segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Adriana Calcanhoto - Uns versos

nem outro sol nem outra lua

Eu acho que a Pitanga cada vez gosta mais de mim. A sério. Acho mesmo.
Eu tenho a certeza que gosto cada vez mais desta gatinha que me entrou pela casa dentro há já um ano e me foi conquistando de mansinho. Hoje já me tem completamente rendida. De tal forma que em vez de ficar na minha casa do Olival a dormir, voltei para Torres Novas depois de um dia de trabalho e uma viagem à capital ao fim da tarde para tratar assuntos inadiáveis.
Estava lá e a pensar que ela precisava do areão limpo, água substituída e comida no prato...e da minha companhia, claro. E pronto. D. Pitanga ganhou. Lá vim eu a toque de caixa para o tarrafal.
A ultima dela é pedir-me colo. Verdade, verdadinha.
Senta-se ao meu lado no sofá. Depois olha para mim e com a pata estendida,toca-me o braço. Eu digo-lhe: Vem bebé, vem para o colinho.
Ai Pitanga de uma figa. Salta-me para o colo como se não houvesse amanhã.
É, eu acho mesmo que a Pitanga não vê outro sol nem outra lua...

rezas e mezinhas

Figas canhoto, que a dor de cabeça não me passa que mais parece mau olhado...
E não tenho quem me reze o quebranto. Tenho azeite, prato fundo, faca para cortar o mal e água.
Sei até ordenar cada material destes, falta-me é a reza. E se falta a reza falta tudo. O que é que eu faço para que a maldita dor de cabeça desapareça?
Bem sei que preciso de dormir. E de me acalmar.
É que pareço uma mosca morta, pachorrenta e calma. Mas é um engano. Tenho o coração ao pé da boca. E os nervos à flor da pele. E há quem diga que o mal de inveja mata. E eu tenho dias que me sinto quase moribunda. E não acredito que a minha vida meta cobiça.
Se dela soubessem não a queriam nem dada...
O que sei é que esta dor de cabeça que me doi os olhos, lateja o nariz e parece que os olhos saem das órbitas, não me passa e eu não sei de curandeiro que me dê uma mezinha ou me reze o quebranto.

que enjôo

Trago da minha viagem para torres novas, uma dor de cabeça que há muito não tinha igual. Doem-me os ossinhos todos sem conseguir perceber o que doi mais. E estou num enjoo que só Deus e eu é que sabemos. E nem uma água das pedras, um compensan ou a bebida de aloés para me aliviar os interiores.
O sr. motorista entendeu por bem que o mais conveniente era sintonizar o seu rádio na estação dos relatos de futebol. E se o entendeu, melhor o fez.
O Benfica contra o Naval. E chegaram os golos. E a voz do locutor tornando-se cada vez menos suportável e eu a ligar pouco ao resultado do jogo. E nao é normal eu enjoar com futebol, mas à força de ouvir ao longo dos anos as crias reclamarem até ao vómito, assim que entravam no carro, a voz embirrante do locutor relantando esse desporto rei que é o futebol, eu fiquei também com o mesmo sentimento e sentir. Abomino jogos de futebol relatados quando vou em viagem.
Ao chegar ao meu kimbo e depois do Benfica ter marcado quatro golos, grande avaria, ao Naval...julgava eu que finalmente tudo se normalizaria, eis senão quando surge outro jogo. O Porto contra o Portimonense.
Mais não, senhor motorista, por favor dizia eu em silêncio mas gritando medos de enjoar até ao limite porque diga-se de passagem, como é que se aguenta um jogo do Porto num desafio Norte Sul, depois do Benfica ter levado cinco na pá? E rolando num autocarro estrada fora...
A minha salvação foi que felismente a viagem é longa mas não tanto, que torres novas fica ao virar da esquina e o Porto não teve tempo de fazer das dele que eu ouvisse e me enjoasse ainda mais.

domingo, 14 de novembro de 2010

devolvo

da Ima... Shalom!

rumo ao sul

Ainda não chegam os dedos das mãos e dos pés, para contar numa conta de subtrair, sempre a diminuir, diminuir, para finalmente rumar a sul.
Este sul. Cheio de mar e de sol. Da minha cidade.
Este sul, meu chão e meu povo.
E dizer num poema de felicidade: Terra à vista!
Tenho de memória a canção da ana moura, Rumo ao sul, e apetece-me cantarolar só a primeira estrofe. Tenho ainda na memória e no coração Muxima uamiê de helvio que me acompanhou na viagem última, num, eu vou, eu vou para perto de quem eu sou. Ou da primeira viagem de ajuste de contas num D'ont Panic dos coldplay e dançar-lhes as notas badaladas entre uns acordes e outros, debaixo da chuva que lá chove agora. Que é tempo dela. Como aqui, neste norte que perco quando me transponho num passo de gigante, num vôo de segundos, numa ansiedade que vai durar mais dias que os dedos das mãos e dos pés. O dobro. Para lá deste sul. Para terra firme. A minha.

compra e venda

Tive um tempo em que tinha dois pares de sapatos. Uns castanhos e outros pretos. E um casaco comprido e outro curto, de agasalho. E meia dúzia de peças de vestuário para o dia a dia.
No verão comprava umas sandálias, de preferência brancas. Ia à feira comprar t-shirts e aproveitava para escolher um saco que desse com tudo. Tinha um baton castanho e outro vermelho. Um dia punha um, outro dia outro e no terceiro misturava um e outro e fazia uma nova cor. O perfume tinha de durar seis meses. Um recebia no Natal e outro no aniversário. Rejubilava quando alguma amiga ia a Badajoz e trazia de presente uma colónia daquelas que era ao preço da uva mijona. Depois apareceram os artigos por catálogo. Compra agora e tens 12 meses para pagar. Fazia uma encomenda e quando esta chegava parecia dia santo, do tipo, é hoje, é hoje, tal o meu contentamento com os trapos novos.
Os livros que lia, ia requisitá-los à biblioteca e os que tinha eram oferta. As músicas que ouvia passavam nas cassetes que me gravavam e os discos que possuía, oferta eram.
Praia via-a em Agosto, por 15 dias, fazendo campismo ou alugando casa das baratinhas.
A Lisboa só vinha para consulta médica. Desejava ter qualquer coisita assim que não fosse grave, que me fizesse viajar para a capital.
E o Continente e o Colombo foram uma revolução nas minhas rotinas.
Longe vai esse tempo. Embora o longe se faça perto. E tenho um palpite que ainda vou voltar às feiras e aos catálogos, tal vai o (des)poder de compra que aí chegará. Digo eu que não sou bruxa nem aprendiz de kimbanda.
Dessa época que durou anos, ficou-me algo delicioso. O gosto pelo namoro. Eu sou muito namoradeira das coisas que gosto e quero para mim. E os meus olhos gostam de coisas bonitas e saborosas.
Uma montra que visse, que veja, e que tenha nela algo que gosto e quero, é visitada por mim as vezes que forem precisas até comprar ou ver o espaço vazio da venda a desconhecido. Gosto desse flirt. Desse piscar de olhos nem sempre correspondido. O ritual da coisa. Acho que herdei isso do meu pai. Acho se calhar que herdei isso porque sou Caranguejo.
Gosto de feiras. De qualquer coisa. Nem que seja de couves, alfaces e nabos. Mercados. Lojas. Armazéns. Supermercados. Lugares de venda. Gosto de passear por entre as prateleiras. Os produtos animam-se de vida e animam a minha vida. Gosto de ver as frutas serem vendidas na beira da estrada. Laranjas do Pafarrão ou Carregueira. Cerejas do Fundão. Ou batatas de S. Martinho do Porto. Cavacas das Caldas. Pão do caco da Madeira. Mangas, tambarinos, maçãs da índia, mamões, cocos, cajús de Angola.
Penso que não são reminiscências do passado. Apesar dos pesares tive sempre o suficiente.
Mas como gosto de andar às compras!...
Não é consumismo. Gosto de me passear nos lugares. E namorar...
Gosto do supermercado do Corte Inglês. Das prateleiras dos produtos naturais. Dá-me uma vontade de encher os carros com as sojas, as aloéveras, os ómegas 3, as barras, as sobremesas, os bolos secos.
E os cremes naturais. De baba de caracol ou rosa mosqueta, tão na moda. E acreditar que se acabam as manchas, as rugas, as estrias ou as celulites.
Faço-lhes aqui um namoro cerrado, quase que de oito em oito dias, e cada vez experimento um produto, nem que seja um iogurte de soja ou um leite de arroz e aveia.
Tenho pena que não haja um casamento longo e duradoiro com estes lugares e produtos.
Por outro lado algo me diz que o encanto está no namoro. Na impossiblidade de pôr para o carrinho tudo o que desejo e com que sonho.
Mas juro, até gostava dum totolotozito para tirar a prova dos nove. Sim porque com os humanos já sei que vale mais um namoro condicionado, mas eterno.
Ontem fui às compras. Ao supermercado do Corte Inglês. Menina dos meus olhos. E podem não acreditar mas vim de lá consolada. E só trouxe comigo um iogurte de meio quilo, de limão, de soja claro.

menos cara de pau

- Temos meia-hora para chegarmos ao Corte Inglês.
- Para quê? Por acaso preciso de lá ir, tirar fotografias.
- Para irmos ver o único filme que agora quero ver, se quiseres.
- Qual?
- A Troca.
- Então vamos.
- Fotografias para quê?
- Para o Visto.
- Então vá. Estás pronta?
- Falta pôr baton e pentear-me.
E fomos. E vimos o filme, comendo pipocas e bebendo cola, como quase sempre. Jennifer Aniston, linda também como sempre. E interpretando belissimamente. Só para a ver representar, já vale a pena ir ao cinema e escolher um filme onde ela seja a protagonista.
No fim, subi ao piso seguinte para mais uma vez e à semelhança do ano passado tirar fotografias a la minute.
Disse que as fotos eram para visto em passaporte e como tal que agisse de acordo.
A senhora fez-me entrar num cúbiculo mal amanhado onde nem sequer um espelho existe para a gente antecipar a desilusão da imagem de luz e apontou o banco velho.
Muito senhora do seu nariz disse que teria de tapar o decote com o lenço que trazia ao pendurão.
E acrescentou em tom muito profissional:
- Não pode inclinar a cabeça. Tem de olhar de frente. Levante o queixo e olhe para a objectiva.
Sacana do poderzinho! Basta uma máquina na mão a decidir o meu rosto e já se empertiga a voz num comando antipático e prepotente.
Apeteceu-me deitar-lhe a língua de fora, puxar as orelhas para baixo, revirar os olhos até os entortar, meter o dedo no nariz e num nanananananã, toma-toma, deixá-la a mandar bitaites para os da rua dela.
Em vez disso, olhei para onde me disse, puxei o queixo para cima, arrebitei o nariz ( coisa que se esqueceu de dizer, claro ), e nem pestanejei.
Mostrou-me a foto. Horrível. Aquela não era eu. É o que faz andar ao mando de terceiros.
- Que horror! Nem pareço eu...
Ela riu-se num esboço a raiar o sarcástico, que juro, não gostei. Não há direito.
Deviam ser de cera, estas pessoas que nos dão vida para o papel brilhante e retangular das fotos de passe para documentos. Numa coisa rapidinha. A bem dizer, a la minute...
E mais uma vez, à semelhança do ano passado, esta situação suscitou-me algumas questões.
O sorriso dela era de comiseração?!
Será que só eu não vejo como sou?!
Mas então porque é que isto só acontece nas fotos de passe? Quer dizer, acontece mais nas fotos de passe?!
Uma vez no ano olho a minha foto e não me reconheço. Recuso ser aquele ovo estrelado, demasiado frito em azeite de má qualidade.
O que vale é que é apenas uma, a foto, multiplicando por quatro. O mínimo dos mínimos, portanto. Só são precisas duas, e as restantes, como já ninguém cola a foto em livro de autógrafos nem escreve quadras pirosas do estilo " casa-te com um coxo que um coxo também se ama, só a graça que ele tem de ir aos saltinhos para a cama...", lá terei que as guardar num daqueles sítios muito bem guardados da minha desorganização física, que não me desespera porque dizem que quem assim é tem uma mente muito bem arrumada, e atirá-las-ei assim para sempre para os perdidos e achados, sendo que serei dona de " uma branca crónica", que me impedirá de ter memória para ovos estrelados numa fritura que faz mal ao colesterol e à minha auto-estima.
Ai minha terra a quanto me obrigas! Quem dera cá o Visto, mais cara d'ovo menos cara de pau...

Luanda Mutamba apanhar taxi

sábado, 13 de novembro de 2010

Angola - Nanutu - Luandei

no vôo das avezinhas

O sábado à tarde é o tempo perfeito no meu calendário. Nesta agenda artesanal de que não me desfaço.
Voa de paz. Descansa e relaxa do cansaço. Adormece docemente na preguiça e sente os prazeres terrenos como se só existisse hoje.
E mesmo se o sol corre mais para sul numa berrida da nuvem que quer o seu outono bem cinzento e arrepiado, ele, o sábado é um galã e voa solarengo a par do sol, lhe fazendo uma finta, sem sair do lugar nem lhe dar confiança.
A mim, o sábado dá-me o vôo das avezinhas. Mo deposita nas mãos ansiosas. Me pendura nas suas asas e me faz sonhar o meu sonho prometido. Predilecto. Apetecido. Jurado que está escrito nos céus a cor de fogo, quais dragões chineses, cuspindo labaredas.
Olho o dia e ele me diz que já estive mais longe.
Falta pouco. Muito pouco para sentir o raio do sol tocando carícias na minha pele ávida, e pálida do inverno e num calorzinho gostoso e suado tocará a alma, tantas vezes penada e sedenta de luz e vida. Porque sol é vida. Como água. Pura e cristalina. Que corre no rio direita ao mar acompanhando esse sol que me vai alimentar, remédio para minhas dores, alimento para meus desamores.
Perante a idéia pequenina e mal confessada, do vôo de sábados e sábados acumulados e tão sonhados, num bater na madeira três vezes que o diabo seja cego, surdo-mudo, careca e tudo, e não esteja para mim virado, só de pensar já sinto um coração a bater desalmado e ansioso. A estoirar rolha de champanhe, numa felicidade que só eu lhe sei de cor.
Hoje aconteceu-me:


Uma colega dizer-me que me comprara um garrafão de água. Porque eu pedira que ma troxessem sempre que se lembrassem. ( não dá muito jeito andar com garrafões de cinco litros de água no autocarro ).

Outra dizer-me que ia ao Lidl e que me traria os que eu quisesse. ( e trouxe mesmo ).

Um colega oferecer-me boleia para T. Novas logo às 5 horas e deixar-me praticamente em casa quando mora cerca de 3 quilómetros antes ( andou 6 para ir deixar-me a casa )

A minha amiga mandar uma mensagem de Luanda, a caminho do aeroporto para Oriente, para me dizer que os meus documentos já tinham sido enviados para o e-mail.

O meu amigo, à noite, ligar-me de Luanda para me dizer que os documentos ( físicos ) que preciso, vinham no vôo da noite para Lisboa, e me aguardarão nas mãos de outra amiga, amanhã quando ela acordar depois da chegada.

O filho ligar lá daquele país longe para saber como eu estou. Depois de ter comentado no blog.

Não me lembrei de jogar no euromilhões. Mas não me importei.
Preciso mais do gesto das pessoas.
E de telefonemas. Manifestações de amizade.
Preciso mais da harmonia de dias assim.

Hoje foi dia sim. Protegido pelo universo.

Sérgio Godinho e D.Kikas - Namoro

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

estrelinha

Estava à espera do autocarro que me levaria a casa. Tinha a informação que avariara e por isso teria que fazer a viagem no horário seguinte. Quase uma hora depois.
Sentada, entediada e cheia de frio olhava distraidamente para o céu que já escurecera.
Ando um pouco inquieta porque preciso entregar documentos na agência de viagens que está a tratar da minha viagem a Luanda, mas...o tempo escasseia. Precisava de apresentar a vacina da febre amarela e o passaporte, entre outros. Quanto antes.
Como vêem não conto tudo aqui. Ninguém deu por nada e esta situação tem-me tirado o sono.
Sou desorganizada. Numa desorganização mais ou menos controlada. Não deito nada fora. Acumulo excedentes desnecessários e por isso me desorganizo ainda mais. Procurei a pasta onde supostamente estava o passaporte e o boletim da febre amarela. Não a encontrei. Assustei-me e ralhei comigo, naquela coisa muito em surdina: És sempre a mesma coisa maria clara. Que parva, que estúpida, que desleixada. Se não conseguires ir a Luanda por causa dos papéis é muito bem feita, patáti, patatá...
Esta semana sabia que tinha de encontrar os documentos. Entrava em casa e não tinha vontade nenhuma de me pôr à procura. E num faz amanhã o que deves fazer hoje o único trabalho que tive foi o de tentar pensar nos lugares prováveis para ter guardado a pasta. Mãos à obra que é bonito, nada.
Estava à espera do autocarro que não chegava. Lembrei-me do homem que me abordou no Parque Eduardo VII por causa das nuvens vermelhas e lilazes que se viam maravilhosas num pôr de sol, de fim de verão a que chamou dragões chineses e de repente uma estrela cadente riscou o céu, também ele roxo e vermelho nesse fim de tarde.
Como sempre, ocorreu-me um pedido. Como sou exagerada, não fiz um, nem dois. Fiz três. E parei porque percebi que estava a fazer batota. " Protege-me meu Deus. Protege os miúdos. E a minha viagem a Angola." Pensei de imediato que são tretas e que embarco nestas coisas porque não tenho mais nada que fazer ou pensar.
Chegou o autocarro que me levou para casa. Aqui chegada, deu-me um sono semelhante ao que tive quando a filha estava para nascer. A fuga à dificuldade. Eu conheço-me bem e não me consigo fintar. Feito o que era necessário fazer liguei o computador e pensei na minha amiga Milú que me diz sempre que entregue nas mãos de Deus. E como era conveniente, pensei de mim para mim que Deus ia indicar-me o caminho que me levasse ao meu passaporte, porque a vacina da febre amarela tinha-a encontrado no dia anterior.
Levantei-me para ir ao meu quarto. E fui direita ao sítio onde encontrei o passaporte.
E juro, lembrei-me da estrela cadente e da minha amiga Milú. Lembrei-me de Deus. E agradeci-Lhe.
Por causa do passaporte e da vacina não deixarei de ir a Luanda.
E só me apraz dizer que o que vale é que ainda há estrelas nos céus. Pelo menos nos meus pequenos céus ainda vão brilhando, satisfazendo e cumprindo os meus sonhos.

bateu uma saudade

Hoje lembrei-me do Chico. E bateu-me uma saudade dos seus monólogos que mais pareciam conversas a várias vozes na cozinha, sua habitação no cativeiro. De cerca de doze anos...
O Chico veio pequeno. E trazia a gaiola e o nome. E foi uma oferta. Não a mim. Mas fui eu que fiz de mãe, pai, dona e até vilã.
O Chico ia de férias e cantava alegremente por essas estradas fora. E pendurado nos galhos dos dias de lazer que dividiamos com ele.
Os bichos da minha casa são especiais. Se calhar todos os animais são especiais. Mas os meus são mais especiais que os outros. São meus e eu adoro-os.
O Chico envelheceu e um dia deixou de cantar.
Fui eu que percebi que nunca mais cantaria.
Não sei porquê, mas hoje lembrei-me do Chico.
Ou será que no fundo eu sei?
É que bateu uma saudade...

postado no 8 e coisa 9 e tal

Morena * inteligente * serena * curiosa * incisiva
sagaz * cordial * convicta * genuína * tolerante
misteriosa * mordaz * assertiva * divertida...
De humor raro, que se faz de palavras poucas, e olho vivo.
Esta múltipla estranha-se, depois entranha-se.
Parabéns, minha querida!
Sabem de quem se fala?
Pois... Da minha cria.
E acham que fui eu que me pûs aqui a inventar características da sua personalidade? Coisa de vaidade, de mãe babada?! A armar ao pingarelho?!
Nãnãnãnãni.
Estas pessoas que escreveram no blog " 8 e coisa 9 e tal ", têm de jogar no euromilhões. Vão ter prémio.
Afinal conhecem a garina. Assim como a palma da mão.
Gente do blog, desculpem mas não resisti e copiei o vosso post para aqui.
Brigada por serem assim de uma simpatia tão cativante.
kandandu.

Paulo Flores- musica onde está Manazinha Angola -África

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

certeza

Um dia...
Não irei apenas visitar o lugar eleito do meu coração.
Vou acordar no cacimbo e sentir o cheiro da terra.
Sentar na tarde calma e ver o sol se pôr no horizonte.
Correr descalça na praia, por entre conchas e ondas.
Caminhar na terra vermelha barrenta e roubar de novo maçãs da índia de um quintal qualquer.
Olhar a lua se espelhar na baía em noites de lua cheia.
Esperar a madrugada e ouvir o galo cantar.
Dançar na chuva. Escutar as estórias de um antigamente que estive ausente.
Sentar na rocha, feita banco de pedra e ...olhar esse mar.
Só para contemplar. Só para acreditar que é verdade, verdadeira, daquela, juro por sangue de Cristo.
Um dia, sim! Um dia...aiuê, vou p'ra ficar.
No sonho, para sempre...

o meu Mar

O meu Mar. Poema... Sonho... Meu Porto seguro.

o meu chão

A terra vermelha da minha terra, feita meu chão