sexta-feira, 16 de março de 2012

sonho sonhado


Sonhei-te. De novo. 
Não sei porque te sonho. Ou se calhar sei. Não gosto de sonhar sozinha. Não gosto de falar para o boneco. Vão dizer que sou que nem a joana maluca. Ah se fosse ela...outro galo cantaria! Um galinheiro inteirinho.
Não te penso quando deito a cabeça na almofada. Só penso que tenho que dormir depressa porque às vezes vou deitar-me já os galos cantam, as galinhas cacarejam e oiço ao longe, bem longe, tão longe que é   preciso o meu ouvido duro atravessar o mar, num esforço de me inclinar, pôr a mão na orelha até quase magoar a cartilagem, o pregão da quitandeira.
Porque te sonho? Sei lá, diria eu para fugir à resposta. Mas eu sou clara que nem o nome que o sô santos e a dona celeste me puseram e os padrinhos, avô e  tia teresa, concordaram.
Sonhei-te e acabou-se. Ponto final, parágrafo.
Porém e porque não sou pessoa de perguntas por fazer e respostas por receber, preciso  perguntar ao meu deus porque permite que me invadas as noites. Me tomes de assalto. Me fales de amor. E num segundo me faças feliz e te vás embora como chegaste. Como quem não quer a coisa. Voando livre no voo rasante, qual albatroz, rumo ao sul das águas cálidas. Das areias douradas e dos aromas  mágicos e exóticos. 
Sonhei-te. De novo. E de novo vi o brilho dos teus olhos. O sorriso de quem fez uma traquinice, o último a chegar mãe dele é imbica. E a voz. A voz ternurando feito beijo de mel, doce de coco e manga madura.
Senti o fogo da tua mão me tocando o consciente adormecido e o arrepio na pele pronta.
Preciso perguntar ao universo se também me tiveste no teu sonho. Me invadiste a noite e me tomaste de assalto.  Me falaste d'amor e  me fizeste feliz. Te fizeste feliz. 
Sonhei-te e deixei-te ir embora. Quando voltares aos meus sonhos, traz-me a sedução das noites de verão.
A lua prateada da minha baía. O perfume de frangipani para me banhar lá na praia. E eu te amarei para sempre. E te sonharei amor de verdade, dando voz ao que te sinto.

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