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domingo, 10 de março de 2019
sábado, 20 de outubro de 2012
diário em tempos difíceis
Acordei com a sensação de não ter dormido. Cedo...
A manhã ainda não visitou a varanda.
Lá fora, à semelhança de todos os outros dias, nada bule.
O Jeremias veio à frontaria da casa durante a noite. Acordei ao som de uma gataria desenfreada que me endoidece. Um dia destes acordo a miar. Será por isso que sinto que o sono se escapou sem cumprir a sua função?
Perguntas e mais perguntas. Algumas respostas. Poucas.
Acordo sem dores. Depois, lentamente elas retornam e mantêm-se por todo o dia enquanto estou acordada. As minhas dores são amigas. Adormecem quando adormeço e deixam-me dormir um pouco. Acordam quando acordo. Se não fosse cá por coisas pensaria que são imaginadas. Mas não. Eu sinto-as fisicamente a cada movimento mais.
Dou-me conta que todas as noites sonho. Muito. E sonho com pessoas de quem gosto muito. Sonhos que já não tinha há muito tempo. Nunca com o braço imobilizado. Vêm-me à lembrança depoimentos trágicos de pessoas amputadas. As dores que sentem num membro que já não têm. As dores reflexas. Será?
Tenho sorte. É! Consigo traçar um cenário menos trágico que aquele que me deixaria em estado mais grave. Para ganhar a coragem que vai faltando. E não venham com paninhos quentes. Quem está no convento é que sabe o que lá vai dentro. E mais, quem quer peixe tem de entrar no mar. Querem ajudar... E eu não sei? Também sei que as palavras têm o peso que têm. As acções pesam muito mais. E eu estou quase parada. E diz que circular é viver. E há quem diga muita coisa. Sem saber. Apenas porque desconfia ou quer agarrar-se a algo mais que esta pasmaceira de vida que a gente vive. Mesmo quando não há doenças nem acidentes interrompendo ciclos.
Para se perceber o que estou para aqui a dizer, há quem diga que o universo é poderoso e pelos vistos eu sou importante pois que me fez parar. Que provavelmente eu precisava parar; não parei a bem, parei a mal. Uma teoria interessante. Que me faz questionar e perder ou ganhar tempo acreditando que viemos de qualquer lado e temos um percurso a fazer para chegarmos ao nosso destino. Outro alguém me diz que pode ser um teste. A quê? Às minhas capacidades de suportar o sofrimento, a solidão e a dependência? Porque testes, testes, já os fiz quase todos e um ser não vem a este mundo para estar sempre à prova, tem de viver um pouquinho sem que se dê por isso, sem que daí venha mal ao mundo, sem que tenha de provar algo, sem que tenha que pagar para, digo eu que vejo tanta gente viver a sua vidinha normalmente e por vezes, muitas vezes, nem sequer é inteligente, bom cidadão, boa pessoa, generosa, honesta, sensível, trabalhadora e por aí adiante. Teste? À capacidade para a paciência? Para a conformação? Para me colocar no lugar do outro? Pois...sou mestra, melhor, doutorada. Cheguei lá há muito tempo. Aos lugares onde muita gente boa nunca há-de chegar, felizmente para essa gente, que viver uma vida linear nem sempre é mau. Sobretudo quando se passou os 50.
Curiosamente enquanto escrevo, a manhã vai chegando à janela. O despertador do telemóvel toca. Oito horas. Tão cedo!
Entretanto fiz um intervalo para comer. Sonho com um crunch há muito tempo. Servida pela posta do meio, como diz uma amiga minha. Que coisa chique esta que inventaram e que eu ainda não tive o prazer de fazer. O tal dois em um cheio de estilo onde as pessoas vão para serem vistas, provavelmente mais do que para comer. Eu sou das que adora pequenos almoços de hotéis e por isso sei que vou estar como peixe dentro d'água. E depois, quero ir, mas para saber como é, in loco. Gente minha há-de levar-me um dia destes quando eu estiver capaz. Com os sentidos todos no lugar. Deixei o convite em aberto pois neste momento não me parece chique ir a um crunch de braço ao peito e cheia de pena de mim própria.
Já de almoçar uma pasta num italiano do Campo Pequeno não me neguei e hoje é dia. Enrolar massa com um garfo na mão direita não há-de ser pior que comer sushi com os pauzinhos e no domingo passado consegui-o com um iupiiiiiii de alegria se bem que com a ajuda da primogénita e da caçula, coitadinhas delas, que tiveram de me servir sempre que quis.
Hoje já tomei o pequeno almoço. Enquanto comia um croissant simples, daqueles do Pingo Doce e bebia um iogurte líquido de morango, tudo a que posso chegar sem custo e incómodo para terceiros, pensava que é assim que se engorda. Enganar o tempo com o que a gente gosta nem sempre é benéfico se o que a gente gosta entre outras coisas, é comer. Conclusão a que chego, uma fractura nunca é benéfica pois que o Universo não nos quer a enfardar que nem loucos, nem tão pouco a fazer testes aos nossos propósitos de dieta, digo eu, que sou uma pequenina peça deste imenso e intrigante universo.
Olho a televisão que está na SIC mulher. Quando a liguei estava num programa que falava sobre lojas onde nunca entrarei, de Nova Iorque e também de Londres. Confesso que de mim para mim reagi um pouco ressabiada ao que vi e ouvi. Tanto luxo, não é que me ofende? Andamos nós aqui a encanar a perna à rã, diariamente, hoje como carne, amanhã uma sopinha e depois quem sabe um peixe; hoje como uma maçã, amanhã uma pêra e depois quem sabe compro umas uvas; hoje fico em casa, amanhã tenho de comprar um casaco e depois quem sabe, lá terá de ser, um guarda-chuva que pode desatar a chover e a gente em frente ao pequeno ecran ouve contar que por esses países fora há lojas de adereços para animais na base das pérolas, do ouro e diamantes. Eh pá, estão mesmo a pedi-las!!!
Imagino a Pitanga com um colar de diamantes e nem a reconheço. Deus me livre e guarde, só se já tivesse endoidado de vez. Nem imagino o meu pescoço a diamantes, quanto mais...
O que vale é que a seguir chega-nos o Dr. Oz, tão simples e comunicativo, no seu sempre bem-vindo programa onde a gente pode não seguir, mas aprende como viver melhor, mais saudável e menos espaçoso, sem que gaste muito dinheiro, que, já se sabe, não tem.
Enfim, o sábado está aí. O sol parece querer dar um ar da sua graça.
Saio do sofá para o banho. Antes olho mais uma vez para a televisão. Diz que a cor da estação para sapatos é beringela. Aka, xiça, penico! Tenho de andar com sapatos que não me façam estatelar no chão de novo. Beringela? Só se for na massa que hei-de almoçar hoje lá para as bandas do convite que me foi feito que eu, claro, aceitei de imediato que farta de casa estou eu. Tanta parança está a dar-me nos nervos e comigo em doida. Não me apetece ler, dormir, ver televisão, pensar, falar, sorrir ou chorar. Quando parar de escrever porque também não me apetece, bati no fundo. Tudo por causa de uma fractura. Homessa!!!
Desistir é tão difícil como resistir mas tem momentos que oscilo entre uma e outra.
Há uma cadeira de rodas onde o meu herói se movimenta e a força da mulher, minha heroína, que a empurra, onde a minha vergonha assenta, quando vejo aquela imagem do burro que empanca, pára num lugar qualquer, e dali ninguém o faz andar mais.
Bom, está na hora de me pôr a mexer daqui para fora senão atraso-me para mais um sábado.
Um bom dia para todos.
domingo, 2 de setembro de 2012
sábado, 10 de março de 2012
porque hoje é presente
foto tukayana.blogspot
Desde que fui ao campos da justiça deixar o meu requerimento de pedido para a reforma, desde que a crise se instalou, desde que a minha cria anda por fora e a outra não tem tempo nem para se coçar, que me deixo ficar pelo Ribatejo. Sem mágoa. Sem grande sacrifício. Sem me sentir infeliz.
O homem é um ser em situação, dizem. Com razão.
Tenho os olhos no futuro e vou vivendo o presente tirando partido do que melhor a vida me pode oferecer no momento. Se é pouco? Não é. Já não tenho a alma ansiosa de outros tempos. Se era um espírito zangado há muito deixei de o ser e estou bem onde me tratam bem. Torres Novas é um lugar de passagem onde estou há 37 anos. Será sempre uma ponte entre o passado e o futuro.
Tenho os olhos no futuro. Em Guimarães. No Alfama-te. Na ponte 25 de Abril. Nas férias da Páscoa. No Rock in Rio. Em Luanda. Na reforma. E até lá, aqui estou num Ribatejo quente e solarengo. Com temperaturas de verão, manga curta e meias atiradas para um canto. Com convite do mano Zé, para almoçar no campo, uns camarões de entrada e uma carne de porco à alentejana, acompanhada de um verde branco fresquinho, e um gelado de panacota com molho de frutos vermelhos. Com sacos de laranjas e limões apanhados da árvore de braçado a caminho de casa.
Com convite para jantar no campo mais perto da cidade, ali para os lados do Bom Amor onde a condizer com o nome o ambiente é bom e é de amor entre quase duas dezenas de pessoas que todos os sábados se juntam para comemorarem a família e os amigos.
Um presente assim não me deixa tempo para pensar no que de mau já passei e no bom que o futuro me reserva. É viver hoje e bem. E não há nada que me faça falta porque tenho os olhos no futuro e tenho paz no coração enquanto vivo o presente. O passado, passou. E hoje é presente.
Tenho os olhos no futuro e vou vivendo o presente tirando partido do que melhor a vida me pode oferecer no momento. Se é pouco? Não é. Já não tenho a alma ansiosa de outros tempos. Se era um espírito zangado há muito deixei de o ser e estou bem onde me tratam bem. Torres Novas é um lugar de passagem onde estou há 37 anos. Será sempre uma ponte entre o passado e o futuro.
Tenho os olhos no futuro. Em Guimarães. No Alfama-te. Na ponte 25 de Abril. Nas férias da Páscoa. No Rock in Rio. Em Luanda. Na reforma. E até lá, aqui estou num Ribatejo quente e solarengo. Com temperaturas de verão, manga curta e meias atiradas para um canto. Com convite do mano Zé, para almoçar no campo, uns camarões de entrada e uma carne de porco à alentejana, acompanhada de um verde branco fresquinho, e um gelado de panacota com molho de frutos vermelhos. Com sacos de laranjas e limões apanhados da árvore de braçado a caminho de casa.
Com convite para jantar no campo mais perto da cidade, ali para os lados do Bom Amor onde a condizer com o nome o ambiente é bom e é de amor entre quase duas dezenas de pessoas que todos os sábados se juntam para comemorarem a família e os amigos.
Um presente assim não me deixa tempo para pensar no que de mau já passei e no bom que o futuro me reserva. É viver hoje e bem. E não há nada que me faça falta porque tenho os olhos no futuro e tenho paz no coração enquanto vivo o presente. O passado, passou. E hoje é presente.
sábado, 25 de fevereiro de 2012
esperança
foto tukayana.blogspot
Sentei-me no fim de semana.
O sol lambe-me as feridas antigas e recentes.
O mar segreda-me navegações.
O mar segreda-me navegações.
Vôos de gaivotas, chegada de andorinhas
E vozes de kiandas entoando canções.
E vozes de kiandas entoando canções.
Parece-me ver ao fundo escrito na linha separadora - esperança.
Entre a espuma e os céus.
Entre o ontem e o hoje.
Entre o eu que se envelhece e o outro renovável nos dias.
A cada desencanto, a cada esforço, a cada virar de página.
Entre a espuma e os céus.
Entre o ontem e o hoje.
Entre o eu que se envelhece e o outro renovável nos dias.
A cada desencanto, a cada esforço, a cada virar de página.
Quero navegar neste descanso que a saudade vai intervalar com os afetos.
Sentei-me no fim de semana. Em frente ao sonho.
Em frente ao mar da minha ilusão.
Não para observar.
Não para me fustigar.
Não para me esquecer de mim.
Em frente ao mar da minha ilusão.
Não para observar.
Não para me fustigar.
Não para me esquecer de mim.
Sentei-me à espera de ti.
De tudo o que o sábado traz, para ser feliz.
Sentei-me à espera de mim...
De tudo o que o sábado traz, para ser feliz.
Sentei-me à espera de mim...
sábado, 17 de dezembro de 2011
bolsa marsupial
Neste mundo de Deus e dos homens, todos estendemos a mão. Para dar e receber. Uns mais que outros. Eu recebo. Sou uma pessoa de sorte. Tento dar. Algumas vezes sou capaz.
O dia começou cedo apesar de sábado. Já a caminho dei conta que não tinha a carteira de documentos. Passada dos pirolitos, entrei em pânico. Onde a teria deixado? Ontem à noite paguei com o cartão, na mercearia da Rita. Fui p'ra casa e apenas saí na manhã de hoje, momento em que verificara faltar-me a carteira que para além de ser encarnada ( prenda do mano Zé e Lurdes há uns natais atrás ) é enorme e difícil de perder. Perdi o autocarro das 10,30horas mas encontrei-a o que foi uma benção. Para mim que preciso dos carcanhois para viver e não só, pois hoje alguém acreditou no pai natal e que eu fosse o próprio.
Estava eu cansadíssima da tarde cheia, entre compras e coros de música de natal na basílica dos mártires, tuna duma faculdade qualquer, grupo de gospel junto ao largo Camões, quando virada para baixo a descer o Chiado uma mulher jovem, com bom ar e cerca de 30 anos, me pediu dinheiro para um bolo, porque estava cheia de fome. Disse-lhe que fosse comigo à pastelaria e ela logo se prontificou. Lá chegadas , perguntou-me: Posso pedir um croissant com fiambre? Pode pedir o que quiser. E para beber também. E ela pediu o croissant e um galão. Quando eu estava a querer pagar disse-me que precisava de ir à casa de banho. Paguei e saí. Apareceu atrás de mim a perguntar-me se ia embora. Sim, vou. - Boa sorte senhora, e os olhos brilharam-lhe num verde bonito, num rosto triste. Não encontrei mentira no seu olhar. Podia ser minha filha...
Desci o Chiado entre balões azuis celestes que as meninas com camisolas da tmn ofereciam a quem quisesse, eu não quis, era o que mais faltava ir de balãozinho para casa no autocarro 36 para o sr. Roubado! Em frente ao Santini um grupo espanhol cantava e tocava e duas mulheres já entradotas embora cheias de salero dançavam sevilhanas, desafiadas por um dos cantadores. Assim que recomecei a andar uma mulher supostamente grávida, abordou-me: Minha senhora, pode ajudar-me? Vi a coisa mal parada. Lisboa está muito pedinte. Cada vez mais. É assustador como as pessoas precisam...como as pessoas se aproveitam...como as pessoas não se inibem...como as pessoas se humilham...
Tenho medo de ser enganada. Tenho medo de ficar de consciência pesada,malvada consciência...
Tenho medo de me pôr na pele delas. Tenho medo de precisar de estender a mão...senhora pode ajudar-me? Desde manhã que estou a pedir para não dormir na rua hoje. Tenho fome e frio.
- Então vamos ver o que quer comer?
Os olhos iluminaram-se. Preciso de arranjar dinheiro, 9 euros para dormir 3 noites num quarto, nos Anjos.
- Você não está a enganar-me? - Começou a chorar. - Estou sozinha. O meu companheiro quando soube que eu estava grávida deixou-me. Quer ir comigo lá aos Anjos? A senhora vê com os seus olhos. Fico logo lá. Como qualquer coisa e fico já na cama.
- 9 euros? Isso é uma espelunca. Disse eu.
- Não. Tem uma cama e uma mesinha de cabeceira e a casa de banho é comum aos outros hóspedes. Mas a segurança social vai arranjar um lugar que há para as grávidas, para eu ficar. Dê-me um sorriso, senhora. Ninguém me sorri. Pensei que a sabia toda. Ou não. Disse-lhe que me estava a enganar. Juro por Deus, senhora. Recomeçou a chorar, de lágrimas à séria.
Não sei se fui " papada" mas sei que lhe sorri e lhe pûs uma nota na mão. Perdi a cabeça. Nem vos digo que nota foi. No fundo, no fundo precisava de fazer isto para me sentir melhor pessoa. Para que baixasse o espírito do natal e estendesse a mão. Perguntei-lhe o nome. Ana, disse-me. Podia ser minha filha...
Deixei-a de nota na mão chorando agradecimentos e entrei na pastelaria da esquina do Rossio a caminho dos Restauradores. Pedi um pão dos que estava na montra. Perguntou-me a empregada se era um canguru. Canguru? Sei lá eu bem. Esses que têm chouriço e queijo. Ela riu-se. É desses mesmo. Chama-se canguru.
Quando saí para a rua e atravessei a rua no sinal verde, a caminho do autocarro nos Restauradores, pensei na bolsa marsupial.
Afinal, faz sentido tudo isto...
O dia começou cedo apesar de sábado. Já a caminho dei conta que não tinha a carteira de documentos. Passada dos pirolitos, entrei em pânico. Onde a teria deixado? Ontem à noite paguei com o cartão, na mercearia da Rita. Fui p'ra casa e apenas saí na manhã de hoje, momento em que verificara faltar-me a carteira que para além de ser encarnada ( prenda do mano Zé e Lurdes há uns natais atrás ) é enorme e difícil de perder. Perdi o autocarro das 10,30horas mas encontrei-a o que foi uma benção. Para mim que preciso dos carcanhois para viver e não só, pois hoje alguém acreditou no pai natal e que eu fosse o próprio.
Estava eu cansadíssima da tarde cheia, entre compras e coros de música de natal na basílica dos mártires, tuna duma faculdade qualquer, grupo de gospel junto ao largo Camões, quando virada para baixo a descer o Chiado uma mulher jovem, com bom ar e cerca de 30 anos, me pediu dinheiro para um bolo, porque estava cheia de fome. Disse-lhe que fosse comigo à pastelaria e ela logo se prontificou. Lá chegadas , perguntou-me: Posso pedir um croissant com fiambre? Pode pedir o que quiser. E para beber também. E ela pediu o croissant e um galão. Quando eu estava a querer pagar disse-me que precisava de ir à casa de banho. Paguei e saí. Apareceu atrás de mim a perguntar-me se ia embora. Sim, vou. - Boa sorte senhora, e os olhos brilharam-lhe num verde bonito, num rosto triste. Não encontrei mentira no seu olhar. Podia ser minha filha...
Desci o Chiado entre balões azuis celestes que as meninas com camisolas da tmn ofereciam a quem quisesse, eu não quis, era o que mais faltava ir de balãozinho para casa no autocarro 36 para o sr. Roubado! Em frente ao Santini um grupo espanhol cantava e tocava e duas mulheres já entradotas embora cheias de salero dançavam sevilhanas, desafiadas por um dos cantadores. Assim que recomecei a andar uma mulher supostamente grávida, abordou-me: Minha senhora, pode ajudar-me? Vi a coisa mal parada. Lisboa está muito pedinte. Cada vez mais. É assustador como as pessoas precisam...como as pessoas se aproveitam...como as pessoas não se inibem...como as pessoas se humilham...
Tenho medo de ser enganada. Tenho medo de ficar de consciência pesada,malvada consciência...
Tenho medo de me pôr na pele delas. Tenho medo de precisar de estender a mão...senhora pode ajudar-me? Desde manhã que estou a pedir para não dormir na rua hoje. Tenho fome e frio.
- Então vamos ver o que quer comer?
Os olhos iluminaram-se. Preciso de arranjar dinheiro, 9 euros para dormir 3 noites num quarto, nos Anjos.
- Você não está a enganar-me? - Começou a chorar. - Estou sozinha. O meu companheiro quando soube que eu estava grávida deixou-me. Quer ir comigo lá aos Anjos? A senhora vê com os seus olhos. Fico logo lá. Como qualquer coisa e fico já na cama.
- 9 euros? Isso é uma espelunca. Disse eu.
- Não. Tem uma cama e uma mesinha de cabeceira e a casa de banho é comum aos outros hóspedes. Mas a segurança social vai arranjar um lugar que há para as grávidas, para eu ficar. Dê-me um sorriso, senhora. Ninguém me sorri. Pensei que a sabia toda. Ou não. Disse-lhe que me estava a enganar. Juro por Deus, senhora. Recomeçou a chorar, de lágrimas à séria.
Não sei se fui " papada" mas sei que lhe sorri e lhe pûs uma nota na mão. Perdi a cabeça. Nem vos digo que nota foi. No fundo, no fundo precisava de fazer isto para me sentir melhor pessoa. Para que baixasse o espírito do natal e estendesse a mão. Perguntei-lhe o nome. Ana, disse-me. Podia ser minha filha...
Deixei-a de nota na mão chorando agradecimentos e entrei na pastelaria da esquina do Rossio a caminho dos Restauradores. Pedi um pão dos que estava na montra. Perguntou-me a empregada se era um canguru. Canguru? Sei lá eu bem. Esses que têm chouriço e queijo. Ela riu-se. É desses mesmo. Chama-se canguru.
Quando saí para a rua e atravessei a rua no sinal verde, a caminho do autocarro nos Restauradores, pensei na bolsa marsupial.
Afinal, faz sentido tudo isto...
sábado, 3 de dezembro de 2011
fotografando escadas
foto tukayana.blogspot
De quatro dias que prometiam, dois deles passei-os na cama. Ao terceiro dia, levantei-me e falando com a criatura que do outro lado do espelho parecia desenterrada, disse: Se não vais a bem vais a mal. Há muito caminho para percorrer, muita escada para subir, muito encontrão para levar e dar, e eis que por artes mágicas me vi a caminho do Chiado...
sábado, 20 de agosto de 2011
amanhecer diferente
foto tukayana.blogspot
Seis da manhã. Amanheço com o vento a bater na persiana. A Pitanga agitada, corre do quarto para o corredor, do corredor para o quarto como se fugisse de inimigos. Orelhas espetadas, pêlo eriçado. Abro os olhos a certificar-me do local onde estou. Levei a noite a sonhar que viajava por essa Angola fora. De Luanda para a Namíbia. 2000 quilómetros ou mais. Durante a noite. E que vira nascer o sol para lá do morro. E fazia vento. E chovia torrencialmente. E o jipe sem capota. E eu com frio...
Levanto-me. Vou à sala. Fecho a porta rapidamente para que a Pitanga não entre. Ela sobe para a janela e ainda que digam que os gatos têm sete vidas, p'ra mim são tangas e o seguro morreu de velho. Abro a janela e respiro o ar fresco do dia que há-de chegar na madrugada. O vento sopra forte. As árvores na rua agitam-se e dois cães brincam junto à ribanceira, que vai dar ao vale do alvorão, indiferentes ao tempo. O céu está escuro e carregado. Começa a chover.
Duma janela do prédio em frente, surge uma mulher que não conheço. É intrigante. Vivo aqui há mais de 23 anos e não conheço os vizinhos. Não evito pensar nos vizinhos lá da minha rua. Na minha querida Arminda, na D. Rosa, Necas, Mário, Bety, Júlio, Xico, professora Dina, no povo todo do Largo onde eu cresci, lá da Vila Alice e até na Teresa Mulombosa, a única criatura a quem dei uma bofetão. Que me consolou. Também, quem lhe mandou chamar-me maximbombo do miungo? O quê??? Maximbombo ainda vá que não vá, eu era mesmo grandona, mas do miungo??? Me ensinaram que era palavrão feio, de gente grande que fazia coisas feias ...e eu era mesmo uma miúda entrada na adolescência, a olhar na sombra, mas a fazer vestidos de bonecas com a minha vizinha Fatinha...
Maximbombo...do miungo?! Levou mesmo, mulombosa duma figa.
Não sei se porque estou de férias, se porque sonhei que deslizava pelas picadas do chão barrento e imbondeiros e mulembas seculares nas suas bermas, dou comigo a pensar, a respirar, a sentir e a " ver " o meu kimbo. A culpa foi de um amigo que comigo falou, ontem à noite. E me convidou para ir à Namíbia de carro. Ainda não é para já. Aproveitar e passear pelo Namibe e Lubango, também. Deitei-me a pensar nisso. A pensar no que me disse quando lhe falei das minhas férias. - Vem p'ra cá. Vai ver os vôos. Há preços bons, agora, nos aviões novos ". Sorri divertida. Como se fosse assim num estalar de dedos. Não. Não agora. Ainda não tenho passaporte. Mas perante a hipótese de alguém me dizer - vem p'ra cá - e eu de repente, ir, como já fazem de lá para cá, aos fins de semana, alguns que eu conheço bem, Luanda ficou tão perto, tão perto, tão intimamente colada a mim, num me possuir com avassaladora e dorida paixão, que na madrugada, já lhe respiro, lhe sinto o perfume no cacimbo da manhã, lhe toco com o olhar, lhe falo sotacado, os galos já cantam, e quando amanhecer vai chegar a mim o pregão da quitandeira, a gargalhada do zungueiro, a buzina do candongueiro...
A nguimbi respirando na minha pele escura e seca deste verão chalado...
Bate-me uma saudade tão grande como aquele abraço do tamanho do mundo que eu sempre dou, quando dou.
A Pitanga espreita pelos quadradinhos de vidro transparente da porta da sala. Arranha a porta e mia num choradinho calculista mas convincente, para que a deixe entrar.
O dia amanhece. No monte a nascente, o sol avermelhando o céu negro, surge lindo, puro. Único.
Aqui deste lado, afinal, também nasce o dia. E eu quero vivê-lo. É sábado, estou de férias e amanheci sorrindo, no sonho e no que me é dado ter.
Então, faço umas imagens de luz, ao momento...
Levanto-me. Vou à sala. Fecho a porta rapidamente para que a Pitanga não entre. Ela sobe para a janela e ainda que digam que os gatos têm sete vidas, p'ra mim são tangas e o seguro morreu de velho. Abro a janela e respiro o ar fresco do dia que há-de chegar na madrugada. O vento sopra forte. As árvores na rua agitam-se e dois cães brincam junto à ribanceira, que vai dar ao vale do alvorão, indiferentes ao tempo. O céu está escuro e carregado. Começa a chover.
Duma janela do prédio em frente, surge uma mulher que não conheço. É intrigante. Vivo aqui há mais de 23 anos e não conheço os vizinhos. Não evito pensar nos vizinhos lá da minha rua. Na minha querida Arminda, na D. Rosa, Necas, Mário, Bety, Júlio, Xico, professora Dina, no povo todo do Largo onde eu cresci, lá da Vila Alice e até na Teresa Mulombosa, a única criatura a quem dei uma bofetão. Que me consolou. Também, quem lhe mandou chamar-me maximbombo do miungo? O quê??? Maximbombo ainda vá que não vá, eu era mesmo grandona, mas do miungo??? Me ensinaram que era palavrão feio, de gente grande que fazia coisas feias ...e eu era mesmo uma miúda entrada na adolescência, a olhar na sombra, mas a fazer vestidos de bonecas com a minha vizinha Fatinha...
Maximbombo...do miungo?! Levou mesmo, mulombosa duma figa.
Não sei se porque estou de férias, se porque sonhei que deslizava pelas picadas do chão barrento e imbondeiros e mulembas seculares nas suas bermas, dou comigo a pensar, a respirar, a sentir e a " ver " o meu kimbo. A culpa foi de um amigo que comigo falou, ontem à noite. E me convidou para ir à Namíbia de carro. Ainda não é para já. Aproveitar e passear pelo Namibe e Lubango, também. Deitei-me a pensar nisso. A pensar no que me disse quando lhe falei das minhas férias. - Vem p'ra cá. Vai ver os vôos. Há preços bons, agora, nos aviões novos ". Sorri divertida. Como se fosse assim num estalar de dedos. Não. Não agora. Ainda não tenho passaporte. Mas perante a hipótese de alguém me dizer - vem p'ra cá - e eu de repente, ir, como já fazem de lá para cá, aos fins de semana, alguns que eu conheço bem, Luanda ficou tão perto, tão perto, tão intimamente colada a mim, num me possuir com avassaladora e dorida paixão, que na madrugada, já lhe respiro, lhe sinto o perfume no cacimbo da manhã, lhe toco com o olhar, lhe falo sotacado, os galos já cantam, e quando amanhecer vai chegar a mim o pregão da quitandeira, a gargalhada do zungueiro, a buzina do candongueiro...
A nguimbi respirando na minha pele escura e seca deste verão chalado...
Bate-me uma saudade tão grande como aquele abraço do tamanho do mundo que eu sempre dou, quando dou.
A Pitanga espreita pelos quadradinhos de vidro transparente da porta da sala. Arranha a porta e mia num choradinho calculista mas convincente, para que a deixe entrar.
O dia amanhece. No monte a nascente, o sol avermelhando o céu negro, surge lindo, puro. Único.
Aqui deste lado, afinal, também nasce o dia. E eu quero vivê-lo. É sábado, estou de férias e amanheci sorrindo, no sonho e no que me é dado ter.
Então, faço umas imagens de luz, ao momento...
segunda-feira, 1 de agosto de 2011
passeando pelo ribatejo
foto tukayana.blogspot
O rio Tejo a caminho do mar...
O castelo de Almourol, situado numa ilha, na Praia do Ribatejo, Vila Nova da Barquinha.
A foto? Tirada por mim, do cais de Tancos civil, onde existe uma esplanada à beira rio.
O dia? Sábado passado.
As pessoas que me acompanhavam?
O mano Zé, a Lurdes, a caçula e o Paulo.
Visitem esta região bonita do Ribatejo. Quem conhece, poderá rever a paisagem maravilhosa que os campos e o rio nos oferecem. Quem não conhece, gostará certamente de conhecer. Desde Torres Novas até à Praia do Ribatejo poderão conhecer a Ladeira do Pinheiro, onde está a basílica da santa da Ladeira, esta já falecida, mas que eu conheci em vida e muito bem, por motivos profissionais; depois o Entroncamento, a cidade dos comboios, Vila Nova da Barquinha, à beira-rio, que tem uma margem lindíssima, e um restaurante onde servem comida indiana e angolana, muito procurada, Tancos, com um cais para se fazer a travessia para o Arrepiado, na outra margem, Constância vila poema, muito típica e bonita, onde se faz uma festa bonita com as ruas enfeitadas de flores de papel e uma procissão no rio, de barcos de pescadores, todos engalanados, e onde existe um restaurante maravilhoso, da Maria João e do Dâmaso, o Remédio d'Alma, Tancos militar, praticamente abandonado e perdido na sua história militar do passado onde até aviões ali aterravam, e por fim a Praia do Ribatejo, com os seus palacetes antigos, o comboio a passar na ponte férrea vindo da Covilhã, e o rio. Sempre o rio. Se atravessarem a ponte para a outra margem, poderão conhecer uma terra muito bonita de nome Arrepiado, depois aproveitem para comprar laranjas muito conhecidas e saborosas que se vendem à beira da estrada numa terra de nome Carregueira. Chegarão à ponte que vos fará passar para a vila da Golegã. Se seguirem em frente poderão conhecer a Chamusca, Alpiarça, Almeirim, Santarém e por aí adiante até Lisboa. Se passarem a ponte chegarão à Golegã, uma vila muito especial, de quintas, agricultores, rio e cavalos. De tascas onde se comem enguias e fataça, e do restaurante da d. são, o Central, onde poderão comer o bife à Central que é muito melhor que alguns bifes que por aí existem e que têm fama que vem de longe. Também há o Barrigas onde apanhamos uma barrigada de comida com entradas maravilhosas, pratos fantásticos e sobremesas de se perder o juízo, a um preço bastante razoável. Justo. E há ainda outros mas como ninguém me pagou, siga a marinha. Depressa chegamos a Riachos, uma vila de Torres Novas que me diz algo, pois que lá apanho o comboio muitas vezes, a caçula lá se encontra instalada e até Pedro Barroso, o cantor que se diz ribatejano de gema mas que nasceu em Lisboa, ali tem um estúdio e ali vive. Para além de que, no tempo em que era funcionária na cidade do Almonda, Riachos era a maior aldeia da comarca e por isso me dava muito trabalhinho. De Riachos até Torres Novas, distam apenas cerca de cinco quilómetros, pelo meio há um centro comercial, no lugar de Nicho de Riachos, já fazendo parte da cidade, e pronto, eu estou em casa, quem for passear, conhecer ou rever a região, e não viver aqui por perto, entra na auto-estrada e pode ir a caminho do caminho que escolher.
Por fim gostaria de dizer que o Castelo de Almourol é lindo. Eu já fiz a travessia mais do que uma vez da margem para a ilha, uma pequena aventura, muito engraçada. Não é todos os dias que se vai a uma ilha que apenas tem um castelo e arvoredo. Por isso vale a pena. Venham então passear à beira-rio. Num Tejo com características um pouco diferentes daquele que chegará a Lisboa para ali desaguar. Um rio que apanha o Zêzere em Constância, esse que ali perto da Barragem de Castelo de Bode, pertíssimo também, poucos quilómetros, até teve durante alguns dias um crocodilo ( yá, adorei curtir essa de crocodilos do tejo; tuga é confiado, que só ele ) que foi notícia dos telejornais e que afinal não passou de um peixe gato, com bigodes e tudo, mas não o peixe gato dos filetes do supermercado, mas um super, hiper, peixe que pesava cerca de 200 quilos, disseram.
Ufa!!! Acabei. P'ró que me havia hoje de dar!!!
O castelo de Almourol, situado numa ilha, na Praia do Ribatejo, Vila Nova da Barquinha.
A foto? Tirada por mim, do cais de Tancos civil, onde existe uma esplanada à beira rio.
O dia? Sábado passado.
As pessoas que me acompanhavam?
O mano Zé, a Lurdes, a caçula e o Paulo.
Visitem esta região bonita do Ribatejo. Quem conhece, poderá rever a paisagem maravilhosa que os campos e o rio nos oferecem. Quem não conhece, gostará certamente de conhecer. Desde Torres Novas até à Praia do Ribatejo poderão conhecer a Ladeira do Pinheiro, onde está a basílica da santa da Ladeira, esta já falecida, mas que eu conheci em vida e muito bem, por motivos profissionais; depois o Entroncamento, a cidade dos comboios, Vila Nova da Barquinha, à beira-rio, que tem uma margem lindíssima, e um restaurante onde servem comida indiana e angolana, muito procurada, Tancos, com um cais para se fazer a travessia para o Arrepiado, na outra margem, Constância vila poema, muito típica e bonita, onde se faz uma festa bonita com as ruas enfeitadas de flores de papel e uma procissão no rio, de barcos de pescadores, todos engalanados, e onde existe um restaurante maravilhoso, da Maria João e do Dâmaso, o Remédio d'Alma, Tancos militar, praticamente abandonado e perdido na sua história militar do passado onde até aviões ali aterravam, e por fim a Praia do Ribatejo, com os seus palacetes antigos, o comboio a passar na ponte férrea vindo da Covilhã, e o rio. Sempre o rio. Se atravessarem a ponte para a outra margem, poderão conhecer uma terra muito bonita de nome Arrepiado, depois aproveitem para comprar laranjas muito conhecidas e saborosas que se vendem à beira da estrada numa terra de nome Carregueira. Chegarão à ponte que vos fará passar para a vila da Golegã. Se seguirem em frente poderão conhecer a Chamusca, Alpiarça, Almeirim, Santarém e por aí adiante até Lisboa. Se passarem a ponte chegarão à Golegã, uma vila muito especial, de quintas, agricultores, rio e cavalos. De tascas onde se comem enguias e fataça, e do restaurante da d. são, o Central, onde poderão comer o bife à Central que é muito melhor que alguns bifes que por aí existem e que têm fama que vem de longe. Também há o Barrigas onde apanhamos uma barrigada de comida com entradas maravilhosas, pratos fantásticos e sobremesas de se perder o juízo, a um preço bastante razoável. Justo. E há ainda outros mas como ninguém me pagou, siga a marinha. Depressa chegamos a Riachos, uma vila de Torres Novas que me diz algo, pois que lá apanho o comboio muitas vezes, a caçula lá se encontra instalada e até Pedro Barroso, o cantor que se diz ribatejano de gema mas que nasceu em Lisboa, ali tem um estúdio e ali vive. Para além de que, no tempo em que era funcionária na cidade do Almonda, Riachos era a maior aldeia da comarca e por isso me dava muito trabalhinho. De Riachos até Torres Novas, distam apenas cerca de cinco quilómetros, pelo meio há um centro comercial, no lugar de Nicho de Riachos, já fazendo parte da cidade, e pronto, eu estou em casa, quem for passear, conhecer ou rever a região, e não viver aqui por perto, entra na auto-estrada e pode ir a caminho do caminho que escolher.
Por fim gostaria de dizer que o Castelo de Almourol é lindo. Eu já fiz a travessia mais do que uma vez da margem para a ilha, uma pequena aventura, muito engraçada. Não é todos os dias que se vai a uma ilha que apenas tem um castelo e arvoredo. Por isso vale a pena. Venham então passear à beira-rio. Num Tejo com características um pouco diferentes daquele que chegará a Lisboa para ali desaguar. Um rio que apanha o Zêzere em Constância, esse que ali perto da Barragem de Castelo de Bode, pertíssimo também, poucos quilómetros, até teve durante alguns dias um crocodilo ( yá, adorei curtir essa de crocodilos do tejo; tuga é confiado, que só ele ) que foi notícia dos telejornais e que afinal não passou de um peixe gato, com bigodes e tudo, mas não o peixe gato dos filetes do supermercado, mas um super, hiper, peixe que pesava cerca de 200 quilos, disseram.
Ufa!!! Acabei. P'ró que me havia hoje de dar!!!
sábado, 28 de maio de 2011
amanhecer
foto tukayana.blogspot
Amanheceu no Olival Basto. Não dei pelas horas. Conversando, comendo chocolate e ouvindo música ao mesmo tempo que escrevia, as horas passaram. Há algum tempo que não participava num amanhecer. Fi-lo no primeiro dia de Janeiro, em Luanda. Aqui, hoje, os pássaros chilreando numa sinfonia de encantar, despertaram-me para um momento tão bonito como o nascimento de um dia especial. Sábado. Já se vêm as cores da natureza como as aprendemos. O céu azul esbranquiçado, o monte verde e as casas brancas, umas, e outras conforme as quiseram pintar. Eu vou olhar para dentro umas horas. Não muitas. As que são suficientes.
Bom dia, pessoas. Um bom sábado.
domingo, 17 de abril de 2011
tenho queda para a queda
O sábado esteve soberbo. O sol, quente. Nem sinal de vento. A água, fria. E eu, bem, eu cheguei à areia mais cedo que os outros cinco que comigo iam. Para não variar. Na banga, vestia uma túnica que a minha amiga São me oferecera em Luanda e que é giríssima, com motivos africanos, e umas calças brancas, larguíssimas e transparentes, (o biquini azul turqueza ia debaixo, claro ) que comprei nos chineses neste mesmo lugar, verão passado. Os chinelos já os descalçara que a areia incomoda-me o chinelar e eu que sou comichosa é a primeira coisa que faço quando chego à praia. Descalçar-me. Ora como é que caí de quatro ali na frente de todos os cinco, mais vários grupos de cinco, seis e mais, que se encontravam na praia? Tropecei nas malvadas calças que parecem umas saias compridas e que são chinesices em que eu embarco, e truz que vai uma pressa. Vá-se lá confiar em compras destas?! Eu já devia ter aprendido, mas esta minha mania( ? ) de pobre que quer chegar onde os ricos chegam e depois compra gato por lebre um dia desgraça-me. Desta vez a humilhação foi pequena porque ia muito bem acompanhada, em número e género, e afinal, todos chegariam à areia, eu apenas cheguei mais cedo. Também não me importei que uma das minhas companhias de hoje e que foi minha companhia na ida ao Porto contasse que a última vez que presenciara uma aterragem forçada fora nesse fim de semana, enquanto aguardava que eu entrasse, no seu automóvel. De facto, fiquei de joelhos, rés-vés campo de ourique com a porta por onde entraria se não tivesse caído. Dessa vez fui a coxear para o Porto, mas fui, que eu não sou pessoa de me negar por dá cá aquela palha. Vou portanto na 3ª queda este ano, fora os ameaços que têm sido muitos. O que vale é que se isto não fosse uma comédia (?) seria uma grande tragédia. Espero bem que seja sempre para rir porque chorar que seja por algo que valha a pena. Pensando bem nisto, tenho queda para a queda...ainda gostava de perceber porquê. Ou não. Não vá descobrir que há algum problema. Era só o que me faltava, para a colecção...mais um...para resolver.
sábado, 26 de março de 2011
no hoje que é sábado
Sábado é Sol ainda que chova
É verão ainda que primavera
É canção na tristeza que espreita
É vermelho mesmo no cinzento
Sábado é chegada ainda que viagem
É terra mesmo na memória
É dança ainda que sentada
É presente no meu respirar
Sábado és tu mesmo que ausente
É esperança da tua presença
É memória que guardo p'ra mim
Sábado é sabado
Igual, diferente,
risonho, carente,
Guloso, ardente...
Uma ilha neste mar
Mais que número, calendário
Sábado, mais que um dia,
É o meu destino
É uma escolha para eu me dar...
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