terça-feira, 22 de março de 2011

sonhar o mar

Já vi a pérgola lilaz. Chegou-me o perfume das glicínias.

Lembrou-me o doce do jasmim. Toquei o alecrim que há na rua. Até já fiz pedidos à lua. O sol, esse, acorda antes de mim.

Já colhi papoilas da estrada e vi chegar as andorinhas, numa bela madrugada.

Já ouvi as gaivotas voarem felizes na beira-rio.

Em suma, já entrei na primavera que chegou há pouco.

Só me falta mergulhar, no azul, verde água.

Para tudo ser perfeito...

Só me falta dar-me ao Mar.

Só me falta ter o mote p'ra sonhar.

The Gift - RGB

Os the Gift com o novo trabalho. Explode.
Tenho um carinho especial por esta banda. E não é só por serem de Alcobaça.
Gosto deles. Gosto da voz extraordinária da Sónia Tavares.
É a banda que mais vezes vi actuar. Aí uma meia dúzia. Fiquem com este novo e bonito trabalho.

segunda-feira, 21 de março de 2011

1º dia

Já está. Não doeu muito. O viaduto ia-me matando, mas não matou. E o que não nos mata, torna-nos mais fortes. Chegado ao cimo do dito cujo como quem atinge, sei lá, ou sei, o êxtase, os cinco quilómetros que me faltavam eram nada. Até ali chegar tive de entrar no espírito da Feira de Março, que está na cidade, paredes meias com o viaduto; sentir o cheiro gorduroso das farturas da Pina, rssssss, eu que nunca gostei de farturas, e ver as luzes psicadélicas dos carrinhos de choque a fazerem lembrar-me outras corridas, outras viagens, quando a feira ainda era lá em cima, no Rossio de S. Sebastião e eu ia para lá, às tardes, na década de setenta, divertir-me com os amigos. Parei a meio porque deitava os bofes pela boca e só me apetecia dizer impropérios à minha gula e preguiça. Tive de fazer de mulher prestes a parir, naquele respirar que só as mulheres que já deram à luz sabem como é, e de repente dei comigo a falar com o próprio do viaduto como já o fiz milhentas vezes, num tempo em que o subia diariamente, mas tinha menos dez a dozes quilos e uma vontade incontrolável de insultar tudo o que mexesse e fazia parte do meu universo a época, que não se tinha portado bem comigo, e para cúmulo, enquanto eu o subia a pé, subiam-no de carro diariamente, como que dizendo-me, monangambé, eu vou de carro e tu vais a pé... Chegada ao cimo tive de me rir. De mim e para mim. Lá estavam os alecrins. E lá estava eu a passar a mão por eles e depois cheirar o aroma que fica nas mãos. Mas não foi só. Também o outdoor dizendo - faz tudo como se alguém te contemplasse, me fez impertigar, e esticar o nariz para cima. E pensar que a única que mudou fui eu. Que deixei de subir o viaduto. Mais adiante a minha companhia lá estava à espera. Depois mais uns quantos metros e mais duas, uma delas grávida, mas veloz. O grupo iniciou então a marcha.

A lua, cheia que nem um ovo, estava de namoro com a terra, coquete e lindíssima. O trânsito era mínimo, o MC Donald's estava quase vazio, e uns engraçadinhos à semelhança dos tempos do século passado, buzinaram-nos, grosseiramente, ao passarem por nós. A Avenida, junto ao rio estava sossegada e a esplanada apinhada de gente sentada como se estivesse no cinema, assistindo a um filme, via o jogo de futebol. Antes de as deixar e seguir o caminho de regresso a casa sozinha, ainda fui a tempo de sentir o aroma exalado pelas glicínias, das pérgolas do velho jardim, junto ao rio. A Primavera salientando os seus perfumes na noite de lua cheia, na cidade do Almonda. Eu participando. Subir as minhas escadas foi um esforço que me fez rir, perceber que tenho de me mexer, e muito. Tive vontade de as subir de gatas, como a Pitanga o faria, mas surpreenderia os vizinhos que logo chamariam o INEM, por isso abstive-me. Agora, estou bem. Muito bem, mesmo. Ficou " escrito " que passamos a ir todos os dias. E é para cumprir. Pelo menos quando o programa das festas não for tão interessante quanto este.

vou ali...

Vou ali e já venho.
Andar cerca de seis quilómetros.
É hoje! É hoje!
Houve um tempo, que não foi há muito tempo que fazia isso com uma perna às costas.
Princípio de primavera. Dia da poesia...
Não poderia ter escolhido melhor dia para iniciar um longo caminho de, pé na sapatilha, boca fechada às asneiras e uma vontade imensa de me sentir melhor, porque isto está mau. Já não são só, os quilos a mais. É mesmo a saúde que já teve melhores dias.
Então vá...se conseguir subir o viaduto, sobrevivo a este primeiro embate e venho contar como foi. Se não, olhem gostei muito de aqui estar...

David Ze - Kamba Diami

o Medo não existe

Estes sobreiros comparo-os às minhas pessoas, com quem hoje me ri, a bandeiras despregadas.
Robustos, magestosos e de pé. Sempre.
Verdadeiros heróis.
Quanto mais estou com eles, menos falta me fazem as futildades desta vida.
À beira deles, o Medo não existe.
Obrigada Paula e Paulo por serem a consciência, na minha vida. E o meu desejo de me aproximar um pouco, da pessoa, que ambos são.

de noite...

Cai a noite. D. Pitanga não dormiu sozinha em casa,nenhum dia da semana. Talvez por isso se abandone num sono descansado. Ao pé de mim, à horas. A sala tem a temperatura agradável de um dia quente, a televisão baixinho não a incomoda e o barulho do teclado, há muito é seu conhecido. As crias despediram-se e voltaram para a capital. A casa tem sabor a tranqulidade e ela simplesmente dorme.

de dia...

Quando eu digo que D. Pitanga se passa, é a sério. E a prova é que de vez em quando, sobretudo quando um saco surge da rua e o poisam numa cadeira, ela cusca, não vai de modas e entra para o saco.
Ei-la!
Imaginem fazer destas e piores, naquela hora da manhã que tenho que me despachar e fechar a sala e o meu quarto para que não seja tudo seu.
Chamá-la, procurá-la e ela não estar nem aí para mim, burricando e agradecendo um esconderijo, para permancer nestes dois compartimentos que ela adora, o meu quarto e a sala é o que acontece quase que diariamente.
Então? É desgastante ter uma gata assim em casa, não é?
Mas é muito divertido! E ela é uma querida que eu não dispenso por nada neste mundo...

É a Primavera...elas já chegaram!

Como diz uma pessoa amiga, elas já chegaram.

no dia da poesia

Isto

Dizem que finjo ou minto
Tudo o que escrevo. Não.
Eu simplesmento sinto
Com a imaginação.
Não uso o coração.

Tudo o que sonho ou passo
O que me falha ou finda,
É como que um terraço
Sobre outra coisa ainda.
Essa coisa é que é linda

Por isso escrevo em meio
Do que não está de pé,
Livre do meu enleio,
Sério do que não é
Sentir? Sinta quem lê!

Fernando Pessoa

Chegou a Primavera

domingo, 20 de março de 2011

a minha mousse de morango

A minha mousse de morango estava que estava...de comer e pedir mais. E repetir...
Não sou modesta no que trata a minha queda para a cozinha. Acho que mais do que queda, é dádiva. Da avó Clara, para o pai, sô Santos, depois para mim e mano Zé e depois, logo se verá...
Vou partilhar a receita. Façam, que não custa nada. Quaisquer 15 minutos bastam para a sua elaboração. O frigorífico faz o resto.
Mousse de Morango
Uma lata de leite condensado, dois pacotes de natas, 4 folhas de gelatina, morangos quanto baste( duas latas, das de leite condensado, triturados ).
Demolhar as folhas de gelatina em água fria a tapar as folhas, e deixar ficar.
Despejar o leite condensado para uma taça e as natas, sem bater. Misturar tudo.
Triturar o correspondente a uma lata das do leite condensado, de morangos, e deitar na mistura voltando a envolver os ingredientes.
Triturar morangos correspondentes a outra lata e adoçar caso os morangos não sejam doces ( eu não adoço ). Guardar no frigorífico, ( ou fazer esta operação apenas no momento de servir a mousse com morangos frescos).
Por fim fazer ferver o correspondente a 2 decilitros de água e deitar dentro, as folhas de gelatina, mexendo bem e já depois do lume apagado. Deitar na mistura da mousse e mexer bem para que não fique em farripos. Colocar a mousse no frigorífico até ao momento de servir. Deve fazer-se com horas de antecedência para que obtenha a consistência desejada. O ideal para o almoço, é preparar na noite do dia anterior. E se fôr para o jantar, preparar à hora do almoço.
Na hora de servir, deitar o molho dos morangos triturados, por cima da mousse e enfeitar com morangos inteiros ou meios morangos, caso queira.
Bom apetite.

p'ra rir

Um galo para outro:
- Eh pá, vamos ao talho?
- Ao talho? Fazer o quê?
- Vermos as galinhas nuas...

um domingo diferente

É domingo. Aqui em torres novas e nos arredores. Não sei a quantas andam países com outro fuso horário...
Acordei cedinho. O sol entrando-me pela casa dentro.
Avisei a Pitanga que vamos ter visitas. Ela anda louca da vida correndo por toda a casa. Até já a fui buscar ao parapeito da janela do meu quarto, que tinha aberto, esquecendo que ela estava por perto. Apanhei um belo de um susto, mas não foi o primeiro e vou-me habituando.
Hoje, tenho um propósito. Cozinhar. Talvez seja o que mais gosto de fazer na vida. Eu devia ter sido cozinheira.
Se a vida não me correr muito mal, ainda vou fazer um curso. Aliás, dois. Um será de cozinha, certamente. O outro, bem o outro, é a outra minha paixão. Fotografia.
Mas hoje, vou cozinhar com o maior amor do mundo. Para as minhas crias.
Aqui, na terra onde nasceram e cresceram.
E sabem o que vou preparar? Vou contar-vos. Se os segredos se vendessem eu estava riquíssima. Assim, não estou, mas fico aliviada.
Um pouco a pedido, vou fazer, de entrada, camarões fritos, suados, melhor dizendo, em azeite, alho e sumo de limão, receita da minha amiga Manuela. Depois, uma carne de porco à alentejana, à maneira. E de sobremesa, mousse de morangos. Feita por mim. Uma delícia...
Hoje é domingo. Dia santo. As minhas crias vêm lá. E nós vamos passar a tarde com a caçula e o herói. Melhor programa que este, para mim? Não há. Por isso hoje estou viva e feliz. É dia santo. E não vou de viagem para lado algum.

antes que...

Esta sala não é senão a sala de refeições do " Café Central " na vila da Golegã.
A vila dos cavalos e do S. Martinho. A poucos quilómetros de torres novas.
Uma terra à mão de semear para onde os torrejanos e seus habitantes, como eu, vão passear, jantar e divertir-se; a sério, na Golegã as pessoas podem divertir-se.
Sendo uma terra rural, é cheia de pequenos pormenores que a tornam meio snob. Tais como as quintas antigas, pertença de gente que ali vai aos fins de semana e na Feira do cavalo, e alguns restaurantes aonde o guardanapo ainda é de pano, ou mais típicos, onde se vai comer peixe de rio, sim porque o rio passa ali à beirinha de nós.
A Golegã tem um café e restaurante no largo da Igreja que se chama Central e pertencia à D. São. Tinha como empregados alguns dos seus afilhados. Hoje já não sei se será assim.
O edifício tem dois andares. O térreo e outro. Nesse, as salas serviam para baptizados, casamentos e outros.
Um segredo que há muito deixou de ser e que não me incomoda sequer falar nele, foi, que ali foi a festa do meu casamento, que custou 74 contos.
Durante muitos anos voltei, em dias oito de cada mês, para comemorar. O ser humano tem cada coisa!...
Depois os restaurantes proliferaram e a escolha recaiu nos novos e modernos espaços e esqueci a Golegã que era um atraso de vida à época, as comemorações e até os dias oito.
Este fim de semana, que nada tem a ver com comemorações, voltei ao bife da central.
O bife à Central é famoso. Tão famoso que ali se vai propositadamente para o comer. É aparentemente banal. Mas o seu sabor e textura... vai lá vai, como se diz por aqui...
Para além de encontrarmos gente que já não viamos há muito tempo, aliás quase todas as pessoas eram de torres novas, o que vemos mesmo, é gente que perde um pouco da etiqueta e vai com o garfo cheio de batatas ao molho delicioso que ainda ficou na travessa. Quando não pega num pedaço de pão para " limpar " a dita...
O preço, enfim, estamos em crise, aliás o tema do jantar foi esse mesmo, que já não nos sai do pensamento o pec 3, 4 e o raio que os parta a todos que o que deviam era juntar-se e criarem um governo para salvarem este país que está à rasca, completamente de tanga mas que do calor de África para estar à vontadinha só nos têem a nós os africanos que aqui vivemos. Por isso, dez euros para uma refeição normal, um bife de vaca fantástico, batatas fritas, arroz e ovo estrelado ( não confundir com bitoque ) é muito? Não é, concerteza.
Para mim não foi. Se eu pagasse dez euros para exorcisar todos os lugares onde fui feliz e que hoje ainda doem e não fazem, já, sentido na minha vida, andava sempre com notas de dez euros para resolver todos esses " traumas ".
Não sei se gostam do Ribatejo. Eu acho francamente que deviam conhecer e iriam gostar, certamente. Não sei se gostam de bifes. Aqui, neste restaurante há até um menino simpático, empregado da casa, que aconselha bife e meio em vez de três meias doses, porque fica mais barato. E olhem que ele sabe do que fala e soube também que as três pessoas que ali estavam, pelo andar da carruagem, porque basta olhar para nós, nem será preciso ser um empregado muito experiente, são pessoas de alimento.
O Central tem outros pratos igualmente bons, nós é que temos a mania do bife à central. Porque a açorda de sável também é bem boa. Enfim, ninguém me paga para a publicidade mas eu gosto de partilhar o que é bom para mim. E acho que tenho bom gosto, por isso...força, metam-se a caminho. Antes que venha aí o FMI e vos tome de assalto as últimas notas de dez euros que ainda têm.

sábado, 19 de março de 2011

do rio até à foz







( fotos de tukayana.blogspot )
Em Constância, vila Poema, o rio Zêzere vai juntar-se ao rio Tejo que inicia aí o seu percurso a sós até Lisboa.
Aqui, temos um rio bonito, com bastante corrente e correndo feliz até à foz.

espaço verde





Espaço verde junto ao Tejo. Na sua margem direita.

tarde de lazer



Se acaso derem um passeio por terras como Constância, Tancos, Vila Nova da Barquinha, irão encontrar junto ao rio Tejo, esplanadas, onde poderão descansar e observar a mãe natureza. Esta vila, vulgarmente chamada de Barquinha está linda e cuidada. A margem do rio foi transformada num lugar de lazer magnífico.
Há já algum tempo que não passeava por estas bandas. Cheguei, parei e gostei. E sentei-me nesta esplanada para beber uma água e conversar com a minha companhia.
Há sábados assim. No Ribatejo.

na margem do rio






( fotos de tukayana.blogspot )
Em tarde de sábado, à beirinha da Primavera e do Rio Tejo.
Vila Nova da Barquinha, a chegar aos 26 graus. Começa o calor no Ribatejo.

parabéns pais

Muitos parabéns, Pais.
Um bom dia de Pai.