sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

viajando na fé

A caminho da Muxima guiada pelo sol

mussulando

A caminho do Mussulo ao encontro do Sol.

rosa dos ventos...

A caminho do sol do poente, estrada fora, para Luanda Sul...

decrescendo


Só faltam quinze dias

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

dentro de mim um temporal

Sou mãe de mim própria e nem sempre sei cuidar de mim...

Banhada pela chuva ciclonicamente, que nem uma peça, umazinha, que fosse, sobrou seca, para contar como é escapar por entre os pingos da dita. Desta vez, feita fúria violenta. Que até custa acreditar que a água da chuva é uma benção e vale ouro.
Não andam a pé em dia de temporal pois não? De sapatinho de fugir à polícia, muito menos. De chapéu de chuva dos chineses, piorei não foi? E para apanhar o TUT, então? Acabei com o resto, oh se sei...
Quem anda de TUT nas quintas-feiras fingidas de segunda, não vem debitar lamentos e culpas. Vitimizações. Para este lugar da escrita. Há muito se conformou.
É este desenquadramento que não encaixo, mesmo que tente e que me perturba o ser, do ter. E que me faz sentir diferente mesmo sem o desejar. E não mais feliz.
Os meus pés nos sapatos fazendo plof, plof, plof, me dizem que devia ter calçado galochas, mas ninguém as leva para a casa da justiça, que ali é um lugar sério e formal.
O dia está mau. Porque chove muito. Está triste porque não há sol.
É interminável porque estou toda ensopada e odeio isso. Sobretudo se não o desejei.
Sinto-me o próprio pinto calçudo. Atravessando a cheia...
Ilumina-se-me o pensamento para outras paragens, noutros anos, verdes anos, de outras chuvas. Mais quentes e divertidas, nas danças brincadas no meio da rua. Gritando alegre, criança feliz, nossa senhora da conceição faça sol, chuva não. Sob o olhar de mãe. Reprovador.
D. Celeste assomava à porta de casa, encorpava a voz delicada, num fingimento de mãe que ralha e dizia - maria clara ficas doente, sai da chuva maria clara, o pai vai saber...
E metia-me sob o chuveiro do quintal, debaixo da água tépida que aquecia nos canos, no tempo quente, e me limpava depois vigorosamente que até me arrancava ais de desconforto que ela não ligava. E me preparava uma roupa seca cheirando a sabão azul que a Lucrécia lavava na celha do quintal. Dava-me um leite quentinho e eu me sentia o ser mais abençoado do mundo...
Onde estás mãe?
Que esta chuva que mentem dizendo abençoada, me molhou até aos ossos, me provocou arrepios da alma e me trouxe tanta saudade do teu olhar, do aconchego de casa e de certeza de não estar sozinha...
Hoje, mãe de mim própria, nem sempre sei cuidar de mim...

parabéns meu herói


Gostei tanto de te ver...sorrir até à gargalhada.
Perante as gatices da Pitanga, que contei especialmente para ti.
Não sabia mas soube ontem que também tu deixavas a luz acesa, quando saías de casa, para que o Clyne, tal como eu faço com a Pitanga, não ficasse às escuras. Boa Paulinho!
E as poses para a fotografia? Adorei.
Estás lindo em todas as fotos que tirei. Sozinho, fazendo pose.
E com ela, que estava linda posando para mim com o meu boné de xadrez.
Fizeste-me rir, também à gargalhada, sobretudo quando soube que um dia destes disseste, pois, disseste, com a tua boca e o som da tua voz, que tinhas saudade de uma criatura que não vês há uns anos...
Meu querido, só para rir. E eu ri, que nós para rirmos não pedimos licença aos ausentes.
Ontem senti-me família normal e tu foste importante para esse sentimento.
Tu és sempre importante.
E hoje então...
Parabéns, meu querido. Que tenhas muitos e muitos anos para viveres. Cada dia melhor.
Numa recuperação que mereces muito. Oh se mereces, meu herói...
Um bom dia para ti e para a caçula, sempre a ferro e fogo junto de ti, na tua vida.
Beijinhos.
Recebe um abraço muito muito apertado e até logo.

boas viagens

Boa viagem, meu amor, príncipe quase perfeito, que me fazes sentir a mãe mais imperfeita do mundo, no amor mais desastrado e puro que existe na minha alma.
E boas aterragens.
Um abraço do tamanho do coração de mãe, não o apertadinho destes dois dias, mas do tamanho do Mundo, quando estás.
Beijos, muito, muitos. Todos...

o sol da minha terra

Cacuaco brilhando na luz do poente.

Zeca Baleiro - Dezembros

enchi-me de mar

Convidaram-me a ir ver o mar. Em dia Santo.
E eu fui. À procura do azul forte de sempre. Do perfume salgado da onda branca.
Da bola nívea. Do vendedor de língua da sogra, do nadador-salvador, do gelado e das tardes quentes. Da revista cor de rosa. Do ronco do velho. Da misse de tanga. Do conquistador barato.
Do candengue chorão. Das barracas listadas. Do bronzeador.
Do Verão...
O cinzento das águas espumando agrestes e ruidosas me disse que é Outono e a praia deserta. A areia fria e o mar gelado.
A chuva caindo me lembrou, que se olhar para longe onde os olhos sem colírio já desconseguem ver mas o coração sente, vou ver com esse olhar da alma meu mar materno azul-celeste, verde-esmeralda amornado num verão de chuvas fortes e sol ardente.
E nesse manto cor de céu, que é pátria, chão e porto, sonho ansiado, eu quero saber-te. Ali. Eu e tu. Não por acaso, talvez , por enquanto. Não porque sim ou porque não. Não para sempre. Mas num momento único. Eternamente esperado. Finalmente...

foz do arelho


s. martinho do porto


quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Nazareando






Em dia de Nossa Senhora da Conceição fez chuva e sol não...na Nazaré.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

mukanda

Vou escrever uma carta.
Há muito tempo que o não faço. Passou de moda. E não tem havido necessidade.
Mas dadas as circunstâncias, achei imprescindível.
Mas a quem?
Logicamente que, ao Pai Natal. Estamos em Dezembro. O nascimento do Menino Jesus está à porta. A cegonha do nosso tempo chega sem darmos por isso.
Gosto de presentes. E de desejos realizados. Quem não pede não ouve Deus.
Mas dei comigo a coçar a cabeça apreensiva.
O Pai Natal deve andar muito atarefado. A atender todos os que precisam mais do que de lembranças e mimos.
Aqueles que perderam a esperança nos governantes e vêm a carteira emagrecer. E precisam de cabazes de natal, a renda de casa paga, as proprinas dos filhos, um casaco quentinho, o ordenado a tempo e horas.

Por isso esqueci o Pai Natal.
E porque não quero desistir da carta, até porque a acho imprescindível, decidi ir ao Pai em vez de andar pelos filhos. Directamente ou melhor dire(i)tamente para Deus porque o momento é solene e apreensivo.
Mentira, é mesmo de muita kagunfa.
Então é assim a minha mukanda:

Mô kamba N'Ganazambi

Me dá só um cochito das tuas atenções.
Juro sangue de cristo não vou mesmo querer outros mambos.
Estou 'mbora a te muximar porque sei que já me entregaram.
Antão, vou direita nos assuntos que me fizeram te andar a te encontrar.
Kumbu não é preciso. Deixa. Não vou querer mesmo.
Vou-te contar senão parece vou rebentar.
Me promete vais-me fazer a vontade, Kamba.
Então vamo lá, já sabes o probelema que estamo com ele mesmo é que tenho bué de miufa de sapar até chegar no Quatro, na asa do pássaro bué grande que vai riscar o céu. Andam a dizer que volta atrás. Fiquei paiada agora nessa hora que está quase é que avião vai avariar?
Esse mujimbo que tá sair toda a hora na rádio e televisão me deixou com as kinamas fracas.
Desconsigo de ter calma.
É por isso que eu quis Te escrever esta mukanda.
N'Ganazambiêeeeeee me protege então.
Me faz voar bué mas sem miufa. Como no sonho...e tocar o céu com as palmas da mão, mas voltar no kimbo para pancar mufete, moamba, cacusso, manga. P'ra desbundar na noite e sunguilar com mós kambas. Lhes dar kandandus do tamanho da nguimbi...
Me dá só esse presente N'Ganazambieeeeeeê!

Vou-te agradecer na Sant'Ana e na Muxima yá?!

tetalando.Funge de domingo

Grande Pitanga!

A minha alma está parva.
Não é que a Pitanga está à mais de um quarto de hora a olhar para a televisão?
A assistir televisão, como se faz na banda.
Agora, advinhem a ver o quê? Não...não é o sr. primeiro ministro. Nem o telejornal.
Nem morangos com Açúcar. Nem o spot da Clara 4 olhos, blábláblá. É melhor. Muito melhor que tudo isso junto.
A minha reputação vai para o brejo, mas eu não consigo guardar segredo.
Isso. Tem a ver com segredos.
Vou anunciar então.
A minha Pitanguinha, gatinha da minha alma, amor do meu coração, companheira do meu lar, presença de todas as horas, a certeza de que não estou sozinha, nunca olhou tanto tempo para mim. Mas... gosta da Casa dos Segredos.
É! Eu tenho o canal 10. De vez em quando, gosto de bisbilhotar o jogo dos segredos. E peguei o gosto à Pitanga mas não sabia, porque ela simplesmente não me contou. Apanhei-a a olhar para a Veríssima, para a Ana Isabel e para o Ivo. De orelhas em pé. Bem sei que na casa há dois gatinhos e um dia destes ela foi ao ecran com a patinha tentar tocar-lhes, mas foi coisa rápida. Agora hoje...Pitanga da minha alma. Instalou-se no sofá, ao meu lado e está disposta a perder a noite. Em prol de um programa de televisão a dar para o degradante.
Pronto, já percebi que quem sai aos seus não degenera.
Decididamente a Pitanga não é um ser diferente dos outros seres. E gosta do que é vulgar como toda a gente. E o mais importante é que gosta de mim, apesar de eu gostar de concursos televisivos a dar para o foleiro.
Grande Pitanga!

tão????

Um avião da TAP, que efectuava ontem à noite a ligação Lisboa-Luanda, foi obrigado a regressar ao Aeroporto da Portela, devido a um problema técnico.
Uma hora depois de ter levantado.
Tão? Como é que é?
Querem lá ver isto agora...
Eu que sosseguei o meu espírito inquieto porque este ano não vou no " cabrito " e...zás!
Aka, xiça, penico, chapéu de coco...que meeeeeeeeeeeeeeedo...

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

destino (?)

O dia não foi fácil.
Um miúdo, 30 anos, de quem eu gosto, foi internado, porque de repente passou mal.
Uma senhora que eu conheço há muitos anos e é conhecida na cidade pelas funções que ocupava, de repente, quando ia apanhar o expresso, caiu para o lado e morreu.
Um rapaz, ainda menino, 20 anos, filho de gente igualmente conhecida, partiu também sem se perceber porque parte alguém assim...
Há dias muito maus.
E há famílias a passarem momentos terríveis.
Isto não me passa ao lado. Inquieta-me. Assusta-me. Desgosta-me. Entristece-me.
Família unida e que apanhou um susto, calma.
E as melhoras H...do fundo do coração.

Saudades de Angola

o " cabrito "

O boeing 777 da TAAG, que saiu de Lisboa pela manhã, naquele vôo que eu conheço bem e que leva gente, muita gente, passageiros, para Luanda, e que tem gente, muita gente nas tripulações, que eu conheço bem, voltou para trás.
Terá perdido peças que cairam em Almada e que causaram danos.
Despejou combustível no mar, junto da Costa da Caparica.
E foi notícia de imediato e a cada hora que deram notícias, nos meios de comunicação social.
Que aconteceu ao " cabrito "?
Sukuama! Que Meeeeeeeeeeeeeeeedo...

anjos, de uns e de outros

Que dia!...Que noite!...
Mas a vida não pára. E o Natal está aí à porta.
Saí de casa direita ao Colombo para comprar uns presentes. Não sei o que se passa comigo que tenho adiado esse procedimento. Não me apetece, sei lá...
Eu gosto do Natal. Das luzes nas ruas. Das árvores de Natal, bonitas e cheias de bolas e enfeites.
Dos cânticos. Do movimento das lojas. De sacos e caixas para presentes. Das filhós. Do Bolo Rainha, que bolo-Rei não sou fã, porque não gosto de fruta cristalizada, de rabanadas ( adoro ) e de aletria. Gosto de frutos secos e polvo panado. Até gosto de bacalhau com batatas e couves, que nesse dia me sabem pela vida. Afinal tenho uma boquinha abençoada.
Gosto de receber presentes. Adoro dar presentes. Porquê esta preguiça para os escolher este ano? Varreu-se-me da idéia o gosto das pessoas, à altura da minha bolsa.
Entrei em várias lojas e apenas comprei dois presentes, mais um. Dois de aniversário e um de Natal. Pouco, muito pouco o que me faz pensar que para a semana vai ser mau.
Dei por um pormenor curioso. Há lojas no Colombo que estavam vazias. E outras que ofereciam vales com 15% de desconto se acaso comprássemos algo de valor superior a 25 €, o caso da Nature ou um vale com 20% de desconto nas compras da Springfield. Como é que não me há-de dar a preguiça? Isto está mau, mesmo, e o povo já sabe.
Mas eu vou queixando-me de barriga quase cheia. E dou-me conta disso quando percebo que ao pé de mim já há gente a não receber salários. Se o meu me faltar, nem quero sequer pensar.
Há dias que parece que o mundo nos cai em cima.
Um temporal violento e eu com a tralha às costas, literalmente. Por vezes olho por mim abaixo como este domingo feio e triste e só me faço lembrar a pipi das meias altas, tal o aspecto.
À saída de casa, mesmo ali à porta, existe um espelho para a banga, que nos dá a imagem de nós no tamanho certo. Olhei-me como sempre faço e tive de rir de mim própria. Calças para dentro das botas, casaco de malha até quase aos pés, cachecol, chapéu da chuva, carteira, luvas, troley, computador, Pitanga na sua caixa...se alguém se risse de mim nestes propósitos, ficaria fula, mas eu fui observando de fora e ... só mesmo para rir e dizer - maria clara ao que tu chegaste...e quando me digo isto se não sacudo a cabeça e se não empino o nariz, a coisa fica feia.
Mas há sempre alguém. Que nos trata bem e nos diz que ainda há gente boa. Os anjos que nos visitam a vida ainda que por breves momentos.
O taxista Ricardo, da central de Odivelas foi o meu anjo em dia de temporal e bagagem exagerada. Já me tem levado para Sete Rios. Bem como à cria para outras paragens. Chamei-o a ele, pensando que estava a chamar o Sr. Rodrigues que me dera o cartão para o que desse e viesse. Em boa hora apareceu o Ricardo, um rapaz que ainda não chegou aos 30 anos, delicado, simpático e conversador. No Oriente, quase que só a nado se entrava para a estação. Ele, o anjo taxista aliviou a minha carga pesada, dizendo-me que desligaria a viatura e iria pôr-me as imbambas mesmo à linha nº 1, para Tomar. Comoveu-me.
Lá subimos, eu com a Pitanga e ele com o resto. Comprei o bilhete e só quando estava na linha nº 1 ele se despediu. Apeteceu-me dar-lhe um abraço do tamanho do Mundo, fi-lo na intenção, olhando-o agradecida, perante o olhar de Deus, Esse Deus que não me abandona e me dá sempre a possibilidade de me sentir grata.
Uma vez chegada a Riachos, tinha outro anjo a telefonar-me dizendo que estava a chegar de Coimbra e já passara as portagens. O mano Zé. Só mesmo um mano Zé para fazer Coimbra/Torres Novas enfrentando a auto-estrada e o medonho temporal, para chegar na hora do meu comboio. A familha, como se diz na minha terra, não está ao preço da chuva. Vale ouro.
Que tempo! Que noite!...
Apesar de tudo eu sou uma abençoada...em dia, quer dizer, noite de temporal.

domingo, 5 de dezembro de 2010

Hand Dance Live

EU NAO EXISTO SEM VOCE

na banga


Acordei de madrugada.
A televisão ligada. A janela com os estores para cima. A Pitanga ao meu lado.
Completamente cegueta, procurei os óculos e o relógio.
Cinco e vinte e cinco. Puxei o edredon até ao nariz, fechei os olhos com força.
Virei-me de costas para a claridade da televisão que não apaguei, preguiça pura ou um entorpecimento do raciocínio, que sei eu?!, e não adiantou. Não consegui dormir de novo.
São muitos os pensamentos que me assaltam os sentidos.
Crias, Luanda, Natal são motivos fortes para começar a actividade da minha mente e outros que me abstenho de contar, não pensem que são pecaminosos, não, podiam ser que eu até gosto de pecados, mas pronto ficamos assim que eu não conto, não me apetece, mas que me ocupam o espírito, ocupam .
Sem sono, desesperei. O que vou fazer, tão cedo?
Há mulheres que vão pôr roupa a lavar. Ou engomar. Ou saltam para a cozinha, para adiantarem o almoço. Estão-me a ver não estão?
Já basta o que basta. Longe vai o tempo em que eu, maria clara das dores ia cantando e rindo atirar-me às feras, para o bem da prole...
Hoje, a minha preocupação é fazer compras de Natal porque francamente ainda não fiz nenhuma, e não é que não me apetece? Em casa não há listas por enquanto. De três, dois adoram compras, mas como me falta a muleta fico assim como que amputada na vontade de ir ver mundo que é como quem diz ir para a baixa ou para os centros comerciais. Ele é, para a caçula, para o mano Zé, para os aniversariantes de Dezembro, devia ser proibido fazer anos no mês do Natal, para os cunhados, sobrinhos, uns meninos como família e outros crescidos...e ainda os de Luanda, que aqui é que a porca torce o rabo, porque nada pode ser de muito peso, só a intenção, então tenho que me organizar ( isso é que é o mais complicado ) para encontrar algo que agrade mas que esteja condicionado à bagagem.
Isto é pior que fazer comida, passar a ferro ou limpar casas de banho de madrugada.
Como vêem, acordar de madrugada não é grave porque já tenho tanto que fazer que depressa é meio-dia e eu aqui sem me mexer, só com o cérebro às voltas na procura de soluções.
Liguei o computador, parece que estou a ouvir a minha kamba com ar vitorioso dizer - Bruxaaaaaa...Maria! - então não é bom começar o dia a pensar já nas pessoas que gosto?
Liguei o dito e fui direita aos meus endereços electrónicos. É que ainda não era meia-noite fui assaltada de um sono quase coma, mandei tudo dar uma voltinha e fiz o gosto ao corpo. Por isso hoje madruguei. Julgavam que eram insónias? Nãnãnãnãni! Não sofro disso, graças à Santa.
Depois de ver quem me escreveu, fui ao facebook. Abri os comentários, bisbilhotei comentários e músicas ali colocadas por uns e outros, fotografias, e passei para o blog. Tinha uns comentários que ainda não lera e que li. Pûs uma música do Eduardo Nascimento, do festival da canção do tempo da maria cachucha, agora pelos UHF, que eu adorava cantar, num prazer de abrir a goela ao máximo na parte do Oiçãaaaaaaaaaaaaaao! O vento mudou e ela não voltou, prometeu voltar se o vento mudar..., pois então, há músicas que não passam, numa espera que desespera, mas ainda não vai ser desta, pois hoje está um vento dos diabos. São as músicas que se perpetuam no tempo ( ventoso )...
Por fim fui olhar os blogues da minha eleição. Há uns que não dispenso. Gosto das pessoas. Gosto do que escrevem. Muito.
Comento quase sempre. E se nao comento sempre, é só porque sei que sou uma sarna e as pessoas não têm que ter as mãos sempre a jeito de se coçarem...
Estava eu num desses blogues quando de repente olhei para o mapa mundo, globo terrestre ou lá como se chama aquilo, que gira cintilante e sem parar, no canto direito. E eu que sou tão prevista(??????), que até me faço lembrar uma história que a minha colega Ana Maria conta desde que a conheço e já é do século passado, que lá na terra dela havia uma criatura um pouco poucochinha que dizia, inconformada a propósito de uma reprovação na escola primária" Sou tão esperto, tão esperto, não sei como é que chumbei!... " , ainda não tinha dado por nada, mas dizia eu que olhei para aquela bola giratória e eis que vejo - Odivelas - Portugal. Fiquei-me ali a olhar e a tentar perceber. Aquilo ali parece-me que não é senão a localização das visitas ao blog. Eh pá! Senti-me nua. Mas nua, diante não de um médico que a gente não conhece mas que sabemos que somos apenas um útero, ou um intestino. E quando entramos no cubículo para nos examinarem já não somos gente com identidade, apenas um resto de qualquer coisa.
Nua assim de sermos apanhadas com as cuecas na mão, a bem dizer. Que cena!
Aquele Mundo tinha olhos gigantes e estava a dizer-me que eu, uma criaturinha tão insignificante nesse mundo fantástico, estava ali...
Juro que não estava a roubar nada, nem idéias, que não ousaria sequer, mas senti-me em falta. Acho que até corei de vergonha de ser apanhada.
Depois aos poucos recuperei. Afinal, que mal tem? A criatura, dona desse mundo aí que mexe e remexe e me faz sentir pequenina, sabe mesmo que eu vou lá. Eu até comento...e se está lá é para a gente ir, ler e se quiser, comentar.
Claro que daí a ter idéias foi um ápice. Também quero um mundo assim. É curtido ter noção das visitas que temos mesmo que não estejamos lá in loco, mesmo que não botem faladura.
Quando for grande quero uma coisa daquelas. Não, pensando melhor, agora que vem aí o Natal, quero pedir esse presente.
Xééééééééé´! Me dá então um Mundo assim, na banga!
N'Ganazambiê, me dá então!

UHF - O vento mudou

sábado, 4 de dezembro de 2010

spot


A Clarinha, a toupeira, quatro olhos, a choninhas da fila da frente, pé de chumbo...

Eh pá não gostei.
A tmn podia escolher outro nome né?
Todos os dias a levar com estes desaforos...tão?
As telenovelas têm sempre uma Clara. Não há como fugir.
Quando estudava nos tenros anos levei com a lição - Clarinha e as pombas . E passei a minha vida a dar milho aos pombos. E a meterem-se comigo a esse propósito o que me fazia espumar de raiva.
Mas pior do que isso foi uma música de um grupo de criaturas com falta de piada que cantava " E o vinho da Clarinha faz animar toda a malta... "
Que nojo, que vergonha que eu sentia quando ouvia isso. Odiava as criaturas o que não era bom porque era uma criança e não devia ter sentimentos menores.
Os traumas que às vezes as pessoas têm... eu que nunca suportei o cheiro do vinho. E mais tarde na idade própria nem cheirá-lo, nem bebê-lo. Então tinto....rssssssss!
Agora, eis que surge um spot publicitário que me irrita.
Como é que uma Clarinha pode ser toupeira, quatro olhos, choninhas da fila da frente, pé de chumbo? Não gostei, não.

A tmn que vá dar uma volta ao bilhar grande a ver se chove...

salão de bairro

Odeio ir ao cabeleireiro. Não gosto que me lavem a cabeça. A água ou está quente demais ou gelada. E quando por fim acertam, já é hora de nos enrolarem na toalha.
Irrita-me as perguntas para angariarem mais euros, como:
- Vai usar champô especial?
O meu levo-o de casa porque é da farmácia, e receitado pelo dermatologista e elas sabem, mas para o caso de me esquecer...
- Vai querer creme nas pontas?
E eu fico em brasa com a pergunta. Para que é o creme nas pontas? Pois se as pontas vão desaparecer...só se for para facilitar o trabalho à Mónica.
A Mónica, é a cabeleireira, a única que mexe no meu cabelo. Duas ou três vezes no ano.
Não vou ao cabeleireiro. Como a maioria das mulheres. Com esse dinheiro vou ao sushi, ou pago o taxi ao domingo à noite, ou vou a duas sessões de cinema. Opçôes.
E não vou ao cabeleireiro, não por desprezar ficar mais bonita. Não. É que nem fico, nem gosto do cabelo penteado pelas mónicas da vida. Tudo muito certinho. Muito senhoreca. Muito plástica...
Também não vou pôr a tinta. Que dinheirão que levam, quando eu se comprar a própria da tinta resolvo a questão em três tempos com um terço do gasto.
Pareço forreta, mas não sou mesmo nada. Há quem ache até que sou desgovernada. Também não sou. São só opções.
E também raramente arranjo as unhas na manicure. Outro desperdício. Pois se qualquer pessoa sabe e pode arranjar as unhas, pôr-lhe o verniz, para quê darmos as mãos a quem não nos diz nada?
Enfim, vou pouco ao cabeleireiro, mas quando vou, a Mónica pôe a escrita em dia.
- Então d. clara, vamos mudar o look?
- Não, não. Só quero cortar dois dedos no comprimento maior e que me escadeie aqui em cima.
- Porquê? Podia mudar. Fica-lhe bem o cabelo curto.
- Não corto porque há quem goste dele assim comprido.
- Ai é? Então conte, conte. Temos novidades?
A Mónica é divertida e curiosa. Ingénua e querida.
E dava tudo por um romance.
E fez-me rir. A bom rir. Há mesmo quem goste de me ver o cabelo comprido, a minha cria ausente, algumas colegas, a D. Arminda, a filha Filú ( que eu vou ver brevemente ) e eu. Tão simples quanto isto.
Mas a Mónica como boa cabeleireira sabe a vida de toda a gente e gosta de saber de mim.
-Então e o seu cunhado, está melhor?
-Não tenho visto os seus meninos.
- Quando volta a Angola?
- Está mais gordita. Mas fica-lhe bem à cara.
- Já esteve muito magra, mas já passou não passou?
Para que ponha a escrita em dia ela precisa apenas de ter uma tesoura na mão.
Quando dou por ela, já cortou mais do que era suposto. Hoje aconteceu isso com a franja.
- Oh d. clara está tão bem assim! Alivia-lhe o rosto. Estava com um ar muito pesado. Para a semana já tem o tamanho que tinha, vai ver.
Não há forma de me zangar com ela. Mesmo quando lhe disse que não queria que me escadeasse do tipo capacete, que é o que parece muitas vezes, ela se irritou comigo.
A Mónica é uma cabeleireira de bairro. Loira, de corte giraço e moderno. Rechonchuda, bonita e muito simpática.
Vim para casa encomendada com uma boa viagem para Luanda e outra de regresso, um bom natal e uma passagem de ano supimpa.
Ela levou os votos que me desejou a mim menos os da viagem porque não vai viajar. E levou também uma gorjeta porque estamos no Natal e é uma querida, que apesar dos pesares ameniza a minha passagem no salão.
Mas a minha vontade ao chegar a casa foi meter a cabeça debaixo da água e secar eu de qualquer maneira. Como está muito frio, tanto, tanto, que me deixei ficar na preguiça, desisti da idéia.

Olha quem é ela!...

Olha eu, acabadinha de sair da cabeleireira, rssssssssssssss

Paulo Flores - Rumba Nza Tukine'

Eu já vi e ouvi estes dois senhores da música cantarem este tema lindíssimo.
E sinto sempre um arrepio na alma e uma imensa alegria de pertencer a este povo quando oiço Rumba Nza Tukine.
Como sempre tenho uma lágrima, duas, três que se soltam do canto do olho. Graças a Deus!

mais coisa menos coisa...







Faltam três semanas, mais coisa menos coisa.

hoje fui ver o mar

Vim ver o mar.
Tinha saudade do seu azul limpo, mais forte que o azul celeste.
E da linha do horizonte que divide os sonhos, aqueles que sonho de olhos fixos no futuro, fazendo apelos, sentando nos bancos, na beira da praia, dos sonhos presentes em que me deito, num conformismo e bocejo que há-de terminar um dia qualquer.

Desta vez me envolvi desta cor e me perfumei de flor de sal que me serve de sustento.
Hoje o meu pensamento voou que nem pássaro livre em vôos ousados. Se chamam isto de sonhar, não sei.
O que sei é que cheguei aqui, olhei este mar imenso e de mim para mim disse que não era boa idéia sonhar. Até porque precisava de me concentrar. Inspirar o ar intenso de iodo que abunda por aqui e acertar agulhas nas linhas do comboio que me trouxe e fazer o caminho de volta.
Para o mar verde esmeralda, branco, azul, cinzento, multicor da outra margem que a linha do horizonte divide como quem não quer a coisa, num disfarce que não me engana.
A partir de hoje, contigo ou sem ti, eu vou ser o próprio sonho, galgando fronteiras, em braçadas gigantes.
Não sei se te sentas comigo. Se me acompanhas nesta viagem de sonho.
Só sei que não vou esquecer de lembrar que fazes parte. Do sonho...
Aquele que invento, mas que fica verdade de vez em quando, no mar que toca a minha alma, num arrepio de pele.
Afinal, aquele que é sonho meu, teu, e ia jurar que, de muita gente que nem nós...

beira-mar


sentada para a baía da Cascais


gaivotas em terra


sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

na rocha


no mar


não há coincidências


3 de Dezembro


Hoje faz um ano que consegui a nacionalidade angolana.
Hoje saiu o Visto no meu passaporte.
Tudo preto no branco, com autorização para permanecer no país até 29 de Janeiro de 2011.
Eu acredito que não há coincidências. Sustento isto sempre, com a maior convicção. E acho que o Universo não anda a dormir. E acredito em sinais.
Senão vejamos:
Precisamente um ano depois do dia em que fui tão feliz pela posse do bilhete de identidade de cidadã angolana, obtenho o meu visto para a minha viagem. No mesmo dia do mesmo mês.
Dia 3 - O número 3, na simbologia dos números, é o meu número.
O 29 é a par com o número 10, um número importante na minha vida. Por razões várias e fortes, são os números de maior peso no meu destino ao longo da minha existência.
10 será o dia que chegarei a Lisboa vinda de Luanda. 29 é o dia marcado como limite para a minha permanência em Angola.
Então? Acham que eu sou doida e isto são só coincidências?
Eu não sou diferente das outras pessoas. Sou mais atenta a tudo o que me acontece e acredito...que não há coincidências.
O Universo faz o resto.

segredo ( ? )

Estava na fila da casa da Sorte. Para comprar um euromilhões.
Chegara de Cascais. Resolvi fazer umas compras na baixa.
Percorri a Rua Augusta sem pressas. Tinha mais de uma hora antes que a noite chegasse para fazer parte do vai e vem de uma sexta-feira, como todas, mais que todas por termos o Natal à porta. A iluminação da época natalícia ainda não se acendera.
Queria ir ao cinema, ver o " O Americano " ao Colombo. E mataria dois coelhos de uma cajadada só. Resolveria o problema da minha net móvel numa loja da Optimus.
Ao passar no Rossio lembrei-me do euromilhões. Voltei atrás.
Fui para a fila.
Tocou o telemóvel. Um 93, como o meu. Quem seria?
- D. Clara Marques?
- Sim?
-Sou a Eduarda, da Atlântida. Já tenho o seu passaporte. E as suas passagens e o resto.
-Ai que bom, d. eduarda! Ainda hoje pensei em si. Que nunca mais me dava esta alegria...
O indivíduo à minha frente, olhou para trás, de testa franzida.
Encarei-o com vontade de pôr polegar no nariz e com os outros dedos num nãnãnãnãnã..nã fazer-lhe uma careta.
-Quando quiser pode vir buscar tudo.
-Vou já aí.
E fui direita à Avenida Columbano Bordalo Pinheiro.
Não consegui sentar-me, na viagem de metro que fiz, dos Restauradores até Sete Rios.
Respirei fundo não sei quantas vezes. Funguei outras tantas não sei quantas e as lágrimas brilharam-se-me mais outras tantas. Apetecia-me gritar para um metro apinhado de gente que já tinha o visto para Luanda , no passaporte.
Ao contrário das outras vezes, eu " sabia " que ia correr tudo bem. Não fiz ondas. Não falei muito nisso. Mas estava expectante e ansiosa pelo dia de hoje.
Quando entrei na Atlântida, a D. Eduarda sorriu-me, levantou-se e veio dar-me dois beijos. A Xana ( a que me tratou de tudo o ano passado ) sorriu-me num daqueles sorrisos que eu gosto de receber. Franco e iluminado.
Gosto destas pessoas. E gosto desta agência.
Vim de lá com beijos, abraços e votos de boas férias e boa viagem.
Não consegui entrar no metro. Fiz a pé o percurso da avenida para a Praça de Espanha e depois até ao Campo Pequeno, para apanhar o 36. Precisava de apanhar ar. De ver gente, ouvir falar.
Precisava de não ter de guardar segredo. Queria gritar aos quatro ventos que nada me impede de viajar para Luanda daqui a três semanas mais coisa menos coisa.
Nada fiz se não chegar a casa e vir aqui contar este segredo que eu não quero guardar para mim que até rebento.
Não é por nada, mas são os primeiros a saber. E não precisam de guardar segredo.

yá! yá! yááááááááááááááááááááááááááááááááaá...

ainda badajoz e outros

Ontem, alguém a quem disse que fora a Badajoz gozou de imediato comigo.
- Foste aos caramelos?
- Tenho cara de quem vai a Badajoz aos caramelos?
-Então foste ao bacalhau? continuou no gozo aborrecido e insistente.
-É, fui à procura de ti na bacalhoeira lá do sítio.
Acabou o gozo com uma frase do tipo, és tramada, não se pode brincar contigo, etc, etc.
Que eu posso ser pirosa, até aceito. Cada um é o que pode e quer ser. Mas estupidez, já não suporto. Odeio xicos espertos.
Isto fez-me lembrar de imediato as reacções às férias que fazia na Quarteira. Porque coiso e tal e tal e coiso, que praia pirosa, para onde vão os " besugos " todos do norte, com Vila Moura ali ao lado, e Albufeira e...Nada!
Eu tinha casa barata na Quarteira e gostava. E como não tenho parança corria o Algarve duma ponta a outra.
No Ribatejo também não se pode dizer que se vai para a Nazaré ( hoje menos, começou a ser in ) ou para a praia da Vieira, porque só se vê o homem do garrafão e do transistor.
Ainda há quem diga - Que horror, não sei como gostas do Colombo? Tantos pretos e saloiada...
Parece que não, mas este povo é muito preconceituoso e eu dou-me com eles. E ando sempre a comprar guerrinhas por defender as minhas damas e a escapar por entre os pingos da chuva para não me abespinhar com tanta limitação e ignorância.
Bem sei que o meu amigo só queria brincar comigo, mas sei que se tivesse ido a Barcelona, a reacção não seria a mesma e há lá caramelos e bacalhau como em qualquer lado.
Para além do preconceito é depois a hipocrisia que me repugna.
Estas pessoas comem dos caramelos que supostamente eu fui comprar. ( Não compro, só porque se colam nos dentes ). Ou de um prato de bacalhau de Badajoz.
Passam fins de semana oferecidos por quem tem casa de férias na Nazaré ou na Vieira e pedem-nos o que precisam, do Colombo se sonham que lá vamos.
E com toda a cara de tacho que têm, nem pestanejam.
Não estou ressabiada, mas acordei com vontade de desmascarar a hipocrisia e a inveja de quem não pode ou não quer sair do ninho mas não gosta que outros o façam.
O meu amigo que me desculpe, mas ele deu o mote...
A alegria é brincalhona e faz cócegas e há quem não goste de se rir. Temos pena...

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

David Fonseca Vitinho

Já comprou? Eu já.
Apoie a Missão Sorriso.

equívoco

Afinal a minha máquina não estava avariada. Mais uma vez me precipitei. O cartão que tinha, dava erro e foi preciso formatá-lo. Disse o rapazinho da Worten do Vasco da Gama, onde fui, assim como quem não quer a coisa, pedir ajuda. Perdi as fotos que estavam no cartão, talvaz umas vinte, mas preferi isso a ficar sem cartão. Já a pen do canguru da optimus avariou mesmo e não consigo ter net móvel. A ver se amanhã vou a uma loja da Optimus tentar que me dêem outra porque esta tenho-a desde Junho. E não é por nada mas o dinheirinho é bom e eu gosto e bem me custa a ganhá-lo. Ora eu! Que fui ao estrangeiro e nem uma foto tirei, a pensar que tinha que ir a correr comprar outra máquina porque esta se tinha finado...

espera


Faltam só 23 dias...

sorriso colorido

Mais uma vez, a Pipoca mandou um baton pela cria. Giorgio Armani. E eu agradeço muito. E fico toda contente. Como sempre. Esta menina é um amor e nunca se esquece da minha vaidade. E gosta de fazer um mimo à " mamãe ".
Não pensem que ela tem uma loja e é madre teresa. Não. Ela é jornalista. E tem um coração de ouro. E por motivos que não são importantes para ninguém, mas são-no para mim, sempre que lhe chegam à mão, produtos de cuidados pessoais e não só, lembra-se de mim. E eu fico numa gratidão e num sorriso daqueles...colorido.
Obrigada Ana.

pulseira

Estas são as célebres pulseiras da moda. Pulseiras decenárias. Que têm origem na América Latina. Outro dia, estava a ver televisão e vi um apontamento sobre as famosas pulseiras.
Não procurei por elas. Mas encontrei. No " estrangeiro " onde fui e vim no mesmo dia.
Elas têm significado. Cada cor corresponde a um estado de espírito, sentimento ou apelo. Têm dez nós e remata com uma cruz.
Não resisti e comprei uma, numa loja pequenina, comércio tradicional, numa rua do centro, fechada ao trânsito e altamente comercial.
Comprei também uma medalha da Virgem de Guadalupe, que a Xica colocou na pulseira. A cor que escolhi, foi azul. Por nada e porque sim.
Fui ler algumas coisa sobre estas pulseiras e percebi que a cor escolhida significa e pretende: Harmonia, afecto, amizade e fidelidade.
Boa escolha, a minha. Não sou uma xiquita, mas acredito nestas coisas. Ou quero acreditar, para fazer sentido.
Mostrava-vos a minha pulseira, mas a máquina fotográfica está avariada. Fica para a próxima.

introspecção

Tenho laços na memória, com Badajoz. De dias felizes no Alentejo com visita a Espanha. Lua de mel. Fotografias. Compras. Verão. Entardeceres alegres como alegre é este povo. Noites fantásticas.
Também Inverno. Passeio. Compras. Repetição de lembranças. As minhas crias...
Nunca tinha ido a este lugar isolada da família. Com amigos.
Há quatro anos que não fazia uma viagem a esta região.
Gostei. Já não transporto comigo contas para ajustar. Estou em paz.
Badajoz está na mesma. Os espanhóis também. Os portugueses, não. Muito menos, nas compras e passeando-se.
Fiz compras só porque sim. Coisa muito pouca. Vários torrones. Com variados sabores, para as crias, claro. Um perfume e um casaco. E fiquei-me por isso mesmo, que fiquei bem.
Fui passear, arejar, encontrar um hábito que perdera há quatro anos. Iniciar também aqui uma nova fase. Um recomeço, uma viragem.
Aos poucos vou-me repondo nos lugares do passado como ser individual.
O mundo é uma ervilha. Roda nas mãos do destino.
E a fazer lembrar-me que está tudo bem e nada pode ser apagado, porque o passado somos nós, numa rua movimentada da cidade dei-me com um amigo de Luanda. Que conheci apenas em Torres Novas.
Este amigo é músico. Foi meu convidado e tocou a marcha nupcial no meu casamento.
Sorri num daqueles sorrisos que nem tudo ou todos conseguem de mim.
O meu sorriso adveio-me da paz que senti quando percebi que os casamentos e as marchas nupciais podem dar lugar à liberdade de escolha de felicidade e a hinos de alegria.
Vim ao lugar onde já fui feliz e não me arrependi. Nem de ter sido feliz nem de ter voltado a este lugar.

num dia como outro qualquer


Há dias e dias que não olho para mim. Assim, num raio X, pouco falível. Há outros em que me entretenho nessa análise. Sem críticas. Apenas para me perceber. Para tornar mais fácil o convívio são,comigo. Sem culpas ou prefeccionismos.
Gostava de ter um psicólogo, daqueles muito bons, não dos que existem às mãos cheias, que são como nós, intuitivos apenas, com tempo para mim, que me ajudasse a uma análise da minha personalidade.
Porque será que sou feliz que nem uma criança quando entro num carro e me vejo a caminho de qualquer coisa?
Porque será que gosto de estradas? Quaisquer...
Quando passo pelos campos a perder de vista e os pastos onde se agrupam ovelhas na presença de um pastor?
Quando surge no monte, uma casinha branca com uma barra azul, isolada e distante?
Quando uma cegonha me faz olhar interessada para o seu ninho no alto de uma chaminé?!
Da chuva que cai e das nuvens negras correndo velozes direitas ao mar?
Do rio transbordando nas margens?
Das paragens para o café e xixi nos locais já antes visitados?
Porque será que gosto de pontes? Todas...
Existem dias da minha existência que são uma benção. Dão-me a tranquilidade e o conforto de me saber simples. No desfrute de repetir momentos felizes que construo e vou buscar às memórias de tempos em que também era simples e feliz.
Quando assim é, tudo está no seu lugar e sinto que o Universo não me esqueceu.
Ontem senti-me assim.
Mas ainda assim, um psicólogo sábio ajudaria ao puzlle, juntando todos os lacinhos que faço nos dias felizes que vivo. E como as pontes, unir-me-ia ao mundo no melhor de mim, ordenada e tecnicamente, para reserva nos dias menos bons.
A vida está aí para a escolhermos.
Cada vez escolho mais estar feliz.

O Guadiana

O Guadiana no seu melhor!
Não fui eu que fiz a foto. Não fiz fotos nenhumas.
Porque a minha máquina avariou. Isto anda mesmo agreste para os meus lados.
Já tinha pensado comprar uma máquina um pouco melhor e oferecer-ma-ia de presente de Natal, mas não ia pôr de lado a minha querida máquina, velha companheira.
Ela facilitou. E agora tenho mesmo de a substituir.
Imaginam como fiquei quando quis fotografar um banco giríssimo e a máquina me pregou a partida?
Não imaginam. Fiquei pior que isso.
Acho que tenho de ir à bruxa.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

diário

São 7,30 horas. Está muito frio, mas não chove. Começou o dia à pouco. A árvore de Natal da rotunda do Senhor Roubado ainda está iluminada. Tiro uma fotografia ( que não posso publicar, depois explico porquê ).
Corro para o metro. O que me vale é que as escadas rolantes foram finalmente arranjadas; desde o verão que se mantinham mortas e não havia ninguém que as ressuscitasse.
Oiço o som do metro a aproximar-se. Ecoa em toda a estação. Corro escadas acima. Sento-me exausta. Uma taquicardia violenta dá-me a certeza de que a decisão de fazer dieta que estou a concretizar desde a semana passada, é a certa.
Tiro o MP3. Tito Paris e a sua morna, mais o som dos violinos, acalma-me.
Finalmente, olho à minha volta. Homens de mochila e chapéu de chuva. Mulheres dormindo. Caras fechadas e tristes, algumas. Outras, indiferentes. Olhares vagos e conformados.
Dou comigo a pensar que queria o poder de penetrar na mente destas pessoas. Saber-lhes cada sonho. Do seu presente. O que querem. O que esperam. O que os faz mover. Porque estão apáticos ou tristes. Porque trazem no olhar, lágrimas penduradas.
A senhora da frente olha para mim. Parece advinhar-me os pensamentos. Tem um quê de intrigante no olhar que persegue a minha figura de cima abaixo. Visto-me de preto, apenas o cachecol e o gorro são beges. Tenho os fones nos ouvidos e nas mãos a minha moleskine, onde escrevo. Percebo-a. A esta hora da manhã, as mulheres da minha idade não andam de metro. Estão a dormir. Ou circulam nos seus automóveis.
A estação do Marquês é a próxima. Onde tenho de sair para apanhar a linha de Santa Apolónia.
Este metro hoje cheira a sono e a bocejo. Tem a cor do desânimo. Fala linguagens arrastadas e bêbedas de noites de insónia. Não quero fazer parte deste cenário.
Chega o metro para Santa Apolónia.
Passa a Baixa-Chiado. A partir daqui cheira a rio e a mar. Um cheiro fortíssimo. Que assusta quem não anda diariamente de metro. Têm na ideia que um dia o rio invade o mundo das toupeiras. No Terreiro do Paço o cheiro acrescenta peixe e gaivotas. Sal.
A estação terminal aproxima-se. É fácil andar de metro em tempo de feriado, quando o dia começou há pouco. Por ser um marasmo. Recheado de bocejos. Os meus também, que dormi três horas. Bocejo de novo.
Desligo Paulo Flores que me canta ao ouvido - Como vai mana xiquita, a vida como vai? A saúde e seu marido, como vai? Nós em casa vamos andando assim assim...
Finalmente Santa Apolónia. A minha viagem de metro termina aqui.
O meu ponto de encontro com os meus amigos é em frente à estação. Assim que saio, sinto um cheiro a pão quente. Fortíssimo. Não me animo.
Bebi um batido de chocolate e não vou comer até ao almoço. Estou de dieta e não posso fazer asneiras. É ponto assente.
" Senhora, dê-me um minutinho? " - Neguei com a mão.
" Dê-me só um eurozinho para ir comer um bolinho ao café. "
Um homem com cara de cão vadio. Pergunto-me se tenho cara de otária. Tenho, pois. Vêm todos ter comigo. Se não faço ouvidos de mercador saio daqui sem dinheiro.
Vou para a rua. Esperar...

e viva la espanha

Chove que Deus a dá!
É tarde. Logo, tenho de me levantar cedo.
É feriado. E estou na capital. Para uns diazitos. Ainda que sejam de chuva. Ela já não me transtorna. Não agora. Que começa Dezembro. Mês bonito este. As razões, todos as sabemos. Quem não gosta de Dezembro?!
Então hasta la vista, que eu vou ali e venho já já. É só o tempo para cantando e rindo - Ó Elvas, Ó Elvas, Badajoz à vista, atravessar a fronteira e hablar com nuestros hermanos um pouquito. E já agora comprar uns torrões de alicante tão apreciados nesta época natalícia, não esquecendo os caramelos de pinhão. Eu ia lá a Espanha e não trazia no saquito uns caramelos?! Daqueles que se colam no céu da boca e nos obrigam a deixarmos a elegância e discrição e com o dedito descolá-los que ali não é o lugar deles...
Elegantes são as espanholas. E bonitas. E bem vestidas. E cheirosas. E esganiçadas. Lá discretas não são elas, caminhando pelas ruas depois da siesta, muito faladoras e risonhas. Cheias de salero.
Então vá...hasta la vista que já me sinto meia espanhola. Deve ser graças à minha bisa Maria Torrinha. Olé! Olé! E Viva la Vida e já agora, Espanha!

conta desactivada

Depois de perceber que tinha a conta desactivada, tentei que todos quantos parecem ser mais espertos do que eu me explicassem o porquê disto. E se tinha remédio, porque se não tinha, remediado estava.
O mano Zé convenceu-me a criar outra conta. Foi o que fiz.
Começar do zero...
Perguntem-me se sei o que isto é. Claro.
Claro que sei.
Sem passado. Nada. Radicalmente, nada.
Como custa!
Já vi este filme várias vezes. Acho que cada vez há-de custar menos. Deve ser assim, até chegar à fase em que é indiferente.
A novidade, tambem para mim é que os meus amigos estavam atentos e num serão consegui recuperar alguns amigos.

de novo mudança de perfil

Já está muito frio para permanecer no perfil a chamar um verão que ainda vem longe para os comuns mortais deste país frio e nevado dos últimos dias. Por isso vesti-me de inverno e saltei para o perfil de mim. Muito emcapuzada, chamo outro verão, que se chama estação das chuvas, e está lá, de estalo, a fazer jus à estação do ano que todos gostam.