terça-feira, 15 de junho de 2010
flash mob...ou não
vai correr tudo bem, vais ver.
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Mais isso...

gesto
Estendendo o braço para mim e abrindo a mão onde tem duas nêsperas.
Não, muito obrigada. Digo sorrindo. Abrandando o passo.
Ao lado, no banco de pedra onde está sentado, dois ramos de nespereira, carregadinhos de nêsperas.
O homem, de cabelo todo branco e barba grande, da mesma cor, encolhe os ombros e olha de novo as nêsperas. Volta ao seu mundo, que não conheço.
Por um instante, um segundo, fiz parte deste mundo delicado e generoso. Puro.
E segui o meu caminho com a imagem do gesto encantado, de um deus que me afagou logo pela manhã.
segunda-feira, 14 de junho de 2010
A voz
Nós que até gostamos de vozes. Mais do que do resto da matéria.
Às vezes a voz diz-nos que deve calar-se. Que fique muda.
Para percebermos que a nossa felicidade existe quando as vozes se calam. Ainda que bonitas.
Ainda que num português correctíssimo e bem articulado. Com as palavras certas, os vocábulos escolhidos. O tom adequado.
Às vezes basta que pressintamos ouvir a voz e já somos infelizes.
Uma voz culpada, monocórdica. Antiga e com um não sei quê de arrogante com laivos de insolência. Uma voz grave como grave fica o diálogo. E triste. E decadente.
Hoje a voz deixou-me tristemente triste.
O pior é que esta voz, não tem voz activa.
Mas como não há nada mais triste do que uma voz desactivada, fico sempre irremediavelmente triste e infeliz no desesperado propósito da voz.
querer
Birras
Hotel Vitória
dueto

domingo, 13 de junho de 2010
1ª parte do desfile
Em noite de santos populares
Festas de Santo António
E comi as tradicionais sardinhas. Só três. No pão, que é uma forma de as comer que não estou muito talhada para isso. Não por snobismo mas porque preciso de tirar a pele e comer apenas os lombos, tem de ser de faca e garfo, senão não passam de três. E eu como muitas mais...
Bob Sinclar - World, Hold On
Ao domingo à noite não há o que salve a honra do convento. Mas há tentativas. Muitas. Apesar do corpo fazer finca pé junto dos afetos e a alma se debater com a idéia de voltar para uma semana no Ribatejo. Não há quem se conforme, sobretudo quando se deixa alguém de quem se gosta tudo, doente...
Ouve-se esta música e recua-se no tempo. Férias no Algarve. A música do Verão 2006. A puxar o pé para a dança. Para a noite e seu encanto. A semana, para mim, vai ter apenas quatro dias de trabalho. Vou gozar dois dias de férias. Vou ver o mar...e ficar quatro dias. O mar que é mais azul e mais mar que os outros que conheço, aqui neste mar de todos nós que aqui vivemos. E perante essa idéia, descomprimo deste fim de tarde de domingo. Depois, a Pitanga aguardava-me impaciente e os fantasmas dão lugar ao prazer de gozar da sua companhia e protegê-la. Ouvindo esta música a fazer lembrar, para sempre, férias, já me sinto quase lá, gozando da liberdade de fazer o que me dá liberdade.
Prece ao Santo António

Abraço uma história bonita. Romântica. Faço parte dela. E quero fazer sempre, ainda que eu passe ao esquecimento. Sim. Posso ter mil anos, mil dores, mil esquecimentos, que será sempre presente.
Porque há mil sóis, mil luas e mil paixões, alguém olhou outro alguém e escolheram os dois ser felizes. E foram-no.
Quero escrever esta história, emoldurá-la e oferecê-la...aos que desdenham.
Aos que desacreditam.
Aos que desistem...como eu.
Quero acreditar também que outras histórias se constroem a partir desta. Ainda que não se repitam. Ainda que esta não seja perfeita.
Quero a perfeição imperfeita duma história de amor.
Dessas que já não existem...
Quero escolher ser feliz.
Ditos e Mexericos
E eu sou curiosa. Não me interessa a vida dos outros, gosto de perceber como são e estão os humanos. Por força das circunstâncias, oiço muita bacorada, desabafos, opiniões e curiosidades, no metro e na vida. Com pena minha nem sempre retenho.
Este fim de semana intervim e assisti a isto:
Mana...já estás em Lisboa?
Não, vou a caminho.
Ah!....Era para te convidar para irmos jantar.
Pois, para irmos comer, mas agora à séria.
A mana, ( eu, euzinha ) riu-se.
Pois, à Tasca...
De hoje a um mês faço anos.
Quantos são hoje?
12.
Falta um mês e tu lembras-te?
Todos os anos digo isto, neste dia.
Como é que te lembras?
Ontem foi 11, né? Nunca me esqueço da data de ontem e hoje falta um mês...
Um gesto em silêncio, como que um encolher de ombros.
O meu dia de aniversário é o dia mais importante da minha vida. Devia ter mais do que 24 horas, sei lá...
Rindo-se a outra disse:
Por exemplo, 48 horas. Não, uma semana.
Isso é que era!
A outra: Uma semana sempre a bombar, na festa...
Na Avenida da Liberdade:
Tou-ta dizer, a marcha é da música da Deolinda.
Qual Deolinda?
Aquela cantora nova.
Ah! Não é uma cantora. É um grupo que se chama Deolinda.
Não é nada. É uma gaja que se chama Deolinda, que canta aquelas coisas malucas que ninguém entende...
sábado, 12 de junho de 2010
intenção
Resvalando
Quando numa esplanada estão dois homens, bebendo cerveja pela garrafa.
Uns de muitos, da obra do lado.
Que todos os dias do alto dos andaimes, se esticam num vocabulário obsceno, deitando o barro à parede, prometendo fazer coisas que nem nunca fizeram, não sabem fazer nem quem passa quer que façam. Mas que mereciam que alguém mais ordinário ainda, lhes dissesse: Não fazem nada, pá, é só goela, venham cá abaixo ver o que é que eu vos faço a vocês...e lhes desse uma lição para a vida.
E, indo eu a caminho da minha vida e aproximando-me destas duas criaturas transpiradas e cheirando a esterco, oiço, vejo e quase sinto: eu gosto é das p....das morenas, eu gosto é das p....das morenas. Num relógio de cuco engasgado e fedorento. E obtendo a resposta: Eu também gosto de morenas, f..... , como esta. Eu fazia-lhe...
Jesus Maria!É preciso ter estômago e o meu é delicado. E os meus fígados também e de má raça. Contei até três e segurei-me a tempo. De ouvir uma mulher que veio ao encontro deles, de cerveja na mão, com um facis bastante denunciador de um alcoolismo em crescimento e uma voz enrolada e pastosa que lhe diz: Já estás bêbado, c....., não vês que a morena não é para os teus queixos?
Jesus Maria! Nem os da vuvuzela, de sábado passado me provocaram esta sensação. Que estes exaltaram numa alegria deles, incomodando pelo exagero e falta de civismo, não se metendo directamente com ninguém. Anjos, a bem dizer, ao pé desta escumalha.
Estes merecem um estudo qualquer, superior. E internamento. E cópias, daquelas que as professoras na primária mandam fazer de castigo. Eu sou...eu não sou...
Se soubessem escrever em cadernos com linhas e ler nas entrelinhas.
Continuei o meu percurso como se fosse cega, surda e muda, como me ensinaram. Não reagindo. Nem resvalando...
Não sei o que teria feito e o pior é que fizesse o que fizesse, seria mal feito e eu sei.
E sabe Deus...oh, oh se sabe!...
Contrastes

Sabem quando a rua onde passam está repleta de carrões de luxo e se intrigam?
Que diabo, de onde vêm todos estes ricos? E o que é que estão a fazer na cidade?
Isto é só tesos com capa de endinheirados, que eu sei...
E de repente, faz-se luz. A rua vai ter ao restaurante onde eu e a caçula comemos esta semana.
E gozo divertida, com a barrigada de fome e mau gosto que os pobres novos e também velhos ricos, vão apanhar.
P´ra comer pão molhado em azeite, francesinha a saber a cerveja, bife que mal cabe numa cova de dente e sobremesa trés chique dentro de um copo de licor, não é preciso vir à cidade do Almonda.
Mas se for caso disso há aqui onde se coma melhor, muito melhor. A Tasca por exemplo. Ah pois, mas a rua é estreita e não cabem lá os automóveis de luxo...
E há também todos os restaurantes de beira de estrada onde param os camionistas. Aí come-se bem e paga-se pouco. Mas pronto, quer-se dizer e a poeira que se come, não sei se valerá o gosto para o desgosto de fazerem uma refeição junto do zé povinho.
Vão olhar o quê? Assediar, quem? Botar charme para onde? Pavonearem-se com quem?
Tá bom, ganharam os donos do restaurante, os somíticos... e ganharam também os dos automóveis estacionados junto do restaurante sem nome, que não sei se tem, mas que não vai fazer nome no mundo da restauração, digo eu.
Porque afinal... neste mundo cabem todos os mundos, é só pôr o coração ao largo e ter boa imaginação. Apetite nem é preciso. Não dizem que quando se está bem até se vive do ar? Pois então...
Para a " Suze "
Que transformasse a palavra que espera de mim em certeza. E para cumprir.
Que confiasse como filha.
Que viesse pedir colo.
E já seja capaz. Como tantas vezes lhe disse. Dar para receber. D'alma...
E lhe citava os exemplos.
E tocou-me a sua voz dizendo num espírito livre que não evitou a lágrima quando ouviu uma música que eu gosto e ela também.
E se lembrou dos dias e dias, anos, que fomos juntas, no carro, depois do trabalho.
A s.p. cresceu. E eu assisti ao seu crescimento.
Fico feliz. Por ela.
Está pronta para uma nova etapa, profissional, também.
Último conselho. De hoje claro, que estou sempre aqui.
Quando os nervos estiverem prontos para te traírem conta até 10, 20...mas conta. Aplica-te na matemática e não deixes falar o espírito, tá?
Faz o favor de não meteres os pés pelas mãos e entrares com o pé direito na tua nova casa da justiça. Vai correr tudo bem, vais ver!
Força " suzeeeeeeeeee".
Estou aqui deste lado a torcer por ti.




