Mostrar mensagens com a etiqueta sonho. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta sonho. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

da minha janela...

Da minha janela não se vê África. Mas sonho-a.
No pôr do sol. Na entrega da tarde.
Na noite ganhando vantagem.
Da minha janela falo com o horizonte e ele me responde.
Me diz quase sussurrando, leve brisa, maresia, que tenha calma e fique fria que o tempo lá não tem calendário nem ponteiro de relógio. Mas tem memória.
E não se esqueceu da minha saudade.
Da minha janela desconsigo ver a minha terra mas lhe sinto o cheiro, perfume de buganvília, na cor garrida da alegria da natureza. Como que num toque, num sinal.
Numa essência que lhe adivinho especial.
E tenho a certeza de que o tempo me vem buscar qualquer dia.
E vou fazer a passagem para o outro lado desse tempo onde a vida é bela e as tardes preguiçosamente calmas na sombra da mulemba.
Da minha janela vou ficar esperando e torcendo...

domingo, 9 de outubro de 2011

aspiração/presunção



Um dia, quero e vou aprender a escrever.
Encontro uma caneta sábia, sensível, um caderno inspirador...
Numa mente disponível e num coração aprendiz, há-de nascer um desejo ambicioso. Um lugar para começar...
Junto as letras. Formo ditongos.
Preparo as palavras. Acentuo-as. Anasalo-as. Dou-lhes côr, música e movimento. Crio espaços, pinto linhas.
Desenho minúsculas. Exagero nas graves e inovo nas esdrúxulas.
Não quero só monossílabos por isso uso a gramática.
Sorrio nas interrogações e relaxo nas reticências. Experimento os pontos e as vírgulas e os dois num. Inovo noutros dois pontos e admiro-me nas exclamações.
De vez em quando páro nos pontos parágrafos. Ressalvo as dúvidas e escolho momentos para os parênteses e aspas.
Deixo o sonho tomar forma, embarco na viagem e não entrego os pontos, nos finais.
Serei como peixe dentro d'água, múcua no imbondeiro, welwitschia no deserto, andorinha na primavera, cretcheu do caboverdiano, índio da Amazónia, onda beijando a praia, negro em África, albatroz nos mares do sul, neve no Alasca.
Serei eu na avenida brasil... prosa e verso.
Nesse dia vou acreditar que já sei escrever.
Depois...depois, escreverei o que tu mereces ler...

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

esperando XIII

foto tukayana.blogspot

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

que raça de sonho este!!!

Esta noite tive um sonho esquisito e um pouco perturbador. Teria sido a culpa? Ontem falei da Pitanga com pouco respeito pela sua tão dedicada presença na minha vida.
E vai daí, porque tenho que ter tento na língua, e não ir por aí ofendendo quem me quer tão bem que acho que me adora, levei um belo chapadão, sonhando com a minha princesa do mundo felino, que logo pela manhã me acorda e tenta abrir a gaveta da mesinha de cabeceira onde guardo os óculos e o relógio que o F..... me ofereceu. A correia enorme que dá a volta ao pulso duas vezes atrai-a. Ou a côr. O que sei é que tem paixão pelo dito relógio e é um regabofe quando consegue apanhá-lo a jeito. Afinal a minha Pitanguinha é a razão da minha boa disposição logo pela manhã e não merecia que dissesse que tem dias que até ela atrapalha. Que tem, tem, mas podia ter guardado só para mim.
Porque sonhei com o tribunal onde trabalhei 20 anos é que estou para descobrir. Sobretudo porque sonhei com a sala onde me iniciei como funcionária e não na secretaria, onde depois trabalhei tantos anos. Porque sonhei que ali fui comprar lulas como se fosse um mercado e porque as lulas tinham tinta negra como os chocos ainda mais me intriga. E torna-se um quebra-cabeça porque fui ( no meu sonho ) acompanhada de uma miúda que agora terá 25 anos e que não vejo há uns anos e que... pensando bem, faz anos amanhã, que raio...será que tudo isto tem razão de ser? Os sonhos são tramados. Deixam-nos a pensar. Angustiados. Intrigados. Quer dizer, a mim, deixam.
A D. Pitanga entrou com a pata direita no meu sonho. Empoleirada no meu ombro direito anunciou-se na sala velhinha onde hoje funciona uma unidade de apoio. Quem lá estava logo se apressou a perguntar. Quem é este gatinho? Ai que lindo! E o gatinho lindo, que é gatinha, assanhada que só ela, pulou do poleiro que era o meu ombro e escapou pela porta aberta. Direita ao corredor que vai dar aos gabinetes dos magistrados. E eu a correr atrás dela, ao mesmo tempo que dizia para mim; mas isto não é verdade, eu estou a sonhar...e estava mesmo. E acordei a fazer taquicardia. Não sei se do susto se da corrida. Isto de facto não anda fácil.
Do que este meu eu, quieto e invisível lá bem no fundo de mim se havia de lembrar ?
Que raça de sonho este! Canário! Há noites que não valem a pena. Sonhos que também não. Acordar ao lado de um sonho destes não dá com nada. Vale mais fazer colheres!!!

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

esperando VIII

foto tukayana.blogspot

esperando VII

foto tukayana.blogspot

domingo, 7 de agosto de 2011

esperando VI

foto tukayana.blogspot

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

esperando V

foto tukayana.blogspot

esperando IV

foto tukayana.blogspot

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

esperando III

foto tukayana. blogspot

domingo, 12 de junho de 2011

o sonho de sempre

foto tukayana. blogspot


A tarde passou depressa. Entre ruas e vielas, gente e mais gente. Petiscos e mais petiscos. Casamentos e balões. Cansada e desolada, sentei-me aqui à sombra, não da bananeira porque essa não daria a sombra que preciso para sonhar sóis de verão, beijos, abraços, lágrimas de emoção e paz. A paz que preciso para pensar-te. Imaginar-te. É que tu não és óbvio como dois mais dois serem quatro. É preciso, eu preciso ter as cinco oitavas no lugar. Respirar profundamente e suster a respiração se for caso disso, assim como quando nos dizem: Diga 33. Não sei porque estão sempre com este lugar comum. Eu acho que nunca disse 33. Ou não calhei com gente com voz autoritária, seca e antipática que simplesmente ordena que façamos essa conta de cabeça com os pulmões. Mas lá estou eu a desviar-me do assunto. O que é que queres? Eu não sei dizer-te assim num ápice, sustendo a respiração, de peito cheio de ar, que até quase sufoco, que te gosto... de pensar. Cómoda e descansadamente sentada no banco que mais gosto de te sonhar. De pedra...Cheguei ao fim do dia, escaldando num queimar de sol implacável que não dá com nada senão com a poesia de sol aquecendo, demais, que até parece, quer derreter esta impossibilidade de estares aqui olho no olho, mão na mão a segurar o sonho de sempre. Sim. O sonho de sempre. Tu sabes mesmo qual é. Estou cansada de o dizer. Estou cansada por isso tomei assento aqui, hoje. E não me arrependi. Porque não me parece mal. E a ti?

domingo, 22 de maio de 2011

O Sonho

foto tukayana.blogspot




Sonho-te terra, Sonho-te mar


Melodia no seu marulhar


Fantasia, Sol e luar


De quem tudo tem


Na alegria de ser mãe


Mulher pensante, Poeta errante


Anónima , amante


No sonho verdade


No sonho ilusão


Canto-te canção


Sonho-te amizade


Sonho-me


África, deserto, planalto


Gazela no mato


Sonho-te criança, velho, sem idade


Na força do pensamento , de sonhar


Quebro conceitos, protocolos, barreiras


Ergo a bandeira


Lenço da paz, branca, de côr


E neste desejo de sempre sonhar


Passo a fronteira


Que se abre ao Amor.



m.c.s.

domingo, 8 de maio de 2011

flor rosa e rara

foto tukayana.blogspotImbondeiro

Robusto e imponente

Folhas em dezembro,

Flor rosa frágil

Bela e rara

Múcua, fruta

Branca e estranha.

Queria ser um imbondeiro

E morrer de pé...

sexta-feira, 6 de maio de 2011

maio eu, maio tu

foto tukayana.blogspotNo rio, peixes vermelhos, água fresca correndo veloz, aroma, jardim das rosas, castelo, contos de fadas. Estória dentro da história. Eu agradecendo o dia, que a chover, não será em mim. Há dias assim. Tempos serenos, tranquilos e profundamente inspirados a dois pulmões e muitos corações. Sorridentes mesmo na careta, falantes mesmo no silêncio. Tocantes, ainda que na brisa suavisando a pele e afastando o arrepio do tempo frio. Maio flor, Maio mãe. Maio tu, tempo de mim. Para te viver...

terça-feira, 3 de maio de 2011

no sabor da corrente

foto tukayana.blogspot

O lugar me espera. Junto ao rio. Na beira-água secular. Os bancos, muitos, à escolha. É só fazer pim-pam-pum e poderei sentar-me de frente para os patos e para os peixinhos que brincam na corrente que algures irá dar ao mar, e de costas direitas, pés paralelos e juntos, olhos nos olhos com o castelo, com os chorões da beira-rio, com o jardim das rosas, onde há mesmo rosas a sério, sonhar. É! Olhos nos olhos, nessa atitude transparente de ser, de seres, me faz pensar-te. Será que ensurdeceste e não me ouves? Ou a minha voz chega feita silêncio a ti, que nem dás por ela? Será que de tanto olhares para longe já não me enxergas? Ou desaprendeste as palavras e desconsegues fazer a interpretação do texto, e a sua pontuação, como antes, na carteira da escola? Me parece que és bom na língua portuguesa. Direi mais, vamos pôr bom nisso... Não. Não digas que é porque estás para lá de indiferente ao meu banco de pedra. Ao prazer que vou sentir se te sentares ao meu lado, de costas direitas, pés paralelos e juntos, e assentes no chão, olhos nos olhos...em mim. Em ti. No sonho de sonhar acordado. Não. Não quero saber. Se isso significar que nem em sonhos me queres ali ao lado. Só para olhar a corrente, na velocidade da água correndo para baixo. Para longe. Ao encontro do mar. Só porque sim. Só...

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Chegar-te


Estou sentada. Aqui. Entrei na noite, no sofá da sala. Esticando as pernas para o descansa-pés. Ligando a televisão e na imagem navegando por mares de espuma, azuis e mornos, nas asas duma andorinha, gaivota ou albatroz. Tu saberás que ave me fará chegar a ti. Não sei porque estou aqui. Insistindo em ti. Relendo momentos breves. Revendo imagens de luz. Sorrindo palavras de apreço. Deixando escapar uma gargalhada baixa, de algum constrangimento. Até acenando com a cabeça. Não sei porque, mas espero. Um olá. Um sorriso. Um gesto, um pouco mais do que desconhecido, um pouco mais do que indiferente. Um pouco mais...Por momentos imaginei-te dando um ar da tua graça... hoje seria dia sim. Afinal, de ti nem a sombra. Talvez a chuva tenha parado e fosses ver o mar, talvez quisesses sentir o doce aroma das flores de frangipani lá para as bandas de Luanda, talvez alguma caçada pela savana te aguçasse o engenho, talvez precisasses regar a pitangueira do quintal ou banhares-te na lua cheia da baía. Não estás. Não te sei, nem te sinto. Não te cheiro nem te oiço. Não te encontro nem te procuro. Sei-te algures por aí, numa lonjura que não vislumbro. Se tu sabes de mim, não sei. Se tu sabes o que me sinto, não sei. Sei apenas que hoje me lembrei de ti e voei nas asas de uma ave qualquer, andorinha, gaivota ou albatroz! Que importa?! Se por ti sou capaz de voar e chegar-te...

terça-feira, 5 de abril de 2011

paro o tempo se for capaz

Aqui, neste lugar mágico eu paro o tempo se for capaz. Só para te acenar. Com lenços brancos. De papel. Não tenho outros. Mas não faz mal. Depois, numa mandinga qualquer de feitiçeira, kimbanda, eu sei lá, estalarei os dedos e... zás, passarão a barquinhos à vela. E, ao vento, nas ondas deste mar azul, irão ao encontro das palavras. Dos poemas. Das imagens. De ti...

segunda-feira, 4 de abril de 2011

finalmente

Finalmente...No tempo e lugar, mais adequados para me sentar neste banco de pedra. Tão perto do mar que me faz pôr a mão nos olhos como que te batendo a continência, gritando, não gritos de guerra, mas Bravo!!! Em salvas de paz, num exagero só na minha intenção de te acreditar lá ao longe, esperando, na banga e meio sorriso. E porque o esforço e a minha espera são tão sofridamente sentidos, nas rugas de expressão que me desenho, dou comigo a olhar a linha que o horizonte insiste em traçar como na palma da mão, adivinhando o que o destino nos dará, se é que recebemos algo de mão beijada e cansada deste franzir repetido e céptico. Gosto de olhar a monotonia das ondas até lá, num vai-e-vem teimoso e ritmado como se entoassem a canção do mar só para me embalarem e me deixarem feliz. Gosto de saber que estás para lá do desenho e da imagem de luz que os meus olhos captam. Mesmo que num convencimento que parece que te estou a ouvir dizeres que já esperavas. Um dia, antes do pôr-do-sol, de prova real feita, nas contas da vida, sem que seja preciso bater a pala, vais responder ao meu chamamento e apareceres no meu sonho, que sonho na vigília do sono. Vais ver só... e eu, eu finalmente vou poder acordar num sonho verdadeiro.