segunda-feira, 7 de junho de 2010

Os santos já estão à porta

Santos da porta não fazem milagres, dizem. Eu direi que os Santos já estão à porta. Para a semana, é Santo António. Começam a enfeitar-se as ruas dos bairros típicos e os seus restaurantes. Uma pequena amostra aqui está.
Santo António é de Lisboa e por isso os lisboetas e não só, convenhamos, preparam-se para viverem as festas populares com muita sardinha, muita bebida e muita alegria. E marchas populares.

Lisboa, hoje

Lisboa cheia de luz e beleza, numa tarde de domingo.

O melhor cachorro quente

Miradouro de S. Pedro de Alcântara. Ao fundo o quiosque. E no quiosque fazem-se os melhores cachorros quentes de Lisboa e arredores. A sério. Quem gosta de cachorros quentes, vá lá e peça um cachorro quente completo. De comer e chorar por mais. E quem não gosta, se provar, passa a adorar. Juro.
Chegam aos Restauradores, sobem no elevador da Glória, pagam 1,40€, é claro, e já estão lá...
E para além de se sentarem ao sol na esplanada, saborearem o belo do cachorro ainda têm uma paisagem soberba para admirarem, com o Castelo de S. Jorge e o Tejo mesmo à vossa frente.
Eu fiz isso e adorei. E ainda tirei umas fotos para mais tarde recordar.

Ascensor da Glória, hoje



O Elevador da Glória. A caminho do Miradouro de S. Pedro de Alcântara.

domingo, 6 de junho de 2010

A arte de dançar

Todos os domingos vejo na Sic, o " Achas que sabes dançar?" A dança interessa-me. Comove-me. Eleva-me. Faz-me sentir um ser melhor. É uma arte que admiro de paixão. Há vinte e muitos anos que estou perto de gente da dança, ouvindo-os, vendo-os aprender, executar e criar...
A minha cria mais nova, está na dança desde os cinco anos de idade. E nunca mais parou, licenciando-se. Continua em formação. Em França.
Hoje, à poucos minutos vi um par que me entusiasmou, mexeu comigo e me prendeu ao ecran mais do que os outros. Ele, chama-se Márcio. Na plateia estava a sua claque. Negros. Vários. Com a bandeira de Angola. E senti um arrepio na pele. E uma lágrima...emocionou-me o Márcio e o seu par. Emocionou-me a claque. Emocionou-me o ex bailarino da Gulbenkian, o jurado César, que lhes disse estarem 100% os dois, que o momento proporcionado fora um verdadeiro espetáculo tendo- lhes dado os parabéns.
A televisão também está de parabéns. A dança há muito precisava de dançar em português, na casa de todos os que ao domingo à noite exigem mais do que telenovelas. E os bailarinos que Portugal forma precisavam de mostrar que existem.
A dança precisa de ser apoiada e acarinhada.
É uma Arte. Maior. Um remédio d'alma. E quem a ensina, quem a executa, quem a cria, merece todo o nosso respeito e admiração.

Sou a verdadeira Pitanga

Quem sou eu? Quem sou?
Um pouco confusa com a luz que bateu nos meus lindos olhos azuis, fechei-os, mas não estou a dormir.
Digam lá que não sou uma GATA?
O meu nome é Pitanga. Dizem que é um fruto angolano. Da terra dela...que não conheço nem conhecerei. Não vou poder viajar até lá porque me barraram a entrada no avião do cabrito. E parece que nessa terra maravilhosa(????) há lá gente que faz espetadas com a minha raça. Credo, como é que ela fala tão entusiasmada duma terra que tem gente que não respeita os gatos? E mais...como é que tem uma amiga do peito, que eu sei, porque vou ler os comentários do blog, (eu estou quase sempre ao colo dela quando está na net, afinal eu é que sou amiga do peito), que não gosta de gatos? Quer dizer, de gatas?
Bem,vou mudar de assunto, porque ela tem uns amigos mais selvagens que eu e depois ainda cá vêm a casa com alguma pressão de ar e esfolam-me viva.
Mas agora que perdi a vergonha, e resolvi mostrar-me, ficaram a conhecer-me, embora não esteja no meu melhor. Aqui que ninguém nos ouve, eu sou uma gatona.
Hoje estou um pouco deprimida, e o meu pêlo ressente-se, porque não sei se sabem mas ela deixou-me quatro dias fechada em casa, a pão e água. Quer dizer, com umas latinhas de comida húmida, comida seca colorida e água. Deixou-me entregue à minha sorte e ao tio Zé.
Eu, que copio o mau feitio dela, para me vingar, remexi-lhe as gavetas da cómoda do corredor. Nã, não foi só a última, a dos pijamas. Passei para a seguinte. Bem feita, nhanhanhanhanha!
Mas a fúria entretanto passou-me, porque assim que a ouvi nas escadas fui pôr-me à porta esperando-a. Passou-me a mão pelo pêlo, que ela sabe bem o que me fez, e eu deixei. E gostei. E até já fui lamber-lhe as mãos e mordiscar-lhe os dedos. Tratou-me por pitanguinha, bebé, fofinha, meu amor, minha querida, e eu fui derretendo a raiva que lhe tinha. Ocupei-lhe o colo e recebi um cafoné. Vem mansa de Lisboa...correu-lhe bem o fim de semana prolongado. Ainda bem, não sobra para mim, porque quando sobra chama-me D.Pitanga, pergunta-me se quero levar com o chinelo e até já cumpriu. Nesse dia se não fosse cá por coisas, tinha ido queixar-me à comissão de protecção de menores em perigo...
Bem, bem, vou mas é calar-me. Não vá o diabo tecê-las. Já me alonguei muito, se calhar falei de mais, por isso me despeço. Foi um prazer aqui escrever.
Muitos beijos felinos e um abraço do tamanho do meu mundo e do dela.
Até á próxima. Ouvi uma conversa ao telefone e desconfio que vai haver uma próxima brevemente, com a caçula dela. Não quero levantar falsos testemunhos mas já cá me chegou e que remédio, vou ter que pôr os bigodes de molho de novo para me preparar para a solidão.
Xau, xau, miau, miau...

Meu amor minha flor minha menina - Zeca Baleiro

tempo do uálálá

Acordei com vontade de fazer um piquenique. Daqueles à séria. Porque eu sei o que isso é. E gosto de pensar que gostava, afinal de contas. Já não me lembrava que se fazem piqueniques. O tempo, as vontades puxando-nos para outros campos, outras praias e outras pessoas, apagam-nos a memória das coisas simples e bonitas como reunir à volta de uma manta, de uma toalha no chão ou numa mesa de pedra e bancos corridos e olhar as nossas escolhas, de frente mas sem jogar ao sério. Divertidamente. E falar, e contar histórias, e jogar às cartas, e ouvir música e comer.
Há piqueniques e piqueniques...
Os que se fazem junto ao mar são os verdadeiros encontros connosco, com os outros e com a Natureza. Digo eu que me estou a ver em preparativos. Véspera de domingo, à noite. De observadora apenas.
O pai matou o cabrito ou o leitão. Para o grande acontecimento que é ir passar o domingo à praia, debaixo dos coqueiros. Nas Palmeirinhas. Depois do Controle da polícia.
A mãe faz bacalhau albardado e prepara o tacho para o arroz de frango que fará assim que o sol raiar. O mano Zé brinca com os vizinhos Mário e Vitoca. A caçula anda de volta das saias da mãe e eu olho desanimada a gaveta do guarda vestidos. Comprei sozinha um biquini cor de vinho, lá na baixa, na Pereira Forjaz. Ficou-me no ponto. Queria exibi-lo, como se fizesse passagem de modelos. Da manta para a beira-mar. Da beira-mar para os coqueiros onde o pai, a mãe e o primo Fernando estarão a fazer uma sesta e esperando que a digestão se faça também.
Mas desisto do biquini. O pai não me deixa usá-lo. Que pouca vergonha! Onde já se viu? Filha minha de cuecas e sutien! Nunca, mas nunca, estás a ouvir? E eu mastigando as lágrimas, numa fúria quase descontrolada, que eu tinha o feitio dele, respondia entre dentes que um dia ia usá-lo e ele não poderia impedir-mo. Em silêncio jurava vingar-me da proibição. No fundo eu sabia que ele não me queria " provocadora " ( achava ele ), por causa dos " gabirus " e dos outros. Os adultos como ele, aqueles que eram do " puto " e que nos conheciam e que poderíamos encontrar nessa coisa descontraída que era passar o domingo à praia e fora de Luanda. O que o pai não queria era que eu fosse mal falada. Tudo por causa de um biquíni... Jesus, Maria!
Eu tinha forma de o usar. Na Ilha. Nas férias de Março, quando ia com a Fatinha Garnacho e a Dulce, à boleia da Marginal para lá. Nos mini-jipes, porque nós até escolhíamos o carro que nos daria boleia, bem arejados e visíveis dos outros, para o caso de correr para o torto e, não fosse o condutor ter ideias . Ou com o Borges da Cunha, o amigo professor de ginástica e comentador desportivo, que era de Nova Lisboa mas vivia em Luanda e tinha um Ford Capri com uma buzina espampanante, linda de morrer. Vingava-me do pai e desses piqueniques " fatelas " em que tinha hora para comer, ir para a água, e quer quisesse quer não, tinha de fingir que gostava de dormir a sesta. O mês de Março era de arromba e só não podia bronzear muito o rosto para que o patriarca nem sequer desconfiasse das minhas exibições na praia em frente à Floresta com gente da minha idade, livre e feliz, aprendendo a dar umas braçadas, o suficiente para não me sentir inferior perante um verdadeiro nadador, cheio de músculos e de energia e para quê mentir, rodeado de meninas bonitas como nós éramos à época. Também, ninguém tinha 16, 17, 18 anos. Éramos umas princesas e sabíamos disso. Insuportáveis portanto...
Mas o reinado, não funcionava nos piqueniques de domingo. Em família! Que piroso! Achava eu... O primo Fernando, que tinha um carro amarelo com uma risca ao meio preta, abria as portas, punha as cassetes a tocar e saía música do Roberto Carlos, Nelson Ned, Teixeirinha, Silvinho, Ângela Maria e a pedido, isso é que eu embirrava, fados. Da Amália Rodrigues, Teresa Tarouca, Alfredo Marceneiro, Tony de Matos. Vêm-me desse tempo, as letras todas de cor dessas músicas ouvidas ao domingo em regime de clausura mais ou menos consentida que era, e isso eu tinha direito, sentar-me dentro do carro, no lugar do pendura, com o braço todo de fora, na banga, dando umas baforadas do LM do Fernando, à socapa do patriarca e com consentimento da mãe e o silêncio do Zé e da caçula. O meu primo Fernando era divorciado e passava todos os domingos em nossa casa. Era um bacano, talvez mais velho que eu, uns 18 anos mas muito moderno e despreconceituoso.
Quando passava a hora da digestão do leitão assado, arroz de frango, bolos de bacalhau, ah pois, o bolo de bacalhau não podia faltar ( e eu que abominava todas aquelas comezainas ) e doces, era uma festa. Já eu estava na areia olhando o mar, lá longe, sonhando com uma vida livre e bonita, a vida que queria para mim e acreditando, e vinha a ordem da soltura anunciada pelo mano Zé.
Podemos tomar banho! Ufa! Finalmente!
Já toda a gente chapinhava na água salgadíssima fingindo saber nadar, gritando pelas picadas das alforrecas, dando mergulhos exibicionistas, boiando dentro das bóias pretas, enormes, ( câmaras de ar dos camiões), atirando água e areia aos outros...enfim, uma alegria. Domingo...
Ainda havia o lanche com coisas boas que a mãe fizera, o relato do Benfica, e depois a arrumação de tudo e a partida para Luanda. Se fosse cedo, íamos à Ilha dar uma volta. Mesmo até ao farol e depois rumávamos a casa.
Hoje, apetecia-me fazer um piquenique à maneira, tipicamente familiar, com raízes transmontanas e beirãs em terras de praias azuis e verdes, com biquini ou não, mesmo vestida até aos pés e fazendo tudo a que me negava nesse tempo áureo da minha adolescência em que vivia na minha terra, os domingos eram passados em família e tinha 16, 17, 18 anos talvez...
Estarei hoje a sentir-me velha ou apenas nostálgica? Se calhar as duas coisas...
É que entrei num tempo em que já não é senão o tempo do uálálá...

fecho

A praia fechando...
Gosto de ficar na praia quando ela é mais minha. No silêncio da terra e do sol.
E no mar murmurando palavras que não percebo mas adivinho. E as traduzo nas entrelinhas das ondas que a água desenha.
Gosto de ficar olhando dentro de mim, na esperança de levar comigo o azul suave e tranquilo para a semana em terras de serras e lezíria. Para os verdes de uma região que é terra e rio. E estrada a perder de vista e deste mar que me abre horizontes, nem que seja para mergulhar dentro dos meus sonhos e refrescar-me a alma.

pescando

praiando

No fim da tarde, de maré baixa.

Cascais

Na baía de Cascais...a lembrar os Delfins cantando a sua Baía. Muito bonita. a música e a baía.

aberração

bandeira amarela

sábado, 5 de junho de 2010

Tenham maneiras

Já cá faltava. A vuvuzela.
E o povo. O zé povinho que gosta de piqueniques no coração da capital. E do Modelo, da Selecção e do Tony Carreira. E de dar barraca colectiva, que é muito mais avacalhada do que a solo. Coisa de homem, mesmo quando a maioria é mulher.
Apanhei o 36 e sentei-me comodamente junto doutra criatura de Deus . Vinhamos juntas. Apanhei-o no Cais de Sodré. Quando chegámos ao Marquês, mais parecia as festas de Santo António antecipadas uma semana. O povo descia do Parque Eduardo VII em todas as direcções. MEEEEEEEEEDO! E não vinham sozinhos. Traziam bolas vermelhas, vuvuzelas, geleiras térmicas e bebedeiras. T-shirts vermelhas e cachecóis da selecção.
O 36 parou a seguir ao Marquês e subitamente o meu autocarro foi invadido de povo, mulheres, homens, crianças, velhos. Entraram como se não houvesse amanhã ignorando bilhete ou passe. Fazendo barulho, rindo despudorada e exageradamente, atropelando-se em busca de lugar, passando com as bolas de futebol, as vuvuzelas, bonés, bebedeiras, histerismos, mesmo a razar o nosso nariz.
Juro que eu já vi quase de tudo. Até porcos voarem...mas estava longe de passar por isto. Nem queria acreditar. Ao meu lado e depois de uma troca de olhares ouvi:
Eu nem vou dizer nada. Para não acreditar que isto é real.
Eu estava na mesma.
Este povo invadiu um autocarro sem pagar, violou-nos o silêncio e o bem estar e achou-se no direito de dar vivas a Portugal, mandar bacoradas sobre o Tony Carreira e comparando-o no charme ao Cristiano Ronaldo que tinham acabado de ver.
Um puto sentado no degrau do 36 tocava o hino nacional. As vuvuzelas faziam-se ouvir. Aliás faziam-me estremecer de susto.
As massas por muito previsíveis que sejam, podem ser perto de perigosas quanto menos se espera. Quando nas massas a percentagem é feminina, a parvoice é tão grande que me envergonha. Como se fosse responsável. Quando a mulher não conhece os limites da linguagem e deixa falar o espírito livremente fica uma coisa tão ordinária que só me ocorre que está tudo por fazer nesta ervilha que fala português e se dá pelo nome de Portugal.
Não consegui ser indiferente. Apeteceu-me levantar, de mão na cintura, afastar o homem que a menos de meio metro avançava para o meu colo, com as bolas que trazia num saco e um meio sorriso gorduroso, e fazer uma peixeirada muito maior da que estavam ali a fazer. Correr com eles um a um do autocarro, esvaziar as bolas vermelhas, amordaçar as mulheres, mandar parar o hino e os vivas a portugal e à selecção e deitar fogo às malditas vuvuzelas por quem nutro uma antipatia profunda.
Neste meio tempo, neste pesadelo que poderia ser hilariante mas que não passou de alguma estupefacção e desilusão, ouvi ao mesmo tempo que pensava mais do mesmo, que a vuvuzela era bem metida onde não brilha o sol. Ri-me com a observação..
De facto quando eu não vou ao encontro do problema, este vem ter comigo. Eu acho que é para que não me falte nada.
Fizeram-se apostas. Se o povo seguia para a nossa paragem ou se ficava pelo Campo Grande. Foram saindo aos poucos. Quando saimos já não havia povo no 36.
Hoje percebi que Modelo é igual a piquenique, igual a música pimba, igual a selecção, igual a povão.
Não sei se gosto desta combinação. Bem sei que isso é indiferente e não tenho de gostar.
Faço compras no Continente, muito raramente no Modelo, piqueniques, já nem sei o que isso é, talvez seja giro mas tenho que escolher as pessoas com quem vou estender a manta, música pimba e o sr. tony carreira, abomino. Da selecção, quem eu admiro é o Carlos Queirós que até nem marca golos e quanto ao povão, façam-me um favor, tenham maneiras, mas se custa muito, então, não tomem de assalto o 36.

fazer de conta


Porque é sábado, sei fazer de conta com mais propriedade. E sentimento. E sol e cor. E perfume...
Me invade a ternura das crianças e a saudade dos sofridos. E me sento na beira do tanque. Ingenuamente imagino os peixes vermelhos que deixei nessas águas que ficaram salobras, saltando numa alegria da minha aparição. Sei falar com os peixes. Lhes gabo as escamas brilhantes que o tempo não debotou. E os olhos... parece que se comoveram tanto que vejo uma lágrima cintilando. Choro também.
Trouxe comigo a fragância das rosas que o avô cuidou estes anos todos, mesmo quando se ausentou para Sul. As suas mãos eram abençoadas e predestinadas à criação. Até as mangueiras me agradeceram o suave aroma das flores preferidas do meu herói.
Gosto da sombra das mangueiras. Fresca e colorida de amarelo, laranja e vermelho. As cores terra da minha saudade. Me envolvo nelas. Sou filha da terra.
Sinto no peito uma doce sensação a espalhar-se e a dominar o meu espírito.
E ali, junto de mim e dos meus ascendentes, na beira da água fresca que não amareleceu, dos peixes vermelhos que não envelheceram, das rãs que não pararam o seu coaxar, das rosas que não murcharam, das mangas que esperaram por mim, respirando um tempo perfumado que não passou, me vejo querendo ficar. Assim, sem mais quês nem porquês.
É sábado. Não custa sonhar de faz de conta que sou feliz na simplicidade do tempo do tanque, me fazendo permanecer mas partir num oceano para navegar e descobrir ...

nacionalismo

despedida


Mais uma vez o mar entre nós.
Poderoso...mas não nos vence.
A nossa amizade ainda é mais!
Boa viagem...e boa aterragem.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Et Voilá!

Os teus planos futuros estão aí a dizer que podem ser possíveis e concretizáveis e eu estou radiante, por ti, meu amor.
Ainda que não te veja tão depressa.
Ainda que não te faça todos os doces e pratos preferidos.
Ainda que não possamos sentar, olhar nos olhos e conversar sobre tudo, sem reservas.
Ainda que não te dê o meu maior abraço. Aquele que não tem tamanho, onde cabem os abraços todos que dou e tenho para dar.
Ainda que o meu coração continue apertadinho e seja saudade.
Parabéns Lindo! És um dos meus orgulhos...
Bonne chance! Et Voilá...Toma conta de ti...

FUTURE PLANS - (excerpts)

parar o tempo

Ontem foi feriado. Dia de Corpo de Deus.
Hoje continua a ser feriado, e amanhã e depois...
A temperatura está boa. O sol que eu chamei todo o inverno chuvoso, está quente. A escaldar.
A fazer lembrar férias e praia. Toalha estendida. Saco que tem de ser grande, como eu. Um biquini a mais, para o que der e vier. A parte de baixo, pelo menos. Mp3, mola do cabelo, escova, saco com água, maçãs, livro, caderno, caneta, máquina fotográfica, pilhas, lenços de papel, óculos de sol, porta moedas, passe de metro, cartão multibanco, protector que acaba não sendo usado, eu sei, eu sei que faço mal, que mania de quererem ser mãezinhas e paizinhos, façam o que eu digo, não façam o que eu faço. Tudo a postos para uma manhã, uma tarde ou um dia na Linha ou na Costa. Eu e eu, sós. Eventualmente outra pessoa ou ainda outra. Chega. Gosto que seja assim. Dou um mergulho e viro-me para terra. Espiando a minha toalha. O inconveniente de estar sozinha...
Quando começo a cantarolar, estou no ponto. Relaxei. A temperatura da água está boa e brinco sozinha chapinhando e dando umas braçadas sem sair do pé. De costas, de barriga, como o Borges da Cunha, o amigo do Ford Capri, me ensinou, ali na praia em frente da Floresta, na Ilha.
Volto para a toalha e prossigo os meus rituais de banhista, adquiridos quando passei a ir para a praia por minha conta e risco.
Os africanos, carregados de saias, vestidos, saídas de praias, um cem número de bugigangas, insistentemente me abordam mas eu resisto. Quase nunca faço negócio à beira mar.
Os homens das tatuagens, acham-me com cara, quer dizer, com corpo para tatuar e até se ajoelham para que eu escolha a tatuagem. Confesso que...há uma parte do corpo que fica tapadinha, que até nem me importava de ver, e teria que ver com espelho, com uma bonita tatuagem. Só para ter...esta mania de ser atrevida.
Também há os engraçadinhos. Aqueles que têm mais de quarenta anos com ares de antigos jogadores de futebol que batem a bola sozinhos, e que estão sozinhos, e de vez em quando " distraidamente " mandam a dita bolinha para junto da toalha e depois, ah que desculpe, que incomodei, que não volta a acontecer e tal e coiso, com um sorriso meio viscoso que me faz sempre uma náusea que ultrapassa essa coisa da pele e é muito visceral e incontrolável e devo ficar com cara de vómito porque não volta mesmo a acontecer e até se viram de costas ou se tornam invisíveis, que até dá pena.
Também há as criancinhas. Que passam a correr entre o saco e a toalha. Ou que atravessam a toalha se eu não estiver deitada. Ou que choram baba e ranho por um gelado, porque têm a fralda suja, porque querem ir para a água ou porque são embirrantes.
Em suma, é o sol, é o mar, é a onda e a areia. É o tempo quente. Cheirando a férias e a vida.
Mas ainda não fui fazer o gostinho ao dedo. E tenho quatro dias de férias. Essa é que é essa!
Ontem, troquei o sol, pela sombra.
Uma verdadeira sombra da mulemba...e aproveitei-a e sentia-a até ao fim. Que essa sombra nem sempre faz aqui, porque a mulemba é árvore da minha terra e só os angolanos conseguem recebê-la mesmo longe. E cantei e dancei e me banhei de lembranças. E dá para recomeçar a caminhada.
Ontem, troquei o sol pela sombra e fá-lo-ei sempre que me for oferecido um baloiço para eu baloiçar na sombra da mulemba, parando o tempo e ninando os afectos do meu coração e as minhas memórias e conciliando o passado com o presente para esperar o futuro.

Na corda bamba


Adoro! De Armando Manzanero. Cantor romântico de meninos e meninas apressados para crescerem.
O nome duma canção que nos outros tempos, aqueles de outras paragens, outras décadas e outros bateres de coração, quem sabe mais apressados, mais frágeis, mais ansiosos, esperando abrir o salão nos braços do príncipe, nesses outros tempos de um antigamente que já só volta nos sonhos sonhados de olhos fechados ou nas farras de amigos que ainda o são, arrancava suspiros de impaciência e pressa...
Nunca mais sequer me ocorrera que um dia, muitas noites de espera, ansiedade e romantismo, eu ouvia esta música. Adoro! De Armando Manzanero.
Sou antiga. Muito antiga. Do século passado. Como esta e outras músicas que ouvi ontem. Numa festa, verdadeira farra dos antigamentes. Quando nos quintais dos bairros como a Vila Alice, na sombra das macieiras, palmeiras e mangueiras, nos juntávamos, que era até de manhã. Nem a polícia travava a alegria e o prazer de viver. Mas isso, isso foi há mais de trezentos anos...
Ontem regredimos para o passado. Regredimos não está bem dito. Voltamos atrás mas avançámos. Numa escada de dez degraus, ganhámos, porque subimos vinte, ao acrescentarmos tempos de uma ternura, de recordações, de amor e amizade, de saudade, contentamento e paz que parece que estamos a subir a escada do céu, dançando alegremente ao som de harpas e cornetas celestiais. Ao som da música africana, angolana e não só. E sul americana. Cubana e brasileira. Merengues, sembas, kizombas, sambas...
Acompanhando na mesa, de funge de carne com farinha de bombô. E feijão... e espetadas e camarão...
Todo o dia comendo do sabor da nossa terra. E bebendo...também as histórias da Caop, do S.Paulo e do Bairro Operário. Da Vila Alice. Das tradições, dos óbitos do nosso povo.
Do carro do fumo, do carro da água. Da Cagalhoça e suas meninas. Do Baba que " inxige "um fato às riscas para ir a um casamento, da Joana Maluca de quem eu tinha pavor mas que dava beijos na São, com aqueles lábios grossos, bué beiçurra, babando-se como o Baba; que nojo, pobre São!
Da manteiga Zarco, dos gatos apanhados no quintal que viravam saco de pancada do Luisinho, do pão com manteiga e açúcar, sabendo a fiambre, dos Natais, dos cânticos e do Pai Natal negro...
Uauê! Uauê! Hoje estou de ressaca. De um dia tão proveitoso! Que nem toquei numa gota de álcool...mas preciso digerir os sentimentos.
Porquê que não moramos todos na mesma cidade? Porquê que no dia seguinte fica um sabor de saudade que aperta o peito? Porquê que cada dia é uma despedida? Porquê que estamos sempre no princípio do fim? Na corda bamba da vida, um pé em Angola e outro balançando para nos equilibrarmos nesta terra que também é de Deus porque nós temos fé??
A culpa não é nossa mas nos fizeram carregar este destino que sacudimos teimosamente para não ser maldição.
Família, do peito, como irmãos, foi bom estarmos juntos, ainda...
Obrigada Zezé, Lena, Milú, Edgar, Ana Rita, Mimi...
Obrigada mãe, pai, mãe Eduarda que nos fez deste jeito e Angola, que é sempre o motivo, o pretexto, a causa e a consequência destes encontros que quero eternos.

Adoro Armando Manzanero

quinta-feira, 3 de junho de 2010

serei...

Iniciei o meu fim de semana prolongado.
Devagar se vai ao longe...
Talvez domingo...um dia, um dia serei Grande!
Na minha pequenez...

a passo de caracol



Dias de escolha. De primeira escolha, hoje. De vida passando devagar. Na tranquilidade da minha paz.
Na descoberta de mim. Na alegria de me ter tal qual sou, fui, serei. Ou adivinho...
Como mudei!...
Não tenho pressa, no meio da velocidade esquizofrénica do tempo, esse presente envenenado que rejeito.
Quero viver os meus dias, na minha vez. Estou na fila para ser feliz e espere o tempo que esperar, não desisto.

Corpo de Deus


Imagem de Cristo na Igreja de S. Paulo. Luanda. 2009.

Heroes & Saints - Nicolaj Grandjean

vida plena

Chegar ao fim...
É doloroso. É libertador.
É assustador. É uma meta.
É mudança...
Queria nunca precisar escrever o final, nem pôr o ponto. Aquele que faz a separação de mim.
Queria passar pela vida usando meios de alcançar e acomular tempos para construir outros tempos sem sacrificar os actuais.
Queria que nada desaparecesse para sempre.
Queria ter a sabedoria de poder manter tudo o que tive e senti, tudo o que me é dado hoje e tudo o que sonho para amanhã.
Queria ser sempre o princípio das coisas.
Queria afinal ter a riqueza de uma vida plena...

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Feita formigueiro

Um formigueiro, na pedra da calçada portuguesa do átrio da igreja de S. Paulo, Sambizanga, Luanda. Formigas enormes, apressadas e trabalhadeiras. A terra, vermelha.
Dia 2 de dezembro de 2009. Passou meio ano. Hoje...
O formigueiro faz-me lembrar Luanda. Fervilhando, nervosa, apressada e trabalhadeira.

patrice - soulstorm

Uma questão de fidelidade

O tema, logo pela matina, era sobre o Salão Erótico. Em surdina...
Não eram colegas mulheres. Mas podiam ser.
Não prestei atenção. Apenas ouvi um dizer que:
" Os hipopótamos são os únicos animais que acasalam para a vida. São fiéis à parceira ".
Não sei se é verdade. Sei pouco sobre o assunto porque não leio sobre o tema. Vejo alguma televisão mas nunca vi ou ouvi a propósito.
Uma colega de imediato lhe respondeu:
Não são os únicos. Há mais.
Eu, que habitualmente fico quieta no meu canto, não dando palpites, lembrei-me de um amigo que um dia me disse que os albatrozes são pássaros livres dos mares do Sul, o meu Sul, ou ainda mais para Sul, andando no mar meses a fio nos seus voos rasantes, mas indo a terra uma vez por ano para acasalarem então com a sua fémea.
E não fui de modas.
" Os albatrozes também são fiéis. Vão a terra uma vez por ano para acasalarem com a mesma parceira ".
E o meu colega, o primeiro, aquele que falava em surdina com outro disse com uma grande lata: " Se um marinheiro mata a fémea, acabou-se a vida sexual do albatroz..."
Será que os albatrozes machos se sentem viúvos e ficam para sempre de luto? Ou fazem-no e escolhem outra fémea?
Eis uma questão a que não sei responder, mas que me intrigou.
Porque com o macho homem...bem, esse nem precisa que lhe morra a fémea. Basta que esta se distraia...
Mas quem quiser que se queixe que eu não tenho nada com isso, evidentemente. E a bem dizer, nem todos são desse jeito.
E o que é que isto terá a ver com o Salão Erótico 2010?
Nada, né? Mas as conversas são como as cerejas...

terça-feira, 1 de junho de 2010

Mercado Negro - Oh Lua

Nada como uma Mulemba

Um chorão

Uma pimenteira


Afinal, esta árvore não é um chorão, é uma pimenteira. Perdoem-me gente do campo, campónios ( ? ) ou serão...os verdes? Eu tenho gente muito minha amiga, tenho. Com amigos destes... Sempre que me distraio, engano ou cometo um pequenino e inconsequente erro, vem logo quem diga na minha rica cara, que nem disfarçam nem nada, que, ah coiso e tal, porque sim e porque não e porque torna, que não fosse cá por coisas até ia desmentir e tal, e tá-se bem e vamos ficar ainda melhor...
Tudo bem. Ok. Aqui estou, repondo a verdade. Afinal de contas uma pimenteira, seja lá o que isso for, não é um chorão. Ocorre-me, isso sim, que se a pimenteira fosse a árvore da pimenta, o chorão estava coberto de razão de o ser. Chorão...
Ora então, raciocinando, porque os tais amigos, muito amigos, sempre a quererem que eu me torne campónia, ou dos verdes, ou só mesmo, pessoa que gosta e conhece o campo, fazem-me puxar pela cabeça e chegar a uma conclusão lógica. Uma pimenteira é uma pimenteira e um chorão...é um chorão. E ambas são árvores bonitas e semelhantes.
E a única coisa que eu queria era dar sombra da pimenteira ou do chorão ao sol que anda quente.
Pensando bem, no final das contas, o sol até que tem as suas razões em dar-me negas. A minha oferta recaiu em árvores que fazem chorar ( pimenteiras ) e árvores que choram desalmadamente ( chorões ). Ora, estava mesmo a pedi-las.
Ainda se fosse a sombra da mulemba...

Super Tramp - School - Showing visually the complex L and R ch phase rel...

O dia da criança


Se hoje os governos assumissem o compromisso de proteger, alimentar, respeitar as nossas crianças, o Mundo caminhava para o paraíso.
Não se diz que o melhor do mundo, são as crianças?!
No dia em que o dia de hoje não seja necessário para acordar as mentes, nesse dia eu terei a certeza que o mundo é justo.

A partir de Luanda, em 2008.

Remoção da imagem.
Setembro de 2008.
Um, milhões de beijos, do alto da fortaleza de S. Miguel.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

ratos


Disseram perto de mim, em tom baixo, apenas para que eu ouvisse.
Como que em segredo, eu que não gosto de segredos.
Este país parece um sotão cheio de ratos.
Apanhei a frase no ar e fiquei com ela suspensa entre uma mão e outra.
Inquieta.
É que eu tenho medo de ratos. E asco...

Crescendo


Parabéns Rafael


Solzinho bebé que vieste iluminar as nossas vidas, raiando de luz, PARABÉNS!
Milhões de beijos, da tia clara...

Até um dia destes

Eu sei que me conheces. E tal como eu sabia que não ias arredar pé daquele lugar de partida e chegada e ficar-me-ias a ver passar no autocarro a caminho do meu quimbo, neste fim de tarde de domingo, para me dizeres adeus, como as minhas crias faziam quando me iniciei nesta rotina de fim de semana e que me deixavam banhada em lágrimas, também tu sabias que hoje, hoje eu ia ficar mesmo de lágrima no canto do olho.
Tu és minha kamba. Como irmã. Daquelas irmãs, tipo gémeas. Que não é preciso falar para perceber. Que não é preciso olhar para ver. Que não é preciso estar junto para sentir.
Eu tenho este karma de viver, despedindo-me, despedindo-se de mim. Mas tenho a felicidade de reencontrar. De rever. De abraçar de novo. De recordar e de sonhar novos reencontros.
Até lá minha amiga, fica fixe yá?
Um dia destes, estou já a subir a avenida...

domingo, 30 de maio de 2010

Acordar brilhando

Hoje acordei bonita! Qual Angelina Jolie...
Vá lá, não façam esse esgar de comiseração.
Nem me chamem vaidosa e pretenciosa.
Pronto, vocês é que sabem, porém, digo-vos que não retiro o que disse.
Conheço o tamanho do meu umbigo. Perfeito, mas pequenino.
Hoje acordei devagar, devagarinho.
Sem sons exteriores. Sem agressividade ou ansiedade.
Acordei num passo cadenciado. Simplesmente.
Acordei porque estou viva.
Olhando o espelho, gostei dessa vivacidade.
Assim, ao acordar, sem sequer lavar o rosto, depois de passar um dia de sábado comendo pregos e molho de pregos e gelados e mousse de papaia e de maracujá, chocolates e cerejas... como é que a pele está serena, o olhar calmo e os lábios sorrindo?!
Não. Nao foi nenhuma noite, daquelas...
Eu sei o que foi. Eu sei o que é.
Qual o milagre, afinal para essa beleza, que não sai com água e sabão? E que só eu vejo mas que é real?
O milagre chama-se paz . Que o amor de amigos me traz.
Não há passados nem futuros. Não há princípios nem fins.
Há os momentos. Em que pegamos no fio da meada que deixámos a última vez que estivemos juntos...
E isso faz-me acordar deste jeito.
Quisera eu ficar assim, eternamente. Bonita.
Quisera eu estes amigos sempre por perto, brilhando, brilhando-me.
Eles embelezam a minha vida.
Dão-me Vida.
Eles fazem-me gostar mais de mim...e sentir-me tão brilhante como qualquer angelina jolie desta vida.

Fins de semana

Os sábados são sagrados. De afectos. Muitos.
Os amigos mais amigos, mais antigos, mais presentes, no mesmo espaço que nós, comendo na mesma mesa, respirando o mesmo ar, falando a mesma linguagem, olhando na mesma direcção, gargalhando das mesmas piadas, ouvindo as mesmas músicas, cantando as mesmas canções, falando com o mesmo sotaque...
Ontem houve encontro. Hoje também. E amanhã há mais. Os fins de semana deviam ser todos como este. E os amigos...também!

sábado, 29 de maio de 2010

esta depressão que me anima

pé ante pé

Os degraus que tenho para subir são os da vida. Os meus medos, as incertezas, as angústias, as diferenças, para ultrapassar. A persistência, a saudade, o sonho ,o propósito, a paz, num crescendo. A minha vontade equilibrando a subida. A amizade e o amor, a minha força, na caminhada.
Tenho os olhos postos no desafio, o coração no destino e um pé no chão e outro no ar.
Aposto que chego lá...

The XX - Infinity

Talento

Li um texto tão poderoso quanto belo. Daqueles que queriamos que não acabassem. Ou que o autor escrevesse milhares, milhões deles e tivessemos leitura até sucumbirmos de exaustão. E tivessemos emoção até ao desmaio, ou mesmo ao coma.
Não foi António Lobo Antunes ou Mia Couto, quem escreveu. Mas podia ser. Ou não.
Não estou a ser justa com o autor. Que me merece todo o respeito, ou mais, que o que tenho pelos meus escritores preferidos. Adivinho-o um escritor de mão cheia. De talento, de arte e grande conhecedor das almas e dos sentimentos. Da vida.
Porque as palavras jorram como água cristalina correndo pelos rios grandes, indo desaguar nos mares azuis imensos, a sul. Como labaredas vermelhas e flamejantes, das queimadas africanas, como prata pincelando a baía de Luanda em noite de lua cheia, como pássaro livre, qual albatroz em voos rasantes, como filme romântico que ainda hão-de inventar, como música que nos faz dançar...
O autor, este gigante, do texto que li hoje, tem a arte que eu queria ter.
Eu, que me sinto formiga, perante tamanho talento e sensibilidade.
O talento dos sentidos abraçando as letras que se entrelaçam em palavras feitas frases, fazendo nascer textos que se tornam tratados. De sabedoria, ternura, sonho e poesia.
Tem a arte de saber dar a entoação certa na emoção e paixão, que transformam palavras em confissões, constatações, cores, momentos e caminhos. Sonhos em futuros, passados em presentes e presentes em desejos. Segundos, em eternidades.
Eu, que me sinto formiga perante este gigante, autor do texto que li e de outros, muitos, que já me fizeram emocionar até às lágrimas e rir hilariante, ou pateticamente pateta, sou uma optimista, porque não sendo nesta vida que serei capaz de emocionar com as minhas palavras, e os meus textos, como me emociono ao ler as palavras de gente que escreve tão lindo, acredito que, um dia, quando voltar de novo, quem sabe, talvez seja abençoada por um talento tão poderoso que chegue perto deste.
Talvez então para uma próxima...
Por enquanto delicio-me a ler textos que me apaixonam cada vez mais pela escrita e pela Vida.
Obrigada, autor do texto " deixo ".
Não escrevo o nome porque não sei se " deixa "...

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Kamba e a Pitanga

Kamba quer dizer amigo e por isso está sempre, volta sempre.
Desta feita, comentando a minha relação afectiva com a minha companheira de casa, D.Pitanga, gatinha de estimação e do meu coração, que vive comigo desde Novembro de 2009. Chegou bebé, mas hoje é uma gatinha crescida que já toma a pílula e o sonho dela é ir à rua...

KAMBA disse...
HUMMMMMM AUÁAAAAA
N'guame
eu ki kiria ficar m'bora kieto no mó canto, vigilante cum os ouvido bem aberto pra escutar os casos da tuga, até fikei fraco.....é frakeza ou kiéeee escutei um mambo ki a clarinha tem lá uma gata em casa ki faz uns mambos parece é pessoa....ah pruke ké e tal num sei k mais a gata faz companhia é memo boa caté lhe faz festa da cara cum as pata dela pra lhe acarinhar....
MAKUTO! TOU DUVIDAR MEMO gato, bicho memo de verdade ta fazer festa da cara? inda pru cima é assanhada só ker ir na rua atras dos gatos.....bandida hein! eu num keria falar mas mando recado ki num vale a pena ela se enfeitar cum a gata no avião do cabrito pra lhe trazer aki na banda.....pruke si essa gata ki tem a mania k é pessoa(as veiz te mandaram alguém desfalçado), se dá encontro cuns xinoca aki na city vão-lhe fazé pincho(espetada) axo vou caté no Uíge prucurar um papagaio, também é bicho MAS FALA...... num desarruma as gavetae pudemo lhe ensinar umas música da banda tipo kuduro e kizomba....arre xiça omé, gata na cama, aka!

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Na pérola do Atlântico

Por falar em Rock in Rio, os meus companheiros de festival estão a respirar outros ares, no meio do Atlântico. Ela, porque eu a massacrei com uma publicidade da Antena 3 que diariamente e mais do que uma vez, passa, com o Comandante saudando os passageiros do seu avião, naquela voz de comandante que todos conhecem bem a entoação " Senhores passageiros, fala-vos o comandante, blábláblá... e porque eu lhe ia dizendo que não se ia esquecer de mim quando ouvisse o comandante, telefonou dizendo que ouvira o comandante ...
Eu também não me faria rogada se fosse para ouvir o comandante, levasse-me o dito, para o destino que quisesse. O cheiro a férias já cá mora e eu não vejo a hora de estar assim como que, de " papo " para o ar, fazendo niente.
Muitos banhos em Porto Moniz, umas ponchas antes e depois, que vocês gostam.
E queijadinhas de requeijão, rebuçados de funcho, brisas de maracujá, filetes de peixe espada com banana, bifes de atum, bolo do caco com manteiga de alho e bolo de figo e outras iguarias.
Muitas passeatas e não se esqueçam de ir andar nos carrinhos, ladeira abaixo, com os senhores de branco vestidos puxando por vocês E a Santana e à Camacha.
Boas férias amigos e lembranças para o Alberto João...
Façam o favor de se divertirem, ok?

Resistance (Official Video)

Muse, nesta 5ª feira no Rock in Rio. Sei de quem lá está e como eu queria estar lá também...gosto bués deste grupo.

A personalidade da Pitanga


Cada vez estou mais convencida que a Pitanga é passada dos...carretos.
E assume personalidades diferentes. Tem dias que pensa que é um voador; dá-se asas e voa, entre a minha cama, a televisão e a janela.
Há outros que deve achar-se gente. Pequena, nenezinha, e deita-se no meu colo, recosta a cabeça como os bebés fazem ou fazemos aos bebés e espera festinhas no pescoço. Outros ainda, uma perfeita dona de casa. Aprendeu a abrir a última gaveta de uma cómoda do corredor , gaveta que não é senão a dos pijamas de verão, e tenta (de)sarrumar a roupa que lá está muito quieta. Hoje apareceu-me na cozinha com um babydoll na boca. Não sei se estava a sugerir que o vestisse, mas foi uma sorte não mo ter estragado com as unhas compridíssimas que tem. Já tenho dado com ela em tentativas frustradas de varrer a cozinha com os tapetes que ficam junto às bancadas e até tentar estender roupa arrastando as molas até à janela. E apanhei um susto enorme há pouco tempo ao ouvir as minhas chaves de casa chocalhando. Fui ver o que estava a acontecer e dei com a D. Pitanga pulando até tocar nas chaves, quem sabe num sonho acalentado de abrir a porta e simplesmente ir à sua vida.
E nos momentos de descanso adora ver televisão que nem uma matrona desocupada.
Também acho que quer ser gata, que é a sua condição, mas, vadia. Porque numa semana, conseguiu fugir-me três vezes, escada abaixo, só parando no tapete da vizinha do 1º andar para afiar as unhas, bruxa, não porque me ouvia desesperadamente assustada, chamando por ela. Dirão que ando relaxada e por isso ela foge, mas não. Assim que abro a porta, ela finta-me e escapa-se. E quando vou a sair, fica de marcação à porta e escapa-se na mesma. Claro que agora agarro nela e por uma ranhura pequenina atiro-a para dentro de casa sem remorsos. E à entrada criei estratégias para não me passar a perna.
Felismente que também tem umas coisitas que fazem dela um doce.
Por motivos que não interessam para aqui, há umas semanas estava tão em baixo que depois de uma situação que apelou à lágrima, não me segurei e chorei que nem uma condenada. A Pitanguinha, que estava aos meus pés enroladinha e sossegadita, galgou por mim acima, esticou-se ao comprido no meu colo, olhando-me nos olhos com o seu olho azulão, agarrou-me o rosto com as duas patinhas, recolhendo as unhas, e lambeu-me o queixo com uma delicadeza que me fez chorar e rir.
Por estas e por outras é que eu acho que ela se passa, mas gosta muito de mim e por isso vou continuar a aturar-lhe as pancas que tem. Assim como assim, dizem que os gatos nos escolhem e que ganham a nossa personalidade. Será?
Pobre Pitanga!

nega

O chorão dá, dada, a sua sombra, mas o sol nega-se à dádiva.
Faz-me lembrar a minha sombra bailando na luz recusada.

Molhe Leste

Orientando quem é de mar e quem é de terra.
Junto deste farol, sonhei mares mais quentes, terras mais vermelhas e futuros de felicidade. Vivi presentes amenos e bronzeados e ondas azuis e atrevidas.
O meu farol do passado, onde eu sentia a saudade do futuro que queria viver e do que deixara para trás.
Hoje, o " meu " farol da praia do Molhe Leste inspira-me a paz que queria e que finalmente e tranquilamente, sinto.

voando,num bando de pombos


quarta-feira, 26 de maio de 2010

Avistando o verão


Uma questão de querer

Um dia te chamei para vires dançar, sonhando. Comigo. Ou apenas olhares para mim enquanto a minha sombra bailava na parede do fundo. Mesmo por cima da tua luz. Abraçando-a. Banhando-se nela.
Eu acho que me disseste entre um passo e outro, dentro das notas musicais, que me sonhavas, embora não me quisesses rodopiar em sonhos.
Parei de dançar. Não pelo que ouvi mas porque a luz se esbateu na parede e a minha sombra desapareceu.
Lembro-me ter pensado que havia uma diferença entre nós.
Porque eu, te sonhava, querendo ou não querendo.
E muito te desejava sonhar, mesmo quando não queria dançar.
Onde estás meu sonho que nunca mais brilhaste nessa luz que encantava a minha sombra?
Chamei-te, chamei, chamei e não vieste, não quiseste ou não soubeste abrilhantar os meus sonhos dançados...

Gotan Project Rayuela

Pedido de desculpas de Kamba

Kamba voltou para se desculpar. Do que disse no post Gracejando. Nem sempre diz as coisas da forma mais adequada. É trapalhão e ficou num tempo lá atrás, o tempo dos preconceitos.
Mas há que dar-lhe valor porque tem humildade para se retratar.
Kamba, obrigada pela protecção que pretendes dar-me. Os tempos mudaram e eu sou crescidinha, yá?
Um abraço daqueles, do tamanho do mundo.
Não desapareças também, o meu cubico te recebe sempre, despreconceituosamente.
Só mais uma coisita. Kamba, Ganhaste!


KAMBA disse...
xéeeeeee tax mi estender assim prukeeeee???? tax falar ki entrei a matar????? EME KIA..........xee garina nem barata si mato, num matei ninguém num tenho arma, voce num sabes ta passarna trevisão ki os cidadão ki tem as arma em casa vão lhe entregar na polícia???? si tu tinh alguma ja tinha lhes entregado...QUAL É ENTÃO A MAKA I TAMO CUM ELA???? eu num faktei cum respeito nao senhor, eu num sei falar direito o nome do senhor ki tava te escrever sempre, falei «flor« é como o outro ki andava também aki ti escrever parece nome dele é 'carrancudo' ou kiéeevoce é ki tens a curpa menina clarinha, num sabes ki moça direita (TEM UMA MÚSICA KI TÁ NA MODA AKI NA N'GUIMBI KI É 'EU SOU MOÇA DIREITA'), antão avante, si voce fosse moça direita num podia tar a se corresponder com senhores ki nem voce nem a familha lhes conhece....num ti disseram ki quando keres te corresponder com um senhor tens k lhe apresentar na familha pra nós saber se sairam aonde, kem é a familha ki pertencem, si fazem kié, tax intender???fikei muinto xateado e prucupado pruke voce tax se corresponder a toa....os kanuco tão me informar ki é anssim memo, xama AMIGO VIRTUAR, num tem mal....uaué mamaué mundo tá perdido, ASSIM É BEM??????? É NURMAL???? se bem subemo si é casado, sortero, tem anexo(filho) ou não, agora então é anssim????tá bem prontos, mi disculpam então os senhores pruke num kiz lhes faltar respeto nem lhes ofender até pruke num vos conheço, mõ prubrema é só a reputação da moça, mas parece agora já ninguém liga essa paltetá certo eu é ki sou doutro tempo tão a ver????vou já ficar mbora calado fico só de olho, os senhores ficam então bem, cumprimento nas familha, continuam se corresponder com a mboa....é só protecção di dikota ya????num si zangam só, pena ki num tão aki na nguimbi senão iamo se refrescar as garganta com umas bitolas bem freskinha ali na ilha.....

mi discurpa clarinha mas esse senhor ki nome parece é «nómino« ou kié, ki mi xamó aki, parece ki lhe conheço num sei tou mbora cuma desconfiança mas nome dele era outro, más se voce num ker maka no kubico da outra mi dá então morada do tó kubico ó senhor....tax ouvir???? tó prublema é saudade então ti identifica pra te ajudar a matar a saudade ya???? eu axo ki és 1 dikota arto, cabelo branco, moras numa banda ki falam ingres.....dica só mo avilo