quarta-feira, 30 de março de 2011

um nim

As minhas viagens têm sido monótonas e aborrecidas, entre bocejos e silêncios. Os putos andam tão sossegados que nem dou por eles. E os adultos envergam uma cor de burro quando foge, ou cor de rato castanho/cinzentão, num nem...nem... que me deprime e me dá nos nervos, porque tenho medo de ratos. Na espera do autocarro de Leiria, no acordo feito com o sr. Margarido, a miúda malcriada, a implicante do chapéu de chuva, faz-me agora uns cumprimentos rasgados e prateados nos seus dentes enlatados num aparelho dos dentes, que só me faz lembrar dentistas, brocas, cheiros, gabinetes sinistros, batas brancas, medo, muito medo...A miúda teve de cá vir, em dia de atraso, que acontece a todos, e acabou encabulada perguntando: - O TUT já passou? Como se eu não soubesse o que são miúdos! Acabei a dizer-lhe, que não, oferecendo-lhe um sorriso sem ressentimento. E estamos assim; dias e dias iguais nesta falta de andamento que me deixa nim, coisa que não gosto nem um pouco. E reflecte-se em tudo e na escrita também. E dou comigo a subir o viaduto a caminho dos seis quilómetros diários com vontade de voltar para trás e cheia de questões para as quais não tenho respostas, como, porque ando eu? porque escrevo eu? porque insisto eu? porque ainda estou eu nesta terra? porque tenho eu, o blog? E relativamente ao blog, pelo andar da carruagem nem meia dúzia o lê, deixando-me isso melancólia e fazendo-me questionar sobre a sua utilidade, para mim e para quem aqui vem. Bem, um dia destes e porque postei aqui algo que passou de boca em boca, ou melhor, de mail em mail, acabei a falar ao telefone com alguém que mora no meu coração e com quem não falava há alguns anos. Mas também ouvi a propósito de um post postado há muito pouco tempo, que isto é uma desbunda, pois conto aqui tudo o que faço e só falta contar que...enfim, não vou repetir porque não me fica bem fazê-lo, e só me rio porque não posso chorar. Guardo as lágrimas para algo que valha de facto a pena. Mas fiquei a pensar nisso tudo, numas e noutras. No que me faz escrever para além do narcisismo e do tempo para isso. E presunção e água benta que tomo a que quero. Enfim... hoje não estou para amar. Há dias que vale mais passá-los na sorna vendo, quem sabe, o programa da Júlia Pinheiro que os desocupados e conformados e outros que não cabem neste pacote seguem a par e passo. Aqui volto a formular uma pergunta: Reformo-me ou não me reformo? É mais uma das perguntas a que não sei responder.

terça-feira, 29 de março de 2011

segunda-feira, 28 de março de 2011

lena d'água - que amor nao me engana

raízes

foto tukayana.blogspot

este fim de semana

foto cedida por Hugo Dias

Se o fim de semana foi bom?! Se gastei muito dinheiro?! Se estive com os meus afectos?! Se viajei para Lisboa?! Se comi muito ou fiz dieta?! Se fiz compras e passeei?! Se fiz algo que não faça há muito tempo?! Pois. É preciso ser razoável e grata à vida. O fim de semana...ele é desejado a cada final da semana, de trabalho. E espera-se o melhor. Este correu, entre, ir ao sushi, antes que seja tarde e a crise não o permita ou mesmo a radioactividade, a andar a pé uma caminhada que foi, do Saldanha ao Chiado, numa escolha entre as solas dos sapatos e o metro ou o autocarro, porque taxi está fora de questão, e porque é preciso desmoer o tal sushi que é sempre de um exagero grosseiro mas tão saboroso... a visitar a loja A Vida Portuguesa, ah, não conhecem? Pois, fazem mal. Fica na baixa, na rua Anchieta, 11, e ali encontram artigos que pensam que já desapareceram do mercado, todos feitos em Portugal e tradicionalmente portugueses, como sabonetes de marcas antigas, caixinhas de lápis de cor, baralhos de cartas, saquinhos bordados, de cheiros, chocolates, pastilhas gorila, brinquedos de plástico, cadernos, livros, pinceis da barba, pasta de dentes couto e outras, azeite, pó de arroz, cremes de barbear do tempo em que judas perdeu as botas, e muitos mais. Ah, e também andei à chuva, num guarda-chuva para dois que molha os dois. E como não andei propriamente às compras voltei para casa de mãos a abanar. E vi televisão, esperando O Eixo do Mal. E adormeci antes enrolada numa manta, no meu sofá confortável. E acordei a tempo de ouvir o Daniel, que está muito mais magro e a Clara Ferreira Alves de cabelo muito mais escuro que antes. E mudei a hora às duas. E às quatro ainda acordada fui fazer ovos mexidos e comê-los num pão fantástico, da loja do lado, que a Marta me vendeu. E ri à gargalhada, com uma das minhas companhias preferidas, de vídeos do youtube da ignorância ridícula e vergonhosa que se não me envergonha faz-me rir. E às cinco, deitei-me. E acordei e fiz o almoço, e fui à FNAC, depois. E entrei numa loja muito conhecida, e como tenho um evento um dia destes, tentei experimentar algo desta nova estação e nada me servia, o que me fez sair foribunda da dita loja e ir apanhar o metro. No entretanto dei um abraço e beijos a quem vai estar afastado de mim mais do que é normal e entristeci. Voltei para torres novas ainda de dia. Choveu na A1. Até ao Cartaxo. Cheguei a torres novas no lusco-fusco. Se tive um bom fim de semana?! Passou-se...bem.Não me posso queixar. Nem quero. Quando se respira com os dois pulmões, é uma benção. E se tem memória. E vontade de viver. Se tive um bom fim de semana?! Sim. Claro. Quem me dera muitos como este.

domingo, 27 de março de 2011

comemorando


Hoje que se comemorou o Dia do Teatro, a minha homenagem a Artur Agostinho.

Sérgio Godinho (ft. David Fonseca) - Balada da Rita

Mariza, Paulo Flores e Roberta Sá - De Braços Abertos

o dia crescendo


É preciso acertar o relógio. Ganhámos mais dia. Mais Sol. Sabendo ser cíclico, não perco por esperar dias maiores. Anseio-os. Este ano, o inverno passou depressa. Luanda foi a grande responsável.

Já cá está a primavera e o tempo não anda para trás.

sábado, 26 de março de 2011

no hoje que é sábado


Sábado é Sol ainda que chova
É verão ainda que primavera
É canção na tristeza que espreita
É vermelho mesmo no cinzento
Sábado é chegada ainda que viagem
É terra mesmo na memória
É dança ainda que sentada
É presente no meu respirar
Sábado és tu mesmo que ausente
É esperança da tua presença
É memória que guardo p'ra mim
Sábado é sabado
Igual, diferente,
risonho, carente,
Guloso, ardente...
Uma ilha neste mar
Mais que número, calendário
Sábado, mais que um dia,
É o meu destino
É uma escolha para eu me dar...

Adriana Calcanhotto - Eu Vivo A Sorrir

o meu olhar vaidoso


Gosto de aeroportos. Dos lugares de chegada e de partida. Da envolvência que isso tem. Não tenho capacidade para ver a aura de cada um, mas advinho uma aura brilhante, uma alma leve e feliz, em cada passageiro.
Sinto-me noutra dimensão quando estou num aeroporto. E gosto de estar, e observar tudo à minha volta como se fosse a primeira vez, num prazer que se lhe chamasse côr, seria vermelho, flor, seria rosa, beijo seria na boca, palavra seria concerteza paixão...
Já me cruzei no aeroporto com jogadores de futebol, jornalistas, actores, músicos, cantores.
Não que viaje muito. Na imaginação, demais, mas viajar de mala na mão, rolando por entre escadas rolantes, pequenos almoços, revistas e wcs, quem me dera que fossem muitas, as viagens. Mas nas poucas que já fiz, para além de outras figuras públicas, Sérgio Godinho e Angélico foram dois dos artistas com quem me cruzei.
E também, Adriana Calcanhoto.
Conheço-a há alguns anos, por ter entrado na minha casa e me ter encantado com a sua voz. Todos gostávamos dela.
Continuo a apreciar a sua música como da primeira vez e esperando sempre um novo trabalho. Chegou o trabalho e a cantora.
E a Ângela...Marques, a minha cria primogénita, entrevistou-a. Entrevista que saiu no Diário Econónico de hoje, no Outlook.
Disseram que foi uma boa entrevista. Que estava fixe.
Disse-me a jornalista, mais do que a filha, que tinha gostado de a entrevistar. E que ela, Adriana Calcanhoto, fora uma querida.
A filha mais do que a jornalista disse-me como quem vai ali e já vem ( por acaso até está longe ): - Não te disse? Julguei que sabias...
A entrevista foi no início da semana. A minha cria é assim. Modesta. Humilde. Isenta de vaidade. Essa, foge toda para mim, no que trata às minhas pessoas.
E hoje, sem fazer muitas ondas, mas dizendo-lhe que ia colocar aqui a notícia, resolvi escrever sobre isso numa vaidade maior do que a do uso de batons, perfumes, malas, calçado, dos elogios, poemas e por aí adiante e dizer que estou muito orgulhosa da minha cria e adoro ser mãe dela.
E por isso também gosto de evidenciar os seus predicados.
Princesa, foi só desta vez.

sexta-feira, 25 de março de 2011

letra da minha canção


Se quiseres ouvir falar de ti
Dá-me a rosa dos ventos
E eu te chamarei sul
Numa estrada p'ra além
Deste meu sul
Dá-me a flora para eu escolher
E te chamarei imbondeiro
Na sombra fresca da mulemba
Dá-me as estações do ano
E te chamarei sol, calor
Nas chuvas de trovoada
Dá-me o firmamento
E eu te chamarei céu
Luar, estrela cadente
Dá-me a kianda
E te chamarei cachoeira
Rio, foz e mar azul
Dá-me a terra
E te chamarei morro, deserto
Planalto, meu chão
Dá-me os cheiros
E te chamarei acácia
Garrida e vermelha
Bela e vaidosa
Dá-me as cores
E te chamarei tela
Tinta, paleta,
Aguarela de pintor
Dá-me os versos
E te chamarei poema
Neto, Lara, Jacinto, Aires
"meu amor da rua onze "
Dá-me a âncora
E te chamarei dongo,
Gaivota, porto de abrigo
Dá-me o continente
E te chamarei mapa
Fronteira, África
Dá-me a nacionalidade
E te chamarei pátria
Angola, sonho, coração
Dá-me o mote
E eu te chamarei
som, melodia
Minha eterna nostalgia
Letra da minha Canção...

quinta-feira, 24 de março de 2011

Miguel Gameiro - O teu nome

ele há-as...


Era uma vez uma galinha tão tarada,
tão tarada que andava às cabeçadas à parede
só para ficar com a cabeça cheia de galos.
( obrigada Manuela )

quarta-feira, 23 de março de 2011

3º dia

Dou comigo a olhar para a sombra. Bem sei que tal como os processos no tribunal prescrevem, fica-me mal sentir-me uma moçoila olhando para a sombra, mas quando uma criatura sobe este viaduto a rezar tudo menos avé-marias, sentindo-se uma galinha poedeira a cada sopro de respiração ofegante, quando finalmente atinge o cume, é o céu. E a sombra, na noite, caminhando folgada à sua frente, a melhor amiga. Sim, porque a sombra à noite, anda mais que nós, ainda que nos sintamos a verdadeira Susana Feitor.
Ora, mas afinal porque foi que olhei para a sombra? Porque me achei bué elegante, ( só para rir ) no meu fato de treino novinho em folha, que os outros não me servem, comprado na Modalfa. É verdade. Apesar de ser loja que não me fica com dinheirinho nenhum, desta vez teve de ser. É que esta santa terrinha não tem uma Zara, sempre é melhor, para adquirirmos uma fatiota, que seja pelo preço da chuva, para a gente armar em atleta.
Hoje foi o terceiro dia, quer dizer, a terceira noite.
Claro que não vou falar aqui das noites em que me equipo e vou por aí fora com umas amigas. Era novidade. Há dois anos que não andava com carácter quase obrigatório, seis quilómetros por noite. A partir de agora, só se acaso acontecer algo que ache valer a pena. Assim, sei lá, se nas minhas andanças encontrar um saco cheio de dinheiro, sem identidade, ou se alguém no início do viaduto me oferecer boleia. Ou ainda, se voltar a ver como ontem vi uma mulher dar uma lambada bem aviada no homem com quem vinha de automóvel e ele do nada, quer dizer, com a maior cara de tacho devolver-lha atirando-a ao chão. Já fora do automóvel. É verdade. Ainda há disto. Em plena noite, dentro da cidade. Como continuaram a briga, a polícia teve de intervir.
Bem e agora vou dormir que desde que comecei a andar adormeço bem mais cedo e durmo de um sono só. Posso não perder os excessos localizados mas que ganho em saúde, certamento que ganho.

o pedro

Vi o Pedro na televisão. É o segundo do lado esquerdo, de quem olha a fotografia. Reconheci o seu rosto e o jeito de falar.
Conheço o Pedro desde que nasceu.
Quando conheci a sua mãe, pai e irmã, estava ele feito feto numa barriga muito grande que a mãe exibia. Depois, foram muitos anos. Diariamente. A vê-lo crescer. Foram festas, reuniões, convívios, espetáculos, rotinas.
Por força de circunstâncias várias, algumas alheias a mim, outras a vida a levar para mais longe pessoas da minha rotina diária, profissional e social, deixei de privar com esta família e sobretudo com a mãe do Pedro que foi só a magistrada com quem mais gostei de trabalhar. Com quem aprendi muito e sobretudo com quem partilhei momentos altos da minha profissão, como por exemplo, após um dia de trabalho, começar a ouvir presos em primeiro interrogatório, às seis da tarde e parar às seis e meis da manhã. Sendo que eu e as magistradas éramos mulheres. A audição de sete detidos, homens e mulheres, gente muito complicada. Ou ainda um julgamento de vinte e dois arguidos, por tráfico de droga, e que demorou quase um mês, com mais de duzentas pessoas para serem ouvidas.
Ao longo de cerca de doze a treze anos houve uma convivência para além do tribunal que permitiu conhecer o Pedro e vê-lo crescer, bem como à sua irmã que tinha uma actividade lúdica comum a uma das minhas crias.
Estivemos todos juntos num casamento há cerca de cinco anos. Ficámos na mesma mesa. O Pedro já homem feito. A sua mãe que eu não via já há algum tempo, eu por ter sido promovida e ter ido para Alcanena e ela porque foi promovida e foi para Lisboa.
Depois desse dia, nunca mais os vi. Falei com a mãe do Pedro há pouco tempo e ao telefone.
Hoje vi o Pedro. Na televisão. Não por ser filho de quem é, mas poderia ter sido esse o motivo e seria um bom motivo, mas porque faz parte do grupo " Os Golpes ".
Fiquei surpreendida. Sabia que fazia parte de uma banda. E que vieram dar um concerto a Torres Novas, sua terra natal. Mas não sabia o nome da banda.
Já aqui postei uma música dessa banda que gosto bastante.
Fiquei feliz. Por ter visto o Pedro, filho da magistrada que mais admiro profissionalmente e de quem tenho gratas memórias. O miúdo que diariamente ia ao tribunal, que foi colega dos meus filhos na escola, que estava nas nossas festas de natal, ou encontros fora do âmbito profissional mas por via disso. Que saiu de torres novas para fazer a faculdade e que ficou por Lisboa onde a mãe também vive.
Fiquei feliz porque o Pedro, fez-me voltar atrás no tempo e lembrar um tempo em que todos éramos felizes, e que funcionários, magistrados e advogados funcionavam como família e tudo era muito mais simples e honesto.
Sei que nunca mais ouvirei Os Golpes sem que me lembre do Pedro e da sua mãe M.H.F.
E lembrar-me significa sentir um grande orgulho por ter privado com estas pessoas.

actualidade


Hoje, logo após o almoço, a propósito do PEC, perguntei:
- Afinal o governo cai ou não cai?
Resposta imediata:
- Não sei de nada. Só sei que é o funeral de Artur Agostinho e que a Elizabeth Taylor morreu.
De facto, hoje para além destas duas notícias que também mexem connosco, pelo menos comigo mexem, o que eu queria mais era que o sr. presidente convocasse todos, mesmos todos a formarem governo. E a responsabilizarem-se pela salvação deste país. Acho que o povo merecia-o e aceitaria todos os sacrifícios com a responsabilidade de tirar o pé da lama. Mas esta foi uma notícia que não ouvimos.

queda livre??????

Diz que cai...
Afinal, cai ou não cai?

terça-feira, 22 de março de 2011

2º dia

Mais um. Dia. Para andar. Subir o viaduto e continuar mais cerca de cinco quilómetros.
Foi mais rápido e melhor. Embora ao chegar ao cimo mais parecesse uma barriga de aluguer parindo, uns atrás de outros, uma ninhada, tal era a respiração que fui obrigada a fazer.
Depois correu bem.
É caso para dizer: " Já nos safemos..."