terça-feira, 30 de agosto de 2011

da Régua para o Pinhão

foto tukayana.blogspot




















a ponte romana

foto tukayana.blogspot Chaves está bem e recomenda-se.
Já eu, andei um pouco doente todo o dia depois de uma noite de truz que até febre fiz, para além de não conseguir respirar. Nada que afinal o brufen nao resolvesse.
Andei na cidade a revê-la pois, seguramente, há mais de dez anos não vinha aqui.

rindo

foto tukayana.blogspot Hoje recordando a Gouveia, que está na foto, dizia-me a Leonor que às vezes, quando vai para a aldeia passar uns dias como desta vez foi, vêm oferecer-lhe uma courgete e chamam-lhe:
Projecto, alguns. Outros, gorjeta e ainda outros, gourgete.
Diz que não se pode rir mas sendo ela professora lhe dá vontade de os emendar, mas é gente de muita idade e levariam a mal, mas muito lhe custa prender o riso.
Hoje, em casa, só as duas, é que foi, uma barrigada de riso à conta de uns e de outros na sua louca e santa ignorância.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

navegando Douro acima

foto tukayana.blogspotEste é um dos barcos que sobe o Douro até à foz do Sabor, este últmo rio perto do concelho de Alfândega da Fé.

Viajando do Porto para cima



























Do Porto à Régua, de comboio.
Uma viagem muito bonita. E rápida. Sobretudo se se sentarem ao lado de um senhor de 79 anos de nome Manuel Amorim Pereira da Silva, natural de Marco de Canaveses, reformado da polícia, sub-chefe e ex-sinaleiro no Porto. Casado, sem filhos, que viajou para o Pocinho para encontrar a esposa que o esperava, vindo do Porto de uns exames e análises e que nunca se calou.
E fiquei a saber muito mais que isto. Também, quem me mandou chegar ao lugar vinda recambiada de outro lugar cuja companhia não me agradou mesmo nada pois a criatura era muito penteadinha, fato preto e sapatos pretos muito bicudos daqueles, mata barata na esquina? E assim que pude, passei-me para o lugar ao lado do Amorim e pedi-lhe licença para me sentar pois que o ex-sinaleiro tinha o jornal a repousar no lugar ao lado dele ou quem sabe a fingir marcar lugar para que ninguém o incomodasse. Assim que me sentei e reparei que os lugares tinham número e letra perguntei-lhe se eram marcados e o senhor muito simpático explicou-me tão ou mais pormenorizadamente que eu explicaria. Bem feita, para eu perceber as sécas que dou.
E depois foi um ver se te avias de conversa, converseta e outras explanações. Julgava que sairia no Marco de Canaveses já que era de lá. Aí é que me enganei. Eu estava á lamira do lugar dele, junto à janela, para as fotografias. O pica chegou e eu perguntei-lhe se teria que mudar na Régua. - Não, minha senhora, é directo para o Pocinho apesar de estar indicada a mudança.
O senhor Amorim esclareceu-me ainda melhor adiantando que também ia para o Pocinho. Ia caindo de cú. Não queria acreditar que aquela matraca não se iria calar durante mais de 4, 30 horas. Para além de estar sentada à janela. Arquitectei um plano para o arrancar do lugar e convencê-lo a trocar comigo. Não foi necessário. Quando me viu puxar da máquina, disse: Quer sentar-se aqui? Nem pensei um segundo. Quero sim, disse, só para tirar umas fotografias. E mudámos. E nunca mais recuperou o lugar nem lhe perguntei se o queria de volta. Uma maldade, mas acho que o senhor não se ralou. De vez em quando dizia: Estou a maçá-la? - Não, que idéia. Dizia eu a fazer figas nas costas e a levantar um pé. Quando tirou uma maçã de um saco plástico perguntou-me se queria uma, que tinha mais no saco. Quando eu resolvi comer e tirar uma barra de cereais, ofereci-lhe uma mas como calculava barras de cereais não são para homens do tipo do sr. Amorim, sub-chefe da polícia e ex-sinaleiro.
A partir da Régua foi-se calando e fechando os olhos, para dormitar e eu fui tirando as minhas fotografias e não dei pelo tempo passar. De vez em quando dizia-me algo sobre cada região, estação ou costumes daqueles lugares, das vinhas, das quintas e dos montes. Do rio e dos barcos.
Como entraram muitos turistas na Régua ele preveniu-me que o rio mudava de margem ( o comboio é que passava para o lado contrário ) e que se quisesse tirar fotografias tinha que me mudar para o lado esquerdo do comboio. E nessa altura o senhor simpaticamente disse-me: Se a senhora quiser eu vou marcar-lhe o lugar para depois tirar as fotografias. Disse-lhe que não mas ele insistiu por várias vezes. Não foi preciso. Eu acabei por ter um lugar onde quis.
Quando se despediu de mim desejou-me tudo de bom e eu a ele. Naturalmente nunca mais verei o sr. Amorim.
Foram quatro horas e meia que nem uma matraca, a buzinar-me aos ouvidos estórias do " tempo "dele e a fazer-me perguntas também.
Mas no fundo, no fundo gostei deste companheiro de viagem pois se assim não fosse, não lhe teria dado trela.
E foi assim que viajei do Porto para o Pocinho quase sem dar por isso. As fotos apenas são até à Régua, sendo que a viagem mais bonita quanto a mim é da Régua para o Pocinho.

família

A Bibi, é uma priminha linda e muito amiga. Psicóloga de formação, uma mãe perfeita, uma filha amorosa e uma mulher fantástica. Sempre foi uma pessoa linda, desde pequenina.
Já desceu no mapa para a cidade onde vive e mais uma vez à semelhança do que sempre me acontece quando estou, sinto uma gande saudade e uma pena imensa de não viver no dia a dia com estas pessoas que são do meu sangue e que me fazem tanta falta se não estão na minha vida.
Também a Sofia e o Miguel partiram mais cedo para as suas vidas que têm fora de Trás-os-Montes e para sul. A Leonor tem uma família linda, e merece-o porque é uma guerreira. Os laços fortes a unir-nos entrelaçaram-se ainda não nos conheciamos e ela em trás-os-montes, quando estudava em Moncorvo e depois em Bragança e eu em Luanda. Durante um mês e meio. em 75, vivemos na Gouveia e os laços consolidaram-se de tal forma que hoje somos amigas para além de primas num afecto verdadeiro e para sempre.
Na noite em que o serão foi preenchido com a feitura dos económicos ela lembrou quem estava; filhos, genro, nora, netos, irmã /( a minha prima Lucília ) marido e sobrinhos que tinha 19 anos quando comeu pela primeira vez puré de batata a acompanhar os bifes que a mãe fizera. E esse puré de batata fora feito por mim.
Há coisas na vida que nos aquecem a alma. A memória da Leonor para um mimo meu que a marcou, fez-me um afago na alma.
A foto, esta, foi tirada pela Bibi que fez questão de me mostrar tudo o que há por aqui, para ver, que considera digno de ser visto. Algumas paisagens, esta por exemplo, já eu a conhecia, mas isto é tão lindo, tão forte que emociona a cada vez que me deparo com esta bela paisagem. O grupo que connosco andou era de Chaves, e uma das senhoras emocionou-se tanto que até chorou.
Este é o Vale da Vilariça. A menina dos olhos bonitos dos transmontanos.

domingo, 28 de agosto de 2011

na cidade

foto tukayana.blogspotDo miradouro de S. Lourenço vê-se Chaves.
Aqui está essa cidade onde vou ficar uns dias. Já cá estou. Disse adeus à Gouveia. Foi suficiente o tempo que lá estive que não foi quase nenhum.
Uma casa cheia como aquela onde estive é uma alegria mas quando os primeiros foram embora e depois os segundos e hoje de manhã os terceiros, a casa ficou tão vazia que para mim a aldeia já dera tudo o que tinha para dar.
Tem sido uma movida transmontana, estes dias. Desde ir conhecer miradouros, santuários, igrejas e ermidas, a foz do Sabor, a barragem, o restaurante do peixe do rio, frito, o SPA de Alfândega, a festa de uma aldeia ali perto, na Adeganha, a viajar hoje por Vila Flor, Mirandela, Valpaços, foi feito tudo o que foi possível e o possível tem sido muito.
Hoje acordei doente. De tal forma que me vou deitar, porque amanhã Chaves me aguarda e tenho que melhorar.
O que tenho? Não sei. Se gripe, se alergia ou constipação. Seja o que fôr é mau, porque estou cheia de dores no corpo, doi-me muito a garganta, oiço mal, os olhos ardem-me e tenho sono. Então, até amanhã e boa noite.

receita de económicos

Bolos Económicos ( de trás-os-montes )

12 ovos inteiros que se batem com 1 quilo de açúcar, meia chávena de sumo de laranja, 1 litro de leite, 1/2 litro de águardente, 1/2 litro de azeite, 1 colher de sopa de bicabornato de sódio, e farinha ( mais ou menos 3 pacotes de quilo ). A farinha vai-se pondo até a massa estar capaz de se fazerem os bolos sem espalmarem como bolachas.
Pincelam-se os bolos e coloca-se açúcar ( numa mão cheia ) por cima.
O forno tem de estar bastante quente e o tabuleiro enfarinhado.
Aconselho metade da receita.
Bom apetite.

fazendo económicos

fotos tukayana.blogspot





Económicos, sabem o que é? Estes bolos óptimos que se fazem em trás-os-montes e dos quais eu tinha tantas saudades. Na Páscoa em casa do tio Augusto comia-os ao pequeno almoço sentada no escano, na cozinha, ao lume, nas manhãs de Março, Abril. Já lá vão vinte anos ou mais.
A Bibi lembrou-se deles em Alfândega. No supermercado chamam-lhe bolos de leite. São caros, pequenos e poucos. A Leonor disse: Logo à noite vamos fazê-los.
E se o disse melhor o fez. Depois da receita nas nossas mãos, foi um ver se te avias de tudo o que impedisse a feitura dos bolos mais conhecidos de terras de trás-os-montes.
Económicos...
Eu apenas os vi fazer e escrevi a receita. Depois, provei os da primeira fornalha. E os da segunda e por aí adiante.
As cozinheiras foram a Leonor, a Bibi, a Beta e a Lucília.
Parabéns meninas. A tia Ester mais tarde, dando o seu avale - Muito bons!
Como se calcula temos dado um avio ao económicos que se não páro ainda os enjôo.

na memóra dos homens com memória

foto tukayana.blogspotEstávamos à volta de uma mesa retangular, no terraço da casa, mesa essa cheia de presunto, queijo, pão, azeitonas, bolo de noz, económicos, e também uvas trazidas pela tia Ester da Leonor. Da sua latada.
Conheço-a desde que cheguei de Angola. É irmã da tia Lurdes, essa minha tia também. Vive na última casa da aldeia e nem sempre a vejo, se vou à aldeia. Já não a via há uns anos. Olhou para mim e disse a apontar na minha direcção: Esta senhora, esta senhora quem é?
- Veja lá se sabe tia Ester, disse a minha prima Leonor.
- É a filha do Leopoldino, não é?
- Sou sim.
- Tirei-a pela pinta. Não podia ser mais parecida.
- Tia Ester, diga lá à minha prima como é que era o tio Leopoldino.
- Carai, o Leopoldino cantava e dançava muito bem. E olhando para mim diz: Cantava tão bem o seu pai!
E eu que tinha bebido um copo de vinho verde fresquíssimo e não contente dividi uma cerveja com a Bibi, não saltei para o colo da tia Ester da leonor, mas apeteceu-me cobri-la de beijos.
Estou numa aldeia perdida do trás-os-montes profundo, mas não é uma aldeia qualquer. É a terra onde nasceu o sô santos e passados 86 anos do seu nascimento ainda há quem ateste por sua honra o conhecimento que tem do meu pai abonando em seu favor e fazendo dele um ser especial que sempre o foi para mim. Mas é tão bom ouvir estas coisas, como bom foi ouvir a Leonor dizer: O teu pai era o ídolo das raparigas do Sendim da Serra. ( aldeia vizinha onde os meus avós foram caseiros numa quinta de um doutor qualquer que tinha uma quinta ) - Porquê? perguntei, desconfiando da resposta. - Era um rapaz muito alto, moreno e bonito e depois cantava e dançava muito bem, para além de ser muito trabalhador. Carregava um carro de bois, de feno, trigo, pão, como ninguém. Toda a gente o dizia.
Passaram tantos anos mas o sô santos, no caso o Leopoldino, filho da senhora Clara é lembrado por todos com um brilhozinho nos olhos de quem dele fala.
- Filha do Leopoldino? Não conheço, mas o seu pai conheci muito bem, disseram-me várias pessoas, incluindo gente que esteve connosco em Luanda e que eu não lembrava.
- Era pequenina, é natural que não se lembre. Fiquei em sua casa quando fui daqui. Ou ainda, éramos amigos do seu pai e da sua mãe. É a Clara? Como o tempo passa...
O tempo passou, mas o meu pai pertence aqui, onde existe a memória.
Ninguém morre enquanto dele se lembrarem os homens com memória.

amarelo, violeta e azul

foto tukayana.blogspot A amarelo, violeta e azul, o horizonte neste sábado que terminou, ofereceu-nos uma imagem poderosa de beleza e sedução. Se o sol fosse alguém lhe daria os parabéns e lhe agradeceria a possibilidade de contemplar a partir destas terras de montes, pedras, rios e serras, em êxtase a partida dele, o astro que hoje reinou em terras de trás-os-montes.

olha eu...

Olha eu!!!! Atenta que estava à conversa . Ou não. Se quiser fazer uma leitura correcta da minha expressão, não sei não... é melhor ficar por aqui, porque estou com cara de embirrante. E estava tudo bem, por isso não sei, mesmo, só se fosse com a empregada ou patroa que nos serviu ou pôs a servir.
Sei que a foto tinha de ser à mesa. Não faço a coisa por menos.
Foi a Bibi ( Bárbara ) minha prima, um amor de menina um pouco mais velha que as minhas crias, que ma tirou.
Éramos 16; 15 adultos e criança só o Rodrigo, filho da Bibi. Eram amigos da Leonor e ex-colegas, muitos do ensino, como ela. Vieram de Chaves, a convite, para irmos comer peixe do rio a um restaurante típico. E foi lá que a fotografia me captou. Felismente que acabara de comer. Salada de tomate, migas e peixe do rio, frito. E já tinha aplicado um gel sobre 4 nódoas, molho para o peixe. Mais do costume...na falta de alguém que me dissesse - sempre a mesma coisa, maria clara, sempre a mesma coisa - acompanhado de um virar e acenar com a cabeça, encolhi os ombros e apliquei o gel que não conhecia, ainda foi bom meter nódoas. Ah, já sei, ou desconfio. Aquela cara podia ser talvez de estar toda pintalgada de laranja do dito molho. Talvez!
Entre as pessoas do grupo estava alguém que conheci, que me vai dar uma ajuda preciosa nessa coisa da contagem de tempo e da simulação a ver quanto ficarei a receber se pedir agora a reforma.
Carago, faziamos dentro em breve outro almoço com os mesmos para comemorarmos a minha saída. Ó se faziamos!
Por enquanto, na engorda nestas terras de deus, já com saudades de gente que amanhã irá descer no mapa.

sábado, 27 de agosto de 2011

de volta ao meu aconchego...

foto tukayana.blogspot

pastoreando





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o rio e a paisagem

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O Rio Douro entre a Régua e Pocinho.

a caminho do Pocinho



sexta-feira, 26 de agosto de 2011

do Porto à Gouveia

foto tukayana.blogspot.comEstou na Gouveia. Este é o nome da aldeia onde o sô santos nasceu e cresceu e de onde partiu para África. Aqui já poucos restam. E os que existem são gentes que compraram algumas casas em ruínas e que as reconstruiram e servem para casas de fim de semana ou, e, férias. Em 36 anos a aldeia evoluiu pouco.
A Leonor, minha prima como irmã também reconstruiu a casa da tia Margarida e aqui gosta de estar no verão.
A poucos quilómetros fica Alfândega da Fé, conhecida hoje pelo magnífico espaço com SPA, hotel e restaurante muito in e na moda.
Mas isto é um fim do mundo onde só chega quem gosta, tem família, ou espírito aventureiro.
Saí do Porto às 13,24 e cheguei à Gouveia por volta das 18 horas. Mas valeu a pena. Há 30 e muitos anos que não fazia este percurso de comboio e ainda bem escolhi fazê-lo. Maravilhoso.
Porto/Régua/Pocinho. Aconselho vivamente.

de volta aos afectos

foto tukayana.blogspot Este é Trás-os-Montes que eu amo do coração. Para além dos montes, das pedras, das estradas, do rio, do isolamento, uma região linda e cheia de história. Também minha e da minha família que vim reencontrar.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

paragem em Leça

foto tukayana.blogspot Aproveitei e vim aqui ver o mar. E fotografar.
Leça da Palmeira...
A seguir vou fazer uma maratona, daquelas. Apostei numa viagem lindíssima que não faço há mais de 30 anos. Levarei o dia todo e só chegarei ao meu destino lá para as 18, 19 horas, mas fui eu quem quis assim.

em férias

Estou no Porto, carago!
Mas não vim para ficar.
Vou seguir em frente, que atrás vem gente.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Maria Rita "Conta Outra" Segundo [EXTRA]


um certo azul ao fundo



que susto!!!

Levei um susto. A pivot da televisão, estava ali à minha frente no telejornal a falar de uma dieta de nome detox, escolhida por famosos, sobretudo no mundo da moda. A ingestão só e apenas, de líquidos, durante alguns dias.
Mas não foi isso que eu percebi. E sim, que seria a ingestão de líquidos, frutos e legumes.
Eh pá! Há uma semana que é o que tenho feito. Vou no 8º dia da minha dieta que ninguém aconselhou mas que decidi fazer.
Batidos de leite de soja e frutos, água com limão, chá verde, iogurte com fruta, barras de cereais, saladas e água. Se bem que, por duas vezes comi fora, por duas vezes pequei. Asneirei que ferveu cá dentro, pois o organismo estava a habituar-se a comidinhas mais maneirinhas. A primeira foi domingo, uma lasanha de vegetais, mas como é que uma criatura vai ver o mar, tem o mar ali de frente, é convidada para se deliciar com as vistas e depois pede uma simples salada igual às que tem feito em casa? Não. Claro que não. E pede uma lasanha. O bom senso pede que ao menos seja de vegetais. E sim. Venha uma lasanha de vegetais. E para beber? Pergunta o empregado simpaticamente. Não há hesitações. Água. Canário! Eu a acompanhar uma lasanha com água...mas foi certo e sabido que assim aconteceu. E não me custou nada. Sobremesas? Nem vê-las. De lá até hoje, nem um pensamento pecaminoso. É que o espelho tem-me devolvido sorrisos e eu gosto da simpatia do espelho.
Mas hoje...de novo pecando. Na mesma onda. Deve ter sido por ter falado de italianos. É que os meus pecados têm a ver com essa agradável cozinha, espalhada por tudo o que é rua, largo ou esplanada. E pronto, fui convidada para uma pizza ali na esplanada das pizzas, na avenida da Liberdade e aceitei. E comi uma fatia de pizza e uma calzone, tipo rissol gigante, tão bom mas tão bom que me consolei. Para beber? Limonada. Ahn, ahn, estou a portar-me tão bem que até eu desconfio. Depois disso e até este momento, uma sumo de laranja e água, muita água. E ananás.
Então? Isto é a dieta de nome detox? Não, claro que não. Isto é alguma dieta que se veja? Não, mas é uma tentativa conseguida. Foi preciso ir pesquisar no google para perceber que as dietas detox são dietas líquidas, por isso e apesar do susto, já me safei.
Do que não me safo é de alguns dos pestiscos com que me vão tentar durante alguns dias e a partir de amanhã à noite. Em nome dos afectos, eu peco. Mas é mesmo só, em nome dos afectos.
Desta vez é a sério. Estou farta de me chamar velha, gorda e feia.

tudo tretas...




" Prezada Clara Marques,
este é o seu horóscopo do dia Quarta-feira 24 Agosto:
Câncer,
Tudo vai bem e sem empecilhos, você poderá conquistar oportunidades com seriedade e profissionalismo ao gerenciar relações interpessoais. Se você vive uma relação a dois, parecerá que o parceiro quer esconder algo e você analisará atentamente o seu comportamento: enfrente o diálogo! Se é solteiro, terá a oportunidade de novas conquistas."



Ele a dar-lhe e a burra a fugir-lhe.

inocente, ou talvez não

Há cada coisa! Vai-se lá saber porquê!
Nunca vos aconteceu escreverem uma palavra ou uma frase e de repente, na televisão quem de direito, dizer o mesmo e ao mesmo tempo? A mim acontece-me com muita frequência. Às vezes é assustador. E não só na televisão. Em qualquer lado, ouvir, dizerem, acontecer, o que está pensar?!...
Ando cheia de tempo. Vai-se acabar, mas por enquanto, tenho todo o tempo do mundo. Já estou como aquela senhora de 90 anos que ontem foi entrevistada pela Fátima Lopes. Sim, sim, tenho visto o Goucha de manhã e à tarde a D. Fátima Lopes. Ahahahahahah! A dita senhora começou nos computadores à meia dúzia de dias, porque o neto a ensinou. A simpática e interessante senhora, tem facebook e já não pode passar sem net. Aos 90 anos.
Como dizia, tenho todo o tempo do mundo e passeio-me pela net; pelo facebook. Pelo youtube, pelos vídeos divertidos, muitos, que lá existem. Pelos blogs. Pelo meu e por outros que estão nos meus favoritos. Ontem desfolhei um caderno de capa preta que me acompanha sempre. Porque quando acaba, compro outro igualzinho onde escrevinho tudo o que me vem à cabeça quando vou em viagem, ou o que oiço e quero passar para o papel, quer dizer, para o computador, porque a era do papel já lá vai. E é disso que quero falar. E li algo que tinha escrito já há mais de um mês. Carta a um poeta. E reli a minha carta ao poeta. E perguntei-me porque não a mandei. Para o blog, claro está. Recordei que não achei de bom tom, na altura. E terei dito de mim para mim: maria clara, aguenta os cavais, poetas há muitos, mesmo daqueles que têm livros escritos e podiam chamar a si a tua intenção, e pior, levá-la a peito e sentirem-se ofendidos. Não que fosse uma carta despropositada, mas não quis equívocos. E deixei-a ficar a aguardar melhores dias e algum poeta que não se sentisse perturbado com a minha ousadia. Ontem, como disse lá atrás, desfolhei o dito caderno e encontrei sem querer a dita carta que não mais era que um pequeno texto a um poeta. Não me perguntem qual. Não que considere muitos, mas porque é segredo e se eu quiser, guardo-o a sete chaves. Por vezes os meus segredos são gato escondido com rabo de fora, mas isso é porque quero e deixo o desafio para os que são intuitivos, sensíveis e previstos. Como os poetas devem ser.
Toda esta introdução, só mesmo para dizer que estando no meu blog, prontinha para escrevinhar qualquer coisita, nada de muito interessante, uma vez que não me fui à vidinha por aí fora, e li - carta a um poeta - pensei, não é tarde nem é cedo, é já. Numa daquelas minhas precipitações que às vezes são como um tiro no próprio pé e das quais me arrependo profundamente, não por mim, mas pelas pessoas visadas e só não me puxo os cabelos de raiva porque o meu dermatologista não ia achar piada nenhuma.
Tenho por hábito, passar uma vista de olhos pelo que outros escreveram. Não todos. Há uns cinco blogs que me fazem tirar dos meus cuidados e não passo já sem os visitar, e às vezes, muitas vezes perder-me por eles e voltar atrás no que já foi escrito há muito tempo. Como uma terapia, ( ler quem escreve muito bem ), faz-me um bem danado e ilude a idéia de que são pessoas que me estão próximas, porque as sigo como seguidora oficial e particular em tudo quanto escrevem. Inspiram-me e alteram por vezes e por um tempo efémero, mas alteram, a minha forma de estar, ser e escrever.
Desta vez fiz bem em ler primeiro os outros blogs. E já não é a primeira vez que isso sucede. Deparei-me com um texto que me fez pensar: Xiça, penico, chapéu de coco, olha se eu tivesse escito a minha carta ao poeta?! Caso dessem por isso e acompanhassem os mesmos blogs o que iam dizer? Ela copia os textos dos outros. Que provocação!!! Ó p´ra ela! O que é que pretende com isto?
E então, olhando para os meus olhos, o que às vezes é difícil porque tenho as lentes sujas e o amigo que tem a mania de mos limpar não está cá, só um à parte para dizer que acho uma delícia que alguém que me conhece há 40 anos me tire os óculos da cara, os vá lavar e mos coloque de novo. Acho uma delícia porque não me passa pela cabeça que me esteja a chamar porca, evidentemente, mas vamos ao que interessa, como estava a dizer, olho no olho, muito de mim para mim eu disse: Quietinha menina, pouca festa que não há quem dance. O teu poeta fica para uma próxima. Não hão-de faltar oportunidades. O que havia de dizer este poeta sobre as tuas capacidades de imaginação? E foi assim que desisti do meu escrito, não fosse ser mal interpretada, também, por um poeta que não merece ser beliscado. É que ainda por cima, quem está atento sabe que não chamo poeta a qualquer um. É que há uma mão cheia de criaturas que até pagam para serem poetas mas quase nenhum o é. E eu tenho olho clínico para a coisa e não é preciso escrever muito para que perceba quem é realmente poeta.
De qualquer jeito e se o " meu " poeta se perder por engano, por aqui, há-de estar a chamar-me tonta e atrevida, por mim digo que, - Não me leve a mal, assim olhos nos olhos lhe digo que com carta ou sem carta... sempre a admirá-lo, Poeta!

terça-feira, 23 de agosto de 2011

previsões



" Prezada Clara Marques,
este é o seu horóscopo do dia
Terça-feira 23 Agosto:
Câncer,
Poderão surgir dificuldades por causa de alguns esquecimentos seus, os Astros aconselham a concentrar-se e fazer controles várias vezes. Se ainda não encontrou a pessoa adequada para você os Astros prometem coisas boas em curto prazo poderá abandonar-se nos braços de um novo conhecido
. "

Eta lélé!!! O que eu me diverti ao ler o meu signo para hoje.
Todos os dias mo enviam para o correio elctrónico. A maior parte das vezes não leio, embora raramente apague. Sempre na esperança que lerei quando tiver tempo, ou tiver pachorra. E hoje tive muita pachorra. Abandonei-me sim, mas nos braços da preguiça e nem saí para me divertir, distrair ou só para ver mundo. Tenho tempo de laurear a pevide daqui por alguns dias. Hoje perdi-me ou encontrei-me por casa. Arrumando umas coisas. Brincando com a Pitanga, ela está tão fofa, tão fofa que só me apetece apertá-la e dar-lhe beijos. Curti-la, redimindo-me do abandono a que é votada e está para ser, dentro de algum tempo. E apenas saí ao fim da tarde para comprar o euromilhões e ir ao Pingo Doce onde deixei uma nota preta, em... merdas. Desculpem lá, mas asneira, asneira, é sair de casa para gastar dinheiro no pingo doce e voltar para casa com a sensação que os donos desta ervilha têm o poder de me deixar infeliz, mesmo que seja apenas no momento de clicar no ok, perante 40 e tal euros. Gastei este dinheirame todo, em quê? Comida para deixar à Pitanga por uns dias, leite de soja para mim, morangos, pacotinhos de leite de chocolate, de soja, cereais integrais, barras integrais, e...acho que mais nada. Ah, detergentes para a limpeza e rolos de cozinha. Há cerca de 6 meses atrás, esta mixuruquice custava metade disto.
O euromilhões também não foi hoje que me saiu, e com isto tudo parece-me que não preciso de ser bruxa, astróloga, taróloga ou cartomante, para advinhar que terei algumas dificuldades, esquecimentos, falta de controle ( pudera ) e que não tendo a pessoa adequada, ( não sei quem poderia ser ), talvez algum comerciante onde adquirisse as minhas compras para a economia doméstica de borla, sim porque mais uma boquinha para comer, para além das bocas que existem, não, e por este andar abandono-me, ai pois abandono-me, nas mãos, não nos braços, que eu não sou mulher de me abandonar nuns braços quaisquer, de algum psicólogo ou psiquiatra, sei lá, é o que estiver à mão, na lista dos hospitais, para já, no da Luz onde por enquanto a gente ainda paga menos. Só que não seja aquele doutor moreno, bonito e com nome de médico à séria, que prefere estar a escrever no computador tudo o que eu lhe transmitir em vez de me olhar nos olhos e fazer um pacto, médico/ doente, assim numa coisa de inspirar confiança a quem anda perturbado com as mudanças e o emagrecimento da carteira e com a infelicidade e insegurança que isso provoca...
Esse, já levei com ele e não estou a fim de o enganar mais vez nenhuma. Ele mereceu. Quem manda não saber ler nas minhas entrelinhas todo o mal por que estava a passar, distraído que estava com o computador e os dados que lá tinha?! Se me olhasse com olhos de ver, lia que eu estava a precisar de ajuda. Duma mãozinha, de um simples olhar para me sentir apoiada. Afinal psiquiatra serve para quê? Para prescrever remédios e mais remédios e o doente se virar como pode e depois passados uns tempos, venha o desmame. Quem dá e tira vai para o inferno, foi o que sempre ouvi dizer.
Desmame! Eu lhe dei o desmame. Isso é que me divertiu, não ter desmame nenhum para fazer. Desmame...um bom desmame precisava ele, mas era do computador. Eu a prescrever; na primeira semana reduzir a net, as consultas ao google e outros, para metade, no primeiro mês passar para dia sim, dia não, a navegação na dita cuja net, até perceber que afinal o computador só serve para guardar informação sobre o doente e seu tratamento e médico que se preze deve ter presente que o doente não é virtual.
Onde eu já vou! Achei piada às previsões para os caranguejos, hoje. Mas inquietei-me também, porque abandono é uma palavra que não gosto. Não gosto nem de abandonar nem de ser abandonada. E para jogar fora os enguiços, feitiços ou predestinações, achei por bem exorcizar esse verbo feio. Ainda se tivessem escrito que me vou atirar nos braços de um conhecido, enfim, não é, do mal o menos. Antes isso do que levar eu com algum peso pesado, atirando-se como quem se abandona à minha sorte...
Signos...sina...quem a não tem!

receita caseira

Receita de iogurte grego

Um pacote de leite gordo ou meio gordo
Um iogurte natural
Meio copo de iogurte, de leite em pó (( opcional )
Meio pacote de natas light ( opcional )
Amorna-se o leite com o iougurte, o leite m pó e as natas.
Deita-se o preparado para um recipiente de vidro, tapam-se o mesmo e leva-se ao forno a 50 graus ou depois deste apagado manter umas horas até se formar iogurte.
Ou ainda ( foi assim que fiz ), envolve-se o recipiente em dois panos de cozinha e até jornais se quiserem e para manter a temperatura e aguarda-se umas horas. Quando estiver espesso, está o iogurte natural feito. Deve ir para o frigorício nos boiões tampados.
Se se pretende iogurte grego, despeja-se o iogurte para um pano fino e deixa-se a escorrer o soro, por uma peneira, no frigorífico.
Se se pretende queijo creme deve ficar no frigorífico a drenar o soro mais do que 6 horas, o que quer dizer que deve fazer-se à noite e só de manhã estará pronto.
Se quiser iogurte natural não são necessários natas, nem leite em pó, embora este último engrosse um pouco mais o iogurte.
Bom trabalho. Bom apetite.


dolce fare niente

foto tukayana.blogspot O que vos parece que é isto? Querem advinhar?
Não estamos no concurso do quem quer ser milionário. Não sou um dos autores das perguntas do concurso, apesar de falar muito com um deles. Nem tenho prémio nenhum em dinheiro para oferecer, mas posso deixar a receita.
Então vamos lá:
Semi-frio de natas e morangos?
Iogurte grego com morangos?
Panna Cotta com morangos?
Morangos, tem. Não acertam, pois não?
Eu sei. Estão habituados à minha gula, pecado de que me penitencio apenas quando estou de dieta. O que acontece mais vezes do que parece, embora seja uma coisa de estalar os dedos e já está. O facto é que parece que estou sempre a tocar castanholas, nos intervalos da gulodice, claro está. Não fosse eu arraçada de espanhola.
Ora bem, panna cotta, não é. Gosto de Itália, que não conheço, mas que gostava de conhecer, gostava...
Passeio-me pelos restaurantes italianos, vejo filmes e adoro ouvir os italianos falarem, capiche? E viva o velho!
Confesso que os acho atraentes, interessantes e porque não dizê-lo, irresistíveis. Um pouco pirosos, mas a gente não vai andar com eles de tira-colo, por isso...
Mas vamos ao que interessa. Descartada a primeira hipótese, tornou-se bem mais fácil. Cara ou coroa? É um calhas, né?
Se eu estivesse desse lado certamente que arriscaria na hipótese que me parecesse mais adequada ao " meu " momento. Tenho feito a apologia da decência à mesa ( na última semana ) e por isso...Bingooooooooó!
Pois, esta apetitosa taça, não tem uma sobremesa de natas e morangos. Mas sim um iogurte grego, caseiro. Sim, sim, caseiro, repito, e feito aqui pela menina. Adornado com morangos, só para vos confundir. Não foi nada, são mesmo para serem saboreados.
Tenho a dizer-vos que foi o meu pequeno almoço, à bocadito, acabada de acordar, em pleno gozo de férias, algures no país. Ahahahahah, mentira, algures aqui neste kimbo pertinho de Lisboa, a um passo do metro e do 36 e a um telefonema dos taxis de Odivelas que muito gostam de aqui vir buscar-me pois a corridinha é sempre boa, e conversam pelos cotovelos porque já me conhecem de muitas voltinhas e corridinhas a caminho de Sete Rios ou do Oriente, mas vai acabar-se-lhes a mama, que a crise bateu-me à porta. Já comecei por fazer iougurte em casa e vou continuar na poupança, quiçá até deixando de ir ao talho, e passando apenas com sopinhas, frutinhas e saladinhas; ninguém morre por isso, que eu ando há uma semana bem vegetariana e só me fez bem; até me disseram que estou mais bonita e eu que achava que estava velha, gorda e feia, insuflei de vaidade numa banga estilosa que só eu, e não me importa que seja apenas para me passarem a mão pelo pêlo, eu que tenho um espelho bem na entrada da porta que às vezes parece o demónio, outras um anjo que não é papudo, já vi que até o dito espelho me devolve um piropo de encorajamento.
Mas querem saber como se faz iougurte grego? É tão simples, tão fácil que até dá nervos não ter aprendido há mais tempo. Ensinaram-me há poucos dias e eu que já fui uma fada do lar ( foi há tanto tempo que às vezes acho que não foi verdade ) mas que me curei a tempo, embora de vez em quando tenha uma recaída, sempre em férias, claro está, pois gosto tanto da cozinha, mas gosto mesmo, que ter um fogão à minha disposição, assim, todinho para mim, me conquista e relaxa tanto, que vale a pena uma recaidinha de vez em quando. Às vezes penso que me reformei dessa actividade e tenho pena. Muita. Ainda vou fazer um curso de cozinha, só para brincar às cozinheiras, porque a sério mesmo, já fui. E muito tempo. E não fiquei com nenhuma reforma. Má volta...Não fiz os descontos, sabem como é? Amor à camisola...
A receita? Vou publicá-la, direitinho noutro post, tá? É que o iogurte grego é uma coisa séria. Que não admite brincadeiras nem sequer simples ironia. Eles lá na Grécia, entre amargos de boca, também devem ter passado fazê-los na pobre cubata grega pois que também estão de tanga como nós.
Perdão. Nós é muita gente. Eu. É que não quero ofender alguns, nem sequer os pôr em trajes menores, apesar de estarmos no verão.
Vou dizer-vos um segredo. Já fiz muito iogurte caseiro, no tempo das vacas magras. Depois melhorei de vida, apareceu muita oferta no mercado e a preços que não justificavam o trabalho e o gasto e deixei-me disso. Ainda tenho a iogurteira mas cheguei à conclusão que nem faz falta. A receita é totalmente artesanal e funciona na perfeição. Experimentem, nem que seja só por graça. E não pensem que isto é coisa de gente velha. Olhem que a receita foi-me dada por alguém bem mais novo que eu. E depois...está tudo a voltar ao antigamente. Ainda me hei-de ver a fazer rissóis, pastéis de massa tenra e croquetes. Ah, por falar em croquetes, também vou deixar uma receita muito antiga e que aqui neste lar doce lar muito apreciam. Já nem me lembrava que era uma especialidade minha e foi a mesma criatura da receita do iogurte que guardando a dos croquetes de soja que algures no tempo eu lhe passara para a mão, me lembrou os croquetes tão afamados.
Eu era muito prendada, não há dúvidas. Será que isso é bom?
Neste caso foi. Devolveram-me a receita dos croquetes que eu já esquecera, prova provada que valeu a pena. Mas acho que só neste particular...
Bem e agora já que estou de férias...também da cozinha, vou voltar à dolce vita. Ao fare niente...

Maria Rita - Novo Amor


segunda-feira, 22 de agosto de 2011

quebra o silêncio


Não quero promessas
Não quero apostas
Nem juras
Palavras vãs
Silêncios...

Olha-me
Como olhas
Se te procuras.

Acha-me no fundo dos teus olhos
E quebra o silêncio

Dá-me um sorriso,
E saberei que moro em ti
Dá-me um sorriso
E te direi
Porque moras tu em mim.

m.c.s.

a pitanga dos olhos azuis e doces






A doce Pitanga de olhos azul celeste, como o nome da minha mãe.

pitanguices

Quando não está a dormir, na higiene gatal, a alimentar-se ou com o amoque, perseguindo fantasmas em correrias loucas, ( dizem que os gatos vêm coisas que os humanos não vêm ) a Pitanga está o mais perto de mim, possível. Que às vezes até atrapalha.
Raramente a chamo. Porque não é preciso. Ela instala-se. E eu deixo se não me incomodar muito. No caso aqui, instalou-se em cima do braço direito, com uma posse atrevida e muito do abusada. E se quis continuar a teclar tive que a gramar até que, por ela, abandonou o descanso, para mais uma das loucuras a que se dá, talvez quem sabe para ficar em forma física e não perder a elegância.

a preguiçosa e gatíssima Pitanga

fotos tukayana.blogspot

Já não passo sem a Pitanga. A gatíssima Pitanga.
Troco pessoas, algumas, pela minha linda e preguiçosa gatinha. Falo dela como falo de pessoas. Falo com ela como falo com pessoas e nem que não me responda ( às vezes responde mesmo ), faço como faço com as pessoas. Dependo dela como ela depende de mim. Dou comigo em sofrimento por a deixar sozinha muito tempo. Sonho que me foge e nunca mais a vejo. Se não vem ao meu chamado temo pela sua vida e corro a casa toda à sua procura. Gosto de estar sentada ao computador a olhar para ela dormindo no sofá ao lado. É o caso. E fotografo-a mais do que as fotos que aqui venho postar. Estas foram as poses de uma gata, de nome Pitanga, a gata má linda do mundo e arredores, preguiçosamente descansando ao fim da tarde.

domingo, 21 de agosto de 2011

viagem de domingo

foto tukayana.blogspot Não escolhi andar de comboio, de autocarro, de metro ou de eléctrico. Foi uma saída, a única, para não me deixar em morte lenta dentro de casa, até definhar completamente de tanto andar às voltas, pelo meu pé e pela minha cabeça.
Tenho muita culpa. Mas não tenho a culpa toda. São opções, imposições, prioridades, cobardias ou desvalorizações, na falta de opções. E aqui estou eu sem conduzir.
É domingo e tenho um encontro marcado para almoçar, por volta da uma.
Preciso de ir para os lados de Alcântara. Tenho várias possibilidades. É obrigatório ir a pé até ao senhor Roubado para o metro. Ou para o 36. Taxi está fora de questão, ainda que atravessar a cidade seja mais rápido ao fim de semana.
A manhã está encoberta e o tecto baixo e carregado. Sopra um vento fresco. No saco o biquini; sempre o biquini azul turquesa, e o pareo. Pode ser que dê para o estender, para me estender, na areia da praia. A praia e eu andamos de costas às avessas, desde que fui uns dias ao algarve.
Enquanto espero que o semáforo mude para verde, mudo de idéia. Decido ir de autocarro. De 36. É mais caro 70 cêntimos, e mais lento, mas entro na cidade e percorro-a. Vejo-a. Sinto-a. Vale.
A semana passada, uma amiga foi buscar-me de carro, para almoçarmos em Belém, num restaurantezito simpático de pitas/ quebab e outros, mesmo ali ao pé dos célebres pastéis de nata, a que ouvi chamar num sotaque de emigrante francês, de " natas ", mãe para filha no comboio Cascais/ Lisboa, quando passávamos por Belém, - amanhã havéramos de ir ali às natas, é perto e vais conhecer, aquilo é giro - e acabámos, eu e a minha amiga, às duas da manhã, a conversar em frente à minha casa e não fosse a polícia andar às voltas pelas ruas do burgo, com a sirene ligada como se andasse atrás de algum malfeitor, com a pedalada que estávamos para pôr a conversa em dia, e teriamos visto o dia surgir.
Chega o 36 para o Cais do Sodré. O outro que termina no Rossio levara as poucas pessoas que esperavam, na paragem.
Apenas 3 passageiros vêm de Odivelas. Uma velhota que vai à minha frente e usa um chapéu de inverno, preto. Uma rapariga negra que se abanica toda, num gingar de ombros e cabeça, ao som que lhe sai dos fones, e um indíviduo caboverdiano que segue atrás dela e que esteve a falar crioulo ao telemóvel, por isso sei que é caboverdiano. Veste uma camisa com motivos geométricos, preta e branca, e olha divertidamente para tudo com o olhar de quem gosta de cá andar.
Eu também gosto. É domingo e hoje não tenho a viagem de volta ao tarrafal ( ribatejo ). Lisboa é linda e calma nas manhãs de Agosto. Zeca Baleiro canta-me ao ouvido, à flor da pele, e apela a que cante com ele e me arrepie na melodia. Gosto de subir a calçada de Carriche e chegar ao Campo Grande, vinda por dentro do Lumiar. Vê-se coisas que de automóvel nem percebemos. O lago do Campo Grande está triste e desprezado. Já não se vêem gaivotas sendo pedaladas por pais, nem as crianças gargalhando felizes. Apenas duas adolescentes, na relva, jogando um ténis de trazer por casa, ou seria badminton?
Ainda não entrou nem saiu ninguém do autocarro. No Monumental, pára, nos semáforos. Paulo Flores inicia o seu Poema do Semba. E eu que já estava à flor da pele, perante este " é a voz que me faz suportar, orgulho em ser angolano...o semba, semba é nossa alegria, é nossa bandeira, é esperança, é amor...", fico com uma lágrima no canto do olho. As manhãs frescas e tranquilas dos domingos na cidade que eu gosto, me faz sentir que também pertenço aqui. Não me falta nada neste momento. Já tive momentos assim, muitos, e sei exactamente o que é isto. É um tempo consciente de breve e efémera felicidade. É esse pequeno e sentido momento em que como um polícia sinaleiro no trânsito, manda parar o tempo, como que num intervalo. O descanso do guerreiro. Estranhamente, este sentimento tão profundo, acontece em viagem. Algumas viagens. O sô Santos surge nas minhas lembranças. Não conheço ninguém que sinta as viagens como ele. É... Ele era feliz, nos domingos a caminho da praia, lá para as bandas da Corimba ou Morro dos Veados, quando distribuia por todos nós, rebuçados de mentol que saiam dos bolsos cheios de vontade de ter a família feliz. Ou a caminho da Barra do Kuanza. Ou à vinda da Barragem das Mabubas, com paragem no Cacuaco, nas marisqueiras cheias de gente, que ouvia e dançava nas tardes dançantes, ao som dos conjuntos musicias da cidade. É... Pensar e viver domingo em alegria é lembrar a minha família quando todos eram viventes. Quando todos eram felizes porque não sabiam que um dia a felicidade tinha de ser inventada, recriada, construída, fora de Angola.
Entra agora Coldplay a dizer-me " Don't panic " e mais uma vez em viagem por esta Lisboa fora, a caminho do Marquês de Pombal, eu me vejo na minha primeira viagem de 7 horas a caminho de Luanda, ao fim de 33 anos, ouvindo esta banda fantástica que as minhas crias viram ao vivo e me fizeram ouvir e gostar tanto. Don't panic, sabe-se lá porque razão, talvez porque era a primeira vez que voltava a Luanda depois da partida em 1975, e porque era um desafio a mim própria pelo contexto em que voltei, don't panic calou, ou melhor gritou, ecoou, fundo em mim e ficou para sempre como a música da minha viagem a caminho de tocar o céu com a ponta dos dedos.
Rapidamente vôo na imaginação e quando dou por isso já desço a avenida da Liberdade. Deixando o Marquês para trás, com o seu movimento de autocarros vermelhos de 1º andar descapotável, apinhado de turistas desejosos de verem a cidade do alto do percurso escolhido para turista ver. Não sei se vê e gosta. O ano passado eu armei-me num deles e tentei gostar. Não gostei. O motorista parecia ir apagar um fogo qualquer, nada que se parecesse com os percursos semelhantes, que fiz em Paris e que me permitiram ficar com uma idéia do que era a cidade luz.
Junto aos Restauradores o cenário é diferente. Muitos são os turistas, de calções, havaianas e pele côr de camarão cozido. Mapa na mão e sorriso desenhado, no rosto. Junto ao elevador da Glória são mais que muitos aguardando que este desça. Eles nascem na baixa como cogumelos, neste Agosto estranhamente diferente pelo tempo e pela mudança. Será a troika culpada disso? Haja quem responda, porque eu não falo de política.
A minha viagem está quase no fim. Rossio, rua do Ouro, praça do Comércio, largo do município e finalmente Cais do Sodré.
O sol dá um arzinho da sua graça. A cidade é linda, está linda e não percebo porque razão há quem não goste. E não perceba que eu goste. E diga que se cá estivesse ia-se logo embora.
Cheguei. Daqui vou encontrar-me, para almoçar, com uma pessoa linda e que amo de paixão.
Junto ao mar...ao domingo, se estou de férias, o dia é perfeito.