns e outros vão fechando os olhos e dormitando. Não tenho sono. Ontem à noite, apaguei de cansaço. Inquietantemente.  Assustando a minha companhia de quarto de hotel. É. De vez em quando, se estou de companhia, relaxo e  tenho pesadelos na vigília do sono. E stresso quem está na cama ao lado. Ah pois! Não há peixe p'ra malucos que as minhas companhias não se atiram para a minha cama que aí vai disto, que o respeito é  bonito e eu gosto. Quem me ensinou isso foi a companhia deste fim de semana que nunca pede um quarto com uma só cama. Depois duma vida a dividar cama, passei a dormir sozinha e achava um desperdício tanto espaço. Hoje, ninguém me apanha a dividir cama de bom grado. As pessoas mudam de vontades quando se mudam os tempos.
O casal da frente de vez em quando troca olhares comigo. Não me apetece tirar os fones, largar o computador e entabular conversa. Nem sempre nem nunca. São namorados. E lindos. Parecem manequins. Ela morena, cabelos compridos castanhos e um sinal no rosto, igual ao da catarina furtado. Olhos castanhos  ternos e honestos. Ele loiro, pele branca, enorme e elegante. Gente que me parece bem. Dão as mãos como fazem os namorados. Ao meu lado uma miúda que deve estudar medicina. Falou com duas pessoas ao telefone, sobre as aulas e utilizou palavras como catéter, também em fazer uma óssea, não sei o que isso quer dizer,  e outras que me permitiram perceber estar na área da saúde. Mas um pouco chatinha a miúda, o que provocou algum incómodo na namorada do bonitão que de vez em quando olhava para mim e passou a prestar atenção à minha parceira do lado depois dela dar nas vistas, falando alto ao telefone e abrindo um iogurte grego que comeu.
No corredor, um miúdo, entusiasmava-se com o miar dum gato invisível. Onde é que tá o gato mãe? E espreitava os bancos e os pés dos viajantes. A mãe, mulher magríssima, cabelos compridíssimos, e nariz de papagaio fez-me lembrar a Luísa que se se apaixonava por uma criatura com nariz de papagaio dizia manipuladora: Nariz não marca feição. E eu contrariava-a, lembrando-a da " descansa ó bico ", uma  criatura, aí para a idade da Luísa que trabalhava num local frequentado quase que obrigatoriamente, pela população torrejana. A descansa ó bico ganhou a alcunha porque o nariz marca feição sim, não fosse ter aquele nariz enorme e virando a ponta para baixo até à boca e poderia ser uma mulher diferente. Mais  simpática. Esta mãe era bonita porém um pouco sisuda para quem tem beleza, é nova e tem um filho tão esperto e bonito. Quando  finalmente desci na minha estação, ela e o filho desceram também, atropelando a minha saída. Lá fora um homem aproximou-se deles, deu um beijo a ambos e perguntou à mãe: Então? Não vens bem disposta, não querias vir embora do Porto?
- Dá lá a mão ao teu filho...
. Beeeem! Como estamos...para a próxima ficas lá.
Eu é que me vi nas amarelas para dali sair. Fiquei sem bateria no telemóvel. Recebi uma chamada do mano Zé mas não a tempo de responder. Morreu-me o telemóvel e bloqueei. Saída das saídas? Pedir num dos snack bares em frente à estação que mo deixassem carregar uns minutinhos para me ligar ao mundo que me salvaria de mais um transporte ao serviço do povo, quer dizer, o mano Zé deve achar que está ao serviço do povinho pois é solicitado não só por mim, e mais do que um já é povo. Apesar de ser mulher a criatura que me atendeu, sim, apesar de ser mulher, não se negou ao favor e pude finalmente perceber que tinha, não o mano Zé mas a Joana à minha espera para me levar a casa.
Dou por finda a minha viagem. Foi boa. O fim de semana foi óptimo. O motivo da minha ida para norte foi nobre. Um príncipe reinando num palco e encantando-me como nos contos de fadas que nunca vivi mas mas lhe contei antes dos sonhos das suas noites de criança.

domingo, 18 de março de 2012

disse o rei


O Rei Eusébio disse: Se não fosse jogador de futebol, era o maior bailarino do mundo.
Eusébio desmitificando sem preconceitos a dança no masculino.
É de Rei!
É d'Homem!

eu fui...

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Eu fui. Vi e gostei. Muito...tudo o que há para gostar.
Nem sempre questiono a felicidade. Há estados de alma de predisposição.
Outros há que dependem de factores exteriores. E é agora que me ocorre a piada - Exteriores, exteriores não é bem assim, pois que nada mais de interiores que uma cria que viveu aconchegadinha em mim, nove meses, que aconchego há 26 anos, que se depender de mim viverá no meu aconchego eternamente e que quando se expôe no seu talento, arte e profissão me faz sentir a felicidade.
São momentos de uma importância maior. Tão espaçosa e infinita que nada mais tem importância senão o momento.
Deus abençoou-me. E eu sinto-me a melhor pessoa do universo quando assisto à arte no movimento do artista que pûs no mundo.
Grata a Deus e ao ser que me faz ter a importância de ser mãe.   

guimarães, capital europeia da cultura

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guimarães

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sábado, 17 de março de 2012

Viajando


Há umas duas horas comi uma francesinha, no lugar onde elas melhor sabem. No Porto.
Tenho de dar a mão à palmatória e concordar com alguém que me cruzou a vida num algures não muito lá atrás, que dizia que cada paladar no lugar de origem. Embora tivesse contrariado essa idéia, porque nem todos são privilegiados de forma a viajarem e conquistarem assim o nome de cidadãos do mundo, sei que não há como cacussos no Panguila, sardinhas em Lisboa, alheiras em Mirandela, francesinhas no Porto.
O que será que se come em Guimarães? Não fiz trabalho de casa, porque me trouxe aqui algo que se saboreia com o coração e não com a boca. Mas hei-de averiguar.  

sexta-feira, 16 de março de 2012

Don Kikas- Sexta-Feira [ANGOLA]

sonho sonhado


Sonhei-te. De novo. 
Não sei porque te sonho. Ou se calhar sei. Não gosto de sonhar sozinha. Não gosto de falar para o boneco. Vão dizer que sou que nem a joana maluca. Ah se fosse ela...outro galo cantaria! Um galinheiro inteirinho.
Não te penso quando deito a cabeça na almofada. Só penso que tenho que dormir depressa porque às vezes vou deitar-me já os galos cantam, as galinhas cacarejam e oiço ao longe, bem longe, tão longe que é   preciso o meu ouvido duro atravessar o mar, num esforço de me inclinar, pôr a mão na orelha até quase magoar a cartilagem, o pregão da quitandeira.
Porque te sonho? Sei lá, diria eu para fugir à resposta. Mas eu sou clara que nem o nome que o sô santos e a dona celeste me puseram e os padrinhos, avô e  tia teresa, concordaram.
Sonhei-te e acabou-se. Ponto final, parágrafo.
Porém e porque não sou pessoa de perguntas por fazer e respostas por receber, preciso  perguntar ao meu deus porque permite que me invadas as noites. Me tomes de assalto. Me fales de amor. E num segundo me faças feliz e te vás embora como chegaste. Como quem não quer a coisa. Voando livre no voo rasante, qual albatroz, rumo ao sul das águas cálidas. Das areias douradas e dos aromas  mágicos e exóticos. 
Sonhei-te. De novo. E de novo vi o brilho dos teus olhos. O sorriso de quem fez uma traquinice, o último a chegar mãe dele é imbica. E a voz. A voz ternurando feito beijo de mel, doce de coco e manga madura.
Senti o fogo da tua mão me tocando o consciente adormecido e o arrepio na pele pronta.
Preciso perguntar ao universo se também me tiveste no teu sonho. Me invadiste a noite e me tomaste de assalto.  Me falaste d'amor e  me fizeste feliz. Te fizeste feliz. 
Sonhei-te e deixei-te ir embora. Quando voltares aos meus sonhos, traz-me a sedução das noites de verão.
A lua prateada da minha baía. O perfume de frangipani para me banhar lá na praia. E eu te amarei para sempre. E te sonharei amor de verdade, dando voz ao que te sinto.

Roger Sanchez - Another chance - Original Mix (Music Video)

terça-feira, 13 de março de 2012

este é o meu povo



Fotos de Adalberto Gourgel

trocadas as voltas à rotina

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A rotina é inimiga de uma  mente aventureira. Eu que o diga quando estou com a minha amiga Manuela.
Que as saídas pedestres ao fim da tarde para uns quilómetros se transformaram em rotinas, transformaram, mas que estão longe de serem repetitivas e iguais, nem pensar.
Ontem descobrimos uma estrada nova, perto do estabelecimento prisional e voltamos atrás para  observarmos e percebermos. E percebemos que mais dia menos dia um condomínio se erguerá paredes meias com outro que já lá existe e ali perto da prisão, do cemitério e do ribeiro. Porque era já noite, os cães das poucas casas perdidas no meio do campo, ladravam,  e no lusco-fusco não víamos com nitidez toda a paisagem bonita que se desfruta ali, deixámos para hoje.
Equipei-me com o fato de treino e sapatilhas  e saí direita ao Bom Amor. Encontrei a minha amiga a regar a sua horta, perfeitamente pronta para me acompanhar. Observei as cerejeiras. Aquelas árvores lindas que dão frutos vermelhinhos, maravilhosos, que me permitem consolar de prazer de saborear o fruto que mais gosto. Eu não gosto só. Eu sou doida por cerejas e a espera que lhes faço tem o mesmo sabor que o da minha viagem a Luanda. Uma ansiedade boa antevendo já o prazer que tenho com o assunto. Mas tenho muito que penar, o que também já é coisa a que não sou alheia. Penar é comigo mesmo e o hábito faz o monge. Mas é que nem flor se vislumbra. Quanto mais fruto. Nem melros lembrando que elas ali estão prontinhas para serem saboreadas quer por mim quer por eles.
Se a volta dada pelo interior da cidade é de uma monotonia deprimente, a escolha hoje, pela variante, tem tudo menos pasmaceira. Deixámos a estrada principal e optamos por fazer o reconhecimento da outra margem da ribeira e passar por uma ponte antiga no meio do campo entre água, árvores, campos cultivados, algumas, poucas casas agrícolas, um único automóvel que se cruzou connosco e um bêbado que cambaleando se aprumou ao passar, cumprimentando educadamente com um solene boa noite que me espantou.
Acabamos por ir para o centro da cidade onde como sempre parece que emigraram em massa numa subserviência ao nosso primeiro. O Raul à porta da padaria, conversando, lembrou-me um tempo que não sei se quero lembrar.
Descer o viaduto é algo que me dá gozo fazer. Apetece-me sempre abrir os braços e voar. A visão que se tem do alto é imponente. O castelo iluminado ao fundo, a avenida junto ao rio. A torre da igreja de Santiago, com o sino cheio de luz. O hospital velho e o antigo quartel ao fundo. O espaço onde era a casa Nery, agora limpo como se aguardasse a feira de Março que parece mudou de sítio este ano. O aqueduto na quinta que espreitamos de cima. Hoje passa-se algo com um rebanho de ovelhas que se agitam junto à maior nespereira que algum dia vi.
Descer o viaduto é estar no fim da marcha, muitas vezes em passo de caracol. É parar. Encontrar alguém que sobe e que conhecemos e deitar conversa fora. É pensar num bom banho, roupa lavada. É pensar numa noite repousada. Amanhã será outra volta. Outro dia. 

imagens de luz






Fotos de um kamba generoso, de nome Adalberto Gourgel.
Lindas. Maravilhosas fotos, estas!
Obrigada por permitires que eu as publique aqui. É um enorme privilégio.

segunda-feira, 12 de março de 2012

pela manhã

Ia eu, pensando ainda no fim de semana, regozijando-me de não ter aberto os cordões à bolsa, pois que fiz um fim de semana tão poupado tão poupado que não fiz refeições em casa, não fui às compras, não andei em transportes públicos, não dei presentes a ninguém nem fui à farmácia, que até me surgiu o João S. à memória. Só ele é que ao longo de toda uma vida consegue sustentar um vício que não alimenta com a sua bolsa. Crava aqui, crava acolá e vai fumando diversas marcas de tabaco, conforme os amigos. Eu estive quase na mesma. Com a gula. Sim porque este fim de semana foi um ver se te avias nos petiscos. Estrada abaixo, estrada acima, entre a aldeia e o campo, paredes meias com a cidade. Entre uns afectos e outros.
Ia assim,  distraída com os meus pensamentos quando:
- Hoje vais mais cedo.
- Pois. É do calor. Vamos começar a semana?
- Vamos pois. Todo o dia tem o seu fim. Já faltou mais. Disse-me o João S. pouco animado.
- Vais-te reformar ou quê?
- Eu? Não. Os gajos não me deixam. Dizem que sou imprescindível à recuperação do país. Riu-se.  Ri-me, também. 
- Não sei como - continuou. Só se fôr a vender bilhetes para os putos irem p'ra fora. Sabes que mais? Isto é uma merda!
Sorri ao João S. O fim de semana deve ter corrido mal. E afinal ele até tem razão.

Isto tem dias que é mesmo uma bosta.
Segui o meu caminho, rua abaixo, viaduto acima, nas calmas, que de facto como ele observou, hoje acordei mais cedo, despachei-me mais rápido e tive todo o tempo do mundo para chegar ao meu destino. 

domingo, 11 de março de 2012

nova basílica

 


cumprindo sem promessas

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Percebi rapidamente que iria viver perto de Fátima, quando fiz a viagem para torres novas para me instalar na então vila, com a família. O que são 25 kms? Mesmo naquele tempo era perto.
A 1ª vez que ali fui, fiquei emocionada. Como que extasiada. Foram muitos anos a ouvir falar do Santuário a pessoas que vinham de férias a Portugal e tinham como compromisso um passeio ao lugar onde os pastorinhos  tinham tido a visão da Nossa Senhora. Nessa minha primeira, de centenas de vezes que fui a Fátima, tive um encontro inesperado e surpreendente com a minha madrinha Regina, a filha mais velha, Hortênsia e a tia Ermelinda que vivia na rua do Casuno, varanda dando para o parque heróis de Chaves, que eu visitei centenas de vezes também e mãe do Xila e do Márito Garnacho. Sendo a família Garnacho profundamente católica era de esperar um encontro no altar-mor da religião católica em Portugal, mas eu estava longe de as reencontrar ali, uma vez que as tinha deixado na avenida brasil, em Luanda, meses antes e não as imaginava em Portugal. Foram tempos conturbados, aqueles. Ninguém sabia de ninguém e davam-se como perdidas as amizades longas e verdadeiras feitas lá longe, porque nos achávamos uma agulha neste palheiro que era Portugal, onde ninguém nos encontraria e tão pouco encontraríamos alguém.
Fátima passou a ser um local onde eu ia de vez em quando no fim da década de 70. Onde eu ia quase todos os domingos na década de 80. Só para beber café. Só para acender uma vela. Só para orar. Só para passear. E também lugar de passagem. Para Leiria. Onde tive um período que ia todas as 6ªs feiras com a cria mais velha, por via duma intolerância ao leite que a ia mandando para os anjinhos não fosse o moçambicano Pais Bernardino, pediatra, que a seguiu nesse periodo e me disse um dia - a tua filha é como um rebuçado. Só depois de lhe tirarmos o papel sabemos o que lá está dentro - pois numa semana pusera 450 gramas com a experiência da papa que lhe dei um pouco à revelia do sr. doutor pois tinha chegado a um ponto que já valia tudo menos ver uma filha definhar perante a impotência de um médico considerado o melhor entre os melhores que estava na região e já estivera no posto médico de torres novas.
Fátima viu-me de t-shirt sem costas em tarde de sábado há mais de 30 anos, recusando um lenço pelas costas que os seguranças achavam que eu teria de usar para permanecer no recinto. Viu-me também chegar a coxear num fim de manhã de sábado,  e há cerca de 15 anos, para dar cumprimento a uma promessa feita.
Fátima acolheu-me em dias como 13 de Maio ou 13 de Outubro. Em dias como o encontro de retornados. E quando era convidada para casamentos ali na basílica. E quando me apetecia.
Nos últimos cinco anos Fátima não existiu na minha vida. O caminho da fé não passava por ali.
A cidade cresceu. Surgiu uma nova basílica. A 25 kms de mim.
Hoje, só hoje, entrei nesse novo espaço. E gostei. E senti que finalmente cumpri. 

porque sim...

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Acordei cedo. Nunca fiz sala na cama. Tenho p'ra mim que  a vida é tão boa que é um desperdício perdê-la, dormindo. Sei que há muito quem diga isto, continuadamente, eu também pois que deve ser um pensamento recorrente de quem tem insónias. Eu não, mas penso de igual forma. Depois de um jantar de sábado numa mistura saudável de quatro gerações, bem degustado, pela fotografia podem ver que não faltaram as petingas fritas, houve quem dissesse que era peixe-rei, não interessou, o que foi, morreu, couves com feijão, coelho à caçador e doces vários, de conversa animada, de alegria das crianças e boa disposição de adultos, mergulhei no vale dos lençóis polares, que ainda não tirei porque as noites continuam frias, eu sou daquelas que desde que os tais polares apareceram, durmo de braço dado com eles e não tenho frescuras de - ai que horror, não gosto nada, nem gosto de lençóis de flanela, quanto mais... Mas o que é que é isso? Eu até já dormi no chão. E em colchões de sumauma, e de palha, que era preciso bater de manhã para ficar lisinho e não magoar à noite, eu já dormi sentada, enrolada no sofá, para os pés,  atravessada, na direita e na esquerda e até já dormi em pé, uma vez que vinha do Porto num domingo à noite, depois de uns dias de gandaia tanta, com a minha amiga/ madrinha e mais duas,  que o cansaço e os magalas que iam para Lisboa ocupando tudo quanto era lugar me impediram de sentar até Coimbra. Eu até já passei noites sem dormir...
Acordei cedo. O sol entrando pela janela que os estores, que não sobem mesmo até cima, deixam entrar. Tenho três janelas com os estores estragados e ainda não encontrei quem mos arranjasse, mas adiante, que não me parece interessante pagar coiro e cabelo para me arranjarem  estores, por isso tenho esperança que um amigo, sim porque há-de ser homem pois mulher não sabe arranjar coisas destas, tenha compaixão de mim, me perdoe todos os pecados e perca um tempinho na minha casa a custo zero, ou vá lá, um copo. Não pode é escolher muito que tirando os licores que o mano Zé me oferece, confecção caseirinha, ele é de pêssego, de fisalis, ele é de ameixa e outros que me deixam sempre um pouco a rir que nem perdida ou me estragam um par de botas novinhas em folha que dou como perdidas,  dizia eu, tirando os licores, há Porto, champanhe, um uisque de malta velhíssimo guardado para o casamento de filhos, num tempo em que eu achava piada casar filhos, ainda bem que me curei e eles também, pois, não me parece que haja mais algum álcool senão umas garrafinhas pequeninas de avião, cuja origem se forem espertos percebem qual é mas eu não vou aqui confessar, claro. E há água, limonada, sumo de laranja, coca-cola, leite, café, chá, por isso qualquer amigo não se sentirá muito defraudado se quiser beber um copo.
Liguei a televisão e voltei para a cama. Essa é outra. Há gente que acha que quarto é para dormir e fazer o amor e não para ver televisão por isso é ponto d' honra que não pode, fica proibido de ter televisão. Não devem dormir senão nos seus quartos. Só pode. Ou será que quando ficam num hotel não é a primeira coisa que fazem, acender a televisão? Ora, deixem-se lá de tretas...claro que cada um sabe o que quer, digo eu, e se não acha necessário ver uma televisaozita antes de dormir, óptimo, eu cá gosto, mas também sei que sou de boa boca, só não gosto de porrada...
Acordei cedo. E é domingo. Não sei se é especial. Sei que me sinto especialmente viva e lúcida. Feliz. Só porque é domingo e estou viva. A sério. Juro por sangue de cristo. Com a mão passando no pescoço e tudo para ficar mais credível. 
A Pitanga que iniciou uma semana mais coisa menos coisa de período difícil da sua sexualidade ( tem de se aguentar à bronca pois então ! ) corre-me para a janela, salta a televisão, inventa inimigos invisíveis para mim, assanha-se toda e acaba aninhada ao meu lado, derrotada, olhando-me num azul mais celeste que nunca de gata linda e siamesa.
Falo com Dili. Está anoitecendo nesse fim do mundo onde se pode viver melhor do que na europa, onde tudo é mais genuíno e simples. Onde o sô Santos tem um neto, o avô Carvalho um bisneto e eu um sobrinho, fazendo pela vida e dando um pulo nas suas capacidades que não precisavam de diploma para serem reconhecidas mas que o diploma atesta e faz dele um profissional de privilégio em terras de Xanana Gusmão e Ramos Horta.
Dá-me a fome. Abro o frigorífico. Geleira, na minha terra, nem percebo como passei a chamar de frigorífico como qualquer tuga o faz. Diz que água mole em pedra dura tanto dá até que fura. Deve ter sido para me entenderem melhor. Como jinguba que foi substituída por amendoim, baleizão por gelado, curitas por penso rápido, xuinga por pastilha elástica, matumbo por burro, kinga por espera, aka por xiça...
O frigorífico está cheio. Gosto de ver. Herdei do sô Santos esse prazer de casa farta. O meu frigorífico tem de tudo, hoje. Até mousse de manga que fiz no dia da mulher para oferecer às visitas mulheres que vieram comemorar o dia comigo. Sopa de peixe. Queijo da serra, daquele de tirar com a colher, directamente da Serra da Estrela numa oferta que me chegou às mãos que abri para receber num prazer de salivar só de pensar. Tenho leite, iougurtes, patês, fruta, legumes, azeitonas, doces, manteiga. É isso. Decidi fazer umas torradas, derreter a manteiga como fazem nas pastelarias, preparar leite com café solúvel que não é senão uma mistura de cevada, chicória e outra que nem sei bem o que é. Serve. E saborear como em velhos tempos. Molhando as toradas no leite castanho e quente açucarado mas pouco. Salivo de novo. Porque será que só molhamos pão no leite ou fazemos sopas, na nossa casa? Parece mal em público.Frescuras.
Na minha kamba Milú lá em Luanda, desde flocos de aveia feitos de propósito a café com peixe frito, os nossos pequenos almoços são tão felizes que me lembram os outros mais lá para as bandas da avenida brasil, de leite com café e ovos estrelados ou então pastelão de chouriço e cebola. E os de empadas de galinha da Royal, prego no prato com pikles e ovo estrelado, quando ia à baixa com o sô Santos e nos encontrávamos com o tio Augusto no café em fente ao Comando da Policia, no Tijuca.. Jesus maria! O que é que eu tenho hoje?
Acordei cedo. É domingo. Estou feliz, só porque sim... 

um conceito interessante

Alfama-te com estranhos

Um jantar, 10 pessoas que não se conhecem, uma vizinha que prepara o repasto que sai pela janela, um pátio escondido de Alfama, uma mesa montada na rua e boa disposição: eis os ingredientes para o Alfama-te.
Frederico, Joana e Ângela, os organizadores do Alfama-te, querem quebrar as rotinas dos lisboetas e dar a conhecer Alfama de uma forma muito peculiar. «As pessoas vão sempre para os mesmos sítios. Passam a vida no Bairro Alto, nas Docas e sítios afins, mas Lisboa tem mais que isso», explica Frederico. Foi então que decidiram sentar-se à mesa com dez desconhecidos num recanto de Alfama e trocar experiências. O processo é simples: basta uma inscrição pelo site ou pelo Facebook e fazer uma transferência bancária de 20 euros. Até à hora marcada ninguém sabe com quem vai jantar, onde se vai sentar e nem sequer o que vai comer. A mesa foi posta pela primeira vez em Abril e já recebeu mais de 20 jantares. À sua volta, já estiveram sentadas mais de 100 pessoas. Na maioria são mulheres, «porque são muito mais destemidas», diz Frederico. 


Do sofá para a mesa 


Ponto de encontro: Largo do Chafariz de Dentro. Frederico, 38 anos, está à espera. Entre tragos na cerveja e telefonemas dos ilustres desconhecidos, o organizador e director de formação numa escola de medicina alternativa conta ao SOL que, curiosamente, tudo começou num sofá e que daí para a mesa foi um passo. 



«O Alfama-te surge no seio da comunidade couchsurfing [dormir no sofá de um estranho]. Como era o embaixador em Lisboa organizava imensos eventos para estrangeiros e comecei a reparar que eles pareciam conhecer melhor a cidade e os sítios mais escondidos do que os próprios lisboetas, e isso estava a fazer comichão», explica. Começaram por criar eventos mais vocacionados para os alfacinhas, como concertos, noites de fado («mas aquele fado divertido e não o chato»), projecção de cinema nas igrejas, workshops de dança, festas temáticas, entre outras coisas. 



Entretanto, Joana, uma psicóloga que dá aulas de piano a crianças, lembrou-se do Alfama-te a 10 quando ouviu falar do conceito de anti-restaurante e de pessoas que recebem estranhos em casa e preparam uma refeição. O primeiro passo foi falar com os habitantes dos rés-do-chão que têm um pátio ou um espaço à porta de casa. Compram tudo e dão às moradoras a tarefa de cozinhar, ao mesmo tempo que as ajudam. 


«Aqui há muita gente com condições socioeconómicas baixas, e ganhar 50 euros por um jantar, ao ritmo de dois jantares por semana, é um bom complemento ao subsídio de desemprego ou à reforma. Reparámos que houve uma senhora que, ao fim de dois jantares, foi ao cabeleireiro. Com 100 euros fez uma festa!», conta Frederico. 


E quem aceita este desafio e está disposto a aventurar-se pelas ruelas apertadas, escadinhas e subidas escabrosas deste bairro pitoresco? Uma higienista oral, uma psicóloga, uma jovem empresária, dois trabalhadores de uma tabaqueira, uma jornalista, uma assistente social e até um vendedor de sonhos. «Não fazemos qualquer tipo de selecção. Vem quem vier. Pessoas com idades, profissões e ideologias diferentes. O engraçado é ver isso». 



O acaso levou-os à porta de casa da D. São, onde se podia ver um quadro da Última Ceia por cima da televisão, que passava a novela da noite. A mesa estava posta, o cozinhado pronto para sair pela porta fora e os ‘alfamados’ reunidos. Passa-se ao ritual de apresentação em que cada pessoa se dá a conhecer, ou não. 



Encontros (im)prováveis 


Tal como Frederico já tinha alertado, ao fim de 10 minutos de conversa as pessoas percebem que têm amigos em comum. «Até a mim já me aconteceu uma senhora de 60 e tal anos vir jantar e afinal tinha sido colega do meu pai, que por sua vez é padrinho da filha dela. E encontrámo-nos aqui nestes jantares». As razões para se ‘alfamarem’ variam. Catarina decidiu ir ao jantar porque vive há pouco tempo em Lisboa e achou que esta «é uma óptima maneira de conhecer pessoas interessantes e diferentes».



 Já Marisa veio em trabalho. Quis dar o conhecer o seu negócio e conhecer sítios alternativos para mostrar aos clientes da sua residencial. Até havia quem morasse em Alfama há pouco tempo e viu nesta iniciativa uma boa oportunidade para conhecer os vizinhos. As expectativas saíram defraudadas: «Ninguém no jantar é de Alfama, mas não faz mal porque estou a divertir-me à mesma». 



Desengane-se quem pensa que isto é um escape para quem não tem amizades. «Isto não é para aquele lobo solitário que está em casa e que não tem amigos. O tipo de pessoa que encontras aqui não é acanhada, estranha e que vem à procura de amigos. Antes pelo contrário, são sempre pessoas expansivas e aventureiras», esclarece o organizador. O propósito é que se passe o testemunho aos amigos e levar pessoas para Alfama. Mas há uma regra: ninguém pode voltar. «Essas pessoas hão-de aparecer noutras circunstâncias, como por exemplo num bar». 



E foi precisamente o que aconteceu. Quando a língua já estava solta, os desconhecidos que se passaram a conhecer foram em romaria pelos becos e vielas até um tasco das redondezas, onde outras pessoas que não quiseram perder o rasto a Alfama se encontravam, divididos entre amena cavaqueira, cantorias e imperiais.

( reportagem de Rita Osório ( Sol ) em 14 de Agosto de 2011 )

sábado, 10 de março de 2012

porque hoje é presente

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Desde que fui ao campos da justiça deixar o meu requerimento de pedido para a reforma, desde que a crise se instalou, desde que a minha cria anda por fora e a outra não tem tempo nem para se coçar, que  me deixo ficar pelo Ribatejo. Sem mágoa. Sem grande sacrifício. Sem me sentir infeliz. 
O homem é um ser em situação, dizem. Com razão.
Tenho os olhos no futuro e vou vivendo o presente tirando partido do que melhor a vida me pode oferecer no momento. Se é pouco? Não é. Já não tenho a alma ansiosa de outros tempos. Se era um espírito zangado há muito deixei de o ser e estou bem onde me tratam bem. Torres Novas é um lugar de passagem onde estou há 37 anos. Será sempre uma ponte entre o passado e o futuro.
Tenho os olhos no futuro. Em Guimarães. No Alfama-te. Na ponte 25 de Abril. Nas férias da Páscoa. No Rock in Rio. Em Luanda. Na reforma. E até lá, aqui estou num Ribatejo quente e solarengo. Com temperaturas de verão, manga curta e meias atiradas para um canto. Com convite do mano Zé, para almoçar no campo, uns camarões de entrada e uma carne de porco à alentejana, acompanhada de um verde branco fresquinho, e  um gelado de panacota com molho de frutos vermelhos. Com sacos de laranjas  e limões apanhados da árvore de braçado a caminho de casa.
Com convite para jantar no campo mais perto da cidade, ali para os lados do Bom Amor onde a condizer com o nome o ambiente é bom e é de amor entre quase duas dezenas de pessoas que todos os sábados se juntam para comemorarem a família e os amigos.
Um presente assim não me deixa tempo para pensar no que de mau já passei e no bom  que o futuro me reserva. É viver hoje e bem. E não há nada que me faça falta porque tenho os olhos no futuro e tenho paz no coração enquanto vivo o presente. O passado, passou. E hoje é presente.  

eu não acredito em coincidências


Carven ma griffe é um perfume. Caríssimo. Que eu usei. Apenas um frasquinho pequenino, oferecido pela minha amiga Manuela Barbosa, posteriormente, minha madrinha de casamento.
Decorria o ano de 1974. Estávamos no mês de Dezembro.
Apesar de ser um aroma perfeito, casando com a minha pele, com o meu jeito, com as cores que usava, não voltei a usá-lo. A memória de um perfume de sonho, usado em dias de pesadelo afastou-me da ideia de passar a ser o " meu " perfume. Hoje, recordei-o.
Estava no facebook. Quando vi alguém online que pertencia ao meu passado. Uma mulher que conheci pequenina. E a quem pedi amizade há uns tempos na presunção de que pudesse ser a M.T. Na sua fotografia descobri traços forte da minha professora da 4ª classe de quem fui vizinha desde pequena. Fiquei contente quando aceitou mas não falei com ela. Foi num dia complicado e precisava de uma certa paz para me dar a conhecer. Hoje acabei com essa coisa do chove e não molha porque não sou nada assim e decidi finalmente falar-lhe no chat.
A sua família foi importante no meu crescimento. As suas tias, uma referência de peso que me marcou a existência favoravelmente. Eram três irmãs. Maravilhosas. A mais nova, menos formal, mais moderna, elegante, bonita. Giríssima na forma de vestir, estar e falar. De uma educação exemplar. As três. E as pessoas que gravitavam à sua volta, como maridos, filhos e outros. Quando as conheci tinha cinco anos. Mudara-me para junto do colégio e nesse ano fui fazer a primeira cabunga como se chamava à pré-primária.  Mudara-me no dia dos meus anos. 12 de Julho. E iniciara o ano escolar a 10 de Setembro, chorando que nem uma condenada, pela mão da Fatinha Rocha, minha vizinha, que já frequentava a primeira classe à séria. Pouca idade, muito mimo e medo da professora, menina Piedade, uma mulata magra e alta, sisuda e com pêlo na venta, que mais tarde se revelou uma mulher extraordinária, também ela um exemplo a seguir.
 A mãe dessas 3 mulheres, irmãs,  que me influenciaram comportamentos, era uma velha senhora com uma classe que nunca mais encontrei em ninguém. Fumava loucamente e bebia ao lanche uma chávena de café de cafeteira a que acrescentava leite moça ( condensado ) em bruto. Chamava-me à sala onde eu estava a dar aulas para lhe fazer companhia.
- Clarinha! Clarinha! - Na sua voz grossa e segura - Vamos beber o nosso café? 
E eu ia num ritual gostoso. E apesar da minha pouca idade, 19 anos, ouvia-a com muita atenção,  devoção mesmo, contar estórias do mato, de um interior de uma Angola desconhecida para mim, mas tão sedutora e misteriosa quanto fascinante e bela,  do início do século 20. Batalhas. Êxodos. Provações. Poderes e conquistas. A história de Angola do século XIX e início do século XX contada por quem vivera parte da história e ouvira contar aos seus pais o que não vivera. Por quem andara no interior do país com o seu marido, um transmontano bom e íntegro que era o exemplo das suas filhas e dela, D. Laura e que morrera por causa de uma injecção, precocemente, quando eu tinha 8 anos e andava na terceira classe. Ela, a viúva, sofria de hipertensão e fora a primeira pessoa que conheci e com quem convivi que passava mal por via disso, mas sempre rija que nem um pêro. De vez em quando almoçava com ela. Quando o cheiro a feijão de óleo de palma invadia a sala de aula do primeiro andar onde eu ensinava os meus alunos, era certo que nesse dia eu não ia para o 126 da avenida do brasil e ficava ali mesmo fazendo-lhe companhia à mesa.  Mas em dia de caldo de peixe também. E de funge de peixe ou moamba, idem. Ouvia-a  - Clarinha! Clarinha... 
Cliquei no nome da filha da Vera. A caçula da D. Laura. A mulher que me fazia querer crescer e imitiar. Tal e qual. A mulher elegante, finíssima, bonita, educada e feliz que se mostrava ao mundo. A mulher que vi finar-se muito mais precocemente que o pai, o transmontano íntegro de quem sempre ouvi falar com orgulho e amor. A mulher que eu admirava e a quem tinha um profundo respeito. Aquela a quem eu velei na noite de 19 de Dezembro do ano de 74, vestida de azul escuro, na única lacoste que tive na minha vida, calças azuis escuras e cheirando a Carven ma griffe. Hoje, recordei o aroma forte daquela noite, na mortuária da igreja do Carmo.
Saudei  a Mité. E perguntei-lhe se sabia quem eu era.
- Clarinha! Chamando-me assim só podes ser tu...
Clarinha...tal como a avó Laura, a tia Zita, a tia Dina, a mãe Vera, me chamavam.
Hoje toquei de leve num passado longínquo e mergulhei de cabeça nos sentimentos que me fazem ser quem sou e reconhecer-me num nome chamado com carinho e apreço ao fim de três décadas. 
Hoje dei a mão ao passado do meu crescimento junto de gente muito próxima, que me educou e ensinou a tabuada, a leitura, os problemas e as canções, num lazer gostoso de côro escolar. Num, " caranguejo não é peixe, caranguejo peixié, caranguejo só é peixe quando entra na maré "! 
Num passado de família, apadrinhando a minha caçula na igreja de S. Paulo. Num passado de amizade e constante convívio com os filhos destas mulheres, com estas mulheres e com as suas famílias. Num tempo bom que ficou impregnado na minha pele, nas minhas vísceras como  Carven ma griffe e aquela noite triste do velório da Vera, mãe da Mité que hoje ao fim de 37 anos tocou a minha alma quando me chamou - Clarinha...
A vida tem encontros e desencontros. No que depende de mim, tento sempre que os desencontros se possam transformar em reencontros felizes. Entre viagens e constantes partidas e chegadas, há dias em que retornarem a nós pode ser mão do destino, do universo ou apenas uma coincidência.
Será? Eu não acredito em coincidências.
Um dia destes, vou à procura do Carven ma griffe numa qualquer prateleira duma qualquer perfumaria. Juro que vou.
..

sexta-feira, 9 de março de 2012

hoje pelas lembranças

Fiz o percurso devagar. Gozando o prazer de estar em torres novas  às 10 da manhã, de um dia de semana.
O tempo e o caminho são breves. E demais conhecido, até de olhos fechados. Foi feito por mim anos a fio, num somar de dias, meses, anos. 
Há 13 anos atrás o caminho tem sido outro. Mais longo mas mais pacífico e sereno. Não senti falta do que ficou para trás. Apenas uma única vez voltei ali. Para ser testemunha. Não gosto. Eu que durante anos e anos coloquei gente no banco das testemunhas, no banco dos réus, com uma perna às costas, esse lugar nunca o ocupei com naturalidade.  Fui indicada por três vezes na vida, para testemunha. A primeira vez num homicídio acontecido no edifício. E não foi fácil. Entrei em pânico, não dormia, não comia, tive que fazer uma visita ao médico, tudo porque tinha de identificar o arguido ali na sua presença, arguido esse, perigosíssimo, bem como todas as pessoas envolventes nesse crime monstruoso, nas nossas barbas. Mas fi-lo. A segunda vez, fui indicada testemunha abonatória da arguida, pessoa chegada a mim profissionalmente e a quem sou grata por motivos que não vêm agora ao caso. Depoimento esse que acabei por não fazer por ter sido dispensada pelo advogado da arguida, num equívoco que me aliviou, lá está, pela minha incapacidade para tratar por tu a cadeira das testemunhas numa sala de audiências, ainda que a sala onde trabalhei diariamente como oficial de justiça. 
Hoje foi a terceira vez que ali fui para testemunhar. Subi as escadas e não evitei pensar em todos aqueles anos que ali trabalhei. Acho senti até o cheiro desses dias, dessas manhãs. A nossa casa é a nossa casa. Ali entrei com 26 anos. Trinta anos atrás. Conheci muita gente. Fiz algumas amizades. Aprendi muito. Cresci e envelheci. Entrei na minha antiga secção e olhei com carinho o lugar onde estava a minha secretária. A chave da casa de banho pendurada no gancho junto à porta...
Os colegas de outros tempos são poucos. Mas os outros já ouviram falar de mim. Às vezes falamos ao telefone. Nada será como dantes. O meu tempo naquele lugar terminou, mas hoje aquele espaço não me foi hostil. E tranquilizei o meu espírito. Se calhar por isso, ou porque a alma inquieta, nervosa e medrosa que eu era, cresceu e pela primeira das três vezes que fui indicada como testemunha enfrentei  a cadeira com tranquilidade. O juiz, meu conhecido do tribunal onde trabalho e que actualmente ali se encontra a prestar serviço tudo fez para que eu estivesse à vontade e o Rafael e a sua adopção eram motivo mais que suficiente para eu dizer sim ao desafio que foi sempre o lugar da testemunha.
A cidade do Almonda hoje pela manhã estava linda. O sol, o calor e a azáfama de uma sexta-feira  deixando sonhar com o fim de semana fez-me ter pena de a deixar para cumprir mais um dia de trabalho. Acho que ainda vou gostar muito desta terra, quando a minha reforma sair no papel e eu for viver para a capital.

quinta-feira, 8 de março de 2012

parabéns a todas

Parabéns

d. pitanga

foto tukayana.blogspot
Olhei para ela. Enroladinha num novelo. Olhando p'ra mim.
Sabem quando estão a olhar p'ra nós e nós forçamo-nos a olhar? Pois. Acho que foi isso.
Cheguei do funeral. Numa semana fui a dois velórios e a dois funerais. E fiquei doente com isso. Dores de cabeça e inquieta. Voltei de Riachos no fim da tarde.  Encontei lá gente que não via há muitos anos. Todos mais velhos e gordos. Carecas. Cabelos brancos. Colegas reformados e até alguém do meu passado, que se faz de morto e que foi acompanhar o defunto numa atitude cobarde como é seu apanágio. Coisas de gente pequenina. 
Cheguei encalorada, cansada e desencorajada.
Olhei para ela. No sofá em frente de mim. Olhando-me. Sorri-lhe. Em silêncio. E ela levantou as orelhas, empertigou o dorso, ondulou-o, esticou o rabo e veio direita a mim. 
Estive a falar ao telefone e esquecera-me dela. Não foi para menos. Acenaram-me com um presente de aniversário, que é só para Julho, que não vou revelar, mas podem ter a certeza de que é de estalo. 
Olhei para ela e toquei-a de mansinho. Parada em frente de mim, olha-me. Morde-me os pés porque não gosta de meias pretas. Zango-me. Ameaço-a. Sobe para o sofá. Invade-me o colo. E instala-se. Pego na máquina e tiro-lhe uma fotografia. Esta. 
Dona Pitanga, a minha companheira mais devota e presente. Dizem que os animais sentem e pressentem.
Esta gosta de se fazer sentir. E quem pressente que se péla por me apanhar o colo, sou eu.
Afinal hoje quem precisa de colo? Julgava que era eu...  

quarta-feira, 7 de março de 2012

o tempo do B. terminou

Tocou o telemóvel. Estava na minha hora de almoço. E não era nenhuma das minhas pessoas. Aquelas que me ligam e eu não estranho. Era alguém que raramente me liga.
- Era para dizer que o B. faleceu. 
Senti um arrepio. A morte do B era uma morte anunciada. Há quase 3 anos. Mas foi como que um soco no estômago. 
- Estou a ligar para dizer aí. Não sei ainda quando é o funeral.
Não fiz perguntas. Apenas ouvi e desliguei. E pela primeira vez na minha vida tive de dar a notícia do falecimento de alguém a   um grupo de pessoas que conhecem o B e que com ele trabalharam, mais, ou menos anos. E foi difícil. 
Entrei no tribunal velho, no centro da então vila, pela primeira vez há 36 anos. Estávamos no ano de 1975. Dali até ao estágio foi um ápice. Dei sorte. O tribunal tinha duas secções de processos e uma secção central. Na segunda secção trabalhava o B. Um jovem da minha idade. Uns meses mais velho. Era um rapaz simpático, muito delicado e de uma educação refinadíssima. Com um humor giríssimo. O B, era um gentleman. 
Fazia parte da nata da vila. Creme de la creme. A Abidis e o Clube eram os lugares onde circulava e parava. Os grupos de amigos, os mesmos que eu conhecia, com algumas diferenças pois eram o que hoje se chamam de betinhos, que se passeavam nos carros que os pais ofereciam logo aos 18 anos, nos seus casacos de samarra, com gola de pele de raposa, botas tacão de prateleira, à ribatejano, e tertúlias por esse Ribatejo fora, com poiso na Golegã. No verão zarpavam para a Nazaré para o engate das francesas, suecas e outras que ali passavam férias. Tratavam-se por você e só abriam o grupo para entrada de quem lhes caísse no goto. Ou fosse betinho. Eram amigos dos meus primos Artur e Luís e isso era meio caminho andado para me verem com bons olhos. Foi um tempo engraçado, esse. Que passou quando uns terminaram os cursos em Lisboa e tiveram que se fazer à vida, outros casaram e outros como o João S. por aqui se foram orientando dando outro rumo às suas vidas. A vila passou a cidade. Cresceu. Os filhos nasceram. O tribunal continuou. O B. foi meu colega. Era meu colega ali, lado a lado, todos os dias. Até ficar doente. 
Hoje partiu. 
Nunca estive num velório onde as pessoas sorrissem tanto. Eu própria. Acho que o B. também sorria. Se bem o conheço, até terá feito umas quantas piadas ao ver entrar determinadas criaturas. A nata. Creme de la creme desta cidade moribunda. 
Eu e a Ana conhecêmo-lo de sempre. Desde menino. Do tribunal velho...
Ficou-nos frases como: Nem mais um militar para a Guiné, quando encerrava o computador às 17 horas.
Ou: Depressa e bem, só coices. E ainda : Sou um animal de pêlo, mais do que de cabelo. Ou: eláce!
O tempo do B. terminou. Será recordado sempre. As suas frases e piadas foram ao longo destes 3 anos repetidas e gargalhadas e vai continuar a ser assim  porque no fundo todos sabemos que o B. era diferente. 
E todos gostavam dele. Era um gentleman.

segunda-feira, 5 de março de 2012

Mallu Magalhães - Velha e Louca

pela manhã, segunda-feira



Desço a rua do antigo centro de saúde que foi  isla e a seguir salas da secundária maria lamas e hoje é atl. Como sempre, andando rápido. Nas minhas sabrinas mais novas que parece que são como redbull dando-me asas para voar mais rápido até ao viaduto. 
Uma mulher com a minha idade tem de se calçar confortavelmente. Já não deve embarcar em saltos, modas, montras apelativas e amigas que se exibem no alto das suas andas como se deslizassem de patins porque não palmilham ruas, becos e esquinas como eu, nem devem ter uma coluna como a minha, que ainda hoje achei que em vez de 56 anos tenho para aí oitenta  e ia a descer a rua do atl e a pensar para com os meus botões - maria clara isto não se põe melhor, e se um dia queres andar e não consegues? E quem te mandou quereres viver no topo dos prédios, sem vizinhos por cima? E quem é que te vai valer? E...
Avistei o João S. ao fundo da rua. Mudou o sobretudo escuro para uma gabardine beje. Quem lhe disse que ia chover? E calças bejes também. Como se o João precisasse de chuva para se exibir.   ou de verão para calças brancas. Com a sua velha pasta na mão como se de um executivo se tratasse, sempre gostou de parecer mais do que é, o seu andar de passos curtos e um sorriso sempre igual, aproxima-se de mim. Hoje páro. Assim como assim nem vou atrasada. E é segunda-feira. Já basta o que basta e o João tem sempre uma qualquer saída que me faz sorrir. Previsível e bem disposto ainda que o mundo esteja para acabar mais logo. 
- Sempre que te vejo lembro-me de há 30 anos atrás. Ou mais...
- Ai é? - Curiosamente eu também me lembro dos tempos passados. Desse tempo divertido e inconsequente, na década de 70. Éramos, a bem dizer, uns miúdos. Ele acabado de chegar de Nambuangongo, assustado e cacimbado de todo, e eu, triste, terrivelmente triste,  de Luanda. E nos juntávamos na Império, da Bia, a dona da pastelaria, do sr. Alves, empregado com quem os rapazes gozavam pelo seu jeito feminino, que exagerava para os ouvir, no Viela, do Sr. Mário, na Abidis do  Manel, homem ressabiado, racista e politicamente infeliz, que acabou por acabar com a vida deixando filhas bebés ao deus dará que tiveram que crescer sem pai. E nos juntávamos na praça 5 de Outubro e tirávamos fotografias no castelo e passávamos horas na esplanada da avenida que na época era dos pais do João jogador de hoquei, briguento e...comunista, o que não abonava nada, mesmo nada a seu favor, hoje convertido num respeitável solicitador, professor, pai de família. Um senhor.
- Ai é? Ecoou na minha cabeça. 
- A sério. Lembro-me daqueles tempos. Era porreiro não era? Não era como hoje. Quais computadores qual carapuça. A gente vinha para a rua curtir. Com pouco dinheiro. Nenhum. Tesos, ó Clara, tesos mas novos e felizes. Os cachopos d'agora não sabem viver - E riu-se.
- Pois. Tens razão. Nesse tempo fumavas à borliu um maço por dia, chulando uns e outros. Ainda fumas?
- E ainda cravo. Voltou a dar uma gargalhada. Bons tempos Clara, bons tempos. Olha, vou-me embora até ao estádio. Às nove e meia  tenho uma reunião com o presidente da câmara. O espeta-figos. E riu-se de novo. 
O alcaide, como diz uma amiga. O alcaide e o João S. reunidos por causa do desporto da cidade. Do  concelho. Olha que dois! A alcunha de espeta-figos diz quem estudou com o alcaide que lhe vem dos bancos da escola. Por ser alto. E magro, à época.Dissemos adeus como sempre, num chau e até outro dia. Ele seguiu para o estádio e eu em sentido contrário, para o viaduto. Mais uma vez sorrindo do João e para o passado comum. 
Desse tempo ficaram algumas pessoas que raramente encontro. O Tó e a Luísa são os que vou vendo por aí. Nas ruas da cidade, esta última. O outro, nas festas da cidade ou na feira medieval, e pouco mais. O Bispo, partiu para sempre, numa viagem de comboio que acabou tragicamente, em Santarém. Foi há tantos anos quantos a minha cria mais velha tem de vida. Foi no ano em que nevou em Torres Novas. Como o tempo passa, Jesus Maria! Como o tempo passa... Subo o viaduto com o sabor doce da nostalgia. Do tempo em que a feira de março se fazia no Rossio, ao cimo do viaduto. E eu, o Tó, o João, o Bispo, a Luísa, e outros, em procissão, subíamos a ladeira de Santiago a caminho da feira, das farturas da Pina, dos tirinhos, dos jogos de matraquilhos, dos carrinhos de choque e do algodão doce. Da diversão barata e possível.
Quantos anos tinha, mesmo? Poucos. Muito poucos. Vinte. Pouco mais. 
Hoje, segunda-feira, o João foi assim como uma fada, que com a sua varinha mágica tocou nos dias vividos em que eu era feliz, livre, jovem, e não desconfiava o que era ser feliz,  só porque sim. Tocou e fez-me recordar com saudade esse tempo. 
Hoje, o viaduto não me pareceu nem tão longo nem tão íngreme, nem tão cansativo.  

domingo, 4 de março de 2012

dois em um


Um presente para a minha vaidade.
Um é baton e outro é sombra dos olhos.
A mesma querida que me ofereceu o livro de Lobo Antunes.
Estes são os presentes que me dizem que há pessoas que gostam de mim. 
Porquê? Porque me oferecem aquilo que sabem que eu gosto.
Porquê? Porque apostam em me verem animada.
A marca é nova. A loja, no Chiado. 
Obrigada, princesa.  

uma escolha com amor

Um presente dado com amor.
Na FNAC, olhando os livros, puxa de um que ali vai comprar, olha este e pergunta: Queres que to dê?
E eu respondo: Quero.
E deu mesmo. E já não é a primeira vez que isso acontece.
Obrigada, querida.

Rokia Traoré - Dounia (TV5 Acoustic).mp4

pouco mais que irreal


Foi um momento
Não mais que um minuto
Um segmento
De palavras
Movimentos
Um pestanejar
Não mais que uns segundos
Um esgar...
Inspirar e expirar
Uma tentativa de estar
Entre dois mundos
Foi um instante
A ponte
O lugar
Não mais que uma partícula de tempo
Breve e já distante
Especial
Pouco mais que irreal 
Foi a hora certa
Aquela que te vivi
Para saber que mais do que te ter
Te ser, 
Me, te Senti...

m.c.s.

mousse de maracujá


Mousse de maracujá


Ingredientes: 
1 lata de leite condensado
1 copo de sumo de maracujá (pode fazer a partir do concentrado)
1 lata de creme de leite

Preparação:

Misture uma lata de leite condensado, o sumo de maracujá e 1 lata de creme de leite. Bata tudo no liquidificador cerca 4/5 minutos. Coloque na frigorífico e deixe arrefecer pelo menos 2 horas.

( Creme de leite= Natas )

suco calmante


Suco Calmante... para dormir bem.....


Ingredientes:

1 chávena de chá de erva cideira picada
400 ml de sumo de laranja
3 colheres de sopa de mel
2 rodelas de abacaxi

Preparo:

bata todos os ingredientes no liquidificador, adoce com mel e siva com gelo.

Rendimento: 4 copos

Valor nutricional: Vitaminas A e C, complexo B, Ferro,Cálcio,Fósforo e Magnésio.
Este suco ajuda a ter um sono tranquilo, elimina gases intestinais, estimula a digestão, combate a anemia, possui efeito diurético.

Doce de gelatinas

Ingredientes

2 pacotes de gelatina (diferentes sabores, usei morango e ananás)
1 lata de leite condensado
1 pacote de natas

5 folhas de gelatina neutra

Preparação



1. Preparar as gelatinas conforme as instruções e deixar coalhar. Quando estiverem firmes, cortá-las aos cubos e colocá-los dentro de uma forma de pudim.

2. Colocar as folhas de gelatina de molho numa tacinha com água e quando estiverem moles colocá-las no microondas durante 20 segundos para que se derretam na água (pouquinha).

3. Na batedeira misturar o leite condensado com as natas, juntar a gelatina já dissolvida e bater uns segundos mais de forma que a gelatina se incorpore por todo o creme.

4. Colocar este creme sobre as gelatinas já cortadas e levar ao frigorífico durante umas horas até estar firme.

5. Desenformar com o auxilio de um pano quente. Truque: molhar o pano com água quente, espremer e colocar 20 segundos no micro-ondas. Cobrir a forma com o pano, deixar durante uns minutos. Repetir esta operação até o pudim desprender da forma.

( Receitas de Lourdes Lara do grupo do facebook EM TEMPO DE CRISE... )

sábado, 3 de março de 2012

divagando-te



Na noite que chega, no sono que acena, na dor anestesiada, deixo a porta entre-aberta. 
Descuidadamente, viciadamente,  no trinco.
Numa inconsciência premeditada.
Entras no meu sonho. Na minha preguiça de viver. Sem bater. Sem nada dizeres. 
Puxas o banco, devagar. Estudadamente devagar. E numa estratégia recorrente, numa pose, numa posse desinteressada, jogas-te. Jogas-me. De frente p'ra mim. De frente p'ra ti...
Entras-me nas pupilas, na pele, na alma, militantemente adormecida.
Olhas-me nos olhos, como se todas as noites, todos os dias, todas as terras me trespassasses.
Sentada, não digo nada. Não faço nada. Espero. Como ontem, anteontem, no século passado. 
Espero um  amanhã. Um mais que nada.
Porque me visitas a noite esquecida e me ofereces sorrisos? 
Porque desenhas nas sombras, o sol da manhã?
Porque me desventras a madrugada?
E suspendes entre os dedos das mãos abertas, que articulas como marionetas, futuros inventados...
Hinos de memórias fechadas à chave nos dias de  cacimbo verdadeiramente vividos, mais do que sonhados...
Horizontes de buganvílias. Perfumadas e coloridas.
Trepando vontades, entrelaçando esperanças, embelezando saudades...
Um dia, uma noite, aposto sou eu que vou entrar no teu sonho e te pergunto assim num de repente tudo o que me vai no espírito. Na mente. Acho depois,  vou ficar muito tempo a sonhar-te... 

fiquei com portite aguda

sexta-feira, 2 de março de 2012

Marica - Paulo Flores Ao Vivo

dia da mulher angolana


‎2 de Março - “Dia da Mulher Angolana”

' O dois de Março é dia consagrado à mulher angolana, em reconhecimento ao seu papel desempenhado na luta de resistência do povo angolano contra a ocupação colonial portuguesa.
A data, é de relevante importância para o povo angolano, visto que elas desempenharam sempre um papel de destaque no processo de libertação do país, com exemplos representativos dos feitos heróicos da rainha Ginga Mbandi, num passado longínquo, e de Deolinda Rodrigues, Irene Cohen, Engrácia dos Santos, Teresa Afonso, Lucrécia Paim etc. '

Parabéns MULHERES do meu país.