terça-feira, 28 de dezembro de 2010

reencontro


Eu tenho uma mãe negra.
A minha mãe de África. Arminda.
Não avisei. Ela sabia que eu viria em Dezembro. Fui ao Cruzeiro. O sr. Tiago, motorista cá de casa lembrava-se da rua. Rua de Moçambique. Costas com costas da escola 8. O ano passado, tirei várias fotografias à escola. Para uma pessoa que eu estimava muito. Porque tinha estudado ali. E vivido no Cruzeiro. Depois, em casa da D. Arminda percebi que era mesmo costas com costas, a sua casa e a escola. Desta vez não tirei fotografias à escola.
Entrei pelo quintal. Abri o portão e perguntei: Posso?
Estavam duas mulheres sentadas no terraço. Nas cadeiras de " espera condição ". Uma negra e outra branca. A negra olhou-me e disse com voz doce: Faça o favor.
Aproximei-me e sorri-lhe. Deu um salto da cadeira e parecia ter visto o santo da sua devoção. E demos um abraço de um tamanho sem tamanho. Depois ainda agarrada a mim, perguntou-me apontando para a outra senhora: Sabe quem é?
E eu não sou burra. E a minha lógica não é a da batata. Mas bate certo. Tenho um dedo que advinha sempre e desta vez também. A outra olhava para mim com estranheza. Eu disparei estridentemente: A D. Rosa.
Esta levantou-se para me cumprimentar, mal seria, que não o fizesse, mas sem me reconhecer. Em pé, fez-se luz. E abraçou-me muito. Dei-lhe os parabéns e ela chorou. Tu lembrastre dos meus anos?- Todos os anos, dia 26 a seguir ao Natal, então não havia de lembrar?
A D. Arminda e a D. Rosa foram minhas vizinhas na avenida brasil. Cinco anos. Eu no meio e elas cada uma do seu lado. D. Arminda na direita e d. Rosa na esquerda.
O ano passado estive com a d. arminda. E no ano anterior também. Com a d. Rosa, não. Há 36 anos que não a via. E não me conformava com isso. Este ano nos meus anos a d.arminda telefonou-me e pôs a d. Rosa a falar comigo.
Passei a tarde de ontem, 27, com elas. Lanchei lá. A minha querida Arminda tinha bolo de ananás e de chocolate também. E perguntou-me: Quer uma coca-cola? Eu sei que gosta...
Não há nada que eu quisesse mais do que estar ali. Na casa do Cruzeiro, que os padrinhos, portugueses lhe deixaram e onde esta mulher fantástica toma conta de vinte e tal crianças com uma alegria sem fim e sempre de sorriso nos lábios e determinação no olhar.
O Mário, meu amigo e filho da querida Minda chegou. O Mário chama-me miúda. Assim pessoalmente ou ao telefone. E de vez em quando sai um " filha " e eu gosto. A mulher do Mário chegou também. Como o mundo é uma ervilha, conhece a minha amiga Susete. E ficamos a conversar bastante tempo.
Estava sentada numa cadeira de espera condição e a pensar que parecia estar no tempo da maria cachucha, na avenida brasil, quando passava horas na varanda da d. arminda, a conversar.
Ao fim de 36 anos é possível voltar atrás sem sair do presente e ser tudo como dantes.
Há pessoas que nos fazem felizes. E estas é uma delas. E ainda me dá o prazer de rever a minha vizinha Rosa.
Vou voltar. Mais vezes. Até porque me prometeu fazer uns pastéis de farinha de milho que na época eram de comer e chorar por mais. E lembrava-se que eu gostava.

entrevista

Entrevista de televisão ( Zimbo ), na Ilha.

- Se tivesse marido impotente, a senhora fazia o quê?
- Eu? Eu fazia o quê? Marido que não dá, eu lhe deixava.

- O Senhor... se soubesse que a sua mulher lhe traía, fazia o quê?
- Eu.......eu praticamente se suicidava.

A um taxista, sobre o trânsito

Resposta: O dia tá calmo. Não estava muitos bêbados.
O trânsito também está bom. Tudo controlado. Sobre o controle do governo.

À cliente

- Onde é que a senhora vai? - Estou ir no Cazenga visitar uma sobrinha que deu crise.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Chove chuva

Ouvi: Clara, Clara.
Assustei-me. Não sei o que se passa mas tenho um sono que parece fui mordida pela mosca.
Olhei e era a kanuca.
-Clara, está a chover.
E eu fui à varanda a correr. Eu queria muito ver chover. Sentir a chuva nas minhas mãos.
Dançar na chuva com a minha alma sedenta.
Molhar os meus cabelos com a água abençoada feita pingos grossos. Ver chover na minha terra e sentir-lhe o cheiro da terra molhada.
Olhei a cidade em todo o seu esplendor. Os prédios que vejo daqui iluminados, parecem mais brilhantes de lavados. A poeira vai assentar e amanhã quando for dia tudo estará mais limpo.
Gosto de ver a minha terra recebendo a água sagrada que cai dos céus. Gosto de pensar que é um privilégio poder assistir a tudo o que aqui acontece. Uma dádiva.
Eu amo esta terra de paixão, que até doi. E queria ver chover. E já está a chover...

o Baba

O Baba, logo pela manhã tocou à campainha cá de casa. Foi só atravessar a rua, porque é paquete na TAAG. Vinha buscar as prendas de Natal do Freitas e da Fernanda. Mas as ditas não chegaram porque não há voo da TAAG Lisboa/Luanda desde o acidente triste das peças que cairam. A mim não reconheceu às primeiras, mas uma vez descoberto o meu nome, passei a tia Clara num ápice. Perguntado sobre a sua profissão:
- És ministro de quê?
- Das Finanças.
E não é que parece mesmo? Todo posto por ordem com a sua camisa Vítor Emanuel. Falando ao telefone com a Fernanda ( Mimi ) que ao longo destas décadas todas foi sempre fernanda, para ele.
A minha Kamba diz-lhe - Caxam caxam e o Bab responde - caxam caxam.
Ela diz; A mim como tu...
E ele completa: Não há.
Parece conversa de surdos, mas não é. Há anos, desde miúdo, que o Baba frequenta a casa de família e esta casa também e desde sempre que estas frases são ditas por todos e ele responde sempre do mesmo jeito. Caxam caxam...
O Baba é uma figurinha. Desde o tempo da Escola Industrial quando frequentava as aulas empunhando os livros, mas apenas isso. Embora fosse autorizado a frequentar a escola, só porque sim.
Conheço o Baba há muitos, muitos anos e vejo-o sempre que venho a Luanda. E em Lisboa quando estou com esta família passamos horas a falar do Baba e de todas as peripécias que ele apronta. Como fami-lha.

luanda ontem I








luanda ontem


No aeroporto. Saindo para a cidade...

cantada

À chegada a Luanda.

Entrei no aeroporto e fui para a fila imensa da emigração.
Chegada a minha vez mostrei o passaporte a uma funcionária novíssima, bonita e simpática. Odeio que me chamem D. Maria, mas pronto, o que é que hei-de fazer se o meu nome primeiro é maria?!
Depois de colocar cada um dos polegares na maquineta para as impressões digitais, prática nova, segui viagem. As instalações da chegada são novas, mas semelhantes às improvisadas nos voos domésticos que no ano passado vim encontrar.
Parei numa esquina onde se encontravam outros dois funcionários para mais uma verificação do visto no passaporte. Entreguei o meu passaporte a um deles, que estava livre. Homem negro quase azul naquela cor dos negros do sul de Angola. Meia idade.
Olhou o passaporte, olhou para mim e disse: Muito bem dona mariaaaaaaa......
- Clara, disse eu.
- E é clarinha sim e bonitinha.
Pronto! A primeira cantada angolana. O pior é que odeio que me digam que sou bonitinha.
É muito poucochinho ser bonitinha. E algumas das pessoas que eu gostava que me elogiassem já o fizeram nesta coisa tão mediocre de me dizerem que sou bonitinha.
Agora até no controle dos passaportes um mwangolê...
Ganharam. Rendo-me e reduzo-me à minha insignificância.
Mas que mwangolê é abusado, é. Sukuama!

diário de Luanda

Luanda. 8.03 horas. 25 graus.
Tempo nublado.
Luanda acordou antes de mim. Ela dorme todas as noites. Eu fiz uma directa e apaguei às 10,30 horas muito contrariada mas completamente derrotada pelo cansaço e pelo sono.
Fui dar-lhe uma espreitadela. Continua como sempre. Alegre e garrida.
Barulhenta e aflita. Os automóveis na avenida são mais que muitos e adoram buzinar e as ambulâncias anunciam-se também. Dos prédios em construção chegam-me os sons de obras, que tão bem conheço, nesta Luanda nova.
Já andei pela cidade e pelos seus limites, Luanda Sul. Samba, Corimba, embarcadouro para o Mussulo.
Estrada de Catete e Ilha. Na cidade.
E estou quase em pânico.
Num ano, esta cidade cresceu de uma forma irreconhecível em algumas artérias. Dei comigo a perguntar contrariada - mas onde é que nós estamos, perdi o Norte?!
Construiram-se prédios, acabaram-se outros. Calcetaram-se passeios e divisórias de avenidas, plantaram-se imensas palmeiras já adultas e semelhantes às que existiram sempre na marginal.
E as obras na marginal e acessos à Ilha vão a uma velocidade surpreendente. Tive um baque, não por mim, mas por ti, Leninha, Constância, Clara Vieira, Elisabeth, Celeste, Maria, anónimo, Zé, GAFM, mano Zé, tu, que não vês Luanda há uns anos. Pois que têm que esquecer a Luanda de 75. A menina envergonhada que ficava namorando o mar. De casas baixas. De pouca luz. De vivendas e quintais dentro da cidade.
Esta, está imensa. Pejadinha de prédios modernos. Mesmo ali à beirinha de vivendas antigas de traça colonial. Pois é. É a modernidade dos tempos. O crescimento na vertical. Da Ilha e observando a cidade, Luanda parece outra. O romantismo duma cidade colonial deu lugar ao atrevimento e luxo duma cidade ansiosa de se expandir, gritando aos quatro ventos a sua mudança e progresso. Se está melhor assim? Claro que sim. Os tempos não se compadecem do nosso romantismo passado. O tempo é HOJE. E hoje a cidade precisa de facilitar.
Já andei em chão firme, ali onde antigamente era mar. Na Chicala. A margem esquerda da ponte da Ilha. Se esta já não era de facto uma Ilha, agora esqueçam de todo. A nova ponte é aérea. A baía diminuiu e tenho a certeza de que vai ficar uma obra imponente e a servir as populações mais eficazmente. A cidade vai ganhar muito com uma variante que parte da marginal e segue junto à Praia do Bispo colando na Samba. Uma avenida larga, arejada e moderna, já com alguns prédios bonitos e outros em construção, acabarão com os muceques que ali se instalaram. Já se iniciou esse processo.
No embarcadouro para o Mussulo, ali perto da Quinta da Rosa Linda também há obras. Aumentaram o embarcadouro para que possam atracar ao mesmo tempo vários barcos.
No início da Ilha, após a ponte velha as obras que se iniciaram o ano passado, vão de vento em poupa e antevejo uma Ilha nova, muito mais aberta, e mas digna pois que nas ultimas décadas a nossa querida Ilha perdeu mais que ganhou. O lixo era imenso e os musseques cresceram.
No Jumbo as prateleiras estão carregadas de mercadoria e até a padaria funcionava em domingo a seguir ao Natal. Logo ali pequei em pensamento pois que aquele pão quentinho a sair, só me fez lembrar manteiga a escorrer e eu a babar...
Ah, e as acácias...estão floridas como só elas florescem. De um vermelho laranja bonito e ousado. São às dezenas na estrada de Catete.
O verde das árvores por toda a cidade é impressionante. Luanda tem muito verde plantado o que dá a sensação de frescura na sombra que as árvores frondosas, dão.
Em suma, Luanda está linda. Continua Linda e vai ficar, uma cidade maravilhosa.
Luanda é a minha cidade. A melhor terra do Mundo...e arredores.

domingo, 26 de dezembro de 2010

ternurando

Hoje as estórias foram à volta de carassans ( croissants ).
De ascessos ( excessos )
De polseiras ( pulseiras )
De Santanás ( satanás )
De pédófolia ( pedofilia )
De folhas ( chá )
De realdades ( realidades )
De tuletes ( toalhetes )
De estar com brônquios ( bronquite )
De desplodir ( explodir )
De toda a hora ( sempre )
De vou-te aplaudir ( vou bater-te )
De estar com pormenores ( estar com ideias )
De fami-lha ( família )
E de gargalhada em gargalhada vou processando a informação, actualizando e guardando agora para lembrar depois.

chegada

Chegar a Luanda é uma pedra que bate forte.
Tomar o pequeno almoço às 5 da manhã, 6 de Luanda, e depois o comandante anunciar que dentro de uma hora estaremos em Luanda, faz os meus olhos brilharem de emoção. A janela está ali mesmo à mão de semear. Desconsigo olhar para dentro. Já só tenho o olhar nas nuvens e o pensamento na terra.
De repente vejo o mar. Diferente das nuvens. Mais branco. Semeado de barcos. Grandes. De mim para mim, falando com os meus botões digo que é terra, quer dizer, é mar.O meu mar.
Alguém diz - é Cacuaco. Os contornos das baías e da terra castanha tornam-se mais nítidos. A ilha ao longe, é uma língua de terra pelo mar dentro. É uma avalanche de sentimentos em mim.
Depois vejo a marginal. O porto. As avenidas principais. Luanda! E apetece-me o ombro da minha mãe, do meu filho ou da minha filha. Ou os três. Para chorar muito. Tudo. Na emoção.
Voo. Sobrevoando a minha terra, finalmente. Reconheço-a. Este sim é meu chão. O meu porto seguro. E fico que nem posso...de felicidade.

GIZELA SILVA-XINGUILAR

diário de luanda

Não é por nada mas já me aconteceram umas desgraças em Luanda, em tão poucas horas de permanência.
Uma - Trouxe emprestado o netbook do filho. Estou na net de um computador cá de casa. Porque o " meu " tem um anti-vírus que não permite que aceda à dita. Não percebo nada disto mas parece que tenho que instalar outro anti-virus. Já pedi autorização ao dono do computador.
Outra - Já tirei mais de duzentas fotografias e até agora népias. Este computador não lê o cartão da máquina. Só o Netbook o lê. Resultado, estou no mato sem cachorro.
Ainda outra - Fui para abrir a mala que por acaso também não é minha, o filho já está a perder, mas fica descansado que vais ser ressarcido, e eis senão quando ou está arrombada, ou simplesmente o fecho que tinha cadeado se partiu e agora na volta tenho uma mala cujo fecho não dá para fechar a cadeado. E já estou a entrar em despesas, isto para não dizer que fiquei p...da vida porque a mala é da cria.
E por fim outra muito grave - A minha kamba tem a mesa posta desde o Natal. Qual dieta qual quê?! Percorri a cidade, graças a Deus, com meu kamba à procura de caldo de peixe com batata doce e mandioca. E para além disso, em casa aguardava-nos o leitão da ordem. E os frutos secos. E os bolos. E as sobremesas de colher...
Aiuê mammãuê, vou sair daqui uma pequena baleia, mito gorda e espaçosa.
É só pancar. Desde as 15 não fizemos outra coisa senão comer e rir muito com as estórias da nossa terra que é rica no caricato e no fora do comum. Já parei de comer e agora já só estou a chá de gengibre e limão comprado no Dubai mas como os aviões estão parados temos de ter contenção no bendito chá. Um pacotinho para duas.
Salva a honra do convento Luanda estar bem de saúde e recomendar-se.
A minha terra está linda. Limpa e em obras, sempre.
Tirei fotos da Ilha em obras. Da marginal em obras. E até do embarcadouro para o Mussulo, em obras também.
Confesso-vos um segredito, assim sem grande importância, dependendo de como o vejam.
Estou no primeiro dia de Luanda e já dei comigo a pensar - Não quero ir embora. Quero morar aqui. Quero sentir este cheiro que senti assim que pûs o pé no aeroporto. Quero dormir e acordar aqui, muito tempo...mas nada de dramas. Vou viver estes dias o melhor que souber e puder e nem maus olhados, olho gordo ou pragas para desgraças, vão sobreviver ao desejo forte de abraçar esta terra num abraço de um tamanho sem tamanho.
Fiquem bem, todos. E quero que saibam que estão no meu coração. Mesmo tu que és céptico. A sério. Aqui eu sou um ser melhor e cheio de boa vontade. E tenho a cor do amor. A cor que África pinta em aguarelas garridas e mágicas.
Estou feliz pessoas!...

together

Xé, tamos together, black !

Dois angolanos entram e aproximam-se de outros dois que já estavam nos seus lugares. E um deles diz isto para os outros.
No avião, mas não para mim que estava sozinha e comodamente instalada.

Os Azeitonas ft. António Zambujo - Anda Comigo Ver os Aviões

reencontro

Pessoas, cheguei!
Luanda continua LINDA, MARAVILHOSA, ÚNICA.
E eu completamente rendida.

sábado, 25 de dezembro de 2010

vou ali e já venho



" Eu amo tudo o que foi
Tudo o que já não é
A dor que já não me dói
A antiga e errónea fé
O ontem que a dor deixou
O que deixou alegria
Só porque foi, e voou
E hoje é já outro dia "

Fernando Pessoa

o sábado


Hoje é sábado.

Não é um sábado como outro qualquer, eleito do meu coração.
É o sábado de todos os sábados.
Dia da comemoração do nascimento de Jesus Cristo.
O dia de partida para a minha terra.
Regressar a Angola, não é apenas voltar para casa.
É nascer de novo.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Duo Ouro Negro | Amanhã

Obrigada muito, tudo...


Há gente que eu amo. Muito. Tudo...

As crias. Sangue do meu sangue. Cordão umbilical. Laços. Âncoras. Um amor tão grande, tão grande, que até doi...Nada se lhe compara.
Há gente que amo muito.
A caçula, o mano Zé. Gente que lhe corre nas veias um sangue da junção do pai e mãe. Uma alma parecida. Como gémeas. O sorriso. A teimosia. A determinação. A lucidez. Os cabelos. A altura. O gosto. As lembranças. O mesmo ventre que a mãe carregou e onde estivemos. A primeira morada comum. Meus irmãos para sempre.
Há gente que eu amo eternamente. A lembrança do avô Carvalho. Avó Clara. Zita Fernandes. Tio Fernando, tio Acácio. Faty. Bety. Tui.
Há gente que amo muito. Bruno e Leandro. Na possibilidade de ser chamada de tia. Na possibilidade de ter jovens nos laços familiares que não são as minhas crias mas são o que de mais importante o mano Zé tem. A continuação do nome. Perpetuando o Sô Santos e a D. Celeste. O exemplo de que os jovens, os jovens do meu sangue são gente grande.
Há gente que amo muito. Como pai e mãe. O tio Augusto e a tia Fernanda. Estar com eles é estar em casa. Não é preciso falar nem olhar nem rir nem chorar. Basta estar...para ser feliz. E ouvir...clarita... como quem me beija a alma e me abraça o corpo me dando colo. E me leva para recantos da memória onde mora a minha infância de alegria e traquinice. E a adolescência inquieta e curiosa. E me devolve a mim. Gente que toda a gente devia ter como tios.
Há gente que amo muito.
Paulo e João. A consciência de haver mais família para além destes todos. Meus primos. A descoberta de que o coração ama muita gente. Minha dedicação de adolescência. Candengues lindos. Homens inteligentes, justos. O meu orgulho ontem e hoje. Sempre.
Quando penso em gente boa e capaz de endireitar o mundo, é neles que penso.
Mais gente que amo muito. ..Há o herói. Ai, o herói eu não amo só. Admiro de paixão. De exemplo e orgulho. E há a Lurdes, companheira de todas as horas do mano Zé.
E a tia Olívia. A Leonor. A Tila. A madrinha Regina.
Ha gente, muita gente que amo muito. E aqui cabem todos os meus amigos.
Minha Kamba Milú. Aka, amiga do peito esta. De tantas horas, dias e anos que até já lhes perdi a conta. Me aguarda amiga. Amanhã...estou a voar nas asas do pássaro livre para aterrar na passadeira vermelha que estendes sempre que vou, numas honras que nem sei se mereço.
Há a Susete, outra que tal.
Há a Julieta, Nela, Mena Lima, Arlete. Arminda. Fatinha.
Há a Manuela. Minha amiga como irmã de horas tão desesperadas mas também tão divertidas, outras e filosóficas ainda as restantes...
Há a Ana. Cristina, Pedro, Vitinho. Chico. Edgar. Zé Manuel, Célia, Isabel, Eduarda.
E ainda há lugar para Ana Rita, Joana, João, Mimi, Zezé, São, Linda, Mário, Hortênsia, Ana Maria, Rafael, Zé, Gil.
Leninha, Constância, Clara Lima, Celeste, Elisabeth.
J. R., Paula, GAFM, P.L.
Há gente que amo muito. Eu sei lá... por exemplo, Sónias, Pipoca, Filipe, Patrícia, Bruno, Lena, Mena,Susi...
Há gente com nome aqui que eu amo e também gente que aqui não tem nome, mas que está no meu coração. Tu...
São a minha gente. As minhas pessoas.
A todos, hoje, agradeço muito fazerem parte da minha vida. Permitirem, como dizia uma amiga muito querida, que eu respeito tudo o que há para respeitar, que eu seja rebelde mas Amor...
Bem hajam, minhas pessoas.
Festas felizes. Para os que acreditam que é possível sermos Paz e Amor, um Santo Natal. Para os outros, todos, uma quadra à maneira.
Muitos presentes no sapatinho.
Vou contar-vos um segredo, aqui que ninguém nos ouve porque estão todos distraídos com esta coisa dos preparativos para uma noite exageradamente gordurosa e melosa, dos doces e dos fritos, bbbbbrrrrrrr, A MINHA ÁRVORE DE NATAL, está pejadinha de sacos com presentes.
Bué fixe! Adoro presentes e detesto segredos, por isso já contei. Há lá alguns que são para mim. Até há de mim para mim, porque sou filha de Deus e gosto bué de me presentear. Não vá o diabo tecê-las e ficar a ver navios, ou...aviões.
Por falar nisso, amanhã é o grande dia em que vou poder dizer: É HOJE, É HOJE! Sukuama, estou que nem posso de excitação...
Minhas pessoas, passem uma noite e um dia de Natal como melhor souberem e quiserem, que é o mais importante, mesmo que queiram estar sozinhos e até na cama. Pouco bom, um natal na horizontal!
Kandandu para todos e mais para o Mundo em geral...

bela e vagarosamente

Ó pessoa sonhadora!...
Vou levar-te comigo, como não canção.
Viagem dos afectos. E de sonho, sonhado dia após dia, ano de trezentos e sessenta e cinco dias, mais todos os que ficaram para trás no calendário que envelheceu...
Quando chegar, vou poder sonhar-te um presente de futuros guardados na esperança que teimosamente manténs como chama ardendo na tua alma inquieta.
Quando chegar...serei eu, tu.
Serei muitos.
Todos os sonhadores felizes, resgatando a alma e bebendo do néctar da vida que ali corre bela e vagarosamente.