segunda-feira, 1 de agosto de 2011

atravessando o rio

fotos tukayana.blogspot







A travessia de barco, Arrepiado/Tancos.

passeando pelo ribatejo

foto tukayana.blogspotO rio Tejo a caminho do mar...
O castelo de Almourol, situado numa ilha, na Praia do Ribatejo, Vila Nova da Barquinha.
A foto? Tirada por mim, do cais de Tancos civil, onde existe uma esplanada à beira rio.
O dia? Sábado passado.
As pessoas que me acompanhavam?
O mano Zé, a Lurdes, a caçula e o Paulo.
Visitem esta região bonita do Ribatejo. Quem conhece, poderá rever a paisagem maravilhosa que os campos e o rio nos oferecem. Quem não conhece, gostará certamente de conhecer. Desde Torres Novas até à Praia do Ribatejo poderão conhecer a Ladeira do Pinheiro, onde está a basílica da santa da Ladeira, esta já falecida, mas que eu conheci em vida e muito bem, por motivos profissionais; depois o Entroncamento, a cidade dos comboios, Vila Nova da Barquinha, à beira-rio, que tem uma margem lindíssima, e um restaurante onde servem comida indiana e angolana, muito procurada, Tancos, com um cais para se fazer a travessia para o Arrepiado, na outra margem, Constância vila poema, muito típica e bonita, onde se faz uma festa bonita com as ruas enfeitadas de flores de papel e uma procissão no rio, de barcos de pescadores, todos engalanados, e onde existe um restaurante maravilhoso, da Maria João e do Dâmaso, o Remédio d'Alma, Tancos militar, praticamente abandonado e perdido na sua história militar do passado onde até aviões ali aterravam, e por fim a Praia do Ribatejo, com os seus palacetes antigos, o comboio a passar na ponte férrea vindo da Covilhã, e o rio. Sempre o rio. Se atravessarem a ponte para a outra margem, poderão conhecer uma terra muito bonita de nome Arrepiado, depois aproveitem para comprar laranjas muito conhecidas e saborosas que se vendem à beira da estrada numa terra de nome Carregueira. Chegarão à ponte que vos fará passar para a vila da Golegã. Se seguirem em frente poderão conhecer a Chamusca, Alpiarça, Almeirim, Santarém e por aí adiante até Lisboa. Se passarem a ponte chegarão à Golegã, uma vila muito especial, de quintas, agricultores, rio e cavalos. De tascas onde se comem enguias e fataça, e do restaurante da d. são, o Central, onde poderão comer o bife à Central que é muito melhor que alguns bifes que por aí existem e que têm fama que vem de longe. Também há o Barrigas onde apanhamos uma barrigada de comida com entradas maravilhosas, pratos fantásticos e sobremesas de se perder o juízo, a um preço bastante razoável. Justo. E há ainda outros mas como ninguém me pagou, siga a marinha. Depressa chegamos a Riachos, uma vila de Torres Novas que me diz algo, pois que lá apanho o comboio muitas vezes, a caçula lá se encontra instalada e até Pedro Barroso, o cantor que se diz ribatejano de gema mas que nasceu em Lisboa, ali tem um estúdio e ali vive. Para além de que, no tempo em que era funcionária na cidade do Almonda, Riachos era a maior aldeia da comarca e por isso me dava muito trabalhinho. De Riachos até Torres Novas, distam apenas cerca de cinco quilómetros, pelo meio há um centro comercial, no lugar de Nicho de Riachos, já fazendo parte da cidade, e pronto, eu estou em casa, quem for passear, conhecer ou rever a região, e não viver aqui por perto, entra na auto-estrada e pode ir a caminho do caminho que escolher.
Por fim gostaria de dizer que o
Castelo de Almourol é lindo. Eu já fiz a travessia mais do que uma vez da margem para a ilha, uma pequena aventura, muito engraçada. Não é todos os dias que se vai a uma ilha que apenas tem um castelo e arvoredo. Por isso vale a pena. Venham então passear à beira-rio. Num Tejo com características um pouco diferentes daquele que chegará a Lisboa para ali desaguar. Um rio que apanha o Zêzere em Constância, esse que ali perto da Barragem de Castelo de Bode, pertíssimo também, poucos quilómetros, até teve durante alguns dias um crocodilo ( yá, adorei curtir essa de crocodilos do tejo; tuga é confiado, que só ele ) que foi notícia dos telejornais e que afinal não passou de um peixe gato, com bigodes e tudo, mas não o peixe gato dos filetes do supermercado, mas um super, hiper, peixe que pesava cerca de 200 quilos, disseram.
Ufa!!! Acabei. P'ró que me havia hoje de dar!!!

domingo, 31 de julho de 2011

bom dia, meu príncipe

foto tukayana.blogspot


Uns perdidos para sempre.
Outros ganhos para toda a eternidade.
Uns longe, outros perto.
Uns que nunca partiram, outros que nunca chegaram.

Eu. Aqui.
No lugar onde tudo está nos seus lugares.
No lugar da paz.

Quero abraçar o dia, como um jardim perfumado abraça as suas flores.
Estou no lugar que escolhi e hoje sou feliz.

Sou mãe, sou irmã.
Sou mulher e cidadã.

Sou abelha rainha.
Bebo deste néctar.
São de mel os meus beijos.
O pólen transporto na brisa que chega até ti,
ausente que estás, de mim.
Tudo o que me dás, faz do meu dia, dias de alegria e muita paz.

Bom dia, meu príncipe!

TRACY CHAPMAN: THE PROMISE

Votos de bom domingo!!!

ainda as festas de Tomar e suas ruas enfeitadas

























fotos tukayana.blogspot

sábado, 30 de julho de 2011

Paradeiro - Marisa Monte & Arnaldo Antunes

haverá paradeiro, para o nosso desejo, dentro e fora de nós?

começando o dia

Hão-de chegar melhores dias. Tenho fé, pois a esperança é a última a perder-se, quando não está já perdida, o que não é o caso. Apesar das desconfianças, sou muito confiada.
Hoje é um novo dia. E é sábado. Mas como o perú eu ando nisto de véspera e tenho ainda o dia de hoje para exorcisar aquela viagem dolorosa, a pior da minha vida. Às quatro menos vinte da manhã, lá partimos num avião suíço a caminho de Acra no Gana. Éramos refugiados viajando na ponte aérea. Depois do pára, arranca que foi essa viagem, à hora de almoço chegava a Lisboa. Uma cidade completamente desconhecida. Só a 1 de Agosto chegámos a Trás-os-montes. Uma viagem de três dias nessa conta que deus fez e nunca percebi porquê, mas às duas por três, é mesmo por causa destas e de outras. Há 36 anos, quem saisse de Luanda com destino a Trás-os-Montes só ao terceiro dia chegava. Não ressuscitava, antes pelo contrário chegava mais morto que vivo.
E foi assim a minha morte lenta. Dolorosamente sentida, devagar devagarinho.
Esta noite, dormi mal. A cabeça a funcionar e o coração aos pulos. Como há 36 anos, alguém de meu, viajou a noite toda. E eu viajei no porão, olhando as horas à espera de uma mensagem. Nunca mais me passa. Nunca me passará. Estou muito melhor, o coração habitua-se porque o cérebro, um tirano, dá-lhe ordens e mais ordens, mas sei que nunca me passará. A Pitanga raspou o lençol com a pata. Com o calor que está, como é que esta gata se quer meter debaixo dos lençóis? Frescuras de gata mimada. Sem sono, liguei a televisão. O bando dos quatro, que eu gosto de ver, estava a começar. Uma aventura para os miúdos que já não acham piada aos desenhos animados. Porque será que gosto destes filmes? No meu tempo era só a Marisol e o Joselito. Não admira que a oferta hoje seja atractiva e estimule o que me faltou quando tinha 8, 10 anos. A Pitanga também gosta. Instala-se na minha barriga, olhando encantada para a televisão. Há gatos com sorte.
É sábado. Estou em paz. Está quase tudo nos seus lugares. Não fosse lembrar-me que foram horas e horas de avião a caminho de um destino que me pregou partidas e sustos nas esquinas dessa vida que eu não escolhi e seria um sábado perfeito. Na província. Apetece-me dizer assim na boa sem cuidado algum com a linguagem. Sem pensar que isto não é um diário...Yá! No Ribatejo. Nesta parvalheira.
Não. Não vou para a capital. A minha gente não está. O meu porto de abrigo hoje é um lugar que eu nem sempre gosto. Que repudio muitas vezes. Mas que é o possível dadas as circunstâncias. Não é segunda escolha. É a escolha. O campo. A casa. O mano Zé e a caçula. Afinal, a minha praia. A minha gente.
E agora vou bazar. Parece que não, que estou aqui cheinha de boa vida, mas não é verdade. Programei um dia muito intenso. Se o vou cumprir não sei, nem é importante, mas tenho imensas coisas para fazer. Logo se verá. Digerir o meu tédio, ansiedade e escolha já me dá muito que fazer.
Bom sábado para todos.

sexta-feira, 29 de julho de 2011

dia difícil de levar

Há dias difíceis. Bota difícil nisso, apetece-me dizer. Se isto aqui fosse um diário, hoje, eu ia dar uma surra nas palavras até exorcisar este dia.
A dificuldade está na nossa cabeça, dirão os sabichões destas coisas, que estão nos livros. Eu que não estudei estas conclusões, também acho. É uma intuição que tenho. Mas ainda assim, o coração deixa-se levar. Afinal, onde anda o meu coração? Bate-bate e torna a bater, por ele, por mim e por tudo o que eu amo, desprezo, anseio, sonho. Bate porque sou e por que não sou. Porque me alegro e porque me choro, e também porque me conformo. Bate rápido, bate lento que até acordo a pensar que vai sair pela boca ou que não está, já, a bater. Palpita, se agita e me prega sustos. Me sorri, mas não hoje.
Acordei na hora marcada. Enganei-me. Era para ser uma hora mais tarde. Quando dei por isso estava sentada no muro do tribunal onde estagiei. Onde trabalhei, muito. Onde jurei por minha honra cumprir com lealdade as funções que me foram confiadas. Onde ouvi presos e mais presos, horas e mais horas, noite fora, madrugada fora, de coração apertadinho. Onde conheci alguns magistrados, que ficaram para sempre no meu coração. Onde vivi a minha gravidez por duas vezes, e onde deixei de fumar dois maços por dia, assim num estalar de dedos num Maio de 1985. Onde o tempo passou por mim e eu nem dei pelo tempo.
A Noémia é que me viu. Ó, olha a Clara!!! E eu levantei-me e fui cumprimentá-la. Devem ter passado uns 12 anos desde que a via ali todos os dias, bebia café ao seu lado no café da frente e falávamos muitas vezes. Ela era da conservatória. Sempre bonita mas mais magra. Muito mais magra. E envelhecida. Perguntou por todos. E voltou a fazer um Óoooooo desta vez escandalosamente surpreendente. Fomos beber café enquanto a minha colega não chegava para irmos então para alcanena. Quando a Noémia chegou junto de mim, estava eu a pensar que não tinha saudades do meu primeiro tribunal. Nem subi. Já não conheço uma grande parte da gente que ali trabalha e os que conheço estão de férias. Mas o edifício, esse fala comigo. Lembra-me coisas. O coração bate-me mais alvoraçado. Estarei eu para sempre presa ao passado ou estas coisas são assim mesmo? As paredes a lembrarem-nos. As escadas a chamarem-nos. O mastro da bandeira, a saudar-nos. A janela do gabinte do juiz, como sempre aberta a recordar-nos destinos, nas diligências fora de horas, fora de pagamentos de horas extraordinárias, dentro do espírito que existia naquele tempo. O cheiro. Os eternos cheiros a dizerem-nos que já ali vivemos parte da vida, que não podemos renegar. É o cheiro do que já passou, a querer misturar-se nas nossas memórias num compartimento que se chama saudade. A Noémia que chegou. E que foi igual à de sempre e que me fez ser a de sempre, mais do que a de sempre. Mais atenta. Mais presente. Mais livre. Menos culpada. Não fosse ali a casa da justiça.
Quando finalmente me despedi da Noémia que estava verdadeiramente contente de me ter visto deste jeito, ( que não vou dizer, porque posso parecer vaidosa ), e que me surpreendeu, porque não ser normal as mulheres serem assim umas para as outras, mas a Noémia sempre foi diferente e não deve saber o que é inveja, fiquei com pena de a ver partir ou de partir eu. Afinal não tinha saudades mas já ali ficava. Afinal aquela foi a minha casa anos a fio, aquelas foram as minhas pessoas, aquele foi o meu tempo. E hoje, há muitos anos também eu parti de outra casa. Aquela que era verdadeirmente minha. Talvez por isso estou mais sensível. Apesar da dificuldade estar na nossa cabeça o meu coração está pequenino e atrofiado.
O dia passou igualzinho ao meu coração. Às seis menos dez já estava pronta para regressar a casa.
O autocarro chegou. Desde que as férias judiciais começaram, somos menos. As minhas boleias estão de férias. O autocarro voltou a ser o meu transporte de manhã e à tarde. A Bélita já lá estava. Apressou-se a desocupar o banco para que me sentasse à sombra. Estava sem paciência para ela. Deus queira que não me diga nada, pensei, a fazer figas na minha cabeça que se fosse com os dedos, cusca como ela é dava por isso e levava a mal. Então a senhora perdeu a camioneta? Não. Vim mais tarde. Ah, eu bem disse a elas. A senhora tem o meu número, se estivesse atrasada telefonava ( como se ela atendesse; já precisei e fiquei apeada ), mas olhe que ainda disse ao motorista para esperar um pouco, veja lá que só saimos às 8,25. E ele foi devagarinho; quando deu a volta à rotunda ainda olhámos mas a senhora não vinha lá.
Valeu-me a chegada do autocarro. O motorista era uma daquelas criaturas que parecem ex-jogadores de futebol, ex-treinadores, claro com a excepção do Mourinho e do professor Queirós, evidentemente. Ex de qualquer coisa. Será que sou eu a alucinar ou este homem perde-se pelo presente como se tivesse ficado lá atrás? Será que só eu dou por isso? A figura de arrumadinho do século passado é tão escandalosa que não estranho, e até me diverte, pois que neste fim de dia, bem preciso de uma distracção. Um relógio amarelo, óculos de sol, emitação barata de uns ray ban, e nem um fiozinho do cabelo fora do lugar. - Vai para onde? Torres Novas. Viu-se nas amarelas para me tirar o bilhete, eu sei que é um embaraço para eles esta forma de adquirir o bilhete, usando o cartão, mas o contrato existe. Lá acertou com o bilhete e até esperou que eu lho entregasse já preenchido. Depois foi um ver se te avias que é uma pressa. A criatura pôs o pé no acelerador e só parava para as passageiras sairem. Surpreendente foi levantar-se a cada paragem para desejar boas férias às passageiras que vinham de Minde, e trabalham numa fábrica de confecção. A uma delas, até deu dois beijinhos, talvez a conhecesse. Cheguei mais cedo mas muito enjoada, dele, das passageiras que falavam pelos cotovelos nas férias que vão gozar, da paisagem, da música que saía do rádio ( estação local que provoca vómitos como os relatos de futebol em carro em andamento ) e confesso que até vinha enjoada de tanto enjoo junto.
Fiquei na garagem. A Pitanga fez-me ir para o centro da cidade à procura de lata de lascas de atum com camarões. Sim porque esta gata não faz a coisa por menos. Embirrou com o pescado com espinafres e mesmo com fome, não come. E dei comigo a discutir manias de gatos, com outro pobre de cristo que se queixava do mesmo que eu e não fosse a capacidade de me rir de mim própria e desataria num pranto, pois que jamais imaginaria que um dia o meu tema de conversa seria gatos, seus apetites e manias. Fui então a caminho de casa debaixo da torreira do sol e carregada que nem uma burra. É mesmo o termo. Uma burra que podia estar tão bem e anda para aqui sem poder com uma gata pelo rabo, estupidamente carregada, que as minhas hérnias um dia destes não gritam, berram e eu que não posso ficar doente não saberei resolver isto, pois quando assim foi até tinham de me vestir, que eu não era capaz de o fazer.
Todo o caminho fui a pensar na minha sina, tão cheia de pena de mim, mas tão cheia, que a minha sorte foi não me ter cruzado com alguém. Malvada terra! Como é que eu não me cruzei com ninguém capaz de ler no meu rosto o desalento, a saturação e a necessidade que tenho de ir embora?
Hoje não é bom dia. Hoje é um dia de partidas. E de chegadas. De viagens.
Mas eu não parto nem chego. Espero. Sentada. Aborrecida. Inconformada. Espero que outro dia chegue. Talvez mais apaziguado
. E que não esteja assinalado como um dia que me tornou uma pessoa menos feliz.

NBC, Bem vindo ao Passado!

saudade de ti

foto retirada do google Não é preciso dizer adeus, para conhecer a dor da minha alma.
Nem ficar a olhar o caminho que deixei para trás.
Nem lenços brancos acenando, nem abraços e beijos finais.
Nem palavras de conforto. Palmadinhas nas costas e piadas de última hora.
Não é preciso dizer adeus para conhecer a dor da minha alma.
Nem partir para me doer a chegada ao desconhecido, temido e culpado.
Não é preciso morrer para me sentir moribunda, longe.
Parti. Há 36 anos. Parti hoje. E deixei lá o meu coração.
Tenho um nó no estômago, uma lágrima dependurada e a alma ferida.
Não há coisa alguma que se chame saudade que doa tanto em mim.

recriando

partida do tempo ( II )

Houve um tempo generoso
semeado, de cristais
nos canteiros de rosas amarelas,
quais lágrimas brancas suspensas,
brilhando,
nas manhãs orvalhadas de cacimbo
E de palavras bordadas a oiro e prata
E de estradas de acácias floridas.
E de futuro, chamando por mim...
Houve um tempo
que eu não sabia o que era o tempo.
Onde é que ele está?
Perdeu-se de mim...
Há dias em que olho o tempo que se foi
Nostálgica
E vejo já o presente, partindo.
Sento-me a chorar,
no porto desabrigado,
Cais do meu desencanto,
Lágrimas negras
Que ele, o tempo,
louco por partir
Não tem tempo de enxugar.
Hoje, queria o meu tempo de volta
Para te sonhar,
e no tempo que é teu,
estar em tempo para te amar.

m.c.s 28.07.2011

Porque sou administradora móvel ( mês de Julho ) de um grupo poético, fiquei sem tempo para escrever, pois tenho que ler todos os escritos ali publicados diariamente e comentá-los, então resolvi recriar estes versos através do post, partida do tempo e publicar no grupo poético. Aqui está, para ficar registado.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Voyage, voyage - Desireless (belas paisagens)

A todos os que gostam de viajar...no sonho!

apenas um campo, duas atitudes

Descansando relaxadamente ao fim da tarde

Regando ao fim da tarde No Bom Amor, ao fim da tarde descansa-se na rede, eu, rega-se as plantas, a minha amiga Manuela. Como se está bem no campo!!!

o tempo partiu

Houve um tempo que me sobrava tempo. E outro, nem tinha tempo para pensar no tempo que tinha. Houve um até que o tempo era só calendário, de enfeitar a parede nas paisagens a mostrar mundo ou a equipa do Benfica, de Bela Gutman, perfiladinha, de encarnado e branco; Coluna, José Augusto, Germano, Costa Pereira, Águas, Torres, Simões. E eu desfolhava cada folha cheia de curiosidade. Era o tempo das amoras, vou dizer ao teu pai que já namoras. E das corridas de bicicleta que alugava no sr. Arlindo, nosso vizinho. A minha era encarnada e a da Fatinha, azul. Para dar sorte. Nesse tempo sobrava para a brincadeira e faltava para a matemática.
Houve um tempo que era tanto o tempo nas tardes longas e perfumadas da inocência que eu crescia ao sabor do tempo de então. Entre berridas e toca e foge. Mamã dá licença, quantos passos. Os de gigante é que eu gostava e os de caranguejos odiava. Odiava o caranguejo, o jogo e o menino que comandava o jogo. Voltar para trás nesse tempo era tempo perdido. Olha a triste viuvinha que anda na roda a chorar, anda a ver se encontra noivo para com ela casar...e vira o disco e toca o mesmo, que a pequenada gostava mesmo era de cantar e rodar na roda. Nesse tempo valia tudo. Ele era nosso amigo. Nos dava as mãos. E corriamos de mãos dadas, tipo irmão, do tempo quente, do tempo frio, do tempo de férias, do tempo de Março, do tempo de praia e do cacimbo, do tempo todo que tínhamos e que na preguiça que ele tinha para se esticar e nos esticar, nos sobrava para nos chatear.
Depois veio o tempo que nos abraçou o sono e nos acordou com o sol beijando-nos o corpo, cheio de truques desse tempo que ia chegar. E mesmo na chuva dançou na rua, e na lua cheia nos contou histórias dos sonhos que nos visitavam. Chegado o cacimbo, chegou a nostalgia de não sabermos o que nos fazia saudade. Nesse tempo ninguém falava inglês muito menos sabia o que era the end. Nem pensar, chegado esse tempo. Ninguém punha termo ao tempo interminável da existência. E quando o capeta no tempo morto de descanso, nos atormentava o sonho cor de rosa e o sono calmo e profundo, gritávamos pela mãe, pelo pai e faziamos figas, cruzes, canhoto, diabo seja surdo, cego, mudo careca e tudo, que éramos eternos, só os maus é que não.
Houve um tempo generoso que semeou cristais nos canteiros de rosas amarelas, como lágrimas suspensas, nas manhãs orvalhadas de cacimbo. E palavras bordadas a oiro e prata. E estradas de acácias floridas. E o futuro chamando...
Houve um tempo que não sabia o que era o tempo.
Onde está esse tempo?
Onde está o de agora?
Perdi-os?
Há dias em que vejo o tempo partindo. Sento-me a chorar, no porto desabrigado, lágrimas que ele, o tempo, doido por partir nem teve tempo de enxugar.
Hoje, queria ter um pouco de tempo para te sonhar, e no tempo que é teu, estar em tempo para te amar.

parabéns Ana Rita

Parabéns linda princesinha!

Votos de um dia muito, muito feliz, nessa cidade Maravilhosa, cheia de encantos mil...
Aproveita tudo.
Kandandu do tamanho do olhar de Deus.
Beijos no teu coração.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

She's Leaving Home- The Beatles

insólito, ou não

O insólito aconteceu.
Já não é a primeira vez. Que o motorista não sabe o percurso. Não estou a inventar nada. Hoje aconteceu algo caricato. Se fosse muito má língua diria que só neste país, mas não, que nos outros acontecem estas e outras também.
Um dia, de Alcanena para Torres Novas, a Bélita ( a marreta do lugar da frente ), assumiu os comandos e num dos seus papéis preferidos, de guia, generala e crítica, indicou todas as paragens ao pobre de cristo que ali caíra sem saber ler nem escrever, nem sequer conhecer o mapa rodoviário, se é que isso existe. A bem da verdade, porque confiamos, acreditámos que era motorista da rodoviária, mas só porque somos boas pessoas. Porque convenhamos, motorista que é motorista não tem de saber antes todas as voltinhas que a sua viatura dá, inclusive as paragens, até ao seu destino? Tem. Mas este não sabia. E por isso na rotunda do Limão Verde, pastelaria da saudosa D. Maria José, mãe da Margarida e do Nuno, onde ia diariamente e onde voltei a ir com alguma frequência, ( tem umas empadas de galinha, fabulosas ) o senhor motorista que me havia estranhado quando lhe mostrei o cartão, num gesto facial assim como que a dizer se fosse da minha terra: Xeeeé, esse cartão aí quer dizer mesmo o quê? olha só a banga!!! Essa chipala não é você, pxxxxxxxt, pópilas, agora tás kota, madiê!, mas como estava a dizer, claro que o sr. motorista não teria a petulância de me observar algo semelhante mas que achou meio esquisito, achou, pois a foto de passe tem à vontadinha 15 anos menos, 15 rugas menos, 15 quilos menos, e quando me vi às voltas à rotunda como se estivesse na feira no poço da morte ( nunca andei ), ou nos aviões ( aí sim ), pensei para com os
meus botões: este gajo é parvo! querem lá ver que o batido me vai azedar o estômago? Pois o senhor motorista achou concerteza que enquanto andava às voltinhas do malhão, ganharia tempo para que alguém, uma Bélita da vida, o orientasse. E claro que a nossa estimada e cusca Bélita imediatamente, à semelhança de outros carnavais passados e os que ainda hão-de passar, porque uma vez assim, para sempre assim, com a voz aguda e irritante, mais uma vez, como da outra, há muito tempo atrás, tomou as rédeas e a partir dali e até sair de torres novas, nunca mais se calou. Ah grande Bélita! Ganhou! Agora percebo porque ocupa o lugar da frente, sempre, faça sol ou faça chuva. O sonho da Bélita será ser motorista da rodoviária. Bem sei que aos fins de semana se senta nesse lugar da frente, no seu papel muito assumido de guia encartada mas não doutorada. " Não tenho o curso mas tomara muitas dôtoras terem a minha competência " A Bélita é guia nas excursões de trazer por casa, como por exemplo, para o Algarve, descida do Douro, ao Minho, a Gibraltar e outros destinos em grupo, e fala do seu trabalho com tanta importância que nos olhares trocados na camioneta, adivinho alguma censura e quem sabe até alguma invejazita dela por não circularem estradas fora, por não se divertirem e não ganharem uns cobres mais, o que é sempre bom para engrossar o ordenado magro que devem ganhar nas fábricas agonizantes que alcanena e arredores ainda têm.
A Bélita não me parece importar-se com o que pensam dela, ela é, o que se pode dizer, mais ela, e cusca e autoritária como é, não me admirava que fosse mais competente como guia, que algumas dôtoras que por aí existem.

que beleza!!!



Os presentes que ainda recebi, do meu aniversário...
Até parecia o Pai Natal a dar-me as prendas.
Quem tem gente assim que nos dá o que não esperamos, tem tudo, quem não tem, pode ter também, mas não é a mesma coisa.
Na mouche!
Obrigada, Lindos!

terça-feira, 26 de julho de 2011

até sempre Amy

Foi hoje a cremação de Amy Winehouse.
Paz à alma da mulher possuía uma voz tão poderosa, única e singular, que será imortalizada através do legado que deixou.

parabéns Susete

Minha kamba Susete, apanhaste-nos. Agora todas nós, o grupo do liceu que caminhou junto durante muitos anos e que nunca mais se perdeu de vista, temos 56 anos. Coméquié amiga? Tá-se bem? Yá. Tasse.
Se estivesse ao pé de ti hoje, juro que ia desencantar um mil folhas ( russo ) para soprares uma vela como fizeste há muitos anos atrás, no outro século, nas Caldas da Rainha, num gelado Vianneta, enquanto eu, a minha família, a kamba Milú, a Mimi e outros amigos te cantávamos os parabéns.
Xeeeeeé! Estou com saudades tuas, kamba.
Tem um dia muito feliz, junto da tua família linda, alegre e extensa.
Beijos no coração.