quinta-feira, 21 de julho de 2011

a travessia

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Os barcos são todos iguais. Ou nós é que não nos surpreendemos. Não sabia como era este. Nunca precisei de vir trabalhar para a cidade antes de nascer o sol e de a abandonar no lusco-fusco, cansada e ansiosa por chegar a casa.
O barco, ia cheio de uns e outros, e pelo meio, turistas; uns como eu, de trazer por causa, outros que falam francês, não sei é se tocam piano, mas soube que gostam de ocupar os lugares da frente e por isso atropelam quem à sua frente se posicionar. Para mirarem as voltas que o barco dá, a espuma que a água verde azulada, mais verde que azul, deixa na superfície, as ondas, sim, as ondas que ele provoca. Mais uns quantos barcos iguais a este que andam todo o dia num vai e vem tejo acima, tejo abaixo, desta, para outras margens.
Sentei-me na lateral, junto a uma janela. Um homem, à minha frente, de costas para o sentido que o barco levava. E um miúdo ao seu lado. Não se conheciam. Quando o barco começou a deslizar nas águas do rio, Lisboa foi aparecendo e eu disparei algumas fotos sobre o Terreiro do Paço e castelo. Exagerando como se fosse a última vez. Nas costas da cadeira da frente, aos meus pés, uma bóia. Para o que desse e viesse. O homem olhava p'ra mim indiferente. A tudo e a mim também. Olhava porque eu me pusera bem na frente do seu raio de visão. Quando o cais se aproxima, o homem levanta-se. Olho-lhe os braços. Os cotovelos feridos até quase aos pulsos denunciam um problema. Embrulha-se-me o estômago. Talvez da calzone à Alcântara, degustada numa pizzaria giríssima e moderna, onde me levaram a almoçar, frequentada por gente gira, homens giros, chefes, com ar de chefes de qualquer coisa. Em grupo. Ou em casal. Será que o homem da psoríase já comeu calzone? Eu, foram poucas as vezes que escolhi esta pizza fechadíssima, com aspecto de rissol grande, massa e mais massa, e o recheio a surpreender-nos, para o bem e para o mal. A primeira vez foi em Montemor-o-Velho, aquando do festival internacional de dança onde a cria apresentava um trabalho, lindo por acaso, ou não por acaso. Jurei para nunca mais. Mas nunca se pode cair nesse lugar comum de compromisso tão radical e um dia destes, na esplanada das pizzas da avenida da Liberdade tentei-me e fiz bem pois as mini calzones que eles ali servem, são um manjar de deuses italianos, e não só. Nestes lugares da moda, eles são engraçados. Os pratos decorados, por vezes, causam piada. Um prato enorme, regado com azeite, está também na moda o azeite, veja-se as taças com azeite para a gente molhar o pão, a pizza em forma de rissol e mais adiante, umas folhinhas de rúcula e rodelinhas de azeitona preta. Por falar nisso, uma mulher que conheço, que podia estar ali comigo a comer pizza ou uma pasta qualquer, chefe, como os chefes que ali estavam, ao ver num supermercado saquinhos de rúcula, perguntou: Rúcula? Que é isto? E eu pasmei. Mas fiz mal. Eu, até começar a fazer saladas com queijo mozzarella, tomate, oregãos e a dita rúcula, também nunca tinha visto tal. Se vos disser que esta salada, a acrescentar-lhe massa, é o pitéu quase diário de uma figura pública da nossa praça, de que todos já ouviram falar, pelo menos, e que tem uma figura elegante e cuidada, acreditam? Sou eu que o digo, mas não digo mais poque seria uma inconfidência e apesar de segredos serem desprezados por mim, este, não me pertence e era chato.
O homem da camisa aos quadrados, cabelo grisalho e carregando uma doença tramada, nos cotovelos e no sistema nervoso, voltou a olhar-me, sempre indiferente, já em pé, virado para fora. O miúdo também se levantou. Foi-se abanicando ao som da música dos seus fones. Deixei-me ficar mais um bocadinho. Não tinha pressa. Já não tenho pressa. Perguntaram-me quando fora a última vez. A última fora de Luanda para o Mussulo. Como é que esquecera essa travessia? E esse passeio fantástico, único, de 3 horas ao longo de Luanda e do Mussulo, sentindo a cidade e a ilha beijando-me de boas-vindas e abraçando-me calorosamente num cacimbo de agosto e de amizade de infância...fazendo sentir-me eterna na minha pequenez, curvada, perante a sua maravilhosa beleza?!
Mas...e no Porto, no Douro, fazendo aquele passeio das pontes que dizem que é cruzeiro, o cruzeiro das 7 pontes, mas que afinal são 6, até à foz?! Como é que fui esquecer isso? Foi há tão pouquinho tempo, ainda não vai um ano...pior foi não me ter lembrado da travessia noturna num sábado de 81, no rio Zêzere, até uma estalagem, bem no meio do rio, numa ilha pequenina, que parecia que só lá cabia a estalagem, ou seria pousada? Só lá cabia eu e o que me levava ali...Como é que eu me fui esquecer disto?
Como se fosse um grande rio a desaguar no mar as minhas lembranças guardadas na memória a chaves de oiro, mas à margem delas e do que a maré levou, percebi a indiferença do homem grisalho, de camisa aos quadrados e braços cheios de psoríase, que olha e nada vê e viaja de costas para o seu destino.
Gosto de lugares de partida e de chegada. Gosto dos meios que nos fazem partir e chegar. Todos. Os que são colectivos. Nunca tinha atentado nisso. O prazer de viajar no meio das gentes.
Gostei desta viagem. Não foi uma travessia no deserto. Como algumas que já fiz e farei.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

no dia mundial da amizade

A todos os meus amigos, um kandandu maior do que o Universo.

para a outra margem

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Há janelas felizes. Varandas maravilhosas. Que não têm como horizonte África, mas para lá caminham. O rio Tejo labutando e passeando é o que esta varanda me dá a ver. Mas dá-me também terra. A outra margem. Almada, que a gente adivinha daqui mesmo que não se veja e o Cristo Rei. Quem quiser, passa a ponte, quem quiser vai de barco até Cacilhas, que se vê, claramente vista.
Quem sabe?! Quem sabe se eu não faço esta travessia...
Só por fazer. Só para fazer...só mesmo porque sim.
É uma viagem. Mais uma, duas, que tem volta na ponta. É um passeio. Dos tristes? Nãanananananani. Hei-de curtir.
Tenho feito algumas, poucas, travessias de barco. Nunca fui às Ilhas gregas. Nem a Porto Santo, nem entre ilhas dos Açores, nem...assemelho-me um pouco ao melhor e mais fiel amigo do homem; levanto-me, dou uma volta a mim mesma e sento-me de novo. Estas são as minhas viagens mais frequentes. Afinal, eu nunca fui, estou sempre para ir, no sonho que gosto de sonhar. De vez em quando, lá calha e é uma felicidade. Porém Troia para Setúbal e Setúbal para Troia já curti várias vezes, que até golfinhos vi. Vila Real de Santo António para Ayamonte no tempo em que se fazia de barco, também. Tancos para Castelo de Almourol, idem. E não me lembro de mais mas deve ter havido outras.
Esta viagem ganhou forma dentro de mim. Afinal, estou de férias, não quero nem posso ir longe, não quero nem posso gastar muito dinheiro, não quero nem me apetece fazer o mesmo de sempre. Bora lá então que se faz uma pressa. Não levo bóia. Será que é preciso?

fotografando







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cacimbo de Julho

Sopra o vento frio
A sul
Traz o cacimbo na pele
Um arrepio
Surpresa
Susto
Falta de agasalho...
Diz o povo
Kauelo já não é kauelo
E corre apressado
Ao baú ( da avó ),
Do século passado
Procura a farpela
Vestido de novo,
Todo enfarpelado
Espelha-se na banga
Já conformado
Sai para a rua
Olha para o céu
Afasta a nuvem
Que veste a lua
Cintilam estrelas
De frio também
Este é o Julho
Da terra-mãe.

m.c.s.

terça-feira, 19 de julho de 2011

os espertos do facebook

Ontei postei aqui Nelson Mandela, dando os parabéns ao homem único e extraordário exemplo vivo de Liberdade, que África possui. O orgulho africano.
Também publiquei na minha página do facebook, a mesma foto, e as mesmas palavras. Foram algumas as pessoas que comentaram. Hoje dei-me conta que alguém que conheço há muito, foi ali comentar. Já mais de meia dúzia o tinham feito Esta, raramente o faz. E o seu comentário, aparentamente inofensivo, foi de reparo. Na minha cultura e não no meu português. Escrevi Mandila e não Mandela. A criatura escreveu apenas: É Madiba e não Mandila. Só assim. Eu podia não saber que Madiba é o nome com que o seu clã carinhosamente o trata, mas sei. Eu podia até nem saber; para isso existem as mensagens, onde podemos trocar opiniões, saudações e correcções e onde ninguém entra, a menos que as façamos públicas a uns quantos. Eu podia até ter escrito mal por ignorância, mas não se faz o que esta criatura fez. Ninguém corrige o português mal escrito, no facebook, quanto mais o que nos parece ser ignorância cultural. Não estamos ali para dizer uns aos outros, ei, pssssss, não sabes escrever, meu? Olha que é com é e não com i, ou, onde é que estás com a cabeça que só dás calinadas? Meu, vai p'rá escola aprender o bê á ba. Seu matumbo, pensas que estás aonde, atrás do sol posto? Comê quiê, lês pouco, vai-te instruir mazé. Não. Ninguém de bem faz isto. E muito menos publicamente (?), sim que no meu caso tenho 400 e tal amigos do facebook. Se alguém que nos conhece quer mostrar, não a nós, mas a quem nos lê com assiduidade que é culto e nós somos uns ignorantes, armados a bestas, esse alguém é para lá de atrasado mental. Mas não lhe chamei isso porque é um preconceito com quem tem deficiência e não me parece bem que o faça. Mas acho que está a um dedinho de ser bloqueada, esta criatura, que nem parece que me conhece de outros carnavais, bem como à minha família, e vice-versa. Já lhe dei o benefício da dúvida a um comentário que fez em resposta a uma amiga minha e por sua causa tive que pôr ordem nos trabalhos e no seu lugar e pedir desculpas à minha amiga pela má educação da criatura. À terceira...nem o respeito à memória da sua família me fará vacilar. Será de vez.
Ó'méssa? !!! Já uma pessoa não pode chamar a Nelson Mandela, Nelson Mandila...
Querem lá ver!!!

limitações e inibições

Li no blog da SMS, amiga da cria, que recebeu um telefonema, porque havia grande probabilidade de ser compatível com uma pessoa que precisa de um transpante de medula. Ela empolgada, depressa, a correr, voou até ao serviço que faz exames e perguntas. E deparou-se com uma pergunta aparentemente estranha mas que pelos vistos faz todo o sentido. Se tinha hérnias. Depois do exame feito, ficou feliz porque apesar dos pesares todos a que está sujeita no dia a dia, tudo está bem com a sua coluna. Continuou assim a acreditar na possibilidade feliz de ajudar a salvar alguém que precisa muito. Mas quis saber o que é que o cu tem a ver com as calças. E responderam-lhe que até acontecer um caso de um dador que piorou da sua hérnia depois de fazer a sua doação, passou a obrigatório o dador não ter hérnias.
Se bem se lembram as pessoas que aqui vêm ler e me conhecem, eu tenho hénias. Uma na cervical e outra na lombar. Concluí assim que jamais poderei ser dadora.
Esta inibição recordou-me outra, já lá vão 15 anos, quando alguém muito muito próximo de mim, tão próximo que chegado o momento de serem precisos dadores de sangue, pois que os hospitais pediam a doação antes do doente ser operado, eu me cheguei imediatamente à frente.
Éramos dois, os que estávamos preparados para o efeito. Nas calmas. Sem crises e sem medos. Quando chegou a minha vez, foi necessário responder a um questionário. Respondi calmamente, apesar do nervosismo de estar para acontecer uma cirurgia de certa forma complicada, ali no hospital santa maria e na equipa de lobo antunes, em que o paciente era uma pessoa que eu amava muito.
Uma das perguntas era se já tivera doenças dos países tropicais. Paludismo, disse. E a outra, se sofria de doença cardíaca. Perguntei se taquicardia contava como doença.
Agradeceram-me muito, sorriram de orelha a orelha e disseram-me que não, muito obrigada mas a senhora não pode dar sangue. Quis saber como é que ficava. E a criaturinha doente?! Que, se fosse preciso algum familiar teria que se chegar à frente. Não foi preciso. Correu tudo bem. Menos para mim, que fiquei com a certeza de que não fui útil.
Agora, de novo e com esta história das hérnias, chego a uma triste conclusão. Não serei útil porque tenho limitações.
Afinal o meu sangue não serve para nada?!
Que triste conclusão a que a SMS me fez chegar.

curiosidades

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a arte na rua II





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a arte na rua

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A arte, na rua Augusta.
Quem quiser alimentar a alma, pode fazê-lo a custo zero.
É só percorrer as ruas da Baixa de Lisboa e encontrará várias manifestações de arte.
No caso, Música.
Ah, mas como estes artistas não estão ali só para nos darem música, porque a vida custa a todos, vá lá, levem um porta-moedas com moedas de 1 euro e façam o que deve ser feito. Deixem uma quantia digna, porque o alimento da alma também tem preço. Façam-no vocês e eles agradecem.
Tenho o maior respeito por estas pessoas. Tenha também.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

assinalando





Parabéns Nelson Mandela!

estámu a sofrêre malê





Neste tempo de cacimbo diz-se em Luanda que:
KAUELO, já não é kauelo!!! FRIO já não é frio!!!
Pois é. Parece que bateu forte, o cacimbo, em Angola, este ano. De dia, se, as temperaturas são baixas, à noite a temperatura desce bué e o povo precisa embora se enfarpelar e já está a dizer: Estámu a sofrêre malê !!!

recordando e vivendo
















fotos tukayana.blogspot Aqui está, o lugar onde eu queria ter uma alegre casinha tão modesta quanto eu...
Meu Deus como era bom morar aqui mesmo em frente ao mar...
Gosto. Gosto muito deste lugar. Não por ter fama de chique. Mas porque aqui me sinto em casa.
No século passado, estávamos nós no ano de 1980, passei,neste lugar, duas semanas mais ou menos. Não de férias. Trabalhando. Com a responsabilidade de zelar por um colégio pré escolar. Com um grupo de crianças que não comiam sozinhas, não queriam dormir, choravam e eram deixadas às 8 e só partiam às 16 para as famílias. Conheci duas pessoas fantásticas. Uma delas, a Zélia recebeu-me na sua casa, logo à minha chegada, para um lanche de scones e chá, sem nunca me ter visto antes. Morava mesmo em frente à baía, numas águas-furtadas maravilhosas. Outra foi o sr. Santos, pai da dona do colégio, que vivia na casa, no andar superior. Era reformado das finanças, senhor viúvo e com uma educação esmerada. Que cozinhava para ele e para mim ( nesta altura eu apenas sabia estrelar ovos e vá lá vai ). E que de mim tratou quando quase me matei nas escadas, a caminho do telefone que tocava histericamente. Já nesse tempo eu caía, que nem uma patinha, nas cascas de banana dos caminhos por onde andava, pois foi para atender, com o coração aos pulos de saudades, o telefonema do namorado que me estatelei todinha, escadas abaixo, no alto de uns sapatinhos adoráveis que perdi pois que os saltos foram ver mundo, tal a violência do tralho. Fiquei tão mal tratada que o pobre do senhor me levou ao hospital para exames e depois, qual pai dedicado e protector, na hora certa, me dava os comprimidos.
Quando saía às 17, ia às compras com o sr. Santos ou ia sozinha,ver o mar. Percorria a vila. Comprava postais e mandava às minhas pessoas. E no entretanto, fiz uma alergia tal, aos pinheiros, que existiam no quintal que parecia um peixe esbugalhado e doido com o novo habitat. Fui convidada para jantar nos lares das pessoas que trabalhavam no colégio, conhecendo as suas famílias e entrando nas suas intimidades com muita naturalidade, que tudo fizeram para que me sentisse em casa. E senti. Levaram-me a conhecer a Boca do Inferno e o Guincho. A praia da Maças. E tudo quanto ficava à volta da vila. E a minha amiga Julieta foi visitar-me. Nessa altura era enfermeira em Sintra , perto dali. Foram uns dias muito especiais, por isso e porque a vila é tão bonita e apelativa, é um lugar que mora no meu coração. É um lugar onde eu gostava de morar. É um lugar onde vou sempre que posso.Faz-me bem. Apetece.

sinal do tempo

Sinto no meu corpo
O afago da brisa que corre
Nesta madrugada quente.....
Retenho-a
Qual formiga conservadora.
Suspiro
E o sopro leve que sai de mim
Ganha forma de ciclone
No formigueiro
Perto daqui.

Ainda é verão e o inverno nem sequer se anunciou.

m.c.s.

inconfidências

É. Eu gosto de Keane.
Não sei se é de bom tom gostar. Não me interessa. Gosto e pronto. A voz do miúdo é linda; eles tocam-me a alma. É quanto basta. Se a minha alma gosta do que é comercial?! Se calhar gosta. Mas o que gosta mesmo é que lhe passem a mão pela aura.
Não sei se já postei esta música. Também interessa pouco.
Indo eu, para um encontro de afectos, dei comigo a ouvir esta música que está gravada no MP4. Gosto de a ouvir, como todas as que lá estão e que são muitas. Tantas que já não ouvia esta, há muitas luas. Juro que gosto de keane, e com isto posso estar a enterrar-me. Porém a cada vez que a música passa, dou comigo a querer chorar. A querer lembrar. A querer fazer o número da coitadinha. Gosto de saber o porquê das coisas. Posso não chegar lá mas se chegar a algum caminho, entro nele confiante que acertei e sossego o espírito. A letra da música, pelo que eu percebo de inglês ( bahhhhhh ) não sugere as minhas lágrimas, não é dor de corno, tão pouco saudade, ou abandono de uma terra. E perda do passado muito menos, roubo material irremediável, despedidas, ou ainda acidente gravíssimo, morte de entes queridos. Então por que raio estes meninos que cantam bem e têm uma música tão bonita me provocam este estado de alma, que embora se mantenha branca, porque eu acho que apesar de gostar do vermelho, a minha alma veste um longo vestido branco, vincando a cintura (?) e caindo em vasé até ao chão, com um manto que parte dos ombros, igualmente longo, não é vestido de noiva, longe de mim tal idéia, mas estou a vê-la, a alma, e estou a vê-lo, o vestido e estou a ver-nos lindas de morrer, contudo, lá está a alma a mudar para branco pálido, triste, apenas com a audição desta música. Tenho pena dos keane. Não merecem este estado de alma.
Mas o que eu sei é que de repente estou a querer ouvir a música e chamo a carpir todas as mágoas que tenho e são algumas, daquelas que até a alma
perde o ar superior que ostenta. E vêm-me à memória dias como 4 de Janeiro, 29 de Junho, 29 de Julho, 4 de Junho, 9 de Maio, 10 de Outubro, 8 de Janeiro, 1 de Abril, 10 de Setembro, 15 de Outubro, de uns anos quaisquer, que não interessam nada, para o caso. E fica difícil disfarçar para o homem que me olha desde que entrei no Senhor Roubado até à Baixa, que até mudou de linha comigo e veio sentar-se de novo à minha frente. Como num filme com as rotações trocadas, tudo se passa em 2 minutos, mais coisa menos coisa. Depois, chega Aubrey. E fico no céu. Ganho de novo um brilhozinho nos olhos mas já não disfarço perante a criatura que me olha e não afasta o olhar de mim. Porque será que esta música me provoca uma sensação danada de boa? Também não sei. Ou sei?!!!
O dia 10 de Setembro, que acabara de fechar a sete chaves, vou buscá-lo. Troco-lhe o ano e Aubrey faz sentido. Todo o sentido.
E depois, afirmo sempre, que não há coincidências... E não. A energia do Universo é poderosa e coloca tudo nos devidos lugares.
Vou manter Nothing in my way no meu MP4 imediatamente antes de Aubrey, como estranhamente foi logo de início colocada e não foi por mim ( esquisito ). Porque eu não acredito em bruxas, mas que as há, lá isso há.

à beirinha do Tejo

foto tukayana.blogspotAdorei! Adorei! Adorei!
Adorei o almoço na tua casa. Obrigada GENTE LINDA!

domingo, 17 de julho de 2011

É o Verão



Bom dia, alegria
Grita alguém ao verão
Ele sorri satisfeito...E nada contrafeito
Num passo de magia inicia a bela estação
O sol presente horas esquecidas
Aquece o corpo das raparigas
Afaga a alma dos reformados
Inspira poemas
Mostra caminhos
É um presente dos afortunados.

Bom dia, descanso
Grita alguém, ao Verão
Ele sorri pachorrento
São as férias, novo alento
Dias e dias de prazer
Na preguiça de nada fazer
E é a praia
E é o mar
O bronzeado de arrasar
É a beleza desafiando a natureza...

Bom dia, noite escaldante
Grita alguém ao Verão!
Ele pisca o olho maroto
Num gesto bem sabidão
Discotecas, curtição
As amigas caipirinhas
Semba, kizomba,
Feitiço, paixão
É o tempo de abraçar
É chegada a hora
De conquistar
Esta louca estação
Pois claro, pois então... o Verão

m.c.s.

Boa praia

foto tukayana.blogspot Bom domingo e boa praia.

doce dos afectos

foto tukayana.blogspotArroz doce é um doce antigo como antiga eu sou. Nem sempre gostei desta guloseima tão tradicional. Era mais arroz de marisco, arroz de caril, arroz de tomate, arroz de feijão, arroz de manteiga, arroz à valenciana, arroz de grelos, mas nunca arroz de bacalhau ( que horror ). De vez em quando e se não houvesse mais nada doce, arroz doce. Tentei aprender a fazê-lo. Não consegui. Eu!!! Eu maria clara das dores, que tenho pretenções de ser boa cozinheira e também doceira, não sabia fazer arroz doce. Muita falta de paciência para a minha preguiça que gosta de fazer tudo a correr para se despachar rapidamente do trabalho. Aquele mexe-mexe e torna a mexer e deita leite a ferver e torna a mexer, mexe com os meus nervos. Quer dizer, mexia que eu já nem tenho nervos.
Decidi aprender, depois de comer o arroz doce da Manuela e também o da Lara. Que são de comer e chorar, soluçar, por mais.
Convenceram-me que era simples demais. Era mesmo só preciso paciência, leite, arroz, limão, pau de canela, açúcar, colher de pau, a minha presença e lume.
E ontem à noite, eu maria clara, a nova e estranha clara, que de férias não sai de casa,( quase ), e nem ao sábado à noite lá vai, decidi ir para a cozinha experimentar a receita das duas criaturas que melhor fazem arroz doce.
O resultado foi este. Ficou mesmo bom. E foi um belo teste à minha capacidade de suportar um tacho, uma colher de pau, lume brando e o calor duma cozinha, mais do que o apetite para o tão falado arroz. É que há quem cá em casa, goste mais do que eu e esse gozo de apresentar esta taça a quem gosto mais do que de arroz doce é um prazer sublime.

TIM MAIA e GAL COSTA - UM DIA DE DOMINGO

Um bom domingo a todos.

sábado, 16 de julho de 2011

as ruas de Tomar, enfeitadas









Foi assim na cidade de Tomar a semana passada. As ruas enfeitadas de flores de papel, para receberem cerca de 500 mil pessoas que se deslocaram à cidade do Nabão para assistirem ao cortejo dos Tabuleiros.

deserto de ti




Dá-me algo mais que o outono
Algo mais que o vazio
Que o deserto
Que o silêncio...
Dá-me uma flor amarela
Um grãozinho de areia
Um pensamento
Uma janela
Uma canção
E a voz...
Da tua emoção
E eu te direi apenas
Que vives no meu coração...

m.c.s. 16.07/2011

negação


Não!
Não quero espaços
Poiso de saudade...Instalada
No seio de mim
Não!
Não quero um festim
De lágrimas e lenços
Alvas lembranças
Negras esperanças
Queimadas assim
Não!
Não quero palácios
Vagas,
Portas abertas
Varandas douradas
Noites despertas
Nem âncoras
Nem portos
Nem laços
Não!
Não quero abraços
Nem despedidas
Não quero os espaços
Não quero partidas!

m.c.s. 16.07.2011




sexta-feira, 15 de julho de 2011

sonho de verão

Um, dois, três dias...
Ao terceiro dia, levantei-me do meu descanso, recusando as papas que me deram prazer e nostalgia mas que nem sequer ficaram registadas na acta das memórias mais importantes e arrumando a tigela, a canela e o limão, decidi circular dali para fora.
Ver mundo, de um hoje que faz mais sentido por mais próximo de um futuro que pode não me dar papas nem descanso mas é sonhado, como todo o tempo que está para vir, é. Por mim.
Se me levantei da preguiça, sentei-me logo a seguir, na esperança de escapar do pesadelo de não ouvir a voz do mar, rodeada que estava de montes castanhos e pintados aqui e acolá de um verde seco, sobras de uma primavera húmida e rica de vegetação. O campo ao terceiro dia chama-se tédio, monotonia e bocejo por isso me aninho na idéia de ser folha branca dobrada ao meio e depois manuseada artesanalmente. Pela mão de um artista sonhador de barquinhos de papel. Baloiçando, baloiçando, nas ondas da alegria, avançando, avançando, como albatroz voando, de encontro ao que me dá mais do que papas e descanso.
Sentada desajeitadamente, sonho, neste hoje que faz tempo é presente, com o aceno do horizonte que está custoso de se mostrar com nitidez, assim num óbvio que não é preciso esforço para pensar, contas de somar, nem mão a fazer de pála por cima dos olhos para lhe perceber os contornos do chamamento, num decidido e desejado, vem, que aqui junto de mim é que é o teu lugar.
E eu, vou, caminhando a passo largo pelo carreiro que o azul, verde-mar abrirá, só para eu passar. Só para eu cumprir o meu sonho de verão, mesmo que nos dias gelados de lareira me aquecendo e as chamas me chamando numa preguiça de me conformar, eu não acredite que o mar pode ser a ponte que me há-de levar a ti.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

pitanguices ou falta delas







A Pitanga já se apossou do sofá. Quando cá chegou, foi fazer o reconhecimento por toda a casa, e como sempre, instalou-se no sofá vermelho.
Há dois dias de férias, confesso que ainda não saí senão para umas compras bem perto de casa, por isso posso observar a vida da Pitanga durante o dia. Esta gata dorme que eu sei lá. Anda numa de fazer greve à comida húmida e apenas quer latinhas de atum gourmet que são caras que até doi. Não me passava pela cabeça que os gatos têm uma vida enfadonha e preguiçosa. Estou quase com pena da minha Pitanguinha. Será que se sente prisioneira? Será que eu sou a carcereira da minha Pitanga adorada? Meeeeeedo!!!

papas e descanso

Ele há matabichos felizes. Gulosos. Sabendo a passado, também ele feliz. Luanda há poucos meses. Numa casa mesmo de frente para a baía e para a Ilha, ali numa nesga que os prédios da frente fazem, dando-nos permissão para acordarmos com o mar no olhar e a vontade de um passeio pelas areias da ilha, sentindo o sol tocar-nos a certeza de que estamos felizes. E o passado ainda mais longínquo quando candengues alegres nos chamavam de casa e corriamos da rua, descalços, para mais um prato de flocos de aveia, cheirando a limão e canela.
Hoje, de férias, com vontade de ser criança, respirar Luanda, sentir o lar, eis que me ocorre uma tigela de flocos de aveia, à velha moda tradicional, como os das mães do bairro, que diariamente preparavam para os seus meninos, em que também podia acontecer, maisena com gema de ovo e casca de limão, tapioca, custarda ou matete ( feita de farinha de milho ).
Eis aqui a minha taça de flocos de aveia. E a receita, que é simples.
Para meio litro de leite, talvez 4 colheres de sopa de flocos, casca de limão e açúcar a gosto, no final. Deixar ferver e cozer durantes alguns minutos, mexendo sempre. Já no prato, taça ou tigela, polvilhar com canela, a gosto.
A mim soube-me pela vida, para além de me lembrar dos tempos idos, da minha kamba que sempre faz flocos quando vou a Luanda e não necessariamente de manhã. Houve uma noite de Janeiro último, que, à ceia, naquelas noites de Luanda; quentes, com os grilos a cantarem, os automóveis businando impacientes, a chuva querendo chover a potes, a lua espelhando a sua luz prateada nas águas da baía, a música espalhando-se pelos quintais, cheirinho a terra molhada, os kanucos bricando na rua, que nos lembrámos desta guloseima, e se nos lembrámos melhor a comemos.
Estou de férias e entro pelo passado sem me esquecer e afastar do presente. Porque o que quero mesmo é aproveitar estes dias de descanso e lazer, fazendo só o que me faz falta. Para me sentir bem. Comecei deste jeito e com jeito vai.

uma volta pelo dia 12

São presentes, ou prendas, como preferirem dizer. Alguns, dos que recebi no dia dos meus anos.
Ainda há presentes por receber mas hão-de vir parar-me às mãos pois o seu a seu dono, que é como quem diz, são meus ninguém mos poder tirar.
O 4º livro de crónicas de antónio lobo antunes, foi uma surpresa ( grande lata ) feliz. Loanda foi mesmo uma surpresa grande, e o relógio, maior ainda. Obrigada pessoas lindas que não só não se esqueceram de mim, como a troika não vos amedrontou e ainda por cima escolheram presentes que eu amo do coração. É difícil nos tempos que correm reunir estas 3 condições para um presente de aniversário. O que vos devo? Muito. Tudo. Grata fiquei, embora nem sempre pareça pela falta de escandaleira no momento de receber a prenda. É falta de jeito para o efeito e timidez (?). Dar é menos constrangedor que receber, diga-se em abono da verdade. Gosto tanto de uma coisa como de outra, mas gosto muito mais de espiar as reações de quem recebe a que espiem as minhas.
Mas isto agora não interessa nada. As prendinhas já cá cantam ( nem todas que eu não me esqueci ), estas e outras, que foram, ainda, um troley lindo, de morrer, produtos da Rituals, uma mala ( oferecida pelos meus colegas ), outra mala, e uma pulseira.
Eu acho muito sinceramente, que deviamos fazer anos todos os meses. Isso é que era...ficávamos um pouco mais velhos, mas que importaria? Só a alegria de receber presentes! De jantarmos fora em sítios lindos como aquele onde jantei, com algumas pessoas maravilhosas, onde há guardanapos de pano, louça de primeira qualidade, pratos bem confeccionados, sobremesas deliciosas e a vista sobre o rio Tejo tendo como horizonte a outra margem, e depois num sítio lindo, com vista para o Tejo também, nos cantarem os parabéns e chafurdarmos de gafanhotos um bolo de aniversário no momento do sopro das velas, um brinde fantástico com champanhe francês ( bolo e champanhe oferecido pela cria mais velha ), onde nem a Pitanga faltou para cantar ( miar ) os parabéns a você. Há lá melhor que isto? Há mas não se pode ter tudo. Faltaram os meus heróis, mano Zé e anexos, Manuela, minhas kambas de Luanda e de Samora Correia and so on, etc, etc... Na verdade, o meu dia de aniversário correu bem. Entre torres novas, alcanena, torres novas, lisboa e olival basto. Adorei a noite. Adoro cá andar. Por isso adoro o meu dia. E adoro estar com as pessoas que amo. Consegui em parte. Sou feliz.

sonhadora

foto tukayana.blogspot Hoje, despertei a chorar
No meu sonho que acordou
Porque deixei de viajar
Que até o sonho chorou
Lágrimas de emoção
Pena de não mais sonhar
Ficou-me aquela canção
Que me fez embalar
Nos braços do seu ninar
Voei por montes e serras
Fui até o fim do mundo
Numa nuvem de algodão
Na asa da borboleta
No pólen do coração
Da minha flor predileta
E o que por ali vi
Com os olhos do meu sentir
Não é com o despertar
Que o vou apagar
Não quero, nem sei fingir
Porque os sonhos qu'a noite oferece
À minha alma aprendiz
São a esperança qu' amanhece
Num aprender que enternece
Num acordar mais feliz.

m.c.s.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

oferta/poema de aniversário

Este foi o presente de uma amiga linda, angolana como eu, que em resposta ao meu poema " Obrigada " me ofereceu este, ontem.


Quando Luanda acordar
no cacimbo da manhã
vai lembrar-te em sua esteira
no pregão da quitandeira
nas águas da sua ilha
que há uns anos atrás
do seu seio brotou
flor da cor da acácia vermelha
de cheiro a maracujá
uma flor que se fez gente
gente que se fez mulher
mas que o vento levou longe
p´ra caminhos bem distantes
para bem longe de vós
mas hoje Luanda acordou
e foi a correr p´ra rua
à Marginal, à Mutamba
à fortaleza, à Maianga
com o teu nome na voz
Clara acácia, boca rubra
menina de pele morena
vem deitar na nossa esteira
à sombra da mulembeira
cantar e dançar com a gente
comer manga e fruta pinha
porque a flor se fez menina
e depois se fez mulher
e por muitos anos seja
Clara acácia, flor vermelha
aqui,
pertinho de nós.

helena costa amaral

terça-feira, 12 de julho de 2011

dia de nascimento

Acordou Luanda
Acordou o cacimbo
Acordou a manhã e a mãe.
Lá fora a cacimba não parou
Nem a cidade
Nem o relógio
Nem a vida
Nem o amor
Apenas naquela família
Algo mudou.
Nasci...

m.c.s.

obrigada

Abriram caminhos
Desenharam o sol
Pintaram as flores de vermelho
Rosa e branco
As folhas, de verde forte
Construiram uma fonte
Água cristalina e pura
No céu uma nuvem branca
Cacimbando a manhã
Aproximaram o mar e tingiram-no
De azul e verde
Assaram castanha de cajú
Perfumaram de lavanda as roupas
Chamaram as quitandeiras
E escolheram pitangas, gajajas e maboques
E nem a sombra das mulembas faltou
Olharam o calendário
Marcaram Julho
Preparam o berço
Montaram o cenário
E esperaram
Depois respiraram...para mim.
Só não viveram... por mim.
Hoje...
Hoje oferecia-lhes alguns dos meus caminhos
Para percorrermos juntos o tempo que me falta...

m.c.s.

sempre a descer...

Aos 50 e.......está bem, pronto, 56, estou assim! rsrsrsrsr!!!
Aos 43 anos já era assim
Aos 26 anos eu era assim
No primeiro ano de vida como os pais Em dia de fazer contas à vida aqui estão algumas de mim.

noite de concerto





Se podia estar noutro sítio? A fazer qualquer outra coisa? Até podia. Mas foi a minha escolha. O meu presente. Ir ver o concerto dos Deolinda. E comecei o dia 12 de Julho ouvindo Ana Bacalhau, essa mulher furacão, cantar que me encantou até à emoção, ao sorriso e às palmas. Foi um belo concerto. Foi uma bela noite. Mais uma vez na cidade do Nabão. No último dia da Festa dos Tabuleiros. À meia- noite o meu telemóvel tocou e eu li - Milú Luanda. E o meu coração rejubilou. Ganhaste kamba diami. És Grande! Eu sou uma afortunada. Quem é que tem uma amiga que em Luanda fica à espera da meia-noite para telefonar à amiga que está em Portugal? Quem? Quem? Eeeeeeeeu. Obrigada também às minhas companhias de concerto. Foram as primeiras que me abraçaram neste dia. Não me vou esquecer disto. Beijos para todos.